terça-feira, 12 de abril de 2011

Nova Jerusalém: idealizador revela origem do Drama da Paixão (PARTE II)


Nova Jerusalém, a Cidade-Teatro

Localizada no Distrito de Fazenda Nova, no município de Brejo da Madre de Deus, a 204 km de Recife, Nova Jerusalém é uma réplica da antiga Jerusalém dos tempos de Jesus Cristo. Com 100 mil m² de extensão, tem uma área (cercada por uma grande muralha de pedras) equivalente a 1/3 da Jerusalém original, onde Jesus viveu seus últimos dias.



Considerada o maior teatro ao ar livre do mundo, a cidade-teatro tem 09 palcos gigantes (reproduzindo, entre outros, o Palácio de Herodes, o Fórum de Pilatos, o Cenáculo da última Ceia), onde o Drama da Paixão é encenado, ao vivo, por atores profissionais e dezenas de figurantes, estes recrutados entre a população local.

Nova Jerusalém foi construída por iniciativa de Plínio Pacheco, um jornalista gaúcho que em 1956 veio a Fazenda Nova, assistir a um espetáculo sobre a Paixão de Cristo que ali era celebrado há anos. Plínio acabou ficando, casou com uma filha do criador do espetáculo original (empresário Epaminondas Mendonça) e, entre 1962 e 1967, ergueu a cidade-teatro.

Nova Jerusalém foi inaugurada em 1968, em meio à paisagem seca do agreste pernambucano.


Parque de Esculturas Nilo Coelho

Localizado no entorno de Nova Jerusalém, numa área de 60 hectares, onde estão distribuídas várias esculturas em pedra, lavradas por artesãos locais. São toneladas de pedras transformadas nos mais representativos tipos nordestinos, como o agricultor com enxada, a mulher rendeira, mulher raspando coco, tocador de pífano, violeiro, sanfoneiro, capitão do cavalo-marinho, Lampião e Maria Bonita, bacamarteiros e outros. O peso das monumentais figuras em pedra varia de 07 a 15 toneladas.

Fonte:http://www.pe-az.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1551:paixao-de-cristo&catid=41:curiosidades&Itemid=100

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Nova Jerusalém: idealizador revela origem do Drama da Paixão (PARTE I)

Em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, criador do Drama da Paixão conta como surgiu o espetáculo, como Nova Jerusalém foi construída e lembra o dia em que o Cristo quase foi devorado pelas formigas.

Empresário e político, Epaminondas Cordeiro de Mendonça nasceu a 08 de julho de 1897 e, em 1924, fixou residência em Fazenda Nova, com o objetivo de tratar da saúde, pois o lugarejo era famoso por conta do clima e de fontes de água mineral. Na época, não havia nem estrada de barro e, para que seus negócios não fossem à falência, ele teve uma idéia: atrair a clientela com a montagem de um "Drama do Calvário".


O espetáculo vingou e acabaria dando origem à atual Nova Jerusalém. No depoimento que reproduzimos aqui, prestado ao Museu da Imagem e do Som de Pernambuco e publicado em 1975 pelo Jornal da Cidade, do Recife, Epaminondas Mendonça conta como tudo começou.


MISPE - Antes de vir para Fazenda Nova, o que fazia o senhor?

Epaminondas - Eu trabalhava no comércio, na cidade de Quipapá, desde 1914. Em 1924, a bem da saúde, vim para Fazenda Nova. Em 1927, transferi minha casa comercial para Panelas, neste Estado, onde fui exercer o cargo de prefeito do município. Em 1928, consegui do governador Estácio Coimbra a elevação de Fazenda Nova à categoria de vila e sede do distrito de Mandaçaia, a que pertencia Fazenda Nova. Em 1930, na revolução getulista, voltei para Fazenda Nova.

