sábado, 13 de novembro de 2010

Batalha dos Guararapes

Foto: Marcelo Ferreira

Uma aula de história de Pernambuco


Espetáculo conta de forma didática episódios da formação do nosso povo

Tem início hoje a sexta edição do espetáculo “Batalha dos Guararapes: assim nasceu a nossa pátria”. A encenação narra diversos episódios da história pernambucana e culmina com uma reconstituição da luta histórica que deu origem ao exército brasileiro.

O espetáculo é encenado ao ar livre pela companhia de teatro Metron Produções, sob a direção de José Pimentel. O elenco de 65 atores e 250 figurantes se reveza em três palcos e o cenário natural do Monte dos Guararapes durante as duas horas de apresentação. O espetáculo é patrocinado pela Prefeitura de Jaboatão, com apoio do Governo do Estado.

O prefeito Elias Gomes prestigiou o ensaio geral realizado ontem, 11 de novembro. Juntamente com convidados e autoridades, alunos de escolas municipais, estaduais e particulares também fizeram parte da platéia. Para Paulo André, de 14 anos, “é o melhor espetáculo que eu já vi na história”, disse o menino, em entrevista a uma rede de televisão.

Segundo o secretário de Cultura e Eventos, Ivan Lima Filho, a idéia do espetáculo foi trazida com o objetivo de valorizar o patrimônio do Parque Histórico Nacional dos Guararapes. “Através da retomada deste espetáculo, colocamos o nosso patrimônio em evidência no cenário nacional com forte participação do trade turístico pernambucano”, destaca Lima, lembrando que há três anos não era realizada a encenação.

O evento conta com mobilização da Prefeitura de Jaboatão, especialmente nas áreas de segurança, trânsito, saúde, limpeza e iluminação. “Toda a infraestrutura está sendo detalhadamente cuidada por diversos segmentos do Governo Municipal. Investimos um total de R$ 250 mil no evento.”, comenta o secretário.

“Desejamos que a iniciativa se torne uma aula espetáculo para o povo. Queremos proporcionar conhecimento a população, enfatizando que aqui foi estabelecido pela primeira vez o sentimento de pátria na nação brasileira “, ressalta Ivan Lima. A peça será aberta ao público. A estimativa é de que 10 mil pessoas passem por dia no Monte dos Guararapes.

Serviço:

“Batalha dos Guararapes: assim nasceu a nossa pátria”, de 12 a 15 de novembro, sempre às 20h, no Parque Histórico dos Guararapes.



Por: Eduardo Amorim

fonte:http://www.jaboatao.pe.gov.br/index.php?opcao=21&id=2962

Revolta Pernambucana de 1817


Rebelião inspirada nos ideais da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos, ocorrida no Recife às vésperas da Independência do Brasil. O comércio era dominado pelos portugueses e ingleses; as exportações de açúcar enfrentavam dificuldades e a economia da província estava de mal a pior.

Insatisfeitos com o domínio português, proprietários de terra, padres, comerciantes, bacharéis, militares descontentes passaram a se reunir no Recife e iniciaram a conspiração.

O golpe foi planejado para abril de 1817, mas o complô foi descoberto pelo governo e iniciou-se a caça e prisão dos líderes do movimento. No dia 06 de março, o comandante do Regimento de Artilharia do Recife (Manuel Joaquim Barbosa) deu voz de prisão ao capitão José de Barros Lima (o Leão Coroado), este reagiu, sacou da espada e matou o comandante.

Explodia, assim, a revolta que estava marcada para dali a um mês. Em seguida, os revoltosos derrotaram as forças portuguesas e o governador da capitania (Caetano Pinto de Miranda Montenegro) fugiu.

Foi, então, instalado um governo provisório, formado por cinco representantes de categorias da sociedade: Domingos Teotônio Jorge (representando os militares), Padre João Ribeiro (Igreja), Domingos José Martins (comerciantes), José Luís Mendonça (Judiciário) e Manuel Correia de Araújo (representando os proprietários de terras). Foi instalada uma República, criada sua bandeira, etc.

