quarta-feira, 15 de junho de 2011

Dicionário Brasileiro de Prazos


No mundo corporativo, entregar os projetos dentro dos prazos é fundamental. Mas atire a primeira pedra quem nunca furou um cronograma ou foi prejudicado pelo atraso de um colega. Para você se prevenir dessas situações, listamos alguns prazos e expressões e seus REAIS significados:

DEPENDE - Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar sim, embora até hoje tal fenômeno só tenha sido registrado em testes teóricos de laboratório. O mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer não.

JÁ JÁ - Aos incautos, pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido do que já. Ledo engano; é muito mais lento. Faço já significa "passou a ser minha primeira prioridade", enquanto "faço já já" quer dizer apenas "assim que eu terminar de ler alguns blogs, prometo que vou pensar a respeito."

LOGO - Logo é bem mais tempo do que dentro em breve e muito mais do que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos. Logo chegaremos a outras galáxias, por exemplo. É preciso também tomar cuidado com a frase "Mas logo eu?", que quer dizer "tô fora!".

MÊS QUE VEM - Parece coisa de primeiro grau, mas ainda tem brasileiro que não entendeu. Existem só três tipos de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o Apocalipse, são meses que vêm!

NO MÁXIMO - Essa é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: Entrego em meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.

PODE DEIXAR - Traduz-se como "nunca".

POR VOLTA - Similar a no máximo. É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. Por volta das 5h quer dizer a partir das 5h.

SEM FALTA - É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque depois do primeiro atraso, deve-se dizer "fique tranqüilo que amanhã eu entrego ." E depois do segundo atraso, "relaxa, amanhã estará em sua mesa. Só aí é que vem o amanhã, sem falta."

UM MINUTINHO - É um período de tempo incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos e raramente dura menos que cinco minutos.

TÁ SAINDO - Ou seja: vai demorar. E muito. Não adianta bufar. Os dois verbos juntos indicam tempo contínuo. Não entendeu? É para continuar a esperar? Capisce! Understood? Comprendez-vous? Sacou? Mas não esquenta que já tá saindo…

VEJA BEM - É o Day After do DEPENDE. Significa "viu como pressionar não adianta?" É utilizado da seguinte maneira: "Mas você não prometeu os cálculos para hoje?" Resposta: "Veja bem…" Se dito neste tom, após a frase "não vou mais tolerar atrasos, OK?", exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura.

VAPT-VUPT – Substituta do zás-trás, mas que, com o tempo, passou a significar o contrário. Quando você ouvi-la, pode esperar um bocado pelo seu pedido ou pretensão.

ZÁS-TRÁS - Palavra em moda até uns 50 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário

terça-feira, 14 de junho de 2011

Cobra Cordelista e as simpatias juninas

Cobra Esteve no NETV primeira edição, mostrando um pouco da cultura popular.

Veja o vídeo de nosso caixeiro viajante da Cultura Nordestina


Higiene na Idade Média

Ao visitar o Palácio de Versailles, em Paris, observa-se que o suntuoso palácio não tinha banheiros. É que na Idade Média não existiam escovas de dente, perfumes, desopdorantes e muito menos papel higiênico. As excrescências humanas eram despejadas pelas janelas do palácio. Em dia de festa, a cozinha do palácio conseguia preparar banquete para 1.500 pessoas, sem a mínima higiene. Vemos nos filmes de hoje as pessoas sendo abanadas. A explicação não está no calor, mas no mau cheiro que exalavam por debaixo das saias (que eram propositadamente feitas para conter o odor das partes íntimas, já que não havia higiene). Também não havia o costume de se tomar banho devido ao frio e à quase inexistência de água encanada. O mau cheiro era dissipado pelo abanador. Só os nobres tinham lacaios para abaná-los, para dissipar o mau cheiro que o corpo e boca exalavam, e para espantar os insetos. Quem já esteve em Versailles, admirou os jardins enormes e belos que, na época, não eram só contemplados, mas "usados" como vaso sanitário nas famosas baladas promovidas pela monarquia, porque não existia banheiro.

Naquela época, a maioria dos casamentos ocorria no mês de Junho (para eles, o início do verão). A razão é simples: o primeiro banho do ano era tomado em Maio; assim, Junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável. Entretanto, como alguns odores já começavam a incomodar, as noivas carregavam buquês de flores, junto ao corpo, para disfarçar o mau cheiro. Daí termos "Maio" como o "mês das noivas" e a explicação da origem do buquê de noiva. Os banhos eram tomados numa única tina, enorme, cheia de água quente. O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho na água limpa. Depois, sem trocar a água, vinham os outros homens da casa, por ordem de idade, as mulheres, também por idade e, por fim, as crianças. Os bebês eram os últimos. Imagine como estava a água quando chegava a vez deles tomar banho.
Os telhados das casas não tinham forro e as vigas de madeira que as sustentavam eram o melhor lugar para os animais - cães, gatos, ratos e besouros se aquecerem. Quando chovia, as goteiras forçavam os animais a pularem para o chão. Assim, a nossa expressão "está a chover a cântaros” tem o seu equivalente em inglês em "it's raining cats and dogs" (está chovendo gatos e cachorros). Aqueles que tinham dinheiro possuíam pratos de estanho.

Certos tipos de alimento oxidavam o material, fazendo com que muita gente morresse envenenada. Lembremos-nos de que os hábitos higiênicos, da época, eram péssimos. Os tomates, sendo ácidos, foram considerados, durante muito tempo, venenosos. Os copos de estanho eram usados para cerveja ou uísque. Essa combinação, às vezes, deixava o indivíduo "no chão", pela mistura da bebida alcoólica com óxido de estanho. Alguém que passasse pela rua poderia pensar que ele estivesse morto, portanto recolhia o corpo e preparava o enterro. O corpo era então colocado sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo e esperando para ver se o morto acordava ou não. Daí surgiu o velório, que é a vigília junto ao caixão.

A Inglaterra é um país pequeno, onde nem sempre havia espaço para se enterrarem todos os mortos. Então os caixões eram abertos, os ossos retirados, postos em ossarias, e o túmulo utilizado por outro cadáver. As vezes, ao abrirem os caixões, percebia-se que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo. Assim, surgiu a idéia de, ao se fechar o caixão, amarrar uma tira no pulso do defunto, passá-la por um buraco feito no caixão e amarrá-la a um sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo, durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento de seu braço faria o sino tocar. E ele seria "saved by the bell", ou "salvo pelo gongo", expressão usada por nós até os dias de hoje. VIVENDO E APRENDENDO...

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Os amigos do Rei

Os maiores amigos do rei são os nobres, que recebem títulos concedidos por este a alguém que tenha feito algo considerado merecedor da honraria. Esses títulos obedecem a uma ordem hierárquica decrescente assim classificadas:

1) DUQUE - É o mais elevado título de nobreza nas principais monarquias ocidentais, ficando abaixo apenas de príncipe ou princesa (normalmente o filho/filha da família reinante. Entre os povos antigos, o duque era merecedor de honrarias como se fosse parente do rei. Na Rússia havia o título de Grão-duque, que na escala hierárquica ficava entre o duque e o Czar. Na Áustria, a mesma distinção foi instituída com o título de Arquiduque.

2) MARQUÊS – Na hierarquia da nobreza é inferior apenas ao Duque. Antigamente, o marquês tinha amplos poderes e respondia pela administração civil e pela defesa militar das terras fronteiriças.

3) CONDE – Fica logo abaixo do marquês na hierarquia. Na Roma antiga, compunha o conselho particular do monarca e o acompanhava em viagens de negócios. Os condes, muitas vezes, exerciam função conjunta e tinham poderes delegados pelo rei. O valete do baralho é o mesmo que conde.

4) VISCONDE - É o mesmo que vice-conde, ou seja, o substituto do conde. Era designado para desempenhar suas funções quando ele estivesse ausente ou impedido. Assim sendo, era um seu subordinado na administração do condado. A partir do século 10, esse título passou a ser outorgado também aos filhos dos condes.

5) BARÃO – Título imediatamente inferior ao de visconde. Era concedido a pessoas de destaque na comunidade pelo seu bem-sucedido desempenho profissional. No Império Romano, era um cargo administrativo que incumbia seu titular da fiscalização dos prefeitos que atuavam nas redondezas da capital. No Brasil, ficaram famosos os barões do café, elite rural que comandou a política de São Paulo.
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sábado, 11 de junho de 2011

Festa Junina pelo mundo (Já está chegando!!!)



