sábado, 9 de julho de 2011

Cordel




Tenho o poder
Na palma das mãos
Para desatar os nós
Que me prendem aos cordões
Da fatídica opressão
Dos barões e seus bordéis.

Preciso limpar a sujeira das ruas
Do roubo, o tráfico e prostituição
E livrar o povo dos bordões.

Quero criar um cordel
Para ir além da imaginação
E imaginar o cavaleiro
Montado no corcel
Vencendo a batalha
Contra os coronéis
Para vingar a lei e a ordem
E restituir a razão.

Desato o nó, meu irmão.
O poder que há nos papéis
Liberta o povo
Da ignorância absurda
Por falta de cultura e amor
Estabeleço o prazer em viver
Quem sabe?
Pode haver em mim este dom.


de Cesar Moura por correio eletrônico

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Alemães em Pernambuco

Chã de Estevam foi a denominação de uma espécie de campo de concentração criado a 22 de novembro de 1942, no local onde hoje está situado o município de Araçoiaba, a 60 km do Recife, em terras da Fábrica de Tecidos Paulista, de propriedade da família Lundgren, fundadora das Casas Pernambucanas. Abrigou, até 1945, um grupo de 33 operários alemães e suas famílias, em casas de alvenaria.

Eles eram os empregados dos Lundgren, não sofriam maus-tratos, recebiam metade do salário a que tinha direito se estivessem trabalhando, tinham direito a manter correspondência com parentes na Alemanha e iam à feira sem vigilância ostensiva. As únicas restrições eram o afastamento do trabalho; a proibição de falar alemão e não se deslocar, sem autorização, ao Recife, mesmo que para tratamento médico.

Greve do Cabo


Decretada a 13/12/1966, por mais de dois mil trabalhadores rurais do município do Cabo, foi a primeira greve de trabalhadores brasileiros depois do golpe militar de 1964. Os agricultores, sob a liderança da direção do seu sindicato e com apoio do movimento estudantil, exigiam pagamento de 13º salário, férias e assinatura da carteira de trabalho.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Aurora Pernambucana



A Aurora Pernambucana foi o primeiro jornal de Pernambuco e o terceiro publicado no Brasil. O nº 1 circulou no dia 27 de março de 1821, em formato de 25 x 17cm, com quatro páginas, em papel de linho e impresso na Oficina do Trem Nacional de Pernambuco, no Recife. Antes dele, surgiram a Gazeta do Rio de Janeiro, em setembro de 1808, e a Idade do Ouro no Brasil, publicado na Bahia, no dia 14 de maio de 1811.



Acima do título do jornal há uma pequena vinheta, com o desenho de montanhas, um trecho de praia e, ao fundo, o sol nascente. Logo abaixo do título quatro versos de Luís de Camões:



Depois de procellosa tempestade,

Nocturna sombra, e sibilante vento,

Tras a manhã serene claridade,

Esperança de porto e salvamento.



Foi fundado pelo governador Luiz do Rego Barreto e teve como redator seu genro e secretário do governo, Rodrigo da Fonseca Magalhães, ambos portugueses.



Luiz do Rego Barreto nasceu em Viana do Castelo, em 1778. Seguiu a carreira militar e veio ao Brasil, em 1816, para auxiliar Portugal na luta contra a invasão francesa. Casou-se no Rio de Janeiro com uma brasileira e foi designado comandante/chefe de uma expedição militar, cujo objetivo era combater os revoltosos de Pernambuco, além de ter recebido também a condição de governador. Morreu no Minho, Portugal, no dia 7 de setembro de 1840.



Rodrigo da Fonseca Magalhães nasceu em Candeixa-a-Nova, em 1787. Estudou na Universidade de Coimbra, adotou também a carreira militar, tendo lutado sob o comando de Luiz do Rego Barreto. Por participar de conspirações políticas foi perseguido em Lisboa, fugindo para o Brasil, em 1819, vindo ao encontro do seu ex-comandante. Deixou algumas obras publicadas e morreu em Lisboa, no dia 11 de maio de 1858.



A Aurora Pernambucana circulou ora uma, ora duas vezes por semana e tinha como objetivo a “utilidade pública”. O dinheiro arrecadado com a venda era utilizado para beneficiar “53 meninos indigentes”, educados em artes e ofícios, na Oficina do Trem. Continha, principalmente, notícias dos fatos e acontecimentos políticos, divulgando também correspondências, proclamas e atos oficiais.



O jornal visava, basicamente, “conter o nativismo e o republicanismo dos pernambucanos” e servir aos interesses políticos do governador Luiz do Rego Barreto.



A Aurora Pernambucana parou de ser publicada no seu nº 30, no dia 10 de setembro de 1821.



Depois do primeiro Aurora Pernambucana, Pernambuco já teve três jornais com o mesmo título: um publicado em novembro de 1841, que parou de circular em três semanas, após a edição de apenas dois números; um outro que circulou regularmente de 16 de outubro de 1858 até 17 de dezembro de 1859 e um último que surgiu em 1971.


