sábado, 16 de abril de 2011

Zeppelin no Recife


O dirigível alemão, que media 235 metros de comprimento, chegou a uma velocidade espantosa para uma aeronave do seu porte: 110 quilômetros por hora. Sua missão era estabelecer o tempo que os dirigíveis levariam para se deslocar da Europa Central até o Brasil, a fim de determinar sua viabilidade econômica como transporte de cargas.

E, quando o "Graf Zeppelin" atracou no Recife, o sucesso foi comemorado: a travessia do Atlântico foi feita em tempo recorde (três dias) e a cidade, local do primeiro pouso, parou diante do espetáculo.

Tudo aconteceu numa quinta-feira, 22 de maio de 1930, ao mesmo tempo em que no Rio de Janeiro o Congresso Nacional proclamava eleito o presidente da República, Júlio Prestes. Mas os jornais de Pernambuco só estamparam em suas primeiras páginas um único assunto: a chegada do dirigível, ocorrida exatamente às 18h35m.

A recepção ao Zeppelin, que havia deixado a base de Friedrichshaven, na Alemanha, às 17h do dia 18 de maio, foi minunciosamente preparada pelas autoridades governamentais.

O prefeito do Recife decretou feriado municipal. O governador de Pernambuco, Estácio Coimbra, sancionou um extenso decreto estabelecendo como os recifenses deveriam se comportar no dia da chegada do "grande navio aéreo", decreto este que regulamentava até mesmo "o tráfego de veículos e pedestres na cidade".

Para atender a multidão que pagou três mil contos de réis pelo acesso ao Campo do Jiquiá, construído especialmente para o pouso, a Great Western colocou vários trens extras, e 1.010 policiais trabalharam no local.

O grande interesse pela chegada do "Graf Zeppelin" ao Recife tinha uma justificativa: aquela era a primeira vez que o dirigível atracava não só no Brasil, como também na América do Sul.

Além disso, o dirigível, criado no final do século anterior pelo engenheiro alemão Ferdinand von Zeppelin, era o que havia de mais avançado em tecnologia de grandes aeronaves mais leves do que o ar. Equipado com cinco motores Maybach de 530 HP cada, tinha capacidade para transportar nove toneladas de carga, 20 passageiros e 26 tripulantes.

Os Zeppelins eram aeróstatas dirigíveis, de tipo rígido, e, entre 1904 e 1914, foram construídos na Alemanha 25 aparelhos de grande porte, o que deu àquele país a liderança mundial na tecnologia de aeronaves mais leves do que o ar.

O exército e a marinha alemães compraram alguns desses dirigíveis e os outros foram usados por empresas aéreas para transporte a longas distâncias. Dois ficaram mundialmente famosos: o "Hindenburg", concluído em 1936, e o "Graf Zeppelin", que fez a primeira viagem ao Brasil.

Os dirigíveis alemães eram considerados tão confortáveis quanto um transatlântico. Sua carcaça era de alumínio, em forma de cilindro, revestida interiormente de um tecido de seda envernizada, onde ficavam os camarotes da tripulação e as instalações para passageiros e cargas.

Suas dimensões variavam de acordo com a capacidade de transporte do aparelho que era cheio de bolsões de hidrogênio, altamente inflamável. O gás, menos denso que a atmosfera, permitia ao dirigível se deslocar sem consumir combustível.

O dirigível que veio ao Recife tinha 235 metros de comprimento, 33,5 metros de altura e 30,5 metros de diâmetro. Sua força de elevação era de 129 toneladas e as instalações para passageiros eram compostas de dez camarotes com duas camas cada, sala de jantar e de recreio e banheiros.

Voava a uma altura de 150 a 200 metros, com velocidade máxima de 130 km/hora. Depois do primeiro pouso, o "Graf Zeppelin" fez várias viagens ligando o Brasil à Europa, passando quinzenalmente pelo Recife.

