Eu Conversei com a artesã Nalva, que o povo de Tracunhaém chama de Nau, filha de Inácia já falecida, que também era artesã. Nalva trabalha a arte dos Jardins, as plantas e o artesanato. Ela faz Macramê, estamparia, Pintura e Crochê. O telefone para contato com Nalva (81) 9781.9172, porém se chamar e não atender, insista, pois ela tem pouca intimidade com as novas tecnologias e esquece o telefone, ou de recarregar a bateria, mas seu filho a está ajudando nesta tarefa, e está comprando um notebook para fazer um site, e divulgar a arte da mãe.
O esposo de Nalva muitas vezes é quem atende o telefone, e conversa com os clientes dela, antes era no seu próprio telefone, mas agora convenceu Nalva a usar um celular. As fotos seguintes são do ateliê de Dinho de Zezinho de Tracunhaém, ele não estava presente e por isso não pudemos conversar.
Tracunhaém tem artesãos que são memória da cultura Pernambucana, uma menção honrosa, criada quando era governador de Pernambuco o Sr. Jarbas Vasconcelos, hoje Senador da República, e foram reconhecidos com este mérito em Tracunhaém e recebem uma ajuda financeira significativa um reconhecimento do estado, o artesão Zezinho de Tracunhaém, que trabalha a arte sacra, Maria Amélia que trabalha as Dondocas e Nuca que trabalham os Leões, e assim Tracunhaém deu três filhos imortais para a cultura deste país. Eita cidade arretada!
José Francisco Borges (Bezerros, 20 de dezembro de 1935), mais conhecido como J. Borges, é um xilogravurista e cordelista brasileiro.
Biografia
Aos oito anos, o menino José Francisco já trabalhava na terra com o pai. Aos dez, já fabricava e vendia na feira colheres de pau. Foi oleiro, confeccionou brinquedos artesanais e vendeu livros de cordel.Aos 29 anos, José resolveu que iria escrever cordel. Foi quando fez O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, com xilogravada por Mestre Dila, que vendeu mais de cinco mil exemplares em dois meses.Como não tinha dinheiro para pagar um ilustrador, J. Borges resolveu fazer ele mesmo: começou a entalhar na madeira a fachada da igreja de Bezerros, que usou em O Verdadeiro Aviso de Frei Damião. Desde então, começou a fazer matrizes por encomenda e também para ilustrar os mais de 200 cordéis que lançou ao longo da vida.
Descoberto por colecionadores e marchands, viu seu trabalho ser levado aos meios acadêmicos do país. Na década de 1970, J. Borges desenhou a capa de As Palavras Andantes, de Eduardo Galeano e gravuras suas foram usadas na abertura da telenovela Roque Santeiro, da Rede Globo. Nessa época, começou a gravar matrizes dissociadas dos cordéis, de maior tamanho. Isso permitiu expor no exterior: em 1992, na Galeria Stähli, em Zurique, e no Museu de Arte Popular de Santa Fé, Novo México. Depois, novas exposições, na Europa e nos Estados Unidos.
J. Borges foi condecorado com a comenda da Ordem do Mérito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, recebeu o prêmio UNESCO na categoria Ação Educativa/Cultural. Em 2002, foi um dos treze artistas escolhidos para ilustrar o calendário anual das Nações Unidas. Sua xilogravura A Vida na Floresta abre o ano no calendário. Em 2006, foi tema de reportagem no The New York Times. O escritor Ariano Suassuna o considera o melhor gravador popular do Nordeste.
Suas xilogravuras são impressas em grande quantidade, em diversos tamanhos, e vendidas a intelectuais, artistas e colecionadores de arte. Dono de uma técnica própria de colorir as imagens, atende pedidos para representar cotidiano do pobre, o cangaço, o amor, os castigos do céu, os mistérios, os milagres, crimes e corrupção, os folguedos populares, a religiosidade, a picardia, sempre ligados ao povo nordestino.
Em sua cidade natal, foi inaugurado o Memorial J. Borges, com exposição de parte de sua obra e objetos pessoais.
Agora chegamos ao Centro de produção e comercialização do artesanato de Tracunhaém. Uma bela iniciativa do governo do estado que a prefeitura mantém, pagando os funcionários e zelando pela casa, onde os artesãos colocam as suas peças para venda, e contribuem para a manutenção da casa, com vinte por cento do valor das peças, na ocasião de suas vendas.
O centro é muito bem cuidado, com muito carinho é a menina dos olhos na gestão da Prefeita Cleide Lapa. Na entrada meu amigo Biu Oliveira, politiqueiro de politiquice quente, ex-vereador da cidade, que o povo gosta muito, o outro Biu que era meu guia me ensinado tudo mais que depois que tomou dois quartinho, ficou falando sozinho e quis arengar comigo, vendo assombração, mas que no outro dia nem se lembrava, por isto eu agora lhe chamo de Biu malassombrado, Josinia esta jovem bonita e estudiosa que esta fazendo faculdade de pedagogia e em breve se forma. Eu tirei outra foto a Joselma, eita magrinha sabida, me ensinou tudo sobre o barro, sobre o artesão e sobre o centro uma promoter de primeira, beijos Joselma. O artesão Zeniltom de quem todos falam muito bem de sua obra e de seu caráter. Um artesanato de Zuza que é diretor de cultura e não tive a honra de conhecer, mas conheci a sua obra e é belíssima e o artesão Joaquim que me deixou fascinado com o carinho dedicado a arte e a emoção que passa ao contar a sua infância. Quando chorava para que a mãe arranjasse barro para que ele fizesse as primeiras peças. Joaquim me contou emocionado sua lembrança da artesã Elizete que fazia santos e lhe ensinou esta arte ainda criança, com muita paciência, mas a mesma faleceu muito nova e lhe deixou uma bela recordação.
Seu primeiro santo foi São Francisco de Assis, já foi ao Rio 18 vezes, a São Paulo e a Brasília divulgar a sua arte. E é com a lembrança das experiências de Joaquim na infância que eu encerro esta matéria, lembrando Patativa do Assaré que proseando dizia:
O coração da criança é como a terra estrumada que agente planta a semente e ela nasce corada nutrida e muito formosa quando na infância ditosa o amor e a simpatia tomam conta da criança esta saudosa lembrança vai até seu último dia
Jó Patriota de Lima, filho de Geminiano Joaquim de Lima e Rita Neves da Silva, nasceu em 01 de janeiro de 1929 no sítio Cacimbas, localidade de Itapetim que na época pertencia a São José do Egito. Viveu durante a infância na zona rural com os seis irmãos. Sua 1ª viola foi presente da irmã Maura que o incentivava a desenvolver esse mérito artístico.
Jó Patriota participou de vários Congressos e escreveu "Na Senda do Lirismo", um livro que já caminha em sua 3ª edição. É inquestionavelmente, um dos nossos mais extraordinários poetas. Viveu desde a juventude em São José do Egito. Casou-se com Das Neves Marinho(filha do poeta Antônio Marinho) com quem teve dois filhos: Antônio de Marmo e Adriano. Vítima de um enfarte. Faleceu no dia 11 e foi sepultado no dia 12 de outubro de 1992.
"Passa tudo na vida, tudo passa, Mas nem tudo que passa a gente esquece"
(mote dado por Das Neves Marinho)
Passa dia por mês e mês por ano Passa ano por era, era por fase Nessa base tão triste eu vejo a base Do destino passar de plano em plano Com a mão da saudade o desengano Passa dando um adeus fazendo um S Vem a mágoa o prazer desaparece Quando chega a velhice, foge a graça, Passa tudo na vida, tudo passa, Mas nem tudo que passa a gente esquece.
Aqui pela ordem o artesanato de Geno, depois a artesã Fatinha, de Eliete que trabalha no artesanato há vinte anos, e o artesão Ricardo, que estava embalando uma peça para Brasília e gentilmente nos atendeu e tirou esta foto.
Conversei com o artesão Edivaldo que trabalha com o barro transformando em arte sacra, e produz belos santinhos que estimulam a fé Cristã, mas que também preserva a mais pura arte nordestina. Edivaldo veio de Goiana-PE para morar em Tracunhaém com seu irmão Manuelzinho de Tracunhaém (de camisa verde) e foi com ele que aprendeu muitas coisas na arte do Barro e na vida.
Edivaldo me ensinou que o barro que trabalha vem uma parte de Cupiçura na Paraíba, outra do Cabo de Santo Agostinho e por fim outra parte é aproveitada da região, porém servindo apenas para misturar aos primeiros, pois não é um barro muito limpo.
