segunda-feira, 27 de junho de 2011

O expresso forrozeiro



Dentro do maior São João do mundo existe um evento que vem se destacando a cada ano. É o Expresso Forrozeiro, um passeio de trem que sai da cidade de Campina Grande-PB até o distrito de Galante, um lugarejo encantador, localizado numa região montanhosa e com uma bela paisagem bucólica. A saída é na estação velha, prédio antigo que abriga o museu do algodão. Durante o trajeto, muito forró e animação nos vagões. Toda uma estrutura de restaurantes, pontos de apoio, ilhas de forró e passeios a cavalo e charrete.


Matéria exibida pela TV Itararé, em Campina Grande, estado da Paraíba.
Contato: jornalismo@tvitarare.com.br

domingo, 26 de junho de 2011

São Pedro pede passagem



Pedro é outro santo que nasceu com nome diferente. Chamava-se Simão, ou Simeão. Nascido em um vilarejo pagão na Galiléia, levou a vida como pescador na cidade de Carfanaum, até que, junto com seu irmão André, foi convocado por João Evangelista para fazer parte do grupo mais próximo de seguidores de Jesus Cristo.
Simão era um dos apóstolos preferidos de Cristo, que admirava sua liderança firme e lhe deu o nome de Pedro (Petrus), que significa pedra, rocha. Justificando isso, Jesus teria dito: "És Pedro! E sobre esta rocha construirei minha Igreja".

Dizem que Pedro viveu muitos anos após a morte de Jesus Cristo, dedicando sua vida à pregação das palavras de seu mestre pelo Império Romano, tanto na Palestina quanto em Antióquia. Por esse motivo e por sua proximidade com Cristo, ele é considerado fundador da Igreja Católica Romana. Contam algumas versões que Pedro foi executado em Roma quando tinha 64 anos.

Porteiro do céu

O povo vê São Pedro como o "porteiro do céu", o manda-chuva e o padroeiro dos pescadores. A presença dele na tradição oral portuguesa e brasileira é constante. Quando começa a trovejar, as crianças sempre ouvem dizer que "é a barriga de São Pedro que está roncando" ou que "São Pedro está mudando os móveis do céu de lugar". E, quando chove mesmo, "é São Pedro que está lavando o chão do céu".

Na Bahia e em comunidades pesqueiras do Ceará, São Pedro é comemorado em alto-mar, com uma procissão em meio às ondas. No cortejo em frágeis jangadas artesanais, os fiéis pedem proteção aos céus. A imagem do santo, que também é pescador, é colocada em um andor e vai navegando pelo litoral. Depois do cortejo, os pescadores participam de uma missa campal na beira da praia.

São Pedro, o Fundador da Igreja Católica

São Pedro, o Apóstolo e o pescador do lago de Genezareth, cativa seus devotos pela história pessoal. Homem de origem humilde, ele foi Apóstolo de Cristo e depois encarregado de fundar a Igreja Católica, tendo sido seu primeiro Papa.

Considerado o protetor das viúvas e dos pescadores, São Pedro é festejado no dia 29 de junho, com a realização de grandes procissões marítimas em várias cidades do Brasil. Em terra, os fogos e o pau-de-sebo são as principais atrações de sua festa.

Depois de sua morte, São Pedro, segundo a tradição católica, foi nomeado chaveiro do céu. Assim, para entrar no paraíso, é necessário que o santo abra suas portas. Também lhe é atribuída a responsabilidade de fazer chover. Quando começa a trovejar, e as crianças choram com medo, é costume acalmá-las, dizendo: "É a barriga de São Pedro que está roncando" ou "ele está mudando os móveis de lugar".

No dia de São Pedro, todos os que receberam seu nome devem acender fogueiras na porta de suas casas. Além disso, se alguém amarrar uma fita no braço de alguém chamado Pedro, ele tem a obrigação de dar um presente ou pagar uma bebida àquele que o amarrou, em homenagem ao santo.

sábado, 25 de junho de 2011

Lolita


QUEM NÃO CONHECE LOLITA
NÃO CONHECE O RECIFE


Entrevista ao "Jornal da Cidade", 6 de julho de 1975.

Ivo Alves da Silva nasceu no interior e veio para o Recife com suas verdades e sua maneira de ser. Dentro da marginalidade ele se fez conhecido mas estendeu seu mundo até os corredores de universidades, onde divertia gerações de estudantes universitários, assim ele se fez uma pessoa conhecida na capital, um "Gente da Cidade". Na redação do "Jornal da Cidade", ele aos 45 anos, contou aos repórteres Ivan Maurício, Beth Salgueiro, Vera Ferraz, Geraldo Sobreira e Jones Melo, em sua primeira grande entrevista, a história de seu personagem: Lolita.

LOLITA - Os meus camaradas gostam de dizer bicha, bicha, eu sou diferente. Eu sou Lolita, o internacional, eu vim, vi e venci.

