quarta-feira, 1 de junho de 2011

MAIS FOTOS DO I ENCONTRO DE POETAS DE LAGOA DE ROÇA


Estavam presentes no evento a socióloga Vânia Mangueira de Campina Grande, família tradicional da Paraíba que veio prestigiar a nossa cultura muito obrigado.
Ao seu lado sua mãe que incentivava em todos os momentos os artistas populares obrigado.

O Prefeito Lúcio Flávio da Cidade de SS Lagoa de Roça que também veio prestigiar o evento. E outras pessoas que a certa altura perdi o controle da identificação os nomes, mas que foram fotografadas pelas lentes do Ricardo que cobre nossos eventos e agradeço a todos pela presença.











Abraços a todos!!!

I ENCONTRO DE POETAS DE LAGOA DE ROÇA


Poeta Helena Cardoso, organizadora e apresentadora do I encontro de poetas e repentistas de SS Lagoa de Roça, professora Rosinilda Bezerra e seu esposo Sr. Mota, também organizadores do Evento, Zé Antonio (conhecido como Balaieiro) e Francisco Sales ,dupla de repentistas de Lagoa de Roça ,primeira a se apresentar,parabéns muito bom.

Miro Pereira e Erasmo Ferreira foi à segunda dupla e deram um show de cantoria, um do Rio Grande do Norte e outro da Paraíba, mas que fazem uma das melhores duplas que já assisti. Washingtom Farias Aboiador, caboclo vivido e conhecedor das coisas do Sertão, só a figura já é um show de cultura , Parabéns.

Em seguida Cobra Cordelista e a Companhia da Poesia em uma cidade Linda que vive sob a proteção de Jesus todos os dias.

Amanhã mais fotos de quem esteve presente.








O estranho telegrama de um cangadceiro



O famoso cangaceiro Antonio Silvino teve algumas atuações na Paraíba, espalhando terror em todo o Sertão. Ferido em combate, foi preso pela tropa comandada pelo então major Teófanes Torres, da PM de Pernambuco, em 1914, sendo aprisionado na antiga “Casa de Detenção”, no Recife. Como teve um comportamento exemplar, em 1937 recebeu um indulto do presidente Getúlio Vargas e foi posto em liberdade no dia 20 de fevereiro daquele ano.

Algumas pessoas acreditavam que Antônio Silvino não cometia violências à toa, do tipo assaltar pessoas, estabelecimentos, povoados e cidades sem haver um motivo justo. Os integrantes do seu bando só se vingavam daqueles que lhes armavam emboscadas, dos que os denunciavam à polícia, das volantes que os perseguiam. Quando muito, se não agiam exatamente dentro da lei, isto seria justificado, segundo eles, pela necessidade de angariar elementos básicos para a sobrevivência do bando: comida, dinheiro, roupa, armamentos, etc.

E parece que o próprio Antonio Silvino acreditaba nisso, pois uma das primeiras coisas que fez , quando se viu em liberdade, foi mandar um telegrama ao então Ministro José Américo de Almeida, fazendo um estranho pedido. Eis o seu conteúdo.
“Solicito de Vossa Excelência um emprego federal pelos relevantes serviços que prestei ao Nordeste”.

Não se sabe se o emprego foi dado, embora alguns afirmem que sim. O fato é que Antonio Silvino ainda viveu alguns anos na Paraíba, morrendo aos 69 anos na cidade de Campina Grande, no dia 9 de outubro de 1944.

terça-feira, 31 de maio de 2011

A Pedra Casamenteira



Durante todo o ano, um grande número de devotos, curiosos e, principalmente, solteiros, vão até a Serra do Bodopitá, no município de Fagundes (100km de João Pessoa). Lá se encontra a Pedra de Santo Antonio, uma relíquia natural que, segundo as tradições, quem passar por debaixo dela, irá conseguir se casar ou no mínimo, arranjar uma união estável até o ano seguinte.

O ritual é um pouco complicado. Você tem que passar por debaixo do lajedo através de uma estreita fenda, arrastando o corpo no granito áspero. Quem já fez o sacrifício garante que vale a pena. O local ganhou fama de milagroso há mais de cem anos. Tudo começou após escravos encontrarem a estátua de Santo Antônio (santo casamenteiro) no alto da rocha e, ao levarem para a igreja, a imagem teria sumido e reaparecido misteriosamente no alto da rocha. Isso aconteceu 3 vezes seguidas e logo foi construída uma capela nas proximidades da pedra. Dai, para começarem as romarias não demorou muito.

A pedra de Santo Antônio tem 900 metros de altura e de lá, se tem uma excelente vista panorâmica. Mas se você não pretende deixar de ser solteiro, não precisa passar por esse sacrifício. Pode apenas aproveitar para fazer aventuras no lugar, pois, o cenário serrano é repleto de trilhas ecológicas, com matas preservadas e fontes de água doce. Solteiro ou casado vale a pena ir conhecer o lugar.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Do barro ao metal: belezas do artesanato pernambucano

O Estado de Pernambuco, como toda a região Nordeste, apresenta uma grande variedade de produtos artesanais. Além do tipo figurativo, composto por peças que são verdadeiras obras de arte, há uma enorme quantidade de produtos utilitários, indispensáveis no dia-a-dia da nossa população. Pelos principais ramos, o artesanato pernambucano está assim dividido: Cestaria e trançados; bordados e rendas; cerâmica; couro; tecelagem; madeira; metal; tapeçaria.

Cerâmica - É a argila modelada e aquecida a ponto de manter a forma definitiva desejada. Basicamente, existem dois tipos: a cerâmica utilitária e a ornamental, embora atualmente grande número de peças de cerâmica utilitária seja utilizada para efeito decorativo. O processo de produção é único: pegar determinada quantidade de argila, misturá-la à água para formar o barro destinado à curtição durante dois ou três dias. Depois, vem a etapa do amassamento para tornar o barro homogêneo. O barro ganha consistência pastosa, ideal para a modelagem. As peças modeladas passam pela fase de secagem e, depois, vem a etapa do cozimento, geralmente em fornos rudimentares. As peças são: vasos, panelas, jarros, bonecos e outra infinidade de objetos.
Peças em cerâmica,do artista Antônio Bernardo, da cidade de Tracunhaém.

Um dos maiores centros produtores é o município de Caruaru, exatamente o Alto do Moura, onde são produzidos os famosos bonecos do Mestre Vitalino.