Exemplares do Aurora Pernambucana publicados em 1858/1859 podem ser consultados no setor de microfilmes, da Fundação Joaquim Nabuco.


Recife, 23 de abril de 2004.

(Atualizado em 20 de agosto de 2009).


FONTES CONSULTADAS:

NASCIMENTO, Luiz do. História da imprensa de Pernambuco (1821-1954). Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1969. v. 4, p. 19-24.


______. Sesquicentenário do primeiro jornal pernambucano. Recife: Associação da Imprensa de Pernambuco, 1971.



COMO CITAR ESTE TEXTO:



Fonte: GASPAR, Lúcia. Aurora Pernambucana (jornal). Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: . Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

SUAPE - O QUE É:


Idealizado em 1968, o Complexo Industrial e Portuário de Suape teve a sua primeira atracação de navio em 1982. O Complexo de Suape é o mais completo pólo para a localização de negócios industriais e portuários da Região Nordeste. Dispondo de uma infra-estrutura completa para atender às necessidades dos mais diversos empreendimentos, Suape tem atraído um número cada vez maior de empresas interessadas em colocar seus produtos no mercado regional ou exportá-los para outros países.

Em 2009, mais de 70 empresas já estavam instaladas ou em fase de implantação no Complexo Industrial, representando investimentos da ordem de US$ 1,7 bilhão. Além da infra-estrutura adequada, essas empresas contam ainda com incentivos fiscais, oferecidos pelos governos estadual e municipal, com o objetivo de estimular a geração de empregos e incrementar a economia regional.

Localização – O Complexo de Suape fica entre os municípios do Cabo e Ipojuca e tem uma localização estratégica em relação às principais rotas marítimas de navegação, conectando-se com mais de 160 portos em todos os continentes, colocando-o em condições de ser o principal porto concentrador do Atlântico Sul.

O Complexo Industrial Portuário de Suape está situado 40 km ao sul do Recife (PE), nos municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho. O porto é a única entrada e saída para toda a Região Nordeste. Um mercado consumidor com 50 milhões de habitantes e um PIB de US$ 110 bilhões.



Suape ocupa uma área extensa de 13.500 hectares de terra. Para garantir um crescimento ordenado e facilitar a administração, o complexo foi dividido em zonas: portuária, industrial, administrativa e de preservação ecológica e cultural.



Extrutura Portuária - Suape opera navios nos 365 dias do ano, sem restrições de horário de marés. Para auxiliar as operações de acostagem dos navios, o Porto dispõe de um sistema de monitoração de atracação de navios a laser, que possibilita um controle efetivo e seguro, oferecendo ao prático condições técnicas nos padrões dos portos mais importantes do mundo.

O Porto já movimenta mais de 5 milhões de toneladas de carga por ano, destacando-se, entre elas, os granéis líquidos (derivados de petróleo, produtos químicos, álcoois, óleos vegetais etc), com mais de 80% da movimentação, e a carga conteinerizada. O Porto pode atender a navios de até 170.000 tpb e calado operacional de 14,50 m. Com 27 km² de retroporto, seus portos externo e interno oferecem as condições necessárias para atendimento de navios de grande porte.

O canal de acesso tem 5.000 m de extensão, 300 m de largura e 16,5 m de profundidade.

Suape conta com um Porto Externo, Porto Interno, Terminais de Granéis Líquidos, Cais de Múltiplos Usos, além de um Terminal de Contêineres.


Empresas instaladas no Complexo até 2009:



