segunda-feira, 7 de março de 2011

Origem do Aflitos



ORIGEM - O bairro dos Aflitos surgiu em torno de uma pequena igreja, a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, construída em 1762 nas terras de um fazendeiro. Por conta da capela, a fazenda, que antes tinha outra denominação, ficou conhecida como Aflitos, nome depois conservado pelo bairro.

A pequena igreja ainda existe, foi restaurada recentemente, e está localizada na Avenida Conselheiro Rosa e Silva, nas proximidades da esquina com a Rua Amélia. Inicialmente, a igreja era propriedade particular (do dono da fazenda) e hoje pertence à Paróquia do Coração Eucarístico de Jesus.

Internamente, a capela foi reconstruída no século 19, mas sua fachada é original. A capela tem um altar mor dedicado a sua Padroeira (Nossa Senhora dos Aflitos) e cinco altares laterais, um deles de invocação ao Senhor dos Passos.

SITUAÇÃO ATUAL - O bairro dos Aflitos tinha em 2.000 (Censo IBGE) uma população de 4.382 mil habitantes e era um dos poucos da cidade onde as diferenças sociais entre os moradores são mínimas. O bairro não possui favela e mais de 99% dos imóveis residenciais são atendidos pelos serviços de abastecimento de água, esgoto e coleta de lixo.

O índice de analfabetos entre as crianças de 10 a 14 anos é baixíssimo (apenas 1,2%) e apenas 2% dos chefes de famílias residentes no bairro têm três anos ou menos de escolaridade. Quanto à renda dos moradores, apenas 3,6% têm renda mensal igual ou menor que dois salários-mínimos.

Num estudo para tese de mestrado apresentada em 1998, a médica sanitarista Maria José Guimarães pesquisou todos os 94 bairros do Recife, com a finalidade de detectar as condições de vida dos moradores, e os Aflitos obteve o primeiro lugar em "Elevada Condição de Vida".

Na pesquisa, a médica calculou o índice de condições de vida dos bairros utilizando sete indicadores: abastecimento de água, ligação com a rede de esgoto, coleta de lixo, média de pessoas por dormitório, anos de escolaridade dos chefes de família, renda mensal dos moradores e população analfabeta.

Área: 30,6 hectares

Densidade demográfica: 143,17 hab./ha

sábado, 5 de março de 2011

Reginho e Banda Surpresa




Parabólicas deixam interior isolado da capital


Na busca por melhor imagem e mais opções de canais de televisão, a população das cidades do interior pernambucano tem aderido em massa ao uso de antenas parabólicas. Essa prática é boa, na medida em que proporciona conforto e deixa o telespectador ligado no mundo. Mas, ao mesmo tempo, é ruim, porque ela deixa os pernambucanos completamente alheios ao que acontece no seu próprio Estado.

Esse isolamento ocorre porque todos os canais de TV sintonizados via parabólica são de outras regiões do Brasil, sobretudo de São Paulo e Rio de Janeiro. Desta forma, a "programação local" (desde telejornais, flash, jogos de futebol etc.) transmitida por essas emissoras diz respeito, claro, aos seus respectivos estados. Notícias de Pernambuco, só mesmo quando o fato é destaque nacional.

Em períodos eleitorais, a situação é mais absurda ainda: o sertanejo reúne a família diante da TV, durante o horário da propaganda eleitoral gratuita, para ficar escutando os discursos de candidatos cariocas, paulistas, catarinenses ou até mesmo paraibanos - nunca de um pernambucano. Daí, muita gente não saber, por exemplo, quem é o governador de Pernambuco ou o prefeito do Recife.

Josefa Cândido da Silva, agricultora de 45 anos, é um caso típico desse telespectador parabólico. Moradora de uma casa de taipa no Sítio Quinto Barracão, no município de Sertânia, ela viveu sem acesso à TV até 2001, ano em que reuniu as economias, comprou uma antena por R$ 350,00 e passou a captar imagem de primeira qualidade. “Antes da parabólica, a televisão aqui só pegava uns riscos”, informa ela.

Dona Josefa mora com um filho de 18 anos e o companheiro, também agricultor, e diz que foi um sacrifício comprar a antena, porque o dinheiro que ganham é curto: “mas se a gente não fizesse isso, a gente não via nada.” Ela quer dizer: a família não assistiria a telenovelas e outros programas nacionais. Porque informações de Pernambuco, os três só têm através do rádio. “Coisas daqui, só de rádio mesmo”.

