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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Das coisas da natureza

Das coisas da natureza

Não a nada mais bonito
que um riacho correndo
pelas pedras escorrendo
... num aguasse infinito
ou o som de apito
do cantado do cancão
que la no capoeirão
é artista com certeza
Das coisas da natureza
sempre nasce a inspiração

A terrinha perfumada
em inicio de inverno
causa um alivio tão terno
depois de uma chuvarada
o canto da passarada
que se espalha pelo chão
é uma bela visão
de incomparável beleza
Das coisas da natureza
sempre nasce a inspiração

O juazeiro verdejante
em tempo de seca forte
que nunca tem cor de morte
com o seu folhear constante
o tiú muito elegante
correndo sem direção
toma sua posição
e corre com tal leveza
Das coisas da natureza
sempre nasce a inspiração

vive a rasga mortalha
la no sino da igreja
pega a cobra que rasteja
nesse ponto nunca falha
com seu bico de navalha
consegue sua refeição
não traz mal agouro não
só pra serpente indefesa
Das coisas da natureza
sempre nasce a inspiração

a rolinha cascavel
ou também fogo apagou
na mata quase acabou
graças ao homem cruel
mas quando voa no céu
causa admiração
sua bela coloração
tem cores de tal riqueza
Das coisas da natureza
sempre nasce a inspiração

a caatinga ou mata branca
a capoeira o tabuleiro
o frondoso umbuzeiro
de serventia tão franca
de sua raiz agua arranca
é um oásis do sertão
ajuda a população
possui agua de pureza
Das coisas da natureza
sempre nasce a inspiração

voando na mataria
um bando de avoantes
os buritis tão gigantes
a visão do fim do dia
o cantar rouco da jia
o carcará e o carão
o velho camaleão
com toda sua aspereza
Das coisas da natureza
sempre nasce a inspiração

Espero sinceramente
que preservem nossa terra
ou a vida se encerra
muito rapidamente
torço que futuramente
essa nova geração
pense com o coração
e a mantenham ilesa
Das coisas da natureza
sempre nasce a inspiração


AOS PROFESSORES...

É gigante o nosso prejuízo
Com esse maltrato a educação
Por que para mudar a condição
Até a greve, aqui é preciso.
Direitos simples como um piso
O governo finge ser irreal
Ignora o decreto federal
Ameaça, coage e se omite.
E ainda quer que a gente acredite
Que a greve é que é ilegal

Estudei ditadores do passado
Lembro-me deles por vários nomes
Mas um que chamam “Cid Gomes”
Que hoje “des”governa nosso estado
Foi o candidato mais bem votado
Por um povo de pouca instrução!
Pra manter-se na sua condição
Quer deixar o povo ignorante
E por isso seu ataque constante
A já tão machucada educação.

Educar por amor é uma verdade
Como o nosso governador aponta
Mas porem o amor não paga conta
Nem garante vida de qualidade
Ou encobre toda a dificuldade
Que o educador hoje enfrenta!
Esse discurso ninguém aguenta
Professor não é nenhum otário
Governador doe então seu salario
Para ver se só amor te sustenta

E aqui falo aos professores
Através desse meu relato breve
Aos que continuam nessa greve
Quero parabenizar aos senhores
Pois vocês carregam nossas dores
Nossa classe sem reconhecimento!
Que se chegue ao entendimento
Que não dá pra manter uma nação
Onde o profissional da educação
É tratado como um instrumento

(Antonio Wilton da Silva-professor/poeta)


Fonte:http://culturanordestina.blogspot.com/

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Gato Félix: 100 anos de esquecimento de um caricaturista

Félix de Albuquerque, o Gato Félix, nasceu em 1911, em Chã de Alegria, município da Zona da Mata Norte de Pernambuco. De uma família de humildes trabalhadores rurais, em 1925, portanto aos 14 anos de idade, Félix mudou-se para o Recife onde, inicialmente, trabalhou como empregado doméstico na residência de uma senhora da sociedade: “era uma casa na Rua da Imperatriz nº 36, no segundo andar, onde tinha um piano que era tocado por três mocinhas”, diria a 02de fevereiro de 1975, numa entrevista ao Jornal da Cidade, do Recife.

Naquela época, ou seja, em 1925, o garoto Félix de Albuquerque já gostava de desenhar, tarefa a que dedicava todo o tempo em que não estava ocupado com os afazeres domésticos. Um dia, a patroa viu os rabiscos do seu empregado e o incentivou a estudar. Através do maestro e compositor Nelson Ferreira, que frequentava a casa, ela conseguiu matricular Félix num curso de desenho do Liceu de Artes e Ofícios, a então mais importante escola profissionalizante do Recife. Mas, avesso aos estudos, Félix só frequentou o curso por apenas três dias.

Publicado pelo jornal A Pilhéria, Recife, 05/10/1929.


Além de deixar o Liceu de Artes e Ofícios, Félix de Albuquerque também saiu da casa onde era empregado doméstico e foi trabalhar como gazeteiro, “porque vender jornal era uma profissão muito mais divertida”. Assim, aos 15 anos de idade, Félix teve seus primeiros contatos com o mundo da imprensa, já alimentando o sonho de um dia ter os seus desenhos publicados nos jornais. E, assim aconteceu: de gazeteiro a ilustrador (cartunista/caricaturista) seria “um pulo”, pois aos 16 anos de idade Félix veria suas primeiras caricaturas publicadas:

- Publiquei meus dois primeiros desenhos aos 16 anos de idade. Uma caricatura de um médico chamado Edgard Altinho e a outra era uma caricatura do Ministro Oliveira Lima. Foi a maior alegria da minha vida porque naquele tempo os jornais do Recife tinham muitos cartunistas famosos, muita gente importante - diria Gato Félix na já citada entrevista ao Jornal da Cidade. Ele acrescentava:

- Me lembro de quase todos os cartunistas do Recife: Beroaldo Melo; Armando Santos que depois virou coisa muito alta e só fazia pintura; eu vi a primeira caricatura de Lula Cardoso Ayres, que foi a do médico Simões Barbosa; J. Ranulpho foi outro grande caricaturista, aprendi muito com ele, lá na casa dele na Rua da Praia, onde vi o seu filho Carlos Ranulpho (hoje marchand de arte famoso) ainda pequeno; Nestor Silva morreu na miséria, lá no Alto José do Pinho... Ainda tinha Vitoriano, Valdemar Vilares, Zezé e outros que não lembro agora...

A partir daquele 1927, Gato Félix teve uma bem sucedida carreira de cartunista, atuando em praticamente todos os importantes jornais recifenses: A Noite, Jornal do Recife, Jornal Pequeno, Diário da Manhã, A Rua, A Notícia, O Prego, A Revista, A Pilhéria, Folha da Manhã, Diário da Noite, Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio, entre outros. Além do sucesso, seus desenhos também trouxeram problemas. Em 1930, por exemplo, foi preso várias vezes, a maioria delas por conta de caricaturas do Inspetor de Polícia Ramos de Freitas, “um sujeito beiçudo, fácil de caricaturar”.

Jornalista Sócrates Times de Carvalho, contemporâneo de Gato Félix


No início dos anos 1970, Gato Félix foi esquecido pelos jornais do Recife. Mas, enquanto atuou como cartunista, fez amizade com grandes nomes da cultura pernambucana: “Fiz muitos amigos no meio cultural. Conheci Gilberto Freyre quando ele era secretário de redação de A Província. Fiz amizade com Mauro Mota, Eugênio Coimbra, Lula Cardoso Ayres...Com Mário Melo cheguei a fazer um suplemento carnavalesco para o Jornal do Commercio em 1936... Hoje, alguns desses nem falam comigo ou pensam que já morri” (Jornal da Cidade, 02/02/1975).

Capiba e Antônio Farias

Os últimos desenhos de Gato Félix foram publicados pelo semanário Jornal da Cidade, entre 1974/75, depois que o jornalista Ivan Maurício localizou o cartunista morando numa modesta casa do Beco do Rosário, no bairro recifense de Afogados, e o trouxe de volta à imprensa. Antes de morrer, pobre, no final da década de 1970, Gato Félix passa os dias num restaurante no bairro de Santo Amaro, Recife, onde comia e bebia pagando as contas com caricaturas que fazia dos outros clientes e que o proprietário dependurava pelas paredes do estabelecimento.

