quinta-feira, 3 de março de 2011

A Pedra do Reino


É inspirado em um episódio ocorrido no século XIX, no município sertanejo de São José do Belmonte, a 470 quilômetros do Recife, onde uma seita, em 1836, tentou fazer ressurgir o rei Dom Sebastião - transformado em lenda em Portugal depois de desaparecer na África (Batalha de Alcácer-Quibir): sob domínio espanhol, os portugueses sonhavam com a volta do rei que restituiria a nação tomada à força. O sentimento sebastianista ainda hoje é lembrado em Pernambuco, durante a Cavalgada da Pedra do Reino, por manifestação popular que acontece anualmente no local onde inocentes foram sacrificados pela volta do rei. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta é um romance do escritor brasileiro Ariano Suassuna, publicado em 1971.Suassuna iniciou o Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, seu nome completo, em 1958 para concluí-lo somente uma década depois, quando o autor percebeu o que o levou a escrever o romance: a morte do pai, quando tinha apenas três anos de idade – tragédia pessoal presente na literatura de Suassuna, e a redenção do seu "rei" – uma reação contra o conceito vigente na época, segundo o qual as forças rurais eram o obscurantismo (o mal) e o urbano o progresso (o bem).

A história, baseada na cultura popular nor
destina e inspirada na literatura de cordel, nos repentes e nas emboladas, é dedicada ao pai do autor e a mais doze “cavaleiros”, entre eles Euclides da Cunha, Antônio Conselheiro e José Lins do Rego.

Um "romance-memorial-poema-folhetim", como definiu o poeta Carlos Drummond de Andrade, narrado pelo seu protagonista, Dom Pedro Dinis Ferreira Quaderna, que constrói um monumento literário à cultur
a caboclo-sertaneja nordestina, marcada pelas tradições do mundo ibérico (Portugal e Espanha), trazidas pelos primeiros colonizadores europeus e transfeitas ao longo dos séculos. Segundo observação do crítico literário João Hernesto Weber, na obra podem ser encontradas "duas distintas tradições a informarem a concepção de mundo do herói: a tradição mítico-sertaneja e a tradição erudita".

O personagem-narrador, Quaderna, é preso em Taperoá por subversão, faz sua própria defesa perante o corregedor e, para tanto, relata a história de sua família, escrita na prisão. Declara-se descendente de legítimos reis brasileiros, castanhos e "cabras" da Pedra do Reino - sem relação com os "imperadores estrangeiros e falsificados da Casa de Bragança" - e conta
o seu envolvimento com as lutas e as desavenças políticas, literárias e filosóficas no seu reino.

ARIANO SUASSUNA (1927)


Vida: Ariano Suassuna nasceu na então cidade de Nossa Senhora das Neves - hoje João Pessoa, capital da Paraíba. Logo em seguida, tendo seu pai, João Suassuna, deixado o governo do estado, Ariano acompanha a família de volta para a região do alto sertão paraibano, onde a mesma tinha várias fazendas. Assassinado o pai, a família deixa a região, mudando-se para a cidade de Taperoá, no chamado sertão seco, onde o futuro dramaturgo e romancista faz seus estudos primários. Em 1938 há nova mudança, desta vez para Recife, onde cursa o ginásio, estudando também música e pintura. Em 1946 entra para a Faculdade de Direito, ligando-se ao círculo de poetas, escritores e artistas da capital pernambucana e interessando-se cada vez mais pelo romanceiro popular nordestino e pelo teatro. Em 1952 começa a trabalhar em advocacia mas logo abandona a profissão, dedicando-se ao magistério e à atividade de escritor. Hoje é secretário de cultura do Governo do Estado de Pernambuco e amado por todos os Pernambucanos e continua dedicando-se as suas atividades literárias.