JORNAL DA CIDADE - De onde você veio?

LOLITA - Saí de Nazaré da Mata, com 15 anos de idade. Tudo por influência dos amigos. Mas, eu sempre gostei de varar mundo, sou como urubu, gosto de voar, em todo galho de mato faço minha morada. Cheguei no Recife para trabalhar de servente e cozinheiro e estou aqui, com todo sucesso até hoje.

JORNAL DA CIDADE - Que idade você tem, onde você mora?

LOLITA - Estou com 45 anos, nasci no dia 6 de janeiro de 1933. Estou morando no Pina na "Pensão Jaú", é lá onde faço os serviços de cozinha e a noite vou me divertir nos bares, todo mundo gosta de mim. Antes eu morava na Ilha do Maruim, passei 15 anos lá, saí porque tudo muda e eu também mudei.

JORNAL DA CIDADE - Como você mudou?

LOLITA - Ah, agora eu não sou mais aquele que topava toda arruaça e gostava de provocar policial, mas ainda dou meus shows, pois a veia artística está dentro de mim.

JORNAL DA CIDADE - Como é teu nome verdadeiro e como surgiu o apelido "Lolita"?

LOLITA - Meu nome é Ivo Alves da Silva. Agora esse negócio de "Lolita" surgiu porque foi uma destinação. Um dia eu ia passando na rua e vi um folheto de feira, ah essa é outra história que depois eu conto. Lolita mesmo foi o seguinte. Meu nome teve origem no filme "Carnaval Atlântida", eu assisti várias vezes e decorei os diálogos. A artista que fazia o papel de "Lolita" era Maria Antonieta Pons. Aí eu comecei a recitar os diálogos para os meus amigos, estudantes de engenharia e eles começaram a me chamar de Lolita e ficou até hoje.

JORNAL DA CIDADE - Conta agora a historiado folheto que você ia passando...

LOLITA - Sim, é, eu ia passando, vi o folheto, folheei, gostei e comprei logo. Nessa época eu já me chamava Lolita, e o nome do folheto de João Martins de Athayde era "Lolita Era Uma Condessa", que dizia assim: "Lolita era uma condessa/filha do Conde de Aragão/Desde muito criança/tinha bom coração/embora que seus pais/não fossem essa educação/porque o Conde pai de Lolita/só olhava para o ouro/por isso chamava um cofre/o céude mau anjo louro/Dizia que a alma dele/Era a honra e o tesouro".

JORNAL DA CIDADE - Você gostou desse folheto por quê?

LOLITA - Não sei, gostei dos versos. Esse folheto me ajudou muito nas horas difíceis. Quando eu ia preso por causa de bebedeira, eu recitava esse folheto para os delegados e eles me soltavam. Eles gostavam quando eu dizia: "Lolita desde criança era compadecida/Dava pequeno valor/aos objetos da vida/visitava os hospitais/inda que fosse escondida".

JORNAL DA CIDADE - Mas Lolita, porque você veio para o Recife e o que você fazia em Nazaré da Mata, até os 15 anos?

LOLITA - Eu não tive infância. Passei a vida sempre trabalhando no campo, limpando mato, fazendo roça. Meus pais eram agricultores, morando em terra de senhor de engenho.

JORNAL DA CIDADE - Havia escola, você chegou a estudar alguma coisa, como aprendeu a ler?

LOLITA - Estudei cinco anos em Nazaré da Mata, no Grupo Escolar Maciel Monteiro, depois fui para Limoeiro, lá terminei o Ginásio. Foram meus colegas Dr. Luiz Gonzaga de Vasconcelos, Dr. Almeida Filho que foi delegado e é deputado conhecido como Almeidinha. Muita gente grande. Inclusive meu retrato está pregado numa parede. Outro colega meu, foi o Dr. Anacleto que é comissário de Casa Amarela, o Dr. Paulo Couto Malta, jornalista do Diário de Pernambuco.

JORNAL DA CIDADE - E por que você deixou a família? Como foi?

LOLITA - Meus viajaram para São Paulo. Meu pai era despeitado comigo. Ele não aceitava minhas qualidades corporal. Com idade de 10 anos comecei a depravação, por influência de colegas. Não tive um primeiro namorado, o primeiro foram vários, eu era o mais fraco e cedi, num banho de açude, sabe como é, gosto de falar por parábolas, eles me forçaram e depois foram contar tudo ao meu pai. Com 16 anos fui para Limoeiro, trabalhar com o padre Nicolau Pimentel, porque a família tinha ido para São Paulo, foi quando estudei e terminei o Ginásio com 22 anos. Nessa época eu pensava em ser professor, mas o vício não deixou mais, aos 16 anos eu estava viciado na bebedeira.

JORNAL DA CIDADE - E quando você chegou no Recife?

