sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O artesanato de Tracunhaém, memória viva da cultura de Pernambuco!


Eu Conversei com a artesã Nalva, que o povo de Tracunhaém chama de Nau, filha de Inácia já falecida, que também era artesã. Nalva trabalha a arte dos Jardins, as plantas e o artesanato. Ela faz Macramê, estamparia, Pintura e Crochê. O telefone para contato com Nalva (81) 9781.9172, porém se chamar e não atender, insista, pois ela tem pouca intimidade com as novas tecnologias e esquece o telefone, ou de recarregar a bateria, mas seu filho a está ajudando nesta tarefa, e está comprando um notebook para fazer um site, e divulgar a arte da mãe.

O esposo de Nalva muitas vezes é quem atende o telefone, e conversa com os clientes dela, antes era no seu próprio telefone, mas agora convenceu Nalva a usar um celular. As fotos seguintes são do ateliê de Dinho de Zezinho de Tracunhaém, ele não estava presente e por isso não pudemos conversar.

Tracunhaém tem artesãos que são memória da cultura Pernambucana, uma menção honrosa, criada quando era governador de Pernambuco o Sr. Jarbas Vasconcelos, hoje Senador da República, e foram reconhecidos com este mérito em Tracunhaém e recebem uma ajuda financeira significativa um reconhecimento do estado, o artesão Zezinho de Tracunhaém, que trabalha a arte sacra, Maria Amélia que trabalha as Dondocas e Nuca que trabalham os Leões, e assim Tracunhaém deu três filhos imortais para a cultura deste país. Eita cidade arretada!











Peleja de Pinto com Milanês


Pinto de Monteiro
Severino Milanês da Silva


Milanês estava cantando
em vitória de Santo Antão
chegou Severino Pinto
nessa mesma ocasião
em casa de um marchante
travaram uma discussão.


M - Pinto, você veio aqui

se acabar no desespero

eu quero cortar-lhe a crista

desmantelar seu poleiro

aonde tem galo velho

pinto não canta em terreiro


P - mas comigo é diferente

eu sou um pinto graúdo

arranco esporão de galo

ele corre e fica mudo

deixa as galinhas sem dono

eu tomo conta de tudo


M - Para um pinto é bastante

um banho de água quente

um gavião na cabeça

uma raposa na frente

um maracajá atrás

não há pinto que agüente


P - Da raposa eu tiro o couro

de mim não se aproxima

o maracajá se esconde

o gavião desanima

do dono faço poleiro

durmo, canto e choco em cima.


M - Pinto, cantador de fora

aqui não terá partido

tem que ser obediente

cortês e bem resumido

ou rende-me obediência

ou então é destruído


P - Meu passeio nesta terra

foi acabar sua fama

derribar a sua casa

quebrar-lhe as varas da cama

deixar os cacos na rua

você dormindo na lama


M - Quando vier se confesse

deixe em casa uma quantia

encomende o ataúde

e avise a feguezia

que é para ouvir a sua

missa do sétimo dia


P - Ainda eu estando doente

com uma asa quebrada

o bico todo rombudo

e a titela pelada

aonde eu estiver cantando

você não torna chegada


M - O pinto que eu pegar

pélo logo e não prometo

vindo grande sai pequeno

chegando branco sai preto

sendo de aço eu envergo

sendo de ferro eu derreto


P - No dia que eu tenho raiva

o vento sente um cansaço

o dia perde a beleza

a lua perde o espaço

o sol transforma-se em gelo

cai de pedaço em pedaço


M - No dia que dou um grito

estremece o ocidente

o globo fica parado

o fruto não dá semente

a terra foge do eixo

o sol deixa de ser quente


P - Eu sou um pinto de raça

o bico é como marreta

onde bate quebra osso

sai felpa que dá palheta

abre buraco na carne

que dá pra fazer gaveta


M - Eu pego um pinto de raça

e amolo uma faquinha

faço um trabalho com ele

depois pesponto com linha

ele vivendo cem anos

não vai perto de galinha


P - Milanês, você comigo .