Obra: Com extensa obra teatral - publicou, entre outras, as peças Auto da compadecida, O santo e a porca, A farsa da boa preguiça -, Ariano Suassuna escreveu em 1956 A história do amor de Fernando e Isaura, romance até hoje inédito. Em 1958 começou a trabalhar em Quaderna, o decifrador, uma trilogia composta de:

I - A pedra do reino
II - O rei degolado
III - Senésio, o alumioso

A PEDRA DO REINO

Publicado em 1970, A pedra do reino continua sendo considerado um romance completo, pois até hoje as duas outras partes da trilogia não vieram a público, pelo menos em edições comerciais. Em vista disso, a possibilidade de análise é um tanto precária, apesar de a obra oferecer, em suas mais de 600 páginas, matéria suficiente não apenas para ensaios como para livros inteiros.

De leitura um pouco árida na primeira centena de páginas, A pedra do reino, mesmo isolada da trilogia de que faz parte, é um verdadeiro monumento literário que se liga à cultura caboclo-sertaneja nordestina, muito marcada pelas tradições do mundo ibérico (Portugal e Espanha), trazidas pelos primeiros colonizadores europeus e transformadas ao longo dos séculos.

Em linhas gerais, A pedra do reino é a apresentação do memorial - obviamente em primeira pessoa - de D. Dinis Ferreira - Quaderna, que, preso em Taperoá, faz sua própria defesa perante o corregedor e, para tanto, conta a história de sua família, das desavenças, das lutas e das controvérsias políticas, literárias e filosóficas em que se vira envolvido. Como diz um crítico, na obra de Suassuna podem ser percebidas "duas distintas tradições a informarem a concepção de mundo do herói: a tradição mítico-sertaneja e a tradição erudita" (J. H. Weber). O que faz, como no caso de todas as demais obras da nova narrativa, com que A pedra do reino se diferencie claramente do romance brasileiro tradicional.

Aurora Pernambucana

Primeiro jornal de Pernambuco, fundado pelo governador Luiz do Rego Barreto e escrito pelo seu secretário Rodrigo da Fonseca Magalhães. O número 01 circulou a 27 de março de 1821, em formato 25x17cm, com quatro páginas em papel de linho. Foi impresso na Oficina do Trem Nacional de Pernambuco, "com licença do Ministro da Polícia", e vendido a 80 réis cada exemplar.

No editorial, denominado "Introdução", estava escrito que o objetivo do jornal era o desejo do governador e do capitão-geral em "instruir o público de tudo quanto se fizesse a favor da causa d'El-Rei e da Nação". A periodicidade era indefinida: "Não é possível por agora publicar este jornal de dois em dois dias, ou diariamente, como se deseja, sairá quando puder ser..."

quarta-feira, 2 de março de 2011

Festas Populares no mês de março




MARÇO

FESTA DE SÃO JOSÉ

Festa popular religiosa em louvor ao Santo que é padroeiro de vários municípios do interior do Estado. Com novena, missa e procissão. E a parte profana com shows musicais, parque de diversões e barracas com bebidas e comidas típicas.
Data: 19
Local: Centro de várias cidades como Bezerros, Ibimirim, Surubim, Custódia, São José do egito e outras.

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO MUNICÍPIO DE FLORSTA

Tradicional festa da cidade, com shows musicais, parque de diversões, barracas com bebidas e comidas típicas.
Data: 31
Local: Centro de Floresta

terça-feira, 1 de março de 2011

Você conhece o Ibura



O bairro da Ibura integra a 6ª Região Político-Administrativa do Recife (RPA-6), na Zona Sul da cidade, formada por um total de 08 bairros.

O Ibura está localizada entre os bairros de Arreias, Barro, Caçote, Ipsep, Imbiribeira, Boa Viagem, Jordão e Cohab.

É o terceiro maior bairro recifense em extensão territorial, atrás de Guabiraba e da Várzea.

ORIGEM - Na área onde hoje está localizado o bairro do Ibura existiu, no século XIX, um engenho-de-açúcar denominado Engenho Ibura ? palavra indígena (Tupi-Guarani) que significa ?água que arrebenta, fonte?.