LOLITA - Quando eu cismo de fazer uma coisa, eu faço. Cheguei em Recife no ano de 1954, a zona era muito diferente. Eu vim para fazer serviços domésticos, mas a vida do bairro do Recife me encantou e eu tive vontade de entrar nela, de conhecer a Capital e enfrentei a barra pensando que dominava ela, mas ela leva a gente junto e a gente vai bebendo para esquecer alguma coisa.
JORNAL DA CIDADE - Você já pensou em parar com a vida que você leva?

LOLITA - Eu nunca me arrependo do que faço. O Dr. Dias da Silva psicólogo, mesmo um dia falou na televisão, que eu devia ir pra uma clínica, etc. Mas eu já fui duas vezes na Tamarineira (hospital psiquiátrico) e já entrei uma vez no Sancho (hospital para tuberculosos) com uma deficiência no pulmão.

JORNAL DA CIDADE - Por que esse ditado de "Quem não conhece Lolita, não conhece o Recife"?

LOLITA - Eu já estou cheio de tanta pergunta. Quem inventou essa história foi o Detetive Dunga, aquele que tem uma revista a "Repórter Policial", essa revista era muito famosa e eu também como gente famosa, internacional, fui convidado por ele para posar e ele fez uma foto minha assim (faz o gesto, abrindo os braços), publicou numa página e escreveu em baixo, "Quem não conhece Lolita, não conhece o Recife". Aí o pessoal leu e começou a falar isso e eu também comecei a falar aos estudantes e eles pegaram e ficou até hoje.

JORNAL DA CIDADE - Por que você ia para as faculdades?

LOLITA - Porque eu precisava dar expansão a minha veia artística e os estudantes gostavam de mim, me entendiam, eu cantava, recitava e eles batiam palmas.

JORNAL DA CIDADE - Lembro que você gostava muito de "Arlequim de Toledo", que você imitava Ângela Maria ...

LOLITA - Era. Eu gostava e gosto, mas agora estou aprendendo outra de Clara Nunes, "É Água No Mar", estou quase aprendendo ela toda.

JORNAL DA CIDADE - Você já cantou em outro lugar fora as faculdades?

LOLITA - Já. Eu cantei num programa de calouro que tinha aqui, era deixe eu ver o nome... era de Nilson Lins e Castelão (Fernando Castelão).

JORNAL DA CIDADE - "Varieté".

LOLITA - Era esse mesmo. Muitas vezes eu fui cantar lá como calouro. Lá conheci muita gente: Ângela Maria, eu vi de perto, assim, Cauby Peixoto, que é meu colega também, tinha Nerize Paiva. Os programas eram de Castelão, Nilson Lins, os cantores eram os que falei. Déa Soares, José Auriz, que cantava tango.

JORNAL DA CIDADE - E como você se sai nesses programas? Você pensava em seguir a carreira arística?

LOLITA - Não. Eu ia porque gostava. Nessa época não existia buzina, eram urros. Eu cantava "Chiquita Bacana", ainda canto quando estou queimado. No programa "Varieté", na Rádio Jornal do Commercio, toda vez eu ia vestido de homem, camisa esporte, levava vaia e aplausos. Os estudantes gostavam. Minha reação era de achar graça. Depois eu me operei das amígdalas, não fui mais, só nas faculdades de Direito e Engenharia.

JORNAL DA CIDADE - Quem são seus cantores favoritos hoje?

LOLITA - Gosto dos mesmos, de Ângela Maria, gostava da finada Dalva de Oliveira, Cauby, de Carlos Alberto.

JORNAL DA IDADE - Como você vê o Recife, hoje, mora aqui, você conhece o Recife todo?

LOLITA - O Recife que eu conheço é a zona e as faculdades. Alguns arrabaldes de passagem. Sempre morei na confusão. Hoje o Recife está muito mudado. Faz cinco anos que não vou ao bairro do Recife, moro agora no Pina. Quando eu cheguei aqui as pensões que estavam no auge eram várias. A primeira pensão que eu fui foi na Vigário Tenório, depois fui para a Mariz e Barros, Marquês de Olinda, só gostava de me focalizar em lugares assim. As casas tradicionais naquela época eram a "Chantecler", "Moulin Rouge", na época que cheguei a boate "Flutuante" era famosa, que depois naufragou-se naquela ponte Maurício de Nassau. Aí eu brincava, dava expansão ao meu gênio. Hoje modificou tudo porque os delegados fecharam tudo. Estão mudando a zona para os bairros Boa Viagem e Pina. É bom mudar de local, já é outro sucesso que se faz.

JORNAL DA CIDADE - Dizem que você já brigou com uma guarnição da Rádio Patrulha, é verdade?