Segundo o próprio cartunista, o apelido Gato Félix surgiu numa redação de jornal, por lhe acharem parecido com o gato do mais famoso desenho animado dos anos 1920.

Jornal da Cidade, 1975

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Tejipió - um ex-bairro de Jaboatão

Por James Davidson



O Bairro de Tejipió, no Recife, é um lugar pitoresco e de origem muito antiga, remontando aos tempos coloniais. Sua história é pouco conhecida pelos próprios recifenses e, por já ter pertencido a Jaboatão, demo-lhes um espaço neste blog.





Cortada pelo rio Tejipió, a região foi ocupada pelos portugueses ainda no século XVI, com a instalação de alguns engenhos de cana-de-açúcar. Estes engenhos pertenciam à freguesia da Várzea - Engenhos São Paulo, Curado, Tejipió, etc. O açúcar era levado em pequenos barcos pelo rio Tejipió, também conhecido como Rio dos Cedros e Rio dos Afogados, até o porto do Recife.



Foi através do Vale do Rio Tejipió que os colonizadores adentraram e conquistaram o Vale do Rio Jaboatão, pela região que hoje é Cavaleiro. Durante o período holandês, o Engenho Tejipió foi confiscado pelos holandeses e passado a João Fernandes Vieira e, por isso, o local passou a ser um dos centros de conspirações contra os invasores.



O Rio Tejipió nasce na Mata do Mamucaia, município de São Lourenço da Mata, nos confins da Cova de Onça. Segundo Teodoro Sampaio a palavra Tejipió significa "raiz de Tejú".





No século XVII, é fundado no local o Engenho Peres pelo português José Peres Campelo que veio em Pernambuco em 1680. Suas terras correspondem hoje à mata protegida pelo quartel do exército de Tejipió. Também neste século, foi erguida a Capela de NS do Rosário que, apesar de inúmeras alterações, permanece no local.


Com a construção da Estrada da Vitória (atual avenida José Rufino), em 1836, o povoado começou a crescer, tanto que em 1858 muitas casas foram construídas ao pé da ponte ali existente. Em 1885 foi criada a Estação de Tejipió, pertencente à Estrada de Ferro Central de Pernambuco e, posteriormente, a de Coqueiral na junção com a linha para Camaragibe. Ambas estações foram destruídas para a construção das atuais do metrô.

No início do século XX, o bairro de Tejipió era um distrito de Jaboatão até que no ano de 1928 foi anexado ao Recife, por ordem do Governador Estácio Coimbra. Nesse período, o local era mais movimentado que Cavaleiro, tendo um mercado público, construído pelo prefeito de Jaboatão Nobre de Lacerda. Este mercado foi destruído posteriomente para que os ônibus elétricos pudessem fazer a volta. Tejipió também possuía uma imprensa bastante movimentada com vários jornais locais como "O Echo".

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Santa Rita

A Histórica Santa Rita
Literatura de Cordel

Autoria: Alunos do Instituto São Marcus,
Profª Wilma e Cordelista Francisco Diniz



NOTA: As 7 primeiras estrofes e a estrofe n° 11 deste trabalho foram elaboradas na Escola Municipal Instituto São Marcus, Várzea Nova, Santa Rita-PB no período entre 10 e 17 de agosto de 2009, com orientação de Francisco Diniz, pela professora Wilma e por seus alunos: Anderson, André, Natália, Alessandra, Rayane, Isabele, Joelson, Josélia; pelos alunos da Professora Vânia: Élida, Kaline, Douglas, Robson, Wilames; pelos alunos da Professora Telma: Joanderson, Enderson, Bruno; pelos alunos da Professora Geisa: Gabriela, Maria Fernanda, Joanderson. As demais estrofes foram produzidas pelo cordelista Francisco Diniz para a Amostra de Cordel das Escolas Municipais de Santa Rita no dia 19.08.2009, no Ginásio Renato Ribeiro Coutinho, bairro Popular, as 14:00h.



Santa Rita, bom lugar,
Terra boa pra viver,
Aqui nós somos felizes,
Venha aqui nos conhecer,
Você sempre é bem-vindo
Com amor e com prazer.

É lugar meigo, bonito,
Temos muito o que mostrar,
Mais de 130 mil
Habitantes a morar
E desta terra aqui
Em cordel vamos tratar.
1

Santa Rita é chamada
Terra dos canaviais
Porque sempre houve aqui
Cana-de-açúcar demais,
O povo é trabalhador,
Cada dia brilha mais.

Há o rio Paraíba,
Há açudes, cachoeiras,
No mar lá de Forte Felho
Há lugar pra brincadeira,
É bom para se viver,
Paraíso sem fronteira.

Há vegetação aqui,
Mata Atlântica, manguezais,
No solo observamos,
As riquezas naturais
Para fabricar cerâmica
Ou peças artesanais.

Temos águas minerais,
Há fontes a trabalhar:
Sublime, Itaquatiara
E também a Indaiá,
Há praças grandes, bonitas,
Boas para passear.
2

No Distrito Várzea Nova,
De grande população,
Onde nossa escola está,
Nós temos a tradição:
Comércio de Caranguejo,
Vendido na região.

Em 1890
9 de março, o dia,
Santa Rita transformou-se
E à cidade passaria,
A data é marco histórico,
Trouxe grande alegria.

Fica a 12 km
Distante da capital.
705 km
Quadrados de área total
O clima é quente e seco
E a temperatura em graus:

A mínima é de 18,
A máxima é 36,
A média é 27;
Muita argila, massapês,
Colheitas verificamos,
Principalmente as 3...
3

Que se destacam aqui
Em nossa agricultura:
São a cana-de-açúcar,
Batata-doce e a cultura
Grande de abacaxi,
Os campos, uma pintura.

Limites de Santa Rita:
Ao Norte é com Capim,
Mamanguape, Rio Tinto
E com Lucena, por fim;
Ao Sul os limites são
Determinados assim:

Alhandra, Pedras de Fogo
E termina lá no Conde;
A Leste é com João Pessoa,
Bayeux, Cabedelo e onde
Tem limites com o Oeste,
A beleza não se esconde:

Cruz do Espírito Santo
E as terras de Sapé.
Santa Rita é grandiosa,
Sempre acolhe a quem quer
Trabalhar, viver aqui
E professar sua fé.
4

O que pusemos aqui
Nesta breve exposição,
Da história de Santa Rita
Teve a contribuição
De uma pesquisa maior
Que fez a Marta Falcão.

Santa Rita é o segundo
Núcleo de povoamento
Mais antigo do Estado
E começou no momento
Que Martin Leitão chegou
Após conseguir o intento,

Ou seja, que foi vencer
Nosso índio Potiguara,
Logo construiu o Forte
E uma capela para
Lembrar São Sebastião
E então também fundara...

1586
O Engenho Tibiri,
Que era movido a água,
Depois pertinho dali,
Às margens do Paraíba
Outro engenho fez surgir.
5

Cumbe era o seu nome,
Que depois foi transformado
Em Usina Santa Rita,
Cumbe virou povoado
Que abrigava viajantes
À capital do Estado,

Aliás, era Província,
O Estado naqueles idos,
1776
Fora então construído
Um templo pra Santa Rita,
Igreja, fique entendido.

Esta capela surgiu
Devido a devoção
À Santa Rita de Cássia
De todo o povo cristão
E assim Santa Rita é
Chamada desde então.

Esta terra tem história
Prova são os monumentos:
Capela de São Gonçalo,
Capela do Livramento,
Capela São Gabriel
E é como um ornamento
6

A bela igreja Matriz,
A igreja da Conceição,
As capelas do Socorro,
Forte Velho, São João,
A Torre do Atalaia
E fazemos citação:

Gruta de Senhora Lourdes.
Aqui há mais que o ouro,
São as manifestações
Do povo, são os tesouros
Que fazem nos orgulhar,
São colheitas, são os louros:

Cirandeiros, mamulengos,
Artesãos, os ceramistas,
Os cantadores de coco,
Violeiros repentistas,
Sanfoneiros, seresteiros,
Uma leva de artistas...