Na localidade de Vila dos Milagres, à margem da BR-101 Sul, existe uma bica de água potável, em área sob controle do 4º Batalhão de Comunicação do Exército, jorrando 24 horas por dia há décadas.

Conhecida como a Bica dos Milagres, a fonte é muito procurada não apenas por moradores da redondeza que ali se abastecem, mas por pessoas que vêm de outras áreas do Recife e até mesmo do interior do Estado. Isto porque a água teria poderes de cura.

Esta fonte (e talvez outras que por ali existiram) teria dado origem ao nome do antigo engenho-de-açúcar.

No início da década de 1940, surgiu no Ibura uma pista de pouso para pequenas aeronaves que ficou conhecida como Campo de Ibura. Esse campo deu origem ao Aeroporto Internacional dos Guararapes, atualmente localizado no bairro da Imbiribeira.

Conforme dados do Censo IBGE, em 2000 a população do Ibura tinha uma renda média mensal de R$ 456,12. Outros dados do Censo:

População: 43.681 habitantes

Área: 1.005,7 hectares

Densidade: 43,43 hab./ha

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Primeiro boneco gigante do Brasil surgiu no sertão


Ao contrário do que muita gente pensa, os bonecos gigantes que hoje representam uma das maiores atrações do carnaval pernambucano não "nasceram" em Olinda. A primeira vez que uma dessas figuras foi usada para animar um carnaval brasileiro aconteceu em Belém do São Francisco, cidade do sertão pernambucano, a 486 quilômetros do Recife.

O episódio ocorreu durante o carnaval de 1919 (em Olinda o primeiro boneco só apareceria em 1932), quando Belém realizava uma das mais animadas festas do interior. E essa primeira alegoria, batizada de Zé Pereira, era um boneco de quatro metros, sendo o corpo uma estrutura em madeira vestindo um macacão estampado e a cabeça confeccionada em papel machê. Ou seja, em tudo igual aos atuais bonecos.

No livro "Os Gigantes Foliões de Pernambuco", lançado em 1992, o pesquisador Olímpio Bonald Neto já se referia a esse pioneirismo de Belém do São Francisco. Agora, um outro livro tratando do mesmo tema (este em fase de elaboração) não só vem confirmar a origem como traz vários detalhes sobre o surgimento do primeiro boneco sertanejo.

Segundo a historiadora Tercina Bezerra (autora do livro sobre as manifestações culturais do município), o criador do primeiro boneco gigante de Belém foi um jovem chamado Gumercindo Pires de Carvalho. Rapaz festeiro, ele reuniu um grupo de amigos, pediu ajuda a uma tia que fabricava bonecos para presépios natalinos, confeccionou a alegoria e o grupo caiu no passo pelas ruas da cidade.




Antes do Zé Pereira gigante, os moradores de Belém do São Francisco tinham como única referência a esse tipo de bonecos os relatos do primeiro pároco da localidade, o belga Norberto Phalempin. É que, entre 1905 e 1928, o padre viveu a narrar as festas européias com procissões que usavam bonecos representando figuras bíblicas. De acordo com a historiadora, foi a partir daí que Gumercindo teve a idéia de usar um boneco no carnaval.

Em 1929, o mesmo grupo de foliões que iniciou a troça resolveu criar uma companheira para o Zé Pereira, surgindo então a boneca batizada de Vitalina. Os dois gigantes bonecos casaram-se e, desde então, constituem uma das atrações do carnaval de Belém do São Francisco, onde chegam, de barco, de uma fictícia viagem para abrir a festa na cidade.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Festa da Manga no Engenho São Bartolomeu

