sábado, 11 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Tracunhaém da multiculturalidade!
Tracunhaém tem sete maracatus: O pavão misterioso, O águia misteriosa, Maracatu Estrela, Leão de Ouro, Leão Formoso, Estrela da Serra e Leão misterioso, todos em atividades, e Tracunhaém com todas as condições de ser o segundo pólo dos maracatus em Pernambuco. Porém já foi o primeiro, e esta tradição foi assumida com méritos por Nazaré da Mata, e o povo da região ouvi de muitos agradecimentos a dona Marta de Nazaré da mata, mas que governou Tracunhaém, e a Jaime Correia que já foi prefeito de Nazaré da Mata e hoje é chefe de gabinete do prefeito Elias Gomes de Jaboatão dos Guararapes.
Logos após na foto Biu compositor, um mestre da poesia da composição um talento que merece respeito e admiração. A capacidade deste jovem de criar, declamar e cantar, é muito grande. Tem muito artista fazendo sucesso que nunca compôs uma letra, tem gente fazendo sucesso que não canta nada, é só efeito de estúdio! Mas Biu é especial, e me sinto honrado em viajar muitas cidades, fotografando, filmando e entrevistando artistas da qualidade de Biu compositor. Digo isto por que talvez quem acessa este blog, nunca verá Biu compositor de Tracunhaém, ou Delmiro Barros de São José do Egito, ou José Adalberto de Itapetim, são artista de muita qualidade, e totalmente enraizados na cultura local, que nunca aventuram-se em terras estranhas, mas que fazem um sucesso tremendo em sua região. Tem que ir lá para vê-los.
Meu amigo Ivan do Maracabarro que eu fotografei na Serra do Trapuá, lado do seu sobrinho Rafael. A Serra do Trapuá era a flor do desejo de João Cabral de Melo Neto, onde desejou ser enterrado, na ocasião de sua morte. Gostaria de ter visto a igreja, mas esta impedida de ser visitada. Creio que a Prefeita Cleide Lapa em breve abrirá a igreja para visitação e agente vai lá fotografar.
Ivan é cultura viva, é um jovem cheio de idéias e de esperanças, que luta todos os dias como um batalhador incansável pela cultura, e que de todos os aficionado pela cultura ganhou respeito, inclusive deste caixeiro viajante da poesia, que admira e colabora para o sucesso de pessoas feito Ivan, comprometidas com a cultura popular.
O artesanato de Tracunhaém, memória viva da cultura de Pernambuco!
Eu Conversei com a artesã Nalva, que o povo de Tracunhaém chama de Nau, filha de Inácia já falecida, que também era artesã. Nalva trabalha a arte dos Jardins, as plantas e o artesanato. Ela faz Macramê, estamparia, Pintura e Crochê. O telefone para contato com Nalva (81) 9781.9172, porém se chamar e não atender, insista, pois ela tem pouca intimidade com as novas tecnologias e esquece o telefone, ou de recarregar a bateria, mas seu filho a está ajudando nesta tarefa, e está comprando um notebook para fazer um site, e divulgar a arte da mãe.
O esposo de Nalva muitas vezes é quem atende o telefone, e conversa com os clientes dela, antes era no seu próprio telefone, mas agora convenceu Nalva a usar um celular. As fotos seguintes são do ateliê de Dinho de Zezinho de Tracunhaém, ele não estava presente e por isso não pudemos conversar.
Tracunhaém tem artesãos que são memória da cultura Pernambucana, uma menção honrosa, criada quando era governador de Pernambuco o Sr. Jarbas Vasconcelos, hoje Senador da República, e foram reconhecidos com este mérito em Tracunhaém e recebem uma ajuda financeira significativa um reconhecimento do estado, o artesão Zezinho de Tracunhaém, que trabalha a arte sacra, Maria Amélia que trabalha as Dondocas e Nuca que trabalham os Leões, e assim Tracunhaém deu três filhos imortais para a cultura deste país. Eita cidade arretada!
Peleja de Pinto com Milanês

Severino Milanês da Silva
em vitória de Santo Antão
chegou Severino Pinto
nessa mesma ocasião
em casa de um marchante
travaram uma discussão.