Dos carnavais, os poetas,
Acadêmicos, pintores,
Mulheres, homens das letras,
Povo simples ou doutores,
Santa Rita tem histórias
De imensuráveis valores.
7

Dentre tantos personagens
Nós deveremos citar
Amaro Gomes Coutinho
E a memória preservar
De Antônio Elias Pessoa
Que morreram por lutar

Em 1817
Durante a insurreição.
De um tempo mais remoto
Urge se fazer menção:
André Vidal de Negreiros,
Grande herói desse chão.

Agora, o maior herói,
Não se pode esquecer,
É o povo que constrói
No dia-a-dia o viver,
O povo de Santa Rita
É história, é luta, é saber!

Mas nosso povo inda tem
Muito para evoluir,
Reclamar os seus direitos,
Todo dia exigir
A melhor educação
Pro'utro mundo construir.
8

Francisco Diniz
Site:www.projetocordel.com.br

Lenine comenta as tartarugas do Jaboatão dos Guararapes


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Os autores pernambucanos que caem no vestibular


Sociólogo, antropólogo e escritor, Gilberto de Melo Freyre nasceu no Recife, a 15/03/1900. Autor de dezenas de livros, entre os quais "Casa Grande e Senzala" (1933), seu mais importante trabalho, obra considerada fundamental para o entendimento da formação da sociedade brasileira.

Escreveu seu primeiro poema aos 11 anos de idade e, em 1917, concluiu, no Recife, o curso colegial (Colégio Americano Gilbeath de Pernambuco), seguindo, no princípio de 1918, para os USA, onde fez seus estudos universitários: na Universidade de Baylor (bacharelado em Artes Liberais com especialização em Ciências políticas e Sociais) e na Universidade de Colúmbia (mestrado e doutorado em Ciências Políticas, jurídicas e Sociais) onde defendeu, em 1922, a tese "Vida Social no Brasil em Meados do Século XIX".

Viaja a países da Europa e retorna ao Brasil em 1923. Considerado pioneiro da Sociologia no Brasil, em 1926 foi um dos idealizadores do I Congresso Brasileiro de Regionalismo do qual resultou a publicação do Manifesto Regionalista - documento contrário à Semana de Arte Moderna de 1922 e que valorizava o regionalismo nordestino em confronto com as manifestações da "cultura européia".

Em 1936 e 1959, publica, respectivamente, os livros "Sobrados e Mocambos" e "Ordem e Progresso", obras que, com "Casa Grande e Senmzala", formam uma trilogia sobre a história da sociedade patriarcal brasileira.


Foi pioneiro no Brasil ao abordar, em estudos sociológicos, temas como alimentação, moda, sexo etc. e causou polêmica ao defendera tese de que a riqueza cultural brasileira originou-se da mistura de raças (a missisgenação racial) propiciada pelo fato de o colonizador português não ter preconceitos raciais e isso teria facilitado o contacto com o colonizado cordato.

Em 1946 foi eleito deputado federal constituinte (UDN-PE), sendo vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara e representante do governo brasileiro na Assembléia geral das Nações Unidas em 1947. Quando deputado, apresentou o projeto de criação do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (posteriormente transformado em fundação).

De 1926 a 1930, foi secretário particular do então governador de Pernambuco, Estácio Coimbra. Durante a ditadura Vargas foi preso três vezes. Apoiou o governo militar que se instalou no Brasil em 1964 e, posteriormente, defenderia uma reabertura.

Foi, também, pintor. Como jornalista, dirigiu o jornal "A Província" (Recife) e o Diario de Pernambuco; escreveu para a revista O Cruzeiro e colaborou com várias revistas estrangeiras, entre as quais The American Scholar (USA), The Listener (Londres), Diogène (Paris), Kontinent (Viena) e outras.

Era integrante do Conselho Federal de Cultura desde a sua criação; foi presidente do conselho-diretor da Fundação Joaquim Nabuco (Recife); ; detentor de vários prêmios literários e doutor Honoris Causa de dezenas de universidades brasileiras e estrangeiras. Da Rainha Elezibeth II recebeu o título de Cavaleiro do Império Britânico. Morreu no Recife, a 18/07/1987, de isquemia cerebral, depois de passar uma semana na UTI do Hospital Português.

Interpretação da obra

Segundo Celso Pedro Luft, Gilberto Freyre "é uma das glórias do pensamento brasileiro". No Dicionário de Literatura Portuguesa e Brasileiro, Luft assim define o autor pernambucano: "A rigorosa formação universitária, as qualidades de cientista e artista, o seu anti-sectarismo permitiram-lhe imprimir novos rumos aos estudos socioculturais. Rumos mais metódicos, mais técnicos, para progredir nos caminhos de Sílvio Romero e Euclides da Cunha. Casa Grande & Senzala é um marco de suma importância para a ciência e as letras brasileiras, valendo ao autor projeção internacional".

Ainda segundo Celso Luft, Gilberto Freyre foi "um pensador equilibrado, soube evitar os extremos: como cientista foge aos exageros cientificistas, como artista nada tem de estetismo. Revolucionando o ensaio científico nos seus métodos, revolucionou-o também na expressão.

A sua prosa, pobre na aparência, é antes sóbria e precisa. Vocabulário reduzido, terminologia científica só rigorosamente necessária, pouca adjetivação. Não qualifica; faz das comparações os seus adjetivos -como observou Luís Jardim. Mas, preferindo palavras simples e pouco numerosas, evitando o preciosismo, a retórica, o supérfluo - G.F. imprime grande plasticidade, colorido e ritmo à sua prosa".

Celso Pedro Luft conclui: "Pela expressão concreta, pelas imagens fortes, pelo vocabulário e fraseado vivo, Gilberto Freyre consegue dar força e calor humano ao que escreve. Daí o interesse com que se lêem os seus ensaios que, sem o estilo pessoal do autor, facilmente seriam áridos ou indigestos".

Sobre Casa Grande & Senzala, Celso Luft escreve: "Pode-se dizer que, com esse livro, Gilberto Freyre iniciou o ensaio científico, em contraposição ao ensaio acadêmico; revolucionou os estudos de sociologia histórica brasileira. Nessa obra, como nas que se lhe seguem, uma ampla e inteligente pesquisa justifica as conclusões".

Prêmios e medalhas

Prêmio da Sociedade Felipe d'Oliveira, RJ, 1934 * Prêmio Anisfield-Wolf, USA, 1957 * Prêmio de Excelência Literária, Academia Paulista de Letras, 1961 * Prêmio Machado de Assis, Academia Brasileira de Letras (conjunto de obra), 1962 * Prêmio Moinho Santista de Ciências Sociais, 1964 * Prêmio Aspen, Instituto Aspen, USA, 1967 * Prêmio Internacional La Madonnina, Itália, 1969 * Troféu Novo Mundo, São Paulo, por "obras notáveis em Sociologia e História", 1973 * Troféu Diários Associados, por "maior distinção atual em Artes Plásticas", 1973 * Prêmio Jabuti, Câmara Brasileira do Livro, 1973 * Sir - "Cavaleiro Comandante do Império Britânico", distinção conferida pela Rainha da Inglaterra em 1971 * Medalha Joaquim Nabuco, Assembléia Legislativa de Pernambuco, 1972 * Medalha de Ouro José Vasconcelos, Frente de Afirmación Hispanista de México, 1974 * Educador do Ano, Sindicato dos Professores do Ensino Primário e Secundário em Pernambuco e Associação dos Professores do Ensino Oficial, 1974 * Medalha Massangana, Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, 1974 * Prêmio Caixa Econômica Federal, Fundação Cultural do Distrito Federal, 1979 * Prêmio Moinho Recife, 1980 * Medalha da Ordem do Ipiranga, do Estado de São Paulo, 1980 * Grã-cruz da República Federal Alemã, 1980.

Títulos

Doutor Honoris Causa, em Letras, pela Universidade de Columbia * Doutor Honoris Causa pela Sorbonne * Doutor Honoris Causa, em Letras, pela Universidade de Coimbra * Doutor Honoris Causa, em Letras, pela Universidade de Sussex, Inglaterra * Doutor em Ciências Políticas, Jurídicas e Sociais, pela Universidade de Münster, Alemanha * Doutor Honoris Causa, em Filosofia, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro * Doutor Honoris Causa, em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Universidade Federal de Pernambuco * Adstrito Honorário da Universidade de Salamanca, Espanha * Adstrito Honorário da Universidade de Buenos Ayres * Professor Honorário das universidades federais de Pernambuco, Bahia e Paraíba.