Um pouco do Dicionário de Matutês

A

Ababacado – Bobo, tolo, idiota
Abestado - Bobo, tolo, idiota.
Abilolado – Bobo, indivíduo ingênuo
Abiscoitado – Bobo, ingênuo
Abisuntado - Enganado, lesado.
Abufanar – Provocar; irritar; perturbar
Abusar – Perturbar, passar dos limites
Acabrunhado - Triste, desanimado
Acertar na veia - Fazer a coisa com exatidão; dar o tiro certo.
Acochado – Destemido, valente
Acunhar - Perseguir, chegar junto
Afanar – Roubar
Afolozado - Folgado
Aí dento – O mesmo que "vai te lascar", "Vai te foder"
Alcoviteira – Pessoa que faz intermediação ou apóia namoro proibido
Aloprado - Ousado
Alpercata - Sandália de couro cru
Aluado – Meio louco
Alvoroçado – Apressado, estabanado
Amancebado - Aquele que não é casado no papel
Amarrar-o-bode – Ficar de mau humor
Amasso – Agarrado entre duas pessoas enamoradas; sarro
Amojada – Prenhe, grávida
Amolegado - Coisa remexida, mole; pessoa frouxa.
Amostrado – Exibido
Amuado – Acuado; aborrecido
Amundiçado – Desprovido de bons modos; mal-educado
Ancho - Feliz, contente; metido
Aperriado – Aflito, irritado
Apoquentado – De cabeça quente; irritado
Aprochegar - Aproximar-se; se enturmar.
Arenga - Briga
Ariado – Sem rumo, desorientado
Aruá – Bobo, idiota
Arranca-rabo - Briga séria, confusão
Arregar – Pegar carona sem ser convidado; usufruir de algo sem pagar
Arremedar - Imitar, geralmente os pássaros.
Arretado – De boa qualidade, excelente
Arriado – Enamorado, apaixonado
Arrilique - Remédio eficaz, santo remédio
Arribar – Partir, fugir
Arrocha-o-nó - Ajir com firmeza
Arrombado - Em situação difícil, aruinado
Arrudiar - Dar a volta pelo lado de fora ("O moleque arrudiou o circo, procurando um buraco pra entrar")
Arupemba – Peneira
Assanhado – Atrevido; ousado
Assuntar - Refletir sobre algum assunto
Atanazar – Aperrear, deixar irritado ("Esse animal só vive me atanazando o juízo")
Atarantado – Cheio de obrigações, de tarefas a cumprir, superocupado
Avacalhar – Esculhambar; ironizar
Avexar – Apressar
Avia – Apressa, agiliza ("Avia logo com esse serviço, menino!")
Avuado – Desorientado
Azucrinar - Aborrecer, irritar alguém

B

Babão - Puxa-saco
Bafafá – Confusão, bagunça
Baitola - Bicha, homessexual masculino
Baixa-da-égua - Lugar muito distante
Balai-de-gato - 1. Situação confusa; 2. Coisa muito ruim.
Baleado – Ligeiramente embriagado
Bambo - Por acaso, por sorte (Não sabia o endereço, acertou no bambo)
Banana – Tolo, idiota
Barata-de-igreja - Beata
Barraco – Baixaria; situação vexatório; escândalo
Barroada – Choque, batida entre dois ou mais automóveis
Bascui – Sujeira, entulho
Bater-fofo - Falhar, não cumprir o prometido
Berrante - Revólver, arma de fogo
Berreiro - Gritaria
Beiço – Lábio
Bestice - Besteira
Bexiga – Coisa ruim; situação complicada
Bexiguento - Patife, cretino
Bicada – Dose de aguardente, dose de bebida alcoólica
Bicado - Embriagado
Bicha – Homossexual masculino
Bigu - Carona
Bila – Bola de gude
Bilola – Pênis
Bimba – Pênis
Bimbada – Trepada; ato sexual
Bip – Pessoa insistente; pessoa pegajosa; pessoa que fala muito
Biritado – Bêbado, embriagado
Biruta – Amalucado, louco
Bizu - Cola de prova; fraude em vestibular
Boca-de-siri - Pessoa que guarda segredo
Boca-quente - Pessoa influente, importante
Bodeado – Chateado; embriagado
Bode-moco - Pessoa com problema de audição
Boga - Cu, ânus
Boiola – Homossexual masculino
Boneca - Homossexual masculino
Borná – Saco ou bolsa, usado a tiracolo, por caçadores ou para transporte de ferramentas
Borocoxô - Desanimado, triste, cabisbaixo
Borrego – Filhote de cabra
Botar galha - Cornear, ser infiel
Brebote – Comida com baixo teor de nutrição
Bregueço - Objeto sem valor, despresível
Brenhas - Lugar longe e de difícil acesso
Bronha – Masturbação masculina (O menino estava batendo uma bronha no banheiro)
Broxar – Perder a potência sexual
Bruaca – Mulher feia
Buceta – Vagina, priquito
Bufar – 1. Peidar, dar peidos; 2. Gemer de raiva
Bujinganga – Conjunto de objetos variados, sem ou de pouco valor; miudezas
Bunda-nacasta – Cambalhota
Bundeira – Mulher que pratica sexo anal mas continua virgem (Ela ainda não tá perdida, é só bundeira)
Buruçu – Confusão