Os revoltosos pretendiam estender o movimento e enviaram representantes para a Bahia, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Mas a pretendida expansão não aconteceu: os enviados a Bahia (General Abreu e Lima e o Padre Roma) e ao Ceará (o seminarista José Martiniano de Alencar) foram presos logo ao desembarcar.

E só aderiram ao movimento, ainda assim timidamente, as capitanias da Paraíba e Alagoas. A República duraria apenas 75 dias, não resistiu à reação da Coroa: tropas enviadas do Rio de Janeiro ocuparam o Recife no dia 18 de maio e sufocaram o movimento. Os líderes foram presos e executados.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cobra Cordelista na Associação dos escritores de Carpina

Apresentado e convidado pelo escritor Ivaldo Silva de reconhecimento nacional e internacional que pesquisa com profundidade a história da cultura nordestina, natural de Carpina de onde saiu aos seis anos e hoje reside em Jaboatão dos Guararapes, onde leciona e administra escolas da rede municipal, estadual e privada.


Compareci a Associação dos Escritores de Carpina que é regida pela batuta do presidente Ramos Silva, jornalista, marqueteiro de primeiro e assessor político de larga experiência, que já ocupou cargos públicos importantes e exerce com destaque papel importante na fomentação das atividades culturais daquela região. Lá conheci meu xará Edivaldo que faz lançamento de seu livro dia 19 as 19:00hs no auditório da Prefeitura de Carpina, que é administrada por um político importante da região do quadro do PSDB, o Senhor Manoel Botafogo. Fiz um recital a convite do presidente e aumentei minha lista de amigos da cultura.





Que Deus abençoe a todos e conforme convite e estarei de volta na festa de confraternização em dezembro desse decorrente ano.

Quer ver esta matéria e outras matérias que serão postadas sobre Carpina ou acompanhar a trajetória do poeta cobra Cordelista continue Acessando nosso blog http://cobracordelista.blogspot.com/








Gilvan da Burrinha é mestre da cultura do artesanato de Carpina


Há 40 anos dedica-se a cultura popular, mais especificamente ao artesanato. Suas peças são vendidas para o mundo inteiro e são maravilhosas, Estados Unidos, França, Itália, Inglaterra, entre outros já conhecem a sua arte.


O Brasil inteiro visita Carpina e expõe com orgulho a arte deste grande mestre da cultura popular. Já foi indicado várias vezes como cultura de Pernambuco, pois sua arte é comparável aos grandes mestres Pernambucanos em outras áreas já contemplados com tal honraria, mas a sua vez está chegando, tomara que reconheçam o valor de Gilvan ainda em vida e lhe deem o merecimento justo.


Nesta viagem pela cultura em mais um importante município Pernambucano fui acompanhado do Escritor Ivaldo Batista, natural de Carpina de grande reconhecimento inclusive internacional e meu amigo violonista Vitor Aragão.










quinta-feira, 11 de novembro de 2010

JOÃO MARTINS DE ATHAYDE


Nasceu no povoado de Cachoeira de Cebolas (hoje denominada Itaituba), município de Ingá do Bacamarte-PB, em 23 de junho de 1880*, filho de Belchior Martins de Lima e de dona Antônia Lima de Athayde. e faleceu no Recife-PE, no dia 7 de agosto de 1959.
Foi o maior editor de literatura de cordel de todos os tempos, tendo iniciado suas atividades de poeta-editor em 1909, influenciado pelo mestre Leandro Gomes de Barros. Em 1921 comprou os direitos autorais do velho poeta, falecido em 1918 e tornou-se, durante mais de 20 anos, detentor exclusivo dos maiores clássicos da Literatura de Cordel, tendo vendido seu acervo - a obra de Leandro, a sua e a e diversos poetas - ao alagoano José Bernardo da Silva, em 1949, estabelecido em Juazeiro do Norte com uma tipografia desde 1936. Por essa época, Zé Bernardo já era o maior "agente" da folheteria de Athayde.
* Segundo o escritor pernambucano Mário Souto Maior, a data correta do nascimento de Athayde é 23 de junho de 1877. João Martins de Athayde, em entrevista concedida ao escritor Orígenes Lessa, no dia 9 de outubro de 1954, em Recife, faz confusão quanto a data de seu nascimento. Nessa entrevista, consta que o nome de sua mãe era Antônia Lacerda Athayde. O sobrenome Lima seria proveniente do marido.
Apesar dos problemas envolvendo questão de autoria, já que Athayde identificava-se ora como editor, ora como autor da mesma obra (tendo inclusive usurpado a autoria de várias obras de Leandro, colocando seu nome na capa e adulterando os acrósticos), atribui-se ao poeta de Ingá do Bacamarte cerca de 60 títulos, dos quais destacamos os seguintes:

- A BELA ADORMECIDA NO BOSQUE
- A GARÇA ENCANTADA
- A MENINA PERDIDA
- A MOÇA QUE FOI ENTERRADA VIVA
- A PAIXÃO DE MADALENA
- A PÉROLA SAGRADA
- A SORTE DE UMA MERETRIZ
- HISTÓRIA DA MOÇA QUE FOI ENTERRADA VIVA
- HISTÓRIA DA PRINCESA ELIZA
- HISTORIA DE JOÃOZINHO E MARIQUINHA
- HISTÓRIA DE JOSÉ DO EGITO
- HISTÓRIA DE NATANAEL E CECÍLIA
- HISTÓRIA DE ROBERTO DO DIABO
- HISTÓRIA DO VALENTE VILELA
- MABEL OU LÁGRIMAS DE MÃE - DOIS VOLUMES
- O BALÃO DO DESTINO E A MENINA DA ILHA (2 VOLUMES)
- O ESTUDANTE QUE SE VENDEU AO DIABO
- O MARCO DO MEIO MUNDO
- O NAMORO DE UM CEGO COM UMA MELINDROSA DA ATUALIDADE
- O PRISIONEIRO DO CASTELO DA ROCHA NEGRA
- O RETIRANTE
- O SEGREDO DA PRINCESA
- PELEJA DE ANTÔNIO MACHADO COM MANOEL GAVIÃO
- PELEJA DE BERNARDO NOGUEIRA COM PRETO LIMÃO
- PELEJA DE LAURINDO GATO COM MARCOLINO COBRA VERDE
- PELEJA DE VENTANIA COM PEDRA AZUL
- RAQUEL E A FERA ENCANTADA
- ROMANCE DE JOSÉ DE SOUSA LEÃO DO AMAZONAS
- ROMEU E JULIETA
- UM PASSEIO NO ESCURO


O maior editor da Literatura de Cordel


Nasceu no dia 24 de junho de 1880, em Cachoeira da Cebola, no município de Ingá, Paraíba.

Trabalhou como mascate e atraído pela febre da borracha, foi para o Amazonas onde teve 25 filhos com as caboclas das tabas indígenas.

Retornou ao nordeste e transferiu-se para Recife, onde fez curso de enfermagem.

Em 1921, já com bela fortuna amealhada, comprou o famoso projeto editorial de Leandro Gomes de Barros, tornando-se o maior editor de literatura de cordel de todos os tempos.

Vendo que oitenta por cento dos folhetos vendidos nas feiras era de humor ou de pelejas, e tendo especial vocação para duelos verbais, inclinou sua pena para esse tipo de produção.

Usando personagens reais e fictícias, escreveu mais de uma dezena de pelejas até hoje muito procuradas e lidas, como a de "Serrador e Carneiro".

Fonte: ABL

Quinteto Armorial - Zabumba lanceada - 1980

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

2◦ FESTIVAL JABOATANENSE DE LITERATURA AFRO-BRASILEIRA (PRÊMIO SOLANO TRINDADE)




A Premiação dos vencedores da Grande Finalíssima será a seguinte:

1º colocado – R$ 2. 000,00 (dois mil reais) mais uma placa.
2º colocado – R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais) mais uma placa.
3º colocado – R$ 1.000,00 (hum mil reais) mais uma placa.