Em 1931, coordenei uma comissão para examinar a água de Fazenda Nova e consegui que esta comissão adquirisse os terrenos onde estão situadas as águas minerais. Em 1934, fundei o primeiro hotel de Fazenda Nova, o Hotel Familiar. Em 1940, fui para o Recife educar a família, os filhos, que já eram nove, e voltei em 1945, fundando novo hotel e a casa comercial. Em 1951, as coisas andaram pretas para o hotel: funcionando mal, pouca gente, não tinha concorrência que pagasse as despesas. Até então não tinha estrada. Em 1951/52 idealizei o "Drama do Calvário" para chamar o turismo para Fazenda Nova.

Nesse tempo, não se falava em turismo em Pernambuco, falava-se em turismo na Alemanha. Lendo uma revista, encontrei o drama de Oberabergau: uma terra que vive exclusivamente de turismo, na Alemanha. Uma revista americana publicava sobre o drama de Oberabergau. Meu filho Luiz, que fez a parte de Cristo até o ano passado, ou melhor, retrasado, conseguiu com um amigo dele, um coletor de gravatá, fazer o "Drama do Calvário". No ano de 1952, inaugurávamos o espetáculo, em palcos de táboas de pinho, na Vila de Fazenda Nova, já então com três hotéis, todos fazendo pouco negócio, e o espetáculo pouco rendimento deu. Até aí, os freqüentadores eram pessoas das cercanias: Brejo da Madre de Deus, Caruaru, São Caetano. Não deu muito rendimento.

MISPE - Quem eram os atores?

Epaminondas - Os atores eram todos da terra, somente Luiz e um rapaz do Recife trabalhavam como atores. Luiz, meu filho, dirigia o teatro. Todo o teatro, no primeiro ano, foi feito com o povo de Fazenda Nova. No segundo ano, trouxe um rapaz que trabalhava num circo para fazer a figura mais forte, que era a do Judas, e Miguel Errante. Depois do terceiro ano, trouxemos um para, para Caifaz, e então trouxemos o Clênio Vanderley, fazendo o papel de Judas Iscariote e Caifaz. A partir de 1959, o drama não foi mais em palco, foi na vila de Fazenda Nova, de casa em casa. A fonte de Fazenda Nova passou a fazer quase a maior parte do drama: a encenação do calvário, o morto, o cenáculo, a ressurreição, tudo se fazia nas pedras da fonte. E o espetáculo, então, foi melhorando e no terceiro ano tivemos grandes concorrências do Recife. Já aí vinham dois ônibus de turismo da prefeitura do Recife.

A prefeitura do Recife inaugurou o turismo, criando um departamento que não se chamava de turismo, mas Departamento de Documentação e Cultura. Consegui dois ônibus fretados pela prefeitura e, assim, fazia no meu hotel e nos outros hotéis hospedagem barata para esse povo, com passagens baratas. Era uma média, entre tudo, de dez cruzeiros para cada pessoa que vinha assistir ao drama três dias. O espetáculo saía barato, com dez "contos" o pessoal assistia e pagava na prefeitura todas as despesas, de transporte, de comida. O drama era gratuito, não se pagava nada. Foi progredindo e aí, no segundo ano, terceiro ano, devido à afluências de muitos turistas de Maceió, da Bahia e de outros lugares...

Já no quarto ano, veio uma artista da Bahia, uma moça que trabalhava em teatro na Bahia, e o drama foi de vento em popa, subindo até que, em 1958, atingiu o auge e em 1959, já com a direção de Plínio Pacheco, deu o máximo de rendimento: cerca de seis mil pessoas. Oitocentos automóveis encheram Fazenda Nova completamente e quase não se foi possível levar o drama, foi preciso a Polícia Rodoviária para conter os automóveis. Fez-se o drama pela cidade, quase não se podia trabalhar. A assistência superlotou toda a vila.

MISPE - Como foi que Plínio Pacheco apareceu em Fazenda Nova?

Epaminondas - Plínio Pacheco veio aqui para assistir ao drama e, então, enamorou-se de Diva, no carnaval, e casou-se com ela. Tornou-se, então, uma pessoa ligada inteiramente ao "Drama do Calvário".