C

Cabaço – Hímen; virgindade (O safado tirou o cabaço da moça e não casou)
Cabra – Pessoa não identificada; pessoa má; trabalhador braçal
Cabra-cega – Brincadeira em que uma criança, de olhos vendados, tenta pegar outra
Cabreiro – Desconfiado; arredio
Cabrita – Menina-moça, moça sapeca
Cabroeira – Grupo de cabras, pessoas
Cabuetar - Denunciar
Cabuloso – Chato; desagradável (O sujeito é muito cabuloso)
Cabreiro - Desconfiado
Cacareca - Coisa velha, objeto sem valor
Cachete – Comprimido
Cafofa - No futebol, chute fraco, sem força
Cafundó – Lugar muito distante
Cagada – Coisa mal-feita; acerto por pura sorte, no bambo
Cagado – Sortudo, pessoa de sorte
Cagado-e-cuspido - Semelhante, muito parecido
Caixa-dos-peito - Tórax (O cabra levou um tiro bem na caixa-dos-peito)
Caixa-prego - Lugar muito distante
Califon - Sutiã, corpete
Calombo - Ematoma, galo, caroço
Calunga – Aquele que trabalha descarregando caminhão
Cambito – Perna fina (Ela não tem peito nem bunda e as pernas parecem mais dois cambitos)
Cambota - Pessoa de joelhos separados, que caminha de pernas abertas
Cancão - Posta de comida amassada com as mãos
Cangote – Pescoço
Canso - Cansado; Informação velha (Ele casou com ela porque quis, mas estava canso de saber que ela não prestava)
Cão chupando manga - Muito competente no que faz
Capiongo - Desanimado, triste, abatido
Carão - Repreensão (Fez mulcriação e levou um carão do pai)
Caritó – Estado da mulher que envelheceu e não conseguiu casar (Ela ficou no caritó)
Carne-de-cu - Coisa ou pessoa ruim (Aquilo é pior do que carne-de-cu)
Carne-mijada – Vagina
Carraspana - Bebedeira, cachaça
Catatau - Entulho, amontoado de objetos
Catinga – Mau-cheiro
Catingoso - Mul-cheiroso, fedorento
Catombo - Parte elevada de alguma superfície; ematoma
Catota - Secreção nasal, meleca
Catráia - Mulher sem compostura, vadia
Catrevage - Coisa velha, objetos sem valor
Cavalo batizado - Grosseiro, estúpido
Cavernosa - Pessoa ou coisa misteriosa
Chamar-na-grande - Advertir seriamente
Chapuletada - Pancada grande
Chei dos paus - Bêbado
Cheleléu - Puxa-saco, xaleira
Chililique - Desmaio
Chirimbamba - Mundiça, ralé
Chirre – Sopa rala, caldo sem consistência
Chocha-bunda - Feijão de corda
Chumbado - Meio embriagado
Chupitilha - Refresco
Cocorote - Cascudo
Coivara - Ajuntamento de galhos preparativo na queimada
Comunismo – Carestia (Os preços na feira hoje estavam um comunismo)
Confeito – Bom-bom, bala
Conversa-mole – Conversa vulgar; besteira
Conxambrança – Acordo entre duas ou mais pessoas, com objetivo de ação maldosa
Corta-jaca – Intermediário de namorados
Corpete - Sutiã
Cotoco – Pedaço muito pequeno de um objeto (O lápis está só no cotoco)
Couro-de-pica – Diz-se da pessoa ou situação que vai e volta freqüentemente sem nada resolver
Cromo - Calendário
Cu-de-boi – Confusão; caos
Cu-de-ferro – Diz-se da pessoa dedicada, estudiosa
Cunhão - Testículo
Curriola – Grupo de pessoas da baixa classe social
Custar os olhos da cara - De preço muito caro
Cuvico - Pequeno cômodo