De acordo com técnicos do Departamento de Telecomunicações de Pernambuco (Detelpe), esse isolamento televisivo do interior do Estado não deveria acontecer. Isto porque, além da TV Pernambuco (que transmite uma TV Educativa para 40 localidades), o Detelpe opera um sistema de retransmissão com 70 estações repetidoras que, em tese,leva pelo menos um canal (no caso a Globo) para todo o território pernambucano.

O problema é que esse sistema não vem cumprindo a sua função com qualidade, pelos seguintes motivos: Está defasado do ponto de vista tecnológico, pois foi montado há 25 anos quando ainda não tínhamos sistema de transmissão de TV via satélite mas, sim, repetição via terrestre. E mais: algumas estações repetidoras são constantemente invadidas por ladrões que roubam dali cabos e equipamentos.

Em Lagoa Grande, por exemplo, além de cabos e outros materiais, roubaram inclusive o transformador de energia elétrica, deixando a estação totalmente às escuras. As estações dos municípios de Jatobá e Inajá também já foram assaltadas. A todas essas deficiências, acrescente-se o fato de que a população não se satisfaz com apenas um canal de TV. Daí, a proliferação de antenas parabólicas e o conseqüente isolamento das nossas populações interioranas.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Conflito na Paraíba resulta no assassinato de João Pessoa

1930 - O ASSASSINATO DE JOÃO PESSOA


João Pessoa, eleito presidente da Paraíba em 1928, foi assassinado no dia 26 de julho de 1930, no interior de uma confeitaria em Recife, Pernambuco. De sua biografia consta que razões de cunho político motivaram o homicídio, mas outros relatos dão versão diferente ao acontecimento. Um deles pode ser encontrado no site da Assembléia Legislativa de Pernambuco, cujo endereço é www.alepe.pe.gov.br. O texto diz que:

Em 1928, foi eleito presidente do seu Estado (...) No ano seguinte teve seu nome lançado para vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas, pela Aliança Liberal. (...) A campanha foi conturbada na Paraíba, principalmente quando um dos aliados de João Pessoa, o "coronel" José Pereira, chefe político no município de Princesa, rompeu com os aliancistas e aderiu (...) à candidatura Júlio Prestes e Vital Soares, apoiada pelo presidente Washington Luís. Sob o comando de Pereira, a cidade de Princesa iniciou uma rebelião contra o Governo estadual. Nesse período, realizou-se o pleito presidencial que deu a vitória à chapa governista. Inconformados com o resultado, os opositores iniciaram um movimento para impedir a posse de Júlio Prestes. (...) Sem armas para enfrentar os rebeldes, a Polícia paraibana passou a invadir casas e escritórios de pessoas suspeitas de estocar armamentos e munições destinadas aos comandados de José Pereira. O jornal paraibano A União noticiou, então, a invasão à casa de João Dantas, (...) de onde vários papéis foram confiscados. Entre essa documentação, estavam cartas de amor trocadas por Dantas e uma namorada, Anayde Beiriz. O episódio levou à exacerbação dos ânimos e culminou com o assassinato de João Pessoa, na Confeitaria Glória, no Recife, por João Dantas. Discute-se, ainda hoje, o real motivo do crime: se político ou passional.

O ano de 1930 nascera sob maus presságios. Poucos meses antes, o crack na bolsa de Wall Street em Nova Iorque já estava repercutindo negativamente sobre a economia brasileira, com a crise na cafeicultura e nas exportações.

A sucessão presidencial ia num crescendo preocupante. Antônio Carlos, presidente de Minas, era o candidato natural à sucessão de Washington Luís, um paulista de Macaé, e que, findo o seu quadriênio no Catete, deveria ser sucedido por um mineiro, em obediência à tradição republicana.

Citado por Alzira Vargas do Amaral Peixoto, no livro Getúlio Vargas, Meu Pai - Ed. Globo - Pág. 47, o catarinense Lauro Müller, com a frustração dos sonhos de seu estado em fazê-lo presidente da República, dizia numa clarividente previsão:

- Enquanto o governo do país permanecer nas mãos desses portugueses de Minas e de São Paulo, não haverá perigo; cuidado, porém, com esses espanhóis do Rio Grande do Sul, porque estes, se tomarem conta do poder, custarão a sair.