M - Pinto, você veio aqui
se acabar no desespero
eu quero cortar-lhe a crista
desmantelar seu poleiro
aonde tem galo velho
pinto não canta em terreiro
P - mas comigo é diferente
eu sou um pinto graúdo
arranco esporão de galo
ele corre e fica mudo
deixa as galinhas sem dono
eu tomo conta de tudo
M - Para um pinto é bastante
um banho de água quente
um gavião na cabeça
uma raposa na frente
um maracajá atrás
não há pinto que agüente
P - Da raposa eu tiro o couro
de mim não se aproxima
o maracajá se esconde
o gavião desanima
do dono faço poleiro
durmo, canto e choco em cima.
M - Pinto, cantador de fora
aqui não terá partido
tem que ser obediente
cortês e bem resumido
ou rende-me obediência
ou então é destruído
P - Meu passeio nesta terra
foi acabar sua fama
derribar a sua casa
quebrar-lhe as varas da cama
deixar os cacos na rua
você dormindo na lama
M - Quando vier se confesse
deixe em casa uma quantia
encomende o ataúde
e avise a feguezia
que é para ouvir a sua
missa do sétimo dia
P - Ainda eu estando doente
com uma asa quebrada
o bico todo rombudo
e a titela pelada
aonde eu estiver cantando
você não torna chegada
M - O pinto que eu pegar
pélo logo e não prometo
vindo grande sai pequeno
chegando branco sai preto
sendo de aço eu envergo
sendo de ferro eu derreto
P - No dia que eu tenho raiva
o vento sente um cansaço
o dia perde a beleza
a lua perde o espaço
o sol transforma-se em gelo
cai de pedaço em pedaço
M - No dia que dou um grito
estremece o ocidente
o globo fica parado
o fruto não dá semente
a terra foge do eixo
o sol deixa de ser quente
P - Eu sou um pinto de raça
o bico é como marreta
onde bate quebra osso
sai felpa que dá palheta
abre buraco na carne
que dá pra fazer gaveta
M - Eu pego um pinto de raça
e amolo uma faquinha
faço um trabalho com ele
depois pesponto com linha
ele vivendo cem anos
não vai perto de galinha
P - Milanês, você comigo .
desaparece ligeiro
eu chego lá tiro raça
me aposso do poleiro
e você dorme no mato
sem poder vir no terreiro
M - Pinto, agora nós vamos
cantar em literatura
eu quero experimentá-lo
hoje aqui em toda altura
você pode ganhar esta
porém com grande amargura
P - pergunte o que tem vontade
não desespere da fé
do oceano, rio e golfo
estreito, lago ou maré
hoje você vai saber
pinto cantando quem é
M - Pinto, você me responda
de pensamento profundo
sem titubear na fala
num minuto ou num segundo
se leu me diga qual foi
a primeira invenção do mundo
P - Respondo porque conheço
vou dar-lhe minha notícia
foi o quadrante solar
pelo povo da Fenícia
os babilônios também
gozaram a mesma delícia
M - Como você respondeu-me
não merece disciplina
hoje aqui não há padrinho
que revogue a sua sina
se você souber me diga
quem inventou a vacina?
P - Não pense que com pergunta
enrasca a mim, Milanês
foi a vacina inventada
no ano noventa e seis
quem estuda bem conhece
que foi Jener Escocês
M - Sua resposta foi boa
de vocação verdadeira
mas queira Deus o colega
suba agora essa ladeira
me diga quem inventou
o relógio de algibeira?
P - No ano mil e quinhentos
Pedro Hélio com façanha
em Nuremberg inventou
essa obra tão estranha
cidade da Baviera
que pertence a Alemanha
M - Pinto, cantando não gosto
de amigo nem camarada
se conhece a história
Roma onde foi fundada?
o nome do fundador
e a data comemorada?

antes de Cristo chegar
nas margens do Rio Tibre
isso eu posso lhe provar
Rômulo ali fundou Roma
a 15 milhas do mar
M - Pinto, eu na poesia
quero mostrar-lhe quem sou
relativo o avião
perguntando ainda vou
diga o primeiro balão
quem foi que inventou?
P - Em mil seiscentos e nove
Bartolomeu de Gusmão
no dia oito de agosto
fez o primeiro balão
hoje no mundo moderno
chama-se o mesmo avião
M - Pinto estou satisfeito
já de você eu não zombo
mas não pense que com isto
atira terra no lombo
disponha de Milanês
pra ver se ele agüenta o tombo
P - Milanês, você comigo
ou canta ou perde o valor
você me responda agora
seja que de forma for
de quem foi a invenção
do primeiro barco a vapor?
M - Eu quero lhe explicar
digo não muito ruim
a 16 a 87
você não desmente a mim
o inventor desse barco
foi o sábio Diniz Papim
P - Em que ano inaugurou-se
da Europa ao Brasil
a linha pra esse barco
a vapor e mercantil?