LOLITA - Eu não admito provocação, sou muito nervoso. Já tomei revólver de mão de gente, um capitão da tropa à paisana. Tudo é a ocasião. Sempre fui vencedor. Quando eu era preso, o delegado me soltava, Dr. Mário Alencar me adorava, só quando era delegado estranho é que me encanavam. Quando eu cismava da Rádio Patrulha eles não me levavam não. Quando surgiu aquelas duplas de "Cosme e Damião", em 1955, o povo dizia "você agora vai se endireitar". Resolvi tirar a dúvida. Tomei meia garrafa de cana e fui pra Avenida Guararapes, lá pra esquinada Sertã. Cheguei lá,encarei os dois que vinha do Cinema Art-Palácio. E perguntei: "Quem de vocês é Cosme ou Damião dos dois?". Eles perguntaram: "Quem é você?" Eu disse: "Sou o Lolita falado" e o pau cantou, briguei e rasguei a túnica dele todinha. Ah, eu já fiz muita sugesta com a polícia. Aí eles me levaram num Ford verde.

JORNAL DA CIDADE - Mas um dia você já encarou uma parada que não deu para encarar?

LOLITA - Eu peguei uma detenção porque cortei um soldado. Caí no artigo 129, três meses de Detenção, ferimento leve e eu era primário. Foi Romildo Leite, que é despeitadíssimo comigo, que me arranjou essa. Eu tava bebendo, eu e três soldados, aí eles queriam que eu pagasse a conta, aí eu joguei a caneca de chope na cabeça de um, ele levou dez pontos e eu fui autuado em flagrante. A prisão foi o canto melhor que achei, não fazia questão de estar lá, nem mesmo bateram em mim. Nessa época eu tomava muito tóxico, "perventim", "dexamil" com cachaça, mas nunca andei armado e sou muito desconfiado. Sou intoxicado pela bebida, é esse meu diagnóstico de eu ser revirado na vida. Muitas vezes me acordava dentro do xadrez, antigamente me perseguiam muito. Hoje trabalho numa pensão na Rua do Jaú, 262, sou cozinheiro, sei fazer tudo na cozinha: lombo, bife a milanesa e faço outros trabalhos domésticos. Ganho Cr$ 20,00 por semana que dá para eu beber. O resto consigo fora. Todos s sábados recebo de um colega do Ginásio Cr$ 30,00, é Dr. Vladimir, um advogado, no 8º. Andar do Banco do Brasil. Toda noite vou brincar, vivo agora da fama, brigas nunca mais.

JORNAL DA CIDADE - Como você vê as mulheres que convivem com você?

LOLITA - A condição das mulheres da zona é precária. Vivem mendigando o pão. A blitz quando chega, pronto, a vida é difícil. Mais fácil que a delas é a minha, pelo meu conhecimento. A Polícia sempre combate as mulheres. Nós, os da minha espécie eles agora deixaram de combater. Já fiz papel de cafetão quando vivia no bairro do Recife. Ganhei um dinheirinho. Hoje no Pina me perguntam por uma mulher boa, eu gigo, mas não arranjo mais. Quando elas ganham um dinheiro bom, me dão alguma coisa.

JORNAL DA CIDADE - Hoje você não sabe mais de sua família?

LOLITA - Na minha casa éramos 10 irmãos, 6 homens e 4 mulheres. Uma vez me perguntaram, seu irmão é toureiro, em Limoeiro, e você toureia o que? Eu disse: - Homem. Mas eles estão tudo em São Paulo, moram na Vila Maria. Minha mãe quando veio de São Paulo, me achou fácil por causa de uma tia minha e do conhecimento. Ela queria me ver. Me deu Cr$ 50,00 daí pra cá não sei mais dela. Ela sempre me protegia quando nós morava em Nazaré da Mata (chora) eu disse que não me arrependo de nada do que faço, mas eu sei,se eu não fosse assim, estava noutra, sou muito sentimental. E toda vida fui popular. Meu nome é internacional. Faz uns 10 anos que chegaram umas pessoas de Minas Gerais procurando o famoso Lolita da Capital, há 6 anos veio um rapaz da Rede Tupi para me filmar e dar um banho de loja...

JORNAL DA CIDADE - Você teve ou tem um grande amor na vida?

LOLITA - Eu nunca tive amor, tive simpatia. Dois é muito, três é demais.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

É São João e o rei do baião não pode faltar


Raridade - Gonzagão diz como surgiu a integração entre a sanfona, o triângulo e a zabumba


Pouca gente sabe, mas foi Gonzagão o idealizador do perfeito casamento entre a sanfona, o triângulo e a zabumba. O mais interessante é saber como surgiu tudo isso.

A revelação foi feita no programa Proposta com Luiz Gonzaga, que teve também a ilustre participação de Gonzaguinha no quadro Arquivo do Radiola na TV Cultura.




"Minha infância foi pobre, mas não infeliz, porque uma criança não pode saber que é infeliz desde que tenha o carinho de seus pais, e isso não me faltou em casa" (Luiz Gonzaga)

Arquivo TV Trama

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Festa Junina e sua História

Hoje pouca gente sabe que essas festas cristãs vêm de muito tempo atrás da nossa época. Tudo fazia parte dos rituais agrários das primeiras civilizações européias, festas essas que faziam os Celtas (povo de raça indo-européia).

