terça-feira, 5 de outubro de 2010

Poesia: Beijando a fita da viola de "Preto Limão"



(Trecho do Canto 08 do poema “Sertão de Espinho e de Flor”, de OTHONIEL MENEZES (1895-1969), Poeta, Jornalista e Escritor potiguar, inserto na sua “Obra Reunida”, no prelo em 2010, organizada e anotada por Laélio Ferreira, seu filho).


“No alpendre de Dona Santa,
Preto Limão(*) cospe e canta,
num tom de bravura e dó…
Mistral de chapéu-de-couro,
teu verso é uma prima de ouro,
na viola do Seridó!

– Negro velho escopeteiro,
louve aqui meu companhero,
poeta que vem mais eu!
Retruca o Homero tisnado:
– Você traz um convidado,
que é tomém amigo meu!

– Pruquê abasta tê vindo
mais você! Seu moço, eu brindo
vossa entrada no lugá.
Não tem fulôres agora,
mas esta chorona chora
e canta, pra lhe sarvá…

No juazeiro verdinho,
tá cantando um passarinho,
outro chega, e pega o tom…
Num faz mal que eu sêje franco:
sô moreno, o moço é branco
– café cum leite é que é bom…

Poeta parnasiano
– que faz um poema por ano,
e livros lê, mais de cem –,
renego o cinzel e a trena,
beijo essa fita morena
que a tua viola tem!”


(*) Preto Limão: Anota Câmara Cascudo em Vaqueiros e Cantadores, p. 256-257, ed. citada: Preto Limão, famosíssimo cantador e violeiro. Era um negro alto, esguio, de olhos amarelados, e com um cavanhaque de soba africano. É sempre enumerado entre os primeiros cantadores, e como residindo em Natal, embora não fosse verídico.

Derrotou dezenas de menestréis, mais sua maior glória é ter-se batido com Bernardo Nogueira, que o venceu. Dizem os cantadores que Preto Limão só foi vencido por estar doente, e ter a família adoecido também.

Areia na Paraíba concorrerá ao título de Capital Brasileira da Cultura

De 1 de setembro até 30 de outubro de 2010, estará aberto o prazo para inscrição de candidaturas das cidades que desejem concorrer ao título de Capital Brasileira da Cultura 2011.

O Projeto Capital Brasileira da Cultura (CBC) é uma iniciativa com abrangência nacional, implementado pela Organização Capital Brasileira da Cultura (ONG CBC), e está aberto à participação de todos os municípios do Brasil. Tem a finalidade de eleger anualmente uma cidade brasileira com o título de Capital Brasileira da Cultura e conta com o apoio dos ministérios da Cultura e do Turismo e de entidades nacionais e internacionais. Os objetivos do projeto são: valorizar e promover a cultura brasileira em todas as suas formas de expressão; contribuir para que haja um maior conhecimento da identidade e diversidade cultural do Brasil; colaborar nos processos de integração nacional e de inclusão social através da cultura.

A cidade que queira participar do concurso deverá solicitar o Formulário de Candidatura e apresentar a documentação exigida pelo regulamento, acompanhada de uma carta do prefeito. O secretário de Turismo e Eventos da cidade de Areia, jornalista Ney Vital disse que o projeto 2011 e certamente atende as exigências de envolver e movimentar toda a cidade e região. A Prefeitura Municipal já realiza trabalhos para resgatar e valorizar as ações e as pessoas que promovem cultural na primeira cidade da Paraíba reconhecida Patrimônio Nacional da Cultura.

“Ao concorrer ao título de capital brasileira da cultura estaremos buscando o crescimento do setor turístico, divulgação do potencial da cidade, valorizar e expor nossa cultura e as ações de investimento no setor turístico histórico cultural”, ressaltou Ney Vital. "Concorrer ao título já motivo de vitória e orgulho para todos envolvidos no setor cultural da cidade.

A seleção das candidaturas apresentadas pelas prefeituras será feita por uma comissão julgadora formada pelos órgãos e entidades que apoiam o projeto. Em 15 de novembro de 2010 será divulgado o nome da cidade que receberá o título de Capital Brasileira da Cultura 2011, a sexta edição do projeto , após Olinda 2006, São João del-Rei 2007, Caxias do Sul 2008 , São Luís do Maranhão 2009 e Ribeirão Preto 2010.

A cidade eleita como Capital Brasileira da Cultura 2011 deverá desenvolver durante o próximo ano, o programa de atividades proposto na candidatura, que tenha como objetivos valorizar e divulgar seu patrimônio cultural material e imaterial, obtendo com isto muitos benefícios para seu desenvolvimento social e econômico.

PATRIMÔNIO: A serrana cidade de Areia foi tombada como Patrimônio Histórico nacional, pelo seu conjunto Paisagístico, Urbanístico e Cultural desde 2005.

“A Vila Real do Brejo de Areia, Brejo de Areia, Areia” se notabilizou pelo legado cultural e político que rendeu à Paraíba. Afinal, a cidade abriga o primeiro Teatro do Estado, terceiro do Nordeste, o Teatro Minerva, erguido por iniciativa de particulares. Em Areia foi criado o primeiro curso de nível superior do Estado: a Escola de Agronomia do Nordeste; Areia foi o palco do primeiro festival de Artes do Estado, em 1976: os famosos festivais de artes, que até hoje são referência no campo das artes e da cultura nacional. Areia é o berço onde nasceu Pedro Américo, o maior pintor histórico do país e José Américo de Almeida, criador do romance regional brasileiro com “A Bagaceira”. Areia possui ainda uma das Filarmônicas mais antigas do Nordeste em atividade ininterrupta desde 1847. O Hino do Estado da Paraíba é da autoria de dois areenses: Abdón Milanês e Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo.