Como as mais de cem aeronaves do seu tipo que na década de 1930 circulavam por várias partes do mundo, o "Graf Zeppelin" foi retirado de uso depois que o "Hindenbrg", atingido por um raio, explodiu no ar, em maio de 1937, nos Estados Unidos, matando 37 pessoas.

Estava encerrada a carreira do grande dirigível que, ao pousar no Recife, foi assim aclamado pelo Jornal Pequeno: "Ninguém mais tem dúvida de que ele será, no futuro, o meio preferido, principalmente pela segurança, para o comércio entre os povos dos continentes".

sexta-feira, 15 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Festa para as crianças na usina Mercês

Todo ano meu amigo Helmo Freitas realiza uma grande festa para a criançada na usina Mercês na cidade do Cabo de Santo Agostinho. Com muito prazer este já é o segundo ano que participo desta festa. Da usina Mercês eu guardo boas lembranças quando a usina ainda moía cana de açúcar e meu padrasto o Zé Coelho entregava a nossa produção de cana para esta a Usina. Foi um tempo de muita prosperidade tinha o cinema de Mercês, o Clube e um grande time de futebol que lotava o campo em dias de jogos. Hoje Mercês amarga a pobreza é um bairro decadente e esquecido, mas Helo que criou-se lá continua dedicando seu carinho á sua terra.

Cabo de Santo Agostinho
de você sinto saudade
pode passar o tempo
posso envelhecer a idade
passa o tempo, as estações
não esqueço a minha cidade

Cobra Cordelista.

Vejam as fotos da festa:




O MARCIANO QUE INVADIU A PARAÍBA PRA ROUBAR A RAPADURA



Tava eu fumando quieto
Na sombra do juazeiro
Quando vi aquela coisa
Descer do céu bem ligeiro
Parecia um dragão
Cuspindo fogo no chão
Fez aquele reboliço
Dei um pulo tão danado
Pensei: “É malassombrado
Valei-me meu Padrim Ciço”.

Era uma coisa redonda
Brilhava que nem catarro
Pela minha experiência
Nem era avião, nem carro
Quando a porta se abriu
De lá de dentro saiu
Um bicho todo asqueroso
Magro, feio e zoiúdo
Cabeça grande, orelhudo
Com rabo, feito o tinhoso.

Eu fiz o sinal da cruz
Caminhando para trás
E gritei: “Volta pro inferno
Vai de reto Satanás
Volte nos rastro que veio
Não perturbe o que é alheio”
Aí o bicho falou
Com voz de disco arranhado
“Vim de longe, tô cansado
Que o meu povo me mandou”.

“Eu vim do planeta Marte
Onde acabou-se a comida
Lá de cima a Paraíba
Foi a terra escolhida
Me mandaram em missão
Disseram que desse chão
Sai a comida mais forte
Mais gostosa e mais pura
Vou levar sua rapadura
E se não der vai ter morte”.

E partiu para o meu rancho
Levando sua feiúra
Sabia que ali estava
O estoque de rapadura
Deve ter sentido o cheiro
E eu tentei chegar primeiro
Mas o peste correu mais
E quando eu cheguei fui vendo
O bicho tava lambendo
E cheirando os costais.

Botou os zoião em mim
E disse: “Eu não quero ouro
Saí lá do meu planeta
Vim atrás desse tesouro
Vou levar tudo pra Marte”
E eu peguei um bacamarte
Que tava detrás da porta
Passei fogo no feioso
Mas, ou eu tava nervoso
Ou a mira tava torta.

Não acertei nem um chumbo
No rabo do desgraçado
Quando baixou a fumaça
O infeliz tava sentado
Num costal de rapadura
Com toda sua feiúra
Balançando o cabeção
Dizendo: “Pare com isso
Deixe desse reboliço
Pois assim não vai dar não”.

E um taco de rapadura
Ficou assim mastigando
E disse em tom de pirraça:
“Ouça o que eu estou falando
Você não pode comigo
Se teimar lhe dou castigo”
Aquilo me enfureceu
Tentei dar uma rasteira
Mas foi a maior besteira
Quem ficou no chão fui eu.

O feioso era ligeiro
Feito notícia ruim
Quando eu armei a rasteira
Acertou o rabo em mim
Foi mesmo no pé-do-ouvido
Até hoje ouço um zumbido
Dentro da minha orelha
Na hora eu caí pra trás
Aquilo doeu demais
Feito ferrão de abelha.

E eu pensei: “Agora mesmo
Aumentou meu interesse
Eu levando uma rabada
Dum fi-duma-égua desse
Já amansei burro brabo
Vou lhe pegar pelo rabo
Dar umas oito pirueta
Depois eu boto o imundo
Pra abrir no oco do mundo
E voltar pro seu planeta.

Mas quando agarrei no rabo
Do jeito do planejado
Ele soltou uma bufa
Que eu fiquei desnorteado
A bufa do infeliz
Acertou no meu nariz
Com uma intensidade
Que eu fiquei só girando
Uns três minutos rodando
Em busca de identidade.

Quando passou o efeito
Recobrei a consciência
Me deparei com uma cena
Que eu perdi a paciência
O bicho tava sentado
Muito bem acomodado
Fumando meu pé-de-burro
Bebendo minha cachaça
Feliz e achando graça
E me disse num sussurro:

“Agora, seu Zé Mane
Vou levar a rapadura
Gostei também da cachaça
Parece que essa é pura
Foi quando eu bolei um plano
Disse: “Oxente, seu fulano
Você não conhece cana
Eu tenho uma ali guardada
É a melhor qualificada
Brejeira, paraibana”.

Eu só não disse pra ele
Que a cachaça era um forno
Conhecida pelo nome
Rasga-Rabo, Amansa-Corno
Fui buscar o garrafão
Ele tomou da minha mão
Bebeu tudo de um gole
E girando o cabeção
Qual coruja no mourão
Ficou caindo de mole.

Deixei-o de quatro pé
Na porta do seu transporte
Disse: “Agora vamos ver
Se esse sujeito é forte
Trouxe um jumento de lote
Fiquei só de camarote
Assistindo aquela cena
O jegue deu uma varada
Que daquela presepada
Até hoje eu sinto pena.

O marciano acordou
E saiu de rabo ardendo
Com os zoião pegando fogo
E o ‘ás de copa’ doendo
Tava desorientado
Dizendo: “Fui enrabado”
Fez a nave ir pra riba
Saiu fazendo uma jura:
“Nem por toda a rapadura
Não volto na Paraíba”.

Obs: pedidos pelo E-mail: vicenteffilho2@yahoo.com.br

quarta-feira, 13 de abril de 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

Nova Jerusalém: idealizador revela origem do Drama da Paixão (PARTE II)


Nova Jerusalém, a Cidade-Teatro

Localizada no Distrito de Fazenda Nova, no município de Brejo da Madre de Deus, a 204 km de Recife, Nova Jerusalém é uma réplica da antiga Jerusalém dos tempos de Jesus Cristo. Com 100 mil m² de extensão, tem uma área (cercada por uma grande muralha de pedras) equivalente a 1/3 da Jerusalém original, onde Jesus viveu seus últimos dias.



Considerada o maior teatro ao ar livre do mundo, a cidade-teatro tem 09 palcos gigantes (reproduzindo, entre outros, o Palácio de Herodes, o Fórum de Pilatos, o Cenáculo da última Ceia), onde o Drama da Paixão é encenado, ao vivo, por atores profissionais e dezenas de figurantes, estes recrutados entre a população local.

Nova Jerusalém foi construída por iniciativa de Plínio Pacheco, um jornalista gaúcho que em 1956 veio a Fazenda Nova, assistir a um espetáculo sobre a Paixão de Cristo que ali era celebrado há anos. Plínio acabou ficando, casou com uma filha do criador do espetáculo original (empresário Epaminondas Mendonça) e, entre 1962 e 1967, ergueu a cidade-teatro.

Nova Jerusalém foi inaugurada em 1968, em meio à paisagem seca do agreste pernambucano.


Parque de Esculturas Nilo Coelho

Localizado no entorno de Nova Jerusalém, numa área de 60 hectares, onde estão distribuídas várias esculturas em pedra, lavradas por artesãos locais. São toneladas de pedras transformadas nos mais representativos tipos nordestinos, como o agricultor com enxada, a mulher rendeira, mulher raspando coco, tocador de pífano, violeiro, sanfoneiro, capitão do cavalo-marinho, Lampião e Maria Bonita, bacamarteiros e outros. O peso das monumentais figuras em pedra varia de 07 a 15 toneladas.

Fonte:http://www.pe-az.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1551:paixao-de-cristo&catid=41:curiosidades&Itemid=100

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Nova Jerusalém: idealizador revela origem do Drama da Paixão (PARTE I)

Em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, criador do Drama da Paixão conta como surgiu o espetáculo, como Nova Jerusalém foi construída e lembra o dia em que o Cristo quase foi devorado pelas formigas.

Empresário e político, Epaminondas Cordeiro de Mendonça nasceu a 08 de julho de 1897 e, em 1924, fixou residência em Fazenda Nova, com o objetivo de tratar da saúde, pois o lugarejo era famoso por conta do clima e de fontes de água mineral. Na época, não havia nem estrada de barro e, para que seus negócios não fossem à falência, ele teve uma idéia: atrair a clientela com a montagem de um "Drama do Calvário".


O espetáculo vingou e acabaria dando origem à atual Nova Jerusalém. No depoimento que reproduzimos aqui, prestado ao Museu da Imagem e do Som de Pernambuco e publicado em 1975 pelo Jornal da Cidade, do Recife, Epaminondas Mendonça conta como tudo começou.


MISPE - Antes de vir para Fazenda Nova, o que fazia o senhor?

Epaminondas - Eu trabalhava no comércio, na cidade de Quipapá, desde 1914. Em 1924, a bem da saúde, vim para Fazenda Nova. Em 1927, transferi minha casa comercial para Panelas, neste Estado, onde fui exercer o cargo de prefeito do município. Em 1928, consegui do governador Estácio Coimbra a elevação de Fazenda Nova à categoria de vila e sede do distrito de Mandaçaia, a que pertencia Fazenda Nova. Em 1930, na revolução getulista, voltei para Fazenda Nova.

Em 1931, coordenei uma comissão para examinar a água de Fazenda Nova e consegui que esta comissão adquirisse os terrenos onde estão situadas as águas minerais. Em 1934, fundei o primeiro hotel de Fazenda Nova, o Hotel Familiar. Em 1940, fui para o Recife educar a família, os filhos, que já eram nove, e voltei em 1945, fundando novo hotel e a casa comercial. Em 1951, as coisas andaram pretas para o hotel: funcionando mal, pouca gente, não tinha concorrência que pagasse as despesas. Até então não tinha estrada. Em 1951/52 idealizei o "Drama do Calvário" para chamar o turismo para Fazenda Nova.

Nesse tempo, não se falava em turismo em Pernambuco, falava-se em turismo na Alemanha. Lendo uma revista, encontrei o drama de Oberabergau: uma terra que vive exclusivamente de turismo, na Alemanha. Uma revista americana publicava sobre o drama de Oberabergau. Meu filho Luiz, que fez a parte de Cristo até o ano passado, ou melhor, retrasado, conseguiu com um amigo dele, um coletor de gravatá, fazer o "Drama do Calvário". No ano de 1952, inaugurávamos o espetáculo, em palcos de táboas de pinho, na Vila de Fazenda Nova, já então com três hotéis, todos fazendo pouco negócio, e o espetáculo pouco rendimento deu. Até aí, os freqüentadores eram pessoas das cercanias: Brejo da Madre de Deus, Caruaru, São Caetano. Não deu muito rendimento.

MISPE - Quem eram os atores?

Epaminondas - Os atores eram todos da terra, somente Luiz e um rapaz do Recife trabalhavam como atores. Luiz, meu filho, dirigia o teatro. Todo o teatro, no primeiro ano, foi feito com o povo de Fazenda Nova. No segundo ano, trouxe um rapaz que trabalhava num circo para fazer a figura mais forte, que era a do Judas, e Miguel Errante. Depois do terceiro ano, trouxemos um para, para Caifaz, e então trouxemos o Clênio Vanderley, fazendo o papel de Judas Iscariote e Caifaz. A partir de 1959, o drama não foi mais em palco, foi na vila de Fazenda Nova, de casa em casa. A fonte de Fazenda Nova passou a fazer quase a maior parte do drama: a encenação do calvário, o morto, o cenáculo, a ressurreição, tudo se fazia nas pedras da fonte. E o espetáculo, então, foi melhorando e no terceiro ano tivemos grandes concorrências do Recife. Já aí vinham dois ônibus de turismo da prefeitura do Recife.

A prefeitura do Recife inaugurou o turismo, criando um departamento que não se chamava de turismo, mas Departamento de Documentação e Cultura. Consegui dois ônibus fretados pela prefeitura e, assim, fazia no meu hotel e nos outros hotéis hospedagem barata para esse povo, com passagens baratas. Era uma média, entre tudo, de dez cruzeiros para cada pessoa que vinha assistir ao drama três dias. O espetáculo saía barato, com dez "contos" o pessoal assistia e pagava na prefeitura todas as despesas, de transporte, de comida. O drama era gratuito, não se pagava nada. Foi progredindo e aí, no segundo ano, terceiro ano, devido à afluências de muitos turistas de Maceió, da Bahia e de outros lugares...

Já no quarto ano, veio uma artista da Bahia, uma moça que trabalhava em teatro na Bahia, e o drama foi de vento em popa, subindo até que, em 1958, atingiu o auge e em 1959, já com a direção de Plínio Pacheco, deu o máximo de rendimento: cerca de seis mil pessoas. Oitocentos automóveis encheram Fazenda Nova completamente e quase não se foi possível levar o drama, foi preciso a Polícia Rodoviária para conter os automóveis. Fez-se o drama pela cidade, quase não se podia trabalhar. A assistência superlotou toda a vila.

MISPE - Como foi que Plínio Pacheco apareceu em Fazenda Nova?

Epaminondas - Plínio Pacheco veio aqui para assistir ao drama e, então, enamorou-se de Diva, no carnaval, e casou-se com ela. Tornou-se, então, uma pessoa ligada inteiramente ao "Drama do Calvário".

MISPE - Dona Diva fazia o papel de que?

Epaminondas - Fazia o Satanás e a bailarina. O primeiro papel dela foi Satanás, na pedra da fonte. A princípio, quase toda minha família levou as partes principais: eu fiz o Caifaz, porque não tinha quem quisesse fazer; José, meu filho mais velho, fez José de Arimatéia; Diva fez o Demônio; Geni fez a Verônica; Paulo fez Pilatos durante muitos anos; Marly, sua esposa, fez Madalena; Nair fez Maria santíssima; toda a família. No ano de 1959, verificamos que não se podia mais fazer o drama na vila, era impossível. Enchia-se completamente de automóveis, de gente, vozes extras, tudo. As casas ficavam completamente cheias de gente, os postes das ruas ficavam cheios de gente, as árvores lascavam-se de tanta gente, as pedras, que faziam parte dos cenários, ficavam completamente superlotadas de gente, era preciso a Polícia para deter os assistentes que invadiam o palco principal, a fonte.

Combinou-se, então, que havia de se encontrar um terreno para fundar um teatro ao ar livre que adaptasse todo o espetáculo. Aí, Plínio comprou um terreno, com apoio da Sociedade Brasileira de Teatro, que forneceu a importância de CR$ 200,00. Plínio, então, deu início a esse espetáculo, saiu fora da órbita do antigo espetáculo, eu nem tomei mais parte. Já éramos um simples assistente, minha senhora e eu. Minha senhora adoeceu mas, como não queríamos perder o primeiro espetáculo na Nova Jerusalém, ela foi numa ambulância, transportada numa maca, para ir comigo assistir ao espetáculo, já no governo de Nilo Coelho.

MISPE - Gostaríamos que o senhor recordasse fatos pitorescos neste drama.

Epaminondas - No primeiro ano do espetáculo houve um fato curioso que é necessário frisar: fazia-se uma cova rasa no chão e deitava-se o Cristo nos lençóis, dentro da cova. Não era como hoje, que é de pedra. Então levamos o Cristo, depois da cruz, para enterrá-lo na cova rasa. Jogamos o Cristo dentro da cova. A cova era de terra e tinha formiga preta. Quando foi preciso tirar o Cristo de dentro da cova, ele estava sendo devorado pelas formigas, estava todo cheio, na perna.

MISPE - E ele não reclamava?

Epaminondas - Não,para não prejudicar o espetáculo. Estava quase sendo devorado pelas formigas, milhares de formigas no corpo todo. Ele teve que fazer a ascensão suportando as picadas das formigas.Depois de tudo feito é que ele pode tirar as formigas.

MISPE - Por que o senhor decidiu criar o Drama da Paixão?

Epaminondas - Eu não disse ainda porque fiz o "Drama do Calvário". Vou dizer agora: os hotéis, que já eram em número de três, estavam quase paralisados e eu li essa revista e, com Luiz, idealizei esta peça e bolamos o primeiro ano. Um jornalista me entrevistou e me perguntou por que eu levei o "Drama do Calvário", se era promessa, religião ou coisa que o valha. Meus filhos até levaram a mal, mas eu disse então: nada disso! Eu quero dar início, em Pernambuco, a um movimento turístico e Fazenda Nova se adapta a Oberabergau. O jornalista me perguntou se era turismo, e eu disse que é. Não vou dizer que é promessa, religião ou política. O meu objetivo é fazer com que Fazenda Nova encha os seus hotéis. E, de fato, já no segundo ano, os hotéis foram de vento em popa. Todos superlotados. Com o lucro conseguimos comprar o Grande Hotel e prepara-lo para o drama.

MISPE - O senhor acredita que o espetáculo de Fazenda Nova tenha modificado, de alguma forma, a região, o povo da região?

Epaminondas - Quando chegamos aqui, encontrei 13 casas, em 1924. Hoje (nota da redação: 1975), a estatística apurou que há 511 casas em Fazenda Nova. Fazenda Nova cresceu pouco em comércio, porque durante o ano o comércio não tem muito movimento. Sua agricultura não cresceu muito, sua criação de bovinos e eqüinos, de todos os animais, não tem desenvolvido muito. Porém, o "Drama do Calvário" fez com que tivéssemos quatro hotéis.

Continua...

sábado, 9 de abril de 2011

Lula Côrtes declama uma poema de emproviso, um dia antes de seu aniversário

LuLa Côrtes, o escritor Marcos Henrique e Edir Pinto Vice Prefeito de Jaboatão dos Guararpes - PE.

Lula Côrtes Nossa homenagem a você irmão!!!





sexta-feira, 8 de abril de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Animação 3D: "Até o Sol Raiá"


ATÉ O SOL RAIÁ
é um conto de fantasia e de celebração ao imaginário nordestino. Personagens de barro criados por um artesão ganham vida própria e agitam uma pacata vila sertaneja numa noite de festa. Animado em 3D, o curta-metragem funde a tradição do artesanato em barro com o cangaço, numa referência a dois ícones da cultura do Nordeste.



Direção: Fernando Jorge e Leanndro Amorim
Produçao executiva: Amaro Filho, Claudia Moraes e Rafael Coelho
Argumento e roteiro: Eduardo Felipe e Michel Alencar
Consultoria de roteiro: Dirceu Tavares
Literatura de cordel: Alves Dias
Traduções: Katyayane Melo e Gabriela Lima