segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Caravana da Cultura visita a feira do Gado

Isto é uma tradição de minha cidade, todo domingo eles se reúnem para vender uma mula, para trocar um cavalo ou mesmo vender, comprar uma sela ou um arreio etc. Porém todo mundo começa tomando uma lapada de cachaça e no final uma cervejinha para lavar. Alguns exageram e passam dos limites, mas é tudo gente pacifica apesar de não abrir mão de um bom facão na cintura. Um cigarrinho de fumo, uma lapadinha, uma fofoca nova e o dia vai passando devagar sem muita pressa.

Vindo ao Nordeste visite uma feira de gado, você vai gostar e em Jaboatão é muito melhor, estas imagens são de ontem quando a caravana da cultura saiu para alegrar o povo, nós os artistas populares de nossa cidade, nos juntamos e fomos apoiar esta tão maravilhosa tradição Pernambucana e quem ama a cultura tem a obrigação de preservar e apoiar atividades assim.

Abraços a todos!










sábado, 18 de setembro de 2010

Banda de Pífanos de Caruaru.


A Banda de Pífanos de Caruaru tem suas origens no ano de 1924, quando Manoel Clarindo Biano, sertanejo das Alagoas, herdou de seu pai dois pífanos (ou pifes), um bombo, um prato e a missão de manter viva a Zabumba Cabaçal criada por seu avô, banda de pífanos, ou "esquenta mulher", como é conhecida nas Alagoas, ou banda cabaçal, ou terno de zabumba, dentre outras denominações que variam conforme a região.

Manoel juntou a família, seus filhos Benedito e Sebastião, e um amigo e começaram a percorrer o nordeste, fugindo da seca e da miséria, fazendo apresentações em quermesses, novenas, casamentos, batizados, enterro de "anjos" e até mesmo para o lendário Lampião (1927). Foi nessas andanças que aportaram em Caruaru, no ano de 1939, onde continuaram com seus shows. 1955 marca a perda de "Seu Manoel". A missão de manter viva a tradição foi delegada aos seus filhos, e agora também aos seus netos: Luiz, que permaneceu por pouco tempo, e Amaro (filhos de Sebastião) e Gilberto e João (filhos de Benedito), agora batizados com o nome de Banda de Pífanos de Caruaru.

A música da "Bandinha" ultrapassou os limites do estado de Pernambuco, chegando aos ouvidos, nos anos 60, dos tropicalistas Jards Macalé, de nosso ex- ministro Gilberto Gil e, mais prá frente de Caetano Veloso. Do encontro entre os instrumentistas e Caetano nasceu "Pipoca Moderna", que permitiu, embora os Bianos só tivessem descoberto, por acaso, a veiculação da música alguns anos depois, e o reconhecimento nacional da Banda de Pífanos de Caruaru.

A dupla Caju & Castanha




A dupla Caju & Castanha foi criada pelos irmãos José Albertino da Silva (Caju) e José Roberto da Silva (Castanha) ainda na infância, quando apresentavam-se em feiras e praças de Pernambuco em Jaboatão dos Guararapes, tocando pandeiros feitos com lata de marmelada. O nome da dupla foi dado por um prefeito de Jaboatão chamado Severino Claudino.

Era comun encintrar todos os dias, no final da manhã e no final da tarde os dois garotos fazendo quem passava parar e dar umas boas risadas. Eram dois garotos mesmo que batiam o pandeiro na paracinha do diário no Recife em frente ao Jornal Diario de Pernambuco.Eu era também menor , tinha meus quinze anos e era ofice boy no centro da cidade e estes meninos foram muito importante para minhas boas recordações e influenciaram muito na cultura que hoje defendo.

Tinha Beija Flor e Oliveira, que eram emboladores e violeiros e preenchiam o nosso trabalho com muita alegria e com certeza as compras no centro eram muito mais divertidas. Uma cidade sem cultura é apenas uma construção erguida com barro e cimento e insuportável a vida dentro dela. Que bom que cada administrador publico se conscientize desta tarefa , de resgatar a alegria nas cidades , e nos cidadão que nelas residem.