Festas juninas ou Festas dos santos populares (Lituano - Joninės) são celebrações que acontecem em vários países historicamente relacionadas com a festa pagã do solstício de verão, que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano) e cristianizada na Idade Média como "festa de São João". Essas celebrações são particularmente importantes no Norte da Europa - Dinamarca, Estónia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia -, mas são encontrados também na Irlanda, partes da Grã-Bretanha (especialmente Cornualha), França, Itália, Malta, Portugal, Espanha, Ucrânia, outras partes da Europa, e em outros países como Canadá, Estados Unidos, Porto Rico, Brasil e Austrália.

Tradições e Costumes

Origem da Festa Junina
Grandes fogueiras são tradição do São João brasileiro e europeu
Balão de São João em Portugal, cidade do Porto

De origem européia, as Festas juninas fazem parte da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão. Assim como a cristianização da árvore pagã "sempre verde" em árvore de natal, a Festa Junina do dia de "Midsummer" (24 de Junho) tornou-se, pouco a pouco na Idade Média, um atributo da festa de São João Batista, o santo celebrado nesse mesmo dia. Ainda hoje, a Festa Junina é o traço comum que une todas as festas de São João européias (da Estônia a Portugal, da Finlândia à França). Estas celebrações estão ligadas às fogueiras da Páscoa e às fogueiras de Natal.

Uma lenda católica cristianizando a Festa Junina pagã estival afirma que o antigo costume de acender fogueiras no começo do verão europeu tinha suas raízes em um acordo feito pelas primas Maria e Isabel. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel teria de acender uma fogueira sobre um monte.

O uso de balões

O uso de balões e fogos de artifício durante São João no Brasil está relacionado com o tradicional uso da fogueira junina e seus efeitos visuais. Este costume foi trazido pelos portugueses para o nosso país e ele se mantém em ambos lados do Atlântico, sendo que é na cidade do Porto, Portugal onde mais se evidência. Fogos de artifício manuseados por pessoas privadas e espetáculos pirotécnicos organizados por associações ou municipalidades tornaram-se uma parte essencial da festa no Nordeste, em outras partes do Brasil e em Portugal. Os fogos de artifício, segundo a tradição popular, servem para despertar São João Batista. Em Portugal, pequenos papeis sao atados no balão com desejos e pedidos escritos neles.

Os balões, no entanto, constituem atualmente uma prática proibida por lei devido ao risco de incêndio. Os balões serviam para avisar que a festa iria começar; eram soltos de cinco a sete balões para se identificar o início da festança.

Durante todo o mês de junho é comum, principalmente entre as crianças, soltar bombas. Algumas delas são:

* Traque
* Chilene
* Cordão
* capeção-de-negro

* Cartucho
* Treme-Terra
* Rojão
* Buscapé
* Cobrinha
* Espadas-de-fogo

O mastro de São João

O mastro de São João, conhecido em Portugal também como o mastro dos Santos Populares, é erguido durante a festa junina para celebrar os três santos ligados a essa festa. No Brasil, no topo de cada mastro são amarradas em geral três bandeirinhas simbolizando os santos. Tendo hoje em dia uma significação cristã bastante enraizada e sendo, entre os costumes de São João, um dos mais marcadamente católico, o levantamento do mastro tem sua origem, no entanto, no costume pagão de levantar o "mastro de maio", ou a árvore de maio, costume ainda hoje vivo em algumas partes da Europa.

Além de sua cristianização profunda em Portugal e no Brasil, é interessante notar que o levantamento do mastro de maio em Portugal é também erguido em junho e a celebrar as festas desse mês (o mesmo fenômeno também ocorrendo na Suécia, onde o mastro de maio, "majstången", de origem primaveril, passou a ser erguido durante as festas estivais de junho, "Midsommarafton"). O fato de suspender milhos e laranjas ao mastro de São João parece ser um vestígio de práticas pagãs similares em torno do mastro de maio. Em Lóriga a tradição do Cambeiro é celebrada em Janeiro. Hoje em dia, um rico simbolismo católico popular está ligado aos procedimentos envolvendo o levantamento do mastro e os seus enfeites.

A Quadrilha

A quadrilha brasileira tem o seu nome de uma dança de salão francesa para quatro pares, a "quadrille", em voga na França entre o início do século XIX e a Primeira Guerra Mundial. A "quadrille" francesa, por sua parte, já era um desenvolvimento da "contredanse", popular nos meios aristocráticos franceses do século XVIII. A "contredanse" se desenvolveu a partir de uma dança inglesa de origem campesina , surgida provavelmente por volta do século XIII, e que se popularizara em toda a Europa na primeira metade do século XVIII.
Quadrilha Junina da Festa do São Pedro de Belém (Paraíba)

A "quadrille" veio para o Brasil seguindo o interesse da classe média e das elites portuguesas e brasileiras do século XIX por tudo que fosse a última moda de Paris (dos discursos republicanos de Gambetta e Jules Ferry, passando pelas poesias de Victor Hugo e Théophile Gautier até a criação de uma academia de letras, dos belos cabelos cacheados de Sarah Bernhardt até ao uso do cavanhaque).

Ao longo do século XIX, a quadrilha se popularizou no Brasil e se fundiu com danças brasileiras pré-existentes e teve subsequentes evoluções (entre elas o aumento do número de pares e o abandono de passos e ritmos franceses). Ainda que inicialmente adotada pela elite urbana brasileira, esta é uma dança que teve o seu maior florescimento no Brasil rural (daí o vestuário campesino), e se tornou uma dança própria dos festejos juninos, principalmente no Nordeste. A partir de então, a quadrilha, nunca deixando de ser um fenômeno popular e rural, também recebeu a influência do movimento nacionalista e da sistematização dos costumes nacionais pelos estudos folclóricos.

O nacionalismo folclórico marcou as ciências sociais no Brasil como na Europa entre os começos do Romantismo e a Segunda Guerra Mundial. A quadrilha, como outras danças brasileiras tais que o pastoril, foi sistematizada e divulgada por associações municipais, igrejas e clubes de bairros, sendo também defendida por professores e praticada por alunos em colégios e escolas, na zona rural ou urbana, como sendo uma expressão da cultura cabocla e da república brasileira. Esse folclorismo acadêmico e ufano explica duma certa maneira o aspecto matuto rígido e artificial da quadrilha.

No entanto, hoje em dia, essa artificialidade rural é vista pelos foliões como uma atitude lúdica, teatral e festiva, mais do que como a expressão de um ideal folclórico, nacionalista ou acadêmico qualquer. Seja como for, é correto afirmar que a quadrilha deve a sua sobrevivência urbana na segunda metade do século XX e o grande sucesso popular atual aos cuidados meticulosos de associações e clubes juninos da classe média e ao trabalho educativo de conservação e prática feito pelos estabelecimentos do ensino primário e secundário, mais do que à prática campesina real, ainda que vivaz, porém quase sempre desprezada pela cultura citadina.

Desde do século XIX e em contato com diferentes danças do país mais antigas, a quadrilha sofreu influências regionais, daí surgindo muitas variantes:

* "Quadrilha Caipira" (São Paulo)
* "Saruê", corruptela do termo francês "soirée", (Brasil Central)
* "Baile Sifilítico" (Bahia)
* "Mana-Chica" (Rio de Janeiro)
* "Quadrilha" (Sergipe)
* "Quadrilha Matuta"

Hoje em dia, entre os instrumentos musicais que normalmente podem acompanhar a quadrilha encontram-se o acordeão (acordeom), pandeiro, zabumba, violão, triângulo e o cavaquinho. Não existe uma música específica que seja própria a todas as regiões. A música é aquela comum aos bailes de roça, em compasso binário ou de marchinha, que favorece o cadenciamento das marcações.

Em geral, para a prática da dança é importante a presença de um mestre "marcante" ou "marcador", pois é quem determina as figurações diversas que os dançadores devem desenvolver. Termos de origem francesa são ainda utilizados por alguns mestres para cadenciar a dança.

Os participantes da quadrilha, vestidos de matuto ou à caipira, como se diz fora do nordeste(indumentária que se convencionou pelo folclorismo como sendo a das comunidades caboclas), executam diversas evoluções em pares de número variável. Em geral o par que abre o grupo é um "noivo" e uma "noiva", já que a quadrilha pode encenar um casamento fictício. Esse ritual matrimonial da quadrilha liga-a às festas de São João européias que também celebram aspirações ou uniões matrimoniais. Esse aspecto matrimonial juntamente com a fogueira junina constituem os dois elementos mais presentes nas diferentes festas de São João da Europa.