Hoje, Areia conta com dois grupos de Teatro, grupos de capoeira, bandas marciais, artistas plásticos, grupos folclóricos, dentre eles o Moenda, com experiência internacional, com mais de trinta anos. E músicos, escritores, artesãos. A cidade possui cursos superiores de Agronomia, Zootecnia, Biologia, ciências biológicas, Pedagogia, medicina veterinária e Letras e várias escolas de nível fundamental e médio urbanas e rurais. O Centro de Ciências Agrárias é reconhecido pelo alto nível dos mestres e doutores.

“Por todas essas razões a cidade convida todos os paraibanos e nordestinos a unir-se por esse ideal e mais subir a serra nublada e conhecer a cidade de Areia e seu derredor, como o Museu Jackson do Pandeiro, situado na cidade de Alagoa Grande, vizinha e filha de Areia e também conhecer Bananeiras e todas que forma o rico brejo da Paraíba”, finalizou Elson da Cunha Lima Filho, prefeito de Areia.

Zé Limeira - Biografia



"Escrotidão" poética, pornografia versada, distorções históricas poético-delirantes e prenhes de pseudo-nonsense, métrica ilibada, voz trovejante de bardo nordestino, anéis por todos os dedos, poesia pra todos os lados. Seus trajes aberrantes, sua viola, seu matulão pendurado. Esse aí não é ninguém não, é Zé Limeira, o mais mitológico dentre todos os repentistas surgidos no Brasil. Tem gente que até hoje acha que ele nunca existiu. “Vai ver foi um personagem criado pela cabeça fantasiosa de outros repentistas”, diriam os incautos.

O compêndio poético de sua obra só chegou ao conhecimento das novas gerações graças ao abnegado trabalho de pesquisa realizado pelo advogado e escritor Orlando Tejo, que resultou no livro "Zé Limeira, poeta do absurdo". Os dois se conheceram em 1950 e o encontro entre narrador e narrado é assim descrito pelo primeiro: “Foi numa nublada tarde de sábado que ouvi pela primeira vez José Limeira. Cantava em sombrio casarão da Rua Manuel Pereira de Araújo, movimentado centro do baixo meretrício, em Campina Grande. Chamou-me a atenção a dimensão do óculo (sic) exageradamente escuro que, havia 20 anos, inspirara este espirituoso repente de Severino Pinto:

"Nestes dias vou fazer
Como o nosso Zé Limeira:
Comprar uns óculos escuros
Desses de tolda de feira
Botar o bicho na cara,
Sair cantando besteira"

Alcunhado de poeta do absurdo pelas suas construções poéticas verborrágicas e pelos neologismos mais esdrúxulos como pilogamia, filanlumia e filosomia, este paraibano de Teixeira cultivou um surrealismo assertanejado e altamente psicodélico, como confirmam estes versos:

Casemo no ano de 15
Na seca de 23
A mulher era donzela
Viúva de sete mês
Mais não me alembro que tenha
Um dia ficado prenha,
Estado de gravidez.

Discípulos homenageiam o anômalo do verso

Seu legado ainda sobrevive no contexto da música brasileira, devido ao registro de sua faixa Martelo Alagoano, gravada por Lula Côrtes e Zé Ramalho no LP "Nordeste, Cordel, Repente e Canção", coletânea de repentes com vários poetas populares lançada pela Tapecar, em 1975.

Outra homenagem de Ramalho viria anos mais tarde com a faixa Visões de Zé Limeira sobre o final do século XX do seu LP, "Força Verde”, de 82. O Quinteto Violado também o citaria, na contracapa de seu LP "Pilogamia do Baião", de 1978. A mais recente homenagem viria do grupo oriundo da cena mangue beat do Recife, Mestre Ambrósio que emplacou um hit sobre o mote pop "Se Zé Limeira sambasse maracatu".

Uma décima cantada aqui, um mourão alí, mais um martelo alagoano registrado pela pena de um padre acolá , Orlando Tejo foi catando no fecundo campo da tradição oral o legado de Zé Limeira. Analfabeto de pai e mãe e iniciado no cristianismo como a maioria dos sertanejos, Limeira forjou seu catolicismo místico e bárbaro de porralouca, distorcendo os enredos bíblicos em sua mente decolante. No poético tacho de Limeira, os mitos do Nordeste, da política nacional, ou mesmo o dono da casa são todos cozinhados na sua borbulhante cachola.

Na construção dos repentes os poetas em geral se utilizam de um recurso muito comum que é o sacríficio da coerência discursiva em prol da métrica, mola mestra da poesia popular nordestina. Inventam palavras e expressões para que a estrofe acabe rimando no final. Limeira é diferente. Como legítima expressâo da barbárie vernácula, o caboclo já saia cuspindo seus disparates do primeiro ao último verso. As sílabas , escravas submissas do seu bordão, não tinham direito a tonicidade. Oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas sempre foram idéias bambas. Se algum dia ouviu estas palavras, provavelmente perguntiou: “é algum tipo de verme que eu não conheço ?”

