quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Lançamento do Livro Alma Sertaneja de Cobra Cordelista no Teatro Paulo Freire de Paulista


Foi uma festa muita bonita com a presença, inclusive no palco, de vários escritores e poetas Pernambucanos. O brincante Mateus apresentado pelo ator Del da cidade de Paulista abriu o espetáculo e encantou a platéia com seu talento, era a sua estréia no show de Cobra Cordelista e foi aprovadissímo.

Nos violões Vitor Aragão e Fauzer Zaidan, na Zabumba Felipe de Dora e na percussão Pereira.
A academia de escritores de Paulista se fez representar com todos os seus escritores e poetas e subiram no palco Alatir Leal, Amaro Poeta Lenemar Santos, Geraldo Valério, Morginho Pernambucano e Manoel Salustiano, filho do Mestre Salu, que agente posta amanhã ao lado de outros convidados!

Abraços e vejam as fotos!
Cobra Cordelista.



Integrante de guerrilha tentou montar base rural em Itapetim


Na zona rural de Itapetim, sertão pernambucano, permanece quase que intacto o sítio aonde um ex-dirigente do Movimento de Libertação Popular (Molipo) - posteriormente assassinado na Bahia pelas forças da repressão - sonhou instalar, no início dos anos 70, uma base rural para enfrentar a ditadura militar brasileira que por duas décadas comandou o País com mãos de ferro. Trata-se do Sítio Baixio, localizado a 02 quilômetros do centro de São Vicente, um distrito de Itapetim, município distante 430 km do Recife, a capital de Pernambuco.

Propriedade típica dos sertões nordestinos - ou seja, praticamente sem benfeitorias, apenas uma pequena casa de tijolo aparente e um barreiro para juntar a água da chuva-, o Sítio Baixio é de tamanho modesto (cerda de 10 hectares) e entre 1971 e 1974 pertenceu ao advogado baiano João Leonardo da Silva Rocha, um dos 15 presos políticos brasileiros libertados em troca do embaixador americano Charles Burke Elbrick, seqüestrado pela guerrilha de esquerda em 1969. Banido do Brasil, ao retornar, João Leonardo se instalou ali.

É claro que João Leonardo não chegou a São Vicente usando o seu nome verdadeiro. Ao adquirir o Sítio Baixio, ele se passava por José Lourenço da Silva, ou Zé Careca, apelido que ganhou da gente simples do lugar, pessoas como José Vital de Siqueira, o Zé de Vital, 63 anos, agricultor aposentado, que hoje lembra da vida no sítio do amigo: “Era um sítio igualzinho aos outros daqui. De vez em quando, ele chamava e nós ia caçar. Depois, ele ficava lá, cuidando de umas roçinhas bestas e ouvindo um rádio Siemens que ele tinha”.

Quando teve que sair de São Vicente por suspeitar que os militares tinham descoberto o seu projeto (Veja no texto seguinte, a resumida biografia de João Leonardo da Silva Rocha), Zé Careca deixou o Sítio Baixio aos cuidados da companheira sertaneja com quem viveu um grande amor e disse: “Se eu não voltar, faça o que quiser com tudo isso aqui que também é seu.” Como João Leonardo jamais voltaria, Virgínia Paes de Lima (a companheira hoje também falecida) cuidou do sítio até vendê-lo ao atual proprietário, Geneci José de Siqueira.

Embora preservado, atualmente o Sítio Baixio pouco produz: serve apenas para pequenos plantios de milho e feijão em épocas de chuva e funciona, também, como ponto de apoio para Geneci José de Siqueira (que não mora ali) encurralar seis vacas leiteiras. Além disso, tudo alilíticos de esquerda como ele e tantos outros.

A passagem de João Leonardo da Silva Rocha pelo distrito de São Vicente foi um tanto misteriosa - e não poderia ser diferente uma vez que ele viveu ali na clandestinidade. Assim, hoje pouco se sabe do que ele fez (ou pretendeu fazer) ali. Mas, muitos têm consciência de que o Zé Careca foi um importante personagem da recente história política brasileira. Tanto que o prefeito da cidade, Adelmo Moura, decidiu, no início de agosto, propor à Câmara Municipal mudar o nome da praça central de Itapetim para Pça. João Leonardo da Silva Rocha.