Bibliografia completa

1933: Casa Grande e Senzala (Formação da Família Brasileira sob o Regime de Economia patriarcal), Maia & Schmidt Ltda, RJ. 20a edição, comemorativa do 80o aniversário do autor, pela Editora José Olympio/Instituto Nacional do Livro, com ilustrações de Tomás Santa Rosa, Cícero Dias e Poty e poemas de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira; prefácio de Eduardo Portella e crônica de José Lins do Rego. Traduções nas línguas espanhola, inglesa, francesa, alemã, italiana e polonesa e edição em Portugal.

1934: Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, com ilustrações de Luís Jardim, Edição do Autor. 4a edição pela Editora José Olympio, RJ, 1968, com fotografias e ilustrações de Luís Jardim e Rosa Maria.

1935: Artigos de Jornal, Casa Mouzart, Recife. Incluído em Retalhos de Jornais Velhos.

1936: Sobrados e Mocambos (Decadência do Patriarcado Rural e Desenvolvimento do Urbano), Companhia Editora Nacional, São Paulo. 2a edição, refundida, 3 volumes, com ilustrações de Lula Cardoso Ayres, Manuel Bandeira, Carlos Leão e do autor, Editora José Olympio, RJ, 1951. Várias edições seguintes e edições também inglesa e norte-americana.

1937: Nordeste (Aspectos da Influência da Cana Sobre a Vida e a Paisagem do Nordeste do Brasil), com fotografias e ilustrações de Manuel Bandeira, Editora José Olympio, RJ. Várias edições seguintes e traduções espanhola, francesa e italiana.

1938: Conferências na Europa, Ministério da Educação e Saúde, RJ. Revisto e aumentado, passou a constituir O Mundo que o Português Criou.

1939: Açúcar (Algumas Receitas de Doces e Bolos dos Engenhos do Nordeste), com ilustrações de Manuel Bandeira, Editora José Olympio, RJ. A partir de 1969, novas edições, aumentadas, sob o título Açúcar (Em Torno da Etnografia, da História e da Sociologia do Doce no Nordeste Canavieiro do Brasil), com ilustrações de Manuel Bandeira.

1939: Olinda - 2o Guia prático, Histórico e Sentimental de Cidade Brasileira, edição do autor, Recife, com ilustrações de Manuel Bandeira. Várias edições seguintes, revistas e aumentadas, pela Editora José Olympio, RJ.

1940: Diário Íntimo do Engenheiro Vauthier (prefácio e notas), Ministério da educação, RJ. Incluído na segunda edição de Um Engenheiro Francês no Brasil.

1940: Um Engenheiro Francês no Brasil - prefácio do prof. Paul Arbousse-Bastide. 2a edição em 2 volumes ilustrados, 1960: 1o vol. Um Engenheiro Francês no Brasil; 2o vol. Diário Íntimo de Louis Léger Vauthier, Cartas Brasileiras de Vauthier, tradução de Vera M.F. de Andrade e prefácio, introdução e notas de G. Freyre. Todas as edições pela Editora José Olympio, RJ.

1940: Memória de Um Cavalcanti (Introdução às), Companhia Editora Nacional, SP. Incluído em O Velho Félix e suas Memórias de um Cavalcanti.

1940: O Mundo que o Português Criou (Aspectos das Relações Sociais e de Cultura do Brasil com Portugal e as Colônias Portuguesas), Editora José Olympio. Edição em Portugal.

1941: Região e Tradição, prefácio de José Lins do Rego e ilustrações de Cícero Dias, Editora José Olympio, RJ. 2a edição Gráfica Record Editora, RJ, 1968.

1942: Ingleses, prefácio de José Lins do Rego, Editora José Olympio.

1943: Problemas Brasileiros de Antropologia, Casa do Estudante do Brasil, RJ. Edições seguintes, com prefácio de Gonçalves Fernandes, pela Editora José Olympio, RJ.

1944: Perfil de Euclides e Outros Perfis, desenhos de Santa Rosa e C. Portinari, Editora José Olympio, RJ.

1944: Na Bahia, Em 1943, Companhia Brasileira de Artes Gráficas, RJ.

1945: Sociologia I (Introdução ao Estudo dos Seus Princípios), 2 volumes, várias edições, todas pela Editora José Olympio, com prefácio de Anísio Teixeira.

1945: Brazil: An Interpretation, Alfred A. Knopf, Nova Iorque. 2a edição em 1947 (texto expandido em New World in the Tropics). Edição brasileira: Interpretação do Brasil, tradução e introdução de Olívio Montenegro, Editora José Olympio, RJ, 1947. Edições também em Portugal, Itália, México.

1948: Ingleses no Brasil (Aspectos da Influência Britânica sobre a Vida, a Paisagem e a Cultura do Brasil), Editora José Olympio, RJ.

1950: Quase Política (9 Discursos e 1 Conferência), Editora José Olympio, RJ. 2a edição em 1966.

1953: Um Brasileiro em Terras Portuguesas (Introdução a uma Possível Lusotropicologia, Acompanhada de Conferências e Discursos Proferidos em Portugal e em Terras Lusitanas e ex-Lusitanas da Ásia, da África e do Atlântico), Editora José Olympio, RJ. Edição também em Portugal.

1953: Aventura e Rotina (Sugestões de uma Viagem à Procura das Constantes Portuguesas de Caráter e Ação), Editora José Olympio, RJ, e edição em Portugal.

1955: Assombrações do Recife Velho, Editora Condé, RJ. 2a e 3a edições pela José Olympio, 1970 e 1974.

1956: Problème de Changement Social Au 20eme Siècle (com L. von Wiese, Morris Guinsberg e Georges Davy), Londres e Hereford.

1958: Integração Portuguesa nos Trópicos. Portuguese Integration in the Tropics. Junta de Investigações do Ultramar, Vila Nova de Famalicão, Portugal.

1959: Ordem e Progresso (Processo de Desintegração das Sociedades Patriarcal e Semipatriarcal no Brasil sob o Regime de Trabalho Livre: Aspectos de um Quase Meio Século de Transição do Trabalho escravo para o Trabalho Livre; e da Monarquia para a República), 2 volumes, Editora José Olympio, RJ. Edição também em língua inglesa.

1959: O Velho Félix e suas Memórias de um Cavalcanti, Editora José Olympio, RJ.

1959: New World in the Tropics, Knopf, Nova Iorque. edição em língua portuguesa: Novo Mundo nos Trópicos, tradução de Olívio Montenegro e Luís Miranda Corrêa, 1a edição pela Companhia Editora nacional, SP, 1971. Também editada no Japão.

1959: A Propósito de Frades, Universidade da Bahia.

1960: Brasis, Brasil e Brasília, Livros do Brasil, Lisboa. 2a edição,atualizada, Gráfica Record Editora, RJ, 1968.

1961: O Luso e o Trópico - Sugestões em Torno dos Métodos Portugueses de Integração de Povos Autóctones e de Culturas Diferentes da Européia num Complexo Novo de Civilização: O Lusotropical, editado pela Comissão Executiva das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, Lisboa. edições também em francês e inglês.

1961: Sugestões de um Novo Contacto com Universidades Européias, Imprensa Universitária, Recife.

1962: Arte, Ciência e Trópico (Em Torno de Alguns Problemas de Sociologia da Arte), Edições Martins, SP.

1962: Homem, Cultura e Trópico, Imprensa Universitária, Recife.

1962: Vida, Forma e Cor, Editora José Olympio, RJ, prefácio de Renato Carneiro Campos.

1962: Talvez Poesia, Editora José Olympio, RJ, prefácio de Mauro Mota.

1963: Brazil, Pan American Union, Washington.

1963: O Escravo nos Anúncios de Jornais Brasileiros do Século XIX, Imprensa Universitária, Recife e 2a edição pela Companhia Editora Nacional/Instituto Joaquim Nabuco, em 1979.

1964: Vida Social no Brasil nos Meados do Século XIX, tradução do original inglês (Social Life in Brazil in the Middle of the 19th Century) por Valdemar Valente e prefaciada pelo autor, Instituto Joaquim Nabuco, Recife.

1964: Retalhos de Jornais Velhos, Editora José Olympio, RJ, prefácio de Luís Jardim.

1964: Dona Sinhá e o Filho Padre (seminovela), editora José Olympio, RJ. Edições também norte-americana e em Portugal.

