quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Aniversário do blog, nossa revista eletrônica !



É hoje!!! Estamos ficando mais experientes, até porque velha é a estrada.

Nosso blog comemora 2 anos de vida e esse caixeiro viajante da cultura 47 primaveras. Gostaria de agradecer a todos que tem nos acessado. Saibam que este trabalho é feito com muito amor e respeito a todos vocês.


Vamos comemora essa festa da cultura hoje lá no Tendas Bar, é esse mesmo, o bar língua ferina, fica perto do conjunto catamarã em Candeias, bem próximo do terminal de ônibus, você pode vir, é meu convidado, a festa vai começar por volta das 19:00 horas. Vamos ter participações de artistas, muitos artistas e autoridades também.

Venha! Traga sua família, e juntos vamos comemorar mais um ano de vida. Pode vir e não precisa tirar as sandálias para entrar.

Cobra Cordelista.

"Mulher Rendeira": conheça a verdadeira versão da cantiga popular


A música “Mulher Rendeira” é cercada pelas lendas. Enquanto uns dizem que se trata de um antigo tema popular, os mais antigos afirmam que teria sido feita pelo próprio Lampião, inspirado na figura de sua avó, uma exímia da arte de fazer rendas.


O fato é que referida canção foi muito cantada nos sertões nordestinos no tempo do rei do cangaço. Por isso, fez parte da trilha sonora do premiado filme “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, que o celebrizou no país e no exterior. Na ocasião, sofreu uma adaptação do compositor Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento), autor de outras músicas do filme, que manteve a sua estrutura original.

Comprova o sucesso de “Mulher Rendeira” o grande número de gravações que recebeu na época, inclusive fora do Brasil. Tem até uma gravação de um antigo cabra do bando de Lampião, o cangaceiro Volta Seca. E hoje, apesar das alterações na sua forma original, representa o canto oficial do cangaceirismo. Existem várias versões, mas esta a seguir parece que é a verdadeira:

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Tu me ensina a fazê renda
Que eu te ensino a namorá.

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Chorou por mim não fica
Soluçou vai pro borná.

As moças de Vila Bela
São pobres mas tem ação
Passam o dia na janela
Namorando Lampião.

O rifle de Lampião
Tem cinco laços de fita
Lampião só para em casa
Onde tem muié bonita.

Minha mãe me dá dinheiro
Prá comprar um cinturão
Pra vivê de cartucheira
No bando de lampião.

O Ceará ta de luto
Pernambuco de sofrimento
Alagoas de porta aberta
Lampião xaxando dentro.

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Tu me ensina a fazê renda
Que eu te ensino a namorá.

Guerra de Canudos



A Guerra de Canudos ou Campanha de Canudos, também conhecida como Guerra dos Canudos em certas regiões do sertão baiano, foi o confronto entre o Exército Brasileiro e integrantes de um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro, que durou de 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, no interior do estado da Bahia, no Brasil.

O episódio foi fruto de uma série de fatores como a grave crise econômica e social pela qual passava a região à época, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico. Milhares de sertanejos partiram para Canudos, cidadela liderada pelo peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social.

Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano, reinstalando a Monarquia. Apesar de não haver nenhuma prova para estes rumores, o Exército foi mandado para Canudos. Três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas, inclusive uma comandada pelo Coronel Antônio Moreira César, conhecido como "corta-cabeças" por ter mandado executar mais de cem pessoas a sangue frio na repressão à Revolução Federalista em Santa Catarina. A derrota das tropas do Exército pelos canudenses nestas primeiras expedições apavorou a opinião pública, que acabou exigindo a destruição do arraial, dando legitimidade ao massacre de até vinte mil sertanejos. Além disso, estima-se que cinco mil militares tenham morrido. A guerra terminou com a destruição total de Canudos, a degola de muitos prisioneiros de guerra, e o incêndio de todas as 5.200 casas do arraial.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Luiz Jacinto o nosso Coroné Ludugero!


Luiz Jacinto foi escoteiro aos dez anos e estudou no 'Colégio de Caruaru (hoje Colégio Diocesano), onde concluiu o curso ginasial. Começou a trabalhar ajudando o pai a fazer selas de cavalo, mas não seguiu a profissão.

Com 12 anos foi trabalhar numa padaria entregando pão e, em seguida,, foi ajudante de pedreiro. Com 16 anos foi para os correios entregar telegramas. Nessa época serviu em São Bento do Una e Sirinhaém, cidades de Pernambuco morou em Palmeira dos Índios-AL onde ele começou sua jornada.

Aos 18 anos foi morar no Recife, onde fez um concurso para telegrafista. Embora não tenha sido aprovado, foi aproveitado pelos correios porque sabia taquigrafia. Permaneceu no órgão até ingressar na vida artística.

Luiz Jacinto começou sua vida artística na Rádio Clube de Pernambuco, onde fazia o programa das 12h30min sob o patrocínio da Manteiga Turvo.

Em 1960 conheceu Luiz Queiroga, que, com o incentivo do radialista Hilton Marques, criou o personagem Coronel Ludugero.

Logo no início, o Coronel Ludugero se apresentava sozinho, mas logo depois conheceu também Irandir Peres Costa (Otrópe).

Apesar de muita gente não saber, e o personagem de Dona Felomena ser mais conhecido com a atriz Mercedes Del Prado, nos primeiros programas o mesmo personagem, com o nome de Dona Rosinha, era interpretado por Rosa Maria, outra atriz de muito talento.

A figura do Coroné Ludugero criada por Luiz Jacinto retratava com bom humor a figura lendária dos coronéis, muitos dos quais pertenciam à Guarda Nacional e gozavam de grande prestígio junto a população. Era um homem simples de poucas palavras, amante da verdade e sincero. Gabava-se de si próprio.

Contador de histórias fantásticas, era casado com dona Filomena. Bom aboiador, bom cantador de viola e poeta. Mantinha um secretário (Otrópe) que o orientava nos negócios e nas questões políticas. Ludugero se sentia feliz em contar histórias, dando expansão ao seu gênio brincalhão, quando não estava em crises de impaciência e nervosismo.

A morte de Luiz Jacinto

No dia 14 de março de 1970, morre Luiz Jacinto e Irandir Costa, com toda sua equipe, vítima de desastre aéreo na Baía de Guajará , em Belém do Pará. O corpo de Jacinto só foi encontrado no dia 30 de março e sepultado um dia depois, em Caruaru.

Depois da morte do Coronel Ludugero e de Otrópe, lançaram-se outros personagens tentando resgatar o riso perdido com a triste tragédia. Entre eles, Coroné Ludrú e Gerômo, Coroné Caruá e Altenes, Seu Pajeú e Zé Macambira, esses com a produção e direção de Luiz Queiroga.

Mas, até hoje, os personagens são lembrados e revividos em épocas juninas por atores amadores e admiradores dos tipos.

Na cidade de Caruaru foi criada, na Vila do Forró, a miniatura da casa do Coronel Ludugero e da Véia Felomena, onde é grande a visitação por turistas. Durante os festejos juninos desta cidade podem ser vistos personagens caracterizados, desfilando pelas ruas, relembrando esses artistas. mas a saudade ficou pra sempre.

A pedra do reino

É inspirado em um episódio ocorrido no século XIX, no município sertanejo de São José do Belmonte, a 470 quilômetros do Recife, onde uma seita, em 1836, tentou fazer ressurgir o rei Dom Sebastião - transformado em lenda em Portugal depois de desaparecer na África (Batalha de Alcácer-Quibir): sob domínio espanhol, os portugueses sonhavam com a volta do rei que restituiria a nação tomada à força. O sentimento sebastianista ainda hoje é lembrado em Pernambuco, durante a Cavalgada da Pedra do Reino, por manifestação popular que acontece anualmente no local onde inocentes foram sacrificados pela volta do rei. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta é um romance do escritor brasileiro Ariano Suassuna, publicado em 1971.Suassuna iniciou o Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, seu nome completo, em 1958 para concluí-lo somente uma década depois, quando o autor percebeu o que o levou a escrever o romance: a morte do pai, quando tinha apenas três anos de idade – tragédia pessoal presente na literatura de Suassuna, e a redenção do seu "rei" – uma reação contra o conceito vigente na época, segundo o qual as forças rurais eram o obscurantismo (o mal) e o urbano o progresso (o bem).