Também no início deste mês de agosto, o diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, jornalista e professor universitário Ivan Seixas, esteve em São Vicente colhendo subsídios para escrever a história do ex-militante do Molipo – movimento ao qual também pertenceu, entre outros, o ex-ministro José Dirceu. Com ex-militantes como Amparo Aaújo e outros, Ivan Seixas é autor de dossiês sobre vítimas da ditadura militar brasileiro de 1964.

João Leonardo da Silva Rocha (1939 – 1975)

João Leonardo da Silva Rocha era filho de Maria Nathália da Silva Rocha e Mário Rocha. Nasceu a 04 de agosto de 1939, na cidade de Salvador, Bahia. Perteceu à organização política denominada Movimento de Libertação Popular (Molipo), da qual foi dirigente, e seu nome integra hoje a lista de desaparecidos políticos brasileiro anexa à lei nº 9.140/95 que reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas no período de 02 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979.


Na foto, 13 dos 15 presos políticos libertados em troca do embaixador americano Charles Elbrick, que foi solto em 07/09/1969. João Leonardo é o primeiro abaixado, de branco, escondendo as algemas com o casaco.



João Leonardo fez o curso primário em Amargosa, Bahia, onde morava com seus pais. Estudou o primeiro ano do curso secundário no Colégio dos Irmãos Maristas, em Salvador, ingressando, a 29/02/1952, no Seminário Católico de Aracaju, onde permaneceu até 1957. Em 1959, aprovado em concurso público, tornou-se funcionário do Banco do Brasil em Alagoinhas (BA), cidade em que seus pais passaram a residir. Naquele mesmo ano começou ensinar Português e Latim no Colégio Santíssimo Sacramento e Escola Normal e Ginásio de Alagoinhas.

No início de 1962, João Leonardo da Silva Rocha muda-se para São Paulo, ainda como funcionário do Banco do Brasil, onde também passou a ensinar Latim e Português em colégios da região do ABC paulista. Era considerado excelente poeta e contista. Ingressou, logo depois, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da USP, época em que passou participar da militância política. Foi diretor da Casa do Estudante, localizada na Av. São João, que abrigava alunos de sua Faculdade. Vem de uma testemunha inesperada – o filósofo e articulista Olavo de Carvalho – o depoimento de que, nessa época da Casa do Estudante, João Leonardo realizou excelentes duetos musicais com Arno Pires, que foi morto em fevereiro de 1972 e também pertencia ao Molipo.

João Leonardo cursava o último ano de Direito e já integrava a ALN (Agrupamento Comunista de São Paulo) quando foi preso pelo DOPS, no final de janeiro de 1969, no fluxo de prisões de militantes da VPR que mantinham contato com a organização de Marighella. O mesmo Olavo de Carvalho já escreveu mencionando as brutais torturas a que foi submetido o seu amigo daquela época. Os órgãos de segurança acusavam João Leonardo de participar do Grupo Tático Armado dessa organização guerrilheira, tendo participado a 10/08/1968 do rumoroso assalto a um trem pagador na Ferrovia Santos/Jundiaí, bem como de outras operações armadas. Foi, inclusive, indiciado no inquérito policial que apurou a execução do oficial do Exército norte-americano Charles Chandler, a 12/10/1968, embora não seja apontado como participante direto do comando que realizou a ação.

Em setembro de 1969, com o seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, João Leonardo foi um dos 15 presos políticos libertados e enviados ao México, oficialmente banidos do País. Transferiu-se para Cuba e recebeu treinamento militar naquele País, onde se alinhou com o grupo dissidente da ALN que gerou o Molipo. Retornou ao Brasil em 1971, se estabelecendo numa pequena localidade rural de Pernambuco, São Vicente, que era Distrito de Itapetim, sertão do Pajeú, quase divisa com a Paraíba. Raspou totalmente a cabeça e era conhecido como Zé Careca. Tornou-se lavrador, tendo adquirido um pequeno sítio onde trabalhava. Gostava muito de caçar e era exímio atirador. Era muito querido na região e, como tinha habilidades artesanais, fazia brinquedos com que presenteava as crianças.