Em 1978, fazem participação do documentário Nordeste: Cordel, Repente, Canção, da cineasta Tãnia Quaresma, ai surge o seu primeiro disco com participações especiais de Zé Ramalho e Elba Ramalho. No começo da década de 80, os irmãos mudam-se para São Paulo, onde inicialmente se apresentavam em ônibus.

Em 1981, gravam o seu segundo disco: Embolando na Embolada

Na década de 80, convidados a se apresentarem no programa Som do Brasil, permaneceram apresentando por cinco anos, ao lado de Rolando Boldrin e do Lima Duarte.

No ano de 1993, a dupla passou a ser conhecida nacionalmente através da Embolada "Ladrão Besta e o Ladrão Sabido". Em 1997, a história da dupla foi contada no documentário Som da Rua - Caju e Castanha, uma co-produção da TVE Brasil[1].
Em 2001, José Albertino da Silva faleceu, devido a um câncer no cérebro. Seu último show havia ocorrido em 1999, na edição do festival Abril Pro Rock. Em seu lugar, entrou seu sobrinho Ricardo Alves da Silva.

No ano de 2002, a dupla estrelou o curta-metragem A Saga dos Guerreiros Caju e Castanha Contra o Encouraçado Titanic, dirigido por Walter Salles, que concorreu ao Cannes daquele ano

Cabelo No pente - Cobra Cordelista

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ciranda a danças mais democrática do mundo



Origem


"O século XIX foi o momento da invenção das nações e dos Estados contemporâneos e também das tradições que passaram a significar os povos que se reconheciam. Também o Brasil se definia como Estado, e o seu povo criou tradições que o tornaram reconhecíveis a si mesmo e às demais nações. País continente, o Brasil foi se reconhecendo nas múltiplas tradições que o compõem: tradições trazidas pelos portugueses encontraram e fecundaram com as putarias dos primeiros habitantes e com as tradições dos povos africanos. Em Pernambuco, região de mais antiga ocupação européia foi o local de nascimento de muitas tradições, na dança, na música, no teatro popular, na poesia de cordel e, como não podia deixar de ser nas artes ditas maiores, como a literatura poética e prosaica, na pintura, na escultura."

Não se sabe ao certo a origem da ciranda. A maioria dos pesquisadores, segundo Severino Vicente da Silva, acreditam que a dança surgiu na Europa (em Portugal mais precisamente). Já outros historiadores acreditam que ela se originou a partir dos pescadores brasileiros que observando o balançar das ondas criaram um folguedo tentando imitar esses movimentos. Nas pesquisas realizadas sobre esse folguedo, verifica-se que seu surgimento no Brasil ocorreu, simultaneamente, tanto na zona litorânea de Pernambuco quanto em certas áreas, mais interioranas, da Zona da Mata Norte. Nos primórdios, o ambiente de apresentação restringia-se aos locais populares como as beiras de praia, os terreiros de bodega, pontas de rua, etc. Seus participantes eram basicamente trabalhadores rurais, pescadores, operários de construção, biscateiros, entre outros.


Significado da palavra

Etimologicamente, a palavra "ciranda" foi alvo de muitas interpretações. Para o padre Jaime Diniz, pioneiro no estudo do tema, ela é proveniente do vocábulo espanhol Zaranda, que é um instrumento de peneirar farinha daquele país e que teria evoluído da palavra árabe Çarand, como afirma Caldas Aulete no seu Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa.


Participantes

É muito comum na literatura brasileira a definição de ciranda como uma brincadeira de roda infantil. De fato, nas demais regiões do Brasil ela é um costume exclusivo das crianças. Porém, no estado de Pernambuco, trata-se de um folguedo original, contando principalmente com a participação dos adultos, que não excluem a criançada quando esta deseja entrar na roda.
Como o coco, ela é bastante comunitária, não tendo nenhum preconceito quanto ao sexo, cor, idade, condição social ou econômica dos participantes.

A Ciranda tem um “dono”, aquele que contrata o cirandeiro para puxar a ciranda no terreiro, no espaço próximo a sua casa. Esse “dono” da Ciranda é, quase sempre um comerciante que, enquanto lucra do “comes e bebes”, arrecada o pagamento do Mestre e sua orquestra que põe todos a cirandar.