O dia 24 de junho que hoje é dedicado a São João Batista, era o dia do solstício de verão (época em que o sol passa por sua maior declinação boreal ou austral, e durante a qual cessa de afastar-se do equador). No hemisfério norte, fenômeno astronômico que significava o momento da viagem do sol quando, depois de ir subindo dia a dia cada vez mais alto no céu, ele para e faz o caminho de volta, pois a vida daquela comunidade era regida por fenômeno astronômico.

Eles acreditavam que nesses momentos abriam-se as portas em que se comunicavam o reino da terra com o reino do céu, e assim que as almas dos mortos podiam visitar seus lares para se aquecerem junto à fogueira, e que eles se reconfortariam com as homenagens de seus velhos amigos e parentes. Eles dançavam, cantavam, comia e bebia ao redor da fogueira para todas as almas amigas que acreditavam estarem ao seu redor.

Estas festas tinham uma importância tão grande e tão forte que foi ai então que a igreja cristã dos primeiros séculos resolveu a criar um significado cristão, surgindo assim que a fogueira do dia 24 de junho seria em homenagem ao aniversario de São João Batista, o santo que batizou Jesus. João Batista nasceu no dia 24 de junho, alguns anos antes do seu primo Jesus Cristo, e morreu no dia 29 de agosto do ano 31 depois de Cristo na Palestina. Ele ocupa papel importante nas festas, pois entre os santos de junho, foi ele que deu ao mês o seu nome, pois assim ficou como festas “Joaninas”.

Existe também uma lenda do surgimento da fogueira de São João, dizem que Santa Izabel quando ficou sabendo que estava grávida de João, foi contar a novidade para Nossa Senhora e contou-lhe que estava grávida, e que dentro algum tempo nasceria seu filho e que se chamaria João Batista.

Nossa Senhora ficou contente e lhe perguntou como poderia saber do seu nascimento. Então Santa Izabel falou que acenderia uma fogueira bem grande, pois assim poderia ver de longe e saberia então que João nasceu. E que também erguer um mastro com uma boneca sobre ele. E assim no dia 24 de junho Santa Izabel cumpriu o que prometeu, assim que Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira foi até la e constatou que João havia nascido.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Simpatias Juninas



Véspera de São João


Sabedoria de bananeira
Na noite de São João, de 23 para 24, deve-se enfiar uma faca virgem (nova) na bananeira. No dia seguinte, de manhã bem cedo, retire a faca que nela aparecerá o nome do(a) futuro(a) noivo(a). Outra variante dessa simpatia diz que o nome do(a) futuro(a) marido/mulher aparecerá escrito no caule da bananeira.

Alguns preferem ver o nome escrito no tronco da bananeira. Ainda há outra variante, mais rápida: enfia-se a faca na bananeira e, ao retirá-la, você ouvirá o nome do(a) futuro(a) companheiro(a).

Papéis mágicos
Na noite de São João, escreva em pequenos papéis o nome de vários(as) pretendentes. Enrole-os e jogue-os em uma bacia ou copo d'água. O papel que se desenrolar primeiro indicará o nome do(a) futuro(a) companheiro(a).

A idade do cônjuge
Passe um ramo de manjericão sobre a fogueira e jogue-o sobre o telhado de sua casa. Se na manhã seguinte ele ainda estiver verde, é sinal de casamento com pessoa jovem. Se estiver murcho, com pessoa mais velha.

Oráculo de carvão

Pegue dois pedaços de carvão da fogueira de São João. À meia-noite, coloque os carvões em uma bacia com água. Se afundar o maior é porque o marido vai morrer primeiro. Afundando os dois, o casal vai morrer junto. Se os dois carvões boiarem, o casal terá vida longa.

Sonho lotérico

Se você sonhar com um bicho na véspera de São João, deve jogar na loteria porque vai ganhar com certeza.

O poder do carvão

- O carvão que sobra depois que a fogueira apaga adquire poderes sobrenaturais. Com ele, pode-se cobrir os ovos das aves para que a ninhada seja forte e saudável.

- Andar com um pedaço de carvão da fogueira no bolso traz felicidade e dinheiro o ano todo.

- Jogar na fogueira um galho de alecrim, arruda ou uma trança de alho espanta o mau-olhado.

- Os carvões que restarem podem ser enviados a parentes e amigos, pois são considerados bentos.

- Quem possuir um carvão da fogueira viverá até o próximo São João.

O poder do mastro

- Para obter boa colheita, prenda junto à bandeira do mastro laranjas, pencas de banana e espigas de milho, pedindo a proteção dos santos.

- As espigas de milho que ficam no mastro são recolhidas e usadas para o plantio. Dizem que quem achar no dia da festa uma espiga com 15 fileiras ficará rico.