Se não souber dê o fora
vá soprar em um funil
M - Foi um navio inglês
que levantou a bandeira
em 18 a 51
veio a terra brasileira
sendo a nove de janeiro
fez a viagem primeira
P - E qual foi a 1a guerra
feita a barco a vapor?
Você ou diz ou apanha
da surra muda de cor
quebra a viola e deserta
nunca mais é cantador
M - Em l8 e 65
a esquadra brasileira
dentro do Riachuelo
içou a sua bandeira
na guerra do Paraguai
foi a batalha primeira
P - Milanês, você comigo
ou canta muito ou emperra
não pode se defender
salta, pula, chora e berra
qual foi a primeira estrada
de ferro, na nossa terra?
M - Foi quando Pedro II
tinha aqui poderes mil
em 18 e 54
no dia trinta de abril
inaugurou-se em Mauá
a primeira do Brasil
P - Milanês, você é fraco
não agüenta o desafio
eu ainda estou zombando
porque estou de sangue frio
me diga quem inventou
o telégrafo sem fio?
M - Pinto, você não pense
que meu barco vai a pique
em mil seiscentos e oito
na cidade de Munique
Suemering inventou
este aparelho tão chique
P - Eu já vi que Milanês
não responde cousa à toa
se ainda quiser cantar
hoje um de nós desacoa
puxe por mim que vai ver
um pinto de raça boa
M - Pinto, o seu pensamento
pra todo lado manobra
mas eu não conheço medo
barulho pra mim não sobra
é fogo queimando fogo
é cobra engolindo cobra
P - Do pessoal do salão
levantou-se um cavalheiro
dizendo: quero que cantem
pelo seguinte roteiro
Milanês pergunta a Pinto
como passa sem dinheiro
M - Oh! Pinto, você precisa
dum palitó jaquetão
uma manta, um cinturão
uma calça, uma camisa
está de algibeira lisa
não encontra um cavalheiro
que forneça ao companheiro
pra fazer-lhe um beneficio
olhe aí o precipício
como compra sem dinheiro?
P - Eu recomendo a mulher
que compre na prestação
um palitó jaquetão
a camisa se tiver
quando o cobrador vier
ela esteja no terreiro
eu fico no fogareiro
pelo oitão vou furando
ele ali fica esperando
assim compro sem dinheiro
M - Você em uma cidade
precisa de refeição
porém não tem um tostão
que mate a necessidade
ali não há caridade
na casa do hoteleiro
só encontra desespero
fala e ninguém lhe atende
fiado ninguém lhe vende
como come sem dinheiro?
P - Eu levo um carrapato
guardado dentro do bolso
vou no hotel peço almoço
no fim boto ele no prato
faço logo um desacato
chamo o garçon ligeiro
ele me diz: cavalheiro
cale a boca, vá embora;
saio por ali a fora
assim como sem dinheiro
M - Você precisa casas
para ser pai de família
precisa roupa e mobília
cama para se deitar
você não pode comprar
cadeira nem petisqueiro
atoalhado estrangeiro
mesa para refeição
você não tem um tostão
como casa sem dinheiro?
P - Se a moça amar-me enfim
me tendo amor e firmeza
não especula riqueza
nem diz que eu sou ruim
ela ontem disse a mim:
eu quero é um cavalheiro
e você é o primeiro
para ser meu defensor
quero é gozar teu amor
e assim caso sem dinheiro
M - Você depois de casado
sua esposa cai doente
você não tem um parente
que lhe empreste 1 cruzado
ver seu anjo idolatrado
gemendo sem paradeiro
olhe aí o desespero
na porta do camarada
só ver pobreza e mais nada
como cura sem dinheiro?
P - Eu boto-a nos hospitais
do governo do estado
pra quem está necessitado
aquilo serve demais
as irmãs especiais
chamam logo o enfermeiro:
— Vamos com isto ligeiro
tratam com mais brevidade;
se interna na caridade
assim curo sem dinheiro
M - Oh! Pinto, camaradinha
você precisa ir à feira
para comprar macaxeira
arroz, batata e farinha
bacalhau, charque e sardinha
tomate, vinho e tempero
gás, açúcar e candeeiro
biscoito, chá, macarrão
bolacha, manteiga e pão
Como compra sem dinheiro?