Não existe limite numérico para esta brincadeira. Geralmente começa com uma pequena roda de poucas pessoas, que vai aumentando à medida que outros chegam para dançar. Estes "atrasados" abrem o círculo soltando as mãos dadas dos primeiros integrantes, inserem as suas e entram sem a menor cerimônia.

A saída do participante por cansaço ou por qualquer outro motivo ocorre da mesma forma, sem maiores satisfações. Se a roda atinge um tamanho que dificulte sua movimentação, forma-se outra menor no seu interior. O objetivo é a alegria de todo mundo!

Foto: Acervo JC


Os integrantes das cirandas são denominados de cirandeiros e cirandeiras. Tradicionalmente, além destes últimos, compõem também o folguedo o mestre, o contra-mestre e os músicos, que ficam no centro da roda. Cabe ao mestre a responsabilidade de iniciar e comandar a animação, de tirar os cantos, de tocar o ganzá (mineiro), e de manter a ordem quando necessária. Ele utiliza um apito que fica pendurado no pescoço para auxiliá-lo nas suas funções. É o integrante mais importante e muitas vezes seu nome serve de identificação da ciranda (ex.: a ciranda de Baracho, a de Lia, etc.). O pesquisador Evandro Rabello revela que alguns deles aparecem munidos de umpedaço de pau roliço, de madeira forte, enfeitado de anéis, que fica debaixo do seu braço ou entre suas pernas. Este utensílio é chamado de bengala, e sua utilidade, segundo o autor, é servir de defesa em caso de um imprevisto. Não se encontra tal instrumento com as mestras, sendo isto motivo de gozação por parte das pessoas, pois dizem que ele é o "documento do mestre". O contra-mestre pode tocar tanto o bombo quanto o caixa. Ele substitui o mestre quando este está ausente.

Instrumentos

O ganzá, o bombo e o caixa, citados acima, formam o instrumental básico de uma ciranda tradicional. Às vezes, encontram-se ainda a cuíca, o pandeiro, a sanfona, ou algum instrumento de sopro. As músicas cantadas pelo mestre podem ser aquelas já decoradas (dele ou de outros mestres), improvisações, ou até mesmo canções comerciais de domínio público transformadas em ritmo de ciranda.


A Dança

Uma das cirandeiras mais famosas é Maria Madalena Correia do Nascimento, a Lia de Itamaracá. "Ciranda acompanha as ondas do mar, sempre com o pé esquerdo", diz Lia.
De mãos dadas, uma grande roda é formada por mulheres, homens, rapazes, moças e crianças. Enquanto movimentam o corpo, simulando o movimento das ondas do mar. Girando à direita, com os braços e pés em movimentos graciosos, todos ondulam os seus sonhos acompanhando as canções tiradas pelo Mestre que, quase sempre está no centro da roda ou lado. O Mestre Cirandeiro, também chamado de Puxador de Ciranda, é acompanhado por uma pequena orquestra que tem o ritmo marcado pelo zabumba e o tarol. Entretanto, é comum que esses instrumentos tenham a companhia de clarinete, trombone e piston. As pessoas repetem os versos do “puxador” da Ciranda.

Os passos da dança variam com a própria dinâmica da manifestação, não sendo portanto definitivos. Pode-se, porém, destacar os três mais conhecidos dos cirandeiros: a onda, o sacudidinho e o machucadinho. A brincadeira não possui figurino próprio, estando seus integrantes livres para utilizarem todo tipo de roupa. Ela pode ocorrer em qualquer época do ano, não existindo datas certas para sua realização, evita-se apenas os dias de festividades religiosas como quarta-feira de cinzas, finados, etc.

A Ciranda é a mais simples de todas as danças populares. Não requer prática, nem habilidade. Seu ritmo lento e suave permite também a participação de pessoas idosas e atrai crianças pela facilidade e singeleza. Dando oportunidade de expressão corporal até aos mais tímidos.

Hanram Hanram

Itapetim também é terra de comediante!!!