Aluminic Industrial S/A
Amanco Brasil S/A
Andaluz Logística e Transportes Ltda.
Arcor do Brasil Ltda.
Atlântico Terminais S/A
Bahiana Distribuidora de Gás Ltda
Braspack Embalagens do Nordeste S/A.
Bunge Alimentos S/A.
Caulim do Nordeste S/A
Cebal Brasil Ltda (Alcan)
Cerâmica Monte Carlo Ltda.
Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga
Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco S/A - CITEPE
Cimec - Cia. Industrial e Mercantil de Cimentos
Concreto Redimix do NE S/A
Condor Nordeste Indústria e Comércio Ltda.
Copagás Distribuidora de Gás Ltda.
Decal Brasil Ltda.
Elite Cerâmica S/A.
Emplal - Embalagens Plásticas
Esso Brasileira de Petróleo S/A.
Estaleiro Atlântico Sul
Filmflex Indústria e Comércio de Embalagens Plásticas Ltda S/A. (Filmplastic)
IGL Industrial Ltda
Komboogie Transporte Ltda.
Liquigás Distribuidora S/A.
Máquinas Piratininga Indústria e Comércio Ltda.
MHAG – Serviços e Mineração S/A
Microlite S/A.
Minasgás Participações S/A.
M&G Polímeros Brasil S.A.
Nacional Gás Butano Distribuidora S/A.
Ogramac Ltda.
Nutrinor Indústria e Comércio de Alimentos Ltda.
Pamesa
Pandenor - Importação e Exportção
Pedreira Anhanguera S/A.
Pedreiras do Brasil S/A.
Pepsico do Brasil Ltda. (Elma Chips)
Pernod Ricard Brasil (Seagram)
Petrobras Distribuidora S/A.
Petróleo Suape Ltda.
Petroquímica Suape S/A
Pousadas do Cabo de Santo Agostinho Empreendimentos Hoteleiros
Quebecor World Recife Ltda
Refresco Guararapes Ltda. (Coca-Cola)
Rexam Beverage Can South América (Lanesa - Latas de Alumínio do NE S/A)
Saveiros Camuyrano Marítimos Ltda.
Senai - Serviço Nac. Aprend. Industrial
Shell do Brasil S/A.
Suape Têxtil S/A.
Suata Serviços e Logística Ltda.
Sapeka Indústria e Comércio de Fraldas Descartáveis do Nordeste Ltda.
Tecon Suape S/A
Temape - Terminais Marítimos de PE
Tequimar - Terminal Químico Aratu S/A
Terranor Indústria e Comércio de Materias Gráficos Ltda.
Termopernambuco S/A.
Texaco do Brasil S/A.
Thor Nordeste Ltda
TOC Empreendimentos Ltda.
TRANSPAZ - Trans. Rodoviário de Cargas
Vitivinícola Cereser LTDA
Wilport Operadores Portuários Ltda.
Windrose - Serv. Marítimos e Representações Ltda.
Work Mariner Ltda.

Fonte:http://www.pe-az.com.br

terça-feira, 5 de julho de 2011

Recife iluminada por lampiões a base de óleo de mamona


Até 1822, as ruas do Recife não tinham iluminação pública de qualquer tipo, só eram iluminadas durante as chamadas grandes noites. Entre estas ocasiões especiais, estavam as festas de final de ano e o nascimento de um príncipe na Côrte, Rio de Janeiro. E o curioso dessa história é que, mesmo sem ter suas ruas iluminadas, todos os recifenses eram obrigados a pagar um imposto para custear a iluminação da Côrte.

O serviço de iluminação pública do Recife foi inaugurado em maio de 1822.
Os lampiões nas calçadas eram alimentados com óleo de mamona, que a população chamava de óleo de carrapateira. Os recifenses continuaram pagando o imposto para custear a iluminação do Rio de Janeiro até 1827, ano em que o governo decidiu que o arrecadado com o tributo passaria a ser aplicado na Capital da Província.

Em 1857, os lampiões da cidade passaram a utilizar como combustível o óleo de peixe, o que melhorou o desempenho da iluminação. Os postes ainda eram poucos, dezenas deles, mas o suficiente para que a população se orgulhasse do serviço que deu vida noturna a cidade.

Gasômetro de São José é inaugurado em 1859

A 26 de abril de 1856, dois comerciantes (Felipe Lopes Neto e Hény Gibson) e o engenheiro Manuel Barros Barreto se associam e firmam, com o governo, um contrato para instalação de gás no Recife, que seria fornecido por combustores, com luz equivalente, em densidade, a dez velas de espermacete.

Eles teriam o direito de explorar o serviço por trinta anos, mas não chegaram a concretizar seus planos. Transferiram o contrato para a empresa Roston Roocker & Cia, que também desistiu e repassou o projeto para a empresa Fielden Brothers.

Foi esta última empresa que concretizou a novo serviço de iluminação do Recife. Iniciou as obras de instalação de um gasômetro, no bairro de São José, e depois construiu o encanamento e instalou os combustores. O tão esperado gasômetro foi inaugurado a 26 de abril de 1859.

O sistema de iluminação pública do Recife, a gás carbônico, foi inaugurado, festivamente, um mês depois (26/05/1859). Naquela ocasião, a cidade já dispunha de 1.037 lampiões e a iluminação tornou-se bem mais potente.

Estação de trem e mercado, dois nobres pontos de luz

Antes mesmo que o Recife ganhasse o serviço de iluminação pública por energia elétrica, dois pontos da cidade já dispunham desse tipo de iluminação: a Estação Central, da rede ferroviária, e o Mercado do Derby, este construído pelo empresário Delmiro Gouveia que, mais tarde, seria o pioneiro na exploração do Rio São Francisco para a geração de energia.

A luz vinha de geradores e apareceu pela primeira vez em 1890, na estação ferroviária, atual Museu do Trem, que também estendeu o benefício para a pequena praça que ainda hoje existe em frente ao seu prédio.

Já o Mercado do Derby, que funcionou onde hoje fica o quartel da Polícia Militar, no Derby, foi inaugurado em 1898. Era uma espécie de precursor dos atuais shoppings, num imponente prédio onde se vendia de tudo, de carne, artigos importados, verduras, até gelo ou jornais.