Virgem Maria com o jegue, São Miguel e vacas mansas, cachorras viciadas, padres passados pra trás pela “pimba do índio”, não havia esse que não penasse na picardia lírica do trovador de Teixeira.

Limeira e o Alcorão

As influências do imaginário mouro-ibérico aparecem de relance pela obra de Limeira. O seu imaginário escancarado de passeante das eras, que viria depois influenciar um certo roqueiro que nasceu há dez mil anos atrás, cita Ferrabrás, - príncipe cavaleiro de Alexandria e que fez andanças pela Península Ibérica árabe - e passeia pela mitologia grega e brasileira .

Dezenove de março de 1953, equinócio de outono, data sagrada para os bruxos e disfarçada pela Igreja Católica como dia de São José. Para o sertanejo é mais lembrada como o dia de plantar o milho. Limeira entretanto tinha sido convidado pelo seu amigo e repentista Antônio Barbosa para uma refrega poética na Fazenda Paraíso, região do Vale do Cariri paraibano.

A festa começou cedo. Lá pras tantas da noite, os ponteiros cruzados no 12, a peleja é interrompida pelo dono da festa Severino Ramos

- Cante o romance, pediu o anfitriâo.
- Que romance? , estranhou o poeta
- O romance da Pavôa Devoradora, que você só cantava depois da meia noite, lá no sítio Tauá, porque se cantasse antes dessa hora dessa hora se dava uma desgraça na redondeza.

“A Pavoa Devoradora” só podia ser cantada de olhos fechados e sempre depois da meia noite para que nada de mal ocorresse.

Zé Limeira explica que foi por causa da ave que se deu o dilúvio, a existência dos vulcões e maremotos. Após a insistência dos presentes rezou uma sextilha a Padre Cícero e começou sua cantilena, descrita por seu biógrafo “mais lúgubre do que o corvo, de Alan Poe”. Na temática, pestes e pragas decorridas ao longo da história, epidemias, genocídios e toda classe de desgraça que já assolou o mundo. Ao final do romance – durou 90 minutos o recital - um aguaceiro despencou no esturricado Cariri, com toda a força da natureza. Raios riscavam o firmamento lapiando as pedras enquanto trovões ecoavam pelos ares. “Bico de 36 léguas/ a vomitar fogo e sangue”. Houve quem gritasse: “Zé Limeira veio anunciar o fim do mundo”.

Pornofonia em recital à primeira dama

Por ocasião de um banquete promovido por um governo estadual, na década de 50, apareceu por lá Zé Limeira, com sua bengala de aroeira, 15 anéis nos dedos, viola nas costas e a língua ferina, como sempre, a ponto de bala. Como reza a praxe da cantoria, fez a saudação à anfitriã da festa. Primeiro seu parceiro , com todo a delicadeza que se faz conveniente. Na bucha o Limeira soltou das suas:

Doutô, como eu não tenho um brinde em nota
Que possa oferecer a sua esposa
Dou-lhe um quilo de merda de raposa
Numa casca de cana piojota.

Sobre o primeiro governador geral Thomé de Sousa o boca-porca soltou:

O velho Tomé de Sousa
Governador da Bahia
Casou-se no mesmo dia
Ele fez que nem raposa
Cumeu na frente e atrás,
Chegou na beira do cais
Onde o navio trefega
Cumeu o padre Nobréga
Os tempos não voltam mais.

A cidade onde nasceu , Teixeira, foi o principal reduto de repentistas no século XIX e onde, segundo Tejo, a viola teria sido usada pela primeira como instrumento de cantoria lá pelos idos de 1840. Vivente até o ano de 1954, não há registro de sua voz. Fitas de pesquisadores que gravaram algumas de suas pelejas sumiram ou se deterioraram.

Posso morrer esse ano mas ano que vem eu tô vivo
Se existe um poeta na música brasileira que inovou em estilo e soube captar caoticamente todas as referências históricas e míticas do sertão estwe alguém foi Zé Limeira. Seus versos estrambóticos, cuspidos na brasa das pelejas discursivas de viola até hoje encantam os que tem conhecimento. As cancelas escancaradas do inconsciente coletivo refletido em tinturas áridas agrediam a realidade.

Ao lado dos irmãos Lourival, Dimas e Otacílio Batista, José Alves Sobrinho e outros, o poeta paraibano formou a fina flor do repente.

O poeta nordestino Venâncio de certa feita recitou:

“Se eu pudesse ao cantador
dava um grande prazer
mandava matar a morte
pro cantador não morrer”.

Mas não jeito: a morte chamou Zé Limeira pra prestar contas no firmamento. Pra quem ficou até agora esperando pra saber como se deu o acerto de contas entre o maior dos repentistas com Dona Morte, eis aqui a história , com base nos escritos de Tejo.

Depois de peregrinações pelas Alagoas, Pernambuco, Ceará e Paraíba, o velho poeta sentiu vontade de voltar para casa, o coração apertou de saudade do sítio Tauá, na serra do Teixeira. Saudades de Dona Bela, sua esposa e de suas filhas. Uma bela noitinha chegou no Tauá, seu rincão, santuário onde descansava..

Mal chegou em casa, chega o seu compadre Chico Pedro já o chamando para o aniversário de um fazendeiro. O cantador alagoano Bentevi já estava por lá faltando apenas outro para se completar a parelha. Limeira diz que não vai, a noite seria de Dona Bela, mas se a festa for transferida pro terreiro dele, não rejeitaria peleja . “Pra dar nesse nego véio tem que ter foigo de 7 gatos”, costumava dizer.