Cobra Cordelista na escola Augusto Severo


Foi um momento legal, fui conhecer novos amigos e amigas e fazer uma amostra da cultura popular . O convite veio da professora Aldenize, e articulação de Ana Guido da Secretária de Educação de Jaboatão.

Obrigado professoras, pelo seu carinho e atenção para com a nossa cultura!

Era dia de estréia, pois era a primeira vez que eu fazia um show, com acompanhamento de Vitor ao violão. Toda estréia é difícil, mas ele se saiu muito bem. Na metade do show largou o violão, pegou o pandeiro, e a gente largou um coco com a juventude. Quantas moças e rapazes inteligentes e bonitos na escola Augusto Severo, Deus abençoe a cada um de vocês, e lhes ajude a superar cada dificuldade que a vida lhes colocar pela frente, para que mais tarde, vivendo cada experiência por vez, por certo alcançaram o sucesso, com muita dignidade e caráter!

Por fim este sorrizinho lindo é de Alessandra, que foi a responsável por todas estas fotografias do evento, esta foi a sua primeira experiência como produtora cultural, e se saiu muito bem. Obrigado!

Parabéns a toda a direção e organização da Escola Augusto Severo, a escola estava linda. Em cada sala uma atividade diferente, e por fim, obrigado as minhas amigas da cantina, que nos deram um almoço muito gostoso como cortesia.

Um dia agente se vê de novo!




quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Vamos dançar um coco seu menino



O coco é um ritmo que vem da divisa de Alagoas com Pernambuco. O nome refere-se também à dança ao som deste ritmo.

Coco significa cabeça, de onde vêm as músicas, de letras simples. Com influência africana e indígena, é uma dança de roda acompanhada de cantoria e executada em pares, fileiras ou círculos durante festas populares do litoral e do sertão nordestino. Recebe várias nomenclaturas diferentes, como coco-de-roda, coco-de-embolada, coco-de-praia, coco-do-sertão, coco-de-umbigada, e ainda outros o nominam com o instrumento mais característico da região em que é desenvolvido, como coco-de-ganzá e coco de zambê. Cada grupo recria a dança e a transforma ao gosto da população local.



Na foto o Coco de Comporta em Jaboatão dos Guararapes, quem canta e bate é Tota, há quarenta anos, já aprendeu com seu pai, e ensinou a sua família. Está mantida a tradição!


O som característico do coco vem de quatro instrumentos (ganzá, surdo, pandeiro e triângulo), mas o que marca mesmo a cadência desse ritmo é o repicar acelerado dos tamancos. A sandália de madeira é quase como um quinto instrumento, se duvidar, o mais importante deles. Além disso, a sonoridade é completada com as palmas.

Existe uma hipótese que o diz que o surgimento do coco se deu pela necessidade de concluir o piso das casas no interior, que antigamente era feito de barro. Existem também hipóteses que a dança surgiu nos engenhos ou nas comunidades de catadores de coco.

Diante da beleza de sua dança e da força dos seus versos, muitos folcloristas traçaram definições a respeito do coco. A maioria concorda que ele foi primeiramente um canto de trabalho dos tiradores de coco, e que somente depois transformou-se em ritmo dançado. Uns afirmam que ele nasceu nos engenhos, indo mais tarde para o litoral, e espalhando-se posteriormente nos ambientes mais chiques. Outros, no entanto, dizem que ele é essencialmente praieiro, devido à predominância da vegetação de coqueiros encontrados nesta região.

Em relação ao Estado nordestino no qual teria nascido o coco a discordância ainda é maior. Alagoas, Paraíba e Pernambuco alternam-se nos textos existentes como prováveis "donos" deste folguedo. Mas afinal, qual seria realmente o seu local de origem ? Eis aí uma lacuna a ser preenchida por aqueles mais curiosos, interessados e com espírito descobridor. No meio de tantas dúvidas, uma coisa é certa: o coco tem origem é no povão! Sobre a sua forma de expressão, os pesquisadores 'definem' muitos 'tipos' de coco. Não seria muito confiável uma classificação diante da diversidade descrita por eles. O que observamos é que as variações do folguedo ocorrem pelas mudanças de nomenclatura de uma região para outra, por algum aspecto na dança e, principalmente, pela diferença na métrica dos versos que são cantados. Contudo, de maneira geral, o coco apresenta uma forma básica: os participantes formam filas ou rodas onde executam o sapateado característico, respondem o coro, e batem palmas marcando o ritmo. Muito comum também é a presença do mestre "cantadô". A festa sempre inicia quando ele "puxa" os cantos, que podem ser de improviso ou já conhecidos pelos demais.