A coordenação do concurso recomendará aos julgadores a observação dos seguintes critérios:

a) Cumprimento do tempo de apresentação de 4 minutos
b) Consistência das linguagens verbal e corporal
c) Performance do participante
d) Capacidade de comunicação com o público
As inscrições serão realizadas no período de 08 de novembro a 07 de Dezembro de 2010 na Secretaria de Cultura e Eventos, sito na Rua Comendador José Didier, nº 345, Piedade – Jaboatão dos Guararapes/PE. CEP 54.400-160, Fones: 3462.4440 ou pelo e-mail: premiosolano2010@hotmail.com
O local para a realização do 2º FESTIVAL JABOATANENSE DE LITERATURA AFRO-BRASILEIRA (PRÊMIO SOLANO TRINDADE 2010) será no Palco da Festa de Iemanjá, em Barra de Jangada, com início marcado para as 19:00h, nos dias 08, 09, 10 e 12 de Dezembro de 2010, sendo a primeira e segunda e terceira classificatória nos dias 08, 09 e 10 de dezembro e no dia 12 de dezembro de 2010, às 19:00 horas, Grande Finalíssima no Palco da Festa de Iemanjá, em Barra de Jangada, tudo em Jaboatão dos Guararapes.

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Realização Prefeitura municipal de Jaboatão dos Guararapes, Secretaria de Cultura e Eventos e Conselho Municipal de Cultura de Jaboatão dos Guararapes.

Cordel literature



A literatura de cordel é um tipo de poesia popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome que vem lá de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, herdamos o nome (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou. Ou seja, o folheto brasileiro poderia ou não estar exposto em barbantes. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

História

A história da literatura de cordel começa com o romanceiro luso-espanhol da Idade Média e do Renascimento. O nome cordel está ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde eram pendurados em cordões, lá chamados de cordéis. Inicialmente, eles também continham peças de teatro, como as de autoria de Gil Vicente (1465-1536).Foram os portugueses que trouxeram o cordel para o Brasil desde o início da colonização. Na segunda metade do século XIX começaram as impressões de folhetos brasileiros, com características próprias daqui. Os temas incluem desde fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas , temas religiosos, entre muitos outros. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) são alguns dos assuntos de cordéis que tiveram maior tiragem no passado. Não há limite para a criação de temas dos folhetos. Praticamente todo e qualquer assunto pode virar cordel nas mãos de um poeta competente.

No Brasil, a literatura de cordel é produção típica do Nordeste, sobretudo nos estados de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará. Costumava ser vendida em mercados e feiras pelos próprios autores. Hoje também se faz presente em outros Estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O cordel hoje é vendido em feiras culturais, casas de cultura, livrarias e nas apresentações dos cordelistas.

Os poetas Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e João Martins de Athayde (1880-1959) estão entre os principais autores do passado.[1]

Todavia, este tipo de literatura apresenta vários aspectos interessantes e dignos de destaque:

* As suas gravuras, chamadas xilogravuras, representam um importante espólio do imaginário popular;
* Pelo fato de funcionar como divulgadora da arte do cotidiano, das tradições populares e dos autores locais (lembre-se a vitalidade deste gênero ainda no nordeste do Brasil), a literatura de cordel é de inestimável importância na manutenção das identidades locais e das tradições literárias regionais, contribuindo para a perpetuação do folclore nacional;
* Pelo fato de poderem ser lidas em sessões públicas e de atingirem um número elevado de exemplares distribuídos, ajudam na disseminação de hábitos de leitura e lutam contra o analfabetismo;
* A tipologia de assuntos que cobrem, crítica social e política e textos de opinião, elevam a literatura de cordel ao estandarte de obras de teor didático e educativo.

Poética

Quadra

Estrofe de quatro versos. A quadra iniciou o cordel, mas hoje não é mais utilizada pelos cordelistas. Porém as estrofes de quatro versos ainda são muito utilizadas em outros estilos de poesia sertaneja, como a matuta, a caipira, a embolada, entre outros.

