segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Eleição no Reino do Faz de Conta

(Cobra Cordelista)

No reino da fantasia
Além da imaginação
Por sobre todo animal
Feliz governa o leão

Lá prevalece a monarquia
O seu reinado é sem fim
Todos devem reverenciar
Se o rei falou é assim

Lá no trono bem sentado
Com o seu cetro na mão
Governa toda a floresta
Sem qualquer contestação

O pequeno leãozinho
Já se imagina rei
Um dia quando crescer
Maior que papai serei

E a madame leoa
Capricha no penteado
Só vive amolando as unhas
E cortejando o amado

O rei adora uma prosa
De comer e de dormir
Trabalho é coisa estranha
Nem se fala por aqui

Além desta vida boa
Que usufrui Rei Leão
Empregando todo parente
Primo, sobrinho, irmão.

A onça e a jaguatirica
Estão sorrindo de montão
Todo mês bota nos bolsos
O dinheiro do mensalão

Neste reino faz de conta
Cada qual tem uma função
O elefante é ministro
De segurança da nação

O papagaio é jornalista
Enquanto a coruja é vigia
O pavão é da cultura
O galo da cantoria

Até o bicho preguiça
Se ajeitou na monarquia
Vive muito assessorado
E empregou uma tia

Enquanto esta bicharada
Está feliz, vive bem
O resto entrou pelo cano
No bolso nem um vintém

Coitadinho do jacaré
Só água tem pra beber
Passando necessidade
Sem nada para comer

O pobre rinoceronte
O tempo todo calado
Indignou-se com o rei
Está muito revoltado

As galinhas carcarejam
Aumentando a confusão
O veado articula
Buscando uma solução

O urso de tanta raiva
Não consegue se controlar
Junto com a comadre arara
Não param de fofocar

Até mesmo o canário
Que detesta rebuliço
- Chamei meu amigo macaco
pra conversar sobre isso

Chegou à bicharada
O gambá e o furão
E o compadre macaco
Esperto que só cão

O macaco se assentou
No mais alto lugar
Ouviu a bicharada
E começou a discursar

Esta tal de monarquia
Precisar se acabar
Viva a democracia
E o governo popular

Viva o presidencialismo
Com congresso e senado
Com eleição pra prefeito
Vereador e deputado

Se vocês fechar comigo
Eu vou me candidatar
Acabe-se a monarquia
E a gente começa a votar

A cobra que só assistia
Deu um piado de cão
Aceito o presidencialismo
Mas com modificação

Como? Perguntou o macaco
Qual é a sua objeção
Me diga compadre cobra
Qual a sua opinião?

- Quero parlamentarismo
Com um primeiro ministro
Pro rei não mudar de nome
Pra mudar tem que ter isto!

Se o cabra num fizer bem
Nós convoca nova eleição
Nós deixa o presidente
Mas retira o paspalhão

Quando a cobra disse isto
A bicharada aplaudiu
O macaco disse; - concordo!
E o veado sorriu!

O rei soube de fato
Enfureceu-se o leão
Mas teve um plebiscito
Consulta a população

Lá perdeu a monarquia
Macaco venceu o leão
Mas ele disse: - A revanche
É no dia da eleição!

-Pois vou me candidatar
Me eleger presidente
Tenho família grande
De numerosos parentes

O macaco muito esperto
- Tem regra na eleição
Não pode compra o voto
Tem risco de cassação

Nem terá boca de urna
Privilégio em televisão
Não pode fazer trapaça
Calúnia, difamação

Houve acordo que a girafa
Julgaria a eleição
Seu papel era espiar
Esticando o pescoção

Já no dia seguinte o leão entrou em campanha
Andava pela floresta
Contava muita façanha

O leão chamou a serpente
Tentou lhe chantagear
Ofereceu-lhe presentes
E cargo para ocupar

- Eu sou parlamentarista
Defendo a democracia
Estou com compadre macaco
Nem ouro me compraria!

Enquanto o macaco andava
E tome aperto de mão
Abraçou até gambá
Mas ganhou a eleição

Quando findou a eleição
O leão tava quebrado
Não tinha nenhum partidário
Passaram pro outro lado

No reino da floresta
Um fato inusitado
Um macaco presidente
Muito bem assessorado

A cobra foi empossada
Tornou primeiro ministro
Fez juramento em combater
A corrupção, o desperdício

E o reino seguiu feliz
A cada dois anos eleição
Um gato virou prefeito
Com muita articulação

Tem um coelho senador
Um jumento deputado
Um cachorro foi eleito
E assumiu o senado

O compadre jacaré
Agora é vereador
Até um rinoceronte
Se elegeu governador

Um papagaio falante
Assim que findou a eleição
O macaco nomeou
Ministro da educação

O leão já humilde
Parece aprendeu a lição
Mas diz derrubar o macaco
Já na próxima eleição

Promete reforma agrária
Habitação popular
Uma revolução na cultura
Quem quiser pode apostar

Assim terminou a história
No reino do faz de conta
Pra ganhar uma eleição
de tudo político apronta

Entrou na perna do pinto
Saiu na perna do pato
Seu rei mandou dizer
Que acreditem no fato!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O caixeiro viajando da cultura, sai em mais uma de seu andanças pelo Sertão!

...Lá no meu pé de serra
Deixei ficar meu coração
Ai, que saudades tenho
Eu vou voltar pro meu sertão...

Os tesouros de Sertânia

Os nossos tesouros estão muito bem guardados no Sertão, principalmente no imaginário das pessoas, e isto compensa o distanciamento que a maioria de nossa “culta sociedade metropolitana” tem de nossa cultura de raiz, nem consigo culpá-las, não seria justo culpar um país jovem que foi ensinado a cultuar as culturas estrangeiras e negligenciar suas raízes. Referenciar os pensamentos e pensadores filosóficos da idade média e, eternizá-los como se Deus na sua infinita sabedoria, não fizesse possível atualizar a mensagem através de seus oráculos no presente, como fizera no passado.

Kant, Sócrates, Platão, Aristóteles, nada mais eram que Oráculos modernos, em plena idade média. O povo de Jerusalém ouviu a voz de Deus nas sábias e eternas palavras de João Batista, Jesus Cristo, do apóstolo Paulo de Pedro e, de outros tantos oráculos, a quem Deus revelou genuinamente a sua vontade, em qualquer tempo. Graças ao bom Deus o povo Sertanejo, teve a satisfação de abrir-se a sua cultura e receberam neste conteúdo a oralidade divina, manifestada por seus poetas populares; assim ganha importância a presença dos irmãos Batista, Lourival e Dimas, Ivanildo Vila Nova, Patativa do Assaré, Zé da Luz, Pinto do Monteiro, Orlando Tejo e tantos outros oráculos Sertanejos que foram e serão como os outros citados, referencias que jamais poderão ser questionadas, pois trata-se da antiga frase que se faz nova todos os dias “A voz do Povo é a voz de Deus”.

Agora algumas imagens de Sertânia, onde um artista reproduz a cabeça dos cangaceiros decapitados pelas volantes por ocasião de confrontos e inclusive da morte de lampião o rei do Cangaço Brasileiro!

Foto de Lampião e Família, e ainda a foto de Conde que é ator e diretor de teatro, as imagens e objetos foram fotografadas na oficina das artes aberta para visitação todos os dias na cidade e ainda seu belo acervo de antiguidades, um museu popular aberto a quem se interessar por nossa cultura.












quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Você já foi a um castelo?


Encontramos em Pesqueira, a duzentos quilômetros do Recife, uma obra que eu não imaginava encontrar em Pernambuco, eu vi um belíssimo Castelo da rodovia e pedi ao Renam, que me acompanhava na viagem, para a gente descer e fotografar, para que os leitores diários da nossa revista eletrônica tivessem uma surpresa. Pernambuco tem um castelo, fica na cidade de Pesqueira, e pode ser fotografado apesar de ser impedida a nossa entrada, por se tratar de uma propriedade privada.



Informações não confirmadas, por uma certa língua ferina, o proprietário é gerente de uma agencia da caixa econômica, e possui um banco de fomento na região.


Que belo empreendimento! Seu proprietário deve sentir muito orgulho de sua propriedade, gostaria de fazer um luau neste castelo e um recital de poesias, não seria maravilhoso?

Será que o empresário já pensou nisto? É só me liga me ligar!






Raridade de Gonzagão


1952 O Mundo do Baião (Tamoio e Tupi, Nacional)

1. Pout-pourri: Eu sou o baião (com As 3 Marias & Os Garotos da Lua)
2. Pau de Arara (Versão inédita)
3. Pronde tu vai Luiz (com Seu Januário, Chiquinha e Socorro)
4. O cachorro chora no buraco do tatu (com Severino Januário)
5. Xaxado
6. Encerramento do programa Rádio Tamoio e Tupi (com Osvaldo Luiz)
7. Abertura do programa Rádio Nacional (com Paulo Roberto)
8. O torrado (Cantado)
9. Baião delicado (com Orquestra da Rádio Nacional)
10. Derramaro o gai (com 4 Ases e 1 Coringa)
11. Macapá
12. Diálogo de Zé Dantas e Dr Policarpo
13. Eu sou o baião
14. Encerramento do programa

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A importância de um Conselho de Cultura- Conselho de cultura de Abreu e Lima tem novo Presidente



O Conselho de Cultura da cidade de Abreu e Lima (Pernambuco) tem novo presidente, o ator e Diretor de Teatro Pierre,, tomou posse no Conselho de Cultura deste município. È mais um município brasileiro que se organiza em segmentos, para desenvolver as políticas culturais. È importante dizer que, enquanto a saúde já caminha de vento em popa, e apesar das dificuldades das dificuldades o SUS já completa 20 anos, ou seja, a saúde já realizou mais de vinte conferências nacionais, envolvendo seus conselhos e construindo com a sociedade as políticas culturais, a cultura caminha, apenas para a terceira conferencia nacional, que realizará em 2011.


As conferencias se realizam a cada dois anos, e os conselhos exercem prerrogativas importantes, pois são formados em seu núcleo, por representações paritárias, onde Sociedade civil e Governo indicam seus representantes, que discutem, aprovam, dão parecer e deliberam sobre as políticas públicas na esfera municipal, estadual e federal, conforme a representação do Conselho. Com tão demorado despertamento, eis a razão das dificuldades que a cultura atravessa do Oiapoque ao Chuí. Alguns Prefeitos fazem pouco caso da importância da cultura, e isto é proveniente de seu pouco conhecimento do assunto, e da falta de melhores assessores, técnicos bem preparados, e outros por que são realmente arrombadores de cofres públicos desavergonhados. Graças a Deus existem bons gestores públicos, prefeitos inteligentes, que sabem que a cultura atrai o turismo, que a interação entre os povos se faz muito melhor por este caminho, pois a linguagem é mais compreensível, ou seja, agente se entende sem entender uma palavra. Entre estes bons gestores eu arriscaria alguns sem barreiras partidárias, o Ex-Prefeito do Recife Miguel Arraes, O Ex-Prefeito de Olinda Germano Coelho, o Ex-Prefeito do Recife João Paulo, o prefeito de Abreu e Lima Flavio Gadelha, a prefeita de Sertânia Dona Cleide Ferreira, o prefeito de Itapetim Adelmo Moura, Dr Elsinho Prefeito de Areia-PB; e o ex-prefeito do Cabo e hoje prefeito de Jaboatão Elias Gomes.


Era bom que estes bons exemplos de gestão pública contaminassem a nação e aí agente teria cidadãos mais felizes, pois a cultura de um povo é um patrimônio tão importante que não pode ser negligenciado, e que testemunhem disto a história dos povos desenvolvidos que, preservam sua cultura como um tesouro importante para a posteridade, e sendo objeto da visita de cidadão do mundo inteiro.


Agora veja as fotos da posse de Pierre, na mesa o jovem prefeito em suas articulações, na platéia vários artistas e achei o presidente do conselho de cultura do Recife, o meu amigo Aelson da Hora, dos tradicionais bois Pernambucanos e esta mais uma espiadinha do nosso blog, no que andam fazendo por ai em outros municípios, para preservar a nossa cultura.














terça-feira, 10 de agosto de 2010

Louro do Pajeú



Em outubro de 1966, o então governador de Pernambuco, Paulo Guerra, assiste na residência do deputado Walfredo Siqueira, em São José do Egito, a uma apresentação dos violeiros-repentistas Louro do Pajeú e Ivanildo Vilanova. A foto é do arquivo particular da família Siqueira. Um dos grandes repentistas do Nordeste, Lourival Batista Patriota nasceu em 6/1/1915, na Vila Umburanas, hoje município de Itapetim – PE (antes pertencia a São José do Egito - PE) e faleceu em Recife – PE, em 8/12/1992.

"Versos do "Louro do Pajeú"

Meus filhos são passarinhos
que vivem dos meus gorjeios;
eu, para encher os seus papos,
caço grãos em chãos alheios
e só boto um grão no meu
quando vejo os deles cheios...

Meu DEUS que sorte mesquinha
desse cego e dessa cega,
chegaram aqui na bodega,
se meteram na branquinha,
DIOGO puxa CHIQUINHA,
CHIQUINHA puxa DIOGO,
ficaram assim nesse jogo,
o carro já está no prego.
A cega puxando o cego
e o cego puxando fogo.

Pra cantar um desafio
a ninguém peço socorro;...
vai chegando ORLANDO TEJO,
que é da altura dum morro,
TEJO que anda esta hora
não tem medo de cachorro.

Entre o gosto e o desgosto,
o quadro é bem diferente,
ser moço é ser um sol nascente,
ser velho é ser um sol posto,
pelas rugas do meu rosto,
o que fui hoje não sou,
ontem estive, hoje não estou,
que o sol ao nascer fulgura,
mas ao se pôr deixa escura
a parte que iluminou.

Um sábio muito profundo
me perguntou certa vez:
você já conhece os três
desmantelos deste mundo?
Eu respondi num segundo
DOIDO, MULHER e LADRÃO,
dei mais a explicação
DOIDO não tem paciência,
LADRÃO não tem consciência,
MULHER não tem coração.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Passando o repertório

Era apenas para agente afinar o novo repertório, nos juntamos no primeiro andar do Bar Sem Nome. Zeca chegou com a sua amada Patrícia pra lá de legal e bonitona, afinal os pombinhos estão de namoro recente. Boa sorte e que Deus ilumine seus caminhos. Luiza, de Preto soltou a voz, e com as duas formaram um trio harmonioso, e cantaram "lembrança de um Beijo". Na percussão meu amigo Pereira, e no Violão Messias, que também soltou o gogó pra cima, e arrancou aplausos da platéia. Depois tem mais gente, a próxima aqui em Jaboatão, é no dia 30 de setembro, no Tendas Bar, e começa as 16:00h, sem hora pra terminar , pois é aniversário deste cordelista e com certeza vários artistas vão passar por lá e dá uma canjinha, vai ser de arrombar a boca do balão. E tem mais, nosso blog vai comemorar os dez mil acessos conseguidos este ano até agora, divulgando a cultura nordestina.

Indique nosso blog pra seus amigos e não perca a festa!



Assombrações e lendas




A Perna Cabeluda

Essa história da Perna Cabeluda foi criada, no início da década de 1970, por jornalistas do Diário de Pernambuco e do Diário da Noite, este último o vespertino (hoje extinto) do Jornal do Commercio. Em resumo, é mais ou menos o seguinte:



Certo dia, a polícia encontrou, boiando no Rio Capibaribe, no Recife, uma perna humana, provavelmente de um homem, visto que era bastante peluda. Os jornais noticiaram o achado macabro, em suas páginas policiais.



Como à época os jornais viviam sob a censura política dos governos militares e muitas informações não podiam ser veiculadas, esse tipo de notícias tinha razoável destaque. E foi assim com a tal perna. Só que, nos dias seguintes, a polícia nada mais encontrou, nenhum corpo mutilado ao qual a perna pertenceria. Tudo ficou apenas na dita perna.


Para não perder o assunto, os jornais começaram a inventar versões para a perna. A princípio, eram versões normais, sobre essa ou aquela possível origem da perna cabeluda. Depois, vieram as fantasias, entre as quais a versão de que a perna era mal-assombrada e corria atrás das pessoas pelas ruas do Recife.


Pronto, a partir daí, todo dia os jornais publicavam estórias sobre a Perna Cabeluda. "Notícias" dando conta que uma perna cabeluda estaria assustando os moradores desse e daquele bairro; que uma perna cabeluda correu atrás de uma moça na Av. Conde da Boa Vista etc. e tal.


Foram vários meses com esse tipo de "notícias" e muita gente do povo entrou na onda, pois os jornais traziam depoimentos de populares afirmando que viram a dita perna e tal. Numa ocasião, a perna cabeluda aparecia numa gafieira, assustando as pessoas que se divertiam; noutro instante, a perna passeava pelo centro da cidade.


Bem, depois que os jornalistas desistiram da "brincadeira", a história da misteriosa perna ficou na boca do povo. E hoje existem até folhetos de cordel sobre o tema. Chico Science também já citou a perna cabeluda numa música e por aí vai. Cada versão aumenta ainda mais a fantasia em torno da estória.


sábado, 7 de agosto de 2010

O poeta Cobra Cordelista volta ao Sertão


O poeta Cobra Cordelista volta ao Sertão na próxima sexta-feira dia 13. Faz show em São José do Egito em Marcellos Bar, na Sanfona Nido do Acordeon, no Violão Messias e na Percussão Pereira.

O repertório com muito lirismo na poesia, forró de raiz e canções românticas para embalar a noite dos enamorados, a luz do belo Luar sertanejo, como tão bem descreveu Catulo da Paixão Cearense em sua canção.