Simpatias para ter sorte

Para ter sorte na moradia

Alguns dias antes de mudar, a pessoa tem que lavar a nova casa com água, vinho e mel e deixar secar naturalmente. Um dia antes da mudança, abrir uma lata de sardinha, uma garrafa de vinho e uma bisnaga. Colocar tudo isso no meio da sala e no dia da mudança, recolher tudo e jogar num jardim. Depois disso, não faltará, saúde e dinheiro e só reinará a felicidade no lar.

Para retirar o azar de sua casa

Pegue 7 pombos brancos, em dias de domingo, e coloque dentro de sua casa. Abra todas as janelas, e abra a gaiola dos pombos deixando eles saírem por onde quiserem, assim levando todo o azar em suas asas.

Para ter sorte em novos empreendimentos

Recorra aos poderes de uma simpatia. Antes de atirar-se a um novo empreendimento, tome um banho preparado com água morna, sal grosso, três folhas de hortelã, uma folha de arruda e meia colher de enxofre.

Para ter sorte no comércio

Quando abrir seu comércio pegue a chave do estacionamento e deixe durante três dias dormir no sereno. Depois disso, antes de inaugurar o comércio mande rezar uma missa ao santo de sua devoção.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Uma homenagem a VIERÓPOLIS




Uma homenagem a VIERÓPOLIS
(Poeta Raimundo Nonato da Silva)


VIERÓPOLIS, VIERÓPOLIS
Muitos anos de batalha
Na luta pela conquista
Venceu e não ouve falha
Cada filha é uma heroína
Cada filho é um campeão
E todos lutaram em prol
Da emancipação

Nossa cidade é pequena
Mais tem um povo valente
Hoje como o meu Brasil
Está livre independente
O seu povo triunfante
Se precisar vão à guerra
Para ver a liberdade
Reinando na nossa terra

Cada jovem é uma rosa
Cada criança é uma flor
A cidade é um jardim
Jorrando aromas de amor
VIERÓPOLIS, VIEIRÓPOLIS
Cidade dos sonhos meus
O nosso povo é liberto
E a vitória vem de Deus

Vamos todos nós unidos
Trabalhar-mos sem cessar
Progredir e prosseguir
Sem desistir de lutar
Cada filho e cada filha
É um fã e uma fã
VIERÓPOLIS hoje é bonita
E melhor será a manhã

Temos esta serra branca
Que nos serve de muralha
Da proteção a Cidade
E aos filhos que trabalham
Nosso povo é progressista
Corajoso e resistente
VIERÓPOLIS nossa mãe
Nossa pátria independente

Por tico de Neco Emidio
Eu tenho um grande respeito
Ganhou pra vereador
Ficou muito satisfeito
Porque nunca teve sorte
Para ser vice-prefeito

E Getulio de dedinho
É um homem pensador
Diz que esta trabalhando
Pelo povo do setor
Botou na cabeça agora
Que vai ser vereador

Fazendeiro e empresário
E o rei do alumínio
É nosso Antônio Barbosa
Vou pedir um patrocínio
Deus queira que nesta empreita
Eu não venha ter um declínio

Tio Assis Barbosa foi
Um grande agropecuário
E nonato do bom fim
Também fez o necessário
Quando aplicava injeção
Era extraordinário

Nesta região bacana
Ninguém é de cambalacho
Tio de Bastiana tem
Um clube lá no riacho
E o poeta Zé Alcindo
É um homem muito macho

Nos temos Isauro Rita
Que é grande leiloeiro
Trincha, trincha corta, corta
Esta penosa ligeiro
Evandro ex-vereador
É rapaz hospitaleiro

Jader de miro machado
É empresário também
Zé de Miro em João pessoa
Hoje esta vivendo bem
Lá na nossa região
De tudo que é bom tem

E na mesma deixa eu pego
Pra falar noutro famoso
Foi Duda de Antonio Pedro
Ele é muito habilidoso
É artesão e consola
Faz trabalho caprichoso

No riacho outro torrão
Mora meu primo Tonheiro
Da família Xavier
Dizem que deu pra padeiro
O velho Joaquim seu pai
Morreu mais foi bom oleiro

Lá na nossa região
Ninguém com nada se apoca
Célio da algodoe ira
Foi prefeito sem fofoca
Mais entre ele e o outro
A justiça fez uma troca

Eu por ser positivista
Falo em cada companheiro
No riacho Antonio domingo
Quando vivo era ligeiro
Foi mestre de rapadura
Fez tabaco e foi fumeiro

Um outro amigo altaneiro
Um cidadão de primeira
Adenor do campo alegre
Tem ou teve espopadeira
Zé de Noemi é tratorista
Lá da região inteira

Outra mulher de primeira
Eu falo sem acanhes
Santa de doutor Ri Célio
Foi prefeita mais de uma vez
Esta mulher ta guardada
Na memória de vocês


A cachoeira tem vez
Para falar a verdade
Mocinho é o matemático
Que faz conta de idade
E heleno de Ana costa
É uma grande autoridade