Cestaria e tançados - São muitos os artigos produzidos com fibras vegetais: bolsas de vários tamanhos e modelos, tapetes, chapéus, cestas, esteiras, sacolas, estandartes etc. As fibras que servem de matéria-prima também são muitas, como o sisal (ou agave), folha de carnaubeira, folha de bananeira, de coqueiro, de ouricuri, buriti, catolé e outros. Além disso, também servem como matéria-prima: linhas de coser, cordões, cordas, linha de náilon, cola e arame. Boa parte dos artigos comercializados em Pernambuco vem de um dos maiores produtores nordestinos de artigos desse tipo, o Rio Grande do norte, onde as matérias-primas predominantes são o sisal e a palma da carnaubeira.

Bordados - O bordado, executado sobre o tecido com agulha e linha, difere da renda porque esta não é aplicada sobre funda já existente: ela mesma é um tecido de malhas abertas e com textura delicada, cujos fios se entrelaçam formando um desenho. Os bordados existem em vários tipos: ponto-de-cruz, ponto-cheio, labirinto, renascença e outros. Já as rendas mais famosas são as de bilros. Tanto com o bordado quanto com as rendas, são confeccionados artigos de cama e mesa e peças de vestuário.

Redes - Grande parte das redes produzidas atualmente em Pernambuco já são através de processos industriais. Mas, em algumas regiões -como, por exemplo, o município de Tacaratu - ainda está presente o processo artesanal, através do qual a rede é produzida num penoso trabalho de mais de 20 etapas. A parte mais pesada do trabalho (a de tecelagem do pano que serve de corpo da rede) é feita através dos chamados teares de batelão. Outras partes fundamentais são as de confecção da corda de trancelim e do punho. A matéria-prima principal para o fabrico da rede é o fio de algodão.

Artigos de metal - Feitos com matérias-primas como o zinco, bronze e sucata e latão, há uma grande variedade de peças artesanais em metal. Exemplos: chocalhos, campainhas, sinetas, cinzeiros, castiçais, bacias, crucifixos, brasões, etc. Com sucata de latão, também são produzidos vários tipos de brinquedos infantis, como carros, trens, cata-ventos, miniaturas de carrosséis e rodas-gigantes, entre outros. O município de Gravatá é um grande produtor de brinquedos infantis através de processo artesanal. Na cidade de Cachoeirinha, conhecida com a terra do couro e do aço, entre as peças em metal mais vendidas estão o estribo e a espora.

Artigos de couro - São artigos como bolsas, cintos, chapéus, sapatos e outros, do tipo popular, destinados à população de baixa renda. Além desses produtos, também são confeccionados arreios para cavalo, bainhas para faca, moringas, cartucheiras, gibões e selas para montaria em animais. Os maiores centros produtores de artigos artesanais em couro do Estado são os municípios de Toritama e Timbaúba, produtores sobretudo de calçados, bolsas e cintos. As principais matérias-primas utilizadas são o couro de bovinos ou caprinos e borracha (reaproveitamento de pneus).

Artigos em madeira - Como a cerâmica, os artigos artesanais em madeira dividem-se em dois tipos: o utilitário e o decorativo. Entre as peça utilitárias, destacam-se a colher de pau, cabides, saleiros, açucareiros, etc. Entre as peças decorativas, destacam-se as talhas. Segundo o pesquisador Olímpio Bonald Neto, a arte do entalhamento, de origem européia, chegou a Pernambuco em meados do Século XVI, com a construção de templos e fortificações. O trabalho desses primeiros carpinteiros também foi utilizado pelos engenhos de açúcar, para confeccionar as moendas, os eixos, as rodas d'água, as caixas de transportar açúcar, além de abrir as marcas dos senhores de engenhos em peças nobres. As madeiras mais utilizadas eram a sucupira, massaranduba, pau-d'arco, pau-brasil, que na época existiam em abundância na Mata Atlântica. Além das talhas, existem também os brinquedos populares em madeira, como peões, iô-iôs e o mané-gostoso (pequeno boneco que, acionado, imita um ginasta numa barra).

Principais localidades produtoras de artigos artesanais no Estado
RamosLocalidades
CerâmicaIgarassu, Lagoa de Itaenga, Olinda, Nazaré da Mata, Surubim, Sâo Lourenço da Mata, Recife e Tracunhaém.
Cestaria e TrançadoÁguas Belas, Arcoverde, Alagoinha, Barreiros, Caruaru, Canhotinho, Fazenda Nova, Floresta, Itamaracá, Garanhuns, Petrolândia, Joboatão, Petrolina, Jupi, Recife, Tamandaré, Timbaúba, São Lourenço da Mata, Serrita.
Bordados e RendasPoção, Pesqueira, Tacaimbó, Alagoinha, Bezerros, Caetés, Carpina, Fazenda Nova, Limoeiro, Jataúba, Paudalho, Paulista, Ribeirão, São Lourenço da Mata, Recife.
TecelagemTacaratu, Itacuruba, Caruaru, Carpina, Itamaracá, Goiana, Limoeiro, Timbaúba, Toritama, São Lourenço da Mata, Recife.
MadeiraGravatá, Águas Belas, Olinda, Caruaru, Bezerros, Água Preta, Fazenda Nova, Cupira, Itamaracá, Ibimirim, Palmares, Panelas, Quipapá, Petrolina, Rio Formoso, Recife, Surubim
CouroCachoeirinha, Caruaru, Timbaúba, Águas Belas, Cupira, Panelas, Fazenda Nova, Floresta, Goiana, Limoeiro, Palmerina, Pedra, Santa Cruz do Capibaribe, Tacaratu, Toritana, Recife.
MetalGravatá, Bezerros, Agrestina, Água Preta, Caruaru, Cabo, Cupira, Fazenda Nova, Panelas, Petrolina, São Caetano, Surubim, Recife.
TapeçariaRio Formoso, Olinda, Recife, Quipapá, Barreiros, Limoeiro.
Fonte: Banco do Nordeste. Incluindo artesanato figurativo e utilitário

Alto do Moura - Distante 7 km do centro de Caruaru, é um pequeno bairro localizado no alto de um morro, tem apenas duas fileiras de casas, quase todas habitadas por artesãos que ganham a vida modelando bonecos de barro, conhecidos como "bonecos de Vitalino", numa referência ao primeiro artista do lugar que ganhou fama nacional. O bairro ganhou da Unesco o título de maior centro de arte figurativa das Américas. É lá que fica, instalado numa modesta casa onde o artista viveu, o Museu Mestre Vitalino.