P - Eu dou um jeito no pé
envergo um dedo da mão
um dali dá-me um pão
outro dá-me um café
à tarde vou à maré
espero ali o peixeiro
ele é hospitaleiro
humanitário e carola
dá-me um peixe por esmola
e assim como sem dinheiro
Com este verso do Pinto
encheu de riso o salão
houve uma recepção
naquele nobre recinto
ergueu-se um rapaz distinto
com frase meiga e bela
disse: mudem de tabela
pra uma idéia mais grata:
nem a polícia me empata
de chorar na cova dela
P - Eu tive uma namorada
bonita igual Madalena
parecia uma verbena
pela manhã orvalhada
a morte tomou chegada
matou a minha donzela
quando sepultaram ela
quase a tristeza me mata
nem a polícia me empata
eu chorar na cova dela
M - Eu amei uma criatura
ela o coração me deu
na minha ausência morreu
eu sofri muita amargura
fui à sua sepultura
para abraçar-me com ela
ainda via a capela
toda bordada de prata
nem a polícia me empata
eu chorar na cova dela
M - Um dia um amigo meu,
disse com toda bravura
deixe de sua loucura
se esqueça de quem morreu
uma desapareceu
Procure outra donzela;
eu disse: igualmente aquela
não existe nesta data
nem a polícia me empata
eu chorar na cova dela
P - Desperto de madrugada
o sono desaparece
me levanto e faço prece
na cova de minha amada
volto pela mesma estrada
com o pensamento nela
quando eu não avisto ela
vou dormir dentro da mata
nem a polícia me empata
eu chorar na cova dela
Caros apreciadores
qualquer que analisou
nem Pinto saiu vaiado
nem Milanês apanhou
vamos esperar por outra
que esta aqui terminou
- FIM -
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
J. Borges
Aos oito anos, o menino José Francisco já trabalhava na terra com o pai. Aos dez, já fabricava e vendia na feira colheres de pau. Foi oleiro, confeccionou brinquedos artesanais e vendeu livros de cordel.Aos 29 anos, José resolveu que iria escrever cordel. Foi quando fez O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, com xilogravada por Mestre Dila, que vendeu mais de cinco mil exemplares em dois meses.Como não tinha dinheiro para pagar um ilustrador, J. Borges resolveu fazer ele mesmo: começou a entalhar na madeira a fachada da igreja de Bezerros, que usou em O Verdadeiro Aviso de Frei Damião. Desde então, começou a fazer matrizes por encomenda e também para ilustrar os mais de 200 cordéis que lançou ao longo da vida.
Descoberto por colecionadores e marchands, viu seu trabalho ser levado aos meios acadêmicos do país. Na década de 1970, J. Borges desenhou a capa de As Palavras Andantes, de Eduardo Galeano e gravuras suas foram usadas na abertura da telenovela Roque Santeiro, da Rede Globo. Nessa época, começou a gravar matrizes dissociadas dos cordéis, de maior tamanho. Isso permitiu expor no exterior: em 1992, na Galeria Stähli, em Zurique, e no Museu de Arte Popular de Santa Fé, Novo México. Depois, novas exposições, na Europa e nos Estados Unidos.
J. Borges foi condecorado com a comenda da Ordem do Mérito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, recebeu o prêmio UNESCO na categoria Ação Educativa/Cultural. Em 2002, foi um dos treze artistas escolhidos para ilustrar o calendário anual das Nações Unidas. Sua xilogravura A Vida na Floresta abre o ano no calendário. Em 2006, foi tema de reportagem no The New York Times. O escritor Ariano Suassuna o considera o melhor gravador popular do Nordeste.
Suas xilogravuras são impressas em grande quantidade, em diversos tamanhos, e vendidas a intelectuais, artistas e colecionadores de arte. Dono de uma técnica própria de colorir as imagens, atende pedidos para representar cotidiano do pobre, o cangaço, o amor, os castigos do céu, os mistérios, os milagres, crimes e corrupção, os folguedos populares, a religiosidade, a picardia, sempre ligados ao povo nordestino.
Em sua cidade natal, foi inaugurado o Memorial J. Borges, com exposição de parte de sua obra e objetos pessoais.
Tracunhaém, uma bela história construída com arte!
Agora chegamos ao Centro de produção e comercialização do artesanato de Tracunhaém. Uma bela iniciativa do governo do estado que a prefeitura mantém, pagando os funcionários e zelando pela casa, onde os artesãos colocam as suas peças para venda, e contribuem para a manutenção da casa, com vinte por cento do valor das peças, na ocasião de suas vendas.