Com o apoio de Washington Luís a outro paulista (no caso, Júlio Prestes), rompia-se a monotonia dessa gangorra Minas-São Paulo. Aí, bafejada pela reação e pelo estímulo mineiros, surgia a candidatura de Getúlio, presidente do Rio Grande do sul, que até então se mantivera fiel à orientação política do governo federal - fora antes, inclusive, seu ministro da Fazenda - , mas que se transformaria no candidato da oposição.

O companheiro de chapa era o presidente da Paraíba, João Pessoa, a braços com a rebelião local de José Pereira num reduto no interior paraibano, que todos imaginavam apoiado por Washington Luís e que, à frente de jagunços, anunciava a criação do Território Livre de Princesa.

Dias após as eleições, realizadas a 1º de março, a vitória da chapa Júlio Prestes-Vital Soares era tão esmagadora que normalmente deveria desestimular qualquer protesto da oposição. Mas acontece que essa oposição não aceitava o resultado das urnas, acusando-o de falso porque obtido através de extensa fraude eleitoral. Era a primeira vez que a oposição derrotada reagia. Mas não seria a última em que se falaria de fraude. Muito pelo contrário.

A revolução, coordenada por Góes Monteiro, Oswaldo Aranha, João Alberto, João Neves da Fontoura, Flores da Cunha, Maurício Cardoso, Antunes Maciel, João Carlos Machado, Virgílio de Melo Franco, Juarez Távora, Juracy Magalhães, Afonso de Albuquerque Lima, Batista Luzardo e vários outros, já estava praticamente na rua e sua articulação atingiu o auge do emocionalismo com o assassinato de João Pessoa, na Confeitaria Glória, Recife.

Em www.paraiba..pb.gov.br, texto datado de 05.01.2005 lança um pouco mais de luz sobre a tragédia. Com o título “Um centenário de nascimento da poetisa Anayde Beiriz, mártir da maior cafajestada da história política da Paraíba”, ele diz:


O próximo dia 18 de fevereiro é a data que marca o centenário do nascimento da professora e poetisa paraibana Anayde Beiriz. Provavelmente, esta data passaria despercebida por muitos não fosse uma reforma que atualmente está em andamento na casa localizada à rua Santo Elias, 176, em João Pessoa. (...) O fato serviu para resgatar um pouco da história de Anayde Beriz, que no filme "Paraíba, mulher macho", teve sua importância reduzida à condição de mera amante do assassino do presidente João Pessoa. Diferentemente do que é apresentado no longa metragem de Tizuka Yamazaki, Anayde Beiriz não foi uma simples passageira do tempo que entrou para história por trágica casualidade do destino, mas provavelmente a mais importante personagem feminina da história paraibana. Anayde escrevia para os jornais da época. Mulher bastante ousada que ia de encontro aos preceitos dogmáticos de uma sociedade dominada pelo machismo conservador, ela foi a primeira a usar os cabelos pintados e cortados muito curtos, à "la garçonne". Passeava pelas ruas desacompanhada, fumava, usava decotes sensuais e era avessa á idéia de casar e ter filhos. Aos dezessete anos concluiu o curso normal, diplomada em primeiro lugar da turma, e com vinte anos ganhou um concurso de beleza. Porém, em seus curtos vinte e cinco anos de vida, destacou-se como uma combatente defensora da igualdade de direitos para ambos os sexos, professora, amante das artes e poetisa, cujos poemas de singular apelo sensuais eram classificados como devassos até por setores das classes intelectuais menos comprometidos com as normas morais vigentes.