Foi um dos poucos sobreviventes entre os militantes que tentaram construir bases rurais do Molipo, entre 1971 e 1972, tanto no Oeste da Bahia quanto no Norte de Goiás, território atual do Tocantins. Quando pressentiu que podia ser identificado na região de São Vicente, mudou-se para o interior da Bahia, onde terminaria sendo localizado e morto em junho de 1975, ano em que o Molipo e ALN já não existiam mais e João Leonardo buscava sobreviver e trabalhar. Num choque com agentes policiais que, ainda hoje, é recoberto por densa camada de mistério e informações desencontradas, foi executado por agentes da Polícia Militar da Bahia em Palmas de Monte Alto, município entre Malhada e Guanambi, no Sertão Baiano, margem direita do Rio São Francisco, divisa entre Bahia e Minas.

Seu caso foi o último episódio a confirmar a existência de uma verdadeira sentença de pena de morte extra-judicial, decretada pelos órgãos de segurança para todos os banidos que retornassem ao Brasil com a intenção de retomar a luta contra a Regime. (Texto do livro “Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964”).

O Molipo

O Movimento de Libertação Popular (Molipo) foi um dos grupos que deflagraram a guerrilha urbana no Brasil entre 1968 e 1973. Surgiu em 1971 como uma dissidência da Ação Libertadora Nacional (ALN) que, por sua vez, teve origem no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e era comandada por Carlos Marighella, antigo dirigente do Partidão. Dissidência armada do PCB, a ALN surgiu em 1967.

O Molipo tinha contingente reduzido e, segundo o livro Brasil Nunca Mais, “foi extinto com a execução sumária ou sob torturas da maioria dos seus membros, entre os quais se destacaram líderes estudantis paulistas como Antônio Benetazzo, José Roberto Arantes de Almeida e Jeová Assis Gomes”. José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil do Governo Lula e ex-presidente do PT foi um dos seus integrantes.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Estudo para cordel: sertão de vaqueiros, berrantes e aboios


Por Rangel Alves da Costa*


Num sertão de mataria, de pega de boi e correria, o sertanejo quando acorda, olha o mundo e o que lhe aborda e mesmo que tudo esteja triste, pois o verde não mais existe, a seca inclemente persiste e a esperança quase desiste, ainda assim surge um alegrar, nos olhos vem um brilhar, chamando à luta pra vaqueirar.

São vaqueiros desse mundão, do destino no sertão, do café sem ter o pão, do problema sem solução, da promessa e decepção. Vaqueiros de tudo que há, desde a casinha de morar, no cercado de roçar, da vida além a lhe chamar para o rico vaqueirar. Vaqueiros de mulher e filhos, desse trem sem ter mais trilhos, da escuridão onde era brilho.

O que vejo nesse sertão chega parece ilusão, mas logo me vem na memória vaqueiros numa história, de ontem e de então. Tantos cordelistas vaqueiros, que nas terras do cordel foram os primeiros a cantar a solidão desse viver no sertão, por ter tudo e nada ter, a não ser a galhardia de aboiar noite e dia pra vida ter alegria.

Então vejo Leandro Gomes de Barros aboiando, João Firmino acompanhando, Melquíades Ferreira da Silva com o seu pavão pavoneando, João Camelo lhe desafiando, Cego Aderaldo violando, Otacílio Batista versejando, Zé da Luz apaixonado, soltando um aboio exaltado, chamando a compadria para ouvir seu novo verso, então se forma um universo de cordelistas em euforia.

Gonçalo Ferreira da Silva apressado vai chegando acompanhado de um Moreira de Acopiara exaltado. Cada um traz seu berrante, pelas costas um embornal, dizendo ter uma notícia que nunca se viu igual e espalham em todo canto tanto verso e tanto encanto que Rouxinol de Rinaré passa mal com tal espanto. E todos puderam ver, sem acreditar nem crer a nata do cordel com a chama a lhes acender.

E que nunca leu, ouviu falar ou se deu a cordel daquela altura, da mais alta literatura escrita com tanta invenção e bravura: "Sofrimentos de Alzira", “Juvenal e o dragão”, “A moça que bateu na mãe e virou cachorra”, "Antônio Silvino", “O cachorro dos mortos” "Zé Bico Doce”, "Os Cabras de Lampião", "Pavão Misterioso”, “História da princesa da Pedra Fina”, “Batalha de Oliveiros com Ferrabraz”, "Vaqueiro Damião", “A chegada de Lampião no inferno”, dentre muitos outros do cordel eterno.