Lembra com carinho do artesão Zé do Carmo de Goiana, que tinha seu atelier em frente ao Buraco da Gia em Goiana (aí eu lembro seu Luiz com seu caranguejo gigante, servindo as bebidas na boca do cliente) que muito lhe ensinou na arte do barro. O endereço do atelier de Edivaldo é Rua Antonio Felipe de Souza. o5,Centro, Tracunhaém, e o telefone para quem quiser adquirir as suas peças é (81)9626.0451.
Logo mais agente vê uma bela imagem da velha igreja de N.S do Rosário dos Homens pretos, uma relíquia de séculos passados que demonstra o cuidado que esta cidade tem com o seu passado. Um pouco mais adiante, a modernidade, na arquitetura da igreja de Santo Antônio, o que demonstra que o passado e o presente em Tracunhaém caminham de mãos dadas em direção ao futuro. Uma praça belíssima, que expõe com orgulho a sua cultura, que serve de cenário e exposição de alguns artesãos.
Era uma viagem curta e Tracunhaém era apenas uma passada para tirar umas fotos do artesanato local, uma vez que meu principal objetivo na viagem eram os Maracatus de Nazaré da Mata, distante 5 km. Cheguei às duas da tarde imaginei que logo mais á noite terminaria minha tarefa, e dormiria em Nazaré uma vez que pensava que logo fotografaria alguns artesãos e faria um registro legal da cultura local.
A cada click na máquina era uma surpresa, e uma imensa alegria. Primeiro com a qualidade do artesanato de Barro, com a habilidade de seus artesãos em lidar com a argila, e o conhecimento que estas pessoas possuem da natureza, e a sua sensibilidade para com as artes de uma forma em geral. Fui descobrindo coisas, que alguns se dividem entre o artesanato e a agricultura. Que as famílias se envolvem diretamente nesta empreitada, e cada uma ajuda como pode. As mulheres produzem e seus maridos comercializam, ambos produzem e vendem. Os filhos divulgam a arte de seus pais de alguma forma, e lhes ensina a lidar com tecnologias modernas como celulares e internet, para vender mais e prosperar em um mercado, cuja dificuldade maior, descobri ouvindo todos é a divulgação. O governo estadual e o município fez investimentos, agente vê na foto, um espaço construído para abrigar a produção da região. Aí era para estar o artesanato de Tracunhaém, o bordado de Passira a tapeçaria de lagoa do Carro etc... Mas tudo para, quando a divulgação não alcança, ou não atrai o turista para comprar a produção da região.
A comercialização é feita para os lojistas da casa da cultura no Recife, que compram o ano inteiro, apesar de promover uma concorrência enorme, e baratear preços. O inverno é difícil, o turista se afasta, mas agora é Setembro, é verão, e as esperanças se renovam, pois é a época de grandes negócios. Vem Gente de Brasília, São Paulo, do Rio de Janeiro, Santa Catarina do Paraná e de toda a região Brasileira, para comprar o belíssimo artesanato de Tracunhaém. E você já foi lá? Tem uma peça artesanal de lá, em sua casa? Se não ainda esta em tempo. Fica pertinho, cerca de 70 km do Recife, você vai amar Tracunhaém, seu artesanato, sua gente, sua cultura, sua história. Lembra que eu disse que seria fácil registrar a cultura do artesanato de Tracunhaém? Descobri que ela representa muito mais para a cultura de Pernambuco, que não tem apenas o artesanato de Barro como sua maior referencia cultural, e para este passeio por esta tão representativa cidade Pernambucana, eu lhe convido a fazer durante toda esta semana, em nossa revista eletrônica na internet.
Resultado, cancelei a visita a Nazaré, deixei para outro dia, pois fiquei preso, seduzido e encantado com Tracunhaém por dois dias. Vamos Lá?
No dia 11 de abril de 1983, às quatro da tarde, na casa do poeta, em Sertânia, Pinto do Monteiro gravou entrevista — ainda inédita — concedida a Djair de Almeida Freire, acompanhado do cantador Gato Velho.
Eis os principais trechos, transcritos e editados por Maria Alice Amorim:
"Severino Lourenço da Silva Pinto Monteiro, nasci em 1895, a 21 de novembro, a uma da madrugada, assim dizia a velha minha mãe. Batizei-me a hum de janeiro de 1896, pelo Pe. Manuel Ramos, na vila de Monteiro. Nasci na rua, mas morava em Carnaubinha. Com sete anos de idade, em 1903, fui para a fazenda Feijão. Saí de lá em 1916, 30 de junho. Meus avós eram da Itália, quando chegaram por aqui se misturaram com sangue de português. Esse Monteiro é parente dos Brito, eu sou parente dos Brito.