Em 1928, Anayde Beiriz, com vinte e três anos de idade, iniciou seu romance com o advogado e ativista político João Dantas, ferrenho adversário de João Pessoa, então presidente da Província da Paraíba. Eles mantinham uma relação amorosa bastante liberal para a época. Um casal apaixonado que trocava confidências amorosas através de cartas e poemas eróticos, os quais eram guardados no escritório de João Dantas, como partes integrantes de suas vidas privadas. Em 1929, João Pessoa, na qualidade de vice, e Getulio Vargas, como presidente, lançaram chapa de oposição à Presidência da Republica. Na Paraíba, o cel. José Pereira, de Princesa, a quem João Dantas se ligava politicamente, era o principal adversário político do Presidente da Paraíba. Em 1930, a campanha pela sucessão do Presidente da República Washington Luís foi bastante acirrada, mas, realizado o pleito, a chapa situacionista, encabeçada por Júlio Prestes, foi declarada vitoriosa. Nada mais restava a chapa de oposição, formada por Getúlio Vargas e João Pessoa, senão lamentar a derrota,. Porém, alguns fatos ocorridos na Paraíba iriam mudar o rumo da história do Brasil. De retorno à Capital, vindo da Serra de Teixeira, onde visitara seu ao pai enfermo, João Dantas constatou que seu escritório fora invadido e saqueado pela polícia, a mando de João Pessoa, e todo o seu conteúdo espalhado e afixado em lugares públicos, expostos à curiosidade alheia. Apercebeu-se, João Dantas, que as cartas, poemas eróticos e fotografias sensuais, e até mesmo o diploma de Anayde, eram motivos de galhofas de toda a sociedade. João Dantas se sentiu profundamente humilhado ao ver o seu sagrado direito de privacidade ser violado.

O resto da história todos sabem qual foi. Sabiamente, diz um velho provérbio: "Quem governa faz a História, pois a História pertence aos vencedores". Por muito tempo a história oficial tentou esconder os verdadeiros motivos que culminaram na tragédia da Confeitaria Glória. Getulio Vargas chegou ao poder graças á morte de João Pessoa, e como gratidão o transformou em mito. Não se discute a ética nem o caráter dos mitos, por isso João Pessoa tem resistido incólume ao julgamento da história. Para que escrever que naquela ocasião João Pessoa foi ao Recife se encontrar com uma amante, se fica mais sublime dizer que ele foi tratar de assuntos políticos, como fazem os grandes estadistas? Que importa saber se na Confeitaria Glória João Pessoa contava triunfantemente aos correligionários a humilhante peça que armara contra seu adversário político?

Concomitantemente, a história oficial deixou transparecer que João Dantas era um homem rude, de pensamento retrógrado e posições anárquicas, que alimentava um amor libertino por uma insignificante e devassa professorinha de uma colônia de pescadores. Por outro lado, João Pessoa, foi elevado à categoria de herói assassinado, João Dantas e Anayde Beiriz foram relegados aos grupos dos fracos e arrependidos, que renunciam ao sagrado direito de viver através do louco caminho do suicídio. Desta forma, hoje o nome de João Dantas continua prescrito na história política da Paraíba, enquanto que João Pessoa dá nome à cidade em que nasceu. Anayde Beiriz teve o corpo enterrado como indigente, na capital pernambucana.

Conseqüências da Morte de João Pessoa


João Dantas: Suicídio ou Assassinato!?

"Fique certo que nenhum Dantas se amedrontará nem se humilhará diante vosso capricho... Sou forçado lembrar, sem estardalhaço tão do agrado do vosso temperamento teatral, que felizmente tendes filhos, e juntamente com eles responderais pelo que sofrer a minha família."

(de um telegrama de João Dantas a João Pessoa)

"A procura do seu difamador percorria as ruas do bairro comercial. Depois de varejar todos os recanto veio encontrá-lo, sentado, em uma roda de amigos, na "Confeitaria Glória". Dominando a exaltação, natural do momento, controlou seus nervos que os sabia dominar. Enfrentando seu rancoroso inimigo, teve a altivez de lhe dizer quem era o autor do fim dos seus dias - "João Pessoa, sou Dr. joão Duarte Dantas, a quem tanto injuriaste e ofendeste" - e isto lhe dizendo, por três vezes lhe descarregou a arma, para ele amiga, porque lhe pareceu que, naqueles disparos que o fizeram tombar, caia também o peso da inclemencia que tanto o oprimia, e assim tinha, novamente, limpa a sua honra que, ignobilmente, fora tantas vezes ultrajada."

(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

"... Eu agi porque me afrontaram ao extremo, e o fiz sem ouvir a ninguém, por minha mão, por minha responsabilidade exclusiva..."