MISPE - Dona Diva fazia o papel de que?

Epaminondas - Fazia o Satanás e a bailarina. O primeiro papel dela foi Satanás, na pedra da fonte. A princípio, quase toda minha família levou as partes principais: eu fiz o Caifaz, porque não tinha quem quisesse fazer; José, meu filho mais velho, fez José de Arimatéia; Diva fez o Demônio; Geni fez a Verônica; Paulo fez Pilatos durante muitos anos; Marly, sua esposa, fez Madalena; Nair fez Maria santíssima; toda a família. No ano de 1959, verificamos que não se podia mais fazer o drama na vila, era impossível. Enchia-se completamente de automóveis, de gente, vozes extras, tudo. As casas ficavam completamente cheias de gente, os postes das ruas ficavam cheios de gente, as árvores lascavam-se de tanta gente, as pedras, que faziam parte dos cenários, ficavam completamente superlotadas de gente, era preciso a Polícia para deter os assistentes que invadiam o palco principal, a fonte.

Combinou-se, então, que havia de se encontrar um terreno para fundar um teatro ao ar livre que adaptasse todo o espetáculo. Aí, Plínio comprou um terreno, com apoio da Sociedade Brasileira de Teatro, que forneceu a importância de CR$ 200,00. Plínio, então, deu início a esse espetáculo, saiu fora da órbita do antigo espetáculo, eu nem tomei mais parte. Já éramos um simples assistente, minha senhora e eu. Minha senhora adoeceu mas, como não queríamos perder o primeiro espetáculo na Nova Jerusalém, ela foi numa ambulância, transportada numa maca, para ir comigo assistir ao espetáculo, já no governo de Nilo Coelho.

MISPE - Gostaríamos que o senhor recordasse fatos pitorescos neste drama.

Epaminondas - No primeiro ano do espetáculo houve um fato curioso que é necessário frisar: fazia-se uma cova rasa no chão e deitava-se o Cristo nos lençóis, dentro da cova. Não era como hoje, que é de pedra. Então levamos o Cristo, depois da cruz, para enterrá-lo na cova rasa. Jogamos o Cristo dentro da cova. A cova era de terra e tinha formiga preta. Quando foi preciso tirar o Cristo de dentro da cova, ele estava sendo devorado pelas formigas, estava todo cheio, na perna.

MISPE - E ele não reclamava?

Epaminondas - Não,para não prejudicar o espetáculo. Estava quase sendo devorado pelas formigas, milhares de formigas no corpo todo. Ele teve que fazer a ascensão suportando as picadas das formigas.Depois de tudo feito é que ele pode tirar as formigas.

MISPE - Por que o senhor decidiu criar o Drama da Paixão?

Epaminondas - Eu não disse ainda porque fiz o "Drama do Calvário". Vou dizer agora: os hotéis, que já eram em número de três, estavam quase paralisados e eu li essa revista e, com Luiz, idealizei esta peça e bolamos o primeiro ano. Um jornalista me entrevistou e me perguntou por que eu levei o "Drama do Calvário", se era promessa, religião ou coisa que o valha. Meus filhos até levaram a mal, mas eu disse então: nada disso! Eu quero dar início, em Pernambuco, a um movimento turístico e Fazenda Nova se adapta a Oberabergau. O jornalista me perguntou se era turismo, e eu disse que é. Não vou dizer que é promessa, religião ou política. O meu objetivo é fazer com que Fazenda Nova encha os seus hotéis. E, de fato, já no segundo ano, os hotéis foram de vento em popa. Todos superlotados. Com o lucro conseguimos comprar o Grande Hotel e prepara-lo para o drama.

MISPE - O senhor acredita que o espetáculo de Fazenda Nova tenha modificado, de alguma forma, a região, o povo da região?