A quadra é mais usada com sete sílabas. Obrigatoriamente tem que haver rima em dois versos (linhas). Cada poeta tem seu estilo. Um usa rimar a segunda com a quarta. Exemplo:

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá (2)
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá (4).

Outro prefere rimar todas as linhas, alternando ou saltando. Pode ser a primeira com a terceira e a segunda com a quarta, ou a primeira com a quarta e a segunda com a terceira. Vejamos estes exemplos de Zé da Luz: (ABAB ou ABBA)

E nesta constante lida
Na luta de vida e morte
O sertão é a própria vida
Do sertanejo do Norte

Três muié, três irimã,
Três cachorra da mulesta
Eu vi nun dia de festa
No lugar Puxinanã.

Sextilha

Estrofe ou estância de seis versos. Estrofe de seis versos de sete sílabas, com o segundo, o quarto e o sexto rimados; verso de seis pés, colcheia, repente. Estilo muito usado nas cantorias, onde os cantadores fazem alusão a qualquer tema ou evento e usando o ritmo de baião. Exemplo:

Quem inventou esse "S"
Com que se escreve saudade 1
Foi o mesmo que inventou
O "F" da falsidade 2
E o mesmo que fez e "I"
Da minha infelicidade 3

Septilha

Estrofe (rara) de sete versos; setena (de sete em sete). Estilo muito usado por Zé Limeira, o Poeta do Absurdo.

Eu me chamo Zé Limeira
Da Paraiba falada
Cantando nas escrituras
Saudando o pai da coaiada
A lua branca alumia
Jesus, Jose e Maria
Três anjos na farinhada.

Napoleão era um
Bom capitão de navio
Sofria de tosse braba
No tempo que era sadio,
Foi poeta e demagogo
Numa coivara de fogo
Morreu tremendo de frio.

Na septilha ele usa o estilo de rimar a segunda linha com a quarta e a sétima e a quinta com a sexta, deixando livres a primeira e a terceira.

Oitava

Estrofe ou estância (grupo de versos que apresentam, comumente, sentido completo) de oito versos: oito-pés-em-quadrão. Oitavas-a-quadrão.

Como o nome já sugere, a oitava é composta de oito versos, ou oito linhas ou duas quadras, com sete sílabas. A rima na oitava difere das outras. O poeta usa rimar a primeira com a segunda e terceira, a quarta com a quinta e oitava e a sexta com a sétima. Todas as estrofes são encerradas com o verso: Nos oito pés a quadrão. Vejamos versos de uma contaria entre José Gonçalves e Zé Limeira: - (AAABBCCB)

Gonçalves:

Eu canto com Zé Limeira
Rei dos vates do Teixeira
Nesta noite prazenteira
Da lua sob o clarão
Sentindo no coração
A alegria deste canto *
Por isso é que eu canto tanto *
NOS OITO PÉS A QUADRÃO

Limeira:

Eu sou Zé Limeira e tanto
Cantando por todo canto
Frei Damião já é santo
Dizendo a santa missão
Espinhaço e gangão
Batata de fim de rama *
Remédio de velho é cama *
NOS OITO PÉS A QUADRÃO.

Quadrão

Oitava na poesia popular, cantada, na qual os três primeiros versos rimam entre si, o quarto com o oitavo, e o quinto, o sexto e o sétimo também entre si.

Décima

Estrofe de dez versos, com dez ou sete sílabas, cujo esquema rimático é, mais comumente, ABBAACCDDC, empregada sobretudo na glosa dos motes, conquanto se use igualmente nas pelejas e, com menos freqüência, no corpo dos romances.

Geralmente nas pelejas é dado um mote para que os violeiros se desdobrem sobre o mesmo. Vejamos e exemplo com José Alves Sobrinho e Zé Limeira:

* Mote:

VOCÊ HOJE ME PAGA O QUE TEM FEITO
COM OS POETAS MAIS FRACOS DO QUE EU.