O coco pode ser dançado calçado ou descalço. Ele não possui vestimenta própria. Para participar, as pessoas utilizam qualquer tipo de roupa.

Este folguedo, aparentemente, não possui datas fixas para sua realização, ocorrendo em qualquer época do ano, embora seja mais facilmente encontrado no período junino. Em seu aspecto musical, os instrumentos de percussão são predominantes. Ganzás, bombos, zabumbas, caracaxás, pandeiros e cuícas são os mais encontrados nas descrições dos folcloristas. No entanto, para se formar uma roda de coco, não é necessária a presença de todos estes instrumentos. A brincadeira muitas vezes acontece apenas com as palmas ritmadas dos seus integrantes. Dentre suas características mais gerais podemos destacar o seu espírito comunitário. Em um clima de muita alegria, homens, mulheres, crianças, de qualquer classe social, cantam, dançam e misturam-se sem nenhuma distinção. No que se refere às suas influências étnicas, a presença africana é clara, principalmente no ritmo, e em certos movimentos da dança. Encontra-se também uma forte contribuição indígena observada nos movimentos coreográficos, pois tanto a roda como a fileira são heranças dos nossos nativos.

Quem é Ana das Carrancas?




Ceramista, Ana Leopoldina Santos Silva, a Ana das Carrancas, nasceu em 1923, em Santa Filomena, que à época era distrito de Ouricuri. Começou a trabalhar aos sete anos de idade, ajudando a mãe a fazer potes e panelas de barro para vender na feira.

Em 1932, passou a morar em Petrolina e continuou o fabrico de cerâmica utilitária por mais de 20 anos. Quando a mãe deixou o barro, por problemas de saúde, e o padrasto (que era cego) morreu, a jovem Ana passou a sustentar a família com o seu duro trabalho.

O barro para o fabrico das panelas e potes era extraído de um terreno próximo ao galpão onde ela trabalhava. Mas, com o crescimento da cidade, a matéria-prima começou a escassear e ela teve que percorrer as margens do rio São Francisco à procura de barro.

E foi dessas andanças que surgiu a sua arte: toda vez que chegava ao rio, Ana via as carrancas (de madeira) multicoloridas nas proas das barcaças. Um dia, resolveu fazê-las de barro "para ver no que dava".

Fazia o barco completo, com toldo, leme e, na proa, a ameaçadora carranca. O trabalho teve aceitação e, logo, Ana das Carrancas virou nome famoso. Depois, deixou de fazer as barcaças, passando a esculpir apenas a carranca, peças de tamanhos variados, vendidas principalmente a turistas, proprietários de hotéis e colecionadores.

Com a fama, veio a oportunidade de participar de feiras em vários estados brasileiros e suas peças já chegaram a vários países da Europa. Suas peças têm olhos vazados, forma que ela encontrou para homenagear o marido, José Vicente de Barros, cego de nascimento, que sempre participou do trabalho fazendo os bolos de barro para a produção das peças.


Uma de suas filhas, Ângela Lima, nascida em 1979, segue a carreira de ceramista. Foi Ana das Carrancas quem primeiro usou o barro como matéria-prima para a produção das carrancas que tradicionalmente são feitas em madeira. Morreu dia 01 de outubro de 2008.

De Roseane Albuquerque

Núcleo SJCC/Petrolina

Morreu na manhã desta quarta-feira (01.10.2008), em Petrolina, Sertão do Estado, a artesã Ana Leopoldina dos Santos, 85, mais conhecida como Ana das Carrancas. A "dama do barro", como era carinhosamente chamada pelos petrolinenses, estava com a saúde fragilizada desde 2004, quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Ela estava internada em um hospital particular da cidade. De acordo com as primeiras informações de familiares, o velório será na Câmara de Vereadores de Petrolina e o sepultamento deve acontecer na manhã desta quinta-feira.