Mais tarde chegam as pessoas que estavam no outro sítio , com bancos e demais apetrechos. A festa ia ser mesmo no pátio dos Limeira. Inicia-se a peleja entre Bentevi e o dono da casa. Após as saudações iniciais onde são feitas as dedicatórias e homenagens iniciais, o primeiro intervalo para lubrificar a goela.

Na retomada da cantoria uma comadre lhe pede que entoe “O Romance da Pavoa Devoradora”. Limeira explica que só pode cantar depois da meia-noite sob pena de cantar antes e morrer. A audiência insiste e Limeira, quebrando o preceito diz que vai cantar. As filhas e a esposa tentam demovê-lo. É inútil. Palavra de sertanejo dada, mesmo que morresse, partiria feliz, alimentada sua honra caprichosa.

Após solicitar um silêncio total, fere as doze cordas de sua viola e declama as sinistras e pestilentas estrofes do poema. Com as superstições provocadas pela corda de tragédias que assolaram a humanidade, descritas no poema, alguns ouvintes saem do terreiro e Limeira vai desfiando o rosário lúgubre do romance.

Assim que termina a cantoria, põe sua viola sobre uma cadeira. O instrumento cai. Sua mulher estranha. Segundo ele, a razão teria sido o fato de não rezar para o padre Cícero antes de recitar “A Pavoa”. Dona Bela nota a mudança no semblante do vate. Logo em seguida, ânimos revigorados, os dois poetas se engalfinharam em inspirada peleja. Lá pelas três horas da manhã, era festa de Natal, os dois cavalgando no lombo da poesia em galope a beira-mar, Limeira é fulminado. Vai ao chão com viola e tudo e assim sai da vida para entrar na história o proto-tropicalista e surreal poeta.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Vídeo raro: Jackson do Pandeiro canta “Cantiga do Sapo/Lampião"


Uma raridade. Jackson do Pandeiro cantando “Cantiga do Sapo/Lampião” – Ao Vivo em São Paulo – SP, em 1982.



O interessante estudo do folclore



Folclore, palavra de origem inglesa que significa sabedoria do povo, é o estudo das tradições populares: brincadeiras de roda e jogos infantis, comidas típicas, ditos, provérbios e crendices, danças e festejos populares, como o frevo pernambucano e o bumba-meu-boi do Maranhão, tudo que o povo inventa, que não tem criação individual.

Com o progresso, muitas tradições vão morrendo: as crianças, por exemplo, ignoram muitos dos brinquedos de antigamente e as serenatas, que vieram da Europa com os portugueses, desapareceram das grandes cidades. Hoje, para ouvi-las, tem-se que ir a Ouro Preto, a cidade mineira dos velhos sobrados. O governo, porém, procura preservar o folclore por interesse cultural e econômico, pois ele promove o turismo; é o que justifica o apoio oficial dado ao carnaval de várias cidades, como Rio de Janeiro, Salvador, Olinda, etc.

O mais folclórico dos carnavais brasileiros é o pernambucano, com forte influência africana e indígena. Nas ruas de Recife e Olinda, o povo dança o frevo, de ritmo contagiante, que freve ou ferve. Muitos acreditam que o frevo nasceu da capoeira, a luta africana que no Brasil virou dança.

O maracatu também aparece no carnaval pernambucano com reis, príncipes e embaixadores vestidos com fantasias de luxo. Foi na origem um cortejo religioso: nas portas das igrejas eram coroados reis e rainhas de escravos. Muitas vezes eram soberanos de verdade, pois houve reis africanos que foram aprisionados em sua terra e vieram para o Brasil na condição de escravo.
Ainda no carnaval de Pernambuco aparecem os caboclinhos, grupos fantasiados de índios, que lembram a velha dança dos curumins. Nas ruas e em rápidos movimentos, os caboclinhos levantam-se ou abaixam-se, avançam ou recuam, como se estivessem no ataque ou na defesa.

Das tradições de origem portuguesa, os festejos juninos ou de junho são os mais propagados pelo Brasil, principalmente no Nordeste.

Embora sejam em louvor de São João, Santo Antônio e São Pedro, os festejos juninos são muito remotos, anteriores mesmo à formação do cristianismo. É que no Hemisfério Norte o 24 de junho (dia de São João) é também a entrada do verão. Por ser o início da época das colheitas, os lavradores comemoravam a data com fogueiras, e para afastar os maus espíritos, causadores de pragas e doenças nas plantas e nos animais, davam tiros, costume que se converteu nos fogos de São João.

Aos festejos juninos veio juntar-se, curiosamente, uma tradição de origem diversa, vinda da França: é a quadrilha, que já foi dança aristocrática, mesmo no Brasil, dançada pelos nobres no tempo do Império.

HERMIDA, Borges. O interessante estudo do folclore. In: História do Brasil. SP: Companhia Editora Nacional, 1986. 8ª ed. Pp. 112.

No folclore brasileiro, aparecem a sanfona e a rabeca. Deve-se considerar que, de um modo geral, o músico folclórico toca "de ouvido", sendo a arte transmitida de pai para filho, o que valoriza ainda mais a vocação artística desses músicos.

Rabeca

A rabeca é uma forma rudimentar do violino, e seu uso é mais acentuado nas localidades do litoral brasileiro, onde praticamente é indispensável em diversas festas populares, como nas Folias de Reis, onde os tocadores fazem o acompanhamento musical aos cantadores, que visitam as casas solicitando prendas e esmolas. Enquanto que o violinista costuma apoiar o instrumento entre o queixo e o ombro, o rabequista, obedecendo a um costume característico da Idade Média, toca a rabeca firmando-a no peito. Embora o som da rabeca emita uma certa tristeza, possibilita a marcação movimentada exigida por certos tipos de dança.

Berimbau

Este instrumento caracteriza bastante as festas folclóricas nordestinas. Possui também a denominação de berimbau de barriga para diferenciá-lo do berimbau de beiço, ou marimbau, que era de ferro e fixado entre os dentes pelo tocador. O uso deste tipo de berimbau já não é registrado no Brasil. Ambos foram aqui introduzidos pelos escravos. O berimbau de barriga, ou simplesmente berimbau, como hoje é conhecido, constitui-se de um pedaço de madeira, vergado por um arame, formando, assim, um arco. Na parte inferior e anterior do arco encontra-se presa uma caixa de ressonância. Entre a madeira e o arame, coloca-se uma moeda ou uma rodela de ferro para esticar melhor o arame, que é percurtido por uma vareta. O tocador usa, ainda, um recipiente que lembra um minúsculo cesto, que contém pequenas conchas ou sementes e ajuda a marcar o ritmo. Para a marcação dos passos da capoeira, o berimbau é imprescindível.

Instrumentos Musicais. In: Nova Enciclopédia Brasileira de Consultas e Pesquisas. SP: Novo Brasil, 1986. Pp. 20, 21.

Constituem uma forma de divertimento popular, onde se torna possível a demonstração de força ou agilidade. Constituem formas rudes e primitivas de recreação. Em geral, não subsistem nos meios civilizados, ficando circunscritos aos ambientes de origem. A capoeira é uma exceção. Usada pelos escravos negros como meio de defesa contra os seus perseguidores, passou a ser usada pelos guarda-costas de políticos, que incluíam o emprego de navalhas, e finalmente se tranformou num esporte de agilidade, bastante praticado hoje em dia.

Bate-Coxa

É um jogo de força e resistência. Dois lutadores desnudos da cintura para cima, apóiam as mãos um nos ombros do outro antagonista e unem peito com peito. Em torno dos dois, colocam-se os assistentes, que cantam a música de acompanhamento onde se repete a frase: "Eh! Boi..." Cada vez que essa frase é entoada, um dos contendores acerta com a coxa a coxa do outro o mais forte que pode, trocando de coxa a cada entoação da frase. A luta termina quando um dos contendores vai ao chão ou não sente mais forças para prosseguir. Esse jogo se registra em Alagoas e é bem provável ser de origem africana.

Capoeira

A capoeira, que já sabemos ter sido utilizada como arma de defesa dos negros e por guarda-costas de políticos, é um verdadeiro balé popular. Jogo que exige muita agilidade, é formado por um círculo de participantes, dos quais dois a dois vão para o centro a fim de mostrar a sua capacidade. O ritmo é marcado principalmente pelo som do berimbau, um dos instrumentos mais representativos do nosso folclore. A capoeira tornou-se também um jogo de salão e está bem difundida por todo o Brasil.

Jogos Atléticos. In: Nova Enciclopédia Brasileira de Consultas e Pesquisas. SP: Novo Brasil, 1986. Pp. 31,32.

sábado, 2 de outubro de 2010

Mais Amigos e colabordores que compareceram a festa de dois anos do blog e aniversário de Cobra Cordelista

Jason acessor do deputado Marco Barreto e sua esposa Bete, que estavam fazendo aniversário de casamento. Nete minha mulher e a Paulinha, Dejanildo da festa e eventos, a turma da casa do Maná, o Dr. Claudio Leite, médico da rede municipal, sertanejo da gema, Paulinha do Bar sem nome e seu oficial da PM, Dona Leleu do Bar sem nome, acompanhada de dois escritores o Robson Santos e a Aríete, minha linda amiga Manú, a turma da ave de raiz e o Hiltinho, assessor e filho do Vereador Hilton.

Meu amigo "emprego" de pé (o cara é tão esperto que foi pro Ceará com dois reais e voltou com cinco). Marcos do bar o língua ferina que inspirou minha musica, Messias do violão da Banda Tucanos do forró. Estefano, Totoi, homem aranha, Susi e a esposa do homem aranha.

Obrigado a todos vocês, mas ainda tem outras matérias aguardem, pois todos são por mim muito queridos serão sempre lembrados!

Bom fim de semana!












VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO


AUTOR: COBRA CORDELISTA



SENHORES SOU UM MATUTO
BOCOIO DO PÉ RACHADO
A MINHA LEITURA É POUCA
MAS VIVO MUITO LIGADO
PORÉM O QUE VEJO NO TRÂNSITO
ME DEIXA BEM REVOLTADO

CERTA FEITA VIAJEI
LÁ PRAS BANDAS DO SERTÃO
EM SÃO JOSE DO EGITO
DIRIGINDO EM CONTRA MÃO
LÁ VINHA UM FÓ 29
QUASE BATE EM MEU FUSCÃO

O PESTE ATRAVESSOU-SE
TODINHO NA MINHA FRENTE
E U DE CÁ PISEI NO FREIO
MEU FUSCA OBEDIENTE
TRAVOU OS QUATRO PNEUS
E PAROU RAPIDAMENTE

DO CAMINHÃO DESCEU
UM SUJEITO EMBRIAGADO
UM CHEIRO DE AGUARDENTE
TOMBAVA PRA TODO LADO
DISPARANDO DESAFORO
COM ÓS OI MAL ENCARADO

POR SORTE CHEGOU O GUARDA
CONTEI TUDO PRO SORDADO
O CABRA FEZ A PERIÇA
E MULTOU O CONDENADO
E EU SEGUI A VIAGEM
COM MEU FUSCÃO ENCARNADO

OUTRO DIA NO AGRESTE
FOI GRANDE A CONFUSÃO
UMA TOYOTA IMPORTADA
FABRICADA NO JAPÃO
PILOTADA POR MENOR
CASTIGANDO A DIREÇÃO

A BICHA SAIU DA ESTRADA
E DERRUBOU UM VIVEIRO
FOI PATO, PERU,GUINÉ
INTE CAPÃO NO TERREIRO
O MENINO FICOU BEM
MAS REPARE O DESMANTELO

CUMADE RITA LEÃO
FALAVA BATENDO O PÉ
NUM FICO NO PREJUÍZO
E PODE CHAMAR O ZÉ
QUE ERA O PAI DO GAROTO
E NÃO ERA UM ZÉ QUALQUER

O CABRA CHEGOU NO LOCAL
TODO PROSA DEBOCHADO
AI FOI QUANDO INTERVIU
DR INIREU DELEGADO
VOCÊ DEU CARRO A MENOR
TEJE PRESO SEU SAFADO!

O CABRA PAGOU FIANÇA
DE QUASE DOIS MIL REAIS
DEU DEZ MIL PRA DONA RITA
QUE SORRIU INTÉ DEMAIS
MAS TUDO FOI RESOLVIDO
E FICOU NA SANTA PAZ


JÁ NAS CIDADE GRANDE
TUDO É MUITO DIFERENTE
TÃO RESOLVENDO NA TAPA
O ERRO NO ACIDENTE
TÁ ERRADO O PROCEDER
ASSIM NÃO DÁ MINHA GENTE

NUMA BATIDA DE TRANSITO
COMEÇOU A DISCUSSÃO
PRA RESOLVER A PENDENGA
FOI TAPA E TANTO EMPURRÃO
QUE ACABOU TUDO PRESO
VIAJANDO EM CAMBURÃO

SE O POVO TEM ESTUDO
MEN RESPONDA CIDADÃO
POR QUE TANTA VIOLÊNCIA
E FALTA DE EDUCAÇÃO
RESPEITEM AS REGRAS DE TRANSITO
E A SINALIZAÇÃO !


O SUJEITO DÁ O DEDO
FAZENDO GESTO OBSCENO
O OUTRO DE LÁ DÁ O TROCO
AS CRIANÇAS TUDO VENDO
O PAI DANDO MAU EXEMPLO
E AS CRIANÇAS APRENDENDO

AS MULÉ ANTIGAMENTE
ERAM BEM MAIS CAMARADA
AGORA DIZ DESAFORO
SOBE INTÉ PELA CALÇADA
AVANÇA SINAL VERMELHO
E DIRIGE EM DISPARADA

É CARRO EM CIMA DA FAIXA
INVADINDO A CONTRA MÃO
DIRIGINDO SEM CARTEIRA
ATRASO EM DOCUMENTAÇÃO
OLHE É TANTA VIOLÊNCIA
QUE ENTRISTECE O CIDADÃO

MOTOQUEIRO? NEM ME FALE!
QUE EU PEGO UM AR DESGRAÇADO
LEVANTA O PNEU DA FRENTE
DIRIGINDO JÁ CHAPADO
NA PISTA FAZ ZIGUE ZAGUE
PUNHO NO CANTO ACELERADO
MAS É NO HOSPITAL
QUE SE ENCERRA A BRINCADEIRA
QUANTAS VIDAS ENCERRADAS
POR INSISTIR EM BESTEIRA
QUANTAS FRATURAS EXPOSTAS
QUE SERÃO PRA VIDA INTEIRA

QUANDO O CÓDIGO DE TRANSITO
O CONGRESSO APROVOU
LOGO MAIS VEIO A LEI SECA
EU DISSE O BICHO PEGOU
MAS DEPOIS FOI ESFRIANDO
E O POVO ENTÃO RELAXOU

AGORA EU POSSO DIZER
É ASSIM QUE O DIABO GOSTA
OS CARRO ACELERANDO
CADA QUAL FAZ SUA APOSTA
É ASSIM NUM TAL DE “PEGA”
QUE A IMPRUDÊNCIA SE MOSTRA

COMO FICA O CIDADÃO ?
NESTA TRISTE EMPREITADA
OS NOSSOS JOVENS MORRENDO
VITIMADOS NA ESTRADA
E O PRANTO QUE CHORAM SEUS PAIS
DE DIA OU DE MADRUGADA ?
SEUS PRANTOS SENTIMENTAIS
ROGANDO A DEUS POR CLEMÊNCIA
NUMA CONSCIÊNCIA NOVA
CONSTRUÍDA NA DECÊNCIA
QUE CONSTRUA A PAZ NO TRANSITO
REJEITANDO A VIOLÊNCIA

ASSIM ENCERRO ESTA PROSA
ESPERO TER DADO O RECADO
POR QUE O ERRO NO TRÂNSITO
PRECISA SER CONSERTADO
POR QUEM DIRIGE UM FUSCA
OU UM TOYOTA IMPORTADO

AGENTE SEGUE NO TRÂNSITO
CADA QUAL NA SUA MÃO
POREM SE ALGUÉM ERRAR
NADA DE CONFUSÃO
QUEM DECIDE É O JUIZ
SE CABE INDENIZAÇÃO

E PODE SER NA CIDADE
NO AGRESTE , NO SERTÃO
INTÉ NA ZONA DA MATA
OU OUTRA QUALQUER REGIÃO
RESPEITANDO A LEI TRANSITO
AGRADECE O CIDADÃO

QUE BOM SE TUDO MUDASSE
SE TORNASSE DIFERENTE
TIVÉSSEMOS PAZ NO TRÂNSITO
PRESERVANDO NOSSA GENTE
DANDO PARA O MUNDO
E SEGUNDO A VIDA EM FRENTE

EU SOU COBRA CORDELISTA
SEU POETA DO SERTÃO
EU FALEI DE LEI DE TRÂNSITO
E DE SINALIZAÇÃO
DE COMBATE A VIOLÊNCIA
E RESPEITO AO CIDADÃO!

As prezepadas do Garapa

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

47 anos de Cobra Cordelista e 02 anos do nosso blog

Que legal! Era dia do meu aniversário e comemoração do segundo ano do nosso blog. Hoje chegamos aos 1.200 (mil e duzentos ) acessos por semana, 5.000 (cinco mil) por mês , o que nos conduzirá a 60.000(sessenta mil) acessos no ano que vem, e sou daqueles que se alegram com as pequenas vitórias, pois de batalha em batalha agente vence uma guerra.

Também comemorei 47 anos de idade e convidei os meus amigos para este momento. Ainda falta um pouco de estrutura, mas agente chega lá.

Este sucesso é de quem estava lá e de quem acessa o nosso blog todos os dias. As pessoas foram chegando, o meu amigo vice-prefeito Edir Pinto Peres, de Jaboatão dos Guararapes, os poetas Gerson Cordelista e Luiz Esperantivo do Cabo de Santo Agostinho, Ronaldo Aboiador, a presidente do clube de mães da Lagoa do Olho D’água minha amiga Dôra, Zé Araguaia, o escritor Robson, o corretor de seguros de saúde Zeca Maxs, minha amiga Paula e dona Leleu sua mãe, do bar sem nome de quarenta anos de tradição em comida regional em nossa cidade. Olha foi tanta gente legal que apóia e incentiva o nosso trabalho que eu fiquei emocionado com tanta adesão. Vieram meus amigos de Comporta, do Engenho São Bartolomeu, do Engenho Carpina, de Barra de Jangada. Eram gente simples, intelectuais, trabalhadores da educação,como Adjanete, secretárias como a Paulinha da secretaria de Cultura, que fiz questão de homenagear, pois 30 de setembro também é dia da secretária, empresários com Dejanildo da empresa Festas e Eventos, médicos como o Dr. Claudio Leite, e até um delegado, meu amigo Eliezer. A partir de agora postarei algumas fotografias deste evento que só acontecerá novamente no ano que vem. Se Deus assim permitir, e descrevendo outras personas que lá estiveram!

Fiquem com Deus! Obrigado por acessar nossa revista eletrônica cultural da internet e um bom dia, cheio de boas realizações!

Cobra Cordelista.















A importância dos Museus para a Cultura

O objetivo deste texto é repensar os ambientes educacionais não formais, tais como as bibliotecas, os arquivos e os museus. Tentei entender como os ambientes não-escolares podem servir ao contato com o conhecimento histórico, tentar desenvolver suas possibilidades e tentar desenvolver a idéia de que projetos educacionais nestes ambientes podem ser tão importantes quanto aulas expositivas, por exemplo, na formação do aluno, referindo-se especificamente à relação escola–museu.


Tendo em mente que o museu, especificamente, pode ser um meio não apenas de transmissão, mas também de produção de conhecimento devemos pensar no público dos museus de uma forma geral. Ou seja, o projeto educativo realizado em museus deve visar um público amplo, o que implica em uma multiplicidade de linguagens por parte do museu para com os públicos de seu acervo, seja este itinerante ou permanente.

A primeira idéia que nos vem à mente, tradicionalmente, quando pensamos museus refere-se aquele ambiente que visa preservação de algo. No entanto, não costumamos pensá-lo como um espaço que pode servir à educação, em seu sentido mais amplo. Por isso quando me refiro à educação não falo apenas de escolas utilizando aquele espaço para exemplificarem o que foi explicado em sala de aula, e sim um espaço que possamos desenvolver a potencialidade de produção de conhecimento por parte de qualquer público. Então, devemos pensar o museu não mais como um ambiente em que se guardam coisas antigas, mas como um ambiente em que as experiências do público, por exemplo, têm papel fundamental para a dinâmica do próprio museu.
A idéia de participar ativamente da produção de conhecimento por meio da interação com o público leva o monitor ou supervisor das visitas não apenas a saber o que cada obra ou peça exposta representa em si, mas como ela pode estar inserida na vida do público e/ou na sua percepção acerca da sociedade.

Desenvolver um projeto pedagógico, que vise facilitar a interação do público com o museu é fundamental, uma vez que a importância do projeto educativo não recai sobre o objeto de observação, mas sobre a maneira como o público o vê. Trabalhar esta visão de modo que se produza e transmita conhecimento histórico é o principal objetivo da ação educativa na minha opinião.

Assim, já vimos que o projeto educativo visa um público diverso, o que nos faz pensar que devam existir estratégias educacionais para cada tipo de público que o museu receberá. Assim, privilegiando a pluralidade de experiências, o museu terá a possibilidade de aproximar-se mais do público, auxiliando-o na produção de conhecimento e na troca do mesmo com outras pessoas, seja imediatamente naquele espaço ou em qualquer outra oportunidade.

A idéia de que o público não adquira um conhecimento “momentâneo” deve estar sempre em mente, pois as experiências devem servir não apenas a avaliações – no caso do aluno – ou à curiosidade – no caso de um público da comunidade. Deve servir para que seja mais uma experiência na sua vida, além de servir com estímulo à busca do desenvolvimento dessa prática no cotidiano daquela pessoa.

Não quero aqui dizer que após a entrada em um museu o público deverá ou mesmo irá mudar sua maneira de ver aquele ambiente. Não, o que proponho é uma forma de fazer com que o público pense como suas próprias experiências se inserem em um contexto maior. É a partir daí que a reflexão acerca do que representa o museu para a sociedade emergirá.

No projeto educativo deve desenvolver a capacidade do público de fazer uma “leitura” do objeto exposto, ver a importância daquele objeto na sociedade, auxiliar na compreensão de sua realidade, se possível a partir de suas experiências. Digo “se possível”, pois imagino que nem sempre será possível buscar correlação entre o que está exposto e as experiências pessoais, se levarmos em conta a diversidade do público.

O que buscaremos privilegiar, então, será a capacidade do público compreender uma realidade diferente da sua. Desta forma, o conceito de alteridade deve ser pensado, pois estaremos trabalhando com a maneira como alguém vê o outro ou, em uma escala maior, a maneira como uma cultura encontra-se com outra, mais antiga. Neste encontro o museu faz o papel de mediador e os agentes dessa mediação são os responsáveis pelas monitorias, além dos professores quando estivermos tratando de estudantes.

Por isso, no caso das escolas, é fundamental não apenas um preparo por parte dos monitores, mas também por parte dos próprios professores. Eles devem ter em mente quais foram os motivos que os levaram ao museu, quais os objetivos da visitas, como ela se relaciona com o que está sendo ensinado e como os aluno percebem aquele lugar. Uma visita que não tenha um preparo prévio pode ficar esvaziada, ou seja, ser uma simples visitação em que a melhor parte para os alunos é o trajeto entre e a escola e o museu. Os professores devem estar em contato com o museu para desenvolver um trabalho conjunto que vise aquilo que já citamos várias vezes, a produção de conhecimento.

Neste sentido seria de grande importância que o museu preparasse algum tipo de material que auxiliasse no ensino. Este ponto pode ser estendido a todos os públicos, porém de forma particularizada. Particularizar não significa que devemos preparar um material para cada tipo de público. Acredito que isto vá contra a idéia de que as múltiplas experiências do público possam se encontrar no museu de modo que auxiliem a produção de conhecimento. A idéia não é separar, dividir, compartimentar o conhecimento e sim torná-lo tão plural quanto as experiências levadas pelas pessoas. Os textos que virão a ser produzidos devem englobar a história das obras que estão expostas e do contexto em que elas foram produzidas utilizando linguagens múltiplas que tentem se aproximar do público.

Mas uma questão surge: como “avaliar” este processo? De um modo geral acredito que a partir do momento que o objetivo da visita não é fazer com que o público saiba qual a história de cada peça e sim que ele passe a refletir como suas experiências estão inseridas em um contexto maior, ainda que não estejam ligadas a ele diretamente, novos métodos de “avaliação” deste processo devem ser formulados.

O sistema de ensino hoje utilizado nas escolas, especificamente, exige que se tenha resultados, pois o aluno ao final do período letivo necessita de uma nota que será dada a partir de seu rendimento escolar. Não discutiremos prós e contras deste modelo para não fugirmos da questão principal que é o projeto educacional no museu. Tal modelo; acredito, não serve aos propósitos principais do museu, pode apenas levar o aluno a fazer algo para que ele “passe de ano”. Neste ponto é fundamental o papel do professor, ou seja, como ele irá conciliar os objetivos do projeto educacional do museu com o atual modelo de ensino. Esta “conciliação” deve surgir em conjunto com os coordenadores do projeto educativo do museu, para que eles possam traçar estratégias de ensino que aliem os dois.

Agora, como “avaliar” o público que vem da comunidade? O fato de eles não terem obrigatoriedade nenhuma de serem avaliados e nem precisarem “tirar nota” facilita, por um lado, e dificulta, por outro, o trabalho a ser desenvolvido. Facilita, pois se o público está lá é por vontade própria, ou seja, um interesse que partiu dele o levou ao museu. Neste sentido torna-se mais fácil “atrair sua atenção” e desenvolver a metodologia do projeto educativo. Por outro lado fica mais difícil, pois podemos não saber como ele percebeu aquele espaço.

O desenvolvimento de um projeto educativo em museus passa por diversas barreiras, sejam impostas por um modelo de ensino não compatível com os objetivos do museu, seja pela diversidade de público ou mesmo pela resistência de algumas pessoas perceberem a importância que um museu pode ter para a educação, para a preservação da memória e da História de toda sociedade.