A história, baseada na cultura popular nordestina e inspirada na literatura de cordel, nos repentes e nas emboladas, é dedicada ao pai do autor e a mais doze “cavaleiros”, entre eles Euclides da Cunha, Antônio Conselheiro e José Lins do Rego.

Um "romance-memorial-poema-folhetim", como definiu o poeta Carlos Drummond de Andrade, narrado pelo seu protagonista, Dom Pedro Dinis Ferreira Quaderna, que constrói um monumento literário à cultura caboclo-sertaneja nordestina, marcada pelas tradições do mundo ibérico (Portugal e Espanha), trazidas pelos primeiros colonizadores europeus e transfeitas ao longo dos séculos. Segundo observação do crítico literário João Hernesto Weber, na obra podem ser encontradas "duas distintas tradições a informarem a concepção de mundo do herói: a tradição mítico-sertaneja e a tradição erudita".

O personagem-narrador, Quaderna, é preso em Taperoá por subversão, faz sua própria defesa perante o corregedor e, para tanto, relata a história de sua família, escrita na prisão. Declara-se descendente de legítimos reis brasileiros, castanhos e "cabras" da Pedra do Reino - sem relação com os "imperadores estrangeiros e falsificados da Casa de Bragança" - e conta o seu envolvimento com as lutas e as desavenças políticas, literárias e filosóficas no seu reino..

ARIANO SUASSUNA (1927)


Vida: Ariano Suassuna nasceu na então cidade de Nossa Senhora das Neves - hoje João Pessoa, capital da Paraíba. Logo em seguida, tendo seu pai, João Suassuna, deixado o governo do estado, Ariano acompanha a família de volta para a região do alto sertão paraibano, onde a mesma tinha várias fazendas. Assassinado o pai, a família deixa a região, mudando-se para a cidade de Taperoá, no chamado sertão seco, onde o futuro dramaturgo e romancista faz seus estudos primários. Em 1938 há nova mudança, desta vez para Recife, onde cursa o ginásio, estudando também música e pintura. Em 1946 entra para a Faculdade de Direito, ligando-se ao círculo de poetas, escritores e artistas da capital pernambucana e interessando-se cada vez mais pelo romanceiro popular nordestino e pelo teatro. Em 1952 começa a trabalhar em advocacia mas logo abandona a profissão, dedicando-se ao magistério e à atividade de escritor. Hoje é secretário de cultura do Governo do Estado de Pernambuco e amado por todos os Pernambucanos e continua dedicando-se as suas atividades litrarias.

Obra: Com extensa obra teatral - publicou, entre outras, as peças Auto da compadecida, O santo e a porca, A farsa da boa preguiça -, Ariano Suassuna escreveu em 1956 A história do amor de Fernando e Isaura, romance até hoje inédito. Em 1958 começou a trabalhar em Quaderna, o decifrador, uma trilogia composta de:

I - A pedra do reino

II - O rei degolado

III - Senésio, o alumioso


A PEDRA DO REINO


Publicado em 1970, A pedra do reino continua sendo considerado um romance completo, pois até hoje as duas outras partes da trilogia não vieram a público, pelo menos em edições comerciais. Em vista disso, a possibilidade de análise é um tanto precária, apesar de a obra oferecer, em suas mais de 600 páginas, matéria suficiente não apenas para ensaios como para livros inteiros.

De leitura um pouco árida na primeira centena de páginas, A pedra do reino, mesmo isolada da trilogia de que faz parte, é um verdadeiro monumento literário que se liga à cultura caboclo-sertaneja nordestina, muito marcada pelas tradições do mundo ibérico (Portugal e Espanha), trazidas pelos primeiros colonizadores europeus e transformadas ao longo dos séculos.

Em linhas gerais, A pedra do reino é a apresentação do memorial - obviamente em primeira pessoa - de D. Dinis Ferreira - Quaderna, que, preso em Taperoá, faz sua própria defesa perante o corregedor e, para tanto, conta a história de sua família, das desavenças, das lutas e das controvérsias políticas, literárias e filosóficas em que se vira envolvido. Como diz um crítico, na obra de Suassuna podem ser percebidas "duas distintas tradições a informarem a concepção de mundo do herói: a tradição mítico-sertaneja e a tradição erudita" (J. H. Weber). O que faz, como no caso de todas as demais obras da nova narrativa, com que A pedra do reino se diferencie claramente do romance brasileiro tradicional.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O Cangaço

Cangaço foi um fenômeno ocorrido no nordeste brasileiro de meados do século XIX ao início do século XX. O cangaço tem suas origens em questões sociais e fundiárias do Nordeste brasileiro, caracterizando-se por ações violentas de grupos ou indivíduos isolados: assaltavam fazendas, sequestravam coronéis (grandes fazendeiros) e saqueavam comboios e armazéns. Não tinham moradia fixa: viviam perambulando pelo sertão, praticando tais crimes, fugindo e se escondendo.
O Cangaço pode ser dividido em três subgrupos: os que prestavam serviços esporádicos para os latifundiários; os "políticos", expressão de poder dos grandes fazendeiros; e os cangaceiros independentes, com características de banditismo.

Os cangaceiros conheciam a caatinga e o território nordestino muito bem, e por isso, era tão difícil serem capturados pelas autoridades. Estavam sempre preparados para enfrentar todo o tipo de situação. Conheciam as plantas medicinais, as fontes de água, locais com alimento, rotas de fuga e lugares de difícil acesso.

O primeiro bando de cangaceiros que se tem conhecimento foi o de Jesuíno Alves de Melo Calado, "Jesuíno Brilhante", que agiu por volta de 1870. E o último foi de "Corisco" (Cristino Gomes da Silva Cleto), que foi assassinado em 25 de maio de 1940.

O cangaceiro mais famoso foi Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, também denominado o "Senhor do Sertão" e "O Rei do Cangaço". Atuou durante as décadas de 20 e 30 em praticamente todos os estados do nordeste brasileiro.

Por parte das autoridades, Lampião simbolizava a brutalidade, o mal, uma doença que precisava ser cortada. Para uma parte da população do sertão, ele encarnou valores como a bravura, o heroísmo e o senso da honra.

O cangaço teve o seu fim a partir da decisão do então Presidente da República, Getúlio Vargas, de eliminar todo e qualquer foco de desordem sobre o território nacional. O regime denominado Estado Novo incluiu Lampião e seus cangaceiros na categoria de extremistas. A sentença passou a ser matar todos os cangaceiros que não se rendessem.

No dia 28 de julho de 1938, na localidade de Angicos, no estado de Sergipe, Lampião finalmente foi apanhado em uma emboscada das autoridades, onde foi morto junto com sua mulher, Maria Bonita, e mais nove cangaceiros.

Esta data veio a marcar o final do cangaço, pois, a partir da repercussão da morte de Lampião, os chefes dos outros bandos existentes no nordeste brasileiro vieram a se entregar às autoridades policiais para não serem mortos.

Consta que o primeiro homem a agir como cangaceiro teria sido o Cabeleira, como era chamado José Gomes. Nascido em 1751, em Glória do Goitá, cidade da zona da mata pernambucana, ele aterrorizou sua região, incluindo Recife. Mas foi somente no final do século XIX que o cangaço ganhou força e prestígio, principalmente com Antônio Silvino, Lampião e Corisco.

Entre meados do século XIX e início do século XX, o nordeste do Brasil viveu momentos difíceis, atemorizado por grupos de homens que espalhavam o terror por onde andavam. Eles eram os cangaceiros, bandidos que abraçaram a vida nômade e irregular de malfeitores por motivos diversos. Alguns deles foram impelidos pelo despotismo de homens poderosos.

Um famoso cangaceiro foi Lampião. Os cangaceiros conseguiram dominar o sertão durante muito tempo, porque eram protegidos de coronéis, que se utilizavam dos cangaceiros para cobrança de dívidas, entre outros serviços "sujos".

Um caso particular foi o de Januário Garcia Leal, o Sete Orelhas, que agiu no sudeste do Brasil, no início do século XIX, tendo sido considerado justiceiro e honrado por uns e cangaceiro por outros.

No sertão, consolidou-se uma forma de relação entre os grandes proprietários e seus vaqueiros.
A base desta relação era a fidelidade dos vaqueiros aos fazendeiros. O vaqueiro se disponibilizava a defender (de armas na mão) os interesses do patrão.