E com uma grande atração: luz elétrica, que proporcionou aos comerciantes estenderem o horário comercial de suas lojas até às 8h da noite. Na frente do mercado, foi criada uma área de lazer, onde as festas para crianças e adultos, realizadas à noite, atraíam multidões. Era o ponto mais concorrido do Recife.

O Mercado do Derby (ou Mercado Modelo Coelho Cintra, seu nome oficial) foi destruído por um incêndio, na madrugada de 01 de janeiro de 1900. Dizem que o incêndio foi criminoso e que os seus autores foram os inimigos políticos de Delmiro Gouveia, na época chefiados pelo vice-presidente da República, o pernambucano Rosa e Silva.

O prédio ficou abandonado até 1909, quando foi recuperado e passou a abrigar a Escola de Aprendizes de Artífices. Tempos mais tarde, o edifício do velho mercado virou quartel da Polícia Militar. Quartel que ainda hoje existe no local.

Olinda pioneira

Antes mesmo do Recife, Olinda foi a primeira cidade do Nordeste brasileiro a contar com um sistema de iluminação pública através de energia elétrica. O fato aconteceu a 14 de julho de 1913, quando a Companhia Santa Tereza (Empreza de Illuminação Electrica e Abastecimento D?Água da Cidade de Olinda) inaugurou esse serviço na cidade. Até então, Olinda contou apenas com iluminação a gás, sistema também gerido pela Companhia Santa Tereza, de propriedade do empresário Claudino Coelho Leal.


Energia elétrica põe fim aos bondes puxados a burros

A 27 de outubro de 1913 é assinado o contrato, entre o governo estadual e a empresa The Pernambuco Tramways and Company Limited, para implantar os serviços de iluminação pública e residencial no Recife. A partir de então, gradativamente a cidade passou a ser iluminada, mas seria somente no ano seguinte, com a inauguração do serviço de bondes elétricos, a 13 de maio de 1914, que a cidade teria luz elétrica em larga escala.

O bonde, transporte coletivo da época, também era explorado pela Pernambuco Tramways, deu novo impulso ao desenvolvimento da Capital e circulou até o final da década de 1950.

No tempo em que o transporte coletivo puxado a burros foi aposentado, havia máquinas geradoras de energia elétrica para abastecimento da rede de bondes, à base de 500 volts, e duas estações rebaixadoras de corrente: uma na Rua Gervásio Pires e outra na Rua das Graças.

Essas estações transformavam a corrente alternada em contínua e, com o sistema já implantado, foi fácil adaptar o fornecimento de energia elétrica para as residências, substituindo a luz do gás carbônico. A energia era gerada por uma termelétrica, construída nas proximidades da Estação Central, com turbinas a vapor, movidas inicialmente a carvão e, depois, a óleo.

O banco de transformadores de corrente ficava na Rua do Sol e a rede de distribuição tinha postes de madeira e de ferro. A corrente fornecida pela usina era de 220 volts mas, como o serviço não era perfeito, em alguns lugares da cidade não chegava nem a 180 volts. Nestas áreas, a iluminação era fraca e o rádio tocava baixinho, como se fosse um rádio com pilhas fracas.

Apesar dos problemas técnicos iniciais, esse primeiro sistema de iluminação pública à base de energia elétrica deu grande contribuição ao desenvolvimento do Recife. E continuaria sendo utilizado até mesmo depois da chegada da energia do São Francisco, para reforçar o abastecimento da cidade.

Tem início em Pernambuco a era das hidrelétricas

O Recife passou a contar com energia elétrica gerada pelo Rio São Francisco no dia 01 de dezembro de 1954, às 06h da manhã, quando a Companhia Hidroelétrica do São Francisco-Chesf ligou o primeiro circuito para alimentar a rede da capital pernambucana.

A energia vinha da Hidrelétrica de Paulo Afonso, que acabara de ser construída em território baiano e que seria inaugurada oficialmente a 15 de janeiro de 1955, com a presença do então presidente da República, João Café Filho.

Naquela época, a cidade era iluminada pelo sistema da Pernambuco Tramways, através de termelétrica, que já não conseguia atender as necessidades dos consumidores. Daí, a chegada da energia elétrica de Paulo Afonso (que também passou a iluminar a cidade de Salvador e outras regiões do Nordeste) ter sido celebrada com festas.

Mas, houve problemas, também. Com a usina ainda em fase de testes, o governo levou a energia da Chesf para outras cidades, o sistema apresentou falhas e vieram os protestos.

Foi nessa fase, por exemplo, que a população da cidade de Jaboatão saiu às ruas para protestar contra os apagões programados por um rigoroso plano de racionamento, adotado pelas autoridades enquanto as falhas no sistema de transmissão eram reparadas. (Veja o texto População de Jaboatão foi às ruas para impedir apagões).