Outras danças e canções

No Nordeste brasileiro, o forró assim como ritmos aparentados tais que o baião,o xote,o reizado,o samba-de-coco e as cantigas são danças e canções típicas das festas juninas.e algumas vezes musicas antigas de autores famosos.

Costumes populares
Festa junina caipira.

As festas juninas brasileiras podem ser divididas em dois tipos distintos: as festas da Região Nordeste e as festas do Brasil caipira, ou seja, nos estados de São Paulo, Paraná (norte), Minas Gerais (sobretudo na parte sul) e Goiás.

No Nordeste brasileiro se comemora, com pequenas ou grandes festas que reúnem toda a comunidade e muitos turistas, com fartura de comida, quadrilhas, casamento matuto e muito forró. É comum os partcipantes das festas se vestirem de matuto, os homens com camisa quadriculada, calça remendada com panos coloridos, e chapéu de palha, e as mulheres com vestido colorido de xita e chapéu de palha.

No interior de São Paulo ainda se mantêm a tradição da realização de quermesses e danças de quadrilha em torno de fogueiras.

Em Portugal há arraiais com foguetes, assam-se sardinhas e oferecem-se manjericos, as marchas populares desfilam pelas ruas e avenidas, dão-se com martelinhos de plastico e alho porro nas cabeças das pessoas principalmente nas crianças e quando os rapazes se querem meter com as raparigas solteiras.

Simpatias, sortes e adivinhas para Santo Antônio

O relacionamento entre os devotos e os santos juninos, principalmente Santo Antônio e São João, é quase familiar: cheio de intimidades, chega a ser, por vezes, irreverente, debochado e quase obsceno. Esse caráter fica bastante evidente quando se entra em contato com as simpatias, sortes, adivinhas e acalantos feitos a esses santos:

Confessei-me a Santo Antônio,
confessei que estava amando.
Ele deu-me por penitência
que fosse continuando.

Os objetos utilizados nas simpatias e adivinhações devem ser virgens, ou seja, estar sendo usados pela primeira vez, senão… nada de a simpatia funcionar! A seguir, algumas simpatias feitas para Santo Antônio:

Moças solteiras, desejosas de se casar, em várias regiões do Brasil, colocam um figurino do santo de cabeça para baixo atrás da porta ou dentro do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são atendidas, lá fica a imagem de cabeça para baixo. E elas pedem:

Meu Santo Antônio

Para arrumar namorado ou marido, basta amarrar uma fita vermelha e outra branca no braço da imagem de Santo Antônio, fazendo a ele o pedido. Rezar um Pai-Nosso e uma Salve-Rainha. Pendurar a imagem de cabeça para baixo sob a cama. Ela só deve ser desvirada quando a pessoa alcançar o pedido.

No dia 13, é comum ir à igreja para receber o "pãozinho de Santo Antônio", que é dado gratuitamente pelos frades. Em troca, os fiéis costumam deixar ofertas. O pão, que é bento, deve ser deixado junto aos demais mantimentos para que estes não faltem jamais.

Em Lisboa, é tradicional a cerimónia de casamento múltiplo do dia de Santo António, em que chegam a casar-se 200-300 casais ao mesmo tempo.

Festas juninas por país

Portugal
O São João do Porto, em Portugal.
O São João do Porto, em Portugal.
Festa junina na cidade de Campina Grande, Paraíba.
Festa Junina em Rio Branco, Acre.

Em Portugal, estas festividades, genericamente conhecidas pelo nome de Festas dos santos populares, correspondem a diferentes feriados municipais: São Gonçalo em Amarante; Santo António em Aljustrel, Amares, Cascais, Estarreja, Ferreira do Zêzere, Lisboa, Proença-a-Nova, Reguengos de Monsaraz, Vale de Cambra, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Famalicão, Vila Real e Vila Verde; São João em Aguiar da Beira, Alcochete, Almada, Almodôvar, Alcácer do Sal, Angra do Heroísmo, Armamar, Arronches, Braga, Calheta, Castelo de Paiva, Castro Marim, Cinfães, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Guimarães, Horta, Lajes das Flores, Lourinhã, Lousã, Mértola, Moimenta da Beira, Moura, Nelas, Porto, Porto Santo, Santa Cruz das Flores, Santa Cruz da Graciosa, Sertã, Tabuaço, Tavira,Terras de Bouro, Torres Vedras, Valongo, Vila do Conde, Vila Franca do Campo, Vila Nova de Gaia, Vila do Porto e Vizela; São Pedro em Alfândega da Fé, Bombarral, Castro Daire, Castro Verde, Celorico de Basto, Évora, Felgueiras, Lajes do Pico, Macedo de Cavaleiros, Montijo, Penedono, Porto de Mós, Póvoa de Varzim, Ribeira Brava, São Pedro do Sul, Seixal e Sintra.

Na cidade do Porto e Braga em Portugal, o São João é festejado com uma intensidade inegualável, sendo que a festa é, à semelhança do que acontece no Nordeste do Brasil, entregue às pessoas que passam o dia e a noite nas ruas das cidades que são autênticos arraiais urbanos.

Festas de São João são ainda celebradas em alguns países europeus católicos, protestantes e ortodoxos (França, Irlanda, os países nórdicos e do Leste europeu). As fogueiras de São João e a celebração de casamentos reais ou encenados (como o casamento fictício no baile da quadrilha nordestina e na tradição portuguesa) são costumes ainda hoje praticados em festas de São João européias.

Brasil

As festas Juninas, são na sua essência multicurais, embora o formato com que hoje as conhecemos tenha tido origem nas festas dos santos populares em Portugal: Santo Antônio, São João e São Pedro principalmente. A música e os instrumentos usados, cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos, reco-reco, etc, estão na base da música popular e folclórica portuguesa e foram trazidos para o Brasil pelos povoadores e emigrantes dos país irmão. As roupas 'caipiras' ou 'saloias' são uma clara referência ao povo campestre, que povoou principalmente o nordeste do Brasil e muitissimas semelhanças se podem encontrar no modo de vestir 'caipira' tanto no Brasil como em Portugal. Do mesmo modo, as decorações com que se enfeitam os arraiais tiveram o seu início em Portugal com as novidades que na época dos descobrimentos os portugueses levavam da Asia, enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora por exemplo. Embora os balões tenham sido proíbidos em muitos lugares do Brasil, eles são usados na cidade do Porto em Portugal com muita abundância e o céu se enche com milhares deles durante toda a noite.

No Brasil, recebeu o nome de junina (chamada inicialmente de joanina, de São João), porque acontece no mês de junho. Além de Portugal, a tradição veio de outros países europeus cristianizados dos quais se oriundam as comunidades de imigrantes, chegados a partir de meados do século XIX. Ainda antes, porém, a festa já tinha sido trazida para o Brasil pelos portugueses e logo foi incorporada aos costumes das populações indígenas e afro-brasileiras.

A festa de São João brasileira é típica da Região Nordeste. Por ser uma região árida, o Nordeste agradece anualmente a São João, mas também a São Pedro, pelas chuvas caídas nas lavouras. Em razão da época propícia para a colheita do milho, as comidas feitas de milho integram a tradição, como a canjica e a pamonha.

O local onde ocorre a maioria dos festejos juninos é chamado de arraial, um largo espaço ao ar livre cercado ou não e onde barracas são erguidas unicamente para o evento, ou um galpão já existente com dependências já construídas e adaptadas para a festa. Geralmente o arraial é decorado com bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de coqueiro ou bambu. Nos arraiás acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e os casamentos matutos.

Locais

Estes arraiais são muito comuns em Portugal e não são exclusivos do São João, são parte da tradição popular em geral. Nessas festas podemos encontrar imensas semelhanças tanto no Brasil como em Portugal, mas não só. Na África e na Asia, Macau, India, Malásia, na Comunidade Cristang, os portugueses deixaram essa tradição Junina bem marcada.

Atualmente, os festejos ocorridos em cidades pólos do Norte e Nordeste dão impulso à economia local. Citem-se, como exemplo, Caruaru em Pernambuco; Campina Grande na Paraíba; Amargosa na Bahia[1]; na Mossoró no Rio Grande do Norte; Maceió em Alagoas; Recife em Pernambuco; Aracaju em Sergipe; Juazeiro do Norte no Ceará; e Cametá no Pará. Além disso, também existem nas pequenas cidades, festas mais tradicionais como Cruz das Almas, Ibicuí, Jequié e Euclides da Cunha na Bahia. As duas primeiras cidades disputam o título de Maior São João do Mundo, embora Caruaru esteja consolidada no Guinness Book, categoria festa country (regional) ao ar livre. Além disso, Juazeiro do Norte no Ceará e Mossoró no Rio Grande do Norte disputam o terceiro lugar de maior são joão do mundo.