(de uma carta de João Dantas escrita da prisão, em Recife)

- "Mas Dr. Dantas, o Sr. cometeu o maior crime do mundo!"
- Sim, Dr., depois que recebi a maior afronta do universo"

(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

"E, as 15h00 e mais alguns minutos eram barbaramente sangrados, miseravelmente mortos, na penitenciária do Recife, o engenheiro Augusto Moreira Caldas e o Dr. João Duarte Dantas. Trucidavam, os canibais, duas indefesas criaturas!"

(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

Tirem suas próprias conclusões!

Imagens retiradas do Livro 'Por que João Dantas Assassinou João Pessoa' e colhidas no site http://www.princesapb.com/.


Este texto também foi publicado em www.efecade.com.br, que o autor está construindo. Visite-o e deixe a sua opinião!

Na versão dos Dantas

A história que a família conta é que no final da década de 20, João Dantas era inimigo político e pessoal de João Pessoa, governador da paraíba e sobrinho do então presidente Eptácio Pessoa. Foi então que José Américo, Hoje concorre a paraibano do século, ocupava um cargo importante ligado a segurança no governo e mandou invardir o apartamento de João Dantas, roubou cartas confidênciais ..., e publicou anônimanente. João Dantas puto da vida por ter sido difamado, pensou que fora João Pessoa e o jurou de morte, avisou que iria morar em recife e no dia que ele fosse a pernambuco estaria morto. Não deu outra, um ano depois João pessoa estava em Recife numa padaria, João Dantas o viu, foi pegar sua arma em casa e o matou como havia prometido. Já no presídio foi assassinado em circunstâncias nunca esclarecidas.

Depois deu-se inicio a perseguição aos dantas na paraíba junto com a revolução de trinta. Meu avô, José Lindolpho Dantas Corrêia de Goes, que morava em Teixeira, no interior da paraíba, contava histórias de emboscadas com a polícia, ainda cheguei a conhecer casas de fazenda com aberturas para os rifles e tal. Alguns amigos dele ficaram escondidos por meses na mata, etc. Por fim os paraíbanos deram o nome da capital de João Pessoa (chamava-se paraíba). Tem outras histórias muito interessantes sobre os dantas.

http://boards.ancestry.com/surnames.dantas

JOÃO DANTAS NÃO É HERÓI

A pergunta que faço aqui agora é a seguinte: se João Dantas não tivesse matado João Pessoa, seria lembrado hoje em dia como alguém de relativa importância? Seguramente não. Era um advogado como outro qualquer, com escritório funcionando no centro da Capital, tendo clientes razoáveis e um grupo de amigos comuns, que não projetam nem desqualificam. Tudo dentro da normalidade. Sim, gostava de um rabo de saia, coisa que todo homem gosta. Sendo solteiro, namorava a torto e a direito, até que encontrou Anayde Beiriz, por quem se enrabichou, atraído pelos seus dotes de poetisa e pelo seu comportamento incomum num tempo em que mulher não mostrava a canela ao distinto público e se chumbregava com algum homem, o fazia na calada da noite, no escondido do quarto.Dizem que era valente, mas lendo a sua história vê-se que era mais rancoroso do que destemido. E odiava a João Pessoa, o presidente do Estado, por conta de interesses contrariados dele e da família. Se fosse só por Anayde e pelas cartas que se transformaram, ao longo dos anos, em símbolos de um amor trágico tipo Romeu e Julieta, garanto que João Pessoa teria morrido de velhice. João Dantas tinha raiva de João Pessoa por outros motivos. Inclusive empresariais. O presidente da Paraíba atrapalhou negócios da família Dantas em Teixeira e isso não caiu no agrado do advogado, que começou a escrever cartas violentas, desqualificando o presidente, chamando-o de doido, de João Porteira. Tudo desaforo, dito nas folhas dos jornais, a distância mantida, um ouvindo da Paraíba o que o outro mandava dizer de Pernambuco.

Pelo que se lê nos livros da história, João Pessoa não ligava muito para João Dantas. Não dava-lhe cabimento. O presidente se preocupava, sim, com Zé Pereira, que lhe tirava o sono direto de Princesa, armando um exército para desafiá-lo e aos seus soldados. Dantas não. Era apenas um homem comum que dizia desaforos nos jornais dos Pessoa de Queiroz e que era repreendido, no mesmo tom, pelos que escreviam em A União. Ou seja, João Pessoa lia os ataques, mas deixava aos seus subordinados a missão de respondê-los.