1965: Seis Conferências em Busca de um Leitor, Editora José Olympio, RJ.

1966: The Racial Factors in Contemporany Politics, Sussex, Inglaterra.

1967: Sociologia da Medicina, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

1968: Oliveira Lima, Dom Quixote Gordo (com 60 cartas inéditas de Oliveira Lima), Imprensa Universitária, Recife. 2a edição em 1970.

1968: Como e Porque Sou e Não Sou Sociólogo, Editora Universidade de Brasília.

1968: Contribuição Para Uma Sociologia da Biografia (O Exemplo de Luís de Albuquerque, Governador de Mato Grosso, no fim do Século XVIII), 2 volumes, Academia Internacional de Cultura Portuguesa, Lisboa. 2a edição pela Fundação de Cultura de Mato Grosso, 1978.

1969: Transformação Regional e Ciência Ecológica, Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, Recife.

1970: Cana e Reforma Agrária (com outros autores), Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, Recife.

1971: Seleta para Jovens, Organizada pelo autor com a colaboração de Maria Elisa Dias Collier, Editora José Olympio, RJ.

1971: The History of Brazil, 3 volumes, edição conjunta de The Masters and Slaves, The mansions and the Shanties e Order and Progress, Secker & Warbury, Londres.

1971: Nós e a Europa Germânica (Em Torno de Alguns Aspectos das Relações do Brasil com a Cultura Germânica no Decorrer do Século XIX), Grifo Edições/INL, Rio de Janeiro/Brasília.

1971: A Casa Brasileira (Tentativa de Síntese de Três Diferentes Abordagens, já Realizadas pelo Autor, de um Assunto Complexo: a Antropológica, a Histórica, a Sociológica), Grifo Edições, RJ.

1972: A Condição Humana e Outros Temas - Trechos escolhidos por Maria Elisa Dias Collier, Grifo Edições/INL, Rio de Janeiro/Brasília.

1973:Além do Apenas Moderno (Sugestões em Torno de Possíveis Futuros do Homem, em Geral, e do Homem Brasileiro, em Particular), Editora José Olympio, RJ. Edição também na Espanha.

1974: The Gilberto Freyre Reader. Transl. by Barbara Shelby. Alfred A. Knopf, New York.

1975: Tempo Morto e Outros Tempos (trechos de um diário de adolescência e primeira mocidade - 1915/1930), Editora José Olympio.

1975: A Presença do Açúcar na Formação Brasileira, Instituto do Açúcar e do Álcool.

1975: O Brasileiro Entre os Outros Hispanos: Afinidades e Possíveis Futuros nas suas Inter-relações, Editora José Olympio/INL.

1977: O Outro Amor do Dr. Paulo (seminovela, continuação de Dona Sinhá e o Filho Padre), Editora José Olympio, RJ.

1977: Antologia, Ediciones Cultura Hispánica, Madri.

1977: Obra Escolhida (Casa Grande & Senzala, Nordeste e Novo Mundo nos Trópicos), Nova Aguilar, RJ.

1978: Alhos & Bugalhos, Editora Nova Fronteira, RJ.

1978: Cartas do Próprio Punho Sobre Pessoas e Coisas do Brasil e do Estrangeiro, Conselho Federal de Cultura, RJ.

1979: Heróis e Vilões no Romance Brasileiro, Cultrix/Editora da USP.

1979: OH de Casa! - Em Torno da Casa Brasileira e da sua Projeção sobre um Tipo Nacional de Homem, Artenova/Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais.

1979: Tempo de Aprendiz, Ibrasa/INL.

1979: Pessoas, Coisa e Animais, MPM Propaganda.

1980: Poesia Reunida, Edições Pirata, Recife, com ilustrações de Marcos Cordeiro.

1988: Ferro e Civilização no Brasil, Fundação Gilberto Freyre, Recife, e Editora Record, Rio de Janeiro.

Adaptção para teatro: Casa Grande & Senzala, drama em três atos, de José Carlos Cavalcanti Borges, Serviço Nacional de Teatro, RJ.


Livros sobre Gilberto Freyre


1944: Gilberto Freyre (Notas biográficas), ilustrado, de Diogo de Melo Menezes, prefácio de Monteiro Lobato, Casa do Estudante do Brasil, RJ.

1962: Gilberto Freyre, Sua Ciência, Sua Filosofia, Sua Arte (64 ensaios sobre G.F. e sua influência na moderna cultura do Brasil), obra comemorativa do jubileu de prata de Casa grande & Senzala, ilustrado, Editora José Olympio, RJ.

1979: Casa Grande & Senzala, Obra Didática?, de Gilberto de Macedo, Editora Cátedra/INL.

1984: O Elogio da Dominação - Relendo Casa Grande & Senzala, Maria Alice de Aguiar Medeiros, Achiamé, RJ.


Outros: Casa Grande & Senzala foi o tema escolhido pela Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira para o seu desfile no carnaval carioca de 1962.

Fonte:http://www.pe-az.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=313:gilberto-freyre&catid=60:vestibular-autores-pernambucanos&Itemid=168

Fatos e Datas - Setembro



Fatos marcantes do mês de setembro

Em setembro, Pernambuco assistiu a morte do então ministro Marcos Freire, em desastre aéreo que gerou suspeitas, e viu um temporal atípico que deixou mortos na Região Metropolitana e Zona da Mata.

01 DE SETEMBRO

· Dia de Santo Egídio
· Caixeiro Viajante, Dia do
· Sindicato dos Contabilistas de Pernambuco é fundado – em 1933
· Dom Hélder Câmara: por determinação do ministro da Justiça, os jornais, rádio e televisão ficam proibidos de divulgar entrevistas, artigos ou reportagens com/do arcebispo de Olinda e Recife – em 1970
· Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) é recriada através de decreto-presidencial, em 2003

02 DE SETEMBRO

· Dia de Santa Dorotéia
· Repórter Fotográfico, Dia do
· Raul Valença, músico e compositor, autor, entre outras, da canção O Teu Cabelo Não Nega – nascimento em 1894
· Velho Barroso (José Menezes de Morais), artista popular, animador de pastoril – nascimento em 1904

03 DE SETEMBRO

· Dia de São Gregório Magno
· Biólogo, Dia do
· Diretas já – Governador de Pernambuco, Roberto Magalhães, diz apoiar a campanha por eleições diretas para presidente da República – em 1983
· Três presos fogem da cadeia pública de Sertânia, no Sertão do estado – em 2000

04 DE SETEMBRO

· Dia de São Moisés
· Serventuário, Dia do
· Secretaria Estadual de Saúde divulga balança da cólera: com 25 casos da doença, Santa Cruz do Capibaribe lidera ranking no Estado – em 1998
· Mandado judicial de reintegração de posse: 250 famílias de trabalhadores ligados ao Movimento dos Sem Terra são despejadas da Fazenda Moreira, município de Vertentes – em 2000
· Representantes do Comando Militar do Nordeste entregam ao Museu do Gonzagão, Exu, medalhas de reconhecimento póstumo ao cantor-compositor Luiz Gonzaga por ter contribuído para a divulgação de imagem positiva do Exército brasileiro – em 2001
· Termina operação de desencalhe do navio Jovanna, de bandeira maltesa, que dia 30 passado ficou preso em bancos de arrecifes na entrada do Porto do Recife – em 2001
· Greve nos Correios: em assembléia salarial, os 2,4 mil servidores decidem entrar em greve em todo o Estado – em 2002
· Tráfico internacional de menores: vereadora Ana Maria de Almeida Freitas, do município de Aliança, que fora presa a 21 de agosto passado, é libertada por habeas corpus – em 2003

05 DE SETEMBRO

· Dia de Santo Herculano
· Oficial de Justiça, Dia do
· Farmacêutico, Dia do
· Josué de Castro, médico e escritor, um dois maiores estudiosos do problema da fome no Nordeste brasileiro, foi presidente da FAO e embaixador do Brasil da Organização das Nações Unidas (ONU), autor do livro “Geografia da Fome” – nascimento em 1908
· Marcos Freire, político, foi deputado federal, senador, ministro – nascimento em 1931
· Seqüestrada, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, a advogada Norma Lúcio Araújo, 35 anos, irmã do vereador recifense Luiz Helvécio – em 2002