Tracunhaém - Município localizado na zona da mata sul do Estado, a 63 km do Recife, famoso por ser um pólo cerâmico. Os ceramistas dedicam-se, especialmente, a imagens de santo em barro. Entre seus principais artesãos estão Zezinho de Tracunhaém, Nilton Tavares e José Joaquim da Silva. Outro artista que tem ligações com o pólo é Thiago Amorim, residente em Olinda, mas que ganhou notoriedade como ceramista em Trachunhaém, entre os anos 1975/1985. Os santos produzidos pelos artesãos locais são muito famosos. Quando esteve no Recife, em 1980, o Papa João Paulo II. levou uma imagem de Nossa Senhora do Carmo produzida em Tracunhaém. Consta que os primeiros artesãos locais foram os índios tupis, que modelavam cachimbos de barro.



Artesãos

Ana das Carrancas - Ceramista, Ana Leopoldina Santos Silva, a Ana das Carrancas, nasceu em 1923, em Santa Filomena, que à época era distrito de Ouricuri. Começou a trabalhar aos sete anos de idade, ajudando a mãe a fazer potes e panelas de barro para vender na feira. Em 1932, passou a morar em Petrolina e continuou o fabrico de cerâmica utilitária por mais de 20 anos. Quando a mãe deixou o barro, por problemas de saúde, e o padrasto (que era cego) morreu, a jovem Ana passou a sustentar a família com o seu duro trabalho.

O barro para o fabrico das panelas e potes era extraído de um terreno próximo ao galpão onde ela trabalhava. Mas, com o crescimento da cidade, a matéria-prima começou a escassear e ela teve que percorrer as margens do rio São Francisco à procura de barro. E foi dessas andanças que surgiu a sua arte: toda vez que chegava ao rio, Ana via as carrancas (de madeira) multicoloridas nas proas das barcaças. Um dia, resolveu fazê-las de barro "para ver no que dava".

Fazia o barco completo, com toldo, leme e, na proa, a ameaçadora carranca. O trabalho teve aceitação e, logo, Ana das Carrancas virou nome famoso. Depois, deixou de fazer as barcaças, passando a esculpir apenas a carranca, peças de tamanhos variados, vendidas principalmente a turistas, proprietários de hotéis e colecionadores.

Com a fama, veio a oportunidade de participar de feiras em vários estados brasileiros e suas peças já chegaram a vários países da Europa. Suas peças têm olhos vazados, forma que ela encontrou para homenagear o marido, José Vicente de Barros, cego de nascimento, que sempre participou do trabalho fazendo os bolos de barro para a produção das peças.

Uma de suas filhas, Ângela Lima, nascida em 1979, segue a carreira de ceramista. Foi Ana das Carrancas quem primeiro usou o barro como matéria-prima para a produção das carrancas que tradicionalmente são feitas em madeira. Ela morreu em Petrolina, a 01 de outubro de 2008.

Bigode - Escultor José Alves da Silva, o Bigode, nasceu em 1929, em Goiana, onde começou a trabalhar em madeira aos seis anos de idade. Suas primeiras peças foram duas bonecas, esculpidas em mulungu para suas irmãs. Depois, começou a produzir santos. Em Olinda, para onde mudou-se em 1949, foi sapateiro, especializando-se na produção de sapatos Luiz XV "para moças ricas". No final da década de 1960, abraçou de vez a profissão de escultor e entalhador e suas peças ganharam fama. Chegou a ministrar vários cursos para artesãos mirins na Região Metropolitana do Recife. Produz especialmente santos, anjos, Cristo, Buda etc. Suas peças variam de 60 cm a um metro, esculpidas ou entalhadas em madeira velha ou sobras que compra na serrarias.

Domingos - Natural de Petrolina, Domingos Trindade Lopes, ou simplesmente Domingos, aos 12 anos de idade trabalhava como ajudante de pedreiro. Em 1971, começou a fazer as tradicionais carrancas de madeira, talhadas em cedro ou imburana. Suas carrancas variam de tamanho -entre 40 cm e 1,5m- e nunca serviram como figuras de proa de embarcações, são apenas peças decorativas. No princípio, ele inspirou-se no trabalho da sogra (Ana das Carrancas, que utiliza barro) e, depois, passou a usar como modelo uma peça do mais famoso carranqueiro de todo o Vale do São Francisco - o baiano Francisco Biquiba Dy Lafuente Guarany (1882-1985). A partir da concepção e dos cortes do grande mestre, desenvolveu seu estilo e conquistou espaço.

Dona Biu - Dona Biu é o nome popular de Severina Bruno da Silva, artesão especializada no fabrico de bonecas de pano. Nasceu em 1919, em Jaboatão, filha de trabalhadores rurais de engenho de cana-de-açúcar. Começou a trabalhar no artesanato ainda jovem, entre os 17 e 18 anos de idade, para complementar a renda da família. Utiliza retalhos de tecidos, algodão e arame (uma novidade nesse tipo de brinquedo) para confeccionar as suas bonecas, tradicionalmente de 15 cm e outras especiais que chegam a 50 cm. Costureira, analfabeta, teve 17 filhos, dos quais 13 sobreviveram.

Daniel Santeiro - Escultor, Benedito Belo da Silva, o Daniel Santeiro, nasceu em 1950, em São Benedito do Sul. Aos sete anos de idade já confeccionava seus brinquedos: bonecos de mamulengo, bengalas e carrinhos de madeira. Produz suas esculturas, de dois a quatro metros, sobretudo em troncos de jaqueira, "por ser um pau que agüenta muitos anos de sol e chuva e não precisa envernizar". Seus santos são de estilo barroco, contendo semelhanças com o trabalho de Aleijadinho, desenhados com um machado no próprio ato de execução das peças. Quando era criança, fugiu de casa e ganhou o apelido de Daniel de um motorista que lhe deu carona até o Recife em um caminhão. Na Capital, foi parar num orfanato onde aprendeu a pintar. Além de santos, produz pequenas esculturas de Lampião e Maria Bonita. Em 1973, participou de uma exposição no Rio de Janeiro.