Com Antônio Marinho, eu nunca viajei para canto nenhum. Fiz várias cantorias com ele. Quando eu andava por aqui, cantava com ele. Quando eu morava em Vitória de Santo Antão, ele mudou-se para Caruaru. Eu vim, cantei com ele, levei ele a Vitória. Passou uma semana comigo. Lá, ele não andou mais. Levei ele uma vez ao Recife. Não cantou, adoeceu. Eu cantei muito foi com João da Catingueira, sobrinho de Inácio. Sete anos sem cantar com outro. Com Lino, fiz poucas viagens. Com Joaquim Vitorino, eu viajei mais, mais, e foi muito. Fui para Alagoas, Pernambuco, Recife, Piancó. Cantei com Zé Gustavo, no Arruda. Assis Tenório, eu viajei coisinha pouca, somente aqui, em Afogados. Cantei com ele em Pesqueira, Garanhuns, Caetés. Zé Limeira, eu cantei muitas vezes com ele.
Zé Pretinho, só ouvi falar por aquela história naquele folheto do cego Aderaldo, nunca conheci, acho que não existiu. Cantei com Zé Pretinho, de Caruaru, que era da Serra Velha. Com João Fabrício, que era também da Serra Velha. Com Aristo, também cantei mais ele muitas vezes. Com Laranjinha, muitas vezes. Zé Agostinho, barbeiro, cantei várias vezes. Agostinho Cajá, cantei mais ele muito, viajei mais ele. Cantei mais no Recife. Muito no Derby, no Savoy, na Câmara de Vereadores. Mnorei no Arruda trinta anos, rua das Moças.
Eu sou com Lourival como o gato com o rato. Cantei com ele no dia 5 de fevereiro (1983 — a cantoria mais recente à época), em Monteiro. Tinha Job, Zezé Lulu, João da Piaba, Zequinha, Zé Palmeira, Edésio Vicente, Zé Jabitacá. Tinha somente os de Monteiro e os de São José do Egito. Tinha Zé de Cazuza Nunes, que é grande poeta. Tinha Manuel Filó. Tinha João Furiba, Zé Galdino. Numa noite chuvosa, tinha mais de trezentas pessoas no clube.
Em certo lugar, chamado Boi Velho, chegou Manoel Filó — grande poeta, porém não usava a poesia —, deu um mote a mim e ao que estava cantando comigo: "O carão que cantava em meu baixio / teve medo da seca e foi embora". Cantei:
Se em janeiro não houver trovoada / fevereiro não tem sinal de chuva / não se vê a mudança da saúva / carregando a família da morada / só se ouve do povo é a zuada / pai e mãe, noivo e noiva, genro e nora / homem treme com fome, o filho chora / se arruma e vão tudo para o Rio / O carão que cantava em meu baixio / teve medo da seca e foi embora".
Ouça a música filho agente não enjeita de cobra cordelista
Histórias de Caboclo – Para Corações Pequeninos
Adquira o livro Histórias de Caboclo – Para Corações Pequeninos. As escolas interessadas em adquirir o livro como paradidático basta entrar em contato com o próprio artista. Click na imagem e saiba mais.
Poeta é natural de Recife-PE.
Em 2005 retomou com força a atividade poética, em 2006 voltou a publicar, foram 04 publicações, assumiu sua condição de poeta definitivamente e passa a realizar os shows “Coisas do Sertão” e “Salas de Cordel”, chamando para compor este evento consigo, o violonista Carlinhos.Hoje estes shows acompanhado do projeto Curupira que fundou com a finalidade de arte musical ,ensinando os jovens a tocar e a dançar os ritmos da cultura Pernambucana. Em 2007, foram 08 publicações só no primeiro semestre, em 2008 lançou o livro Estórias de Caboclo para corações pequeninos e o Cd Cordas Coisas do Sertão e o Cordas e cordéis de Recife, e tem por objetivo lançar um DVD com a historia de Jaboatão dos Guararapes com narrativa em cordel, e inaugurar a primeira escola de cultura de Jaboatão dos Guararapes. “A cultura, é uma bela política de inclusão social ,pois um instrumento, um palco, um texto, podem mudar a vida de uma pessoa, pois Deus reparte os Dons conforme á sua vontade , e o artista nasce nos Arranha Céus da cidade e nos becos e Vielas deste País." Cobra Cordelista".