Chico de nonato foi
Um parlamentar direito
Helio de Moisés é um
Vereador de respeito
E na nossa região
O povo esta satisfeito

Nós temos Zé de Maroca
Uma pessoa altaneira
Gosta muito de pescar
Com lanterna e roçadeira
Os preás têm medo dele
Quando vê a bailadeira

Temos mané de Peinha
Valente igual burra braba
Certa vez numa brigada
O mundo quase se acaba
Tanto os caba bateu nele
Como ele apanhou dos cabas

Lucena é um cidadão
Que nunca foi boca quente
Mais tem Mane seu irmão
Que bebe e fica valente
Já meteu o pé do ouvido
Nos braços de muita gente

André de Casusa consola
O povo da região
Além de bom fogueteiro
Ele é um bom cidadão
Faz traque bomba e chuvinha
Busca pé e foguetão

Zé de Lucia de Isidoro
Na coragem se confia
É muito trabalhador
Aquilo é ter energia
Dez milheiros de tijolos
Ele bate em meio dia


Outro que bate pandeiro
Para o povo da elite
Toca sanfona pro povo
Sempre recebe convite
É o Didi de Quinor
E seu falar deus permite

Outro que nunca foi tolo
Nem se quer por um segundo
Pra fazer troca é tio Cícero
Inda tem Chico Raimundo
No sitio Matogrosso corta
Cabelo de todo mundo

Lembro-me a cada segundo
Do povo do meu setor
Lá na vila campo alegre
Tem Manuel de Agenor
Além de ajeitar radio
De sanfona é tocador

Cada um tem seu valor
E na arte se confia
Tem Iordan e Zé Neto
Trabalham com energia
E Joaquim de Assis Barbosa
É mecânico de garantia

Ainda tem Abdias
Que é grande jornalista
Doutor Augusto Barbosa
É o melhor analista
E Chiquinho do campo alegre
Já foi o melhor dentista

Advogado e artista
Chiquinho do PDT
Foi vice-prefeito de Sousa
Não me esqueço por que
Quero deixar informado
O povo todo e você

Falo de A e de B
E não faço paradeiro
Temos Dionísio Pedro
Ele é poeta e pedreiro
E pra fazer cerca de arame
Tem Pedro e Vidal brejeiro


Outro que é justiceiro
E é da mesma raiz
É o Didi de Isidoro
Um esportista feliz
Quando não é bandeirinha
Ou é gandula ou juiz

Não convido pra vista
Em Sousa nem em MARISÓPOLIS
Mas, você que é artista.
Conheça as nossas metrópoles
E vá conhecer os grandes
Artistas de VIEIRÓPOLIS

O povo de VIEIRÓPOLIS
Esta m e jogam até bola
Lá tem até sanfoneiro
E tocador de viola
E Zequinha do campo alegre
Trabalha batendo sola

Joaquim Pedro do pinhão
Foi um artista fantástico
Fez espingarda de pau
E botava o cão de plástico
Não vou esticar de mais
Pra não parecer elástico

Pra falar em orador
Com você me emparelho
É Mario de João mutuca
Pregador do evangelho
No tempo que era novo
Concertava radio velho

Inácio Batista tem
Um curtume de alta linha
Amaro Batista neto
Compra e vende galinha
E o Nego Mara valha
É uma pessoa minha

Zezuito é o ciclista
Lá da nossa freguesia
Conta piada de noite
Faz o povo rir de dia
E uma vez inventou
Até fazer cantoria


Já com mel de Jandaira
Eu sei e o povo diz
Pra tirar mel de italiana
Aqui no nosso país
Só tem mesmo João Brejeiro
Aquilo é que é ser feliz

Severino cordonís
Foi o maior caçador
Caçava peba e tatu
E foi grande matador
Acabou com os veados
Que tinha em nosso setor

Até Chico de Nezinho
Que fazia reza quente
Em toda propriedade
Expulsou fera e serpente
Deixou a idolatria
Agora é um homem crente

Lá da vila campo alegre
Leon ido é sacristão
Foi tocador de sanfona
Tocava qualquer canção
Não era Luiz Gonzaga
Mas, era bom de baião.

Chico de Nezinho em casa
Tem posto de gasolina
Antonio de Alexandre
Estuda e é gente fina
Zé de Cândida aprende tudo
Que Mane de Inácio ensina

VIEIROPÓLES no futuro
Pode ser mais promissora
A cidade tem aluno
Diretor e professora
E Jorge de Oberico
Troca e vende vassoura

Lá só não tem um profeta
Mas, até astrólogo tem.
Como Valdomiro Souto
Lá do riacho também
Basta o céu nevoar
Já sabe que a chuva vem


Nós temos doutor Ri Célio
E dona Nazaré Vieira
Não posso esquecer também
O doutor Marcos Pereira
E o Teté de Sebasto
Uma pessoa pioneira