França

A "Fête de la Saint-Jean" (Festa de São João), assim como no Brasil, é comemorada no dia 24 de junho e tem como maior característica a fogueira. Em certos municípios franceses, uma alta fogueira é erigida pelos habitantes em honra a São João Batista. Trata-se de uma festa católica, embora ainda sejam mantidas tradições pagãs que originaram a festa. Na região de Vosges, a fogueira é chamada "chavande".

Polônia

As tradições juninas da Polônia estão associadas principalmente com as regiões da Pomerânia e da Casúbia, e a festa é comemorada dia 23 de junho, chamada localmente 'Noc Świętojańska" (Noite de São João). A festa dura todo o dia, começando às 8h da manhã e varando a madrugada. De maneira análoga à festa brasileira, uma das características mais marcantes é o uso de fantasias, no entanto não de trajes camponeses como no Brasil, mas de vestimentas de piratas. Fogueiras são acesas para marcar a celebração. Em algumas das grandes cidades polonesas como Varsóvia e Cracóvia esta festa faz parte do calendário oficial da cidade.

Ucrânia

A festa de Ivana Kupala (João Batista) é conhecida como a mais importante de todas as festas ucranianas de origem pagã, e vai desde 23 de junho até 6 de julho. É um rito de celebração pelo verão, que foi absorvido pela Igreja Ortodoxa. Muitos dos rituais das festas juninas ucranianas estão relacionados com o fogo, a água, fertilidade e auto-purificação. As moças, por exemplo, colocam guirlandas de flores na água dos rios para dar sorte. É bastante comum também pular as chamas das fogueiras. As festas juninas eslavas inspiraram o compositor Modest Mussorgsky para sua famosa obra "Noite no Monte Calvo"...

Suécia
Celebração do solstício de verão em Årsnäs, Suécia.

Festas juninas ou Festas dos santos populares (Lituano - Joninės) são celebrações que acontecem em vários países historicamente relacionadas com a festa pagã do solstício de verão, que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano) e cristianizada na Idade Média como "festa de São João". Essas celebrações são particularmente importantes no Norte da Europa - Dinamarca, Estónia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia -, mas são encontrados também na Irlanda, partes da Grã-Bretanha (especialmente Cornualha), França, Itália, Malta, Portugal, Espanha, Ucrânia, outras partes da Europa, e em outros países como Canadá, Estados Unidos, Porto Rico, Brasil e Austrália.

Tradições e Costumes

Origem da Festa Junina
Grandes fogueiras são tradição do São João brasileiro e europeu
Balão de São João em Portugal, cidade do Porto

De origem européia, as Festas juninas fazem parte da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão. Assim como a cristianização da árvore pagã "sempre verde" em árvore de natal, a Festa Junina do dia de "Midsummer" (24 de Junho) tornou-se, pouco a pouco na Idade Média, um atributo da festa de São João Batista, o santo celebrado nesse mesmo dia. Ainda hoje, a Festa Junina é o traço comum que une todas as festas de São João européias (da Estônia a Portugal, da Finlândia à França). Estas celebrações estão ligadas às fogueiras da Páscoa e às fogueiras de Natal.

Uma lenda católica cristianizando a Festa Junina pagã estival afirma que o antigo costume de acender fogueiras no começo do verão europeu tinha suas raízes em um acordo feito pelas primas Maria e Isabel. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel teria de acender uma fogueira sobre um monte.

O uso de balões

O uso de balões e fogos de artifício durante São João no Brasil está relacionado com o tradicional uso da fogueira junina e seus efeitos visuais. Este costume foi trazido pelos portugueses para o nosso país e ele se mantém em ambos lados do Atlântico, sendo que é na cidade do Porto, Portugal onde mais se evidência. Fogos de artifício manuseados por pessoas privadas e espetáculos pirotécnicos organizados por associações ou municipalidades tornaram-se uma parte essencial da festa no Nordeste, em outras partes do Brasil e em Portugal. Os fogos de artifício, segundo a tradição popular, servem para despertar São João Batista. Em Portugal, pequenos papeis sao atados no balão com desejos e pedidos escritos neles.

Os balões, no entanto, constituem atualmente uma prática proibida por lei devido ao risco de incêndio. Os balões serviam para avisar que a festa iria começar; eram soltos de cinco a sete balões para se identificar o início da festança.

Durante todo o mês de junho é comum, principalmente entre as crianças, soltar bombas. Algumas delas são:

* Traque
* Chilene
* Cordão
* capeção-de-negro

* Cartucho
* Treme-Terra
* Rojão
* Buscapé
* Cobrinha
* Espadas-de-fogo

O mastro de São João

O mastro de São João, conhecido em Portugal também como o mastro dos Santos Populares, é erguido durante a festa junina para celebrar os três santos ligados a essa festa. No Brasil, no topo de cada mastro são amarradas em geral três bandeirinhas simbolizando os santos. Tendo hoje em dia uma significação cristã bastante enraizada e sendo, entre os costumes de São João, um dos mais marcadamente católico, o levantamento do mastro tem sua origem, no entanto, no costume pagão de levantar o "mastro de maio", ou a árvore de maio, costume ainda hoje vivo em algumas partes da Europa.

Além de sua cristianização profunda em Portugal e no Brasil, é interessante notar que o levantamento do mastro de maio em Portugal é também erguido em junho e a celebrar as festas desse mês (o mesmo fenômeno também ocorrendo na Suécia, onde o mastro de maio, "majstången", de origem primaveril, passou a ser erguido durante as festas estivais de junho, "Midsommarafton"). O fato de suspender milhos e laranjas ao mastro de São João parece ser um vestígio de práticas pagãs similares em torno do mastro de maio. Em Lóriga a tradição do Cambeiro é celebrada em Janeiro. Hoje em dia, um rico simbolismo católico popular está ligado aos procedimentos envolvendo o levantamento do mastro e os seus enfeites.

A Quadrilha

A quadrilha brasileira tem o seu nome de uma dança de salão francesa para quatro pares, a "quadrille", em voga na França entre o início do século XIX e a Primeira Guerra Mundial. A "quadrille" francesa, por sua parte, já era um desenvolvimento da "contredanse", popular nos meios aristocráticos franceses do século XVIII. A "contredanse" se desenvolveu a partir de uma dança inglesa de origem campesina , surgida provavelmente por volta do século XIII, e que se popularizara em toda a Europa na primeira metade do século XVIII.
Quadrilha Junina da Festa do São Pedro de Belém (Paraíba)

A "quadrille" veio para o Brasil seguindo o interesse da classe média e das elites portuguesas e brasileiras do século XIX por tudo que fosse a última moda de Paris (dos discursos republicanos de Gambetta e Jules Ferry, passando pelas poesias de Victor Hugo e Théophile Gautier até a criação de uma academia de letras, dos belos cabelos cacheados de Sarah Bernhardt até ao uso do cavanhaque).

Ao longo do século XIX, a quadrilha se popularizou no Brasil e se fundiu com danças brasileiras pré-existentes e teve subsequentes evoluções (entre elas o aumento do número de pares e o abandono de passos e ritmos franceses). Ainda que inicialmente adotada pela elite urbana brasileira, esta é uma dança que teve o seu maior florescimento no Brasil rural (daí o vestuário campesino), e se tornou uma dança própria dos festejos juninos, principalmente no Nordeste. A partir de então, a quadrilha, nunca deixando de ser um fenômeno popular e rural, também recebeu a influência do movimento nacionalista e da sistematização dos costumes nacionais pelos estudos folclóricos.

O nacionalismo folclórico marcou as ciências sociais no Brasil como na Europa entre os começos do Romantismo e a Segunda Guerra Mundial. A quadrilha, como outras danças brasileiras tais que o pastoril, foi sistematizada e divulgada por associações municipais, igrejas e clubes de bairros, sendo também defendida por professores e praticada por alunos em colégios e escolas, na zona rural ou urbana, como sendo uma expressão da cultura cabocla e da república brasileira. Esse folclorismo acadêmico e ufano explica duma certa maneira o aspecto matuto rígido e artificial da quadrilha.