Julião das Máscaras - Bonequeiro, João Dias Vilela, o Julião das Máscaras, nasceu em Olinda, a 06/02/1924 e morreu na mesma cidade, a 16/03/1997. Confeccionava máscaras carnavalescas e foi um dos primeiros a produzir os famosos bonecos gigantes do carnaval olindense. Filho do artesão Julião Dias Vilela, de quem herdou as técnicas do trabalho no barro, na madeira e com massas plásticas, desde menino trabalhou na produção de máscaras carnavalescas em papel.

Eram máscaras de gente e de bicho, palhaços, arlequins, caveiras, além de cabeças de urso de carnaval, leões e outros bichos. Passado o período carnavalesco, produzia pipas, papagaios, balões ou estrelas de São João, pois sobrevivia do seu trabalho como artesão. Trabalhou, também, no jogo do bicho e consertando móveis, foi pescador, empalhador de cadeiras, restaurador, animador de pastoril, produtor de bonecos de mamolengo e brinquedos de madeira e, muitas vezes, deu uma de ator, vestido de Papai Noel para atrair freguesia em casas comerciais.

Produziu mais de 50 bonecos gigantes para agremiações carnavalescas de Olinda, entre os quais o Barba Papa, Mulher do Dia, Menino da tarde, Geni, Carlitos, O Filho do Homem da Meia-Noite, Garoto do Amaro Branco e O Guarda. Em julho de 1987, participou da 10ª Feira Brasileira de Artesanato, realizada no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Morreu pobre, deixando vários seguidores, inclusive os seis filhos.

Manuel de Camaragibe - Filho de carpinteiro, Manuel de Camaragibe nasceu em Santana do Ipanema, Alagoas, e quando criança trabalhou na agricultura e em olarias. Depois, foi ajudar o pai na carpintaria, onde aprender fazer móveis. Depois, mudou-se para o Recife, fixando residência no então bairro de Camaragibe, onde até o início da década de 1970 trabalhou como pedreiro. Um dia, conheceu o artesão Daniel Santeiro, com quem começou a trabalhar como ajudante. Usando preferencialmente a jaqueira, seguiu o ofício e passou a produzir suas próprias peças, santos medindo entre 1,50m e 2,0m. Entre sua produção, também constam pequenas esculturas de animais e estátuas do Padre Cícero, Lampião e Maria Bonita. Os santos mais presentes na obra do artesão: São Francisco, Santa Tereza, N. S. da Conceição, Santa Luzia e São Sebastião.

Manuel Eudócio - Manuel Eudócio nasceu no Alto do Moura, Caruaru, em 1931, de uma família que ganhava a vida produzindo peças de cerâmica utilitária para vender na feira da cidade. Assim, conheceu o trabalho com o barro desde criança, quando fazia brinquedos para uso próprio, sem nenhuma outra pretensão. No final da década de 1940, com a chegada ao povoado do Mestre Vitalino (de quem foi aprendiz), passou a modelar bonecos para vender nas feiras-livres e nunca mais abandonaria a arte do barro. Sempre fez todo tipo de peças -Lampião, Maria Bonita, médico operando doente, casamento na roça, dentista extraindo dente etc.- mas nunca escondeu sua preferência pelo famoso boi de barro, uma das primeiras peças desse tipo de cerâmica. Pintadas a óleo ou sem nenhuma pintura.

Mestre Galdino - Ceramista, cantador de viola e poeta de cordel, Mestre Galdino (Manuel Galdino de Freitas) nasceu em 1928 e foi um dos artistas mais famosos do Alto do Moura, em Caruaru. Gostava de fazer moringas e monges, mas sua arte maior estava nos pequenos bonecos de barro. Para cada boneco que produzia, costumava escrever uma história que ia anotando num caderno - chegou a escrever mais de mil histórias.

Vaidoso, quando alguém indagava se havia aprendido o ofício com o Mestre Vitalino, ele respondia em versos: "Galdino é bonequeiro/e sou poeta também/tem boneco em minha casa/que bonequeiro não tem/na arte só devo a Deus/lição não devo a ninguém". Cuidadoso, depois de modelar as peças, deixava oito dias para secar. Após esse período, as peças iam para o forno (de tijolo, no fundo do quintal de sua casa) e passavam dez horas lá dentro. Finalmente, as peças ficavam mais quatro horas com o fogo apagado, "para desenfornar". Caso não seguisse todo esse ritual, dizia o mestre, "o bicho ficava encruado e feio".

Uma das mais famosas obras do Mestre Galdino, produzida no final da década de 1980, ocupava quase metade de sua mesa de trabalho. Era a história, em barro, de dois irmãos que resolveram casar e pagaram pelo pecado do incesto tendo 118 filhos deformados. Galdino trabalha na sua pequena casa, no Alto do Moura, com ajuda da mulher e dos cinco filhos. Antônio Galdino de Freitas, um dos filhos do mestre, é hoje outro famoso artista do Alto do Moura.


Mestre Vitalino - Ceramista, Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino, nasceu a 10-06-1909, no sítio Campos, em Caruaru. Famoso por seus bonecos de barro (que aprendeu modelar quando tinha seis anos de idade) representando cenas ou tipos do Nordeste brasileiro, tais como boi, jumento, casamento matuto, cantadores de viola na feira, matuto em dia de batizado, mulher carregando lenha etc. Inicialmente, suas peças eram vendidas nas feiras como brinquedo de criança e só tempos mais tarde seriam vistas como arte, denominadas "bonecos de Vitalino".

Analfabeto, só quando adulto ele passou a assinar suas peças, depois que outros ceramistas passaram a copiá-lo. Em 1948, fixou residência no Alto do Moura, um povoado a 06 Km do centro de Caruaru e que, depois, seria considerado um dos maiores centros de arte figurativa da América Latina, tamanha a quantidade de ceramistas que ali se estabeleceram.

Tocador de pífano sem nunca ter estudado música ("fui aprendendo pela cadência, tirando do juízo"), expôs pela primeira vez os seus bonecos numa exposição de cerâmica pernambucana no Rio de Janeiro, organizada em 1947 pelo artista plástico Augusto Rodrigues. Em 1960, participou, na residência do industrial Drault Hermanny, na cidade do Rio de Janeiro, de uma Noite de Caruaru, durante a qual 37 dos seus bonecos foram leiloados e ele doou a renda para a construção do Museu de Arte Popular de Caruaru, ao qual depois também doaria outras 250 peças.