Em muitos desses livretos, como versos em sonetos, o artista que é vaqueiro fala de outro companheiro, cabra mais que cabreiro, na sua arte o mais ligeiro, para mostrar que o vaqueiro da raça é o primeiro. Sertão sem vaqueiro existe não, é missa sem o sermão, é cantoria sem violão. E aquele que tange gado, pega boi desesbestado, corre em cavalo malvado, salta cerca e pula estrado, não faz só por profissão, pois além da precisão é catingueiro de coração.

O cordel canta o vaqueiro como a chama do isqueiro, dando toda importância ao sertanejo verdadeiro. Vaqueiro de pega-de-boi, de vaquejada, de estrada com a boiada, homem que corta invernada para o rebanho juntar, e vai chegar onde ele tá nem se quipá lhe furar. Vaqueiro com seu gibão, seu selim, seu alazão, seu embornal e seu chão, cara marcada pelo lanhão, necessitado de proteção na vaqueirama como missão.

Bicho conhece vaqueiro, basta ouvir o berrante e some no mato ligeiro. Treiteiro é da boiada o boiadeiro. Cada berro que ele dá não é só gado alertar, mas dizer a natureza que ela tenha a gentileza de deixar ele passar, não ponha toco no meio, deixe o cipó mais alheio e tire tudo que for feio para o cavalo passar, pois a pata que corta chão necessita do clarão da mata para avançar.

Vaqueiro que sai cedinho, fala com o sertão de mansinho, e depois de fazer carinho à natureza ao redor vai pro mundo e não vai só, pois leva o de melhor que é a esperança de voltar, por isso faz seu rezar para à noitinha avistar a filharada a lhe abraçar. E quando chega feliz, salvo que foi por um triz, vai tomar uma golada de pinga com raiz misturada, que é pro sangue acalmar, pra o vaqueiro relaxar e começar a aboiar.
E no descampado sertanejo, surgido como um lampejo ecoa um som pelo ar, primeiro vem o berrante depois o vaqueiro a aboiar. O aboio é canto triste, magoado por demais, cantado dolemetente, o vento lembrança traz, de amor e de boiada, de tudo que satisfaz.

No aboio de Seu Leonel: “Vaqueiro que é vaqueiro/ Amansa o gado e quer bem/ Todo dia vai ao campo/ E conta a boiada que tem/ Quem não gostar de vaqueiro/ Não gosta de mais ninguém/ Oh! Festa de gado! Êh, boi!”.

No aboio de Zé Preto:

“Brinco com touro valente/ Lembrando de tu menina/ Qualquer coisa de amor/ Que tu subé, tu me ensina/ Eu morro por ter respeito/ Outra coisa eu não aceito/ Que teus olho me domina/ Êi, boi!”.
No aboio que o cordelista Zé da Luz escreveu: “Minha fama de vaquêro/ Fez inveja a cantado/ Aos mais grande violêro!/ Pois se êles tinha as viola/ E trazía nas cachóla,/ O dom da impruvisação/ Eu dibáxo dêsses couro/ Tinha um violão sanôro/ Parpitando de emoção!/ O violão do meu peito/ Nas corda do coração!/Quando meu peito aboiava/ A naturêza iscutáva/ Num ato de cuntrição!”.

Ou ainda no aboio cantado por Luiz Gonzaga em homenagem ao grande vaqueiro Raimundo Jacó:

“Numa tarde bem tristonha/ Gado muge sem parar/ Lamentando seu vaqueiro/ Que não vem mais aboiar/ Não vem mais aboiar/ Tão dolente a cantar/ Tengo, lengo, tengo, lengo,/ tengo, lengo, tengo/ Ei, gado, oi/ Bom vaqueiro nordestino/ Morre sem deixar tostão/ O seu nome é esquecido/ Nas quebradas do sertão/ Nunca mais ouvirão/ Seu cantar, meu irmão/ Tengo, lengo, tengo, lengo,/ tengo, lengo, tengo/ Ei, gado, oi/ Sacudido numa cova/ Desprezado do Senhor/ Só lembrado do cachorro/ Que inda chora/ Sua dor/ É demais tanta dor/ A chorar com amor/ Tengo, lengo, tengo, lengo.../ Ei, gado, oi!”


Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dialetos do Brasil




Saiba como surgiram as diferenças regionais do português brasileiro:

1) Tupi importado: A Amazônia fala de um modo bem diferente do vizinho Nordeste. A razão para isso é que lá quase não houve escravidão de africanos. Predominou a influência do tupi, língua que não era falada pelos índios da região, mas foi importada por jesuítas no processo de evangelização.

2) Minha tchia: O litoral nordestino recebeu muitos escravos negros, enquanto o interior encheu-se de índios expulsos da costa pelos portugueses. Isso explica algumas diferenças dialetais. No Recôncavo Baiano, o "t" às vezes é pronunciado como se fosse "tch". É o caso de "tia", que soa como "tchia". Ou de "muito", freqüentemente pronunciado "mutcho'". No interior, predomina o "t" seco, dito com a língua atrás dos dentes.

3) Maternidade: A exploração do ouro levou gente do Brasil todo para Minas no século XVIII. Como toda a mão-de-obra se ocupava da mineração, foi necessário criar rotas de comércio para importar comida. Uma delas ligava a zona do minério com o atual Rio Grande do Sul, onde se criavam mulas, via São Paulo. As mulas, que não se reproduzem, eram constantemente importadas para escoar ouro e trazer alimentos. Também espalharam a língua brasileira pelo centro-sul.

4) Chiado europeu: Quando a família real portuguesa mudou-se para o Rio, em 1808, fugindo de Napoleão, trouxe 16.000 lusitanos. A cidade tinha 50 mil habitantes. Essa gente toda mudou o jeito de falar carioca. Data daí o chiado no "s", como em "festa", que fica parecendo "feishta". Os portugueses também chiam no "s".

5) Tu e você: Os tropeiros paulistas entraram no Sul no século XVIII pelo interior, passando por Curitiba. O litoral sulista foi ocupado pelo governo português na mesma época com a transferência de imigrantes das Ilhas Açores. A isso se deve a formação de dois dialetos. Na costa, fala-se "tu", como é comum até hoje em Portugal. No interior de Santa Catarina, adota-se o "você", provavelmente espalhado pelos paulistas.

6) Porrrrta: Até o século passado, a cidade de São Paulo falava o dialeto caipira, característico da região de Piracicaba. A principal marca desse sotaque é o "r" muito puxado. A chegada dos migrantes, que vieram com a industrialização, diluiu esse dialeto e criou um novo sotaque paulistano, fruto da combinação de influências estrangeiras e de outras regiões brasileiras.

Dialeto: variedade regional ou social de uma língua; linguajar ( Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa - Folha/Aurélio, 1994/1995, p. 220).

Na "Nova Gramática do Português Contemporâneo" (Celso Cunha e Lindley Cintra), Antenor Nascentes distingue dois grupos de dialetos brasileiros - o do Norte e o do Sul - ocorrendo subdivisões:
a) Dialetos do Norte: o amazônico e o nordestino;
b) Dialetos do Sul: o baiano, o fluminense, o mineiro e o sulista.

Fonte: Super Interessante

sábado, 22 de janeiro de 2011

Os repentistas de Portugal




Desgarrada Portuguesa”. A Desgarrada é um estilo cultural praticado pelos amigos patrícios bem parecido com os moldes do Repente que é praticado no nordeste. Vamos entender um pouco as origens dessa manisfestação lusitana.

Os repentistas e as desgarradas, tiveram origem nos trovadores da corte, quando as suas obras começaram a ser absorvidas pelo povo. Nasceu, então, uma classe de trovadores populares que viviam animando festas e romarias com os seus cantares. Davam-lhe um mote e ele compunha, de improviso, quadras quase sempre brejeiras ou com crítica social. Inicialmente, era só um elemento mas a necessidade de encontrar conteúdos, fez com que, em breve, andassem aos pares. Assim, um podia dar ao outro o mote para a próxima quadra.