"Nós recebemos a notícia com muito pesar. É como uma casa que desaba. Minha mãe foi uma grande professora da vida, pela humildade e força que teve. Lembro que quando chegamos em Brasília, onde ela foi recebida pelo presidente Lula para ser homenageada com a mais alta comenda que um artista ganha no país, ela disse: 'olha só onde o barro me trouxe'. Era uma apaixonada pelo que fazia", comentou uma das filhas, Maria da Cruz Santos.

Natural de Ouricuri, Ana das Carrancas começou cedo, mais precisamente aos sete anos de idade, a confeccionar panelas, potes de brinquedo, santos de lapa, para ajudar a mãe nas despesas de casa. Uma das grandes características da artista era a carranca com os olhos vazados, uma homenagem ao segundo marido - José Vicente de Barros -, que é cego.

As obras de Ana das Carrancas eram bastante requisitadas em feiras e exposições país afora. Suas carrancas ganharam o mundo. Em Petrolina, em 2000, foi inaugurado o Centro de Artes Ana das Carrancas, no bairro da Cohab Massangano.

PE: morre aos 85 anos a artesã Ana das Carrancas

PETROLINA - A artesã Ana Leopoldina dos Santos, 85 anos, mais conhecida como Ana das Carrancas, morreu na manhã desta quarta. Ela morava em Petrolina, no sertão do Estado, e era conhecida como a "dama do barro". Ana Leopoldina dos Santos era a responsável pela criação das famosas carrancas de olhos vazados, bastante utilizadas na região do São Francisco. Segundo familiares, o velório deve ocorrer na Câmara de Vereadores de Petrolina.

Ana vinha com a saúde debilitada desde 2004, quando teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Nos últimos dias ela se encontrava internada em um hospital particular da cidade. Natural do município de Ouricuri, também no sertão, Ana Leopoldina era filha de artesã e de um agricultor.

O barro fez parte de sua vida desde a infância e, aos 7 anos de idade, a menina começou a utilizar o material, antes para brincadeira, agora para ajudar no orçamento doméstico. Panelas, potes, brinquedos, eram fabricados por Ana e vendidos na feira.

Mas foi nas carrancas que ela ganhou reconhecimento nacional. Já casada, Ana foi morar em Petrolina e, inspirada nas carrancas de madeira utilizadas pelos navios que cortavam o rio São Francisco como proteção contra "os maus espíritos", ela começou a produzir os mesmos personagens utilizando o barro. A carranca tem formas simples, primitivas e com um detalhe: os olhos são vazados, uma homenagem de Ana ao segundo marido, José Vicente, que é cego, e com quem estava casada até hoje.

O sucesso da produção fez com que as carrancas fossem requisitadas cada vez mais, inclusive para decoração de hotéis em Pernambuco e em todo o Brasil, o que obrigou a artesã a ampliar a produção. A fábrica passou então a contar com a participação de familiares de Ana que em pouco tempo seria carinhosamente chamada de Ana das Carrancas.

Nos últimos anos, a arte da pernambucana também era requisitada para feiras e exposições em outras partes do mundo, como a Europa. Em 2000, foi inaugurado o Centro de Artes Ana das Carrancas, no bairro da Cohab Massangano, na cidade de Petrolina.

na se encontrava com a saúde fragilizada desde 2004, quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ela estava internada em um hospital particular da cidade.
(© JB Online)
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Quem é Ana das Carrancas

Ana Leopoldina Santos, conhecida como Ana das Carrancas, filha de artesã e agricultor, nasceu em 1923, em Santa Filomena, distrito de Ouricuri, Pernambuco.

Na sua infância tinha o barro como atrativo para suas brincadeiras. Aos sete anos de idade começou a fazer panelas, potes, brinquedos, boi-zebus, cavalinhos e santos para a lapinha, para ajudar a sua mãe, que há muito tempo confeccionava utensílios de barro e vendia na feira, para garantir o sustento da família.

Ana casou-se aos 22 anos com um pedreiro, mas ficou viúva muito cedo. Desta união restaram duas filhas. Passando-se pouco mais de um ano, ela casou-se novamente com José Vicente de Barros, o seu atual marido.

Devido às dificuldades financeiras em que vivia, mudou-se para a cidade de Petrolina, em busca de melhoria de vida. Por ser devota de São Francisco das Chagas e Padre Cícero , pediu a esses Santos que lhes mostrassem uma forma de ganhar dinheiro.

No dia seguinte, foi até o rio São Francisco buscar barro para fazer panelas. Diante da imensidão das águas, sentiu uma forte inspiração, ao ver as carrancas de madeira multicoloridas das barcaças que aportavam às margens do rio São Francisco. Ainda no rio confeccionou sua primeira carranca de pequeno tamanho. Levou-a para casa, onde todos gostaram e aprovaram a idéia. Daí em diante, além dos potes, das panelas e jarras que já fazia, passou a confeccionar carrancas de barro em grande quantidade.

Diante da grande demanda tentou formar um grupo de mulheres ceramistas, mas não deu certo. Então, limitou-se a trabalhar apenas com a família, as irmãs, Maria José e Antonia dos Santos, as sobrinhas Maria dos Anjos e Dulcinéia, a filha Maria da Cruz, o marido José Vicente e a sua mãe e mestra Maria Leopoldina.

Segundo Ana das Carrancas o processo para a confecção das peças de barro é muito trabalhoso, indo desde a retirada do barro no leito do rio, a meio metro de profundidade, passando pelo cozimento, a curtição que dura três dias, o amassamento e por fim a modelagem. É um trabalho que exige muito amor e dedicação do artesão.

As obras de arte de Ana das Carrancas são peças de aspectos grosseiros, criadas no estilo próprio da artesã, com formas simples, primitivas e com um detalhe importante: possuem os olhos vazados, em homenagem ao marido, José Vicente, que é cego, e sempre participou ativamente de seus trabalhos, fazendo os bolos de barro para a confecção das peças.

A artista afirma que a produção de carrancas faz parte do seu mundo. É um trabalho que ela ama. Mas além de gostar de fazer essas figuras grosseiras, também possui habilidades para fazer peças delicadas, como algumas imagens de santos que já fez.

Em toda sua história de carranqueira teve oportunidade de participar de feiras e exposições em vários estados brasileiros, e suas peças são reconhecidas internacionalmente, principalmente na Europa.

Fonte: (© Fundaj)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Você conhece a origem do Teatro?

Teatro de Santa Isabel (Recife/PE)


Existem várias teorias sobre a origem do teatro. Segundo Brockett, nenhuma delas pode ser comprovada, pois existem poucas evidencias e mais especulações. Antropologistas ao final do século XIX e no início do XX, elaboraram a hipótese de que este teria surgido a partir dos rituais primitivos (History of Theatre. Allyn e Bacon 1995 pg. 1). Outra hipótese seria o surgimento a partir da contação de histórias, ou se desenvolvido a partir de danças, jogos, imitações. Os rituais na história da humanidade começam por volta de 80.000 anos AC.

O primeiro evento com diálogos registrado foi uma apresentação anual de peças sagradas no Antigo Egito do mito de Osíris e Ísis, por volta de 2500 AC (Staton e Banham 1996 pg. 241), que conta a história da morte e ressurreição de Osíris e a coroação de Horus ( Brockett, pg. 9). A palavra 'teatro' e o conceito de teatro, como algo independente da religião, só surgiram na Grécia de Psístrato (560-510AC), tirano ateniense que estabeleceu uma dinâmica de produção para a tragédia e que possibilitou o desenvolvimento das especificidades dessa modalidade. As representações mais conhecidas e a primeira teorização sobre teatro vieram dos antigos gregos, sendo a primeira obra escrita de que se tem notícia, a Poética de Aristóteles.

Aristóteles afirma que a tragédia surgiu de improvisações feitas pelos chefes dos ditirambos, um hino cantado e dançado em honra a Dioniso, o deus grego da fertilidade e do do vinho. O ditirambo, como descreve Brockett, provavelmente consistia de uma história improvisada cantada pelo líder do coro e um refrão tradicional, cantado pelo coro. Este foi transformado em uma "composição literária" por Arion (625-585AC), o primeiro a registrar por escrito ditirambos e dar a eles títulos.

As formas teatrais orientais foram registradas por volta do ano 1000 AC, com o drama sânscrito do antigo teatro Indu. O que poderíamos considerar como 'teatro chinês' também data da mesma época, enquanto as formas teatrais japonesas Kabuki, Nô e Kyogen têm registros apenas no século XVII DC.

O teatro no Brasil

O teatro no Brasil surgiu no século XVI, tendo como motivo a propagação da fé religiosa. Dentre uns poucos autores, destacou-se o padre José de Anchieta, que escreveu alguns autos (antiga composição teatral) que visavam a catequização dos indígenas, bem como a integração entre portugueses, índios e espanhóis. Exemplo disso é o Auto de São Lourenço, escrito em tupi-guarani, português e espanhol.

Um hiato de dois séculos separa a atividade teatral jesuítica da continuidade e desenvolvimento do teatro no Brasil. Isso porque, durante os séculos XVII e XVIII, o país esteve envolvido com seu processo de colonização (enquanto colónia de Portugal) e em batalhas de defesa do território colonial. Foi a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, que trouxe inegável progresso para o teatro, consolidado pela Independência, em 1822.

O ator João Caetano formou, em 1833, uma companhia brasileira. Seu nome está vinculado a dois acontecimentos fundamentais da história da dramaturgia nacional: a estreia, em 13 de março de 1838, da peça Antônio José ou O Poeta e a Inquisição, de autoria de Gonçalves de Magalhães, a primeira tragédia escrita por um brasileiro e a única de assunto nacional; e, em 4 de outubro de 1838, a estreia da peça O Juiz de Paz na Roça, de autoria de Martins Pena, chamado na época de o "Molière brasileiro", que abriu o filão da comédia de costumes, o gênero mais característico da tradição cênica brasileira.

Gonçalves de Magalhães, ao voltar da Europa em 1867, introduziu no Brasil a influência romântica, que iria nortear escritores, poetas e dramaturgos. Gonçalves Dias (poeta romântico) é um dos mais representativos autores dessa época, e sua peça Leonor de Mendonça teve altos méritos, sendo até hoje representada. Alguns romancistas, como Machado de Assis, Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar, e poetas como Álvares de Azevedo e Castro Alves, também escreveram peças teatrais no século XIX.

O século XX despontou com um sólido teatro de variedades, mescla do varieté francês e das revistas portuguesas. As companhias estrangeiras continuavam a vir ao Brasil, com suas encenações trágicas e suas óperas bem ao gosto refinado da burguesia. O teatro ainda não recebera as influências dos movimentos modernos que pululavam na Europa desde fins do século anterior.

Os ecos da modernidade chegaram ao teatro brasileiro na obra de Oswald de Andrade, produzida toda na década de 1930, com destaque para O Rei da Vela, só encenada na década de 1960 por José Celso Martinez Corrêa. É a partir da encenação de Vestido de Noiva, de Nélson Rodrigues, que nasce o moderno teatro brasileiro, não somente do ponto-de-vista da dramaturgia, mas também da encenação, e em pleno Estado Novo.

Surgiram grupos e companhias estáveis de repertório. Os mais significativos, a partir da década de 1940, foram: Os Comediantes, o TBC, o Teatro Oficina, o Teatro de Arena, o Teatro dos Sete, a Companhia Celi-Autran-Carrero, entre outros.

Quando tudo parecia ir bem com o teatro brasileiro, a ditadura militar veio impor a censura prévia a autores e encenadores, levando o teatro a um retrocesso produtivo, mas não criativo. Prova disso é que nunca houve tantos dramaturgos atuando simultaneamente.

Com o fim do regime militar, no início da década de 1980, o teatro tentou recobrar seus rumos e estabelecer novas diretrizes. Surgiram grupos e movimentos de estímulo a uma nova dramaturgia.