desaparece ligeiro

eu chego lá tiro raça

me aposso do poleiro

e você dorme no mato

sem poder vir no terreiro


M - Pinto, agora nós vamos

cantar em literatura

eu quero experimentá-lo

hoje aqui em toda altura

você pode ganhar esta

porém com grande amargura


P - pergunte o que tem vontade

não desespere da fé

do oceano, rio e golfo

estreito, lago ou maré

hoje você vai saber

pinto cantando quem é


M - Pinto, você me responda

de pensamento profundo

sem titubear na fala

num minuto ou num segundo

se leu me diga qual foi

a primeira invenção do mundo


P - Respondo porque conheço

vou dar-lhe minha notícia

foi o quadrante solar

pelo povo da Fenícia

os babilônios também

gozaram a mesma delícia


M - Como você respondeu-me

não merece disciplina

hoje aqui não há padrinho

que revogue a sua sina

se você souber me diga

quem inventou a vacina?


P - Não pense que com pergunta

enrasca a mim, Milanês

foi a vacina inventada

no ano noventa e seis

quem estuda bem conhece

que foi Jener Escocês


M - Sua resposta foi boa

de vocação verdadeira

mas queira Deus o colega

suba agora essa ladeira

me diga quem inventou

o relógio de algibeira?


P - No ano mil e quinhentos

Pedro Hélio com façanha

em Nuremberg inventou

essa obra tão estranha

cidade da Baviera

que pertence a Alemanha


M - Pinto, cantando não gosto

de amigo nem camarada

se conhece a história

Roma onde foi fundada?

o nome do fundador

e a data comemorada?





P - Em l7 e 53

antes de Cristo chegar

nas margens do Rio Tibre

isso eu posso lhe provar

Rômulo ali fundou Roma

a 15 milhas do mar





M - Pinto, eu na poesia

quero mostrar-lhe quem sou

relativo o avião

perguntando ainda vou

diga o primeiro balão

quem foi que inventou?





P - Em mil seiscentos e nove

Bartolomeu de Gusmão

no dia oito de agosto

fez o primeiro balão

hoje no mundo moderno

chama-se o mesmo avião





M - Pinto estou satisfeito

já de você eu não zombo

mas não pense que com isto

atira terra no lombo

disponha de Milanês

pra ver se ele agüenta o tombo





P - Milanês, você comigo

ou canta ou perde o valor

você me responda agora

seja que de forma for

de quem foi a invenção

do primeiro barco a vapor?





M - Eu quero lhe explicar

digo não muito ruim

a 16 a 87

você não desmente a mim

o inventor desse barco

foi o sábio Diniz Papim





P - Em que ano inaugurou-se

da Europa ao Brasil

a linha pra esse barco

a vapor e mercantil?

Se não souber dê o fora

vá soprar em um funil





M - Foi um navio inglês

que levantou a bandeira

em 18 a 51

veio a terra brasileira

sendo a nove de janeiro

fez a viagem primeira





P - E qual foi a 1a guerra

feita a barco a vapor?

Você ou diz ou apanha

da surra muda de cor

quebra a viola e deserta

nunca mais é cantador





M - Em l8 e 65

a esquadra brasileira

dentro do Riachuelo

içou a sua bandeira

na guerra do Paraguai

foi a batalha primeira





P - Milanês, você comigo

ou canta muito ou emperra

não pode se defender

salta, pula, chora e berra

qual foi a primeira estrada

de ferro, na nossa terra?





M - Foi quando Pedro II

tinha aqui poderes mil

em 18 e 54

no dia trinta de abril

inaugurou-se em Mauá

a primeira do Brasil





P - Milanês, você é fraco

não agüenta o desafio

eu ainda estou zombando

porque estou de sangue frio

me diga quem inventou

o telégrafo sem fio?