A invasão ao escritório de João Dantas foi iniciativa dos babões do presidente. João Pessoa soube dela depois de consumada. E as cartas, as famosas cartas que foram utilizadas como justificativa para a morte de João Pessoa, eram aquelas trocadas entre João e o pai, nas quais se falava de aproveitamento de verbas federais para construção de açudes nas propriedades da família Dantas. Ou seja, dinheiro enviado ao Estado com a missão de ajudar o povo e que seria desviado para as terras dos Dantas, em Teixeira. As cartas que teriam Anayde como protagonista eram café pequeno perto das que falavam das mutretas dos Dantas.


Quanto ao incidente do Recife, que transformaria Dantas em Herói, em homem de incontestável coragem, faço ressalvas. João Dantas matou João Pessoa a traição. Chegou perto dele e, quando o homem levantou a cabeça para vê-lo, disse: "João Pessoa, sou João Dantas" e mandou bala. Deu-lhe três tiros na caixa dos peitos, sem permitir a menor reação. João Pessoa morreu sorrindo, sem entender nada. Desse jeito, qualquer um pode ser herói.

Fonte:
tiaolucena@jpa.neoline.com.br

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Pedra do Reino


É inspirado em um episódio ocorrido no século XIX, no município sertanejo de São José do Belmonte, a 470 quilômetros do Recife, onde uma seita, em 1836, tentou fazer ressurgir o rei Dom Sebastião - transformado em lenda em Portugal depois de desaparecer na África (Batalha de Alcácer-Quibir): sob domínio espanhol, os portugueses sonhavam com a volta do rei que restituiria a nação tomada à força. O sentimento sebastianista ainda hoje é lembrado em Pernambuco, durante a Cavalgada da Pedra do Reino, por manifestação popular que acontece anualmente no local onde inocentes foram sacrificados pela volta do rei. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta é um romance do escritor brasileiro Ariano Suassuna, publicado em 1971.Suassuna iniciou o Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, seu nome completo, em 1958 para concluí-lo somente uma década depois, quando o autor percebeu o que o levou a escrever o romance: a morte do pai, quando tinha apenas três anos de idade – tragédia pessoal presente na literatura de Suassuna, e a redenção do seu "rei" – uma reação contra o conceito vigente na época, segundo o qual as forças rurais eram o obscurantismo (o mal) e o urbano o progresso (o bem).

A história, baseada na cultura popular nor
destina e inspirada na literatura de cordel, nos repentes e nas emboladas, é dedicada ao pai do autor e a mais doze “cavaleiros”, entre eles Euclides da Cunha, Antônio Conselheiro e José Lins do Rego.

Um "romance-memorial-poema-folhetim", como definiu o poeta Carlos Drummond de Andrade, narrado pelo seu protagonista, Dom Pedro Dinis Ferreira Quaderna, que constrói um monumento literário à cultur
a caboclo-sertaneja nordestina, marcada pelas tradições do mundo ibérico (Portugal e Espanha), trazidas pelos primeiros colonizadores europeus e transfeitas ao longo dos séculos. Segundo observação do crítico literário João Hernesto Weber, na obra podem ser encontradas "duas distintas tradições a informarem a concepção de mundo do herói: a tradição mítico-sertaneja e a tradição erudita".

O personagem-narrador, Quaderna, é preso em Taperoá por subversão, faz sua própria defesa perante o corregedor e, para tanto, relata a história de sua família, escrita na prisão. Declara-se descendente de legítimos reis brasileiros, castanhos e "cabras" da Pedra do Reino - sem relação com os "imperadores estrangeiros e falsificados da Casa de Bragança" - e conta
o seu envolvimento com as lutas e as desavenças políticas, literárias e filosóficas no seu reino.