No entanto, hoje em dia, essa artificialidade rural é vista pelos foliões como uma atitude lúdica, teatral e festiva, mais do que como a expressão de um ideal folclórico, nacionalista ou acadêmico qualquer. Seja como for, é correto afirmar que a quadrilha deve a sua sobrevivência urbana na segunda metade do século XX e o grande sucesso popular atual aos cuidados meticulosos de associações e clubes juninos da classe média e ao trabalho educativo de conservação e prática feito pelos estabelecimentos do ensino primário e secundário, mais do que à prática campesina real, ainda que vivaz, porém quase sempre desprezada pela cultura citadina.

Desde do século XIX e em contato com diferentes danças do país mais antigas, a quadrilha sofreu influências regionais, daí surgindo muitas variantes:

* "Quadrilha Caipira" (São Paulo)
* "Saruê", corruptela do termo francês "soirée", (Brasil Central)
* "Baile Sifilítico" (Bahia)
* "Mana-Chica" (Rio de Janeiro)
* "Quadrilha" (Sergipe)
* "Quadrilha Matuta"

Hoje em dia, entre os instrumentos musicais que normalmente podem acompanhar a quadrilha encontram-se o acordeão (acordeom), pandeiro, zabumba, violão, triângulo e o cavaquinho. Não existe uma música específica que seja própria a todas as regiões. A música é aquela comum aos bailes de roça, em compasso binário ou de marchinha, que favorece o cadenciamento das marcações.

Em geral, para a prática da dança é importante a presença de um mestre "marcante" ou "marcador", pois é quem determina as figurações diversas que os dançadores devem desenvolver. Termos de origem francesa são ainda utilizados por alguns mestres para cadenciar a dança.

Os participantes da quadrilha, vestidos de matuto ou à caipira, como se diz fora do nordeste(indumentária que se convencionou pelo folclorismo como sendo a das comunidades caboclas), executam diversas evoluções em pares de número variável. Em geral o par que abre o grupo é um "noivo" e uma "noiva", já que a quadrilha pode encenar um casamento fictício. Esse ritual matrimonial da quadrilha liga-a às festas de São João européias que também celebram aspirações ou uniões matrimoniais. Esse aspecto matrimonial juntamente com a fogueira junina constituem os dois elementos mais presentes nas diferentes festas de São João da Europa.

Outras danças e canções

No Nordeste brasileiro, o forró assim como ritmos aparentados tais que o baião,o xote,o reizado,o samba-de-coco e as cantigas são danças e canções típicas das festas juninas.e algumas vezes musicas antigas de autores famosos.

Costumes populares
Festa junina caipira.

As festas juninas brasileiras podem ser divididas em dois tipos distintos: as festas da Região Nordeste e as festas do Brasil caipira, ou seja, nos estados de São Paulo, Paraná (norte), Minas Gerais (sobretudo na parte sul) e Goiás.

No Nordeste brasileiro se comemora, com pequenas ou grandes festas que reúnem toda a comunidade e muitos turistas, com fartura de comida, quadrilhas, casamento matuto e muito forró. É comum os partcipantes das festas se vestirem de matuto, os homens com camisa quadriculada, calça remendada com panos coloridos, e chapéu de palha, e as mulheres com vestido colorido de xita e chapéu de palha.

No interior de São Paulo ainda se mantêm a tradição da realização de quermesses e danças de quadrilha em torno de fogueiras.

Em Portugal há arraiais com foguetes, assam-se sardinhas e oferecem-se manjericos, as marchas populares desfilam pelas ruas e avenidas, dão-se com martelinhos de plastico e alho porro nas cabeças das pessoas principalmente nas crianças e quando os rapazes se querem meter com as raparigas solteiras.

Simpatias, sortes e adivinhas para Santo Antônio

O relacionamento entre os devotos e os santos juninos, principalmente Santo Antônio e São João, é quase familiar: cheio de intimidades, chega a ser, por vezes, irreverente, debochado e quase obsceno. Esse caráter fica bastante evidente quando se entra em contato com as simpatias, sortes, adivinhas e acalantos feitos a esses santos:

Confessei-me a Santo Antônio,
confessei que estava amando.
Ele deu-me por penitência
que fosse continuando.

Os objetos utilizados nas simpatias e adivinhações devem ser virgens, ou seja, estar sendo usados pela primeira vez, senão… nada de a simpatia funcionar! A seguir, algumas simpatias feitas para Santo Antônio:

Moças solteiras, desejosas de se casar, em várias regiões do Brasil, colocam um figurino do santo de cabeça para baixo atrás da porta ou dentro do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são atendidas, lá fica a imagem de cabeça para baixo. E elas pedem:

Meu Santo Antônio

Para arrumar namorado ou marido, basta amarrar uma fita vermelha e outra branca no braço da imagem de Santo Antônio, fazendo a ele o pedido. Rezar um Pai-Nosso e uma Salve-Rainha. Pendurar a imagem de cabeça para baixo sob a cama. Ela só deve ser desvirada quando a pessoa alcançar o pedido.

No dia 13, é comum ir à igreja para receber o "pãozinho de Santo Antônio", que é dado gratuitamente pelos frades. Em troca, os fiéis costumam deixar ofertas. O pão, que é bento, deve ser deixado junto aos demais mantimentos para que estes não faltem jamais.

Em Lisboa, é tradicional a cerimónia de casamento múltiplo do dia de Santo António, em que chegam a casar-se 200-300 casais ao mesmo tempo.

Festas juninas por país

Portugal
O São João do Porto, em Portugal.
O São João do Porto, em Portugal.
Festa junina na cidade de Campina Grande, Paraíba.
Festa Junina em Rio Branco, Acre.

Em Portugal, estas festividades, genericamente conhecidas pelo nome de Festas dos santos populares, correspondem a diferentes feriados municipais: São Gonçalo em Amarante; Santo António em Aljustrel, Amares, Cascais, Estarreja, Ferreira do Zêzere, Lisboa, Proença-a-Nova, Reguengos de Monsaraz, Vale de Cambra, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Famalicão, Vila Real e Vila Verde; São João em Aguiar da Beira, Alcochete, Almada, Almodôvar, Alcácer do Sal, Angra do Heroísmo, Armamar, Arronches, Braga, Calheta, Castelo de Paiva, Castro Marim, Cinfães, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Guimarães, Horta, Lajes das Flores, Lourinhã, Lousã, Mértola, Moimenta da Beira, Moura, Nelas, Porto, Porto Santo, Santa Cruz das Flores, Santa Cruz da Graciosa, Sertã, Tabuaço, Tavira,Terras de Bouro, Torres Vedras, Valongo, Vila do Conde, Vila Franca do Campo, Vila Nova de Gaia, Vila do Porto e Vizela; São Pedro em Alfândega da Fé, Bombarral, Castro Daire, Castro Verde, Celorico de Basto, Évora, Felgueiras, Lajes do Pico, Macedo de Cavaleiros, Montijo, Penedono, Porto de Mós, Póvoa de Varzim, Ribeira Brava, São Pedro do Sul, Seixal e Sintra.

Na cidade do Porto e Braga em Portugal, o São João é festejado com uma intensidade inegualável, sendo que a festa é, à semelhança do que acontece no Nordeste do Brasil, entregue às pessoas que passam o dia e a noite nas ruas das cidades que são autênticos arraiais urbanos.

Festas de São João são ainda celebradas em alguns países europeus católicos, protestantes e ortodoxos (França, Irlanda, os países nórdicos e do Leste europeu). As fogueiras de São João e a celebração de casamentos reais ou encenados (como o casamento fictício no baile da quadrilha nordestina e na tradição portuguesa) são costumes ainda hoje praticados em festas de São João européias.

Brasil

As festas Juninas, são na sua essência multicurais, embora o formato com que hoje as conhecemos tenha tido origem nas festas dos santos populares em Portugal: Santo Antônio, São João e São Pedro principalmente. A música e os instrumentos usados, cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos, reco-reco, etc, estão na base da música popular e folclórica portuguesa e foram trazidos para o Brasil pelos povoadores e emigrantes dos país irmão. As roupas 'caipiras' ou 'saloias' são uma clara referência ao povo campestre, que povoou principalmente o nordeste do Brasil e muitissimas semelhanças se podem encontrar no modo de vestir 'caipira' tanto no Brasil como em Portugal. Do mesmo modo, as decorações com que se enfeitam os arraiais tiveram o seu início em Portugal com as novidades que na época dos descobrimentos os portugueses levavam da Asia, enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora por exemplo. Embora os balões tenham sido proíbidos em muitos lugares do Brasil, eles são usados na cidade do Porto em Portugal com muita abundância e o céu se enche com milhares deles durante toda a noite.

No Brasil, recebeu o nome de junina (chamada inicialmente de joanina, de São João), porque acontece no mês de junho. Além de Portugal, a tradição veio de outros países europeus cristianizados dos quais se oriundam as comunidades de imigrantes, chegados a partir de meados do século XIX. Ainda antes, porém, a festa já tinha sido trazida para o Brasil pelos portugueses e logo foi incorporada aos costumes das populações indígenas e afro-brasileiras.

A festa de São João brasileira é típica da Região Nordeste. Por ser uma região árida, o Nordeste agradece anualmente a São João, mas também a São Pedro, pelas chuvas caídas nas lavouras. Em razão da época propícia para a colheita do milho, as comidas feitas de milho integram a tradição, como a canjica e a pamonha.

O local onde ocorre a maioria dos festejos juninos é chamado de arraial, um largo espaço ao ar livre cercado ou não e onde barracas são erguidas unicamente para o evento, ou um galpão já existente com dependências já construídas e adaptadas para a festa. Geralmente o arraial é decorado com bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de coqueiro ou bambu. Nos arraiás acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e os casamentos matutos.

Locais

Estes arraiais são muito comuns em Portugal e não são exclusivos do São João, são parte da tradição popular em geral. Nessas festas podemos encontrar imensas semelhanças tanto no Brasil como em Portugal, mas não só. Na África e na Asia, Macau, India, Malásia, na Comunidade Cristang, os portugueses deixaram essa tradição Junina bem marcada.

Atualmente, os festejos ocorridos em cidades pólos do Norte e Nordeste dão impulso à economia local. Citem-se, como exemplo, Caruaru em Pernambuco; Campina Grande na Paraíba; Amargosa na Bahia[1]; na Mossoró no Rio Grande do Norte; Maceió em Alagoas; Recife em Pernambuco; Aracaju em Sergipe; Juazeiro do Norte no Ceará; e Cametá no Pará. Além disso, também existem nas pequenas cidades, festas mais tradicionais como Cruz das Almas, Ibicuí, Jequié e Euclides da Cunha na Bahia. As duas primeiras cidades disputam o título de Maior São João do Mundo, embora Caruaru esteja consolidada no Guinness Book, categoria festa country (regional) ao ar livre. Além disso, Juazeiro do Norte no Ceará e Mossoró no Rio Grande do Norte disputam o terceiro lugar de maior são joão do mundo.

França

A "Fête de la Saint-Jean" (Festa de São João), assim como no Brasil, é comemorada no dia 24 de junho e tem como maior característica a fogueira. Em certos municípios franceses, uma alta fogueira é erigida pelos habitantes em honra a São João Batista. Trata-se de uma festa católica, embora ainda sejam mantidas tradições pagãs que originaram a festa. Na região de Vosges, a fogueira é chamada "chavande".

Polônia

As tradições juninas da Polônia estão associadas principalmente com as regiões da Pomerânia e da Casúbia, e a festa é comemorada dia 23 de junho, chamada localmente 'Noc Świętojańska" (Noite de São João). A festa dura todo o dia, começando às 8h da manhã e varando a madrugada. De maneira análoga à festa brasileira, uma das características mais marcantes é o uso de fantasias, no entanto não de trajes camponeses como no Brasil, mas de vestimentas de piratas. Fogueiras são acesas para marcar a celebração. Em algumas das grandes cidades polonesas como Varsóvia e Cracóvia esta festa faz parte do calendário oficial da cidade.

Ucrânia

A festa de Ivana Kupala (João Batista) é conhecida como a mais importante de todas as festas ucranianas de origem pagã, e vai desde 23 de junho até 6 de julho. É um rito de celebração pelo verão, que foi absorvido pela Igreja Ortodoxa. Muitos dos rituais das festas juninas ucranianas estão relacionados com o fogo, a água, fertilidade e auto-purificação. As moças, por exemplo, colocam guirlandas de flores na água dos rios para dar sorte. É bastante comum também pular as chamas das fogueiras. As festas juninas eslavas inspiraram o compositor Modest Mussorgsky para sua famosa obra "Noite no Monte Calvo"...

Suécia
Celebração do solstício de verão em Årsnäs, Suécia.

Festa do Verão (Suécia)

A festa junina Midsommar é depois do natal a segunda maior festa da Suécia. Ocorre entre os dias 20 e 26 de junho, sendo a sexta-feira (em sueco: Midsommarafton) o dia mais tradicional. Uma das características mais tradicionais são as danças em círculo ao redor do majstången, um mastro colocado no centro da aldeia. Quando o mastro é erigido, são atiradas flores e folhas. Tanto o majstången sueco (mastro de maio) como o mastro de São João brasileiro têm as suas origens no "mastro de maio" dos povos germânicos.

Durante a festa, são cantados vários cânticos tradicionais da época e as pessoas se vestem de maneira rural, tal como no Brasil. Por acontecer no início do verão, são comuns as mesas cheias de alimentos tipicos da época, como o morangos e as batatas. Também são tradicionais as simpatias, sendo a mais famosa a das moças que constroem buquês de sete ou nove flores de espécies diferentes e colocam sob o travesseiro, na esperança de sonhar com o futuro marido. No passado, acreditava-se que as ervas colhidas durante esta festa seriam altamente poderosas, e a água das fontes dariam boa saúde. Também nesta época, decoram-se as casas com arranjos de folhas e flores, segundo a superstição, para trazer boa sorte.

Durante este feriado, as grandes cidades suecas, como Estocolmo e Gotemburgo tornam-se desertas, pois as pessoas viajam para suas casas de veraneio para comemorar a festa.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Lendas do Recife: Um Passeio Noturno Pelas Ruas do Recife

O Recife é uma cidade cheia de lendas urbanas, algumas até mesmo seculares. Tem algumas no teatro Santa Isabel, no Palacio do Governo, outras no Arquivo Público de Pernambuco, outra da garota emparedada da Rua da Aurora e até da morte de João Pessoa, que morreu no Recife mas seria homenageado na capital da Paraiba. Agora imagine conhecer essas lendas nos lugares que elas realmente aconteceram, a noite tendo o caminho iluminado apenas por velas. Esse é o passeio Lendas do Recife, organizado pela prefeitura. Assista se tiver coragem.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Adivinhações de Santo Antônio para arranjar namorado, marido, sapo e etc...

As adivinhações são manifestações nem sempre consideradas "politicamente corretas" pelos devotos, mas possuem grande popularidade e compõem os inúmeros rituais dos festejos juninos. Existem muitas e acontecem desde o dia de Santo Antônio (13 de junho) até o São João(24 de junho). Como o próprio nome insinua, na adivinhação o objetivo é saber o nome do futuro marido ou namorado, ou pelo menos alguma dica.

Quem não sabe, por exemplo, que, na noite de São Jõao, para saber o nome do pretendente é só benzer uma faca virgem na fogueira e depois enfiar na bananeira? Bem, tem aguardar para ver o nome aparecer... Ou então, escrever os nomes suspeitos em papeizinhos e colocá-los em um copo com água. O nome que "amanhecer" aberto é o dono de seu coração.

Aqui vai algumas sugestões, simbora mulherada dia 13 fazer adivinhações pra saber quem será o próximo sortudo azarado rsrs.

1 – Uma das mais antigas tradições diz que, para descobrir o futuro companheiro, é preciso escrever os nomes dos candidatos em vários papéis. Um deles deve ser deixado em branco. À meia-noite do dia 12 de junho, eles devem ser colocados em cima de um prato com água, que passará a madrugada ao relento. No dia seguinte, o que estiver mais aberto indicará o escolhido.

2 – Aqueles que têm pressa em arranjar um namorado devem comprar uma pequena imagem do santo. E para agilizar a conquista do pedido, fazer dois procedimentos: tirar o Menino Jesus do colo do religioso, dizendo que só devolverá quando conseguir um namorado, ou ainda, virar o Santo Antônio de cabeça para baixo. (Esse é um tanto cruel. rs)

3 – À meia-noite do dia 12 de junho, quebre um ovo dentro de um copo com água e o coloque no sereno. No dia seguinte, interprete o desenho que se formou. Se aparecer algo semelhante a um vestido de noiva, véu ou grinalda, o casamento está próximo.