No mesmo ano de 1960, recebeu do governo do estão Estado da Guanabara a Medalha Sílvio Romero, atribuída "àqueles que contribuem para a divulgação do folclore nacional". Em 1961, a embaixada brasileira em Lima, Peru, realizou uma exposição individual do mestre. Vitalino morreu pobre, a 20/01/1963, deixando inúmeros seguidores, inclusive a mulher e filhos.

Suas peças originais estão espalhadas por todo o Brasil e também pelo exterior, como no Museu do Louvre, em Paris. Atualmente, a casa onde ele residiu até a morte, no Alto do Moura, é sede do Museu Mestre Vitalino. Em 1975, a Companhia de Defesa do Folclore Brasileiro lançou o disco "Vitalino e sua Zabumba", com seis músicas gravadas nos estúdios da Rádio MEC, no Rio, em 1960.

Entre os filhos de Vitalino, praticamente todos se destacaram dando continuidade ao trabalho do pai: AMARO VITALINO, filho mais velho, nascido em 1934; MANUEL VITALINO, nascido em 1935; MARIQUINHA, a Maria José, que, além dos bonecos de tamanho tradicional, cerca de 10 cm, especializou-se em miniaturas; e SEVERINO VITALINO, irrequieto introdutor de novas figuras na produção desse tipo de bonecos.


"Eu aprendi tocar pela cadência, tirando tudo do juízo"

Além de ceramista e criador dos bonecos de barro, Vitalino também foi um excelente tocador de pífanos. Como não sabia escrever, nunca estudou música e explicava da seguinte maneira sua iniciação nessa área: "Fui aprendendo tocar pela cadência, tirando tudo do juízo". Ele tinha sua própria bandinha (ou zabumba, como também são chamadas as bandas de pífanos), da qual era o pífano principal, mestre e compositor.

A Banda do Mestre Vitalino era igual às outras da região, ou seja, tocava de tudo: acompanhava procissão (Vitalino era devoto de São Sebastião e, claro, do Padre Cícero), animava festas de casamento, batizado e outras. Nas cerimônias religiosas, o respeito era sagrado. Mas, nas "farras do mundo" as sopradas no pífano eram intercaladas por uma boa cachaça "pra aliviar o coração".

Em novembro de 1960, Vitalino viajou ao Rio de Janeiro, para participar de uma "Noite de Caruaru", organizada por intelectuais como os irmãos Condé, e levou junto a sua banda. O objetivo da festa era uma exposição de arte, mas a banda agradou tanto que acabou gravando, nos estúdios da Rádio MEC, seis músicas que em 1975, já depois de sua morte, fariam parte do disco "Vitalino e Sua Zabumba" lançado pela Companhia de Defesa do Folclore Brasileiro.

Apesar de só ter ficado famoso por conta dos bonecos de barro, Vitalino tinha uma grande paixão pela música. Tanto que na sua mais conhecida foto ele aparece tocando pífano. Mas a maior apego do ceramista era, sem dúvida, com sua terra. Na viagem de volta do Rio de Janeiro, por exemplo, ansioso para chegar em Caruaru, por várias vezes ele pediu a um amigo que perguntasse à aeromoça "quantas léguas faltavam para chegar".

Neílton Santos - Escultor, Neílton Guedes dos Santos nasceu na Paraíba, em 1949, iniciou a carreira ainda criança, quando confeccionava bonecos de mamolengo. No início da década de 1970, mudou-se para o Recife e passou a produzir vários tipos de peças em madeira ou quenga de coco, tais como brinquedos, adereços e esculturas. Autodidata, utiliza em seu trabalho o Cajá (madeira difícil de lascar) e raízes e troncos de Panã -uma árvore de beira de rio ou de lagoa de água doce. Usa, também, frutos da cabaceira (o cabaço) para produzir rostos, cabeças, figuras de bichos, pássaros e bonecos. Formado em administração de empresas, tem o artesanato como uma paixão, realizou trabalhos de restauração de peças históricas e já vendeu bonecos para vários países.

Nhô Caboclo - Escultor e entalhador, Manuel Fontoura, o Nhô Caboclo, nasceu em Águas Belas, em data que nunca soube precisar. Viveu a infância e a adolescência numa fazenda em Garanhuns e, já adulto, mudou-se para o Recife onde ficou conhecido como "o bonequeiro de Casa Amarela". Irreverente, contador de histórias mirabolantes, ganhou fama depois que passou a produzir engenhocas como miniaturas de roda-d'água, cata-vento, casa-de-farinha e outras, utilizando-se de pedaços de madeira, lata velha, pregos, cordão e tudo o que encontrasse pela frente. Suas peças são de uma perfeição e beleza de fazer inveja. Analfabeto, dizia-se autodidata: "tiro toda minha arte do miolo do juízo, nunca aprendi nada com ninguém". No princípio, trabalhou com barro e, já no final da vida, dizia ter abandonado a talha por ser "uma peça parada", preferindo dedicar todo seu tempo na invenção de suas engenhocas. Boêmio inveterado, morreu em abril de 1976, solteiro, porque, como dizia, "sustentar uma mulher era mais caro do que sustentar uma cabra".

Severino de Tracunhaém - Severino Gomes de Freitas, o Severino de Tracunhaém, (1916-1965) foi um dos mais representativos ceramistas de Trachunhaém, cidade onde nasceu e onde trabalhou nos engenhos de cana-de-açúcar até casar com Lídia Vieira, na época uma das mais famosas ceramistas nordestinas (faleceu em 1974). De tanto observar a mulher modelando seus bonecos, deixou o trabalho na agricultura e entrou para o negócio do barro. Logo desenvolveu estilo próprio e ganhou fama como artista popular. Esculpia bichos e figuras estranhas, frades, beatas, estatuetas de Padre Cícero e outros. Suas peças, em geral medindo entre 30 cm e 50 cm, integram coleções particulares e acervos de alguns museus pernambucanos. Morreu em decorrência de esquistossomose adquirida na zona rural onde viveu.