* Sobrinho:

Vou lhe avisar agora Zé Limeira B
Vou lhe amarrar agora a mão e o pé >B
E lhe atirar naquela capoeira C
Você hoje se esquece que nasceu >C
E se lembra que eu sou bom e perfeito >D
Você hoje me paga o que tem feito >D
Com os poetas mais fracos do que eu. >C

* Zé Limeira:

Mais de trinta da sua qualistria
Não me faz eu correr nem ter sobrosso
Eu agarro a tacaca no pescoço
E carrego pra minha freguesia
Viva João, viva Zé, viva Maria
Viva a lua que o rato não lambeu
Viva o rato que a lua não roeu
Zé Limeira só canta desse jeito
Você hoje me paga o que tem feito
Com os poetas mais fracos do que eu.

Galope à beira-mar

Estrofe de 10 versos hendecassílabos (que tem 11 sílabas), com o mesmo esquema rímico da décima clássica, e que finda com o verso "cantando galope na beira do mar" ou variações dele. Termina, sempre, com a palavra "mar".

Às vezes, porém, o primeiro, o segundo, o quinto e o sexto versos da estrofe são heptassílabos, e o refrão é "meu galope à beira-mar". É considerado o mais difícil gênero da cantoria nordestina, obrigatoriamente tônicas as segunda, quinta, oitava e décima primeira sílabas.

* Sobrinho:

Provo que eu sou navegador romântico
Deixando o sertão para ir ao mirífico
Mar que tanto adoro e que é o Pacífico
Entrando depois pelas águas do Atlântico
E nesse passeio de rumo oceânico
Eu quero nos mares viver e sonhar
Bonitas sereias desejo pescar
Trazê-las na mão pra Raimundo Rolim
Pra mim e pra ele, pra ele e pra mim
Cantando galope na beira do mar.

* Limeira:

Eu sou Zé Limeira, caboclo do mato
Capando carneiro no cerco do bode
Não gosto de feme que vai no pagode
O gato fareja no rastro do rato
Carcaça de besta, suvaco de pato
Jumento, raposa, cancão e preá
Sertão, Pernambuco, Sergipe e Pará
Pará, Pernambuco, Sergipe e Sertão
Dom Pedro Segundo de sela e gibão
Cantando galope na beira do mar.

Martelo

Estrofe composta de decassílabos, muito usada nos versos heróicos ou mais satíricos, nos desafios. Os martelos mais empregados são o gabinete e o agalopado.

Martelo agalopado - Estrofe de dez versos decassílabos, de toada violenta, improvisada pelos cantadores sertanejos nos seus desafios.

Martelo de seis pés, galope - Estrofe de seis versos decassilábicos. Também se diz apenas agalopado.

Redondilha

* Antigamente, quadra de versos de sete sílabas, na qual rimava o primeiro com o quarto e o segundo com o terceiro, seguindo o esquema abba.
* Hoje, verso de cinco ou de sete sílabas, respectivamente redondilha menor e redondilha maior.

Carretilha

Literatura popular brasileira - Décima de redondilhas menores rimadas na mesma disposição da décima clássica; miudinha, parcela, parcela-de-dez.

Métrica e Rima

* Métrica:

Arte que ensina os elementos necessários à feitura de versos medidos. Sistema de versificação particular a um poeta. Contagem das sílabas de um verso. Verso é a linguagem medida. Para medir devemos ajuntar as palavras em número prefixado de pés. Chama-se pé uma sílaba métrica. O verso português pode ter de duas a doze sílabas. Os mais comuns são os de seis, sete, oito, dez e doze pés. Como o verso mais comum, mais espontâneo é o de sete pés, comecemos nele a contagem métrica. Exemplo:

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.

Eis como se contam as sílabas:
Mi | nha | ter | ra |tem | pal | mei|

Não contamos a sílaba final "ras" porque o verso acaba no último acento tônico. O verso a quem sobra uma sílaba final chama-se grave. Aquele a quem sobram duas sílabas finais chama-se esdrúxulo. O terminado por palavra oxítona chama-se agudo, como o segundo e o quarto do exemplo supra. Eis como se decompõe o segundo verso:
On | de | can | ta o | sa | bi |á|
Nesse verso "ta o" se lêem como t'o formando um pé, pela figura sinalefa (fusão) . Sabiá, modernamente, se deve contar dissílabo, porque biá, em duas silabas, forma hiato. Em geral devemos sempre evitar o hiato, quer intraverbal, quer interverbal. Os autores antigos e os modernos pouco escrupulosos toleram muitos hiatos.