E Helena de Zué
Naquela época passada
Fez perfume e fez remédio
Xarope de raizada
Na química da natureza
Foi cientista formada

São Diogo na verdade
Aquele sitio me amarra
O grande paquerador
É o nosso Zé Bandarra
E Raimundo Gabriel
A inda gosta de farra

Outro que não é ingrato
Eu quero dizer em fim
Do pinhão é Mane gago
Compra coco no bom fim
E ainda bota a mão no fogo
Por todo político ruim

Nós temos doutora Eva
Que é uma advogada
É pequena no tamanho
Mas, tem saber a danada.
Faz oposição aos outros
Na câmara verse a suada

Paula Xavier Pamplona
Tem teoria e é prático
Terminou o doutorado
E é grande matemático
Alem de ser bom amigo
É um rapas carismático

Políticos e candidatos
Tem firmeza e desempenho
Zé Julho e Olegário
Dois senhores de engenho
E falar em todo mundo
É um prazer que eu tenho


Inda tem Pedro Ferreira
Que aquele ninguém manja
Foi tocador de sanfona
Pesca e vende laranja
E Mane de Inácio de Bila
Diz que vai botar uma granja

E Chiquinho de Tonheiro
Foi da família Ferreira
No tempo que era novo
Gostava de bebedeira
Não tinha tamanho de gente
Mas, era bom de rasteira.

E dá de Antônio Emidio
Que de santa é um devoto
Teve uma eleição que disse
A alguém eu lhe derroto
E perdeu porque errou
Na urna o seu próprio voto

Domingo de Antonio domingo
É um galã com Razão
Tem Zé França e Chico preto
Que matava criação
E Zé branco compra e vende
Jumentos na região

Vicentin de João de Rita
É um grande poliglota
Dinheiro a cinqüenta por cento
Toma a qualquer agiota
Mas, Zé Gabriel já disse.
Quem empresta é idiota

Antonio Felix do riacho
Todo mundo lhe admira
Numa cacimba do riacho
Eu digo e não é mentira
Ele jogou a tarrafa
E pegou uma traíra

O saudoso Antonio Adelino
E dona Nazaré Vieira
E Agripino Fernandes
O fundador dar ribeira
João Chagas e a família
Lopes e também Moreira

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A história do Maior São João do Mundo em Campina Grande

Todos os anos, no mês de junho, Campina Grande (PB) vive o clima de São João, uma das festas mais tradicionais do país.

O vídeo a seguir, produzido pela TV UOL, conta a história de como a festa junina tornou-se o maior atrativo turístico da região. Forró autêntico não precisa de apelação. Lute pela preservação da cultura brasileira de qualidade.

sábado, 18 de junho de 2011

Acalanto de São Pedro

Acalanto registrado em Cunha (São Paulo):

Acordei de madrugada,
fui varrê a Conceição.
Encontrei Nossa Senhora
com dois livrinhos na mão.

Eu pedi um pra ela,
ela me disse que não;
eu tornei a lhe pedir,
ela me deu um cordão.

Numa ponta tinha São Pedro,
na outra tinha São João,
no meio tinha um letreiro
da Virgem da Conceição.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Revolta do Quebra-Quilos


Quebra-Quilos foi uma revolta ocorrida no nordeste do Brasil, entre fins de 1874 e meados de 1875, e que espalhou-se por quatro Estados (Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas). Nesse período havia no seio da população interiorana da Paraíba, um sentimento de revolta com recentes acontecimentos religiosos envolvendo o Estado, a igreja e seguimentos maçônicos, que resultaram na prisão de um Bispo em Pernambuco. Ainda nessa época, o Brasil passou a adotar o sistema métrico decimal, o alistamento militar e, na Paraíba, começava-se a cobrar o "imposto de Chão", para permitir a prática de comércio nas feiras-livres.

Essas medidas não eram bem explicadas à população e a soma delas levou centenas de pessoas, como na revolta do Ronco da Abelha, Os rebeldes, sentindo-se ofendidos em seus sentimentos, deixavam extravasar suas queixas e partiam para a invasão dos povoados, onde saqueavam feiras, quebravam os pesos e outras medidas, queimavam arquivos, soltavam presos, e gritavam "morte aos maçons". Esses fatos ocorreram em Ingá, Fagundes, Areia, Campina Grande, Guarabira e em outras cidades do brejo paraibano.

Sem unidade e sem liderança, a revolta foi logo sufocada. Os protagonistas do desatinado levante, assim como seus exaltados seguidores, foram duramente castigados pelas autoridades. Muitas pessoas foram processadas na capital. Entre estas, o Padre Calixto Correia (vigário em Campina Grande). No entanto, o verdadeiro herói da revolta foi um humilde negro e homem do povo chamado João Vieira. Conhecido como “João Carga D`água”, residia Campina Grande e se tornou famoso pela agressividade com que arremessava os pesos e medidas do sistema. Ele conseguiu fugir após o fracasso do movimento.