Epaminondas - Quando chegamos aqui, encontrei 13 casas, em 1924. Hoje (nota da redação: 1975), a estatística apurou que há 511 casas em Fazenda Nova. Fazenda Nova cresceu pouco em comércio, porque durante o ano o comércio não tem muito movimento. Sua agricultura não cresceu muito, sua criação de bovinos e eqüinos, de todos os animais, não tem desenvolvido muito. Porém, o "Drama do Calvário" fez com que tivéssemos quatro hotéis.

Continua...

sábado, 9 de abril de 2011

Lula Côrtes declama uma poema de emproviso, um dia antes de seu aniversário

LuLa Côrtes, o escritor Marcos Henrique e Edir Pinto Vice Prefeito de Jaboatão dos Guararpes - PE.

Lula Côrtes Nossa homenagem a você irmão!!!





sexta-feira, 8 de abril de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Animação 3D: "Até o Sol Raiá"


ATÉ O SOL RAIÁ
é um conto de fantasia e de celebração ao imaginário nordestino. Personagens de barro criados por um artesão ganham vida própria e agitam uma pacata vila sertaneja numa noite de festa. Animado em 3D, o curta-metragem funde a tradição do artesanato em barro com o cangaço, numa referência a dois ícones da cultura do Nordeste.



Direção: Fernando Jorge e Leanndro Amorim
Produçao executiva: Amaro Filho, Claudia Moraes e Rafael Coelho
Argumento e roteiro: Eduardo Felipe e Michel Alencar
Consultoria de roteiro: Dirceu Tavares
Literatura de cordel: Alves Dias
Traduções: Katyayane Melo e Gabriela Lima

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Poesia e pensamentos - Guibson Medeiros




RACISMO
(Guibson Medeiros)

O homen traduz na cor
o que condiz com a sua raça
o importante é o que se faça
seja feito com amor
como manda o criador
nos caminhos da esperança
pra que a luz seja verdade
Deus criou a humanidade
a sua imagem e semelhança

O racista traz amargura
se achando no direito
todo mundo tem defeito
de pele branca ou escura
pra se ter a alma pura
é preciso confiança
sem haver desigualdade
Deus criou a humanidade
a sua imagem e semelhança

O preconceito é um ato fraco
gente ignorando gente
desconhecendo parente
chama o negro de macaco
mas vai pro mesmo buraco
e os pecados pra balança
pra se ter a liberdade
Deus criou a humanidade
a sua imagem e semelhança

Branco, preto ou nordestino
espírita, católico ou crente
rico, pobre ou deficiente
índio, caboclo ou latino
japonês, chinês, filipino
a vida é a maior herança
e amor não tem maldade
Deus criou a humanidade
a sua imagem e semelhança.

Fonte:http://culturanordestina.blogspot.com/

terça-feira, 5 de abril de 2011

Poesia: "Violência contra a mulher" - Dalinha Catunda



Violência contra a mulher
(Dalinha Catunda)

*
Em revistas e jornais
Internet e televisão,
Vejo e sinto revolta
Com tanta judiação
Mulheres perdendo a vida
Que coisa mais descabida
E eu não vejo solução
*
A Mulher é mãe e filha,
Esposa e amante também,
Mas não nasceu para ser
Afrontada por ninguém.
Por isto preste atenção
Tenha consideração
Pois pode lhe fazer bem.
*
Cada vez que vejo o sangue
De uma mulher tingir o chão
Sinto um aperto no peito
Dói demais meu coração.
Ver mulheres assassinadas,
Covardemente violentadas
Que sórdida situação.
*
Mulher não seja defunta,
Cadáver não seja não.
Prefira ser a viúva.
Você tem esta opção.
Sendo sua causa justa
Ficar presa não custa
Logo sairá da prisão.
*
Um homem violento
Pede violência também.
E a mulher maltratada
Pode e deve ir bem além.
Basta só envenenar
O almoço ou o jantar
Que bravo vai pro além.
*
Uma coisa vou dizer
E digo plenamente,
Em mim homem não bate
Nem em meu atrevimento.
E se resolver tentar
Vai dormir sem acordar
Este é meu pensamento.
*
Mulher não se rebaixe
Não permita a agressão.
Tudo começa com palavras,
Depois termina em caixão.
Você tem capacidade
De evitar atrocidade
É só querer solução.
*
Não denuncie marido
Se a queixa vai retirar.
Ele vai prometer mil vezes
Porém nunca irá mudar.
Quem ama nunca tortura
Não caia em falsa jura
Não se deixe dominar.
*
Mulher não é mais escrava
E cativa de um senhor.
Os tempos hoje são outros
Por isso faça-me o favor!
A mulher pode se manter
Não precisa se submeter
A morte, castigo e dor.
*
A violência domestica,
É bem ruim com certeza.
É dormir com inimigo
É viver sempre indefesa.
A mulher tem que acordar
Com muita garra lutar
Em prol de sua defesa.

