Mostrando postagens com marcador escritores populares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escritores populares. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Tracunhaém (Pernambuco) quem te conhece te ama!!!


Era uma viagem curta e Tracunhaém era apenas uma passada para tirar umas fotos do artesanato local, uma vez que meu principal objetivo na viagem eram os Maracatus de Nazaré da Mata, distante 5 km. Cheguei às duas da tarde imaginei que logo mais á noite terminaria minha tarefa, e dormiria em Nazaré uma vez que pensava que logo fotografaria alguns artesãos e faria um registro legal da cultura local.


A cada click na máquina era uma surpresa, e uma imensa alegria. Primeiro com a qualidade do artesanato de Barro, com a habilidade de seus artesãos em lidar com a argila, e o conhecimento que estas pessoas possuem da natureza, e a sua sensibilidade para com as artes de uma forma em geral. Fui descobrindo coisas, que alguns se dividem entre o artesanato e a agricultura. Que as famílias se envolvem diretamente nesta empreitada, e cada uma ajuda como pode. As mulheres produzem e seus maridos comercializam, ambos produzem e vendem. Os filhos divulgam a arte de seus pais de alguma forma, e lhes ensina a lidar com tecnologias modernas como celulares e internet, para vender mais e prosperar em um mercado, cuja dificuldade maior, descobri ouvindo todos é a divulgação. O governo estadual e o município fez investimentos, agente vê na foto, um espaço construído para abrigar a produção da região. Aí era para estar o artesanato de Tracunhaém, o bordado de Passira a tapeçaria de lagoa do Carro etc... Mas tudo para, quando a divulgação não alcança, ou não atrai o turista para comprar a produção da região.


A comercialização é feita para os lojistas da casa da cultura no Recife, que compram o ano inteiro, apesar de promover uma concorrência enorme, e baratear preços. O inverno é difícil, o turista se afasta, mas agora é Setembro, é verão, e as esperanças se renovam, pois é a época de grandes negócios. Vem Gente de Brasília, São Paulo, do Rio de Janeiro, Santa Catarina do Paraná e de toda a região Brasileira, para comprar o belíssimo artesanato de Tracunhaém. E você já foi lá? Tem uma peça artesanal de lá, em sua casa? Se não ainda esta em tempo. Fica pertinho, cerca de 70 km do Recife, você vai amar Tracunhaém, seu artesanato, sua gente, sua cultura, sua história. Lembra que eu disse que seria fácil registrar a cultura do artesanato de Tracunhaém? Descobri que ela representa muito mais para a cultura de Pernambuco, que não tem apenas o artesanato de Barro como sua maior referencia cultural, e para este passeio por esta tão representativa cidade Pernambucana, eu lhe convido a fazer durante toda esta semana, em nossa revista eletrônica na internet.


Resultado, cancelei a visita a Nazaré, deixei para outro dia, pois fiquei preso, seduzido e encantado com Tracunhaém por dois dias. Vamos Lá?













sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sinalizar esta mensagem Um violão especial e cheio de aventuras


Poderia ser apenas mais um violão, mas aquele me chamou a atenção na cidade de Sertânia no ateliê daquela Senhora. Eliza Freire uma artista plástica da cidade de Sertânia, senhora de fino trato, respondeu sorrindo a minha indagação, sobre aquele violão tão adesivado. Satisfazendo a minha curiosidade e meu faro de blogueiro, que aquele fora o último violão do poeta Pinto do Monteiro. Daí por diante começou a contar esta história, que aqueles que valorizam a cultura popular brasileira, haverão de entender a importância deste poeta na cena da poesia de raiz da cultura Brasileira.

Pinto do Monteiro, era assim chamado, pois nascera em uma cidade chamada Monteiro, que fica na Paraíba, próximo á Sertânia. Havia escolhido este lugar para viver nesta época. Aliás, estes poetas sempre foram andarilhos, tinham costume de viajar muito para mostrar a sua arte, em cantorias organizadas nos oitões das casas, nos sobrados de engenho e nos arruados. Não havia outro modo do cantador ficar conhecido, e Pinto do Monteiro era querido e requisitado demais no Sertão, pois era poeta dos bons e de improviso, a qualquer momento, nunca deixava uma situação sem resposta.

Muitos versos de poetas já falecidos são declamados por pessoas que se "esquecem" de descrever a autoria do soneto, ou poema que acaba de declarar, e isto é um crime contra a autoria. Não acho que versos tão lindos como os de Pinto do Monteiro, e de outros devam ser esquecidos em sua lápide, mas a sua autoria não deve ser negada, e seu nome deve ser repetido com respeito, em qualquer sarau em que a sua obra for lembrada, é uma forma bonita e ética de eternizá-lo no coração dos admiradores de sua obra.

Pinto do Monteiro toda tarde, quando não estava viajando, ia até a budega de Macena, o esposo de Eliza Freire, para tomar uma lapada de cachaça, fazer umas lôas improvisadas e arrebatar alguns trocados dos admiradores de sua poesia. Um dia alguém ofereceu na budega a Pinto do Monteiro uma Viola, e para completar o dinheiro da viola, o poeta acabou vendendo o violão para Macena. Após a realização do negocio, Pinto declarou aliviado de forma improvisada e com a graça peculiar aos cantadores:"- Cumpade eu troquei um homem (violão) em uma mulher (viola) e ainda voltei dinheiro". Este violão Eliza achou entre as coisas de seu falecido marido, e colocou no seu atelier, pois ele lembra a grande amizade que existia entre Pinto do Monteiro e Macena, e esta é mais uma das belas histórias que aconteceram no Nordeste, que este contador de histórias faz questão de lembrar.


Um bom dia para todos, que a graça de Deus, continue abençoando o nosso lar e nosso trabalho!








quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Negrinho do Pastoreio


O Negrinho do Pastoreio é uma lenda afro-cristã. Muito contada no final do século XIX pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular na região Sul do Brasil. A lenda é muito bem descrita por Simões Lopes Neto, no livro Contos Gauchescos & Lendas do Sul. No Uruguai, a lenda também é conhecido como "El negrito del pastoreo".

História

O Negrinho do Pastoreio (ou Fernando Fontão ou Juari) é uma lenda meio africana meio cristã. Muito contada no final do século antepassado pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no sul do Brasil.

Nos tempos da escravidão, havia uma estancieira malvada com negros e peões. Num dia de inverno, fazia muito frio, a fazendeira mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros (ovinos no Uruguai versão) que acabara de comprar. No final da tarde, quando o menino voltou, a estancieira disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. "Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece", disse a malvada patroa. Aflito, ele foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou o cavalo pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o baio fugiu de novo.

Na volta à estância, a patroa, ainda mais irritada, espancou o garoto e o amarrou, nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ela foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. A estancieira se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha.

E depois disso, entre os andantes e posteiros, tropeiros, mascates e carreteiros da região, todos davam a notícia, de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, montado em um cavalo baio.

Então, muitos acenderam velas e rezaram um Padre-Nosso pela alma do judiado. Daí por diante, quando qualquer cristão perdia uma coisa, o que fosse, pela noite o Negrinho campeava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar de sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o livrou do cativeiro e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver.

Desde então e ainda hoje, conduzindo o seu pastoreio, o Negrinho, sarado e risonho, cruza os campos. Ele anda sempre à procura dos objetos perdidos, pondo-os de jeito a serem achados pelos seus donos, quando estes acendem um coto de vela, cuja luz ele leva para o altar da santa que é sua madrinha.

Quem perder coisas no campo, deve acender uma vela junto de algum mourão ou sob os ramos das árvores, para o Negrinho do pastoreio e vá lhe dizendo: "Foi por aí que eu perdi… Foi por aí que eu perdi… Foi por aí que eu perdi…". Se ele não achar, ninguém mais acha.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Cobra Cordelista com a turma da Travessia do Colégio Bernardo Vieira de Melo em Jaboatão






PASTORIL PROFANO


PASTORIL PROFANO


É fato comprovado pela grande maioria dos estudiosos que se dedicam às pesquisas em torno das manifestações que expressam, em sua dramaticidade, o povo brasileiro, a falta de elementos profanos nas suas origens, principalmente, as nossas danças dramáticas. Lembramos, por exemplo, Gilberto Freyre e Mário de Andrade, quando são unânimes em afirmarem a origem religiosa das manifestações artísticas populares, mesmo que tenham suas bases ou alimento em fatores econômicos, mas se considerarmos o sentimento religioso como permanente e solúvel, sua afirmação se dá pela mística religiosa , justificando-se através do mistério qualquer variante de algum fenômeno vital.
Outra característica importante salientada por Mário de Andrade em "Danças Dramáticas do Brasil: na maioria dos nossos folguedos encontramos a morte e ressurreição da entidade principal ou como nos Pastoris e Cheganças, a luta do bem contra o mal, caracterizando a noção de perigo e salvação". É claro, entretanto, que nos Pastoris, originários da Península Ibérica, o conceito de morte e ressurreição não aparece de forma contundente mas há no chamado Pastoril profano, a "luta" entre o cordão azul e o encarnado, revelando um confronto se considerarmos o cordão encarnado como o mais audaz, atrevido, por assim dizer, do que as pastoras do cordão azul. De qualquer forma foi a finalidade religiosa que deu a essas danças dramáticas ou bailados, como diz ainda Mário de Andrade, "a sua origem primeira e interessada, a sua razão de ser psicológica e a sua tradicionalização".

Faz-se necessário frisar que o caráter religioso dessas manifestações, desses autos, está cheio de teatralidade - o teatro nasce com o culto ao deus grego Dioniso - porém "são os elementos sociais profanos que vão pouco a pouco tomando importância desmesurada, que destrói a finalidade religiosa primitiva do teatro. E esses elementos profanos acabam imperando sozinhos", como ressalta Mário de Andrade. Esse fenômeno aconteceu com a tragédia grega, com o teatro Nô japonês, com os Mistérios Medievais e com as nossas danças dramáticas.
Não é demais também verificar que todos os nossos bailados possuem entrecho dramático, mesmo sendo texto improvisado - músicas e danças próprias revelando, por fim, as três bases étnicas que dão origem ao povo brasileiro: ameríndia, portuguesa e africana.
ORIGEM

A origem do Pastoril está também vinculada àquele teatro religioso semi-popular ibérico, já que tanto na Espanha quanto em Portugal, as datas católicas se transformaram em festas eclesiásticas e ao mesmo tempo em festa popular.
Segundo diversos autores, desde tempos muito antigos até o final do século XVI, são representadas peças de um ato relativas ao Natal, Reis, Páscoa, etc., numa mistura de elementos pastorais e alegóricos, de bailados, textos e canções. Esse teatro popular se afirmou em Portugal com os vilhancicos galego-portugueses, fonte primeira dos nossos pastoris. Os vilhancicos eram cantigas a solo e refrão coral, cantadas por populares encarnando pastores, nas representações da Natividade.

O Pastoril, mesmo em suas origens, nunca foi inteiramente popular mas burguês e sua justificativa se dá com os Presépios, pois, sistematicamente, os pastoris eram dançados em frente da lapinha, representação estática do nascimento do menino Jesus.
Com poucas diferenças, os estudiosos afirmam que as comemorações do Natal, a festa da Natividade, surgiram no início do século X. Conforme comprovam as pesquisas de Mário de Andrade , "a idéia de comemorar o nascimento do Cristo, através de representações dramáticas, foi do monge Tuotilo, morto em abril de 915, na Abadia de São Galo, centro germânico onde nasceram, ou donde pelo menos se espalharam com maior autoridade as Seqüências e os Tropos". O Tropo consistia em intercalar textos novos e frases melódicas novas, em textos religiosos oficiais da Igreja, cantados em gregoriano.
Logo, tanto na França como na Inglaterra, os tropos dialogados do natal se desenvolveram rapidamente, transformando-se em núcleos do drama litúrgico medieval. Dividiam-se em três partes principais: A anunciação do nascimento do Cristo aos pastores; a adoração dos três reis magos; o massacre dos inocentes. Os dois primeiros temas se conservaram vivos e se desenvolveram com rapidez por todo o ocidente europeu e Portugal, através dos jesuítas, que assim repassaram para o Brasil Colônia.
PRESÉPIO

Quanto ao Presépio, diante do qual tradicionalmente eram dançados os pastoris, segundo alguns estudiosos, surgiu somente no século XIII, com o movimento religioso de Úmbria. A invenção do presepe ou presépio é atribuída a São Francisco de Assis. Por volta de 1510, o tema passou a figurar nos autos hieráticos, como o de Sybilla Cassandra, de Gil Vicente, em citação de Pereira da Costa. Já em Portugal, a representação de auto pastoril ou presépio se afirmou somente no final do século XVIII, como descreve Mário de Andrade, citando Pedro Fernandes Tomás: "Os Auto Pastoris ou o Presepe como eram conhecidas entre o povo estas composições teatrais que se exibiam em muitas localidades do país durante as festas do Natal, Ano Bom e Reis, constituíram uma série de pequenos autos e entre meses, representados na maioria dos casos em palcos improvisados, cujo cenário se revestia da maior simplicidade, formado quase sempre por grandes ramos de árvores (pinheiro, loureiro, etc.) colocados ao longo das paredes do palco. Ao fundo da cena via-se a gruta ou lapinha tradicional com as figuras da Virgem tendo no regaço o divino infante, S. José completando o grupo. Via-se também a manjedoura e os animais simbólicos- a vaca e a mula, e a burrinha em que a Virgem havia feito a viagem de Nazaré a Belém. Uma cortina cobria a gruta ou Presepe, e todas as ingênuas cenas dos autos e entre meses terminavam por se descerrar a cortina, e os personagens caírem de joelhos adorando o Menino... As farsas mais em voga que entremeavam os Autos Pastoris eram as do Cego e Moço, o Frade e a Beata, a Lambisqueira, etc. Uma espécie de prólogo em que entravam a Noite, a Lua, o Sol, a Atenção e outras entidades simbólicas, precedia a representação. No Auto dos Reis Magos também aparecia Herodes, rei da Judéia, que ordenava o extermínio dos Inocentes, indiferente às súplicas da desolada Raquel... Estas composições parecem datar do século XVIII, e conservam-se na sua grande parte manuscritas".

No Brasil e mais precisamente em Pernambuco, segundo Pereira da Costa, o aparecimento do presépio vem, talvez, dos fins do século XVI, no Convento dos Franciscanos em Olinda, por iniciativa de Frei Gaspar de Santo Antônio, primeiro religioso a receber hábito no Brasil. Já Fernão Cardim, o Jesuíta, nos dá uma indicação em que talvez possamos detectar as origens do Pastoril brasileiro, por conta de uma representação em 1584, no dia 5 de janeiro ou no dia dos Reis, como consta num documento, também citado por Mário de Andrade em Danças Dramáticas do Brasil - 1º Tomo: "Debaixo da ramada se representou pelos índios um diálogo pastoril, em língua brasílica, portuguesa e castelhana, e têm eles muita graça em falar línguas peregrinas, maximé a castelhana. Houve boa música de vozes, flauta, danças, e dali em procissão fomos até a igreja com várias invenções".

O PASTORIL EM PERNAMBUCO

É curioso observar que nos séculos XVII e XVIII, os estudiosos não encontram referências importantes sobre o pastoril na Colônia, mas já no século XIX, concordam que houve abundância dos bailes pastoris, principalmente no Nordeste e notadamente, em Pernambuco e na Bahia, com publicações de textos, a exemplo de Sylvio Romero e Pereira da Costa.
Para Mário de Andrade, é curioso observar que essa dança dramática não teve uma repercussão nacional (apenas no período oitocentista o pastoril teve seu brilho e apogeu), diferente dos presépios que se tornaram tradição em todo o país, talvez, como ele afirma, por ser um fenômeno de imposição burguesa. Assim no Recife e nas outras cidades do Nordeste, em frente aos presépios ou lapinhas, as pastoras cantavam loas, tornando o presépio não só forma animada, mas dramática, ao lado da representação estática da Natividade. Fica evidente que a dramatização do tema permitia uma fácil compreensão em torno do episódio do nascimento do Cristo. Desta forma, a cena tomava vida, com a introdução de recursos visuais e sonoros. Para Hermilo Borba Filho, essa dramatização traz a influência do auto sacramental espanhol, na sua forma literária.

PROFANO- RELIGIOSO

Ao enveredar por outros caminhos, o Auto Pastoril transforma-se em sincretismo profano-religioso, tornando-se, muitas vezes, em profano, com suas características que ressaltam a licenciosidade do Velho do Pastoril e a sensualidade das Pastoras.
No Recife, por volta de 1840, começaram a aparecer sociedades com o fim de dirigir com solenidade, brilhantismo e decência o natalício do Messias, por meio de representações teatrais, tais como a Sociedade Natalense e a Sociedade Nova Pastoril, conforme registra Pereira da Costa. Com a formação dessas sociedades, os pastoris passaram a ter uma forma literária, de modo que transformavam-se em espetáculos, contando com poetas, escritores e artistas que criavam letras e músicas. Dentre tantos que contribuíram nesse período, há que se destacar os irmãos Valença - João e Raul que apresentavam, quase todos os anos, um Presépio, assemelhado com os autos hieráticos oitocentistas. Ascenso Ferreira revela que, no Recife, o avô de João e Raul Valença encenou, pela primeira vez, um Presépio em 1865, no auge da Guerra do Paraguai. A tradição foi mantida até 1900 pelo pai dos dois irmãos compositores já citados, que após alguns anos de interrupção, assumiram a volta ao tablado do Presépio, no Sítio Valença, localizado entre a Madalena e o Zumbi, com as mesmas características de auto sacramental. Os personagens utilizados pelos irmãos Valença eram: Culpa, Libertina, Religião, Graça, Gabriel, Pastoras, Lusbel, Mestra, Diana, Contramestra, Eva, Argemiro, Monge, Flora, Herodes, Centurião e Cingo.

Fica claro também que, enquanto as sociedades tentavam manter um controle moral e religioso, evitando enxertos de cenas burlescas e licenciosas, os Pastoris ditos profanos abundavam nas pontas de ruas, alterados em suas formas originais, contando com a participação dos espectadores na animação das cenas, fugindo do enredo e da temática e, como diziam os mais arredios, irreverentes, licenciosos e imorais.
Os esforços das sociedades para manterem a seriedade do ato sagrado que se pretendia reproduzir, repercutia também na imprensa: os jornais da época censuravam o ar indecente de que se revestiam certos presépios, com opiniões que indicavam que a Polícia devia impedir as apresentações, no zelo pela moral pública e pelos bons costumes. Há registros, de 1840, dessas denúncias, por exemplo, no jornal O Carapuceiro, do Frei Miguel do Sacramento Lopes Gama, conhecido como o Padre Carapuceiro e por suas críticas de costumes na primeira metade do século XIX.

É certo que o Pastoril teve seu grande momento nos primeiros vinte e cinco anos desse século, sendo representado por iniciativa de leigos mas sem perder sua ligação com festas religiosas, principalmente, como já foi dito, do Ciclo Natalino. Por outro lado, os Presépios sempre foram encenados por jovens e meninas de família, que paramentadas de pastoras angariavam prendas, como flores, bolos, perfumes, frutas, que se transformavam em prêmios dos leilões realizados em benefícios de instituições religiosas ou obras de caridade.
A partir de então os pastoris se espalharam pelos bairros atraindo sempre um público certo e participativo e, evidentemente que, com mais licenciosidade, atraíam os homens. Dentro da estrutura do auto, as pastoras com seus pandeiros ou maracás, cantam e dançam ao som da orquestra de pau e corda mas sua formação dependia dos recursos financeiros do grupo. Algumas traziam pistão, trombone, clarinete, bombo. Outras se apresentavam com violões, cavaquinhos, com um instrumento de sopro solista.
No meio dos dois cordões, cada um comandado pela Mestra (cordão azul) e Contramestra (cordão encarnado), encontramos a Diana, vestida metade azul, metade encarnado. O Velho, conhecido como Bedegueba, mas que toma diversos apelidos é uma espécie de bufão, de palhaço de circo, que comanda as jornadas (cantos das pastoras) e se esparrama em piadas, numa atuação que ressalta o histrionismo, a improvisação. Seus diálogos com as pastoras são cheios de duplo sentido e, com o público, puxa discussão, brincadeiras, faz trejeitos e canta canções adaptadas às suas necessidades.Dentre os outros personagens do pastoril profano, também desfilavam o Anjo a Estrela do Norte, o Cruzeiro do Sul, a Cigana, além de outras figuras que aparecem ocasionalmente por influência do local, da região.
Hoje o pastoril perdeu em sentido hierático e lírico, mas transformou-se num gênero popular de representação, diferenciado e que atingiu sua própria forma. Não é questão de involução mas de interferência dos artistas populares que com os seus espíritos inquietos e brincantes conduzem esses folguedos.

O AUTO

O auto conta a história das pastoras a caminho de Belém, onde nasceu Jesus. Lusbel lança mão de muitas artimanhas para desviá-las do caminho e só não consegue o seu intento graças às interferências de São Gabriel. Frustrado, Satanás convence Herodes a promover a degola dos inocentes, mas este é castigado porque os soldados matam o seu filho. Herodes se arrepende e é salvo, enquanto o Demônio é mais uma vez derrotado.

O auto é escrito em versos e musicado, com um prólogo, dois atos e um epílogo. As características são as mesmas de um auto sacramental, como já foi dito anteriormente. A comicidade, uma das características mais fortes dos espetáculos populares do Nordeste, aos poucos também foi aparecendo no Pastoril. Talvez para atrair um maior público e deixando os autores com mais liberdade de criação, como disse Hermilo Borba Filho. Com as pastoras divididas em dois cordões, azul e encarnado, possibilitou a formação de partidos que se batiam pelas cores de suas preferências e muitas vezes terminava em pancadaria. O leilão também despertava entusiasmo e quando o pastoril saiu do amadorismo para um certo profissionalismo acentuou-se a sensualidade e sexualidade e era comum um pastoril terminar com o rapto da Mestra, Contramestra ou da Diana.


AS JORNADAS

Nos presépios que mantém vinculação à tradição natalina, encontramos nas jornadas fortes alusões ao nascimento de Jesus:

Da cepa nasceu a rama
Da rama nasceu a flor,
E da flor nasceu Maria
Mãe de Nosso Senhor.

ou ainda nas jornadas finais, que fazem parte da chamada queima da lapinha, ressalta-se também, o aspecto hierático da canção, quando as pastoras cantam:

Vamos companheiras, vamos,
Vamos a Belém,
Para queimar as palhinhas
Onde nasceu nosso bem.

A queima da lapinha acontecia, quase sempre no Dia de Reis, quando as famílias recebiam convidados para na hora tradicional - meia noite - levarem toda a folhagem seca que ornamentava a lapinha para ser queimada na porta da Igreja. Os participantes faziam uma roda e girando em volta do fogo cantavam a jornada própria :
A nossa lapinha
Já vai se queimar
E nós, pastorinhas,
Devemos chorar.

Queimemos, queimemos,
A nossa lapinha,
De cravos, de rosas,
De belas florinhas

Queimemos, queimemos,
Gentis pastorinhas,
As secas palhinhas,
Da nossa lapinha...