Sílvio Botelho - Bonequeiro, Sílvio Romero Botelho de Almeida nasceu em 1956, em Olinda, onde muito jovem começou a desenhar e a fazer talhas e esculturas em madeira, gesso e barro. Depois, passou a trabalhar como ajudante de Roque Fogueteiro (um fabricante de fogos de artifício que também confeccionava máscaras carnavalescas), com quem aprendeu o ofício de modelar os gigantes bonecos do carnaval de Olinda. Em 1976, criou seu primeiro boneco, para a agremiação Menino da Tarde, vindo, em seguida, bonecos para blocos e troças como John Travolta, O Demo, A Bochecha, A Nordestina e outros. Ganhou notoriedade depois que conseguiu produzir bonecos mais leves que os tradicionais, utilizando novas técnicas e materiais sem, no entanto, descaracterizar os famosos bonecos gigantes do carnaval de Olinda.

Tita Caxiado - Entalhador, José Caxiado da Silva, o Tita Caxiado, nasceu em 1951, em Alagoinha, onde trabalhou na agricultura. Também safoneiro, em 1968 veio para o Recife, onde chegou a gravar um disco. Animado, tentou seguir a carreira de cantor em São Paulo, mas não foi bem sucedido e retornou a Pernambuco. Em 1975, condenado a oito anos de prisão, foi parar na Penitenciária Barreto Campelo, onde começou a fazer pequenas estátuas de madeira. Depois, ainda na prisão, optou pela talha.

Zé Caboclo - Ceramista, Zé Caboclo nasceu em Caruaru, em 1919. Juntamente com o Mestre Vitalino e Manuel Eudócio, formou o mais representativo trio de artistas do barro do Alto do Moura. Filho de louceira, desde criança produzia bois, cavalos e outros brinquedos de barro para vender na feira da cidade. Depois, passou aos bonecos mais elaborados -como os que representam cenas típicas do Nordeste rural ou profissionais como dentista e médico em atividade. Ousado, inovou o universo dos chamados bonecos de Vitalino, ao modelar peças como a Virgem Maria usando um vestido de cores berrantes; figuras do bumba-meu-boi, do Maracatu, além de peças de mais de um metro de tamanho, sendo metade jarra e metade estátua de personagem como Padre Cícero, Lampião e Maria Bonita. Morreu, de esquistossomose, em 1973, deixando mulher e filhos como seguidores.

Zé do Gato - Entalhador e carranqueiro, José Severino de Lira, o Zé do Gato, nasceu em Bezerros, em 1942. Filho de carpinteiro, nunca havia despertado interesse por trabalhos em madeira até que, em 1965, foi condenado a 12 anos de prisão e veio cumprir pena na antiga Casa de Detenção, no Recife, onde começou a produzir peças artesanais em chifre. Depois, passou para a madeira. Inicialmente, produzia miniaturas de carro-de-bois, barcos, jangadas etc. Posteriormente, passou a fazer talhas e carrancas.

Zé do Mestre - Vaqueiro e um dos mais famosos artesãos do couro em Pernambuco, José Luiz Barbosa, o Zé do Mestre, nasceu em 1932, na zona rural do município de Salgueiro, onde vive até hoje. Aprendeu o ofício com o pai, conhecido na região por Mestre Luiz, vindo daí o apelido de Zé do Mestre. Sua especialidade é a produção das peças que compõem os equipamentos e a vestimenta típica do vaqueiro sertanejo: gibão, perneira, chapéu, bota, luva, guarda-peito (proteção para a barriga), chicote e corda de relho para amarrar o boi, tudo no mais resistente couro. Trabalha, com ajuda da mulher, na casa onde mora, no sítio Cacimbinha, a 14 km do centro de Salgueiro. Era a ele que o compositor Luiz Gonzaga (já falecido) confiava a produção das roupas de couro que usava nos shows. Zé do Mestre já confeccionou gibão para autoridades como presidente da República, o rei Juan Carlos, da Espanha, e tem peças no Museu Missionário, no Vaticano. Depois que o tradicional vaqueiro tornou-se uma figura rara sertão e a encomenda de gibão caiu praticamente a zero, ele iniciou a produção de peças em miniatura, vendidas na feira da cidade.

Zezinho de Tracunhaém - Ceramista, José Joaquim da Silva, conhecido como Zezinho de Tracunhaém, nasceu em 1939, em Vitória de Santo Antão. Até os 20 anos de idade, trabalhou na agricultura, cortando cana. Depois, mudou-se para Nazaré da Mata, onde foi ajudante de pedreiro. Certa ocasião, ao passar por Trachunaém, interessou-se pelo trabalho nas olarias e, desse contato com o barro, surgiu o primeiro boneco -um casal de namorados- que vendeu na feira de Nazaré. Incentivado por amigos, dedicou-se exclusivamente à cerâmica e, em 1968, fixou residência em Tracunhaém. No princípio, fazia bonecos semelhantes aos do Mestre Vitalino, de Caruaru, para vender nas feiras-livres. Depois, especializou-se em santos e ganhou fama. Já participou de dezenas de exposições em todo o Brasil e tem trabalhos em museus de vários países. Além de sua técnica, os santos do artesão impressionam pelo tamanho -alguns têm dois metros de altura. A modelagem é toda à mão, com o emprego de uma espátula de madeira e outra de metal. Produz, também, figuras estranhas, como grandes jarras com cabeça de gente e outras.



sábado, 28 de maio de 2011

São João de Campina Grande é atração em vídeo exibido nos vôos nacionais da TAM



Cerca de três milhões de passageiros da TAM Linhas Aéreas terão a oportunidade de conhecer o Maior São João do Mundo de Campina Grande e os atrativos turísticos da cidade. Durante todo o mês de maio, a Companhia estará exibindo em seus vôos nacionais um vídeo especial produzida pela TV TAM nas Nuvens sobre os festejos juninos na segunda maior cidade da Paraíba.

No documentário de nove minutos, será possível ver o ator de TV Cássio Reis dançando forró pé-de-serra, andando em carro de boi e degustando alguns pratos da culinária regional da Paraíba. São exibidas imagens da estrutura e formato do São João de Campina Grande, quando são dadas dicas de como chegar ao evento.

A realização do vídeo pela TAM nas Nuvens atendeu a uma solicitação do governador Ricardo Coutinho junto ao presidente da TAM, Líbano Barroso, por ocasião do 17º Workshop da CVC em São Paulo, em fevereiro deste ano. Na ocasião, o governador discutiu a viabilização do retorno dos vôos fretados pela CVC para o Estado e uma maior visibilidade da Paraíba.