ARIANO SUASSUNA (1927)


Vida: Ariano Suassuna nasceu na então cidade de Nossa Senhora das Neves - hoje João Pessoa, capital da Paraíba. Logo em seguida, tendo seu pai, João Suassuna, deixado o governo do estado, Ariano acompanha a família de volta para a região do alto sertão paraibano, onde a mesma tinha várias fazendas. Assassinado o pai, a família deixa a região, mudando-se para a cidade de Taperoá, no chamado sertão seco, onde o futuro dramaturgo e romancista faz seus estudos primários. Em 1938 há nova mudança, desta vez para Recife, onde cursa o ginásio, estudando também música e pintura. Em 1946 entra para a Faculdade de Direito, ligando-se ao círculo de poetas, escritores e artistas da capital pernambucana e interessando-se cada vez mais pelo romanceiro popular nordestino e pelo teatro. Em 1952 começa a trabalhar em advocacia mas logo abandona a profissão, dedicando-se ao magistério e à atividade de escritor. Hoje é secretário de cultura do Governo do Estado de Pernambuco e amado por todos os Pernambucanos e continua dedicando-se as suas atividades literárias.


Obra: Com extensa obra teatral - publicou, entre outras, as peças Auto da compadecida, O santo e a porca, A farsa da boa preguiça -, Ariano Suassuna escreveu em 1956 A história do amor de Fernando e Isaura, romance até hoje inédito. Em 1958 começou a trabalhar em Quaderna, o decifrador, uma trilogia composta de:

I - A pedra do reino
II - O rei degolado
III - Senésio, o alumioso

A PEDRA DO REINO

Publicado em 1970, A pedra do reino continua sendo considerado um romance completo, pois até hoje as duas outras partes da trilogia não vieram a público, pelo menos em edições comerciais. Em vista disso, a possibilidade de análise é um tanto precária, apesar de a obra oferecer, em suas mais de 600 páginas, matéria suficiente não apenas para ensaios como para livros inteiros.

De leitura um pouco árida na primeira centena de páginas, A pedra do reino, mesmo isolada da trilogia de que faz parte, é um verdadeiro monumento literário que se liga à cultura caboclo-sertaneja nordestina, muito marcada pelas tradições do mundo ibérico (Portugal e Espanha), trazidas pelos primeiros colonizadores europeus e transformadas ao longo dos séculos.

Em linhas gerais, A pedra do reino é a apresentação do memorial - obviamente em primeira pessoa - de D. Dinis Ferreira - Quaderna, que, preso em Taperoá, faz sua própria defesa perante o corregedor e, para tanto, conta a história de sua família, das desavenças, das lutas e das controvérsias políticas, literárias e filosóficas em que se vira envolvido. Como diz um crítico, na obra de Suassuna podem ser percebidas "duas distintas tradições a informarem a concepção de mundo do herói: a tradição mítico-sertaneja e a tradição erudita" (J. H. Weber). O que faz, como no caso de todas as demais obras da nova narrativa, com que A pedra do reino se diferencie claramente do romance brasileiro tradicional.

Aurora Pernambucana

Primeiro jornal de Pernambuco, fundado pelo governador Luiz do Rego Barreto e escrito pelo seu secretário Rodrigo da Fonseca Magalhães. O número 01 circulou a 27 de março de 1821, em formato 25x17cm, com quatro páginas em papel de linho. Foi impresso na Oficina do Trem Nacional de Pernambuco, "com licença do Ministro da Polícia", e vendido a 80 réis cada exemplar.

No editorial, denominado "Introdução", estava escrito que o objetivo do jornal era o desejo do governador e do capitão-geral em "instruir o público de tudo quanto se fizesse a favor da causa d'El-Rei e da Nação". A periodicidade era indefinida: "Não é possível por agora publicar este jornal de dois em dois dias, ou diariamente, como se deseja, sairá quando puder ser..."

quarta-feira, 2 de março de 2011

Festas Populares no mês de março




MARÇO

FESTA DE SÃO JOSÉ

Festa popular religiosa em louvor ao Santo que é padroeiro de vários municípios do interior do Estado. Com novena, missa e procissão. E a parte profana com shows musicais, parque de diversões e barracas com bebidas e comidas típicas.
Data: 19
Local: Centro de várias cidades como Bezerros, Ibimirim, Surubim, Custódia, São José do egito e outras.

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO MUNICÍPIO DE FLORSTA

Tradicional festa da cidade, com shows musicais, parque de diversões, barracas com bebidas e comidas típicas.
Data: 31
Local: Centro de Floresta

terça-feira, 1 de março de 2011

Você conhece o Ibura



O bairro da Ibura integra a 6ª Região Político-Administrativa do Recife (RPA-6), na Zona Sul da cidade, formada por um total de 08 bairros.