Era o momento de jogar os pedidos dirigidos ao Menino Jesus, escritos anteriormente. Em seguida todos voltavam para casa, onde os esperava uma mesa farta e a brincadeira continuava.
Já no pastoril dito profano, só as jornadas iniciais e finais referem-se ao nascimento de Jesus. Mas nem sempre. Dentre as inúmeras versões das jornadas de aberturas, ainda hoje são cantadas assim:

Boa noite, meus senhores todos
Boa noite, senhoras também;
Somos pastoras
Pastorinhas belas
Que alegremente
Vamos a Belém.

Sou a Mestra
Do Cordão encarnado
O meu cordão
Eu sei dominar
Eu peço palmas
Peço riso e flores
Ao partidário
Eu peço proteção.

Sou a contramestra
Do cordão azul
O meu partido
Eu sei dominar

Com minhas danças
Minhas cantorias
Senhores todos
Queiram desculpar

A Diana, enquanto mediadora, cantava:

Sou a Diana, não tenho partido
O meu partido são os dois cordões,
Eu peço palmas, fitas e flores
Ó meus senhores, sua proteção.

É importante salientar que as canções dançadas sucediam-se uma após a outra, sem qualquer diálogo ou texto de ligação entre eles, a não ser quando o velho do pastoril interferia com suas improvisações para estimular o público e receber gorjetas para lançar, com deboche, suas irreverências.

Como espetáculo popular, o pastoril perdeu muito de sua popularidade, e hoje encontramos poucos grupos que ainda animam os bairros nos tablados armados na praça, ou como dizem: "não há mais pastoril de ponta-de-rua", com sua alegria irreverente. E naturalmente, perdeu sua função social. E perdemos verdadeiros atores mambembes, sendo justo lembrar os grandes velhos de pastoris, tais como: Amaro Canela de Aço, Catota, Galo Velho, Cebola, Baú, Velho Barroso, Futrica e o Faceta.
Mas, ainda que os fenômenos econômicos e sociais tenham interferido para a decadência dos pastoris, é bom lembrar a resistência do Velho Xaveco e Suas Pastoras, lançando discos e realizando espetáculos em teatros ou a recriação do ator Walmir Chagas, com o seu Velho Mangaba.

sábado, 28 de agosto de 2010

A casa do Maná também presente no dia do Folclore








Ciranda Carcará anima dia do folclore no Engenho São Bartolomeu

Quando a música começou, nos demos às mãos e fomos dançar a dança mais democrática do mundo. A ciranda.

Tudo isso para homenagear o dia do folclore. Esse dia ficará marcado no coração de todos os que estiveram no Engenho São Bartolomeu e nos corações de todos vocês que acompanham essa revista eletrônica!










sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Mais artistas de Jaboatão comemoram dia do folclore


O bloco estrela da tarde chegou com o boi e contagiou a turma toda que caiu no frevo canção e frevo de bloco, como faz há pelo menos 100 anos. Só Maria Gambôa que estava de cama acometida de gripe não veio. Se viesse, tomava uma lapada de cachaça e caia na bagunça, como faz todo ano, apesar de seus 94 anos.

Toinho cantou o côco, maravilhosamente como canta a quarenta anos, cantando o côco de raiz no bairro de comporta, desde que seu pai lhe levou a primeira sambada de côco, e lhe inseriu na cultura de raiz.

Parabéns mestre toinho, que sabe tudo do ramo e já ensinou para a sobrinha a Amanda e para os filhos e netos. Tudo gente simples que já trabalhou na cana de açúcar e hoje tem outras ocupações.

O aboaiador Chalega veio a cavalo, Lenemar a poeta dos sinais, distribuiu sorrisos e autógrafos. O poeta Geraldo Valério fez Versos, e do cavalo assisti a prosa do poeta.














Hip Hop os artistas de Jaboatão comemoram o folclore


Ricardo Realidade comandou a alegria no Hip Hop. Com letras sadias muita imaginação, balanço e improvisação a galera desceu dos Montes Guararapes para celebrar a paz e a cultura.

Vejam as fotos.