*
o Sinalefa:

Figura pela qual se reúnem duas sílabas em uma só, por elisão, crase ou sinérese.

*
o Sinérese:

Contração de duas sílabas em uma só, mas sem alteração de letras nem de sons, como, p. ex., em reu-nir, pie-da-de, em vez de re-u-nir, pi-e-da-de.

As| aves | que a| qui | gor| jei |
Não | gor | jei| am | co | mo | lá |

No caso o verso é um heptassílabo, porque só contamos sete sílabas. Se colocarmos uma sílaba a mais ou a menos em qualquer dos versos, fica dissonante e perde a beleza e harmonia.
Vale lembrar que quando a palavra seguinte inicia com vogal, dependendo do caso, pode haver a junção da sílaba da primeira com a segunda, como se faz na língua francesa. Exemplo:
Para verificar a quantidade de silabas podemos contar nos dedos. Vejamos neste trechinho de Patativa do Assaré:
Nes | ta | noi | te | pas | sa | gei | ra
1 2 3 4 5 6 7

Há | coi| sa | que | mui | to | pas | ma
1 2 3 4 5 6 7

Um mote:
Vou | fa | zer | se | re | na | ta | na | cal | ça | da
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Da | me | ni | na | que a | mei | na | mi | nha | vi | da
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

* Rima

*
o Rimas consoantes:

As que se conformam inteiramente no som desde a vogal ou ditongo do acento tônico até a última letra ou fonema. Exemplo: fecundo e mundo; amigo e contigo; doce e fosse; pálido e válido; moita e afoita.

*
o Rimas toantes:

Aquelas em que só há identidade de sons nas vogais, a começar das vogais ou ditongos que levam o acento tônico, ou, algumas vezes, só nas vogais ou ditongos da sílaba tônica. Exemplo: fuso e veludo; cálida e lágrima; "Sem propósito de sonho / nem de alvoradas seguintes, / esquece teus olhos tontos / e teu coração tão triste." Cecília Meireles, Obra Poética, p. 516).

No caso da literatura de cordel nordestina, faz parte da tradição do gênero o uso de rimas consoantes. Se um folheto de cordel usa rimas toantes, o conhecedor de cordel pensa logo que o autor daquele folheto desconhece a existência destas regras. Um cordel escrito assim pode até ser um grande poema, mas não se pode dizer que se trata de 'um cordel autêntico'.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Dialeto "Nordestinês"




É bem verdade que o Brasil pela sua diversidade cultural poderia muito bem ser dividido, formando uns 4 ou 5 países independentes e manter sua puculiariedade em cada um deles. Se isso fosse possível, o Nordeste certamente seria a grande nação sertaneja, como na canção Nordeste Independente, com vários dialetos e sotaques próprios da região.

Veja alguns desse dialetos: Click aqui!!!

Alguns ditados populares Parte II



ditados populares e suas devidas correções:

Sem eira nem beira
Significado: Pessoas sem bens, sem posses.
Histórico: Eira é um terreno de terra batida ou cimento onde grãos ficam ao ar livre para secar. Beira é a beirada da eira. Quando uma eira não tem beira, o vento leva os grãos e o proprietário fica sem nada.
Aqui na região nordeste este ditado tem o mesmo significado, mas outra explicação. Dizem que antigamente as casas das pessoas ricas tinham um telhado triplo: a eira, a beira e a tribeira como era chamada a parte mais alta do telhado. As pessoas mais pobres não tinham condições de fazer este telhado triplo, então construíam somente a tribeira ficando assim “sem eira nem beira”.

Vá se queixar ao bispo
Significado: Como quem manda ir se queixar de algum problema a outra pessoa.
Histórico: No tempo do Brasil colônia, por causa da necessidade de povoar as novas terras, a fertilidade na mulher era um predicado fundamental. Em função disso, elas eram autorizadas pela igreja a transar antes do casamento, única maneira de o noivo verificar se elas eram realmente férteis. Ocorre que muitos noivinhos fugiam depois do negócio feito. As mulheres iam queixar-se ao bispo, que mandava homens atrás do fujão.

Cair no conto do vigário
Significado: Ser enganado por algum vigarista.
Histórico: Duas igrejas em Ouro Preto receberam um presente: uma imagem de santa. Para verificar qual da paróquias ficaria com o presente, os vigários resolveram deixar por conta da mão divina, ou melhor, das patas de um burro. Exatamente no meio do caminho entre as duas igrejas, colocaram o tal burro, para onde ele se dirigisse, teríamos a igreja felizarda. Assim foi feito, e o vigário vencedor saiu satisfeito com a imagem de sua santa. Mas ficou-se sabendo mais tarde que o burro havia sido treinado para seguir o caminho da igreja vencedora.

Ficar a ver navios
Significado: Esperando algo que não aconteceu ou não apareceu. Esperar em vão.
Histórico: O rei de Portugal, Dom Sebastião, morreu na batalha de Alcácer-Quibir, mas o corpo não foi encontrado. A partir de então (1578), o povo português esperava sempre o sonhado retorno do monarca salvador. Lembremos que, em 1580, em função da morte de Dom Sebastião, abre-se uma crise sucessória no trono vago de Portugal. A conseqüência dessa crise foi a anexação de Portugal à Espanha (1580 a 1640), governada por Felipe II. Evidentemente, os portugueses sonhavam com o retorno do rei, como forma salvadora de resgatar o orgulho e a dignidade da pátria lusa. Em função disso, o povo passou a visitar com freqüência o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, esperando, ansiosamente, o retorno do dito rei. Como ele não voltou, o povo ficava apenas a ver navios.

Dourar a pílula
Significado: Melhorar a aparência de algo.
Histórico: Vem das farmácias que, antigamente, embrulhavam as pílulas em requintados papéis, para dar melhor aparência ao amargo remédio.

Chegar de mãos abanando
Significado: Chegar em algum lugar sem levar nada, de mãos fazias.
Histórico: Os imigrantes, no século passado, deveriam trazer as ferramentas para o trabalho na terra. Aqueles que chegassem sem elas, ou seja, de mãos abanando, davam um indicativo de que não vinham dispostos ao trabalho árduo da terra virgem.

A voz do povo, a voz de Deus
Significado: Essa tá obvia. Quem realmente sabe das coisas é o povo.
Histórico: As pessoas consultavam o deus Hermes, na cidade grega de Acaia, e faziam uma pergunta ao ouvido do ídolo. Depois o crente cobria a cabeça com um manto e saía à rua. As primeiras palavras que ele ouvisse eram a resposta a sua dúvida.

Chato de galocha
Significado: Pessoas muito chatas, resistente e insistente.
Histórico: Infelizmente, os chatos continuam a existir, ao contrário do acessório que deu origem a essa expressão. A galocha era um tipo de calçado de borracha colocado por cima dos sapatos para reforçá-los e protegê-los da chuva e da lama. Por isso, há uma hipótese de que a expressão tenha vindo da habilidade de reforçar o calçado. Ou seja, o chato de galocha seria um chato resistente e insistente, explica Valter Kehdi, professor de Língua Portuguesa e Filologia da Universidade de São Paulo. De acordo com Kehdi, há ainda a expressão chato de botas, calçados também resistentes, o que reafirma a idéia do chato reforçado.

Do arco-da-velha
Significado: Coisas do arco-da-velha são coisas inacreditáveis, absurdas.
Histórico: Arco-da-velha é como é chamado o arco-íris em Portugal, e existem muitas lendas sobre suas propriedades mágicas. Uma delas é beber a água de um lugar e devolvê-la em outro - tanto que há quem defenda que “arco-da-velha” venha de arco da bere (”de beber”, em italiano).