Conversei com o artesão Edivaldo que trabalha com o barro transformando em arte sacra, e produz belos santinhos que estimulam a fé Cristã, mas que também preserva a mais pura arte nordestina. Edivaldo veio de Goiana-PE para morar em Tracunhaém com seu irmão Manuelzinho de Tracunhaém (de camisa verde) e foi com ele que aprendeu muitas coisas na arte do Barro e na vida.
Edivaldo me ensinou que o barro que trabalha vem uma parte de Cupiçura na Paraíba, outra do Cabo de Santo Agostinho e por fim outra parte é aproveitada da região, porém servindo apenas para misturar aos primeiros, pois não é um barro muito limpo.
Lembra com carinho do artesão Zé do Carmo de Goiana, que tinha seu atelier em frente ao Buraco da Gia em Goiana (aí eu lembro seu Luiz com seu caranguejo gigante, servindo as bebidas na boca do cliente) que muito lhe ensinou na arte do barro. O endereço do atelier de Edivaldo é Rua Antonio Felipe de Souza. o5,Centro, Tracunhaém, e o telefone para quem quiser adquirir as suas peças é (81)9626.0451.
Logo mais agente vê uma bela imagem da velha igreja de N.S do Rosário dos Homens pretos, uma relíquia de séculos passados que demonstra o cuidado que esta cidade tem com o seu passado. Um pouco mais adiante, a modernidade, na arquitetura da igreja de Santo Antônio, o que demonstra que o passado e o presente em Tracunhaém caminham de mãos dadas em direção ao futuro. Uma praça belíssima, que expõe com orgulho a sua cultura, que serve de cenário e exposição de alguns artesãos.
Era uma viagem curta e Tracunhaém era apenas uma passada para tirar umas fotos do artesanato local, uma vez que meu principal objetivo na viagem eram os Maracatus de Nazaré da Mata, distante 5 km. Cheguei às duas da tarde imaginei que logo mais á noite terminaria minha tarefa, e dormiria em Nazaré uma vez que pensava que logo fotografaria alguns artesãos e faria um registro legal da cultura local.
A cada click na máquina era uma surpresa, e uma imensa alegria. Primeiro com a qualidade do artesanato de Barro, com a habilidade de seus artesãos em lidar com a argila, e o conhecimento que estas pessoas possuem da natureza, e a sua sensibilidade para com as artes de uma forma em geral. Fui descobrindo coisas, que alguns se dividem entre o artesanato e a agricultura. Que as famílias se envolvem diretamente nesta empreitada, e cada uma ajuda como pode. As mulheres produzem e seus maridos comercializam, ambos produzem e vendem. Os filhos divulgam a arte de seus pais de alguma forma, e lhes ensina a lidar com tecnologias modernas como celulares e internet, para vender mais e prosperar em um mercado, cuja dificuldade maior, descobri ouvindo todos é a divulgação. O governo estadual e o município fez investimentos, agente vê na foto, um espaço construído para abrigar a produção da região. Aí era para estar o artesanato de Tracunhaém, o bordado de Passira a tapeçaria de lagoa do Carro etc... Mas tudo para, quando a divulgação não alcança, ou não atrai o turista para comprar a produção da região.
A comercialização é feita para os lojistas da casa da cultura no Recife, que compram o ano inteiro, apesar de promover uma concorrência enorme, e baratear preços. O inverno é difícil, o turista se afasta, mas agora é Setembro, é verão, e as esperanças se renovam, pois é a época de grandes negócios. Vem Gente de Brasília, São Paulo, do Rio de Janeiro, Santa Catarina do Paraná e de toda a região Brasileira, para comprar o belíssimo artesanato de Tracunhaém. E você já foi lá? Tem uma peça artesanal de lá, em sua casa? Se não ainda esta em tempo. Fica pertinho, cerca de 70 km do Recife, você vai amar Tracunhaém, seu artesanato, sua gente, sua cultura, sua história. Lembra que eu disse que seria fácil registrar a cultura do artesanato de Tracunhaém? Descobri que ela representa muito mais para a cultura de Pernambuco, que não tem apenas o artesanato de Barro como sua maior referencia cultural, e para este passeio por esta tão representativa cidade Pernambucana, eu lhe convido a fazer durante toda esta semana, em nossa revista eletrônica na internet.
Resultado, cancelei a visita a Nazaré, deixei para outro dia, pois fiquei preso, seduzido e encantado com Tracunhaém por dois dias. Vamos Lá?
No dia 11 de abril de 1983, às quatro da tarde, na casa do poeta, em Sertânia, Pinto do Monteiro gravou entrevista — ainda inédita — concedida a Djair de Almeida Freire, acompanhado do cantador Gato Velho.
Eis os principais trechos, transcritos e editados por Maria Alice Amorim:
"Severino Lourenço da Silva Pinto Monteiro, nasci em 1895, a 21 de novembro, a uma da madrugada, assim dizia a velha minha mãe. Batizei-me a hum de janeiro de 1896, pelo Pe. Manuel Ramos, na vila de Monteiro. Nasci na rua, mas morava em Carnaubinha. Com sete anos de idade, em 1903, fui para a fazenda Feijão. Saí de lá em 1916, 30 de junho. Meus avós eram da Itália, quando chegaram por aqui se misturaram com sangue de português. Esse Monteiro é parente dos Brito, eu sou parente dos Brito.
Com Antônio Marinho, eu nunca viajei para canto nenhum. Fiz várias cantorias com ele. Quando eu andava por aqui, cantava com ele. Quando eu morava em Vitória de Santo Antão, ele mudou-se para Caruaru. Eu vim, cantei com ele, levei ele a Vitória. Passou uma semana comigo. Lá, ele não andou mais. Levei ele uma vez ao Recife. Não cantou, adoeceu. Eu cantei muito foi com João da Catingueira, sobrinho de Inácio. Sete anos sem cantar com outro. Com Lino, fiz poucas viagens. Com Joaquim Vitorino, eu viajei mais, mais, e foi muito. Fui para Alagoas, Pernambuco, Recife, Piancó. Cantei com Zé Gustavo, no Arruda. Assis Tenório, eu viajei coisinha pouca, somente aqui, em Afogados. Cantei com ele em Pesqueira, Garanhuns, Caetés. Zé Limeira, eu cantei muitas vezes com ele.
Zé Pretinho, só ouvi falar por aquela história naquele folheto do cego Aderaldo, nunca conheci, acho que não existiu. Cantei com Zé Pretinho, de Caruaru, que era da Serra Velha. Com João Fabrício, que era também da Serra Velha. Com Aristo, também cantei mais ele muitas vezes. Com Laranjinha, muitas vezes. Zé Agostinho, barbeiro, cantei várias vezes. Agostinho Cajá, cantei mais ele muito, viajei mais ele. Cantei mais no Recife. Muito no Derby, no Savoy, na Câmara de Vereadores. Mnorei no Arruda trinta anos, rua das Moças.
Eu sou com Lourival como o gato com o rato. Cantei com ele no dia 5 de fevereiro (1983 — a cantoria mais recente à época), em Monteiro. Tinha Job, Zezé Lulu, João da Piaba, Zequinha, Zé Palmeira, Edésio Vicente, Zé Jabitacá. Tinha somente os de Monteiro e os de São José do Egito. Tinha Zé de Cazuza Nunes, que é grande poeta. Tinha Manuel Filó. Tinha João Furiba, Zé Galdino. Numa noite chuvosa, tinha mais de trezentas pessoas no clube.
Em certo lugar, chamado Boi Velho, chegou Manoel Filó — grande poeta, porém não usava a poesia —, deu um mote a mim e ao que estava cantando comigo: "O carão que cantava em meu baixio / teve medo da seca e foi embora". Cantei:
Se em janeiro não houver trovoada / fevereiro não tem sinal de chuva / não se vê a mudança da saúva / carregando a família da morada / só se ouve do povo é a zuada / pai e mãe, noivo e noiva, genro e nora / homem treme com fome, o filho chora / se arruma e vão tudo para o Rio / O carão que cantava em meu baixio / teve medo da seca e foi embora".
O genocídio praticado em Ruanda é o evento mais trágico da segunda metade do século passado; todavia, dezesseis anos depois, ele está quase totalmente esquecido. A hecatombe de 1994 deve ser lembrada, estudada, analisada, discutida, porque contém um grande número de lições que nos ajudam a entender melhor nosso tempo. Os massacres de 1994 não são frutos de uma explosão de loucura coletiva, mas a máxima expressão de um ódio muito antigo.
A Ruanda pré-colonial certamente não era um país onde todos gozassem de suficiente dignidade e oportunidade; havia divisões sociais, tribais; as monarquias distribuíam privilégios e riqueza de maneira articulada. Mas os colonizadores – inicialmente alemães e, depois, belgas – tiveram grande responsabilidade na exasperada divisão do país entre dois grupos rivais, os hutus e os tutsis. Em 1932, quando os belgas criaram o documento de identidade étnica, chegou-se a uma situação sem retorno: os twás, além dos hutus e os tutsis, viram-se oficialmente divididos.
Menina ruandesa com as pernas amputadas pela explosão de uma mina
Os colonizadores atribuíram privilégios e cargos de comando apenas a uma restrita elite dos tutsis, despertando o ódio crescente nos hutus. Depois de deixar o país, os colonizadores assistiram à tomada do poder pela maioria hutu, até então oprimida, sem a preocupação de refrear as tensões causadas por sua política criminosa. Durante os anos setenta, quando Juvenal Habyarimana chegou ao poder, um grande número de países ocidentais concedeu ao país enorme crédito político, mas principalmente econômico. O auxílio externo equivalia a 22% do Produto Interno Bruto, com rasgados elogios do Banco Mundial, apesar de Habyarimana reprimir de modo sistemático e duro os dissidentes.
Antecedentes da guerra civil
Cena de destruição e cadáveres espalhados
O envolvimento de potências estrangeiras, e sua conseqüente responsabilidade, foram crescendo cada vez mais. A aceleração na direção do genocídio agravou-se em 1990. A Frente Patriótica Ruandesa, formação político-militar dos tutsis egressos do país após o fim do colonialismo, atravessou a fronteira da Uganda e iniciou a guerra civil. A França se alinhou ao governo de Habyarimana mas, para alimentar o conflito, chegaram também armas egípcias, britânicas, italianas, sul-africanas, israelenses, do Zaire e de outros países. Ruanda, pequeno país, famoso por sua miséria, tornou-se o terceiro país africano na importação de armas. Entre janeiro de 1993 e março de 1994, graças sobretudo a financiamentos franceses, adquiriu da China 581.000 machetes (sabre de artilheiro, com dois gumes), armas impróprias, mas de preço acessível. Nenhuma potência ocidental ou organismo internacional monitorou seu comércio, nem impôs proibições; assim é que, nos mercados de Ruanda, é mais fácil encontrar granadas do que frutas ou verduras.
Acordos de papel
A ONU, a OUA (Organização para a Unidade Africana) e alguns governos resolveram sentar-se com Habyarimana e a Frente Patriótica para discutir um documento elaborado em Arusha, na Tanzânia. Os representantes de cada parte assinaram um articulado Tratado de Paz, que permaneceu apenas no papel. Por outro lado, nenhuma das organizações envolvidas, nem mesmo a diplomacia dos países ocidentais, preocupou-se em verificar o que estava acontecendo de fato. E os dois contendores continuaram a se armar até os dentes.
Em Ruanda, a violência contra os tutsis foi aumentando semana a semana. Algumas partes do Tratado são de fato contraproducentes e nada fazem, senão incitar mais ainda os extremismos. Controlada pelo clã Akazu, ligado à mulher de Habyarimana, a imprensa hostilizou duramente os acordos e gerou um veículo que se tornou tragicamente famoso pelo seu incitamento ao ódio durante o genocídio: a Rádio Mil Colinas. Não obstante este crescimento, a missão dos capacetes azuis (da ONU), enviada a Ruanda para ajudar na implementação dos acordos, foi particularmente frágil.
Sinais ignorados
O general Romeu Dallaire comandava as tropas da ONU. O objetivo era manter a paz, mas, no “país das mil colinas” não havia paz. No dia anterior à sua chegada em Ruanda, o domínio militar tutsi ameaçou o primeiro presidente democraticamente eleito na história do vizinho Burundi, o hutu Ndadaye. Houve confrontos e cinqüenta mil pessoas, na maioria hutu, perderam a vida. Outros fugiram para a Ruanda meridional. Não era o primeiro massacre de hutus causado pelos tutsis do Burundi, e nem o pior, pois, em 1972 foram massacrados pelo menos 200.000, seguido de um presumido golpe de Estado.
A violência, provocada pelos militares tutsis do Burundi, alimentou cada vez mais o ódio dos hutus contra os tutsis de Ruanda. Dallaire entendeu logo o que estava acontecendo: havia urgente necessidade de uma força multinacional, preparada para refazer a ordem, interromper a chegada de armas, garantir a segurança dos civis e dos líderes políticos. Desde dezembro de 1993 até abril de 1994, Dallaire implorou-a outras vezes a seus líderes, à ONU e a quem encontrasse. Não foi ouvido.
Em 6 de abril de 1994, o presidente Habyarimana foi morto, não se sabe por quem. A guarda presidencial, parte do exército e um número enorme de esquadrões da morte, perseguiram os tutsis, conforme um plano bem elaborado. As vítimas do extermínio, segundo estimativas cautelosas, foram quinhentas mil; segundo os maiores críticos, um milhão. Dallaire reuniu outros cinqüenta mil homens, convencido que seriam suficientes para acabar com os massacres.
Mas, na manhã do dia 7 de abril, dez capacetes azuis sob seu comando foram mortos e o Conselho de Segurança (da ONU) decidiu pelo retorno da maioria dos soldados da missão. Dallaire manteve quatrocentos capacetes azuis, quase todos da Tunísia e de Gana. Eles salvaram 25.000 pessoas, mas o genocídio acabou somente quando a Frente Patriótica venceu a guerra civil.
Os soldados tutsis da Frente, bem preparados e disciplinados, não economizaram represálias, ataques a órgãos civis, como hospitais e igrejas. Sua operação não tinha as intenções genocidas dos extremistas hutus, mas os crimes de guerra, pelos quais foram responsáveis, precisam ser duramente condenados.
A retirada
As potências ocidentais, ao abandonarem Ruanda a si mesma, não se cansam de justificar seu comportamento. As mensagens de Dallaire à ONU, levadas ao futuro secretário Kofi Annan, não citaram seus próprios erros, mas afirmavam ter feito todo o possível. O presidente dos Estados Unidos na época, Bill Clinton, que exigira uma intervenção internacional para evitar os massacres, desculpou-se afirmando que não sabia o que se sucedia em Ruanda.
A Bélgica pediu perdão, mas responsabilizou os próprios Capacetes Azuis por tudo. Também acusou o Vaticano e os líderes de outras religiões.
É verdade que muitos líderes da hierarquia religiosa, tanto católica, como anglicana, estavam comprometidos com o regime extremista dos hutus. Porém, naqueles meses, foram mortos 103 padres, 76 freiras e 53 irmãos consagrados.
Os únicos que não pediram desculpas foram o governo e o parlamento francês, que também haviam sustentado os extremistas hutus, até depois da morte de Habyarimana. Comentando uma pesquisa elaborada em 1998, o parlamento de Paris admite algumas falhas, mas insiste que “ninguém fez tanto quanto a França para estancar a violência em Ruanda”.
A atuação da ONU
Sobre as mil colinas de Ruanda morreu a esperança que, com o fim da bipolaridade EUA/URSS, a ONU poderia mostrar ao mundo um futuro de paz. Nos primeiros anos da década de 90, as Nações Unidas se empenharam em dezenas de campanhas pela paz. Foi a melhor demonstração da capacidade do Palácio de Vidro de ser incisivo e eficaz para prevenir situações de crise. Mas não em Ruanda, onde todo otimismo foi sepultado sob montanhas de cadáveres.
Faliram os órgãos responsáveis pelas campanhas, o secretariado geral, o Conselho de Segurança. A Assembléia Geral e a Comissão dos Direitos Humanos nada fizeram. A ONU foi um organismo inútil. A ONU tinha os meios para compreender o que acontecia e sabia como interferir. Poderia prevenir os massacres, se tivesse ouvido os pressentimentos de Dallaire. Poderia interromper ou, ao menos, limitar a violência entre abril e julho de 94, se tivesse enviado reforços que o general pedia com tanta insistência.
Poderia afrontar com eficácia as questões dos refugiados antes que acontecesse “a guerra mundial africana”, se interviesse a tempo, e se utilizasse melhor os recursos econômicos da Instituição para os casos de emergência. O fracasso da ONU em Ruanda foi culpa da irresponsabilidade pessoal de funcionários e de dirigentes. Será inútil pedir sua reforma, sem discutir – abertamente e com transparência –, os comportamentos do seu pessoal.
O genocídio ruandês é um dos piores eventos na história da humanidade. Entre os responsáveis, alguns começam a pagar pelos seus atos. Mas, entre os que podiam interferir para bloqueá-lo e não o fizeram, ninguém se preocupa. Hoje está difícil conseguir a estabilidade em Ruanda. O país está nas mãos firmes de Paul Kagame, desde as vitoriosas eleições do último verão. Ele é o general tutsi que, em 1994, levou a Frente Patriótica à vitória sobre a guerra civil.
Seu governo obteve importantes resultados econômicos e sociais, mas responde por graves violações de direitos humanos, de limitações à liberdade individual. Está ainda envolvido, não tanto como no passado, na guerra que levou à morte outros três milhões de pessoas na República Democrática do Congo. A situação da justiça e as condições de vida nas prisões do país são gravíssimas.
Paz, desenvolvimento, direitos humanos
Há quase dezesseis anos de distância, Romeo Dallaire finalmente contou sua versão a respeito dos fatos, em um livro publicado em outubro de 2003 (Shake Hands With the Devil, Random House, 500 págs). Na conclusão de sua obra, o autor afirma ter repensado sobre o ódio que devastou Ruanda; sobre os milicianos que guerrearam no Congo e sobre a violência terrorista, que é a base dos ataques suicidas, tanto em Manhattan como em Israel.
Segundo o general, este ódio deve ser erradicado e isso só pode acontecer de um único modo: trabalhando contra a pobreza, na defesa dos direitos humanos, fazendo com que – para usar suas palavras – como o século 20 foi o século dos genocídios, seja o século 21 o século da humanidade.
Poderia ser apenas mais um violão, mas aquele me chamou a atenção na cidade de Sertânia no ateliê daquela Senhora. Eliza Freire uma artista plástica da cidade de Sertânia, senhora de fino trato, respondeu sorrindo a minha indagação, sobre aquele violão tão adesivado. Satisfazendo a minha curiosidade e meu faro de blogueiro, que aquele fora o último violão do poeta Pinto do Monteiro. Daí por diante começou a contar esta história, que aqueles que valorizam a cultura popular brasileira, haverão de entender a importância deste poeta na cena da poesia de raiz da cultura Brasileira.
Pinto do Monteiro, era assim chamado, pois nascera em uma cidade chamada Monteiro, que fica na Paraíba, próximo á Sertânia. Havia escolhido este lugar para viver nesta época. Aliás, estes poetas sempre foram andarilhos, tinham costume de viajar muito para mostrar a sua arte, em cantorias organizadas nos oitões das casas, nos sobrados de engenho e nos arruados. Não havia outro modo do cantador ficar conhecido, e Pinto do Monteiro era querido e requisitado demais no Sertão, pois era poeta dos bons e de improviso, a qualquer momento, nunca deixava uma situação sem resposta.
Muitos versos de poetas já falecidos são declamados por pessoas que se "esquecem" de descrever a autoria do soneto, ou poema que acaba de declarar, e isto é um crime contra a autoria. Não acho que versos tão lindos como os de Pinto do Monteiro, e de outros devam ser esquecidos em sua lápide, mas a sua autoria não deve ser negada, e seu nome deve ser repetido com respeito, em qualquer sarau em que a sua obra for lembrada, é uma forma bonita e ética de eternizá-lo no coração dos admiradores de sua obra.
Pinto do Monteiro toda tarde, quando não estava viajando, ia até a budega de Macena, o esposo de Eliza Freire, para tomar uma lapada de cachaça, fazer umas lôas improvisadas e arrebatar alguns trocados dos admiradores de sua poesia. Um dia alguém ofereceu na budega a Pinto do Monteiro uma Viola, e para completar o dinheiro da viola, o poeta acabou vendendo o violão para Macena. Após a realização do negocio, Pinto declarou aliviado de forma improvisada e com a graça peculiar aos cantadores:"- Cumpade eu troquei um homem (violão) em uma mulher (viola) e ainda voltei dinheiro". Este violão Eliza achou entre as coisas de seu falecido marido, e colocou no seu atelier, pois ele lembra a grande amizade que existia entre Pinto do Monteiro e Macena, e esta é mais uma das belas histórias que aconteceram no Nordeste, que este contador de histórias faz questão de lembrar.
Um bom dia para todos, que a graça de Deus, continue abençoando o nosso lar e nosso trabalho!
O Negrinho do Pastoreio é uma lenda afro-cristã. Muito contada no final do século XIX pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular na região Sul do Brasil. A lenda é muito bem descrita por Simões Lopes Neto, no livro Contos Gauchescos & Lendas do Sul. No Uruguai, a lenda também é conhecido como "El negrito del pastoreo".
História
O Negrinho do Pastoreio (ou Fernando Fontão ou Juari) é uma lenda meio africana meio cristã. Muito contada no final do século antepassado pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no sul do Brasil.
Nos tempos da escravidão, havia uma estancieira malvada com negros e peões. Num dia de inverno, fazia muito frio, a fazendeira mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros (ovinos no Uruguai versão) que acabara de comprar. No final da tarde, quando o menino voltou, a estancieira disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. "Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece", disse a malvada patroa. Aflito, ele foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou o cavalo pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o baio fugiu de novo.
Na volta à estância, a patroa, ainda mais irritada, espancou o garoto e o amarrou, nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ela foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. A estancieira se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha.
E depois disso, entre os andantes e posteiros, tropeiros, mascates e carreteiros da região, todos davam a notícia, de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, montado em um cavalo baio.
Então, muitos acenderam velas e rezaram um Padre-Nosso pela alma do judiado. Daí por diante, quando qualquer cristão perdia uma coisa, o que fosse, pela noite o Negrinho campeava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar de sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o livrou do cativeiro e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver.
Desde então e ainda hoje, conduzindo o seu pastoreio, o Negrinho, sarado e risonho, cruza os campos. Ele anda sempre à procura dos objetos perdidos, pondo-os de jeito a serem achados pelos seus donos, quando estes acendem um coto de vela, cuja luz ele leva para o altar da santa que é sua madrinha.
Quem perder coisas no campo, deve acender uma vela junto de algum mourão ou sob os ramos das árvores, para o Negrinho do pastoreio e vá lhe dizendo: "Foi por aí que eu perdi… Foi por aí que eu perdi… Foi por aí que eu perdi…". Se ele não achar, ninguém mais acha.
Agente ligava um pro outro e as pessoas iam chegando, e o pessoal da zona Rural era só sorrisos. Eu sempre digo que fazer a felicidade de alguém custa muito pouco.
Todo momento chegavam pessoas, alguns artistas e outros a fim de tomar uma e dançar. Comecei apresentando os aboiadores Chalega e Dudé, e depois Tota soltou a voz num côco improvisado em um instrumento que mais parecia uma lata, mas a gente nem ligava e entrei na sambada de côco, com Júnior de Railton e com o vaqueiro Railton.
Lá pelas cinco da tarde, a chuva ameaçou de vir, agente foi pra dentro do Bar de Regis e aí começou a tocar a turma do pé de serra, o estrela nordestina, e o pau comeu no forró.
Depois chegou Marcio e Mago dos Teclados e tome dançar agarradinho. No meio da festa tive que desmanchar um babado, alguém tinha dito que a caravana era um pretexto meu para fazer política, pois queria me lançar candidato. Falei sobre o meu total desinteresse em me lançar candidato, mas falei da importância e do compromisso em preservar as raízes da cultura, e que este era meu grande compromisso como artista popular. Não sei se acreditaram, mais ganhei muitos abraços e descansei o coração de alguns amigos presentes que, pretendem ser candidatos em minha cidade.
Ouça a música filho agente não enjeita de cobra cordelista
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Poeta é natural de Recife-PE.
Em 2005 retomou com força a atividade poética, em 2006 voltou a publicar, foram 04 publicações, assumiu sua condição de poeta definitivamente e passa a realizar os shows “Coisas do Sertão” e “Salas de Cordel”, chamando para compor este evento consigo, o violonista Carlinhos.Hoje estes shows acompanhado do projeto Curupira que fundou com a finalidade de arte musical ,ensinando os jovens a tocar e a dançar os ritmos da cultura Pernambucana. Em 2007, foram 08 publicações só no primeiro semestre, em 2008 lançou o livro Estórias de Caboclo para corações pequeninos e o Cd Cordas Coisas do Sertão e o Cordas e cordéis de Recife, e tem por objetivo lançar um DVD com a historia de Jaboatão dos Guararapes com narrativa em cordel, e inaugurar a primeira escola de cultura de Jaboatão dos Guararapes. “A cultura, é uma bela política de inclusão social ,pois um instrumento, um palco, um texto, podem mudar a vida de uma pessoa, pois Deus reparte os Dons conforme á sua vontade , e o artista nasce nos Arranha Céus da cidade e nos becos e Vielas deste País." Cobra Cordelista".