Daí nasceu a designação de "Desgarrada" ( por ser imprevisível ) e de "cantigas-ao-desafio" ( por ser uma luta de palavras). Com o passar do tempo, esses repentistas também se modernizaram e hoje não se fazem acompanhar só de viola. Se pitou curiosidade de saber como feito o repente em Portugal é só conferir.

Convite à Desfolhada
(Domínio Popular)

Há dias fui convidado
Para ir a uma desfolhada
Para cantar e dançar
Pôr toda agente animada

Eu, também, fui convidado
Para ir desfolhar as espigas
Muito bem acompanhado) repete
Por bonitas raparigas

Foste convidado, sim,
Disso eu sou testemunha
Lá só havia homens
Mulheres não vi nenhuma

Meu Deus, que grande mentira!
Não sei porque és assim
Estava tudo zangado
Por elas só me quererem a mim

Só por seres mentiroso
Quem mente tem pouca sorte
As mulheres na desfolhada
Eram todas de saiote

Eu até me matava
Ai, se fosse como tu
Eu a desfolhar as espigas
E tu a metê-las no cesto

Estavas bem acompanhado
Mas que rico par, tão belo
De tanto escumares a espiga)repete
Ainda estás amarelo

Da espiga nasce o milho
Do milho se faz farinha
Não queiras experimentar
Uma espiga como a minha

Acabou a desfolhada
Depois de muito cansaço
Terminou a desgarrada
Quero te dar um abraço.
Eu, também, lhe mando.

Quero ouvir? Então click aqui

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O NOSSO NELSÃO TRIUNFO EM AÇÃO



Parte integrante do Circuito Brasileiro de Festivais Internacionais de Dança, evento realizado pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria e Fundação de Cultura, traz atrações nacionais e internacionais. O encontro tornou-se um espaço de diálogo sobre criação, exibição, difusão e organização na área da dança, através da realização de cursos e lançamentos de livros.

O Festival - que tem patrocínio da Petrobrás desde 2007 - já se consolidou como uma das amostras de dança mais importantes do Brasil, e este ano traz nomes de destaque como Antonio Nóbrega; Trisha Brown: Grupo Grial; Yann Marussich e ainda Carolyn Carlson - companhia de dança americana radicada na França.

A programação se espalhará por seis teatros da cidade: Teatro Santa Isabel, Teatro Apolo, Teatro Hermilo, Teatro Marco Camarotti, Teatro Barreto Jr e Teatro do Parque. Como é de praxe, os espaços externos também serão contemplados com shows: Pátio São Pedro, Rua da Moeda, Praça Tertuliano Feitosa no Hipódromo e Mercado Eufrásio Barbosa em Olinda, além da Livraia Cultura e do MAMAM. É aí que acontecem os grandes shows de hip hop com Nelson Triunfo.

Lembramos aos nossos estimados leitores e conterrâneos interioranos dos mais diversos municípios e regiões do Estado que estejam nesta sexta-feira 15, na Capital e Região Metropolitana, a aguardada apresentação do triunfense com renome nacional na modalidade "hip hop", NELSON TRIUNFO como uma das atrações homenageadas neste 15º Festival Internacional de Dança do Recife, a partir das 20 h.
No próximo 30.10, sábado, o destacado artista pernambucano que despontou em São Paulo e lá se encontra radicado faz anos, NELSÃO, cantor, compositor, músico e dançarino, estará se apresentando, desta vez com a sua banda, às 21 h, na Rua da Moeda, Recife Antigo, a pedido da imensa galera que admira a sua performace, curte o seu som energético e reverencia a sua irreverência, além de preservar a originalidade do movimento negro.

NELSON TRIUNFO, possui uma vasta trajetória de experiência internacional, incluse com cinco encontros com o lendário vocalista James Brown, a primeira delas em 1978, sempre com o Mr. Dinamite lhe apelidando de "Sheriff".

Esse sertanejo é um sucesso! Compareçam! Prestigiem!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cobra Cordelista na Manjedora da cantoria de Viola


Meu amigo Naldo, gerente da pousada do falecido Crispim em frente ao posto me mostrando a região com muito conhecimento. Visitamos também o pico do Jabre em Matureia o ponto mais alto da Paraíba com 888 metros. Magali me contando a história do Teixeira com detalhes e aí conheci Tadeu do Jornal da Serra que infelizmente esqueci de fotografá-lo de perfil.