M - Pinto, você não pense

que meu barco vai a pique

em mil seiscentos e oito

na cidade de Munique

Suemering inventou

este aparelho tão chique





P - Eu já vi que Milanês

não responde cousa à toa

se ainda quiser cantar

hoje um de nós desacoa

puxe por mim que vai ver

um pinto de raça boa





M - Pinto, o seu pensamento

pra todo lado manobra

mas eu não conheço medo

barulho pra mim não sobra

é fogo queimando fogo

é cobra engolindo cobra





P - Do pessoal do salão

levantou-se um cavalheiro

dizendo: quero que cantem

pelo seguinte roteiro

Milanês pergunta a Pinto

como passa sem dinheiro





M - Oh! Pinto, você precisa

dum palitó jaquetão

uma manta, um cinturão

uma calça, uma camisa

está de algibeira lisa

não encontra um cavalheiro

que forneça ao companheiro

pra fazer-lhe um beneficio

olhe aí o precipício

como compra sem dinheiro?





P - Eu recomendo a mulher

que compre na prestação

um palitó jaquetão

a camisa se tiver

quando o cobrador vier

ela esteja no terreiro

eu fico no fogareiro

pelo oitão vou furando

ele ali fica esperando

assim compro sem dinheiro





M - Você em uma cidade

precisa de refeição

porém não tem um tostão

que mate a necessidade

ali não há caridade

na casa do hoteleiro

só encontra desespero

fala e ninguém lhe atende

fiado ninguém lhe vende

como come sem dinheiro?





P - Eu levo um carrapato

guardado dentro do bolso

vou no hotel peço almoço

no fim boto ele no prato

faço logo um desacato

chamo o garçon ligeiro

ele me diz: cavalheiro

cale a boca, vá embora;

saio por ali a fora

assim como sem dinheiro





M - Você precisa casas

para ser pai de família

precisa roupa e mobília

cama para se deitar

você não pode comprar

cadeira nem petisqueiro

atoalhado estrangeiro

mesa para refeição

você não tem um tostão

como casa sem dinheiro?





P - Se a moça amar-me enfim

me tendo amor e firmeza

não especula riqueza

nem diz que eu sou ruim

ela ontem disse a mim:

eu quero é um cavalheiro

e você é o primeiro

para ser meu defensor

quero é gozar teu amor

e assim caso sem dinheiro





M - Você depois de casado

sua esposa cai doente

você não tem um parente

que lhe empreste 1 cruzado

ver seu anjo idolatrado

gemendo sem paradeiro

olhe aí o desespero

na porta do camarada

só ver pobreza e mais nada

como cura sem dinheiro?





P - Eu boto-a nos hospitais

do governo do estado

pra quem está necessitado

aquilo serve demais

as irmãs especiais

chamam logo o enfermeiro:

— Vamos com isto ligeiro

tratam com mais brevidade;

se interna na caridade

assim curo sem dinheiro





M - Oh! Pinto, camaradinha

você precisa ir à feira

para comprar macaxeira

arroz, batata e farinha

bacalhau, charque e sardinha

tomate, vinho e tempero

gás, açúcar e candeeiro

biscoito, chá, macarrão

bolacha, manteiga e pão

Como compra sem dinheiro?





P - Eu dou um jeito no pé

envergo um dedo da mão

um dali dá-me um pão

outro dá-me um café

à tarde vou à maré

espero ali o peixeiro

ele é hospitaleiro

humanitário e carola

dá-me um peixe por esmola

e assim como sem dinheiro





Com este verso do Pinto

encheu de riso o salão

houve uma recepção

naquele nobre recinto

ergueu-se um rapaz distinto

com frase meiga e bela

disse: mudem de tabela

pra uma idéia mais grata:

nem a polícia me empata

de chorar na cova dela





P - Eu tive uma namorada

bonita igual Madalena

parecia uma verbena

pela manhã orvalhada

a morte tomou chegada

matou a minha donzela

quando sepultaram ela

quase a tristeza me mata

nem a polícia me empata

eu chorar na cova dela





M - Eu amei uma criatura

ela o coração me deu

na minha ausência morreu

eu sofri muita amargura

fui à sua sepultura

para abraçar-me com ela

ainda via a capela

toda bordada de prata

nem a polícia me empata

eu chorar na cova dela





M - Um dia um amigo meu,

disse com toda bravura

deixe de sua loucura

se esqueça de quem morreu

uma desapareceu

Procure outra donzela;

eu disse: igualmente aquela

não existe nesta data

nem a polícia me empata

eu chorar na cova dela





P - Desperto de madrugada

o sono desaparece

me levanto e faço prece

na cova de minha amada

volto pela mesma estrada

com o pensamento nela

quando eu não avisto ela

vou dormir dentro da mata

nem a polícia me empata

eu chorar na cova dela





Caros apreciadores

qualquer que analisou

nem Pinto saiu vaiado

nem Milanês apanhou

vamos esperar por outra

que esta aqui terminou



- FIM -

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

J. Borges

José Francisco Borges (Bezerros, 20 de dezembro de 1935), mais conhecido como J. Borges, é um xilogravurista e cordelista brasileiro.

Biografia

Aos oito anos, o menino José Francisco já trabalhava na terra com o pai. Aos dez, já fabricava e vendia na feira colheres de pau. Foi oleiro, confeccionou brinquedos artesanais e vendeu livros de cordel.Aos 29 anos, José resolveu que iria escrever cordel. Foi quando fez O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, com xilogravada por Mestre Dila, que vendeu mais de cinco mil exemplares em dois meses.Como não tinha dinheiro para pagar um ilustrador, J. Borges resolveu fazer ele mesmo: começou a entalhar na madeira a fachada da igreja de Bezerros, que usou em O Verdadeiro Aviso de Frei Damião. Desde então, começou a fazer matrizes por encomenda e também para ilustrar os mais de 200 cordéis que lançou ao longo da vida.

Descoberto por colecionadores e marchands, viu seu trabalho ser levado aos meios acadêmicos do país. Na década de 1970, J. Borges desenhou a capa de As Palavras Andantes, de Eduardo Galeano e gravuras suas foram usadas na abertura da telenovela Roque Santeiro, da Rede Globo. Nessa época, começou a gravar matrizes dissociadas dos cordéis, de maior tamanho. Isso permitiu expor no exterior: em 1992, na Galeria Stähli, em Zurique, e no Museu de Arte Popular de Santa Fé, Novo México. Depois, novas exposições, na Europa e nos Estados Unidos.

J. Borges foi condecorado com a comenda da Ordem do Mérito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, recebeu o prêmio UNESCO na categoria Ação Educativa/Cultural. Em 2002, foi um dos treze artistas escolhidos para ilustrar o calendário anual das Nações Unidas. Sua xilogravura A Vida na Floresta abre o ano no calendário. Em 2006, foi tema de reportagem no The New York Times. O escritor Ariano Suassuna o considera o melhor gravador popular do Nordeste.

Suas xilogravuras são impressas em grande quantidade, em diversos tamanhos, e vendidas a intelectuais, artistas e colecionadores de arte. Dono de uma técnica própria de colorir as imagens, atende pedidos para representar cotidiano do pobre, o cangaço, o amor, os castigos do céu, os mistérios, os milagres, crimes e corrupção, os folguedos populares, a religiosidade, a picardia, sempre ligados ao povo nordestino.

Em sua cidade natal, foi inaugurado o Memorial J. Borges, com exposição de parte de sua obra e objetos pessoais.

Tracunhaém, uma bela história construída com arte!


Agora chegamos ao Centro de produção e comercialização do artesanato de Tracunhaém. Uma bela iniciativa do governo do estado que a prefeitura mantém, pagando os funcionários e zelando pela casa, onde os artesãos colocam as suas peças para venda, e contribuem para a manutenção da casa, com vinte por cento do valor das peças, na ocasião de suas vendas.