O Ibura está localizada entre os bairros de Arreias, Barro, Caçote, Ipsep, Imbiribeira, Boa Viagem, Jordão e Cohab.

É o terceiro maior bairro recifense em extensão territorial, atrás de Guabiraba e da Várzea.

ORIGEM - Na área onde hoje está localizado o bairro do Ibura existiu, no século XIX, um engenho-de-açúcar denominado Engenho Ibura ? palavra indígena (Tupi-Guarani) que significa ?água que arrebenta, fonte?.

Na localidade de Vila dos Milagres, à margem da BR-101 Sul, existe uma bica de água potável, em área sob controle do 4º Batalhão de Comunicação do Exército, jorrando 24 horas por dia há décadas.

Conhecida como a Bica dos Milagres, a fonte é muito procurada não apenas por moradores da redondeza que ali se abastecem, mas por pessoas que vêm de outras áreas do Recife e até mesmo do interior do Estado. Isto porque a água teria poderes de cura.

Esta fonte (e talvez outras que por ali existiram) teria dado origem ao nome do antigo engenho-de-açúcar.

No início da década de 1940, surgiu no Ibura uma pista de pouso para pequenas aeronaves que ficou conhecida como Campo de Ibura. Esse campo deu origem ao Aeroporto Internacional dos Guararapes, atualmente localizado no bairro da Imbiribeira.

Conforme dados do Censo IBGE, em 2000 a população do Ibura tinha uma renda média mensal de R$ 456,12. Outros dados do Censo:

População: 43.681 habitantes

Área: 1.005,7 hectares

Densidade: 43,43 hab./ha

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Primeiro boneco gigante do Brasil surgiu no sertão


Ao contrário do que muita gente pensa, os bonecos gigantes que hoje representam uma das maiores atrações do carnaval pernambucano não "nasceram" em Olinda. A primeira vez que uma dessas figuras foi usada para animar um carnaval brasileiro aconteceu em Belém do São Francisco, cidade do sertão pernambucano, a 486 quilômetros do Recife.

O episódio ocorreu durante o carnaval de 1919 (em Olinda o primeiro boneco só apareceria em 1932), quando Belém realizava uma das mais animadas festas do interior. E essa primeira alegoria, batizada de Zé Pereira, era um boneco de quatro metros, sendo o corpo uma estrutura em madeira vestindo um macacão estampado e a cabeça confeccionada em papel machê. Ou seja, em tudo igual aos atuais bonecos.

No livro "Os Gigantes Foliões de Pernambuco", lançado em 1992, o pesquisador Olímpio Bonald Neto já se referia a esse pioneirismo de Belém do São Francisco. Agora, um outro livro tratando do mesmo tema (este em fase de elaboração) não só vem confirmar a origem como traz vários detalhes sobre o surgimento do primeiro boneco sertanejo.

Segundo a historiadora Tercina Bezerra (autora do livro sobre as manifestações culturais do município), o criador do primeiro boneco gigante de Belém foi um jovem chamado Gumercindo Pires de Carvalho. Rapaz festeiro, ele reuniu um grupo de amigos, pediu ajuda a uma tia que fabricava bonecos para presépios natalinos, confeccionou a alegoria e o grupo caiu no passo pelas ruas da cidade.




Antes do Zé Pereira gigante, os moradores de Belém do São Francisco tinham como única referência a esse tipo de bonecos os relatos do primeiro pároco da localidade, o belga Norberto Phalempin. É que, entre 1905 e 1928, o padre viveu a narrar as festas européias com procissões que usavam bonecos representando figuras bíblicas. De acordo com a historiadora, foi a partir daí que Gumercindo teve a idéia de usar um boneco no carnaval.

Em 1929, o mesmo grupo de foliões que iniciou a troça resolveu criar uma companheira para o Zé Pereira, surgindo então a boneca batizada de Vitalina. Os dois gigantes bonecos casaram-se e, desde então, constituem uma das atrações do carnaval de Belém do São Francisco, onde chegam, de barco, de uma fictícia viagem para abrir a festa na cidade.