Como as rivalidades políticas eram grandes, havia muitos conflitos entre as poderosas famílias. E estas famílias se cercavam de jagunços com o intuito de se defender, formando assim verdadeiros exércitos. Porém, chegou o momento em que começaram a surgir os primeiros bandos armados, livres do controle dos fazendeiros.

Os coronéis não tinham poder suficiente para impedir a ação dos cangaceiros.
De todos eles, o mais famoso foi Lampião (Virgulino Ferreira da Silva). Seu bando agiu entre os anos de 1920 e 1938. Após sua morte, nenhum outro bando ocupou o seu lugar e com o fim de República Velha encerrava-se também a era do cangaço

Virgulino Lampião o maior dos Cangaceiros

Virgulino nasceu em 7 de junho de 1898 na cidade de Vila Bela, atual Serra Talhada, no semi-árido do estado de Pernambuco e foi o terceiro filho de José Ferreira da Silva e Maria Lopes. O seu nascimento, porém, só foi registrado no dia 7 de agosto de 1900. Até os 21 anos de idade ele trabalhava como artesão, era alfabetizado e usava óculos para leitura, características bastante incomuns para a região agreste e pobre onde ele morava.

Sua família travava uma disputa mortal com outras famílias locais até que seu pai foi morto em confronto com a polícia em 1919. Virgulino jurou vingança e, ao fazêlo, provou ser um homem extremamente violento. Ele se tornou um criminoso e foi incessantemente perseguido pela polícia, a quem ele chamava de macacos.

Durante os 19 anos seguintes, ele viajou com seu bando de cangaceiros, nunca mais de 50 homens, todos com cavalos e fortemente armados usando roupas de couro como chapéus, sandálias, casacos, cintos de munição e calças para protegê-los dos arbustos com espinhos típicos da caatinga. Suas armas eram, em sua maioria, roubadas da polícia e unidades paramilitares como a espingarda Mauser militar e uma grande variedade de armas pequenas como rifles Winchester, revolveres e pistolas Mauser semi-automáticas.

Lampião foi acusado de atacar pequenas fazendas e cidades em sete estados além de roubo de gado, sequestros, assassinatos, torturas, mutilações, estupros e saques.

Sua namorada, Maria Gomes de Oliveira - conhecida como Maria Bonita, juntou-se ao bando em 1930 e, assim como as demais mulheres do grupo, vestiam-se como cangaceiros e participou de muitas das ações do bando. Virgulino e Maria bonita tiveram uma filha, Expedita Ferreira, nascida em 13 de setembro de 1932. Há ainda a informação controversa de que eles tiveram mais dois filhos: os gêmeos Ananias e Arlindo Gomes de Oliveira[3], além de outros dois natimortos.

A morte de Lampião e seu bando

No dia 27 de julho de 1938, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Por volta das 5:15 do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o oficio e se preparavam para tomar café; quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais.

Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro, segundo a opinião de Virgulino, o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.

O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar. Bastante eufóricos com a vitória, os policiais apreenderam os bens e mutilaram os mortos. Apreenderam todo o dinheiro, o ouro e as jóias.

A força volante, de maneira bastante desumana para os dias de hoje, mas seguindo o costume da época, decepou a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira, Mergulhão (os dois também tiveram suas cabeças arrancadas em vida), Luis Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete (2) e Macela. Um dos policiais, demonstrando ódio a Lampião, desfere um golpe de coronha de fuzil na sua cabeça, deformando-a; este detalhe contribuiu para difundir a lenda de que Lampião não havia sido morto, e escapara da emboscada, tal foi a modificação causada na fisionomia do cangaceiro.

Feito isso, salgaram as cabeças e as colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensangüentados foram deixados a céu aberto, atraindo urubus. Para evitar a disseminação de doenças, dias depois foi colocada creolina sobre os corpos. Como alguns urubus morreram intoxicados por creolina, este fato ajudou a difundir a crença de que eles haviam sido envenenados antes do ataque, com alimentos entregues pelo coiteiro traidor.

Percorrendo os estados nordestinos, o coronel João Bezerra exibia as cabeças - já em adiantado estado de decomposição - por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Piranhas, onde foram arrumadas cuidadosamente na escadaria da igreja, junto com armas e apetrechos dos cangaceiros, e fotografadas. Depois, foram levadas a Maceió e ao sul do Brasil.

No IML de Maceió, as cabeças foram medidas, pesadas, examinadas, pois os criminalistas achavam que um homem bom não viraria um cangaceiro: este deveria ter características sui generis. Ao contrário do que pensavam alguns, as cabeças não apresentaram qualquer sinal de degenerescência física, anomalias ou displasias, tendo sido classificados, pura e simplesmente, como normais.

Do sul do País, apesar do péssimo estado de conservação, as cabeças seguiram para Salvador, onde permaneceram por seis anos na Faculdade de Odontologia da UFBA. Lá, tornaram a ser medidas, pesadas e estudadas, na tentativa de se descobrir alguma patologia. Posteriormente, os restos mortais ficaram expostos no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, por mais de três décadas.

Durante muito tempo, as famílias de Lampião, Corisco e Maria Bonita lutaram para dar um enterro digno a seus parentes. O economista Silvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá, em especial, empreendeu muitos esforços para dar um sepultamento aos restos mortais dos cangaceiros e parar, de vez por todas, a macabra exibição pública. Segundo o depoimento do economista, dez dias após o enterro de seu pai, a sepultura foi violada, o corpo foi exumado, e sua cabeça e braço esquerdo foram cortados e colocados em exposição no Museu Nina Rodrigues.

O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do projeto de lei no. 2867, de 24 de maio de 1965. Tal projeto teve origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e as pressões do povo brasileiro e do clero o reforçaram. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois

Índia Morena (circense) - Patrimônio Vivo de Pernambuco


Margarida Pereira de Alcântara, a Índia Morena, é considerada a maior contorcionista pernambucana de todos os tempos. Com 65 anos, 55 dedicados à vida circense, a artista nasceu no Recife, em 13 de julho de 1943. Sua carreira nos picadeiros começou quando era ainda muito jovem, aos 10 anos de idade. Na época, morava com os cinco irmãos e a mãe no bairro de Afogados, na Vila São Miguel, e ajudava no sustento da casa catando crustáceos nos mangues do Recife.

Ainda hoje Índia Morena se lembra do primeiro dia em que pisou em um palco, em 1952, quando ganhou um concurso de calouros promovido pelo Circo Democratas, na época montado na Vila São Miguel. \"Foi nesse dia que vi meu mundo\", cometa a artista.

A partir daí, apaixonou-se pela arte circense e no dia 1º de julho de 1953 deixou sua casa, contra a vontade da mãe, para seguir a carreira no Circo Itaquatiara. E mais de cinco décadas sob as lonas, passou pelo trapézio voador, pela escada giratória, arame vertical, mas foi com o contorcionismo que fez história. Em sua carreira profissional, a artista integrou mais de 50 circos, destaque para Bartolo, Garcia, e o argentino New American Circus. Índia Morena ainda se apresentou várias vezes no exterior, em países como Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

Atualmente, Índia Morena lidera a trupe do Gran Londres Circo, composta por mais de 20 integrantes, entre palhaços, malabaristas e pernas-de-pau. Apesar de não se apresentar mais como contorcionista, não se afastou dos picadeiros, fazendo vez de mestre de cerimônias, apresentando espetáculos, ajudando palhaços e propagando a importância da arte circense.

Atualmente a artista é um dos Patrimônios Vivos do Estado, por sua contribuição ao circo pernambucano.

Contato: (81) 8640-8206
(81) 8640-8206

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Um circo

Um circo é comumente uma companhia itinerante que reúne artistas de diferentes especialidades, como malabarismo, palhaço, acrobacia, monociclo, contorcionismo, equilibrismo, ilusionismo, entre outros.

A palavra também descreve o tipo de apresentação feita por esses artistas, normalmente uma série de atos coreografados à músicas. Um circo é organizado em uma arena - picadeiro circular, com assentos em seu entorno, enquanto circos itinerantes costumam se apresentar sob uma grande tenda ou lona.

Aqui Maviael e Índia Morena, ambos de Jaboatão dos Guararapes minha cidade, ele presidente da Associação dos Artistas Circenses, ela Patrimônio Vivo da Cultura Pernambucana, a maior contorcionista brasileira, hoje aos sessenta e cinco é orgulho de Pernambuco. São casados há décadas e administram o circo Gran Londres!



Dos chineses aos gregos, dos egípcios aos indianos, quase todas as civilizações antigas já praticavam algum tipo de arte circense há pelo menos 4 000 anos- mas o circo como o conhecemos hoje só começou a tomar forma durante o Império Romano. O primeiro a se tornar famoso foi o Circus Maximus, que teria sido inaugurado no século VI a.C., com capacidade para 150 000 pessoas. A atração principal eram as corridas de carruagens, mas, com o tempo, foram acrescentadas as lutas de gladiadores, as apresentações de animais selvagens e de pessoas com habilidades incomuns, como engolidores de fogo. Destruído por um grande incêndio, esse anfiteatro foi substituído, em 40 a.C., pelo Coliseu, cujas ruínas até hoje compõem o cartão postal número um de Roma. A Roma por sua vez, tem papel muito importante na história do circo.

Com o fim do império dos Césares e o início da era medieval, artistas populares passaram a improvisar suas apresentações em praças públicas, feiras e entradas de igrejas. "Nasciam assim as famílias de saltimbancos, que viajavam de cidade em cidade para apresentar seus números cômicos, de pirofagia, malabarismo, dança e teatro".

Tudo isso, porém, não passa de uma pré-história das artes circenses, porque foi só na Inglaterra do século XVIII que surgiu o circo moderno, com seu picadeiro circular e a reunião das atrações que compõem o espetáculo ainda hoje. Cavaleiro de 1 001 habilidades, o ex-militar inglês Philip Astley inaugurou, em 1768, em Londres, o Royal Amphitheatre of Arts (Anfiteatro Real das Artes), para exibições eqüestres. Para quebrar a seriedade das apresentações, alternou números com palhaços e todo tipo de acrobata e malabarista.

O sucesso foi tamanho que, 50 anos depois, o circo inglês era imitado não só no resto do continente europeu, mas atravessara o Atlântico e se espalhara pelos quatro cantos do planeta.
A história do circo no Brasil começa no século XIX, com famílias e companhias vindas da Europa, onde agruparam-se em guetos e manifestavam sentimentos diversos através de interpretações teatrais onde não demonstravam apenas interesses individuais e sim despertavam consciência mútua.

No Brasil, mesmo antes do circo de Astley, já haviam os ciganos que vieram da Europa, onde eram perseguidos. Sempre houve ligação dos ciganos com o circo. Entre suas especialidades incluíam-se a doma de ursos, o ilusionismo e as exibições com cavalos.Eles viajavam de cidade em cidade, e adaptavam seus espetáculos ao gosto da população local. Números que não faziam sucesso na cidade eram tirados do programa.

Há uma grande controvérsia sobre o uso de animais em circos, há duas correntes de pensamento, com prós e contras o uso de animais em shows.

Segundo a corrente de pessoas que são contra o uso de animais em circo, seu uso tem sido gradativamente abandonado, uma vez que tais animais por vezes sofriam maus-tratos (tais como dentes precariamente serrados, jaulas minúsculas, estresse etc.) e, além disso, eram frequentemente abandonados, já que a manutenção de grandes animais, como tigres e elefantes demanda muito dinheiro. Há ainda inúmeros casos em que acidentes, principalmente envolvendo animais selvagens, nos quais pessoas saem feridas ou até mesmo mortas, como o caso de uma garota chinesa, atacada por um tigre.

Por outro lado existem inúmeros circos brasileiros que possuem infra-estrutura e recursos para manterem seus animais, com auxilio de biologos e veterinários contratados para garantir o bem estar dos animais. A maioria deles com documentação do Ibama. Existem raros casos de acidentes envolvendo animais selvagens, nos quais pessoas saem feridas ou até mesmo mortas.
Atualmente é proibido o uso de animais em algumas cidades, mas na maioria dos municípios brasileiros ainda é permitida sua exibição, tendo em vista que não há uma legislação federal que regule a matéria. Empresários circenses, artistas, produtores culturais e alguns estudiosos lutam para que seja aprovada uma legislação federal que regulamente o uso de animais em circos.

AUGUSTO DOS ANJOS


Augusto dos Anjos nasceu no Engenho Pau d'Arco, no município de Sapé, estado da Paraíba. Foi educado nas primeiras letras pelo pai e estudou no Liceu Paraibano, onde viria a ser professor em 1908. Precoce poeta brasileiro, compôs os primeiros versos aos sete anos de idade.

A árvore da serra

— As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pos almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma! ...

— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:
«Não mate a árvore, pai, para que eu viva!»
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

Em 1903, ingressou no curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife, bacharelando-se em 1907. Em 1910 casa-se com Ester Fialho. Seu contato com a leitura, influenciaria muito na construção de sua dialética poética e visão de mundo.

Com a obra de Herbert Spencer, teria aprendido a incapacidade de se conhecer a essência das coisas e compreendido a evolução da natureza e da humanidade. De Ernst Haeckel, teria absorvido o conceito da monera como princípio da vida, e de que a morte e a vida são um puro fato químico. Arthur Schopenhauer o teria inspirado a perceber que o aniquilamento da vontade própria seria a única saída para o ser humano. E da Bíblia Sagrada ao qual, também, não contestava sua essência espiritualística, usando-a para contrapor, de forma poeticamente agressiva, os pensamentos remanescentes, em principal os ideais iluministas/materialistas que, endeusando-se, se emergiam na sua época.

Essa filosofia, fora do contexto europeu em que nascera, para Augusto dos Anjos seria a demonstração da realidade que via ao seu redor, com a crise de um modo de produção pré-materialista, proprietários falindo e ex-escravos na miséria. O mundo seria representado por ele, então, como repleto dessa tragédia, cada ser vivenciando-a no nascimento e na morte.

Dedicou-se ao magistério, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde foi professor em vários estabelecimentos de ensino. Faleceu em 12 de novembro de 1914, às 4 horas da madrugada, aos 30 anos, em Leopoldina, Minas Gerais, onde era diretor de um grupo escolar. A causa de sua morte foi a pneumonia.

Durante sua vida, publicou vários poemas em periódicos, o primeiro, Saudade, em 1900. Em 1912, publicou seu livro único de poemas, Eu. Após sua morte, seu amigo Órris Soares organizaria uma edição chamada Eu e Outras Poesias, incluindo poemas até então não publicados pelo autor.

• Um personagem constante em seus poemas é um pé de tamarindo que ainda hoje existe no Engenho Pau d'Arco.

• Seu amigo Órris Soares conta que Augusto dos Anjos costumava compor "de cabeça", enquanto gesticulava e pronunciava os versos de forma excêntrica, e só depois transcrevia o poema para o papel.

• De acordo com Eudes Barros, quando morava no Rio de Janeiro com a irmã, Augusto dos Anjos costumava compor no quintal da casa, em voz alta, o que fazia sua irmã pensar que era doido.

• Embora tenha morrido de pneumonia, tornou-se conhecida a história de que Augusto dos Anjos morreu de tuberculose, talvez porque esta doença seja bastante mencionada em seus poemas.

• A poesia brasileira estava dominada por simbolismo e parnasianismo, dos quais o poeta paraibano herdou algumas características formais, mas não de conteúdo. A incapacidade do homem de expressar sua essência através da "língua paralítica" (Anjos, p. 204) e a tentativa de usar o verso para expressar da forma mais crua a realidade seriam sua apropriação do trabalho exaustivo com o verso feito pelo poeta parnasiano. A erudição usada apenas para repetir o modelo formal clássico é rompida por Augusto dos Anjos, que se preocupa em utilizar a forma clássica com um conteúdo que a subverte, através de uma tensão que repudia e é atraída pela ciência.

• A obra de Augusto dos Anjos pode ser dividida, não com rigor, em três fases, a primeira sendo muito influenciada pelo simbolismo e sem a originalidade que marcaria as posteriores. A essa fase pertencem Saudade e Versos Íntimos. A segunda possui o caráter de sua visão de mundo peculiar. Um exemplo dessa fase é o soneto Psicologia de um Vencido. A última corresponde à sua produção mais complexa e madura, que inclui Ao Luar.

• Sua poesia chocou a muitos, principalmente aos poetas parnasianos, mas hoje é um dos poetas brasileiros que mais foram reeditados. Sua popularidade se deveu principalmente ao sucesso entre as camadas populares brasileiras e à divulgação feita pelos modernistas.

• Hoje em dia diversas editoras brasileiras publicam edições de Eu e Outras Poesias.