O centro é muito bem cuidado, com muito carinho é a menina dos olhos na gestão da Prefeita Cleide Lapa. Na entrada meu amigo Biu Oliveira, politiqueiro de politiquice quente, ex-vereador da cidade, que o povo gosta muito, o outro Biu que era meu guia me ensinado tudo mais que depois que tomou dois quartinho, ficou falando sozinho e quis arengar comigo, vendo assombração, mas que no outro dia nem se lembrava, por isto eu agora lhe chamo de Biu malassombrado, Josinia esta jovem bonita e estudiosa que esta fazendo faculdade de pedagogia e em breve se forma. Eu tirei outra foto a Joselma, eita magrinha sabida, me ensinou tudo sobre o barro, sobre o artesão e sobre o centro uma promoter de primeira, beijos Joselma. O artesão Zeniltom de quem todos falam muito bem de sua obra e de seu caráter. Um artesanato de Zuza que é diretor de cultura e não tive a honra de conhecer, mas conheci a sua obra e é belíssima e o artesão Joaquim que me deixou fascinado com o carinho dedicado a arte e a emoção que passa ao contar a sua infância. Quando chorava para que a mãe arranjasse barro para que ele fizesse as primeiras peças. Joaquim me contou emocionado sua lembrança da artesã Elizete que fazia santos e lhe ensinou esta arte ainda criança, com muita paciência, mas a mesma faleceu muito nova e lhe deixou uma bela recordação.

Seu primeiro santo foi São Francisco de Assis, já foi ao Rio 18 vezes, a São Paulo e a Brasília divulgar a sua arte. E é com a lembrança das experiências de Joaquim na infância que eu encerro esta matéria, lembrando Patativa do Assaré que proseando dizia:

O coração da criança
é como a terra estrumada
que agente planta a semente
e ela nasce corada
nutrida e muito formosa
quando na infância ditosa
o amor e a simpatia
tomam conta da criança
esta saudosa lembrança
vai até seu último dia













quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Jó Patriota


Jó Patriota de Lima, filho de Geminiano Joaquim de Lima e Rita Neves da Silva, nasceu em 01 de janeiro de 1929 no sítio Cacimbas, localidade de Itapetim que na época pertencia a São José do Egito. Viveu durante a infância na zona rural com os seis irmãos. Sua 1ª viola foi presente da irmã Maura que o incentivava a desenvolver esse mérito artístico.

Jó Patriota participou de vários Congressos e escreveu "Na Senda do Lirismo", um livro que já caminha em sua 3ª edição. É inquestionavelmente, um dos nossos mais extraordinários poetas.
Viveu desde a juventude em São José do Egito. Casou-se com Das Neves Marinho(filha do poeta Antônio Marinho) com quem teve dois filhos: Antônio de Marmo e Adriano. Vítima de um enfarte. Faleceu no dia 11 e foi sepultado no dia 12 de outubro de 1992.

"Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece"

(mote dado por Das Neves Marinho)


Passa dia por mês e mês por ano
Passa ano por era, era por fase
Nessa base tão triste eu vejo a base
Do destino passar de plano em plano
Com a mão da saudade o desengano
Passa dando um adeus fazendo um S
Vem a mágoa o prazer desaparece
Quando chega a velhice, foge a graça,
Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece.

Mais da série: Tracunhaém da gente, de Pernambuco

Aqui pela ordem o artesanato de Geno, depois a artesã Fatinha, de Eliete que trabalha no artesanato há vinte anos, e o artesão Ricardo, que estava embalando uma peça para Brasília e gentilmente nos atendeu e tirou esta foto.









terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tracunhaém gente de Pernambuco!


Conversei com o artesão Edivaldo que trabalha com o barro transformando em arte sacra, e produz belos santinhos que estimulam a fé Cristã, mas que também preserva a mais pura arte nordestina. Edivaldo veio de Goiana-PE para morar em Tracunhaém com seu irmão Manuelzinho de Tracunhaém (de camisa verde) e foi com ele que aprendeu muitas coisas na arte do Barro e na vida.