D

Dar o grau - Caprichar num serviço
Dar o prego - Enguiçar, quebrar (o carro deu o prego na subida da ladeira)
Dar uma rabeada - Diz-se quando o carro derrapa, dar puxada brusca
Delicado – Homossexual masculino; homem afeminado
Derna – Desde
Derrubado – Feio; decrépito
Descabaçar – Desvirginar uma donzela
Desapiar – Desmontar do animal
Desenxavido – Desinibido
Desopilar - Descontrair
Desmilinguido – Magro; sem vigor
Despachada – Pessoa desinibida; pessoa folgada
Despautério – Desaforo
Despanaviado – Desajeitado; tonto
Desparafusar – Perder a razão; enlouquecer
Destrambelhado – Desajeitado
Desunerar – Engrolar; ficar mal cozido ou mal assado; comida fora do ponto
Difunço – Gripe, resfriado
Disgramado - Atrevido ou sujeito desgraçado
Dois gatos pingados - Platéia minúscula, pouca gente
Do tempo do ronca - Muito antigo, fora de moda, ultrapassado

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sertânia cidade de poetas



Lio de Souza e Tiago de Carnaíba dos Dantas

Lio de Souza e Tiago de Carnaíba dos Dantas e o poeta Gaudêncio

Renato de Sertânia




Casa da Cultura de Sertânia

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Papangu

Personagens indispensáveis no carnaval de Pernambuco, os papangus são hoje alegres foliões mascarados que circulam pelas ruas das cidades, dando um colorido especial à festa. Mas, nem sempre foi assim. Originalmente, os papangus eram figuras grosseiras e temidas que acompanhavam as procissões religiosas, tocando trombeta e dando chicotadas em quem atrapalhasse o cortejo.

Veja, aqui, o que alguns estudiosos da cultura popular dizem sobre esses famosos tipos:

Em artigo sobre as procissões religiosas em Pernambuco, publicado pela Revista de História Municipal, em junho de 1978, Renan Pimenta Filho assim descreve os papangus: ?Indivíduo que ia à frente da Procissão de Cinzas (realizada na quarta-feira de cinzas no Recife e em Olinda) encarregado de tocar corneta anunciando o cortejo. Ele vestia uma túnica de tecido escuro, tinha a cabeça e o rosto cobertos por um capuz branco com três buracos ? um na boca e dois nos olhos. Levava um chicote com o qual batia nos moleques que tentavam perturbar o desfile religioso. Atrás do papangu, vinham as várias alas da procissão?.

No Dicionário do Folclore Brasileiro, Luís da Câmara Cascudo informa que ?o termo papangu vem de uma espécie grosseira, assim apelidada, e que, à espécie de farricoco (NR. encapuzado que acompanhava as procissões de penitência tocando trombeta de vez em quando), tomava parte nas extintas procissões de cinzas, caminhando a sua frente, armado de um comprido relho (chicote de couro torcido), com que ia fustigando o pessoal que impedia a sua marcha?.

