sábado, 4 de dezembro de 2010

Zé Limeira o Poeta do Absurdo


Zé Limeira (Teixeira, 1886 — 1954) foi o cordelista/repentista mais mitológico do Brasil. Era conhecido como Poeta do Absurdo. Nasceu no sitio Tauá, em Teixeira, cidade da Paraíba que foi o principal reduto de repentistas no século XIX.

Os temas que abordava em suas poesias e repentes eram variados e chegavam, muitas vezes, ao delírio. Pornografia era um tema recorrente, mas Zé Limeira ficou conhecido como "Poeta do Absurdo" por suas distorções históricas, poesias recheadas de surrealismo e nonsense, e pelos neologismos esdrúxulos que criava.

Vestia-se de forma berrante, com enormes óculos escuros e anéis em todos os dedos, e saía pelos caminhos de sua vida, cantando e versando.


Mote: Diz o novo testamento

Minha muié chama Bela
Quando eu vou chegando em casa
O galo canta na brasa,
Cai o texto da panela
Eu fico olhando para ela
Cheio de contentamento
O satanaz num jumento
Pra mordê a Mãe de Deus
Não mordeu ela nem eus
Diz o novo testamento

Eu vi uma gavetinha
Da casa de João Moisés
Mais de cem contos de réis
Só de ovo de galinha
Ela comeu uma tinha
Da carcassa de um jumento
Que bicho má, peçonhento
Lacrau e piôi de cobra
Não pode mais fazer obra,
Diz o novo testamento

Jesus nasceu em Belém,
Conseguiu sair dalí
Passou por Tamataí
Por Guarabira também
Nessa viagem de trem

Foi pará no Entroncamento
Não encontrando aposento
Dormiu na casa do cabo
Jantou cuscus com quiabo
Diz o novo testamento

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Tem rapariga aí? - Texto de Ariano Suassuna



Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!’. A maioria, as moças, levanta a mão.

Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero).

As outras são ‘gaia’, ‘cabaré’, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam).

Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade. Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas.

Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá:

Calcinha no chão (Caviar com Rapadura),
Zé Priquito (Duquinha),
Fiel à putaria (Felipão Forró Moral),
Chefe do puteiro (Aviões do forró),
Mulher roleira (Saia Rodada),
Mulher roleira a resposta (Forró Real),
Chico Rola (Bonde do Forró),
Banho de língua (Solteirões do Forró),
Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal),
Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada),
Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca),
Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró),
Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró).

Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas. Porém o culpado desta ‘desculhambação’ não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo.

O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental.

As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de ‘forró’, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde.

Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina ‘forró estilizado’ continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem ‘rapariga na platéia’, alguma coisa está fora de ordem.

Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é: ‘É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!’, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Um texto de Ariano Suassuna
Caricatura: Baptistão

Quinteto Armorial - Cantiga - 1980

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

2º FESTIVAL SOLANO TRINDADE DE POESIA AFRO-BRASILEIRA

CONVITE

2º FESTIVAL SOLANO TRINDADE DE
POESIA AFRO-BRASILEIRA
MAIOR SARAU BRASILEIRO DE POESIA AFRO
PRESENÇA DE VÁRIOS POETAS DO BRASIL





DIA 08 DE DEZEMBRO DE 2010 A PARTIR DAS 16:00 HORAS
LOCA: PRAIA DE BARRA DE JANGADA/PE. (AO LADO DA IMAGEM DE IEMANJÁ)

A Arvore do Dinheiro

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Essa é imperdível! Os Vates & Violas fazem a gravação de seu primeiro DVD

Eleito os melhores artistas da música pernambucana de 2010, premiados com o Troféu
Acinpe/2010 (Associação dos Cantores e Intérpretes de Pernambuco), os Vates & Violas
fazem a gravação de seu primeiro DVD, na Casa de Zé Nabo (ao lado do Jóquei Clube,
antigo Cavalo Dourado, Prado, no Recife), no domingo, dia 12/dezembro.

Ótimas surpresas serão reveladas apenas aos presentes! Tô falando que é imperdível...

Para não enfrentar filas: antecipados à venda no "Canto Sertanejo" (Mercado da
Madalena), "Cachaçaria Matulão" (Mercado da Boa Vista) e "Caldácio" (Rua da Saudade
com Princesa Isabel, próx. à Faculdade de Direito do Recife). R$15,00.

Te esperamos por lá!

Geandré Gomides
Produção
(81) 9161.5979

Sentimento Poético



O poeta veio ao mundo
Para sentir, para crer.
Construir com as palavras
Edifícios de prazer.
Sentir o que o outro não sente
Mentir o que outro não mente
Vê o que o outro não vê.

O gato tem sete fôlego
O poeta tem setenta
Se faltar respiração
O poeta cria, inventa
Não morre asfixiado,
Pode até correr de lado
Ou andar em marcha lenta.

Pois quando está inspirado
Viaja com a poesia
Cheira o perfume da flor
Encontra a alegria,
A paz, o sonho, o amor
E tudo é fantasia.

Como é bom ser um poeta
Sereno, em paz, tranqüilo.
Tratando no dia-a-dia
Disso, daquele ou daquilo.
Cada poeta faz verso
Demonstrando seu estilo.

Valentim Martins Quaresma Neto 01/01/2001

Você já viu um Gorjala




Gigante negro, com bocarra escancarada e faminta.

Só tem um olho.

Caça homens, metendo-os em baixo dos braços e comendo-os a dentadas.

Habita as serras e penhascos do Ceará.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cobra cordelista no Colégio Zequinha Barreto


Era a feira de conhecimentos da Escola Zequinha Barreto e a convite da direção da escola e da professora Paula, fui lá conhecer esta meninada que eu quero tanto bem. E torço pelo seu sucesso em qualquer lugar deste meu país.

Alguns por ser muito longe torna-se difícil ir até eles, mas de longe fico feliz com a vitória de cada um. Como para Deus não é impossível, agente um dia se encontra, por enquanto vou contando causos e encurtando caminhos e em um destes becos da vida agente se encontra.

Cobra Cordelista.









Cobra Cordelista na Universidade Federal de Vitória de Santo Antão


A convite da professora Zélia, secretaria de educação de Carpina, visitei a Universidade Federa de Vitória de Santo Antão e depois de realizar show com os estudantes no palco, fui á uma palestra desta grande Mestra da educação, aprendi muito com uma pessoa tão comprometida com a educação inclusiva, os relatos de sua experiência como gestora são de emocionar qualquer um.

A professora da turma era a Beatriz, declamei filho agente não enjeita e fiz uma bela amizade com professores e alunos desta universidade, um dia agente se encontra de novo um beijo no coração de todos vocês.

Cobra Cordelista.