• O aspecto melancólico da sua poesia, que a marca profundamente, é interpretado de diversas maneiras. Uma vertente de críticos, na qual se inclui Ferreira Gullar, fundamenta a melancolia da obra na biografia do homem Augusto dos Anjos. Para Gullar, as condições de nossa cultura dependente dificultam uma expressão literária como a de Augusto dos Anjos, em que se rompe com a imitação extemporânea da literatura europeia. Essa ruptura de Augusto dos Anjos ter-se-ia dado menos por uma crítica à literatura do que por uma visão existencial, fruto de sua experiência pessoal e temperamento, que tentou expressar na forma de poesia. A poesia de Augusto dos Anjos é caracterizada por Gullar como apresentando aspectos da poesia moderna: vocabulário prosaico misturado a termos poéticos e científicos; demonstração dos sentimentos e dos fenômenos não através de signos abstratos, mas de objetos e ações cotidianas; a adjetivação e situações inusitadas, que transmitem uma sensação de perplexidade. Ele compara a miscigenação de vocabulário popular com termos eruditos do poeta ao mesmo uso que faz Graciliano Ramos. Descreve ainda os recursos estilísticos pelos quais Augusto dos Anjos tematiza a morte, que é personagem central de sua poesia, e o compara a João Cabral de Melo Neto, para quem a morte é apresentada de forma crua e natural.

Caravana da Cultura vai até Alto do Céu no Engenho

Com o propósito firme de preservar a nossa cultura e levar lazer e entretenimento para a zona Rural, mais uma vez um grupo de aristas foi até a Zona Rural, desta vez na comunidade alto do céu no Engenho Comportas.

Depois de ter passado com a caravana no Engenho São Bartolomeu, Engenho Carpina tudo registrado neste blog, agora chegamos à comporta.

Na poesia, no forró e no aboio, tomando coca cola e comendo buchada de bode, enquanto a turma tomava uma de pitu, aguardente fabricada em Pernambuco, mais de fama mundial, agente deixava o tempo passar e mandava o stress pra longe, pras cuncuias, se este lugar existe! Eu Cantava forró e fazia versos, o poeta Geraldo Valério fez um belo recital, Vitor cantou muito bem e, pra mim o grande momento foi quando ele cantou a musica do Mestre Salustiano e Sanfona Branca de Benito de Paula, lembrando Luiz Gonzaga. Luciano e Pintado tocavam a percussão, o público presente apesar de pequeno era muito acolhedor, aplaudia e participava bastante, inclusive arrastando o pé!

Bom eu achei maravilhoso e de engenho em engenho após as eleições, agente continua!











sábado, 25 de setembro de 2010

Graciliano Ramos




Graciliano Ramos viveu os primeiros anos em diversas cidades do Nordeste brasileiro. Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro, onde passou um tempo trabalhando como jornalista. Voltou para o Nordeste em setembro de 1915, fixando-se junto ao pai, que era comerciante em Palmeira dos Índios, Alagoas. Neste mesmo ano casou-se com Maria Augusta de Barros, que morreu em 1920, deixando-lhe quatro filhos.

Foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios em 1927, tomando posse no ano seguinte. Ficou no cargo por dois anos, renunciando a 10 de abril de 1930. Segundo uma das auto-descrições, "(...) Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas." Os relatórios da prefeitura que escreveu nesse período chamaram a atenção de Augusto Frederico Schmidt, editor carioca que o animou a publicar Caetés (1933).

Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial e diretor da Instrução Pública do estado. Em 1934 havia publicado São Bernardo, e quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso em decorrência do pânico insuflado por Getúlio Vargas após a Intentona Comunista de 1935. Com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, consegue publicar Angústia (1936), considerada por muitos críticos como sua melhor obra.

Foi libertado em janeiro de 1937. As experiências da cadeia, entretanto, ficariam gravadas em uma obra publicada postumamente, Memórias do Cárcere (1953), relato franco dos desmandos e incoerências da ditadura a que estava submetido o Brasil.

Em 1938 publicou Vidas Secas. Em seguida estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspetor federal de ensino. Em 1945 ingressou no antigo Partido Comunista do Brasil - PCB (que nos anos sessenta dividiu-se em Partido Comunista Brasileiro - PCB - e Partido Comunista do Brasil - PCdoB), de orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos Prestes; nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com a segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, retratadas no livro Viagem (1954). Ainda em 1945, publicou Infância, relato autobiográfico.

Adoeceu gravemente em 1952. No começo de 1953 foi internado, mas acabou falecendo em 20 de março de 1953, aos 60 anos, vítima de câncer do pulmão.

O estilo formal de escrita e a caracterização do eu em constante conflito (até mesmo violento) com o mundo, a opressão e a dor seriam marcas da literatura. Memória: Graciliano foi indicado ao premio Brasil de literatura

Vidas secas

O romance originalmente se chamaria "O Mundo Coberto de Penas", título do penúltimo capítulo, em referências às penas negras dos corvos cobrindo o chão seco. O texto original está grafado assim. Porém o próprio Graciliano Ramos riscou o título original e escreveu à mão "Vidas Secas".
No que diz respeito à estrutura, o livro apresenta treze capítulos, dentre os quais alguns podem até ser lidos em outra ordem (romance desmontável), que não a impressa no livro. Entretanto, alguns capítulos, como o primeiro, "mudança", e o último, "fuga", devem ser lidos nesta ordem. Esses dois capítulos reforçam a ideia de que toda a miséria que circunda os personagens de "Vidas Secas" representa um ciclo, em que, quando menos se espera, a situação se agrava e a família é obrigada a se retirar, repetidas e repetidas vezes.

A obra de Graciliano pode ser considerada um marco para a literatura brasileira, em especial o Modernismo Brasileiro, visto que há a implícita (e, em alguns casos, até explícita) crítica social a toda pobreza no sertão nordestino, que atinge uma boa parcela da população, e que, de fato, acaba por prejudicar todo o país, impedindo maiores desenvolvimentos. Há a tentativa, portanto, de se mostrar a desarticulação dessa região com o resto do país (um Brasil pobre dentro de todo o Brasil).

O próprio título da obra, se analisado corretamente, nos dará pistas importantes da mensagem que Graciliano quer passar: "Vidas" se opõe a "Secas" pois a primeira tem sentido de abundância, enquanto, a segunda, de vazio, de falta, configurando um paradoxo (ou "oxímoro", oposição de ideias resultando em uma construção de sentido ilógico). Além disso, denotativamente, o adjetivo "secas" se refere a "vidas", e, dessa forma, teria o sentido de que a família sofre com a seca. Por outro lado, conotativamente, pode-se relacionar aquele adjetivo a uma vida privada, miserável.

Pegadinha do Bernardo Com vibra de plástico

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Artistas da cultura popular se encontram no clube ferroviário de Jaboatão para discutir políticas culturais


Rebeldes do Samba, Índia Morena, Mateus e Katilinda, Cobra Cordelista, Bacamarteiros aliados, Boi estrela da tarde, Magda, Paulinha e Karren e o Secretário de Cultura de Jaboatão Ivan Lima.

Estavam todos lá no clube ferroviário para discutir políticas culturais.










João de Comporta nosso Caboclo de Lança

Às vezes me surpreendo com minha cidade pela diversidade cultural nela encontrada. Por isto mesmo não me canso de percorrer os seus 252 km quadrados de extensão territorial, e de procurar conhecer seus 700.000 habitantes. Por se tratar de uma área de litoral e Região metropolitana, Jaboatão cresceu demais. È uma metrópole interessante, com belas construções modernas, mas que não perde o charme da ruralidade.

Nossa cidade é a boca de Pernambuco, é por onde se entra ou mesmo se sai em alguns casos. Sua população se formou de várias formas: Pelos negros que habitavam os engenhos na condição de escravos, agreste ou Sertão. Pelos seus filhos alforriados dos escravos, pelos senhores de engenho, pelos cortadores de cana e mais tarde pelos operários que vieram de diversas regiões de Pernambuco, da zona da mata norte, e da zona da mata sul, atraídos pela industrialização; ou seja, pelo crescimento do pólo industrial em Pernambuco nos anos de sessenta e setenta, ou ainda pela explosão de crescimento da construção civil.