Dalinha Catunda www.cantinhodadalinha.blogspot.com www.cordeldesaia.blogspot.com

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Integrante de guerrilha tentou montar base rural em Itapetim (A história que o ex-ministro José Dirceu vem reviver)


Na zona rural de Itapetim, sertão pernambucano, permanece quase que intacto o sítio aonde um ex-dirigente do Movimento de Libertação Popular (Molipo) - posteriormente assassinado na Bahia pelas forças da repressão - sonhou instalar, no início dos anos 70, uma base rural para enfrentar a ditadura militar brasileira que por duas décadas comandou o País com mãos de ferro. Trata-se do Sítio Baixio, localizado a 02 quilômetros do centro de São Vicente, um distrito de Itapetim, município distante 430 km do Recife, a capital de Pernambuco.

Propriedade típica dos sertões nordestinos - ou seja, praticamente sem benfeitorias, apenas uma pequena casa de tijolo aparente e um barreiro para juntar a água da chuva-, o Sítio Baixio é de tamanho modesto (cerda de 10 hectares) e entre 1971 e 1974 pertenceu ao advogado baiano João Leonardo da Silva Rocha, um dos 15 presos políticos brasileiros libertados em troca do embaixador americano Charles Burke Elbrick, seqüestrado pela guerrilha de esquerda em 1969. Banido do Brasil, ao retornar, João Leonardo se instalou ali.

É claro que João Leonardo não chegou a São Vicente usando o seu nome verdadeiro. Ao adquirir o Sítio Baixio, ele se passava por José Lourenço da Silva, ou Zé Careca, apelido que ganhou da gente simples do lugar, pessoas como José Vital de Siqueira, o Zé de Vital, 63 anos, agricultor aposentado, que hoje lembra da vida no sítio do amigo: “Era um sítio igualzinho aos outros daqui. De vez em quando, ele chamava e nós ia caçar. Depois, ele ficava lá, cuidando de umas roçinhas bestas e ouvindo um rádio Siemens que ele tinha”.

Quando teve que sair de São Vicente por suspeitar que os militares tinham descoberto o seu projeto (Veja no texto seguinte, a resumida biografia de João Leonardo da Silva Rocha), Zé Careca deixou o Sítio Baixio aos cuidados da companheira sertaneja com quem viveu um grande amor e disse: “Se eu não voltar, faça o que quiser com tudo isso aqui que também é seu.” Como João Leonardo jamais voltaria, Virgínia Paes de Lima (a companheira hoje também falecida) cuidou do sítio até vendê-lo ao atual proprietário, Geneci José de Siqueira.

Embora preservado, atualmente o Sítio Baixio pouco produz: serve apenas para pequenos plantios de milho e feijão em épocas de chuva e funciona, também, como ponto de apoio para Geneci José de Siqueira (que não mora ali) encurralar seis vacas leiteiras. Além disso, tudo ali são apenas lembranças do tempo em que João Leonardo sonhou com uma base rural para impulsionar a luta contra a ditadura militar. Um sonho que nunca se concretizou: pelo contrário, resultou no trucidamento de ativistas políticos de esquerda como ele e tantos outros.