4 - Para sonhar com o noivo, basta colocar três rosas vermelhas debaixo do travesseiro na véspera de Santo Antônio.

5 - Para arrumar namorado ou marido, basta amarrar uma fita vermelha e outra branca no braço da imagem de Santo Antônio, fazendo a ele o pedido. Rezar um Pai-Nosso e uma Salve-Rainha. Pendurar a imagem de cabeça para baixo sob a cama. Ela só deve ser desvirada quando a pessoa alcançar o pedido.

6 - Para encontrar um (a) namorado (a)

a) No dia do santo, pegue um vidro com tampa (como aqueles de café solúvel) e encha-o de água.
b) Acrescente três folhas de manjericão, três folhas de louro e três pedacinhos de carvão.
c) Feche bem o vidro e esconda-o num lugar alto.
d) No dia 24 (São João), tire o vidro do esconderijo e jogue o conteúdo em água corrente - da torneira ou de um rio.
e) Na virada do dia 28 para o dia 29 (São Pedro), faça uma oração pedindo aos três santos que lhe arrumem um namorado ou namorada.
7 - Para encontrar um (a) namorado (a) [2]
a) Pegue uma rosa vermelha.
b) Tire as pétalas.
c) Coloque-as dentro de um envelope vermelho.
d) Deixe o envelope debaixo do seu colchão por sete dias.
e) No oitavo, que deverá cair no dia 13 ou 24 de junho, entre as 6 e 8 horas da manhã, jogue o envelope num rio ou em água corrente.

8 - Para conquistar o amor da sua vida

a) Arrume uma foto de quem você a ama e cole-a atrás de uma foto sua.
b) Coloque a foto dupla num pratinho branco de louça e acenda sobre ela uma vela cor-de-rosa.
c) Quando a vela acabar de queimar, ponha os restos da foto e da cera num envelope novo e guarde-o num lugar onde ninguém veja.
d) Numa folha de papel branca, não muito grossa, escreva o seu nome e o de quem você ama, usando caneta vermelha.
e) Dobre a folha ao meio, com os nomes para dentro, e depois ao meio de novo.
f) Passe cola a cada dobradura.
g) Ponha o pacotinho que resultar dessa operação debaixo do seu travesseiro toda noite, antes de dormir, até que seu desejo se realize.

9 - Ter a pessoa que gosta

Na manhã do dia de Santo Antônio (13 de junho), corte ao meio uma banana com casca, no sentido do comprimento, e recheie com bastante açúcar. Numa folha de sulfite, escreva sete vezes o nome do menino que você quer conquistar. Embrulhe a banana com esse papel, amarre com fita cor-de-rosa e guarde o pacote por três dias num lugar secreto. Na manhã do quarto dia, enterre o embrulho ao pé de uma planta - se for uma roseira, o efeito da simpatia será mais rápido.

Judeus em Pernambuco


As primeiras famílias judaicas chegaram ao Recife em 1635, quando Pernambuco estava sob o domínio holandês, tinha pouco mais de 10 mil habitantes e era a mais rica Capitania brasileira. Perseguidos na Península Ibérica pela Inquisição católica, eles vieram atraídos pela liberdade religiosa que os holandeses começaram a instalar nas terras tomadas de Portugal.

No Recife, os judeus ingressaram no ramo do comércio que logo passariam a dominar: durante o governo do conde Maurício de Nassau (1637/1644), por exemplo, eles controlavam 40% das exportações pernambucanas de açúcar para a Holanda e a Alemanha.

Também tiveram importante papel histórico. Foram eles que ergueram, no Século XVII, a primeira sinagoga das Américas, no casarão número 197 da Rua do Bom Jesus, no bairro do Recife Antigo.


A comunidade judaica também deixou marcas na formação e no traçado da cidade do Recife: ela construiu mais de 300 casas e sobrados, escola, cemitério e a primeira ponte recifense (a Buarque de Macedo) foi encomendada por Maurício de Nassau a um judeu, Baltazar da Fonseca.

Muitos hábitos ainda hoje cultivados pelos pernambucanos são herança deixada pelos judeus: pintar a casa no final de ano; arrumá-la às sextas-feiras; comprar mercadorias em prestações à porta de casa, entre outros.

Depois da expulsão dos holandeses em 1654, a comunidade judaica pernambucana voltou a sofrer perseguição religiosa por parte dos portugueses e abandonou o Brasil.

Das 150 famílias que deixaram o Recife com destino a Amsterdã, um grupo de 23 judeus acabou tendo sua embarcação (o navio Valk) interceptada por piratas espanhóis e aprisionada na Jamaica.

Logo em seguida o grupo foi libertado pela tripulação de um navio francês que seguia para a América do Norte e deixado, em setembro de 1654, em Nova Amsterdã que era um vilarejo de 1.500 habitantes.

Foi esse grupo de judeus saído do Recife que fundou a primeira comunidade judaica norte-americana e ajudou a construir o que atualmente é a cidade de New York.

Além desses pioneiros, outras famílias judaicas chegariam ao Recife em 1910, a maioria oriunda da Rússia. Em 1998, o velho casarão onde funcionou a sinagoga recifense foi desapropriado pela prefeitura para sediar, depois de restaurado, o Centro de Documentação e Pesquisa da História Judaica.

Fonte:http://www.pe-az.com.br/

terça-feira, 7 de junho de 2011

O Futebol no Sertão



Autor: Francisco Diniz
João Pessoa-PB, 08 de março de 2007.
_________________

Site: http://literaturadecordel.vila.bol.com.br
E-mail: literaturadecordel@bol.com.br

Salve, salve passageiros
Aqui do trem da cultura
A todos peço licença
Pra expor em literatura
De cordel um pouco da história
De grande envergadura.

Criada por nosso povo,
Que em outrora fizera,
Que hoje faz muito mais,
Que reflete, que pondera,
Que tanto idealizou
E o bem sempre quisera.

João Pessoa, capital,
Inicialmente chamada
Nossa Senhora das Neves,
E também denominada
Filipéia, Frederika,
Parahyba, terra amada!

Terra que era do índio,
Antes de chegar o invasor,
Cuja vida natural
Promovia o vigor
De um homem muito robusto,
Bravo e de vermelha cor.
1

E chegaram os portugueses,
Os holandeses e além
Dos franceses, de piratas,
Sabe-se lá de onde vêm,
Todos queriam explorar
E o índio ficou refém,

Como assim aconteceu
Em todo o nosso Brasil:
Nativo catequisado,
Homem branco instituiu
Sua força, sua lei
E outro mundo construiu.

Principalmente às custas
Do indígena escravizado,
Que por não se adaptar
Ao tal regime malvado
O nosso pele vermelha
Pelo negro foi trocado.

Negro que veio da África,
Onde era importante,
Para sofrer humilhado
Numa terra tão distante
Devido à gana e ruindade
De um ser que se diz pensante.
2

Mas antes do africano
Em nossa terra chegar,
O português com o índio
Um pacto veio a firmar,
Construiu uma certa paz
E foi possível fundar...

A cidade bem às margens
De um Sanhauá preservado,
Rio que abrigava o Porto
Do Capim, desativado
Em 1935
Quando fora inaugurado...

O Porto de Cabedelo.
Neste período também
Começou a funcionar
Até Cabedelo o trem
E assim João Pessoa cresce
Lutando pra ir além...

Além do rio, do mar,
Lembrando de sua história,
Ensinando sua gente
A reconhecer as glórias,
Seu legado, sua cultura
E expressar sua memória...
3

Em todo e qualquer momento
Ao turista, ao estudioso:
Os momentos, os episódios
De um tempo então saudoso
Pra motivar um atual
Bem muito mais valoroso.

Ao entrarmos neste trem
Que possamos vislumbrar
O trabalho do homem simples
Que faz o vagão andar
Desde o pregar os dormentes
Até o mato roçar...

Dar valor ao maquinista,
Também ao auxiliar,
Ao bilheteiro, ao guarda
E a quem vive a atuar
Pra que o povo dia-a-dia
Seguro vá viajar.

Partindo de João Pessoa
Em busca do litoral
Podemos nos deparar
Com uma vista sem igual
Prédios que ostentam um passado
Ou um mundo atual.
4

Um pouco do Centro Histórico,
A catedral, na colina,
Casarões que se mantêm
Em estado de ruína,
Mas se forem restaurados
Terão uma outra sina.

À beira da linha vemos
Crescerem comunidades,
Um lixão desativado
Pro bem de toda a cidade
E o retrato de uma vida
De dura realidade...