Em todos estes momentos, estes homens fugiam da exploração através do seu trabalho. Na zona da mata norte e sul, ainda hoje estes homens trabalham sem registro de carteira e sem garantias de direitos. No sertão são vaqueiros e exercem ainda hoje atividades rurais, onde os seus direitos trabalhistas não são respeitados. Estes homens vieram para a região metropolitana na esperança de alcançar carteira assinada, direitos trabalhistas, e aposentaria ao final da vida, coisa tão merecida. Trouxeram consigo disposição para o trabalho e vontade de vencer, pois para quem tinha as mãos calejadas do corte da cana, a vida de operário era uma beleza. Oito horas de trabalho, para quem já acordou de madrugada, umas quatro da manhã, e empenhou uma foice cortando cana até onze horas, e depois amarrou os feixes da bendita até quatro da tarde, era moleza. Mas este homem trouxe consigo a sua cultura, a cultura de raiz e para não prolongar demais o assunto, vou falar de João de Comporta, nosso João veio de Carpina, mora a quarenta anos em Jaboatão, tem 67 anos e desde os quatorze anos de idade "brinca maracatu". Sua fantasia está avaliada em R$ 3.000,00 (três mil reais), sua lança, pesa algo em torno de cinco quilos, e cada fita ali colocada vendo o preço atual de mercado, lhe custou algo em torno de R$ 1.000,00(mil Reais). Uma apresentação de João de Comporta, custa R$ 200,00 (duzentos reais) e nestas apresentações, ele canta a poesia dos caboclos da zona rural. João de Comportas dança maracatu em Olinda, e me disse que para sair de casa, vestido para suas apresentações, tem que chamar um taxi, pois alguns garotos atiram pedras em sua fantasia, Alguns religiosos lhe chamam de representante do cão e lhe fazem apelos á sua conversão. E eu daqui vou rezando para que ele não se converta a este tipo de religião, pois será um mestre de cultura a menos, com compromisso de manter acesa a chama da nossa tradição, João não é nenhum demônio e sim um brincante da cultura nordestina. Eu vou continuar andando nos meus interstícios de trabalho, de maquininha fotográfica na mão, para mostra a vocês a nossa cultura popular, e enquanto vocês acessarem o nosso blog e divulgarem para outros vou mostrando nossa gente. Isto estimula a minha vontade de continuar fazendo esse trabalho.

Muito obrigado e um bom dia!








quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Jaboatão terá representante na coletânea de poemas do concurso TOC140

Por Cobra Cordelista,, Presidente do Conselho de Cultura de Jaboatão!


Assessor Especial do Município, Natanael Lima Júnior, teve texto selecionado
O assessor especial da Prefeitura do Jaboatão, Natanael Lima Júnior, mostrou que seus talentos vão muito além da gestão pública e teve um poema selecionado para o concurso TOC140 promovido pela Fliporto. O concurso, lançado nacionalmente, integra o projeto da Fliporto Digital, e foi realizado através do famoso site de relacionamentos Twitter, onde os participantes trocam mensagens com, no máximo, 140 caracteres.

Houve um total de 391 escritores e mais de mil poemas inscritos e disponibilizados no perfil http://twitter.com/fliportope. Uma comissão julgadora selecionou os 100 melhores textos que serão lançados em uma coletânea chamada “Os cem melhores poemas do TOC140”. Dentre estes textos, serão escolhidos os dez melhores a serem submetidos à votação do público a partir do dia 28 de setembro. Os três mais votados receberão de R$ 1 mil a R$ 3 mil, bem como livre acesso a toda a programação literária da Fliporto 2010.

“É uma iniciativa muito importante porque permite um intercâmbio de vários poetas e temáticas”, afirmou Júnior. “Nos dá também a possibilidade de fazer uma breve análise da produção literária em nível nacional”, completa o assessor, único representante de Jaboatão na lista dos 100 poemas selecionados.

Eu pedi a Natanael lima para me mandar uma breve biografia e ele não mandou, assim eu vou juntar pedacinhos , cacos de informações, e dizer um pouco mais sobre ele. Natanael é cidadão Cabense, filho de família tradicional daquela cidade. É fiel escudeiro do prefeito Elias Gomes, que acompanha desde os tempos em que ambos não tinham os cabelos brancos de agora. Uma imagem de Natanael eu guardei até agora, e somente eu sou testemunha do fato: Elias Gomes havia sofrido uma dura derrota política nas Urnas em 2004, onde ele e Betinho Gomes seu filho, perderam uma eleição que se contava como certa. Foi motivo de chacotas de adversários políticos que comemoravam o fim deste grande líder político. Era 2008, estávamos eu e Natanael, o dia todo em luta muito grande para eleger Elias Prefeito de Jaboatão, uma daquelas missões impossíveis, pois o candidato vinha de outra cidade, disputava o poder com o prefeito em exercício, e enfrentava outra força da oposição apoiada pelo presidente Lula, e ainda era desrespeitado por adversários políticos de sua cidade que faziam deboches e referencias a derrota eleitoral anterior com prazer e um sadismo, difícil de descrever. Pois bem, á noite eram 20:00hs maios ou menos, o TRE anunciou a vitória de Elias Gomes, que renascia como o Fênix, das cinzas, com o voto popular. Eu explodindo de alegria abracei Natanael, notei que o guerreiro não sorria, e explodiu em uma crise de choro incontrolável. Era o pranto de um guerreiro, um dia especial para este homem, pois entendi muito bem de onde vinham aquelas lágrimas; Do campo da batalha, das feridas causadas pelo despeito e pela tripudiação, mas também pelo reconhecimento de um povo, que atestava positivamente toda a sua luta, e renasceram juntos Elias Gomes e o povo de Jaboatão. Natanael é chamado por nós carinhosamente de “Embaixador da Cultura de Jaboatão“ e esta sua vitória muito nos honra, e aqui registrei o meu respeito a este grande poeta Jaboatanense

Baião-de-Dois


Baião-de-Dois é um prato típico da região Nordeste do Brasil, oriundo do Estado do Ceará.Também é bastante apreciado nos estados de Rondônia e Acre. Consiste num preparado de arroz e feijão, de preferência o feijão verde ou feijão novo. É frequente adicionar-se carne-seca (charque). O termo baião, que deu origem ao nome do prato, designa uma dança típica do nordeste, por sua vez derivada de uma forma de lundu, chamada "baiano". A origem do termo ganhou popularidade com a música Baião de Dois, parceria do compositor cearense Humberto Teixeira com o "Rei do Baião", o pernambucano Luís Gonzaga, na metade do século XX.

A origem cearense do prato é atestada também pelo folclorista Câmara Cascudo, citando como referência a obra de 1940, Liceu Cearense, de Gustavo Barroso. Para fazê-lo, deve-se cozinhar o arroz cru no feijão com caldo já cozido e demais temperos como cebola, tomate, pimentão e especiarias como o coentro e a cebolinha. Queijo e nata costumam também ser adicionados.

Na Paraíba, é conhecido como rubacão.No sertão nordestino, principalmente, é bastante apreciado.

Dados da cozinha Cearense

A cozinha cearense tem sabores tropicais e exóticos, com temperos peculiares, agradam aos mais exigentes paladares. Em geral, seus pratos refletem traços marcantes da cultura popular e da influência deixada pelos colonizadores. Os frutos do mar são o carro-chefe da nossa culinária, sendo encontrados com variedade em toda a extensão do litoral cearense. Caranguejos, siris, camarões, e ostras compõem o cardápio dos restaurantes, que os servem de formas diferentes e apetitosas.

Um dos pratos mais tradicionais é a peixada ao molho com legumes, acompanhada de porção de farinha, enquanto a lagosta é o mais requintado e preferido pelos visitantes. Nem só de mar vive a culinária cearense. Do sertão, vem a carne de sol com paçoca e macaxeira, o popular baião-de-dois, o feijão verde, além de comidas com forte tempero como sarrabulho, a carneirada e a panelada. Da cana-de-açúcar se faz a famosa cachaça, bebida que ganhou fronteiras. Não se pode esquecer dos deliciosos doces e bolos das festas juninas, nem deixar de provar os saborosos sucos e sorvetes feitos com frutas tropicais.

A culinária cearense tem influência direta dos costumes alimentares dos primitivos índios que habitavam o Estado, enquanto outros pratos são originários dos colonizadores europeus. A influência negra, que foi muito forte na região Nordeste, principalmente no ciclo da cana-de-açúcar, também deixou marcas na cozinha cearense. Toda essa mistura de raças é responsável por uma herança gastronômica que até hoje pode ser observada no hábito alimentar da população cearense.O baião, por ser uma mistura de dois elementos da culinária brasileira apreciados e de fácil acesso, o arroz e o feijão, é muito comum em áreas rurais do Nordeste. É possível perceber que ele é feito principalmete à noite para que seja aproveitado o restante do feijão cozido durante o dia.

Receita

Ingredientes:


• 1 kg de feijão de corda
• 200 g de lingüiça calabresa
• 300 g de queijo coalho
• 250 g de arroz pronto
• 1 maço de coentro
• 1 maço cebolinha
• 250 g de carne seca cozida e desfiada
• Manteiga de garrafa a gosto
• 200 g de bacon
• 4 dentes de alho
• 1 cebola grande
• Sal a gosto

Prepare assim:

• Coloque o feijão para cozinhar em água;
• Quando estiver cozido tempere com bacon, alho, cebola e manteiga de garrafa;
• Frite em uma frigideira a lingüiça já picada;
• Vá acrescentando arroz, feijão (sem o caldo), carne-seca, queijo coalho, manteiga de garrafa e por último coloque o coentro e a cebolinha.

Maxixe Cristo nasceu na Bahia

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Maxixe


Originado de procedimentos empregados pelos músicos de grupos de choro e bandas de coretos do Rio de Janeiro desde a década de 1860, o futuro gênero de música popular chamado de maxixe ia surgir a partir de 1880 acompanhando a maneira exageradamente requebrada de dançar tal tipo de execução, principalmente de polca-tango. Isso poderia ser comprovado quando, a 17 de abril de 1883, na cena cômica intitulada Aí, Caradura!, o ator Vasques mostrava um carioca, em cuja casa se realizava um baile, a incitar seu convidado caradura (hoje cara de pau) a demonstrar suas habilidades de dançarino dizendo: "Vamos, seu Manduca, não me seja mole: eu quero ver isso de maxixe!" O que realmente acontecia obedecendo a seguinte rubrica do texto: "A orquestra executa uma polca-tango, e ele depois de dançar algum tempo, grita entusiasmado: – Aí caradura!". Ao que acrescentava a indicação: "(Canta: No maxixe requebrado/ Nada perde o maganão!/ Ou aperta a pobre moça/ Ou lhe arruma um beliscão!)".

Foi, pois, o estilo de tal forma malandra e exagerada de dançar o ritmo quebrado da polca-tango que acabaria por fazer surgir o maxixe como gênero musical autônomo, ao estruturar-se pelos fins do século XIX sua forma básica: a exageração dos baixos – inclusive pelos instrumentos de tessitura grave das bandas – conforme o acompanhamento normalmente já cheio de descaídas dos músicos de choro. Ou, como explicava no artigo Variações sobre o Maxixe o maestro Guerra-Peixe, "melodia contrapontada pela baixaria, passagens melódicas à guisa de contraponto ou variações e, em alguns casos, baixaria tomando importância capital".

Sucesso brasileiro na Europa

Definido como gênero autônomo, o maxixe, contaminado pelo preconceito em relação ao baixo nível social em que surgira – os forrobodós ou bailes populares também chamados de maxixes –, continuaria a ser cultivado musicalmente até inícios do século XX, muitas vezes encoberto pelos nomes de tango ou tanguinho (caso dos tangos pianísticos de Ernesto Nazareth). E, enquanto dança, progressivamente submetido à estilização dos seus passos – como logo faria o bailarino Antonio Lopes Amorim Diniz, o Duque – a fim de permitir sua aceitação nas salas e salões das classes média e alta. Transformada em número obrigatório do teatro de revistas (desde o quadro Um Maxixe da Cidade Nova, da peça O Bilontra, de Artur Azevedo, de 1866), a dança do maxixe seria levada para a Europa no início dos 1900 para tornar-se – sob o nome de tango brasileiro – uma onda da moda, favorecida por sua atração de coisa exótica. E isso a ponto de estimular compositores locais a tentar o gênero, como aconteceria com o francês Charles Borel Clerk com sua criação intitulada La Matchichinette, consagradora da novidade: "C’est la chanson nouvelle/ Mademoiselle/ C’est la chanson que esguiche/ C’est le matchiche".

A maior prova da repercussão alcançada pelo maxixe na Europa, porém, seria fornecida pela literatura. Em suas Memórias escritas na década de 1960, o escritor soviético Ilia Ehrenburg, ao recordar no capítulo Infância e Juventude, no primeiro volume, da agitada vida russa de 1905, lembrava que, já então, "em lugar da mignone e da chacona da minha infância, as moças estudavam, diante das assustadas mamães, o cake-walk e o maxixe". Em outro livro de memórias – este do escritor Paul Léautaud, no Journal Littéraire – o ensaista e cronista recordava uma recepção na casa de Mme. Dehaynin, num domingo de novembro de 1905, em que, após o jantar, "a senhorita Marcelle Dehaynin, acompanhada ao piano por sua mãe, dançou para nós o cake-walk, o matchice etc. E ainda antes da Primeira Grande Guerra, enquanto Georges Courteline dedicava uma de suas pequenas cenas cômicas ao diálogo de suas parisienses a discutir futilidades como infidelidade dos maridos, festas e o maxixe, o poeta Jean Richepin – segundo revelava o cronista Alvaro Moreyra em 1914 – provocava a Academia Francesa com uma conferência sobre o tango e o maxixe. Tema que, aliás, aproveitaria logo a seguir numa peça teatral escrita em parceria com a mulher, Mme. Richepin.

Desaparecimento gradual

No Brasil, o maxixe, sob esse nome ou disfarçado às vezes por outras denominações (como a de samba, tal como se comprova ouvindo a execução de Pelo Telefone pela Banda Odeon em 1917), prolongou sua trajetória até às vésperas da década de 1930, com alguns piques de sucesso, já agora revestido de letra, como aconteceria com a composição de Sebastião Cirino Cristo Nasceu na Bahia, de 1926. A partir de então, o maxixe estava destinado a reaparecer apenas eventualmente, como aconteceria em 1968, como reaproveitamento do seu ritmo na segunda parte da composição Bom Tempo, de Chico Buarque de Holanda, que ia fazer o público da I Bienal do Samba da TV Record, de São Paulo, entoar sem saber o canto de cisne do gênero pensando tratar-se de novidade em matéria de samba: "No compasso/ Do samba eu disfarço/ O cansaço/ Joana debaixo do braço/ Carregadinho de amor/ Vou que vou...".


Músicas

Cristo Nasceu na Bahia (Sebastião Cirino) – Banda do Corpo de Bombeiros
O Maxixe (Aurélio Cavalcanti) – Carolina Cardoso de Menezes
Dorinha, Meu Amor (José Francisco de Freitas) – Mário Reis
Rio Antigo (Altamiro Carrilho/ Augusto Mesquita) – Altamiro Carrilho
E Você Não Dizia Nada (Hélio Sindô/ J. Sacomani) – Gilberto Alves
Bom Tempo (Chico Buarque) – Chico Buarque
Serei Teu Ioiô (Paulo da Portela/ Monarco) – João Nogueira

Vatapá


Vatapá é um prato típico da cozinha da Bahia.

O seu preparo pode incluir pão molhado ou farinha de rosca, fubá, gengibre, pimenta-malagueta, amendoim, castanha de caju, leite de coco, azeite-de-dendê, cebola e tomate.

Pode ser preparado com camarões frescos inteiros, ou secos e moídos, com peixe, com bacalhau ou com carne de frango, acompanhados de arroz. A sua consistência é cremosa.

Também é muito famoso no Pará, onde a receita sofre variações como a ausência de amendoim e outros ingredientes comuns na versão tradicional baiana.

O vatapá é influência da culinária africana trazida pelos escravos nos navios negreiros, a partir do século XVI. Com os ingredientes encontrados nesta nova terra e a necessidade de suplementar sua dieta alimentar, desenvolveram outros pratos, que passaram a ser típicos da culinária brasileira. São disso exemplos o angu e a feijoada, entre outros.