A passagem de João Leonardo da Silva Rocha pelo distrito de São Vicente foi um tanto misteriosa - e não poderia ser diferente uma vez que ele viveu ali na clandestinidade. Assim, hoje pouco se sabe do que ele fez (ou pretendeu fazer) ali. Mas, muitos têm consciência de que o Zé Careca foi um importante personagem da recente história política brasileira. Tanto que o prefeito da cidade, Adelmo Moura, decidiu, no início de agosto, propor à Câmara Municipal mudar o nome da praça central de Itapetim para Pça. João Leonardo da Silva Rocha.

Também no início deste mês de agosto, o diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, jornalista e professor universitário Ivan Seixas, esteve em São Vicente colhendo subsídios para escrever a história do ex-militante do Molipo – movimento ao qual também pertenceu, entre outros, o ex-ministro José Dirceu. Com ex-militantes como Amparo Aaújo e outros, Ivan Seixas é autor de dossiês sobre vítimas da ditadura militar brasileiro de 1964.

Na foto, 13 dos 15 presos políticos libertados em troca do embaixador americano Charles Elbrick, que foi solto em 07/09/1969. João Leonardo é o primeiro abaixado, de branco, escondendo as algemas com o casaco.


João Leonardo da Silva Rocha (1939 – 1975)

João Leonardo da Silva Rocha era filho de Maria Nathália da Silva Rocha e Mário Rocha. Nasceu a 04 de agosto de 1939, na cidade de Salvador, Bahia. Perteceu à organização política denominada Movimento de Libertação Popular (Molipo), da qual foi dirigente, e seu nome integra hoje a lista de desaparecidos políticos brasileiro anexa à lei nº 9.140/95 que reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas no período de 02 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979.

João Leonardo fez o curso primário em Amargosa, Bahia, onde morava com seus pais. Estudou o primeiro ano do curso secundário no Colégio dos Irmãos Maristas, em Salvador, ingressando, a 29/02/1952, no Seminário Católico de Aracaju, onde permaneceu até 1957. Em 1959, aprovado em concurso público, tornou-se funcionário do Banco do Brasil em Alagoinhas (BA), cidade em que seus pais passaram a residir. Naquele mesmo ano começou ensinar Português e Latim no Colégio Santíssimo Sacramento e Escola Normal e Ginásio de Alagoinhas.

No início de 1962, João Leonardo da Silva Rocha muda-se para São Paulo, ainda como funcionário do Banco do Brasil, onde também passou a ensinar Latim e Português em colégios da região do ABC paulista. Era considerado excelente poeta e contista. Ingressou, logo depois, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da USP, época em que passou participar da militância política. Foi diretor da Casa do Estudante, localizada na Av. São João, que abrigava alunos de sua Faculdade. Vem de uma testemunha inesperada – o filósofo e articulista Olavo de Carvalho – o depoimento de que, nessa época da Casa do Estudante, João Leonardo realizou excelentes duetos musicais com Arno Pires, que foi morto em fevereiro de 1972 e também pertencia ao Molipo.

João Leonardo cursava o último ano de Direito e já integrava a ALN (Agrupamento Comunista de São Paulo) quando foi preso pelo DOPS, no final de janeiro de 1969, no fluxo de prisões de militantes da VPR que mantinham contato com a organização de Marighella. O mesmo Olavo de Carvalho já escreveu mencionando as brutais torturas a que foi submetido o seu amigo daquela época. Os órgãos de segurança acusavam João Leonardo de participar do Grupo Tático Armado dessa organização guerrilheira, tendo participado a 10/08/1968 do rumoroso assalto a um trem pagador na Ferrovia Santos/Jundiaí, bem como de outras operações armadas. Foi, inclusive, indiciado no inquérito policial que apurou a execução do oficial do Exército norte-americano Charles Chandler, a 12/10/1968, embora não seja apontado como participante direto do comando que realizou a ação.