Edivaldo me ensinou que o barro que trabalha vem uma parte de Cupiçura na Paraíba, outra do Cabo de Santo Agostinho e por fim outra parte é aproveitada da região, porém servindo apenas para misturar aos primeiros, pois não é um barro muito limpo.

Lembra com carinho do artesão Zé do Carmo de Goiana, que tinha seu atelier em frente ao Buraco da Gia em Goiana (aí eu lembro seu Luiz com seu caranguejo gigante, servindo as bebidas na boca do cliente) que muito lhe ensinou na arte do barro. O endereço do atelier de Edivaldo é Rua Antonio Felipe de Souza. o5,Centro, Tracunhaém, e o telefone para quem quiser adquirir as suas peças é (81)9626.0451.

Logo mais agente vê uma bela imagem da velha igreja de N.S do Rosário dos Homens pretos, uma relíquia de séculos passados que demonstra o cuidado que esta cidade tem com o seu passado. Um pouco mais adiante, a modernidade, na arquitetura da igreja de Santo Antônio, o que demonstra que o passado e o presente em Tracunhaém caminham de mãos dadas em direção ao futuro. Uma praça belíssima, que expõe com orgulho a sua cultura, que serve de cenário e exposição de alguns artesãos.











segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Tracunhaém (Pernambuco) quem te conhece te ama!!!


Era uma viagem curta e Tracunhaém era apenas uma passada para tirar umas fotos do artesanato local, uma vez que meu principal objetivo na viagem eram os Maracatus de Nazaré da Mata, distante 5 km. Cheguei às duas da tarde imaginei que logo mais á noite terminaria minha tarefa, e dormiria em Nazaré uma vez que pensava que logo fotografaria alguns artesãos e faria um registro legal da cultura local.


A cada click na máquina era uma surpresa, e uma imensa alegria. Primeiro com a qualidade do artesanato de Barro, com a habilidade de seus artesãos em lidar com a argila, e o conhecimento que estas pessoas possuem da natureza, e a sua sensibilidade para com as artes de uma forma em geral. Fui descobrindo coisas, que alguns se dividem entre o artesanato e a agricultura. Que as famílias se envolvem diretamente nesta empreitada, e cada uma ajuda como pode. As mulheres produzem e seus maridos comercializam, ambos produzem e vendem. Os filhos divulgam a arte de seus pais de alguma forma, e lhes ensina a lidar com tecnologias modernas como celulares e internet, para vender mais e prosperar em um mercado, cuja dificuldade maior, descobri ouvindo todos é a divulgação. O governo estadual e o município fez investimentos, agente vê na foto, um espaço construído para abrigar a produção da região. Aí era para estar o artesanato de Tracunhaém, o bordado de Passira a tapeçaria de lagoa do Carro etc... Mas tudo para, quando a divulgação não alcança, ou não atrai o turista para comprar a produção da região.


A comercialização é feita para os lojistas da casa da cultura no Recife, que compram o ano inteiro, apesar de promover uma concorrência enorme, e baratear preços. O inverno é difícil, o turista se afasta, mas agora é Setembro, é verão, e as esperanças se renovam, pois é a época de grandes negócios. Vem Gente de Brasília, São Paulo, do Rio de Janeiro, Santa Catarina do Paraná e de toda a região Brasileira, para comprar o belíssimo artesanato de Tracunhaém. E você já foi lá? Tem uma peça artesanal de lá, em sua casa? Se não ainda esta em tempo. Fica pertinho, cerca de 70 km do Recife, você vai amar Tracunhaém, seu artesanato, sua gente, sua cultura, sua história. Lembra que eu disse que seria fácil registrar a cultura do artesanato de Tracunhaém? Descobri que ela representa muito mais para a cultura de Pernambuco, que não tem apenas o artesanato de Barro como sua maior referencia cultural, e para este passeio por esta tão representativa cidade Pernambucana, eu lhe convido a fazer durante toda esta semana, em nossa revista eletrônica na internet.


Resultado, cancelei a visita a Nazaré, deixei para outro dia, pois fiquei preso, seduzido e encantado com Tracunhaém por dois dias. Vamos Lá?