Produção – A equipe de produção do vídeo contou com o apoio da PBTur (Empresa Paraibana de Turismo) e do trade turístico. Os profissionais estiveram no Distrito de Galante, onde gravaram na “Casa de Cumpade”. Em seguida a equipe seguiu para Campina Grande e conheceu em detalhes a ‘Vila do Artesão’, o Parque do Povo e gravou também no Largo do Açude Novo, além de outros espaços.

Participaram das gravações as quadrilhas juninas Mistura Gostosa, Escorrega Mas Não Cai, Mistura Explosiva e Arraial da Felicidade, além de um trio de forró e o artista Coroné Grilo.

Fonte: Governo do Estado da Paraíba

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Visita de D. Pedro II a Paraíba



Governava a Paraíba Ambrósio Leitão da Cunha, natural do Pará e formado em ciências jurídicas. Foi ele quem recebeu o ofício do ministro dos Negócios do Império comunicando que sua majestade visitaria a Paraíba ao mesmo tempo que enviava a importância de um conto de réis para as despesas de hospedagem das figuras reais. Isso desencadeou uma verdadeira febre em todo o Estado que, pobre como era, tinha de receber, à altura, tão augustas figuras que dificilmente passariam outra vez por esses rincões.

Com mais três contos de réis vindos da Corte, o governo começou a tarefa de preparar a cidade para a chegada real. Mobília, tapetes, utensílios próprios de um quarto - como um urinol em bronze, serviços completos de almoço e chá da melhor porcelana inglesa -, tudo isso começou a ser providenciado para que suas majestades tivessem uma recepção à altura da coroa que carregavam.

Datando do século XVIII, o palácio do governo precisou de reformas e adaptações para se tornar uma morada imperial. Tudo era necessário: desde a construção de novas alas até substituição de móveis, colocação de tapetes e uma repintura nas velhas paredes. As despesas se elevaram a mais de seis contos de réis. Chegou enfim o dia 24 de dezembro de 1859 e à uma hora da tarde a esquadra imperial passava em frente à Fortaleza de Santa Catarina, em Cabedelo, onde foi saudada com uma salva de canhões.

Da fortaleza, dirigiu-se ao estuário do Rio Paraíba e de lá tomou o destino do antigo Porto do Varadouro. Embarcações nacionais e estrangeiras já atracadas colocaram-se em linha saudando com tiros de peças de artilharia a chegada do imperador. Exatamente às 16h30, desembarcaram do vapor APA dom Pedro II e dona Tereza Cristina, numa galeota ornamentada com finas flores.

O imperador, envergando uniforme de general, foi recebido pelo presidente da Câmara de Vereadores e por mais de cinquenta senhoras. Segundo Maurílio de Almeida em seu Presença de Dom Pedro II na Paraíba, ali mesmo a mão de sua majestade foi beijada sob os mais frenéticos vivas e aclamações do povo. Talvez date desse tempo o costume tão popular de beijar mãos de poderosos, comum em nossa província.

No dia seguinte, suas majestades dirigiram-se ao porto de Cabedelo onde ficavam as principais fortificações militares da época. Dom Pedro embarcou novamente no APA e tomou destino à cidade costeira acompanhado pelo governador, a quem fazia sucessivas indagações e tudo anotava numa caderneta de bolso. Essa foi uma das marcas do viajante Pedro que ele conservou até o fim da vida.

Observador arguto, a tudo inquiria e perguntava. Em Cabedelo, visitou a Fortaleza de Santa Catarina e fez questão de ler as antigas inscrições de canhões holandeses remanescentes da invasão à nossa costa, demonstrando perfeito conhecimento da língua. Nesse momento, deu-se um fato pitoresco: um velho soldado aproximou-se do imperador furando o bloqueio ao seu redor e lhe pediu uma ajuda queixando-se que seu soldo de reformado era insuficiente. O imperador, atendendo ao pedido, mandou que lhe fosse dada uma régia esmola e ainda mandou que ele requeresse aumento do seu soldo de reformado.

A história não registra em quanto orçou essa esmola, mas não deve ter sido assim tão régia, pois o próprio Imperador, para viajar à Paraíba, tomou dinheiro emprestado e destinou à sua esposa, para todos os gastos da viagem, a minguada importância de três mil e seiscentos contos de réis, pagos em seis prestações. Não existiam as facilidades para as viagens como hoje. Dom Pedro não limitou sua viagem à capital.

Ele foi a cavalo, com grande comitiva de aduladores, até a cidade de Pilar que era importante centro açucareiro. Como a caminhada fosse longa, o imperador fez duas paradas: uma no Engenho São João, onde tomou o desjejum, e outra no Engenho Marau, de propriedade dos frades de São Bento, onde deveria almoçar. Ótimo cavaleiro, dom Pedro imprimiu tal ritmo à cavalgada que chegou a Pilar antes da hora e encontrou a Câmara Municipal fechada sem ninguém à sua espera. Todos faziam a toalete. De Pilar, dom Pedro foi a Mamanguape, de onde voltou numa só caminhada a João Pessoa.

Finalmente, no dia 30 de dezembro, o vapor APA levou embora os imperadores e parte da alegria. Somente uma parte, pois a visita real deixou na Paraíba vários títulos nobiliárquicos: dois barões, seis comendadores, 21 oficiais e 36 cavaleiros da Rosa, além de 25 cavaleiros da Ordem de Cristo. Uma boa colheita.

Jornal da Paraíba de 09/11/2009

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Febre Amarela na antiga Paraíba



Em 1686, a Paraíba foi acometida de uma epidemia de enormes proporções. A mortandade foi considerável, devido em parte à falta de assistência médica e, em parte, ocasionada pelas condições de higiene da época.

Mas, segundo o prognóstico de um jesuíta versado em astrologia, o mal não tinha cura porque resultava de um castigo divino, anunciado através de um eclipse da lua, que tinha sido observado em diversos pontos do país. Em sua “História da América Portuguesa”, Rocha Pita assim escreve sobre o assunto:

“Apareceu esta grande luminosidade em uma noite do mês de dezembro do ano de mil seiscentos e oitenta e cinco, tão abrasada que inculcava ter recebido no seu côncavo ou na sua circunstância toda a região do fogo: esta capa de chamas cobriu a maior parte do seu vastíssimo corpo, tendo precedido alguns meses antes um eclipse do sol, em que este príncipe dos planetas mostrava uma névoa< à qual o padre Valentim Extancel, astrólogo célebre, chamava “Aranha do Sol”.