06 DE SETEMBRO

· Dia de São Zacarias
· Cabeleireiro, Dia do
· Alfaiate, Dia do
· Trabalhadores rurais sem terra promovem nova onde de saques em várias regiões do Estado. Dez ocorrências foram registradas em delegacias de polícia – em 1999
· Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, encaminha mensagem solicitando ao Congresso Nacional autorização para que seja criada a Fundação Universidade Federal de Petrolina, sertão pernambucano – em 2001
· Libertada , a advogada Norma Lúcio Araújo, 35 anos, irmã do vereador recifense Luiz Helvécio, seqüestrada no dia anterior, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes – em 2002

07 DE SETEMBRO

· Dia de Santa Regina
· Independência do Brasil
· Ginásio Pernambucano é inaugurado no Recife em 1855
· Ferrovia: lançada a pedra fundamental e têm início as obras da primeira estrada de ferro de Pernambuco, ligando o Recife ao Cabo – em 1855
· Mercado Modelo do Derby, construído pelo empresário Delmiro Gouveia e que trouxe várias novidades ao Recife, uma delas a luz elétrica – inauguração em 1899
· Mais de 700 motoqueiros de todo o Brasil abrem, em Petrolina, o I Encontro Nacional de Motociclismo – em 2000
· Por falta de verbas, Exército reduz desfile do 7 de setembro a menos da metade do ano anterior – em 2002

08 DE SETEMBRO

· Dia de São Adriano
· Alfabetização, Dia Internacional da
· Aniversário da cidade de Exu
· Banda Curica (Sociedade Musical Curica de Goiana), mais antiga banda de música de Pernambuco – fundada em 1848
· Parque Amorim, uma das mais belas praças recifenses da época – inauguração em 1924
· Marcos Freire: político, foi deputado federal, senador, ministro – morte quando o avião em que viajava explode, em 1987

09 DE SETEMBRO

· Dia de Santa Anastácia
· Veterinário, Dia do
· Conjunto urbano da Rua da Aurora, Recife, é tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual, em 1985

10 DE SETEMBRO

· Dia de Santa Pulquéria
· Imprensa, Dia da
· Manezinho Araújo (Manuel Pereira de Araújo), músico e compositor, considerado O Rei da Embolada – nascimento em 1910
· Andrade Lima Filho, jornalista, escritor e político – morte em 1983

11 DE SETEMBRO

· Dia de São Jacinto
· Aniversário das cidades de Agrestina, Arcoverde, Araripina, Belo Jardim, Cabrobó, Carpina, Catende, Custódia, Flores, Jurema, Lagoa dos Gatos, Macaparana, Maraial, Moreno, Orobó, Ribeirão, São Caetano, São Joaquim do Monte, Serrita, Surubim, Vertente, Vicência.
· Banda Musical União Operária, com sede no bairro São José, Recife – é fundada em 1910
· Novos municípios: de uma só vez, são criados 23 novos municípios no Estado – em 1928
· Morre, no Recife, o jornalista Cristiano Donato, 33 anos, baleado durante um assalto no dia 07 passado – em 2000

12 DE SETEMBRO

· Dia de Santa Dulce
· Porto do Recife – inauguração em 1918
· Movimento de Cultura Popular (MCP) – Diário Oficial publica ata de criação, em 1961
· Mendigo tem o corpo queimado enquanto dormia, no Largo da Paz, Afogados, Recife – em 2003

13 DE SETEMBRO

· Dia de São João Crisóstomo
· Aniversário da cidade de Caetés
· Representantes de 150 famílias de trabalhadores sem terra ocupam a sede no Recife do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) – em 1999
· Policiais civis encerram greve iniciada há 73 dias – em 2001

14 DE SETEMBRO

· Dia da Exaltação da Santa Cruz
· Frevo, Dia do
· Setembrizada, revolta militar ocorrida no Recife em 1831
· Reivindicando regulamentação do setor e liberação de multas e veículos, kombeiros do chamado transporte alternativo realizam passeata e tumultuam centro do Recife. Houve pedradas, a polícia reagiu com bombas de gás e várias pessoas saíram feridas – em 1998

15 DE SETEMBRO

· Dia de Nossa Senhora das Dores
· Musicoterapia, Dia da
· Construção de uma fortaleza na Praia de Pau Amarelo é autorizada através de carta régia – em 1703

16 DE SETEMBRO

· Dia de São Cornélio
· Paz, Dia Internacional da
· Miguel Arraes, ex-governador do Estado, retorna do exílio e é recebido com um grande comício realizado no bairro de Santo Amaro, Recife, com participação de Jarbas Vasconcelos, Marcos Freire, Teotônio Vilela, Lula e outras lideranças nacionais – em 1979
· Inaugurado em Petrolina, pelo governador Jarbas Vasconcelos, o Centro de Artes e Cultura Ana das Carrancas, com loja para exposição e venda de carrancas, museu e ateliê para realização de cursos– em 2000

17 DE SETEMBRO

· Dia de São Roberto Belarmino
· Dila (José Soares da Silva), artista popular, xilogravurista e autor de folhetos de Cordel – nascimento em 1937
· João Cleofas, usineiro e político, deputado federal por vários mandatos, senador, ministro da Agricultura – morte em 1987

18 DE SETEMBRO

· Dia de São Panfilo
· Temporal na Região Metropolitana do Recife e Zona da Mata Sul do Estado deixa cinco pessoas mortas. Em 48 horas choveu mais que a média histórica de todo o mês de setembro – em 2000
· Trabalhadores do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade ocupam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, no Recife – em 2003

19 DE SETEMBRO

· Dia de São Januário
· Comprador, Dia do
· Teatro, Dia do
· Teatro Santa Isabel, no Recife, é destruído por um incêndio – em 1869
· Ginu (Januário Oliveira), artista popular, mestre de mamulengo – nascimento em 1910
· Paulo Freire, educador brasileiro reconhecido internacionalmente, criador de um método de alfabetização de adultos que leva seu nome, autor de vários livros – nascimento em 1921

20 DE SETEMBRO

· Dia de Santa Fausta
· Lei Orgânica do Recife proíbe que se dê o nome de pessoas vivas a qualquer logradouro público da cidade – em 1999
· Juiz federal suspende o embarque do altar-mor da Basílica do Mosteiro de São Bento de Olinda que seguiria hoje para uma exposição nos Estados Unidos da América – em 2001
· Operação Vassourinha, que apura fraudes em licitações, sonegação fiscal, tráfico de influência, peculato e outros crimes. Em operação gigante, 102 agentes da Polícia federal desembarcam no Recife e prendem 15 pessoas, entre políticos, empresários e policiais – em 2002

21 DE SETEMBRO

· Dia de Santa Efigênia
· Tia, Dia da
· Árvore, Dia da
· Radialista, Dia do
· Fazendeiro, Dia do
· Aniversário da cidade de Petrolina
· Arqueólogos da Universidade Federal de Pernambuco encontram, durante reforma no prédio do Ginásio Pernambucano, na Rua da Aurora, Recife, uma cacimba secular, de pedra, com quatro metros de diâmetro – em 2000
· Trabalhadores da Organização da Luta no Campo ocupam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, no Recife – em 2003

22 DE SETEMBRO

· Dia de São Maurício
· Amantes, Dia dos
· Contador, Dia do
· Banana, Dia da
· Técnico Agropecuário, Dia do
· João Cleofas usineiro e político, deputado federal por vários mandatos, senador, ministro da Agricultura – - nascimento em 1898
· Teatro do Parque, no Recife, reabre depois de sete meses de portas fechadas para reforma – em 2000

23 DE SETEMBRO

· Dia de São Lino
· Técnico Industrial, Dia do
· Relatora especial da ONU para execuções Sumárias e Arbitrárias, Asma Jahangir, chega a Itambé, na Zona da Mata pernambucana, para acompanha denúncias sobre a existência de grupos de extermínio no município – em 2003

24 DE SETEMBRO

· Dia de Nossa Senhora das Mercês
· Soldador, Dia do
· Josué de Castro, médico e escritor, um dois maiores estudiosos do problema da fome no Nordeste brasileiro, foi presidente da FAO e embaixador do Brasil da Organização das Nações Unidas (ONU), autor do livro “Geografia da Fome” – morte em 1973