Pinto do Monteiro



"Esta palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade, é lembrança
saudade só é saudade
quando morre a esperança
"

sábado, 4 de setembro de 2010

Pinto do Monteiro por ele mesmo


No dia 11 de abril de 1983, às quatro da tarde, na casa do poeta, em Sertânia, Pinto do Monteiro gravou entrevista — ainda inédita — concedida a Djair de Almeida Freire, acompanhado do cantador Gato Velho.

Eis os principais trechos, transcritos e editados por Maria Alice Amorim:


"Severino Lourenço da Silva Pinto Monteiro, nasci em 1895, a 21 de novembro, a uma da madrugada, assim dizia a velha minha mãe. Batizei-me a hum de janeiro de 1896, pelo Pe. Manuel Ramos, na vila de Monteiro. Nasci na rua, mas morava em Carnaubinha. Com sete anos de idade, em 1903, fui para a fazenda Feijão. Saí de lá em 1916, 30 de junho. Meus avós eram da Itália, quando chegaram por aqui se misturaram com sangue de português. Esse Monteiro é parente dos Brito, eu sou parente dos Brito.


Com Antônio Marinho, eu nunca viajei para canto nenhum. Fiz várias cantorias com ele. Quando eu andava por aqui, cantava com ele. Quando eu morava em Vitória de Santo Antão, ele mudou-se para Caruaru. Eu vim, cantei com ele, levei ele a Vitória. Passou uma semana comigo. Lá, ele não andou mais. Levei ele uma vez ao Recife. Não cantou, adoeceu. Eu cantei muito foi com João da Catingueira, sobrinho de Inácio. Sete anos sem cantar com outro. Com Lino, fiz poucas viagens. Com Joaquim Vitorino, eu viajei mais, mais, e foi muito. Fui para Alagoas, Pernambuco, Recife, Piancó. Cantei com Zé Gustavo, no Arruda. Assis Tenório, eu viajei coisinha pouca, somente aqui, em Afogados. Cantei com ele em Pesqueira, Garanhuns, Caetés. Zé Limeira, eu cantei muitas vezes com ele.


Zé Pretinho, só ouvi falar por aquela história naquele folheto do cego Aderaldo, nunca conheci, acho que não existiu. Cantei com Zé Pretinho, de Caruaru, que era da Serra Velha. Com João Fabrício, que era também da Serra Velha. Com Aristo, também cantei mais ele muitas vezes. Com Laranjinha, muitas vezes. Zé Agostinho, barbeiro, cantei várias vezes. Agostinho Cajá, cantei mais ele muito, viajei mais ele. Cantei mais no Recife. Muito no Derby, no Savoy, na Câmara de Vereadores. Mnorei no Arruda trinta anos, rua das Moças.

Eu sou com Lourival como o gato com o rato. Cantei com ele no dia 5 de fevereiro (1983 — a cantoria mais recente à época), em Monteiro. Tinha Job, Zezé Lulu, João da Piaba, Zequinha, Zé Palmeira, Edésio Vicente, Zé Jabitacá. Tinha somente os de Monteiro e os de São José do Egito. Tinha Zé de Cazuza Nunes, que é grande poeta. Tinha Manuel Filó. Tinha João Furiba, Zé Galdino. Numa noite chuvosa, tinha mais de trezentas pessoas no clube.


Em certo lugar, chamado Boi Velho, chegou Manoel Filó — grande poeta, porém não usava a poesia —, deu um mote a mim e ao que estava cantando comigo: "O carão que cantava em meu baixio / teve medo da seca e foi embora". Cantei:


Se em janeiro não houver trovoada / fevereiro não tem sinal de chuva / não se vê a mudança da saúva / carregando a família da morada / só se ouve do povo é a zuada / pai e mãe, noivo e noiva, genro e nora / homem treme com fome, o filho chora / se arruma e vão tudo para o Rio / O carão que cantava em meu baixio / teve medo da seca e foi embora".