Figura temida, sobretudo pelas crianças, o papangu que puxava as procissões religiosas começou a ser questionado até que, em 1831, foi proibido, através das Posturas da Câmara Municipal do Recife: ?Ficam proibidos os farricocos e papangus, figura de morte e de tirano, nas procissões que a Igreja celebra no tempo da Quaresma?. Depois dessa proibição, o termo papangu passou a denominar tudo o que fosse agressivo, grosseiro. Em 1846, circulou no Recife um jornal político, de linha editorial panfletária, sob o título de ?O Papa-Angu?.

Atualmente, como todo bom folião sabe, os papangus são apenas alegres mascarados que enchem as ruas das cidades pernambucanas, nos dias de carnaval. O município de Bezerros, a 100 quilômetros do Recife, é a região do Estado que apresenta a maior concentração desse tipo de carnavalesco. Ali, segundo os moradores, os primeiros papangus de que se têm notícias surgiram na década de 1930. Eram os chamados ?papangus pobres?, que trajavam roupas velhas e máscaras rústicas confeccionadas com papel jornal e goma.

A partir dos anos 1960, os papangus de Bezerros ficaram mais numerosos, embora uns ainda usando fantasias pobres, mas outros já exibindo batas coloridas e máscaras bem trabalhadas. A partir da década de 1990, depois que a televisão começou mostrar aquela característica do carnaval da cidade, os papanguns bezerrenses passaram a usar máscaras sofisticadas, confeccionadas com todo tipo de material e desenhadas por artistas plásticos locais ou de outras regiões do Estado. A ?brincadeira? cresceu tanto que, hoje, a cidade é conhecida como a Terra dos Papangus.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Homem da Meia-Noite


Fundado em 1932, o clube carnavalesco de alegoria misto "O Homem da Meia-Noite" é uma das mais famosas agremiações de Olinda. Com o seu boneco gigante, sai às ruas a zero hora do sábado, abrindo o carnaval da cidade.

Atualmente, o bloco nada mais é que o gigantesco boneco e o estandarte, acompanhados por uma orquestra de frevos, arrastando uma multidão pelas históricas ladeiras olindenses. Mas, nem sempre foi assim. Já houve épocas em que o clube desfilava com carros alegóricos, enredo previamente definido e fantasias luxuosas.

De acordo com o autor do Livro "Olinda, Carnaval e Povo", o carnavalesco José Ataíde, mais conhecido por Zé de Marli, uma das maiores exibições de "O Homem da Meia-Noite" aconteceu no carnaval de 1945. Naquele ano, o clube levou às ruas quatro carros alegóricos, uma cavalariça com 40 cavaleiros e dezenas de participantes luxuosamente fantasiados. Entre as alegorias, uma representava as ruínas do antigo senado de Olinda e as outras compunham o enredo do desfile que se referia aos trabalhadores, ao trabalho.

"O Homem da Meia-Noite" surgiu como troça, categoria a qual pertenceu até 1936. Seus fundadores foram: Benedito Bernardino da Silva, Cosme José dos Santos, Sebastião Bernardino da Silva, Luciano Anacleto de Queiroz, Eliodora Pereira de Lira e Manuel dos Santos. O Clube tem sede própria, na Rua do Bonsucesso, e desde a sua fundação mantém a tradição de desfilar seguindo exatamente o mesmo percurso. O boneco gigante tem a aparência do seu construtor, Benedito Bernardino da Silva que também é autor do hino do clube cuja letra tem apenas quatro versos:

Lá vem o Homem da Meia-Noite
Vem pelas ruas a passear
A fantasia é verde e branca
Para brincar o carnaval.

O nome da troça, pelo menos de acordo com uma das versões mais populares, deve-se ao seguinte fato: todo dia, exatamente à meia-noite, um homem voltava para casa, na Rua do Bonsucesso, seguindo, a pé, o mesmo caminho. Depois de um certo tempo, essa rotina do homem foi descoberta e ele passou a ser aguardado, com ansiedade, pelas donzelas da rua que se plantavam atrás das janelas para, através das frestas, apreciar o bonitão. Esse episódio ganhou fama e, em seguida, surgiu o troça que, curiosamente, desfila seguindo o mesmo percurso desde a sua fundação.