quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O verdadeiro significado de alguns ditados populares

Você não precisa ir a Roma para entender o significado de alguns ditados populares. Aqui pertinho, no Cultura Nordestina, você não fica a ver navios e aprende tudo sem cair no conto do vigário.

Alguns ditados populares e suas devidas correções:

Dito Popular: “Quem tem boca vai a Roma”.
O correto seria: “Quem tem boca vaia Roma”. (do verbo vaiar).

Dito Popular: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro”.
O correto seria: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro”.


Dito Popular: “Batatinha quando nasce, esparra
ma pelo chão”.
O correto seria: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão”.

Dito Popular: “Cor de burro quando foge”.
O correto seria: “Corro de burro quando foge!”

Dito Popular: “Cuspido e escarrado”. (alguém muito parecido com oura pessoa).
O correto seria: “Esculpido em carraro”. (tipo de má
rmore).

Dito Popular: "Quem não tem cão, caça com gato".
O correto seria: "Quem não tem cão, caça como gato". (ou seja, sozinho, esgueirando, astutamente, traiçoeiramente).

Veja também como surgiram esses:

O pior cego é o que não quer ver
Significado: Diz-se da pessoa que não quer ver o que está bem na sua frente. Nega-se a ver a verdade.
Histórico: Em 1647, em Nimes, na França, na uni
versidade local, o doutor Vicent de Paul D'Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

De cabo a rabo
Significado: Total conhecedor. Conhecer algo do começo ao fim.
Histórico: Durante o período das grandes navegações portuguesas, era comum se dizer total conhecedor de algo, quando se conhecia este algo de "cabo a rabah", ou seja, como de fato conhecer todo o continente afr
icano, da Cidade do Cabo ao Sul, até a cidade de Rabah no Marrocos (rota de circulação total da África com destino às Índias).

Andar à toa

Significado: Andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.
Histórico: Toa é a corda com que uma embarcação remboca a outra. Um navio que está "à toa" é o que não tem leme nem rumo, ind
o para onde o navio que o reboca determinar. Uma mulher à toa, por exemplo, é aquela que é comandada pelos outros. Jorge Ferreira de Vasconcelos já escrevia, em 1619: Cuidou de levar à toa sua dama.

Casa de mãe Joana

Significado: Onde vale tudo, todo mundo pode entrar, mandar, etc.
Histórico: Esta vem da Itália. Joana, rainha de Nápoles e condessa de Provença (1326-1382), liberou os bordéis em Avignon, onde estava refugiada, e mandou escrever nos estatutos: "que tenha uma porta po
r onde todos entrarão". O lugar ficou conhecido como Paço de Mãe Joana, em Portugal. Ao vir para o Brasil a expressão virou "Casa da Mãe Joana". A outra expressão envolvendo Mãe Joana, um tanto chula, tem a mesma origem, naturalmente.

Onde judas perdeu as botas

Significado: Lugar longe, distante, inacessível.
Histórico: Como todos sabem, depois de trair Jesus e receber 30 dinheiros, Judas caiu em depressão e culpa, vindo a se suicidar enf
orcando-se numa árvore. Acontece que ele se matou sem as botas. E os 30 dinheiros não foram encontrados com ele. Logo os soldados partiram em busca das botas de Judas, onde, provavelmente, estaria o dinheiro. A história é omissa daí pra frente. Nunca saberemos se acharam ou não as botas e o dinheiro. Mas a expressão atravessou vinte séculos.

Da pá virada
Significado: Um sujeito da pá virada pode tanto ser um aventureiro corajoso como um vadio.
Histórico: Mas a origem da palavra é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada para baixo, voltada para o solo,
está inútil, abandonada decorrentemente pelo homem vagabundo, irresponsável, parasita. Hoje em dia, o sujeito da "pá virada", parece-me, tem outro sentido. Ele é O "bom". O significado das expressões mudam muito no Brasil com o passar do tempo.


Nhenhenhém
Significado: Conversa interminável em tom de lamúria, irritante, monótona. Resmungo, rezinga.
Histórico: Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles não entendiam aquela falação estra
nha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen".

Estar de paquete
Significado: Situação das mulheres quando estão menstruadas.
Histórico: Paquete, já nos ensina o Aurélio, é um da
s denominações de navio. A partir de 1810, chegava um paquete mensalmente, no mesmo dia, no Rio de Janeiro. E a bandeira vermelha da Inglaterra tremulava. Daí logo se vulgarizou a expressão sobre o ciclo menstrual das mulheres. Foi até escrita uma "Convenção Sobre o Estabelecimento dos Paquetes", referindo-se, é claro, aos navios mensais.

Pensando na morte da bezerra
Significado: Estar distante, pensativo, alheio a tudo.
Histórico: Esta é bíblica. Como vocês sabem, o bezerro era adorado pelos hebreus e sacrificados para Deus num altar. Quando Absalão, por não ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, se opôs. Em vão. A bezerra foi oferecida aos céus e o garoto passou o resto da vida sentado do lado do altar "pensando na mort
e da bezerra". Consta que meses depois veio a falecer.

Não entender patavina
Significado: Não saber nada sobre determinado assunto. Nada mesmo.
Histórico: Tito Lívio, natural de Patavium (hoje Pádova, na Itália), usava um latim horroroso, originário de sua região. Nem todos entendiam. Daí surgiu i Patavinismo, que originariamente significava não entender Tito Lívio, não entender patavina.

Santinha do pau ôco
Significado: Pessoa que se faz de boazinha, mas não é.
Histórico: Nos século XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.

Sem eira nem beira
Significado: Pessoas sem bens, sem posses.
Histórico: Eira é um terreno de terra batida ou cimento onde grãos ficam ao ar livre para secar. Beira é a beirada da eira. Quando uma eira não tem beira, o vento leva os grãos e o proprietário fica sem nada.
Aqui na região nordeste este ditado tem o mesm
o significado, mas outra explicação. Dizem que antigamente as casas das pessoas ricas tinham um telhado triplo: a eira, a beira e a tribeira como era chamada a parte mais alta do telhado. As pessoas mais pobres não tinham condições de fazer este telhado triplo, então construíam somente a tribeira ficando assim “sem eira nem beira”.

Vá se queixar ao bispo

Significado: Como quem manda ir se queixar de algum problema a outra pessoa.
Histórico: No tempo do Brasil colônia, por cau
sa da necessidade de povoar as novas terras, a fertilidade na mulher era um predicado fundamental. Em função disso, elas eram autorizadas pela igreja a transar antes do casamento, única maneira de o noivo verificar se elas eram realmente férteis. Ocorre que muitos noivinhos fugiam depois do negócio feito. As mulheres iam queixar-se ao bispo, que mandava homens atrás do fujão.



Cair no conto do vigário
Significado: Ser enganado por algum vigarista.
Histórico: Duas igrejas em Ouro Preto receberam um presente: uma imagem de santa. Para verificar qual da paróquias ficaria com o presente, os vigários resolveram deixar por conta da mão divina, ou melhor, das patas de um burro. Exatamente no meio do caminho entre as duas igrejas, colocaram o tal burro, para onde ele se dirigisse, teríamos a igreja felizarda. Assim foi feito, e o vigário vencedor saiu satisfeito com a imagem de sua santa. Mas ficou-se sabendo mais tarde que o burro havia sido treinado para seguir o caminho da igreja vencedora.

Ficar a ver navios
Significado: Esperando algo que não aconteceu ou não apareceu. Esperar em vão.
Histórico: O rei de Portugal, Dom Sebastião, morreu na batalha de Alcácer-Quibir, mas o corpo não foi encontrado. A partir de então (1578), o povo português esperava sempre o sonhado retorno do monarca salvador. Lembremos que, em 1580, em função da morte de Dom Sebastião, abre-se uma crise sucessória no trono vago de Portugal. A conseqüência dessa crise foi a anexação de Portugal à Espanha (1580 a 1640), governada por Felipe II. Evidentemente, os portugueses sonhavam com o retorno do rei, como forma salvadora de resgatar o orgulho e a dignidade da pátria lusa. Em função disso, o povo passou a visitar com freqüência o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, esperando, ansiosamente, o retorno do dito rei. Como ele não voltou, o povo ficava apenas a ver navios.

Dourar a pílula
Significado: Melhorar a aparência de algo.
Histórico: Vem das farmácias que, antigamente, embrulhavam as pílulas em requintados papéis, para dar melhor aparência ao amargo remédio.

Chegar de mãos abanando
Significado: Chegar em algum lugar sem levar nada, de mãos fazias.
Histórico: Os imigrantes, no século passado, deveriam trazer as ferramentas para o trabalho na terra. Aqueles que chegassem sem elas, ou seja, de mãos abanando, davam um indicativo de que não vinham dispostos ao trabalho árduo da terra virgem.

A voz do povo, a voz de Deus
Significado: Essa tá obvia. Quem realmente sabe das coisas é o povo.
Histórico: As pessoas consultavam o deus Hermes, na cidade grega de Acaia, e faziam uma pergunta ao ouvido do ídolo. Depois o crente cobria a cabeça com um manto e saía à rua. As primeiras palavras que ele ouvisse eram a resposta a sua dúvida.

Chato de galocha
Significado: Pessoas muito chatas, resistente e insistente.
Histórico: Infelizmente, os chatos continuam a existir, ao contrário do acessório que deu origem a essa expressão. A galocha era um tipo de calçado de borracha colocado por cima dos sapatos para reforçá-los e protegê-los da chuva e da lama. Por isso, há uma hipótese de que a expressão tenha vindo da habilidade de reforçar o calçado. Ou seja, o chato de galocha seria um chato resistente e insistente, explica Valter Kehdi, professor de Língua Portuguesa e Filologia da Universidade de São Paulo. De acordo com Kehdi, há ainda a expressão chato de botas, calçados também resistentes, o que reafirma a idéia do chato reforçado.

Do arco-da-velha
Significado: Coisas do arco-da-velha são coisas inacreditáveis, absurdas.
Histórico: Arco-da-velha é como é chamado o arco-íris em Portugal, e existem muitas lendas sobre suas propriedades mágicas. Uma delas é beber a água de um lugar e devolvê-la em outro - tanto que há quem defenda que “arco-da-velha” venha de arco da bere (”de beber”, em italiano).

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Passamos do 10 mil acessos!!!

Parabéns para todos nós, nosso blog passou dos dez mil acessos este ano!


Para mim é uma grande marca. No inicio era apenas a intenção de divulgar a carreira deste poeta, um dia eu pedi a marquinhos para postar uma matéria sobre cultura popular, e nos viciamos eu e ele. Agente começou a colocar matérias no blog, e isto foi ficando muito legal. Certo dia fui fazer show em uma cidade, e resolvi fotografar um artista local, pois achei a sua obra belíssima, e gostaria de mostrar para quem acessasse o blog. Virou mania, e depois um objetivo, que evoluiu para uma missão: Divulgar o artista local, aquele que a grande mídia não mostra. E aí a maquininha não parou mais de clicar, quero mostrar por todo lugar onde passo, a cultura destas pessoas, a beleza de suas artes, e a qualidade de seus artistas. Qual o lucro que se leva disto? pode alguém perguntar! A satisfação de estar fazendo algo muito bom como ser humano. Outro ganho enorme foi o conhecimento acrescentado a minha experiência de vida, e de artista popular, no contato com estas pessoas, suas artes e suas crenças. Mas nada se compara com as amizades verdadeiras, construídas por estes chãos percorridos.

Não vou aqui nesta matéria dizer nomes, pois esquecer o nome de qualquer um, seria uma grande injustiça, mais você sabe que eu estou falando de você parceiro(a) e amigo(a), cuja relação foi construída sobre o trilhar da Cultura, na nossa imensa nação cultural. Outras vezes fico feliz e emocionado, quando percebo a quantos lugares nossa mensagem esta chegando, no Brasil e no exterior, gente que em outras partes do mundo bem distante de nós, acessa o nosso blog constantemente em busca de uma palavra, ou uma notícia, qualquer lembrança, que console o peito cheio de saudade do Brasil. Tem gente de Portugal, dos Estados Unidos, da Itália e de outros países, que eu acredito sejam Brasileiros com olhos marejados de saudade de sua terra, mas que o trabalho o levou para lugares mais distantes, o que prova que o Deus é, mesmo em todos os povos, sempre cuidando de seus filhos onde quer que estejam a estes um verso do poeta Antonio Pereira "o poeta da Saudade :



Saudade é um parafuso
que na rosca quando cai
só entra se for torcendo
por que batendo não vai
e quando enferruja dentro
nem distorcendo não sai..


Depois eu retirei a minha foto da entrada do blog, pois este espaço é da cultura é, dos artistas é, dos leitores no Brasil e do exterior, não cabe mais a minha foto na entrada do blog, colocamos símbolos mais representativos para a história da cultura do nosso povo, se as vezes apareço no blog é porque também sou cultura, sou poeta, sou povo, e disto sinto muito orgulho. Obrigado ao jornalista Marcos Escritor, que iniciou esta tarefa comigo, a Eduardo Henrique meu filho, aos artistas que confiam na minha palavra e no meu empenho, as pessoas que acompanham meus shows e eventos na cidade, no Sertão e no Campo, aos professores e pesquisadores da Cultura popular, aos gestores públicos que, tem apoiado e recebido este poeta em suas cidades, e a você que acessa este blog e faz dele um grande sucesso...

Obrigado de coração!

Do seu poeta Cobra Cordelista



Mais fotos do show em Marcelos Bar



terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sexta feira 13

Era Sexta feira 13 e foi um dia maravilhoso na estrada, viagem tranquila e uma noite excelente para conhecer o povo do Sertão que tem um amor muito especial pela nossa cultura.

Um som muito legal e o atendimento diferenciado de Marcelo que realiza na última quinta feira de cada mês uma cantoria de viola as 21:00 em São José do Egito. Desta vez eu levei comigo Messias do Violão, Nido do Acordeon e Pereira, que tocou a percussão e em seguida após a minha participação, declamando e fazendo uma releitura de clássicos nordestinos, cantou uma releitura de Luiz Gonzaga de 1950 e 1960.












Til o mestre do artesanato

Foto de Til


Til. Este é um grande mestre que, em sua simplicidade constrói, com suas mãos, peças belíssimas. È gente que mostra que Deus presenteia seus filhos, com a arte e não importa onde ele vive nos arranha céus de uma grande cidade, ou na periferia de uma cidade pequena, a arte é divina, e Deus a reparte conforme sua infinita sabedoria. Oportunizando a todos!



Não posso falar muito sobre Manoel Bezerra, a quem todos em Itapetim, o ventre imortal da poesia Chamam de Til, mas deixarei que a sua arte, por mim fotografada, confirme para vocês a admiração que eu sinto por este mestre do artesanato! Minha equipe também ficou surpresa, com a qualidade de seu artesanato, e a beleza da sua criação. Dá pra ver a cara de encantamento de Nido do acordeon e de Pereira, e a mágica deste momento, que também encanta e dá um belo exemplo para as crianças de Iitapetim, no Sertão do Pageú. Aqui coube ainda uma foto na casa da minha jornalista predileta, a Taciana Gomes da rádio Sertânia FM, e da rádio Pedras Soltas, uma foto do meu amigo Erivan diretor da rádio Pedras Soltas FM. Na rua eu caminho ao lado de meu amigo e meu irmãozinho água com açúcar (garapa) um cara pra lá de especial e responsável criador pelos vídeos mais engraçados que já vi internet, para ver é só acessar www.itapetim.net eu recomendo!!!



Abraços!










segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Eleição no Reino do Faz de Conta

(Cobra Cordelista)

No reino da fantasia
Além da imaginação
Por sobre todo animal
Feliz governa o leão

Lá prevalece a monarquia
O seu reinado é sem fim
Todos devem reverenciar
Se o rei falou é assim

Lá no trono bem sentado
Com o seu cetro na mão
Governa toda a floresta
Sem qualquer contestação

O pequeno leãozinho
Já se imagina rei
Um dia quando crescer
Maior que papai serei

E a madame leoa
Capricha no penteado
Só vive amolando as unhas
E cortejando o amado

O rei adora uma prosa
De comer e de dormir
Trabalho é coisa estranha
Nem se fala por aqui

Além desta vida boa
Que usufrui Rei Leão
Empregando todo parente
Primo, sobrinho, irmão.

A onça e a jaguatirica
Estão sorrindo de montão
Todo mês bota nos bolsos
O dinheiro do mensalão

Neste reino faz de conta
Cada qual tem uma função
O elefante é ministro
De segurança da nação

O papagaio é jornalista
Enquanto a coruja é vigia
O pavão é da cultura
O galo da cantoria

Até o bicho preguiça
Se ajeitou na monarquia
Vive muito assessorado
E empregou uma tia

Enquanto esta bicharada
Está feliz, vive bem
O resto entrou pelo cano
No bolso nem um vintém

Coitadinho do jacaré
Só água tem pra beber
Passando necessidade
Sem nada para comer

O pobre rinoceronte
O tempo todo calado
Indignou-se com o rei
Está muito revoltado

As galinhas carcarejam
Aumentando a confusão
O veado articula
Buscando uma solução

O urso de tanta raiva
Não consegue se controlar
Junto com a comadre arara
Não param de fofocar

Até mesmo o canário
Que detesta rebuliço
- Chamei meu amigo macaco
pra conversar sobre isso

Chegou à bicharada
O gambá e o furão
E o compadre macaco
Esperto que só cão

O macaco se assentou
No mais alto lugar
Ouviu a bicharada
E começou a discursar

Esta tal de monarquia
Precisar se acabar
Viva a democracia
E o governo popular

Viva o presidencialismo
Com congresso e senado
Com eleição pra prefeito
Vereador e deputado

Se vocês fechar comigo
Eu vou me candidatar
Acabe-se a monarquia
E a gente começa a votar

A cobra que só assistia
Deu um piado de cão
Aceito o presidencialismo
Mas com modificação

Como? Perguntou o macaco
Qual é a sua objeção
Me diga compadre cobra
Qual a sua opinião?

- Quero parlamentarismo
Com um primeiro ministro
Pro rei não mudar de nome
Pra mudar tem que ter isto!

Se o cabra num fizer bem
Nós convoca nova eleição
Nós deixa o presidente
Mas retira o paspalhão

Quando a cobra disse isto
A bicharada aplaudiu
O macaco disse; - concordo!
E o veado sorriu!

O rei soube de fato
Enfureceu-se o leão
Mas teve um plebiscito
Consulta a população

Lá perdeu a monarquia
Macaco venceu o leão
Mas ele disse: - A revanche
É no dia da eleição!

-Pois vou me candidatar
Me eleger presidente
Tenho família grande
De numerosos parentes

O macaco muito esperto
- Tem regra na eleição
Não pode compra o voto
Tem risco de cassação

Nem terá boca de urna
Privilégio em televisão
Não pode fazer trapaça
Calúnia, difamação

Houve acordo que a girafa
Julgaria a eleição
Seu papel era espiar
Esticando o pescoção

Já no dia seguinte o leão entrou em campanha
Andava pela floresta
Contava muita façanha

O leão chamou a serpente
Tentou lhe chantagear
Ofereceu-lhe presentes
E cargo para ocupar

- Eu sou parlamentarista
Defendo a democracia
Estou com compadre macaco
Nem ouro me compraria!

Enquanto o macaco andava
E tome aperto de mão
Abraçou até gambá
Mas ganhou a eleição

Quando findou a eleição
O leão tava quebrado
Não tinha nenhum partidário
Passaram pro outro lado

No reino da floresta
Um fato inusitado
Um macaco presidente
Muito bem assessorado

A cobra foi empossada
Tornou primeiro ministro
Fez juramento em combater
A corrupção, o desperdício

E o reino seguiu feliz
A cada dois anos eleição
Um gato virou prefeito
Com muita articulação

Tem um coelho senador
Um jumento deputado
Um cachorro foi eleito
E assumiu o senado

O compadre jacaré
Agora é vereador
Até um rinoceronte
Se elegeu governador

Um papagaio falante
Assim que findou a eleição
O macaco nomeou
Ministro da educação

O leão já humilde
Parece aprendeu a lição
Mas diz derrubar o macaco
Já na próxima eleição

Promete reforma agrária
Habitação popular
Uma revolução na cultura
Quem quiser pode apostar

Assim terminou a história
No reino do faz de conta
Pra ganhar uma eleição
de tudo político apronta

Entrou na perna do pinto
Saiu na perna do pato
Seu rei mandou dizer
Que acreditem no fato!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O caixeiro viajando da cultura, sai em mais uma de seu andanças pelo Sertão!

...Lá no meu pé de serra
Deixei ficar meu coração
Ai, que saudades tenho
Eu vou voltar pro meu sertão...

Os tesouros de Sertânia

Os nossos tesouros estão muito bem guardados no Sertão, principalmente no imaginário das pessoas, e isto compensa o distanciamento que a maioria de nossa “culta sociedade metropolitana” tem de nossa cultura de raiz, nem consigo culpá-las, não seria justo culpar um país jovem que foi ensinado a cultuar as culturas estrangeiras e negligenciar suas raízes. Referenciar os pensamentos e pensadores filosóficos da idade média e, eternizá-los como se Deus na sua infinita sabedoria, não fizesse possível atualizar a mensagem através de seus oráculos no presente, como fizera no passado.

Kant, Sócrates, Platão, Aristóteles, nada mais eram que Oráculos modernos, em plena idade média. O povo de Jerusalém ouviu a voz de Deus nas sábias e eternas palavras de João Batista, Jesus Cristo, do apóstolo Paulo de Pedro e, de outros tantos oráculos, a quem Deus revelou genuinamente a sua vontade, em qualquer tempo. Graças ao bom Deus o povo Sertanejo, teve a satisfação de abrir-se a sua cultura e receberam neste conteúdo a oralidade divina, manifestada por seus poetas populares; assim ganha importância a presença dos irmãos Batista, Lourival e Dimas, Ivanildo Vila Nova, Patativa do Assaré, Zé da Luz, Pinto do Monteiro, Orlando Tejo e tantos outros oráculos Sertanejos que foram e serão como os outros citados, referencias que jamais poderão ser questionadas, pois trata-se da antiga frase que se faz nova todos os dias “A voz do Povo é a voz de Deus”.

Agora algumas imagens de Sertânia, onde um artista reproduz a cabeça dos cangaceiros decapitados pelas volantes por ocasião de confrontos e inclusive da morte de lampião o rei do Cangaço Brasileiro!

Foto de Lampião e Família, e ainda a foto de Conde que é ator e diretor de teatro, as imagens e objetos foram fotografadas na oficina das artes aberta para visitação todos os dias na cidade e ainda seu belo acervo de antiguidades, um museu popular aberto a quem se interessar por nossa cultura.












quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Você já foi a um castelo?


Encontramos em Pesqueira, a duzentos quilômetros do Recife, uma obra que eu não imaginava encontrar em Pernambuco, eu vi um belíssimo Castelo da rodovia e pedi ao Renam, que me acompanhava na viagem, para a gente descer e fotografar, para que os leitores diários da nossa revista eletrônica tivessem uma surpresa. Pernambuco tem um castelo, fica na cidade de Pesqueira, e pode ser fotografado apesar de ser impedida a nossa entrada, por se tratar de uma propriedade privada.



Informações não confirmadas, por uma certa língua ferina, o proprietário é gerente de uma agencia da caixa econômica, e possui um banco de fomento na região.


Que belo empreendimento! Seu proprietário deve sentir muito orgulho de sua propriedade, gostaria de fazer um luau neste castelo e um recital de poesias, não seria maravilhoso?

Será que o empresário já pensou nisto? É só me liga me ligar!






Raridade de Gonzagão


1952 O Mundo do Baião (Tamoio e Tupi, Nacional)

1. Pout-pourri: Eu sou o baião (com As 3 Marias & Os Garotos da Lua)
2. Pau de Arara (Versão inédita)
3. Pronde tu vai Luiz (com Seu Januário, Chiquinha e Socorro)
4. O cachorro chora no buraco do tatu (com Severino Januário)
5. Xaxado
6. Encerramento do programa Rádio Tamoio e Tupi (com Osvaldo Luiz)
7. Abertura do programa Rádio Nacional (com Paulo Roberto)
8. O torrado (Cantado)
9. Baião delicado (com Orquestra da Rádio Nacional)
10. Derramaro o gai (com 4 Ases e 1 Coringa)
11. Macapá
12. Diálogo de Zé Dantas e Dr Policarpo
13. Eu sou o baião
14. Encerramento do programa