25 DE SETEMBRO

· Dia de São Firmino
· Trânsito, Dia Nacional do
· Câmara Municipal aprova projeto-de-lei que proíbe a cobrança de consumação mínima nas danceterias, casas de shows e estabelecimentos similares no Recife – em 2001

26 DE SETEMBRO

· Dia de São Cosme e São Damião
· Relações Públicas, Dia das
· Lula Cardoso Aires, artista plástico – nascimento em 1910
· Otacílio Batista, poeta, repentista – nascimento em 1923

27 DE SETEMBRO

· Dia de São Vicente de Paula
· Idoso, Dia do
· Turismo, Dia Mundial do
· Cantor, Dia do
· Ecanador, Dia do
· Manezinho Araújo (Manuel Pereira de Araújo), cantor e compositor, considerado o Rei da Embolada, pintor, atuou também no cinema e foi o primeiro artista a gravar um jingle no Brasil – nascimento em 1910
· José Conde, escritor, morre em 1971
· Frei Damião recebe, em sessão solene na Assembléia Legislativa do Estado, o título de cidadão pernambucano, em 1977

28 DE SETEMBRO

· Dia de São Venceslau
· Hidrógrafo, Dia do
· Cidade de Jaboatão é iluminada à luz elétrica, em 1915
· Presos homossexuais pernambucanos terão direito a encontro conjugal quer até então só era permitido aos presos heterossexuais. Decreto é assinado pelo Secretário de Justiça do Estado, Humberto Vieira – em 1999

29 DE SETEMBRO

· Dia dos Santos Miguel, Gabriel e Rafael
· Anunciante, Dia Nacional do
· Professor de Educação Física, Dia do
· Petróleo, Dia do
· Padre Carapuceiro (Miguel Sacramento Lopes Gama), religioso, jornalista e político, foi diretor da Tipografia Nacional, fundador do jornal O Carapuceiro – nascimento em 1791
· Marquês do Recife (Francisco Paes Barreto) – morte em 1848
· Antônio Marinho, poeta popular, um dos mais afamados repentistas pernambucanos morre em 1940
· Avião que conduzia candidato a deputado e ex-secretário de Educação Raul Henry cai e explode, na cidade de Arcoverde. Piloto e passageiro saem feridos – em 2002

30 DE SETEMBRO

· Dia de São Jerônimo
· Secretária, Dia da
· Jornaleiro, Dia do
· Tradutor, Dia Mundial do
· Barco de pesca que saiu da Ilha de Nossa Senhora (entre Petrolina e Juazeiro) com 16 pessoas afunda no Rio São Francisco e quatro crianças morrem – em 2001
· Libertadas a últimas pessoas presas durante a Operação Vassourinha, que apura fraudes em licitações, sonegação fiscal, tráfico de influência, peculato e outros crimes. Dia 20 passado, a Operação prendera 15 pessoas, entre políticos, empresários e policiais – em 2002

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sady e Ágaba: Uma trágica história de amor.


Em 1923, a Praça João Pessoa (que à época se chamava Comendador Felizardo leite) foi palco de uma tragédia que resultou na morte de dois jovens alunos enamorados: Ágaba Gonçalves de Medeiros e Sady Castor Correia Lima. Ela estudava na Escola Normal (atual Tribunal da Justiça) e ele no Lyceu Paraibano (que funcionava, à época, no prédio da antiga Faculdade de Direito, ao lado do Palácio da Redenção). Na primeira, só estudavam meninas.

Para evitar a aglomeração de certos jovens que ali afluíam, principalmente os estudantes do “Lyceu Parahybano”, que dali se aproximavam para conversar e/ou flertar com as normalistas daquele educandário, foi estabelecida a "linha da decência", uma invenção do diretor da Escola Normal, o Monsenhor João Batista Milanez, figura conhecida e culta do clero paraibano, que considerava aquilo um desrespeito à moralidade e aos bons costumes. Tudo em nome da honrada família paraibana. Ninguém podia atravessá-la sob pena de sofrer punições.

Mas os dois estudantes se amavam e não aguentavam ficar separados por muito tempo. E no sábado, 22 de setembro, o rapaz atravessou essa divisória imaginária e recebeu um alerta do guarda civil Antônio Carlos de Menezes, vulgo “guarda 33”, responsável pela “manutenção da ordem” e “guardião da honra das moças”. Uma discussão entre os dois foi iniciada e o policial acabou disparando um tiro fatal no estudante.

Quando a notícia se espalhou, amigos e estudantes do Lyceu se aglomeraram na frente da escola e passaram a hostilizar sua direção e a sede da guarda civil. O corpo do jovem foi velado no próprio Lyceu, por toda noite, seguido por discursos inflamados de alunos, professores e familiares. O enterro foi realizado no dia seguinte, no cemitério da Boa Sentença, sendo acompanhado por um grande número de pessoas. Depois, um grupo de jovens, composto por estudantes e amigos da vítima, saiu em exaltada manifestação pelas ruas da cidade, destruindo todos os exemplares do jornal "A União" que encontravam pela frente, terminando com o enterro simbólico do monsenhor Milanez, às portas do seminário diocesano.

O incidente também despertou outras ondas de manifestações incitadas pela oposição ao governo, que tiveram grande repercussão em toda a Província, que culminaram provocando a queda do diretor da escola (substituído pelo cônego Pedro Anísio) e quase resultando na deposição do governo de Solon de Lucena.

Passado duas semanas do ocorrido, o caso ganha uma nova dimensão, com a trágica notícia da morte de Ágaba. Muito deprimida e emocionalmente fragilizada pela morte do amado, ela se suicidou, ingerindo forte dose de veneno. A Paraíba cobre-se novamente de luto.

Ágaba ainda deixa uma carta dirigida a sua futura ex-sogra (mãe de Sady), escrita pouco antes de morrer, cujo teor, vai abaixo descrito:

“Parahyba, 6 de outubro de 1923.

Minha mãezinha,

Peço-vos desculpas de assim vos tratar, mas os laços que me prendiam ao vosso filhinho, permitem que assim vos trate. É lamentável dizer-vos o estado em que me acho desde o desaparecimento de meu inesquecido mui amado Sady. Peço-vos perdão de minha ousadia, mas, venho, por meio desta, dizer-vos que comungo convosco da mesma dor.

Ah! se não fosse ferir o vosso e o meu coração relataria o modo, os sentimentos daquele que tão cedo foi arrebatado do meio honrado em que vivia. Não sei por onde se acha a mala daquele que espero que Deus tenha em sua companhia; queria que vos interessásseis em mandar buscar. Resta-nos confiar na justiça da terra? Não, confiarei na Divina, pois que aquela falha e esta não falhará jamais.

Confiando no vosso coração, espero não se zangará quando esta receber.Peço-vos que abençoeis aquela que amanhã irá fazer companhia àquele que soube honrar e fazer-se honrar.

Abraçai as maninhas pela desventurada

Ágaba Medeiros”

Na sequência, o monsenhor Almeida, vigário capitular de arquidiocese, ainda quis negar sepultura religiosa a Ágaba, por tratar-se de uma suicida, agindo, segundo ele, de conformidade com as prescrições da chamada igreja tridentina.

Fonte:http://culturapopular2.blogspot.com/2010/07/sady-e-agaba-uma-tragica-historia-de.html

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Erros Históricos

1) O Português João Tavares, inteligentemente, aproveitou-se de alguns desentendimentos havidos entre as tribos indígenas e conseguiu insinuar-se junto aos Tabajaras, firmando um pacto de paz e amizade com o cacique Piragibe (o “Braço de Peixe”). O acordo entre eles foi firmado no dia 05 de agosto de 1585 (dia de Nossa Sra. das Neves), à margem direita do Rio Sanhauá, afluente do Rio Paraíba. Estava assim aberto o caminho para a colonização da Paraíba. Mas os trabalhos de fundação da cidade só foram iniciados em 04/11/1585, embora a data de 05/08/1585 seja aceita oficialmente como a fundação da cidade, em homenagem ao pacto conseguido por João Tavares.

2) A escolha do local para a construção da cidade no interior, com foros de capital, pareceu para muitos um erro dos portugueses, pois era nos litorais que se esperavam as invasões. E só nos litorais se podia defender a integridade de suas terras. Para isso foi construída a Fortaleza de Santa Catarina, no litoral de Cabedelo. Para VARNHAGEN (1981: 386), a capital deveria ter sido edificada onde hoje se situa a aquela cidade portuária.