Quando o Recife foi iluminada pela energia de Paulo Afonso, já haviam passados 41 anos da primeira experiência de utilização das águas do Rio São Francisco para a produção de energia elétrica.

O pioneiro desse sistema foi o empresário cearense Delmiro Gouveia, que em 1913 inaugurou, no penhasco da cachoeira de Paulo Afonso, na margem alagoana do rio, uma pequena hidrelétrica, para mover uma fábrica de linhas de coser e iluminar uma vila operária, instaladas por ele na localidade de Pedras (AL), a 24 km dali.

Pernambuco já foi atingido por apagões

Nos últimos 15 anos, os pernambucanos presenciaram, pelo menos, dois grandes apagões acidentais. Um deles ocorreu em 1987, quando o Estado ficou totalmente às escuras por cerca de três horas. Mas, o blecaute que mais danos causou ao Estado ocorreu em agosto de 2000 e foi parcial.

Atingiu apenas os municípios de Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Escada, deixando um prejuízo de R$ 8,5 milhões a cerca de 40 indústrias que operam no Complexo Industrial Portuário de Suape e demais áreas afetadas. Na ocasião, a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) classifiou o incidente como o maior apagão dos últimos dez anos em Pernambuco.

Tudo aconteceu às 18h03m da quinta-feira 24 de agosto de 2000, quando o rompimento de um cabo na linha de transmissão da Chesf interrompeu o fornecimento de energia na área sul da Região Metropolitana do Recife e algumas cidades da Zona da Mata.

O apagão durou sete horas e trinta minutos e, de acordo com a Chesf, afetou a vida de 750 mil pessoas. O blecaute comprometeu entre 5% e 7% de toda a carga elétrica do Estado. Para contornar o problema, a Chesf utilizou 30 homens numa operação de emergência e o abastecimento na área atingida só foi totalmente normalizado à 01h33m da sexta-feira 25 de agosto.

Segundo os técnicos, o rompimento do cabo que gerou o apagão foi provocado por um defeito num esforçador (peça que separa um cabo do outro) instalado num trecho do município de Moreno, exatamente no cruzamento da linha de transmissão de 500 quilovolts que vinha de Paulo Afonso (BA) com outro trecho de transmissão de energia de 230 quilovolts para a subestação de Pirapama.

Ou seja, foi um problema operacional. Apesar de menos abrangente que o de 1987, este último apagão trouxe mais prejuízos para Pernambuco porque ocorreu numa área onde está localizado o pólo industrial do Estado.


População de Jaboatão foi às ruas para impedir apagões


Mesmo antes de 2001 – quando o Brasil se assustou com uma série de apagões promovidos pelo Governo para forçar a população economizar energia -, Pernambuco já havia convivido com o racionamento de energia elétrica através de apagões programados. Aconteceu em 1954 e provocou todo tipo de reação. Em Jaboatão, a população foi às ruas e impediu que a Companhia energética desligasse as luzes da cidade.

A empresa que abastecia o município era a Pernambuco Tramways, sediada no Recife. Com a capacidade de produção esgotada e, para evitar o colapso na Capital, a concessionária adotou uma série de medidas restritivas, sendo a principal delas a suspensão temporária da energia enviada para Jaboatão.

O racionamento entrou em vigor no início de novembro e, diariamente, Jaboatão ficava três horas às escuras, entre 17h30m e 20h30m. O corte era feito por um funcionário da empresa, na localidade de Volta do Caranguejo, no distrito de Socorro. Apesar dos transtornos causados, os primeiros dias de apagões foram encarados com serenidade pela população.

Um mês mais tarde, quando a Pernambuco Tramways passou a receber energia gerada pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco-Chesf e, mesmo assim, não suspendeu o racionamento, os ânimos se exaltaram.

A situação azedou de vez no dia 12 de dezembro, quando dezenas de pessoas se dirigiram à Volta do Caranguejo, dispostas a impedir a interrupção do fornecimento de energia. Sem condições de enfrentar a multidão, o funcionário encarregado de desligar a rede desistiu de sua tarefa e, naquela noite, não houve apagão na cidade.

A mobilização popular prosseguiu nos dois dias seguintes, exatamente da mesma forma. Mas, como não havia mesmo energia suficiente, tudo terminou com um acordo: o apagão foi reduzido para apenas uma hora, entre às 17h30m e 18h30m. Ao justificar os protestos, a população de Jaboatão indagava: por que os apagões no mesmo momento em que o governo festejava a conclusão da primeira grande hidrelétrica da Chesf, que iria iluminar todo o Nordeste?


O problema era que a Usina de Paulo Afonso ainda operava em caráter experimental e, toda vez que ocorria algum problema nos geradores ou na linha de transmissão entre Paulo Afonso e a subestação do Bonji, a Pernambuco Tramways era obrigada a operar somente com a sua já defasada termelétrica e o racionamento era inevitável. Os apagões, também.

Detalhes curiosos: a atitude dos moradores de Jaboatão foi considerada ousada porque ocorreu num dia em que o presidente da República, Café Filho, permaneceu seis horas no Recife, inaugurando obras, o que não inibiu o povo de ir às ruas.

O país vivia uma grave crise política, desencadeada pelo suicídio de Getúlio Vargas.

As autoridades não se entendiam sobre a tarifa de energia a ser cobrada pela novata Chesf. E, diferentemente do que ocorreu em 2001, o Nordeste não estava ameaçado de blecaute. Pelo contrário, iniciava a sua fase de grande gerador de energia, através de modernas hidrelétricas no Rio São Francisco.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pernambuco criou 63 municípios em apenas duas canetadas

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pernambuco é um dos Estados brasileiros que menos criaram municípios, nos últimos 30 anos. Mas, nem sempre foi assim. Recuando um pouco mais na História, é fácil descobrir que os pernambucanos também já tiveram muita sede por emancipação de Distritos. Em duas canetas, por exemplo (uma em 1928 e outra em 1963), nada menos do que 63 Distritos foram elevados à categoria de Cidade no Estado.

E essas duas canetadas não ficaram restritas a uma ou outra região: elas envolveram Distritos localizados em todo o território estadual, do Litoral ao Sertão. Em 1928, através da Lei Estadual nº 1.931 (de 14 de novembro), foram emancipados 23 Distritos assim distribuídos: 05 no Sertão, 11 no Agreste e 07 no Litoral-Mata. Já em 1963, através da Lei Estadual nº 4.983 (de 20 de dezembro), as emancipações beneficiaram 40 Distritos, sendo 12 no Sertão, 19 no Agreste e 09 no Litoral-Mata.

Nessa curta reportagem, o Pernambuco de A-Z não pretende discutir os argumentos de quem é contra ou a favor da criação de novos municípios. O objetivo, aqui, é apenas historiar o que vem ocorrendo em Pernambuco e fornecer subsídios para estimular o debate num Estados que, passados quase meio século daquela canetada de 1963, tem um total de 185 municípios, sendo que as últimas emancipações (as de Santa Filomena, Manari e Casinhas) ocorreram em 1997.

Entre os municípios emancipados em 1928 estão vários que se transformaram em importantes polos de desenvolvimento, como por exemplo Arcoverde (em 2011 um centro comercial, com mais de 70 mil habitantes) e Araripina (integrante do polo gesseiro do Estado e onde vivem hoje cerca de 80 mil pessoas). Outros, ao contrário, pouco evoluíram, como é o caso de Palmerina que, passados 83 anos, tem uma população que não chega a 10 mil habitantes e 6.820 eleitores.


Foto de Arcoverde


De todos os municípios emancipados em 1963, ainda hoje (2011) nenhum pode ser considerado como cidade importante. Praticamente todos continuam com uma economia pouco representativa no conjunto do Estado e mais de uma dezena deles continua, 48 depois, com população inferior a 10 mil habitantes. São exemplos: Itacuruba (4.369 habitantes), Ingazeira (4.496) e Solidão (5.744 habitantes). O mais populoso entre todos é Passira, com 28.664 habitantes (IBGE-2010).

Veja, a seguir, a relação dos municípios emancipados em 1928 e 1963:

1928: Agrestina, Aliança, Araripina, Arcoverde, Belém de São Francisco, Belo Jardim, Carpina, Catende, Custódia, Jurema, Lagoa dos Gatos, Macaparana, Maraial, Orobó, Palmeirina, Ribeirão, São Caetano, São Joaquim do Monte, São Vicente Férrer, Serrita, Surubim, Vertentes e Vicência.

Foto de Araripina


1963: Afrânio, Brejinho, Buenos Aires, Caetés, Calçados, Calumbi, Camutanga, Capoeiras, Cedro, Chã de Alegria, Cumaru, Feira Nova, Ferreiros, Frei Miguelinho, Iati, Ibimirim, Ibirajuba, Iguaracy, Ingazeira, Itacuruba, Itaíba, Itaquitinga, Lagoa de Itaenga, Machados, Orocó, Paranatama, Passira, Primavera, Sairé, Salgadinho, Saloá, Santa Maria do Cambucá, Santa Terezinha, São Benedito do Sul, Solidão, Tacaimbó, Terezinha, Tracunhaém, Trindade e Tupanatinga.

Foto de Tracunhaém

sábado, 2 de julho de 2011

O DIA EM QUE LAMPIÃO ENFRENTOU JOHN WAYNE



Amanhecia. Um belo dia de céu azul sem nenhuma nuvem. Daqui a pouco o sol estará totalmente fora da serra. A noite fora fria, mas o dia prometia muito calor na pequenina Coité da Serra, perdida no Sertão seco e árido de Pernambuco. Hora para os cangaceiros, à frente Virgulino Ferreira, tomarem de surpresa a cidade. Nenhum aviso nem de um lado de do outro. Naquele momento Coité dormia depois de uma noite de absoluta tranqüilidade.Mas em cada esquina, a cabeça, depois o corpo todo suado e carregado de coisas, os cangaceiros. Eles iam surgindo de três em três caminhando com cautela e de arma na mão.Os moradores dormiam a sono solto.

Ninguém para testemunhar a invasão dos cabras de alparcatas comandados por Lampião. Pisavam de mansinho, olhos arregalados e ouvidos atentos. Pelo jeito de seus rostos vinham de longe. Cada passo era medido e todos em silêncio. Falar só o gestual. Em cada mão o rifle e o dedo no gatilho pronto para qualquer emergência. Na outra rua, o grupo que caminhava com Lampião permanecia atento cobrindo o chefe como se fosse uma criança. Mesmo assim Lampião, que vinha mais atrás, não largava o parabelum engatilhado.No pátio coberto de relva já amarelecida pastavam alguns animais domésticos. Bois magros e bodes espertos.De repente, um cachorro vira-lata atravessa aos pinotes no meio da rua, latindo. Talvez assustado com a presença dos homens estranhos e silenciosos.

Os cabras quando viram o cachorro cada vez mais afoito puseram o dedo no gatilho pronto para abrir fogo. O animal ficou só rosnando e se defendeu correndo ladeira abaixo. Bastou um dos homens de Lampião bater o pé. Passado o susto continuaram a marcha lenta e cautelosa. No fim da primeira rua descobriram o bar. A porta estava ainda fechada. No alto uma placa desbotada indicava: "bar Ponto Alegre". Na frente, o salão com as mesas e lá atrás as de bilhar. Os homens se encontravam ali com as mulheres. Era o baixo meretrício da cidade, depois ficaram sabendo.Lampião deu o sinal verde e todos de uma só vez estavam na rua principal, em cima do "Ponto Alegre". Na outra rua, a barbearia do seu Nozinho. Adiante, a farmácia de Odilon, também proprietário da "Funerária Adeus Amigos". A esta altura os bandidos se juntaram no pátio aguardando a abertura do bar. A sede e a fome amoleciam aqueles corpos fortes e rudes carregando armas e apetrechos comuns a eles. Mas de cinqüenta quilos no lombo. Alguns exaustos se sentaram no chão. Outros ficaram de pé seguindo o chefe.No céu azul algumas aves à procura dos alimentos. O sol estava alto. As primeiras janelas foram abertas timidamente. As pessoas quase apareciam ao mesmo tempo, mas recuavam ao ver o movimento inusitado de cangaceiros na rua. Há anos passaram por Coité da Serra alguns cabras de Lampião. Mas de passagem apenas.

No ar, os sons dos sinos da Matriz chamando os fiéis às orações. Porém poucos se atreviam diante do pessoal armado.

O bar, finalmente, abriu. Os cangaceiros se movimentaram rápidos. Quem estava sentado pulou de pé. Sempre com o fuzil na mão. Todos se dirigiram ao "Ponto Alegre". Água e comida, a primeira ação dos forasteiros. O bar rapidamente se encheu de homens mal cheirosos e famintos.Seu Cardoso, dono do estabelecimento, recebeu os cangaceiros com muita gentileza. Chamou Tiãozinho e ordenou alimento e água para o pessoal de Lampião. Pão, queijo de coalho, ovos, salame, conhaque e muita água da jarra, recomendou. A algazarra era grande. Coité da Serra jamais ouviu tanta gritaria. A Cidade agora pertencia aos cabras de Lampião. "E tiro só se houver precisão!" - Avisou o Capitão.

Comeram e beberam fartamente. Uns pegaram cigarro e inundaram o salão de fumaça e cheiro de álcool. A cachaça foi servida em abundância.A delegacia de polícia não abriu as portas. Os dois únicos soldados que passaram a noite de plantão foram embora - informaram. O Capitão não gostou dessa história e mandou que cinco de seus cabras fossem buscar os soldados fujões. Custasse o que custasse. E justificou a ordem: "macaco sorto não pode ficar. É armadia!" E saíram os cangaceiros atrás dos soldados. Outros ficaram ainda no bar comendo e bebendo à vontade.Lá fora, os comentários no pé do ouvido não eram poucos. Quase ninguém na rua. Os moradores cedo devem ter saído pelos fundos de suas casas com medo de violência.

Só depois do meio dia chegaram os cabras com os dois soldados amarrados, na presença do Capitão. Depois de ouví-los, ordenou: "Bota esses dois frouxos no xadrez, sem roupa, e traga a chave pra gente!" E falou mais uma vez: "Macaco sorto é causo de baruio. E como tamo aqui sem fazê baruio deixa os home no xilindró."Os cangaceiros saíram com os presos. Lampião e seu bando deixaram o bar prometendo retornar à noitinha pra conhecer as mulheres e os homens valentes do lugar.