Em setembro de 1969, com o seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, João Leonardo foi um dos 15 presos políticos libertados e enviados ao México, oficialmente banidos do País. Transferiu-se para Cuba e recebeu treinamento militar naquele País, onde se alinhou com o grupo dissidente da ALN que gerou o Molipo. Retornou ao Brasil em 1971, se estabelecendo numa pequena localidade rural de Pernambuco, São Vicente, que era Distrito de Itapetim, sertão do Pajeú, quase divisa com a Paraíba. Raspou totalmente a cabeça e era conhecido como Zé Careca. Tornou-se lavrador, tendo adquirido um pequeno sítio onde trabalhava. Gostava muito de caçar e era exímio atirador. Era muito querido na região e, como tinha habilidades artesanais, fazia brinquedos com que presenteava as crianças.

Foi um dos poucos sobreviventes entre os militantes que tentaram construir bases rurais do Molipo, entre 1971 e 1972, tanto no Oeste da Bahia quanto no Norte de Goiás, território atual do Tocantins. Quando pressentiu que podia ser identificado na região de São Vicente, mudou-se para o interior da Bahia, onde terminaria sendo localizado e morto em junho de 1975, ano em que o Molipo e ALN já não existiam mais e João Leonardo buscava sobreviver e trabalhar. Num choque com agentes policiais que, ainda hoje, é recoberto por densa camada de mistério e informações desencontradas, foi executado por agentes da Polícia Militar da Bahia em Palmas de Monte Alto, município entre Malhada e Guanambi, no Sertão Baiano, margem direita do Rio São Francisco, divisa entre Bahia e Minas.

Seu caso foi o último episódio a confirmar a existência de uma verdadeira sentença de pena de morte extra-judicial, decretada pelos órgãos de segurança para todos os banidos que retornassem ao Brasil com a intenção de retomar a luta contra a Regime. (Texto do livro “Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964”).


O Molipo

O Movimento de Libertação Popular (Molipo) foi um dos grupos que deflagraram a guerrilha urbana no Brasil entre 1968 e 1973. Surgiu em 1971 como uma dissidência da Ação Libertadora Nacional (ALN) que, por sua vez, teve origem no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e era comandada por Carlos Marighella, antigo dirigente do Partidão. Dissidência armada do PCB, a ALN surgiu em 1967.

O Molipo tinha contingente reduzido e, segundo o livro Brasil Nunca Mais, “foi extinto com a execução sumária ou sob torturas da maioria dos seus membros, entre os quais se destacaram líderes estudantis paulistas como Antônio Benetazzo, José Roberto Arantes de Almeida e Jeová Assis Gomes”. José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil do Governo Lula e ex-presidente do PT foi um dos seus integrantes.

sábado, 2 de abril de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cientistas do Acre confirmam a existência de alienígenas no Brasil.


Cientista do Acre confirmam a existência de alienígenas no Brasil


Hoje, dia primeiro de abril, cientista do instituto de pesquisa avançada (MQC) revelaram a existência de vida inteligente extraterrestre. Em um vídeo gravado pelo cientista Tomazturbano Pinto, imagens inéditas de uma conversa com o extraterrestre e os cientistas brasileiros, pedem ir ao ar a qualquer momento, em uma conversa sobre o futuro da terra. As imagens serão divulgadas, ainda hoje, em todos os telejornais do Brasil, com exclusividade. O Sr. Tomazturbanos falou ainda que, é um fato histórico para toda a humanidade, “nossa forma de enxergar o universo vai dar um virada de 180 graus”, disse o cientista eufórico com tudo o que presenciou.


Vamos agora a mais esclarecimentos:


Significado do instituto MQC: Minto mais do que político em dia da campanha.

Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no dia das mentiras ou dia dos bobos. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.

Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.

Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day, "Dia dos Tolos [de Abril]"; na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, literalmente "peixe de abril".

No Brasil, o primeiro de abril começou a ser difundido em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. A Mentira saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.

Hoje é o dia da mentira!

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_da_mentira