Esse astrólogo explicava que esses fenômenos, que não são naturais porque são produzidos pela interposição da terra, no curso daquelas sordicies ou qualidade contagiosa do ar, por razões manifestas ou causas ocultas e da SUS corrupção resultarem doenças, senão em todo mundo, em algumas partes dele, como se tem experimentado em contágios e desgraças de que há muitos exemplos antigos e modernos”.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Zé Clementino integrou trilogia cultural

ZÉ CLEMENTINO formou com Patativa do Assaré e Luiz Gonzaga o movimento “Trilogia do Ciclo do Jumento”
ANTÔNIO VICELMO

PADRE ANTÔNIO Vieira foi um dos idealizadores do movimento em prol do jumento




Crato (Sucursal) — A morte do compositor José Clementino consternou o Cariri. Ao lado de Luiz Gonzaga, Padre Antônio Vieira e Patativa do Assaré, Zé Clementino fez parte da “Trilogia do Ciclo do Jumento”, um movimento idealizado em Crato, em defesa do jegue. A iniciativa tomou dimensão nacional através da música e da poesia dos quatro defensores do jumento. A campanha ganhou mais intensidade na década de 80, quando os quatro se encontraram na Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), sob a presidência de Henrique Costa. Padre Vieira chegou ao palanque, onde se encontravam Luiz Gonzaga, Patativa e Zé Clementino, montado num jumento.

Ao lembrar este fato, o jornalista Huberto Cabral destaca que Zé Clementino foi um dos mais vigorosos músicos do Ceará. É o autor de autênticos clássicos da música nordestina, tendo sido interpretado por alguns dos grandes nomes da MPB, dentre os quais o “Rei do Baião” — Luiz Gonzaga. Funcionário público aposentado, Zé Clementino, que já morou em Crato, quando trabalhava no INSS, integrou-se à vida boêmia da Princesa do Cariri, fazendo parcerias com outros artistas cratenses, entre os quais, Correinha e Hildelito Parente.

Com o “velho Lua”, o talento de Zé Clementino ganharia destaque nacional, ao passo que, por outro lado, a inventiva produção artística do compositor varzealegrense proporcionaria vitalidade e renovação à obra musical de Luiz Gonzaga. O “batismo” fonográfico da parceria Luiz Gonzaga-Zé Clementino procedeu-se, de certa forma, quando o “Rei do Baião” atravessava um longo período de ostracismo e mesmo de indefinição quanto à continuidade da carreira artística. No seu trabalho anterior, o ilustre “sanfoneiro de Exu” mostrava-se desestimulado e cético quanto aos possíveis rumos de sua até então vitoriosa trajetória musical. Numa de suas canções mais emblemáticas da época, Luiz Gonzaga lamentava: “Pra onde tu vai, Baião? / Eu vou sair por aí / Mas por que, Baião? / Ninguém me quer mais aqui...”. De fato, o Baião, assim como outros ritmos nordestinos, havia perdido o forte apelo comercial que gozara no passado, particularmente em virtude do surgimento de novos movimentos musicais — a Bossa Nova e a Jovem Guarda. Nesse panorama, foi lançado o álbum “Luiz Gonzaga – Óia Eu Aqui de Novo”, o qual continha três canções compostas por Zé Clementino. Uma delas, o “Xote dos Cabeludos”, uma bem humorada crítica à estética ‘hippie’ que conquistava a juventude de todo o mundo, tornou-se uma das músicas mais executadas do país no verão de 68, trazendo o ‘Rei do Baião’ de volta à mídia e despertando o interesse das novas gerações pelo riquíssimo acervo musical do artista.

Naquele mesmo ano, Zé Clementino confere uma legítima e emotiva dádiva à sua cidade natal, quando compõe a letra do Hino Oficial de Várzea Alegre. No seu álbum seguinte, Luiz Gonzaga grava “O jumento é nosso irmão”, uma homenagem à luta, encampada pelo Padre Vieira, em prol da preservação da espécie asinina. Em 1976, fazendo proveito do mesmo tema, o Rei do Baião gravaria “Apologia ao jumento”, uma espécie de discurso inflamado em que, com muito bom humor, exalta as benesses do “pobre e castigado” animal. Registra ainda o xote “Capim Novo”, outra canção do compositor varzealegrense, cuja letra sugere uma “discutível” alternativa terapêutica e afrodisíaca para os homens que enfrentam os “percalços” da terceira idade.

Em 1978, o Trio Nordestino, na época o campeão em vendagem de discos no segmento de música regional, grava “Chinelo de Rosinha”, uma parceria de Zé Clementino e Paulo César Clementino. Em 1983, o Brasil vê-se tocado pela sensibilidade musical do prodigioso varzealegrense Serginho Piau, que executa a comovente canção “Simplesmente Zé”, de autoria de Zé Clementino, em alguns programas televisivos. Por fim, os anos 90 marcaram o processo de revitalização estética e musical do forró, e o cearense Sirano, um dos mais bem sucedidos artistas do Ceará. Entre as suas músicas estão: “Xote dos cabeludos” , “O jumento é nosso irmão”, “Apologia ao jumento”, “Contrastes de Várzea Alegre”, “Capim novo”, “Sou do banco Xeêm”, “Chinelo de Rosinha”, “Jeito bom”, “Hino Oficial de Várzea Alegre”, e “Simplesmente Zé”. Ele faleceu vítima de enfarte no Hospital de Várzea Alegre, aos 69 anos de idade.


terça-feira, 24 de maio de 2011

I ENCONTRO DE POETAS DE LAGOA DE ROÇA



VENHA!

PARTICIPAR CONOSCO DO I ENCONTRO DE POETAS DE LAGOA DE ROÇA - 27 DE MAIO - A PARTIR DAS 20h NA ESCOLA PEDRO DA COSTA BEZERRA - CENTRO.

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS: IPONAX VILA NOVA (PB), COBRA CORDELISTA (PE) ALÉM DE APRESENTAÇÕES DE ARTISTAS DA TERRA E DO LANÇAMENTO DO LIVRO "ALMA SERTANEJA" (DE COBRA CORDELISTA).

MAIORES CONTATOS: HELENA CARDOSO E/OU PROFESSORA ROSINILDA

FONE:9605-2639 OU 9101-6464

SUA PRESENÇA É INDISPENSÁVEL!!!