• 70g de camarão seco defumado
• - 250g de postas de peixe branco
• - ½ cebola cortada em rodelas
• - 1 tomate sem pele cortado em cubos
• - 2 colheres (chá) de coentro empPó
• - ½ xícara (chá) de pimentão verde
• - 1 colher (chá) de pimenta calabresa em flocos
• - 20 mL de suco de limão
• - 3 colheres (sopa) de azeite de dendê
• - ½ xícara (chá) de castanha de caju torrada
• - ½ xícara (chá) de amendoim descascado
• • - 1 colher (chá) de gengibre ralado
• - 2 unidades de pão de forma sem casca
• - ½ xícara (chá) de leite de coco
• - ½ xícara (chá) de água
• - Sal e pimenta do reino preta a gosto



COMIDA BAIANA

A culinária baiana é talvez a mais popular do Brasil. Cantadas em prosa e verso, delícias como acarajé, vatapá, caruru, cocadas e quindins ganharam fama mundial e conquistaram admiradores em todo o mundo. Assim como a dos outros estados, é também um exemplo da preservação das influências culturais, principalmente a africana.

A história da criação de suas receitas começa em torno do século XVI, quando as escravas eram levadas para a cozinha. Lá encontravam ingredientes novos trazidos pelos europeus como o açúcar, sal, alho, limão, além das carnes de boi e frango apreciadas pelos senhores da casa grande. Havia também banana, amendoim, inhame, feijão e milho, já bastante consumidos pelos índios. Logo elas começaram a misturar de tudo um pouco, adaptando as comidas de orixás aos novos ingredientes. Assim, foram, aos poucos, surgindo muitos dos pratos que são hoje apreciados no estado.

Uma das características mais fortes e marcantes da comida baiana atualmente é o uso, em quase todos os pratos, de ingredientes como o azeite de dendê, o leite de coco, o coentro e, é claro, da pimenta. O que naquele tempo significavam especiarias raras, hoje fazem parte das comidas preparadas no dia a dia do povo baiano.

Quem já foi na Bahia sabe que seu principal quitute é o acarajé, vendido na rua pelas baianas, que usam uma indumentária ligada aos rituais do candomblé. Além de já fazer parte do livro de patrimônios culturais brasileiros, quem experimenta se encanta com a mistura de sabores. O acarajé é um bolinho feito de feijão fradinho ralado e frito no azeite de dendê e normalmente é partido ao meio e recheado com vatapá e camarão. Esse salgadinho que lembra mais um sanduíche coberto por camarão é consumido em qualquer hora do dia, do café da manhã ao jantar.

As tradicionais baianas que montam suas barracas de guloseimas pelas ruas das cidades vendem também outras iguarias locais, como o abará, um bolinho de feijão ralado e camarão seco, cozido e enrolado na folha da bananeira. Como opção de sobremesa são oferecidas cocadas de vários tipos.

As moquecas são outro prato típico da culinária local, podendo ser de peixe, de camarão, de siri, e até mesmo de arraia. Esse prato é uma espécie de ensopado preparado com leite de coco, azeite de dendê, pimentão, cebola e coentro. Quem não gostar de azeite de dendê ou quiser fazer uma refeição mais leve, pode pedir o ensopado, que segue a mesma receita, porém, sem esse ingrediente em sua mistura.

Outra boa pedida, muito característica da comida local, é o vatapá, feito com fubá, gengibre, castanha de caju, camarão e dendê. Tem também o caruru, feito com quiabo e camarão seco, que geralmente serve como acompanhamento para o vatapá. Não deixe também de experimentar o chamado bolinho de estudante, feito com tapioca, arroz de hauçá e o xinxim de galinha. Os nomes podem soar diferentes, mas os sabores são inigualáveis.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Aqui as Três paixões do homem do campo: Cavalo, mulher e sela

Aqui as Três paixões do homem do campo: Cavalo, mulher e sela. O cavalo tem que ser forte, a mulher tem que ser carinhosa, mas a sela tem que ser bonita.

No final de semana uma partida de futebol, uma cervejinha gelada e vale beijar muito, pois vaqueiro que não gosta de mulher, sei não! Agente chegou com a cultura para incentivar a feira de gado. Percebe-se que as motocicletas fazem parte da vida do campo, os filhos dos agricultores e dos criadores, inclusive alguns destes, trocaram os cavalos pelas motocicletas, que andam rápido, pois possuem muitos cavalos no motor.

Chegamos as 11:00h da manhã e foi muita alegria, um galo bem guisado que eu comprei e mandei preparar pra nós , arroz tropeiro e feijão verde. Vitor no violão adorou a festança, é a segunda vez que me acompanha ao violão, e está cada vez melhor esta parceria. Moço educado e muito bom violonista, ainda toca muito bem padeiro e contra baixo, valeu parceiro, seja bem vindo!

A galera do estrela da tarde botou o boi pra dançar, e arroxou na percussão, com frevo e com coco de raiz, e confesso que fiquei de perna bamba de tanto dançar coco e frevo com a vaquerama. Houve uma hora que me distanciei um pouco, e ouvi uma crítica gostosa que partiu de uma pessoa que assistia: “estes caras estão doido, tocando frevo e coco, e é carnaval è”? Fiquei feliz coma crítica, pois para mim a intenção é esta mesmo, divulgar a cultura de época o ano inteiro.

O nosso frevo que já passa dos 103 anos, precisa ser tocado todos os dias e a nossa cultura conhecida pelo nosso povo. Críticas igual a esse que recebi agente mata no peito e vai comemorar mais um gol pro time da cultura. È assim minha vida, senão estiver fazendo shows em qualquer cidade, meu palco é o campo, é a feira, pois o artista deve ir onde o povo está. Claro que é legal fazer um show no palco, com iluminação, som de boa qualidade e produção.

Aliás dirigir carro novo é uma beleza, mas para dirigir um fusca 69, tem que ser bom motorista, pois bom no bom todo mundo é ,quero ver bom, no ruim.











Bacamarteiros


Bacamarte é uma arma de fogo, de cano curto e largo, também conhecida comogranadeira, reiuna, reuna ou riuna, principalmente, no Nordeste brasileiro. As granadeiras ou bacamartes que serviram na Guerra do Paraguai, em 1865, foram modificadas para que as armas se adaptassem ao uso dos bacamarteiros nas festas do interior de Pernambuco. Desde os fins do século XIX, grupos de bacamarteiros se exibem em várias cidades Nordestinas durante as festas juninas.

De um modo geral, o folguedo se constitui de homens portando bacamarte, que são disparados com cargas de pólvora seca, em homenagem aos santos padroeiros ou em cerimônias cívicas e políticas. Este folguedo iniciou como uma lembrança dos soldados que voltaram da guerra do Paraguai, e atiravam em comemoração ao retornar da guerra. Porém nossos Bacamarteiros atuais fazem mais uma moção aos embates travados no Sertão entre os volante ( a policia da época) e os cabras de Lampião. Creio que vem daí as cores do uniforme , uns azuis que lembram os volantes , e outros de Cor Caque lembrando os cangaceiros do Capitão Virgulino, que somente foi visto como bandido depois, pois no inicio recebera do governo a patente de capitão, para combater Luiz Carlos Prestes, Gregório Bezerra e tantos outros que acreditavam no comunismo advindo da Filosofia Maxsista.

Em Caruaru, Abreu e Lima, Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes e em outros municípios nordestinos os bacamarteiros reúnem-se em grupos, troças ou batalhões, sob a chefia de um sargento e o controle geral de um comandante, que responde, perante às autoridades, pelos atiradores durante as apresentações.

A forma como os bacamarteiros se agrupam é bastante primitiva. Não há formalidades ou regulamentos. Só é necessário possuir um bacamarte, obedecer ao sargento e saber manejar a arma. A sanfona de 8 baixos, o triângulo, o zabumba de couro curtido e a banda de pífanos, acompanham os bacamarteiros de Caruaru, ao som de uma melodia de xaxado, que é acelerada nos desfiles ou lenta nas evoluções, na apresentação das armas, na frente das Igrejas e antes do início das salvas. O vestuário compõe-se de roupa de zuarte (algodão azul), lenço no pescoço, chapéu de couro, alpargatas e cartucheiras de flandre. Os bacamarteiros oriundos dos brejos, usam chapéus de abas largas, quebrado na frente, enfeitados com flores silvestres. Eles também colocam flores nos canos das armas.

Os comandantes exibem estrelas nos ombros e nos chapéus e usam bengalas ou guarda-chuvas como símbolo de comando. Apesar de Caruaru ser o maior pólo de bacamarteiros no Estado, existem também grupos em outros municípios pernambucanos como Cabo, Limoeiro, Belo Jardim.