Fonte:http://culturapopular2.blogspot.com/2010/03/erros-historicos.html

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sou filha do rei - Dalinha Catunda

SOU FILHA DO REI
(Dalinha Catunda)

Nasci na terra da luz
Pegando sol na moleira
Tomando banho de açude
Pulando da ribanceira
Brincando de tibungar
Nos rios do meu lugar
Na meninice brejeira.
*
Em noite de lua cheia,
Sob o luar do sertão
Serenatas escutei
Nos acordes da paixão
Presente de namorados,
Poéticos, apaixonados,
Escravos do coração.
*
Feliz eu era e sabia
Nas terras de Alencar
No leque da carnaúba
Ouvia o vento cantar
Assobiando bonito
No entre palmas um agito
Formando um grácil bailar.
*
Nasce detrás de um serrote,
O rei sol na minha terra,
Mas na boquinha da noite
Quanta beleza ele encerra
Com a sua vermelhidão
Tinge de rubro o sertão
E se esconde atrás da serra.
*
No sertão do Ceará
Eu nasci e me criei.
Já andei por muitos reinos
Mas lá sou filha do rei!
No condado de Ipueiras
Depois de romper barreiras
Meu palacete montei.


Dalinha Catunda
www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com

Fonte:http://culturanordestina.blogspot.com/

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Velhice, Velhos: provérbios, ditos


Velhice, Velhos: provérbios, ditos do livro Velhos & Jovens: uma folclórica rivalidade


Com relação aos idosos, a rivalidade ou gozação vem de muito longe. E tanto é assim que a sabedoria popular registra provérbios antiquíssimos, chegados até nós através da colonização portuguesa e, enquanto alguns perderam sua atualidade, outros continuam participando da linguagem popular brasileira ainda com a mesma força, constando também das legendas escritas nos pára-choques dos caminhões.

Assim, a velhice "é um mal desejado", "é uma segunda meninice", "faz o homem prudente". E "a vida passada faz a velhice pesada", enquanto a "mocidade ociosa não faz velhice contente". No que diz respeito aos velhos, os provérbios são os mais variados possíveis e se contradizem no todo ou em parte.

*

Mais quero o velho que me ame do que o moço que me assombre.
*

Moça com velho casada, como velha se trata.
*

Ainda que seja prudente, o velho não despreza conselho.
*

Guarda moço, acharás velho.
*

O moço por não querer e o velho por não poder deixam as coisas perder.
*

Perde-se o velho por não poder e o moço por não saber.
*

Quem quiser ser muito tempo velho, comece-o a ser cedo.
*

Quem em velho engorda, de boa mocidade se logra.
*

0 velho e o peixe no sol aparecem.
*

0 velho a estirar, o Diabo a enrugar
*

Se queres viver são, faz-te velho antes do tempo.
*

Homem velho, saco de azares.
*

0 amor no velho traz culpa, mas no mancebo fruto.
*

De velho, o conselho.
*

0 velho muda o conselho.
*

Em o velho e o menino o benefício é perdido.
*

0 velho torna a engatinhar.
*

Se queres bom conselho, pede-o ao homem velho.
*

Vinho velho, amigo velho.
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Velho gaiteiro velho menino.
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Não há melhor espelho do que amigo velho.
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A velha galinha faz gorda a cozinha.
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Se o moço soubesse e o velho pudesse nada haveria que não se fizesse.
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Queda de velho não levanta poeira.
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Velho que se cura cem anos dura.
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Pai velho e mangas rotas, não é desonra.
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Come, menino e criar-te-hás; come, velho e viverás.
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Mal vai a corte onde o boi velho não tosse.
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A mula velha cabeçadas novas.
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Quem tem velho não tem novo.
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Tomar atalhos novos e deixar caminhos velhos.
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Carne nova de vaca velha.
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Velhos amigos, contas novas.
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0 moço dormindo, sara,- o velho, se acaba.
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0 velho e o forno pela boca se aquentam
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Velho na sua terra e o moço na alheia sempre mentem de uma maneira.
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Velho que não anda, desanda.
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Velhos são os trapos.
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Carreira de velho é choto.
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Velho que não adivinha não vale uma sardinha
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0 moço de bom juízo quando velho é adivinho.
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Arrenega ao velho que não adivinha.
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Não há moço doente nem velho são.
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Não diga ao velho que se deite nem ao menino que se levante.
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Velho não se senta sem "Ui!", nem se levanta sem "Ai!"
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Incha o menino para crescer e o velho para morrer.
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Não há sábado sem sol. Nem jardim sem flores. Nem velhos sem dores. Nem moças sem amores.
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Papagaio velho não aprende a falar.
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Saúde de velho é muito remendada.
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Se eu gostasse de velho ia trabalhar em museu.
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Velho? Só vinho, perfume, dinheiro e viúva rica.
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Pote velho é que esfria água.
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Burro velho não toma freio.
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Mais vale estrada velha do que vereda nova.
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Tatu velho não caí em mundeu.
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Nunca deixe o amigo velho pelo novo.
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Ao velho que muda de clima e costumes, é morte certa.
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Azeite, vinho e amigo, o mais antigo,
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Quem gosta de velho é reumatismo, cadeira de balanço, fila do INPS e rede.
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Velho é como panela, rede e balaio: só se acaba pelos fundos.
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Quem gosta de velho é vento encanado.

Diz-se do velho muito velho que ele é "velho como a Sé do Braga", que "já pendurou as chuteiras", que "está mijando nos pés", que é "bananeira que já deu cacho", "que já está de cachimbo apagado", "que é do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça", "que é mais velho do que a posição do cagar de cócoras".

Há os velhos que não gostam de ser chamados de velhos, e dizem: "velho é o tempo", "velho é a estrada". Dizem que são, somente, usados.

E os velhos assanhados, - os que ainda não descobriram que ficaram velhos - quando vêem uma mulher bonita ficam gagos, trêmulos da cabeça aos pés, "mais contentes do que mosquito em pereba."

Em matéria de amor, os velhos não foram esquecidos: "Velho apaixonado com pouco tempo está casado, "Velho com amor, jardim com flor", ou "Velho com amor, morte em redor".

A sabedoria popular chega a ser cruel quando se refere à vida sexual dos velhos: "Ao velho recém-casado, rezar-lhe por finado", "Velho casado com moça de poucos anos corno. temos", "Não se deve acreditar em três coisas: lágrimas de viúva, arrufos de noivos e arranco de velho", e "Velho tem medo de vento pelas costas e de mulher pela frente".

Os velhos revidam os gracejos afirmando que "Coco velho é que dá azeite" e "A cavalo velho, capim novo", "Em panela velha é que se faz comida gostosa". E o que acontece com os velhos na língua do povo? Vejamos:

"Os cabelos embranquecem
A vista escurece
Os ouvidos emouquecem
Os dentes apodrecem
A barriga cresce
0 reumatismo aparece
A bunda amolece
Os ovos descem
As mulheres oferecem
E eles agradecem
E vão prá fila do INPS."

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Trio Cantarino - O Passarinho (cover Marinalva)





O Trio Cantarino surgiu em setembro de 2010 com 3 amigos que sempre admiraram o forró pé de serra.

O nome surgiu como homenagem à Luiz Gonzaga por sua música “Cantarino” de 1973, que conta sobre um pássaro que ao cantar trazia ajuda, chuva para o sertão e esperança para o povo.

Hoje, o trio formado por Juninho (triângulo), Daniel (zabumba) e Warner (violão), paulistanos, mas com alma nordestina, vem para mostrar seu repertório raiz.

Os integrantes sempre estiveram envolvidos com o forró, curtindo, tocando e pesquisando as raízes do ritmo. Envolvidos com uma boa base musical, decidiram começar um trabalho direcionado no forró pé de serra.

Sem sanfona no início, ousaram tocar com violão, incorporando e adaptando solos e bases, mas mantendo o estilo marcante do ritmo. Agora, mesmo dispondo de uma sanfona, com o sanfoneiro Juninho ainda iniciando os estudos, continuam acompanhados pelo violão.

Sua primeira apresentação foi no Projeto SCUTAÍ com apoio da comunidade do Teotônio Vilela e da Prefeitura de São Paulo/SP.

Contatos:
Email: triocantarino@hotmail.com
Blog: http://triocantarino.wordpress.com