De quem constrói a riqueza,
Mas dela pouco desfruta,
Mesmo assim não desanima
E continua na luta
Desde o raiar do dia
Nosso povo não se furta

E percorre as estações
Mandacaru, Renascer,
Jacaré, com o pôr do sol
Que o turista vem ver,
Chegando em Cabedelo
No mar pode se entreter.
5

O turista ou o nosso povo
Pode aqui se encantar
Numa viagem de trem
O manguezal apreciar,
A paisagem ribeirinha
Ou a Mata Atlântica olhar.

Sentirá o vento suave
Da janela do vagão,
Virá um céu azulado,
Típico desta região
E ao som das rodas de ferro
Sentirá uma emoção.

Realçada no apito,
Que despertará alguns,
E integrado à rotina
É relógio para uns
Milhares de personagens,
Trabalhadores comuns.

Quem realiza o trajeto
Enxerga o dia-a-dia
De pessoas trabalhando,
Dos carros na rodovia,
Do contraste social
Que entristece a poesia:
6

Condomínios de luxo,
Casebres de papelão,
Carros novos, bicicleta,
Carroça e avião,
Gente pescando em canoa
Ou em bela embarcação.

Porém essa nossa gente
Que vive em dificuldade
Tem fama de valentia,
Maior a sua bondade,
Tem vocação pro sorriso,
Merece a dignidade...

De uma vida com trabalho,
Não com um salário de morte,
Merece oportunidades
Sem necessitar da sorte
E aos poucos com sua luta
Vai chegando até o forte.

Contudo pra conquistá-lo
Todos devem empunhar
A arma da educação
E se conscientizar
Que com o agir coletivo
Poderemos prosperar
7

Pra começar dar valor
A nossa identidade,
Ao nosso potencial,
A nossa historicidade,
Só assim vamos dizer:
Temos a felicidade...

De uma cultura valiosa
Em danças, mitos, lazer,
Teatro, artesanato,
Música, arte plástica, saber
Popular e acadêmico,
Temos muito a oferecer.

Aqui se expressa a fé
E uma cultura de paz,
A solidariedade,
Esportista que é ás
- Kaio Márcio é exemplo
Só um pouco o que a gente faz!

Poetas que emocionam,
Um verde que anima a vida,
Matas do AMÉM, Buraquinho,
Que fornecem a acolhida
Às plantas e aos animais,
João Pessoa dá a partida...

Para o desenvolvimento
Levando o povo de trem
Pra Cabedelo, Bayeux
E a Santa Rita também,
Preço: cinqüenta centavos,
Que não agride a ninguém.
8

O trem é barato e útil,
Mas vamos dele cuidar
Não sujar ou atirar pedra,
Pois isso pode causar
Prejuízo a nós mesmos,
Devemos sempre lembrar

Que ele é patrimônio público,
Não é de um governante,
É de cada um de nós,
Por isso a cada instante
Vamos ter essa consciência
E passá-la a diante.

A todos que pregam o bem
Sejam nossa companhia,
Vejam o autêntico forró,
Ciranda e cantoria,
Coco e tribo indígena,
Blocos que dão alegria.

Durante o pré-carnaval
Muriçocas, Cafuçu,
Homem vestindo mulher
Nas Virgens de Tambaú,
Meninos dançando Urso
E jovens Maracatu.

Aqui a Paixão de Cristo
Já é atração nacional,
O povo encena um auto,
Que é espetáculo cultural,
Traz beleza e emoção
Ao milenar ritual.
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No São João, nossa cultura
De origem popular
A cada ano consegue
Espaço pra se mostrar:
Tem quadrilhas, rabequeiros
E o povo todo a dançar...

Ouvindo a banda de pife
Ou o forró pé-de-serra,
Com sanfona e zabumba
E o triângulo que não erra,
Um baião, xote, xaxado,
Os ritmos de nossa terra.

Em João Pessoa, o povo
Fez campanha e adotou
Posturas interessantes
E muita coisa mudou,
Usar a faixa de pedestre
Foi boa coisa que vingou.

Geralmente o motorista
Tem demonstrado respeito,
Acenando ao transeunte
Que ele tem o direito
De passar e isso mostra
Que educação faz efeito.
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Já vemos criança, jovem
Dizendo um obrigado
A um gesto de gentileza,
A um favor realizado,
Aos poucos damos exemplo
De um povo educado,

Que um dia porá em lixeira
O que não vai consumir,
Que debate o orçamento
Da prefeitura daqui,
Que demonstra tolerância
E ao diferente, sorrir,

Mostrando que é possível
Convivência harmoniosa
Com deficiente físico,
Com garota vultuosa,
Com gay, negro, prostituta,
Idoso ou mulher charmosa.

Só desejo que este povo
Não demonstre tolerância
Com político corrupto,
Que em nome da ganância,
Rouba, mente, compra voto
E à ética não dá importância.
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Eu quero vir nosso povo
Na tv denunciando
O que houver de errado,
Dia-a-dia reclamando
E no rádio ou jornal
Sempre se posicionando

Em favor de seus direitos,
De um vida com melhorias
Em educação e saúde;
Transporte e moradia;
Emprego e segurança;
Lazer, água, energia.

Que possamos ter cuidado
Com o nosso meio ambiente,
Com as DST's e aids
Que afetam muita gente,
Com a alimentação saudável
E a população carente.

Pra que todos possam ver,
Pra que possam desfrutar
Do Parque Arruda Câmara,
A Bica, ou irem ao mar
Cuja extensão de praias
Dar prazer a gente olhar.
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Temos a Ponta do Seixas,
Ponto mais oriental
Das Américas e temos,
Da era colonial,
O Pátio de Frei Gonçalves
Hoje, palco cultural

Que abriga a igreja
Daquele religioso,
Ao lado, o Hotel Globo
Que outrora imperoso,
Também O Casarão 2,
Outro lugar prestimoso.

Onde surgiu a cidade
Há o Porto da Casaria
Ou o Porto do Capim
Cujo fim ele teria
Quando o Porto Cabedelo
Então funcionaria.

Próximo ao Porto do Capim,
O Casarão Amarelo,
A Alfândega em ruínas,
Que era um lugar belo
E em frente a Guarda Moria
Se não sabes, eu revelo...
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Havia os Armazéns do Porto
Onde as mercadorias
Iam ou chegavam em barcos
Pequenos, mas de valia,
Já as grandes embarcações
Aportavam na Bacia...

Bacia do Paraíba,
Seu papel é importante
Inda hoje ao pescador
Com a diferença que antes
A poluição do leito
Não era preocupante.

Por aqui há grande acervo
Para a gente observar:
A Praça Antenor Navarro
No passado a se chamar
Praça de Aluguel de Carros
Sempre foi belo lugar.

Cercado por casarões
Importantes no passado,
Hoje é o Centro Histórico,
Um pouco reestruturado
É palco de grandes festas
Precisa ser preservado.
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E monumentos históricos
Nós poderemos citar:
A antiga Fábrica de Vinhos
Tito Silva a se fundar
Em 1892
E ficou a funcionar

Até o início dos anos
80, século passado.
Muitos outros ambientes
Podem ser relacionados:
Associação Commercial,
Praça Álvaro Machado,

Praça 15 de Novembro,
A bela Mata do AMÉM,
A Praia do Jacaré,
Que hoje já é um bem
Cultural da Paraíba,
Conhecida muito além...

Das fronteiras do lugar.
Nós temos a Fortaleza:
Forte Santa Catarina
Pra defender a riqueza
E há a Ilha da Restinga
De grandiosa beleza,
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Bem como tantos lugares
Que encantam o turista
- E a nossa gente também -
Cuja alma é de artista,
Que sabe bem acolher,
É simples e altruísta.

Conheça a Paraíba,
Comece por João Pessoa,
Desfrute da culinária,
Sem dúvida é muito boa
E a riqueza cultural
É pássaro que muito voa.

Veja as artes, os monumentos,
As riquezas naturais
Presentes do litoral
Em suas cores matinais
Ao Brejo, Agreste, Sertão
E as regiões demais.

Visite as nossas praças,
Estão lindas de se ver:
Coqueiral, Paz, Rui Carneiro
E pra quem quer aprender
Sobre presente e passado,
Conheça o IHGP.

Nós muito agradecemos
Por você nos visitar,
Por viver a nossa história
Que um pouco vimos contar,
Seja feliz, caro amigo,
Nossa terra é seu lugar!
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Francisco Diniz
João Pessoa-PB, 08 de março de 2007