Nosso blog vai mostrando as belezas do Teixeira, sua história e sua gente.


Cobra Cordelista.













Parte II e III do voce sabia




II - O QUE SEMPRE NOS PERGUNTAM:

As Sete Maravilhas do Mundo Antigo:

1 - A Pirâmide de Queops
2 - Os Jardins Suspensos da Babilônia
3 - O Mausoléu de Helicarnasso (também conhecido como O Túmulo de Mausolo em Éfeso)
4 - A Estátua de Zeus, de Fídias
5 - O Templo de Artemisa (ou Diana)
6 - O Colosso de Rodes
7 - O Farol de Alexandria

III - VOCÊ SABIA...?!

1 - Durante a Guerra de Secessão (separação), quando as tropas voltavam para o quartel após uma batalha sem nenhuma baixa, escreviam numa placa imensa: "O Killed" (zero mortos). Daí surgiu a expressão O.K. Para indicar que tudo está bem.

2 - Nos conventos, durante a leitura das Escrituras Sagradas, ao se referir a São José, diziam sempre "Pater Putativus", (ou seja: "Pai Adotivo") abreviando em "P.P ". Assim surgiu a idéia, nos países de colonização espanhola, de chamar os Josés de " Pépe".

3 - Cada rei no baralho representa um grande Rei/Imperador da história:
Espadas: Rei David (Israel)
Paus: Alexandre Magno (Grécia/Macedônia)
Copas: Carlos Magno (França)
Ouros: Júlio César (Roma)

4 - No Novo Testamento, no livro de São Mateus, está escrito "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus"... O problema é que São Jerônimo, o tradutor do texto, interpretou a palavra " kamelos" como camelo, quando na verdade, em grego, " kamelos " são as cordas grossas com que se amarram os barcos. A idéia da frase permanece a mesma, mas qual parece mais coerente?

5 - Quando os conquistadores ingleses chegaram à Austrália, assustaram-se ao ver uns estranhos animais que davam saltos incríveis. Imediatamente chamaram um nativo (os aborígenes australianos eram extremamente pacíficos) e perguntaram qual o nome do bicho. O índio sempre repetia "Kan Ghu Ru" , e portanto o adaptaram ao inglês, "kangaroo" (canguru). Depois, os lingüistas determinaram o significado, que era muito claro: os indígenas queriam dizer: "Não te entendo"

6 - A parte do México conhecida como Yucatán vem da época da conquista, quando um espanhol perguntou a um indígena como eles chamavam esse lugar, e o índio respondeu "Yucatán". Mas o espanhol não sabia que ele estava informando "Não sou daqui".

7 - Existe uma rua no Rio de Janeiro, no bairro de São Cristovão, chamada "PEDRO IVO ". Quando um grupo de estudantes foi tentar descobrir quem foi esse tal de Pedro Ivo, descobriram que na verdade a rua homenageava D. Pedro I, que quando foi rei de Portugal, foi aclamado como "Pedro IV" (quarto). Pois bem, algum funcionário da prefeitura, ao pensar que o nome da rua foi grafado errado, colocou um "O" no final do nome. O erro permanece até hoje.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Poeta Cobra Cordelista na Terra de Zé Limeira e de Romano do Teixeira, onde nasce a cantoria de Viola

Nas fotos o museu da cidade, contando cento e cinquenta anos de história, tudo sob a orientação de Magali Dantas que conta com carinho e com muito conhecimento a história do Teixeira, conhecendo com detalhe cada um de seus personagens. Sendo Teixeira na Paraíba, uma cidade ordeira de um povo de muita devoção. A igreja é muito linda e bem cuidada e muito bem frequentada pelos fies praticantes do cristianismo.

Na viagem minha mulher a Nete, Eduardo meu filho, meu sobrinho Den, Laiara Dantas, uma linda Sertaneja de 15 anos nos mostrava sa belezas do Sertão, ao lado de uma amiga sua de Maceió que não lembro agora o nome, mas lembro de sua generosa atenção conosco.

Cobra Cordelista.

Vejam as fotos logo a baixo: