segunda-feira, 9 de maio de 2011

No tempo da minha infância


No tempo da minha infância
(Ismael Gaião)

No tempo da minha infância
Nossa vida era normal
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal
Hoje tudo é diferente
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal

Bebi leite ao natural
Da minha vaca Quitéria
E nunca fiquei de cama
Com uma doença séria
As crianças de hoje em dia
Não bebem como eu bebia
Pra não pegar bactéria

A barriga da miséria
Tirei com tranquilidade
Do pão com manteiga e queijo
Hoje só resta a saudade
A vida ficou sem graça
Não se pode comer massa
Por causa da obesidade

Eu comi ovo à vontade
Sem ter contra indicação
Pois o tal colesterol
Pra mim nunca foi vilão
Hoje a vida é uma loucura
Dizem que qualquer gordura
Nos mata do coração

Com a modernização
Quase tudo é proibido
Pois sempre tem uma Lei
Que nos deixa reprimido
Fazendo tudo que eu fiz
Hoje me sinto feliz
Só por ter sobrevivido

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir

Vi o meu pai dirigir
Numa total confiança
Sem apoio, sem air-bag
Sem cinto de segurança
E eu no banco de trás
Solto, igualzinho aos demais
Fazia a maior festança

No meu tempo de criança
Por ter sido reprovado
Ninguém ia ao psicólogo
Nem se ficava frustrado
Quando isso acontecia
A gente só repetia
Até que fosse aprovado

Não tinha superdotado
Nem a tal dislexia
E a hiperatividade
É coisa que não se via
Falta de concentração
Se curava com carão
E disso ninguém morria

Nesse tempo se bebia
Água vinda da torneira
De uma fonte natural
Ou até de uma mangueira
E essa água engarrafada
Que diz-se esterilizada
Nunca entrou na nossa feira

Para a gente era besteira
Ter perna ou braço engessado
Ter alguns dentes partidos
Ou um joelho arranhado
Papai guardava veneno
Em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado

Nunca fui envenenado
Com as tintas dos brinquedos
Remédios e detergentes
Se guardavam, sem segredos
E descalço, na areia
Eu joguei bola de meia
Rasgando as pontas dos dedos

Aboli todos os medos
Apostando umas carreiras
Em carros de rolimã
Sem usar cotoveleiras
Pra correr de bicicleta
Nunca usei, feito um atleta,
Capacete e joelheiras

Entre outras brincadeiras
Brinquei de Carrinho de Mão
Estátua, Jogo da Velha
Bola de Gude e Pião
De mocinhos e Cawboys
E até de super-heróis
Que vi na televisão

Eu cantei Cai, Cai Balão,
Palma é palma, Pé é pé
Gata Pintada, Esta Rua
Pai Francisco e De Marré
Também cantei Tororó
Brinquei de Escravos de Jó
E o Sapo não lava o pé

Com anzol e jereré
Muitas vezes fui pescar
E só saía do rio
Pra ir pra casa jantar
Peixe nenhum eu pagava
Mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar

Tomava banho de mar
Na estação do verão
Quando papai nos levava
Em cima de um caminhão
Não voltava bronzeado
Mas com o corpo queimado
Parecendo um camarão

Sem ter tanta evolução
O Playstation não havia
E nenhum jogo de vídeo
Naquele tempo existia
Não tinha vídeo cassete
Muito menos internet
Como se tem hoje em dia

O meu cachorro comia
O resto do nosso almoço
Não existia ração
Nem brinquedo feito osso
E para as pulgas matar
Nunca vi ninguém botar
Um colar no seu pescoço

E ele achava um colosso
Tomar banho de mangueira
Ou numa água bem fria
Debaixo duma torneira
E a gente fazia farra
Usando sabão em barra
Pra tirar sua sujeira

Fui feliz a vida inteira
Sem usar um celular
De manhã ia pra aula
Mas voltava pra almoçar
Mamãe não se preocupava
Pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar

Comecei a trabalhar
Com oito anos de idade
Pois o meu pai me mostrava
Que pra ter dignidade
O trabalho era importante
Pra não me ver adiante
Ir pra marginalidade

Mas hoje a sociedade
Essa visão não alcança
E proíbe qualquer pai
Dar trabalho a uma criança
Prefere ver nossos filhos
Vivendo fora dos trilhos
Num mundo sem esperança

A vida era bem mais mansa,
Com um pouco de insensatez.
Eu me lembro com detalhes
De tudo que a gente fez,
Por isso tenho saudade
E hoje sinto vontade
De ser criança outra vez...


Poema em homenagem as sobrinhas Maria Luiza, Tamires, Jade e Vitória

domingo, 8 de maio de 2011

Feliz dia da mães!!!



"Uma mãe é capaz de dar tudo sem receber nada. De amar com todo o seu coração sem esperar nada em troca. De investir tudo em um projeto sem medir a rentabilidade que lhe trará de volta. Uma mãe segue tendo confiança em seus filhos quando os outros já a perderam".

Cobra Cordelista deseja a todas as mães, um feliz dia da mães!

sábado, 7 de maio de 2011

Bloco estrela da tarde fundado em 1940


O bloco Estrela da Tarde foi fundado em 1940 – O bloco mais tradicional de Jaboatão dos Guararapes, comemorou 70 anos de folia no carnaval de 2010.


O bloco preserva a mais antiga tradição e passa o costume da folia Momesca, cantando na porta das casas, e incentivando as crianças a manter a tradição dos moradores mais antigos. Este bloco nasceu, e se mantém ate hoje da iniciativa de famílias simples de origem rural, cortadores de cana do antigo Engenho Comporta, que hoje se tornou o bairro de Comporta em Jaboatão dos Guararapes.

Vida longa ao bloco "Estrela da Tarde" que sua estrela brilhe eternamente!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ferrovias



Pernambuco foi o primeiro Estado do Nordeste e o segundo do Brasil a ter uma estrada de ferro: a ferrovia Recife-Cabo, inaugurada a 08 de setembro de 1855, com extensão de 31,5 km ligando a localidade de Cinco Pontas, no Recife, ao município do Cabo. À época, existia no Brasil apenas a Ferrovia Mauá, também uma pequena ferrovia construída em Petrópolis, Rio de Janeiro.

O projeto pernambucano, denominado "Estrada de Ferro do Recife ao São Francisco", foi executado em várias etapas, com o objetivo de dotar o Estado de uma malha ferroviária para o transporte de mercadorias e passageiros. Após a etapa Recife-Cabo, vieram as linhas Ipojuca-Olinda-Escada e Limoeiro-Ribeirão-Água Preta-Palmares.

O trecho entre Palmares e Catende foi inaugurado em 1882. Em seguida, o trem chegou a Garanhuns (1887), Mimoso (1911), Arcoverde (1912) até atingir o município sertanejo de Salgueiro.

Durante várias décadas, o transporte ferroviário exerceu decisiva influência na economia do Estado. A partir da metade da década de 1960, as ferrovias pernambucanas ficaram praticamente abandonadas e acabaram dando lugar às rodovias.

Apesar do abandono, atualmente (novembro de 2004) vários trechos de trilhos ainda resistem ao tempo e encontramos também vários prédios (muitos deles em ruínas) que serviram de estações ao longo do percurso da ferrovi.

Inauguração e festa

A história da ferrovia em Pernambuco começa no dia 07 de agosto de 1852 quando o governo imperial concedeu, atravé do decreto 1.030, aos irmãos Mornay (os engenheiros anglo-brasileiros de origem francesa Edward e Alfred Mornay) o direito de construir e explorar durante 90 anos "um caminho de ferro" entre as cidades do Recife e o então povoado de Água Preta. Essa concessão era apenas a parte inicial de um projeto maior que estendia a estrada de ferro até as margens do Rio Sâo Francisco.

Como a concessão aos irmãos Mornay abrangia apenas a primeira parte do plano, a 13 de outubro de 1853 o governo assinou contrato (decreto 1.246) com a "Recife and São Francisco Railway Company", empresa com sede em Londres, que promoveu algumas alterações no projeto.

Uma dessas modificações foi a de que o trecho inicial da ferrovia não deveria dirigir-se a Água Preta, mas alcançar a confluência dos rios Una e Piaragi, podendo ser prolongoado até as proximidades da Cachoeira de Paulo Afonso.

Estabelecidos os termos do negócio, a 07 de setembro de 1855 foi lançada a pedra fundamental e tiveram início as obras do que seria a primeira estrada de ferro pernambucana: um trecho de 31,5 km ligando a localidade de Cinco Pontas, no Recife, ao município do Cabo.

Esta seria a segunda estrada de ferro brasileira (pois a única existente à época era a Ferrovia Mauá, em Petrópolis, Rio de Janeiro) e tinha o seguinte percurso: Cinco Pontas-Afogados-Boa Viagem-Prazeres-Cabo.

A Estrada de Ferro Recife-Cabo foi inaugurada a 08 de fevereiro de 1858. Mas sua construção demorou mais do que o previsto no projeto, por conta de alguns atropelos. O principal entrave foi uma epidemia de cólera-morbo que se alastrou em Pernambuco em 1856, matando mais de 30 mil pessoas, inclusive a maior parte dos engenheiros vindos da Inglaterra. A catástrofe não só forçou a diminuição do ritmo das obras, como também provocou a total paralisação dos trabalhos por várias vezes.

Quando finalmente foi inaugurada, a ferrovia tornou-se uma das principais atrações dos recifenses e as viagens entre o Recife e o Cabo viraram moda. Havia dois trens, um saindo do Recife às nove da manhã e outro às cinco da tarde e a passagem na 1ª classe custava quatro mil réis.

Os jornais publicavam anúncios da maravilhosa excursão "num cômodo banco da carruagem puxada por locomotiva possante, vendo pelas janelinhas canaviais e cajueiros, praias e coqueirais, mangues e colinas".

O primeiro trem pernambucano fez tanto sucesso que chegou a disputar público com os espetáculos apresentados no Teatro Santa Isabel, que na época havia reaberto depois de uma tremparada fechado para reformas. No cabo, o Grande Hotel passou a utilizá-lo em suas campanhas para atrair turistas: oferecia hospedagem "com decentes e abundantes iguarias, belo banho, ótimo jardim". Tudo, como num verdadeiro pacote turístico, acompanhado de "uma excelente banda de música militar para os divertimentos da noite".

O trem que a 08/02/1858 partiu da estação de Cinco Pontas para o Cabo transportou, na sua viagem inaugural, mais de 400 pessoas. Após a tradicional bênção, o comboio partiu às 12 horas e trinta minutos depois atingiu o ponto de chegada, onde uma multidão o aguardava.

Na chegada ao Cabo, o superintendente da "Estrada de Ferro do Recife ao São Francisco", J.T.Wood, discursou louvando o imperador do Brasil pela empreitada. O presidente da provícia de Pernambuco saudou a Rainha Vitório. E a festa durou o dia todo.


Transnordestina

A Transnordestina é uma estrada de ferro para interligar o Nordeste (pelo centro da região) com o Sudeste do Brasil, com o objetivo de facilitar o escoamento da produção econômica nordestina. Consiste na construção dos trechos entre os municípios de Petrolina e Salgueiro (231 km) e Salgueiro/Missão Velha, no Ceará, (114 km), além da recuperação do trecho Salgueiro-Recife (382 km).

Os custos do projeto, em dados de 1998, eram de R$ 380 milhões. A idéia da Transnordestina vem do século XIX, quando se planejou a construção de uma estrada de ferro que interligasse a parte central do Nordeste com a Ferrovia Norte-Sul, a maior do Brasil.

Mas, só em 1987 o governo colocou a idéia no papel. Inicialmente, o projeto previa a construção de 867 kms de ferrovias, nos seguintes trechos: Petrolina/Salgueiro, Salgueiro/Missão Velha, Crateús/Piquet Carneiro e Senhor do Bonfim-Iaçu. Além da construção desses trechos, estava prevista a recuperação de 1.635 kms de ferrovias já existentes.

O custo desse projeto era de US$ 951,3 milhões, mas praticamente nada foi feito. Apenas durante o governo do presidente Itamar Franco os trabalhos tiveram início: foram gastos US$ 8 milhões (cerca de 1% do orçamento inicial) e logo as obras foram interrompidas em meio a denúncias de superfaturamento.

Promessas

A construção da Transnordestina já foi anunciada inúmeras vezes pelo governo, mas, infelizmente, até hoje tudo ficou apenas no papel. Veja, a seguir, algumas dessas promessas:

1958 - Após o "Encontro de Salgueiro" (quando fora lançada a base de criação da Sudene), o governo federal decidiu autorizar a construção do ramal ferroviário entre os municípios de Serra Talhada e Salgueiro, que deveria ter continuidade com a implantação de outros trechos da ferrovia ligando os dois municípios pernambucanos à Missão Velha e Aurora, no Ceará. A obra é parte de uma idéia do século XIX, de construir uma estrada de ferro para ligar a parte central do Nordeste à ferrovia Norte-Sul, a maior do Brasil. Além da autorização, nada foi concretizado.

1987 - O Ministério dos Transportes coloca no papel o prejeto da Transnordestina, prevendo a construção da estrada de ferro nos trechos: Petrolina-Salgueiro, Salgueiro-Missão Velha, Cratéus-Piquet Carneiro e Senhor do Bonfim-Iaçu. Além disso, seriam recuperados 1.635 km de vias permanentes. O custo do projeto anunciado era de US$ 951,3 milhões. O projeto ficou no papel.

1991 - Técnicos da Rede Ferroviária Federal e do Departamento Nacional de Transportes Ferroviários vão a Petrolina, visitar obras do que seria a primeira etapa da Transnordestina, iniciadas no ano anterior, correspondente aos trechos ligando Petrolina a Salgueiro (326 km) e Salgueiro à Missão Velha (113 km), além da recuperação do trecho Salgueiro-Suape (637 km). Na ocasião, os técnicos anunciaram que essa primeira etapa seria concluída em quatro anos. Vêm à tona denúuncias de superfaturamento na contratação dos serviços e os trabalhos são suspensos pelo governo federal, sem que um metro de trilho fosse implantado.

1998 - O governo federal privatiza a malha ferroviária do Nordeste, passando seu controele para a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), e anuncia que, agora, nas mãos da iniciativa privada, a Tarnsnordestina finalmente será implantada. Não foi. Mais precisamente, a ferrovia continua sem sair do papel.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Show de Cobra Cordelista na Feira de Literatura de Jaboatão dos Guararapes


Cobra Cordelista no palco da Fliguara


Cobra Cordelista faz show de abertura da feira de Literatura de Jaboatão dos Guararapes nos mirante dos Montes Guararapes, a convite da Cia do lazer, que organiza a Fliportinho na cidade de Ipojuca todos os anos.

O evento aconteceu pela primeira vez em Jaboatão e promete ser um dos grandes espetáculos culturais e literários do Estado de Pernambuco.

No palco da Fliguara, Cobra Cordelista tocou acompanhado dos violonistas Messias e Fauzer Zaidan e na zabumba por Felipe de Dora. O show aconteceu às 17:00hs e teve uma hora de duração.







I Envento Grande Literário em Jaboatão a Fliguara 2011

Pela primeira vez a cidade de Jaboatão fez acontecer um grande evento literário a Fliguara 2011. Foram doze editoras participantes e mais de duas mil crianças, cada uma delas com um crédito de R$ 25,00 (vinte e cinco Reais) para comprar nas editoras.

A curadoria da feira ficou ao encargo do Escritor Natanael Lima da academia de letras do cabo, a coordenação do professor Nildo Ribeiro e a coordenação das atividades infantis com a coordenadora de cultura Maria Antonia.

A Cia do lazer que organiza a fliportinho todos os anos estruturou o evento e Arnaldo da editora Bagaço organizou os estandes Editoriais. Teve show dos Poetas Cobra Cordelista, Alan Sales, Chico Pedrosa, Miró, Joselito Nunes e Júnior do Bode e participação especial de Jessier Quirino.

A criação de logomarcas e assessoria publicitária ficou ao encargo do jornalista Paulo Rocha do jornal Gazeta Nossa, contratado para este fim.

Depois agente posta mais fotos deste evento inédito em nossa cidade!
















quarta-feira, 4 de maio de 2011

Meus agradecimentos ao blog teixeira1.com

Nas minhas andanças pelo sertão tenho descoberto verdadeiros parceiros na comunicação, são jornalista e blogueiros que predominam na cultura local. Lá na região do Teixeira predomina a atuação competente de Edney Lisboa e no lançamento do meu livro Alma Sertaneja no dia 29 de Abril de 2011, na cidade do Teixeira, foi fundamental o trabalho e a dedicação deste jovem e competente Jornalista que Deus o abençoe e o faça desenvolver cada vez mais, pois nosso país precisa de homens e como incentivo uma parábola "não importa onde esteja o ovo, se é de águia um dia voará”, com Edney tenho certeza que será assim.


Por fim, mais uma vez quero agradecer ao Anjo do Teixeira Magali Dantas, já conheci gente muito boa, de coração maravilhoso, mas Magali Dantas em nada fica a dever a estes corações maravilhosos .

Obrigado minha amiga e até breve, um grande abraço deste poeta ao meu anjo do Teixeira.

terça-feira, 3 de maio de 2011


Fotos do lançamento do livro “Alma Sertaneja” de Cobra Cordelista, no salão paroquial da igreja católica na cidade de Texeitra no Sertão Paraibano


Na última sexta feira às 19h00 no Salão Paroquial da Igreja Católica a convite da família Dantas, estive na Serra do Teixeira,
meus agradecimentos a Magali Dantas organizadora do evento, a Kei France, presidente da câmara de vereadores e ao vereador Juninho que distribuía simpatia, ao professor do EJa e todos os seus alunos que compareceram ao evento e a tanta gente legal que recebeu tão bem este velho poeta caixeiro viajante da cultura nordestina.

Agradeço a Fauzer Zaidan e Vitor Aragão, integrantes da companhia da poesia que me acompanham nordeste afora e a Ricardo da RG vídeo, que cobriu com muita capacidade todo o evento no Sertão Paraibano.








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