Anoitecia quando Lampião e seus homens retornaram para o "Ponto Alegre". Antes, Virgulino passou pelo velho cinema que só funcionava duas vezes por semana, e era a alegria de boa parte da população. Quando chegou ao Cine Rex despertou a curiosidade o filme anunciado. Um faroeste com John Wayne. Não resistiu e avisou para seu lugar-tenente: "De noite vô vê esse caubói!".E saiu com seus cabras em direção ao bar. Sentaram-se, pediram conhaque e ficaram ali conversando enquanto planejavam a viagem de madrugada que iam fazer aos sertões de Alagoas.

Bem em frente ao Cine Rex Lampião parou. Muitas pessoas, inclusive meninos entravam tranqüilamente sem pensar nos cangaceiros que invadiram a cidade. Lampião entrou com alguns dos seus cabras. O filme começou com John Wayne brigando, dando tiros, quebrando tudo para prender os bandidos. O público vibra. Chegam a bater palmas. Lampião e os cangaceiros não desviam a atenção da tela.

De repente, a cena se transforma. É Lampião e John Wayne se enfrentando num duelo de vida e morte. Lampião de punhal na mão não teme a pistola. Um avança contra o outro. Tiros. Cavalo correndo. Tumulto. Lampião derruba o caubói. A poeira sobe. Os cavalos relincham. Um inferno dantesco.

Nesse exato momento, um cangaceiro que estava sentado ao lado de Lampião percebendo que o chefe dormia, bate no seu ombro e fala: "Capitão, capitão, acorda. O filme acabou. Tá na hora de agente preparar a viaje".

O chefe acorda assustado, já com a mão no parabelum, ainda sob o efeito do sonho que tivera com John Wayne, o mais famoso mocinho do cinema, matador de índios e bandidos, mas não de cangaceiros. O pessoal que estava no cinema saía comentando as façanhas de John Wayne com os fora-da-lei de Tombstone. Perdera o bonito cavalo branco, mas ganhara o amor de Mary, a garota mais bonita filha caçula do xerife Tom Bolling.

Antes do amanhecer Lampião deixa Cuité da Serra, com seus companheiros para nova caminhada em direção do sertão alagoano, mas ainda pensando no sonho que tivera no cinema.Coité da Serra ficou para trás. Calma e sonolenta à espera de outro dia sem cangaceiros.


(Texto de Fernando Spencer, cineasta, crítico de cinema e escritor pernambucano.

A charge é de Gilvan Lira. Publicados no Jornal Cultural "O Galo", da Fundação José Augusto, Natal/RN., em fevereiro de 1997)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Eu já fui assim

A atriz Geninha da Rosa Borges no elenco do Teatro de Amadores de Pernambuco, antes de uma apresentação da peça “O Leque de Lady Windmary”, Recife, 1943.

Joaquim Francisco, ex-governador de Pernambuco, em foto reproduzida pela imprensa pernambucana em 1975. Não há referência quanto a data em que a foto foi realizada.



O hoje compositor Lenine em 1981, quando ainda era estudante de química industrial no Recife, mas já dava seus primeiros passos no música, tendo participado da 3ª eliminatória do Festival da Música Popular Brasileira, promovido pela TV Globo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quais são os seres mais velhos do mundo?


-Bactéria:

O campeão dos campeões é a bactéria Bacillus permians, encontrada no Novo México em 1999: 250 milhões de anos. Ela estava encapsulada em um pedaço de rocha de sal e foi ressuscitada em laboratório. Quando essa bactéria nasceu, o planeta atravessava uma grande extinção em massa, que acabou com 70% das espécies terrestres e criou as condições para o surgimento dos dinossauros.

-Planta terrestre:

Em terra, o vegetal mais idoso é um arbusto da espécie Lomatia tasmanica, que fica na Tasmânia (Austrália). Trata-se de uma planta rara, que tem 3 pares de cromossomos, é estéril e só se reproduz por mudas. Em geral, cada indivíduo vive 300 anos, mas a maior colônia conhecida data de 43 000 anos atrás, quando nossa espécie estava chegando à Europa, onde se encontraria com os neandertais.

-Planta aquática:
Entre os vegetais, ninguém bate a gramínea Posidonia oceanica, encontrável no fundo dos mares de Ibiza, no Mediterrâneo. No ano passado, pesquisadores americanos e portugueses descobriram que uma colônia da planta, com 8 km de extensão, está viva há 100 000 anos, a época em que o Homo sapiens só existia nas savanas africanas. A poluição tem diminuído as colônias dessa espécie em 3% ao ano.

-Animal:

No reino animal, o recorde fica para um espécime do molusco Arctica islandica. O maior ancião da espécie, encontrado na Islândia em 1868, morreu com 374 anos – ele estava vivo em 1512, quando Michelangelo terminou de pintar o teto da Capela Sistina. O Arctica é seguido de perto por Adwaita, uma tartaruga de Galápagos que morreu aos 256 anos, e por uma baleia branca que viveu por 245 anos.