O centro é muito bem cuidado, com muito carinho é a menina dos olhos na gestão da Prefeita Cleide Lapa. Na entrada meu amigo Biu Oliveira, politiqueiro de politiquice quente, ex-vereador da cidade, que o povo gosta muito, o outro Biu que era meu guia me ensinado tudo mais que depois que tomou dois quartinho, ficou falando sozinho e quis arengar comigo, vendo assombração, mas que no outro dia nem se lembrava, por isto eu agora lhe chamo de Biu malassombrado, Josinia esta jovem bonita e estudiosa que esta fazendo faculdade de pedagogia e em breve se forma. Eu tirei outra foto a Joselma, eita magrinha sabida, me ensinou tudo sobre o barro, sobre o artesão e sobre o centro uma promoter de primeira, beijos Joselma. O artesão Zeniltom de quem todos falam muito bem de sua obra e de seu caráter. Um artesanato de Zuza que é diretor de cultura e não tive a honra de conhecer, mas conheci a sua obra e é belíssima e o artesão Joaquim que me deixou fascinado com o carinho dedicado a arte e a emoção que passa ao contar a sua infância. Quando chorava para que a mãe arranjasse barro para que ele fizesse as primeiras peças. Joaquim me contou emocionado sua lembrança da artesã Elizete que fazia santos e lhe ensinou esta arte ainda criança, com muita paciência, mas a mesma faleceu muito nova e lhe deixou uma bela recordação.
Seu primeiro santo foi São Francisco de Assis, já foi ao Rio 18 vezes, a São Paulo e a Brasília divulgar a sua arte. E é com a lembrança das experiências de Joaquim na infância que eu encerro esta matéria, lembrando Patativa do Assaré que proseando dizia:
é como a terra estrumada
que agente planta a semente
e ela nasce corada
nutrida e muito formosa
quando na infância ditosa
o amor e a simpatia
tomam conta da criança
esta saudosa lembrança
vai até seu último dia
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Jó Patriota
Jó Patriota participou de vários Congressos e escreveu "Na Senda do Lirismo", um livro que já caminha em sua 3ª edição. É inquestionavelmente, um dos nossos mais extraordinários poetas.
Viveu desde a juventude em São José do Egito. Casou-se com Das Neves Marinho(filha do poeta Antônio Marinho) com quem teve dois filhos: Antônio de Marmo e Adriano. Vítima de um enfarte. Faleceu no dia 11 e foi sepultado no dia 12 de outubro de 1992.
"Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece"
Passa ano por era, era por fase
Nessa base tão triste eu vejo a base
Do destino passar de plano em plano
Com a mão da saudade o desengano
Passa dando um adeus fazendo um S
Vem a mágoa o prazer desaparece
Quando chega a velhice, foge a graça,
Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece.
Mais da série: Tracunhaém da gente, de Pernambuco
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Tracunhaém gente de Pernambuco!
Edivaldo me ensinou que o barro que trabalha vem uma parte de Cupiçura na Paraíba, outra do Cabo de Santo Agostinho e por fim outra parte é aproveitada da região, porém servindo apenas para misturar aos primeiros, pois não é um barro muito limpo.
Lembra com carinho do artesão Zé do Carmo de Goiana, que tinha seu atelier em frente ao Buraco da Gia em Goiana (aí eu lembro seu Luiz com seu caranguejo gigante, servindo as bebidas na boca do cliente) que muito lhe ensinou na arte do barro. O endereço do atelier de Edivaldo é Rua Antonio Felipe de Souza. o5,Centro, Tracunhaém, e o telefone para quem quiser adquirir as suas peças é (81)9626.0451.
Logo mais agente vê uma bela imagem da velha igreja de N.S do Rosário dos Homens pretos, uma relíquia de séculos passados que demonstra o cuidado que esta cidade tem com o seu passado. Um pouco mais adiante, a modernidade, na arquitetura da igreja de Santo Antônio, o que demonstra que o passado e o presente em Tracunhaém caminham de mãos dadas em direção ao futuro. Uma praça belíssima, que expõe com orgulho a sua cultura, que serve de cenário e exposição de alguns artesãos.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Tracunhaém (Pernambuco) quem te conhece te ama!!!
Era uma viagem curta e Tracunhaém era apenas uma passada para tirar umas fotos do artesanato local, uma vez que meu principal objetivo na viagem eram os Maracatus de Nazaré da Mata, distante 5 km. Cheguei às duas da tarde imaginei que logo mais á noite terminaria minha tarefa, e dormiria em Nazaré uma vez que pensava que logo fotografaria alguns artesãos e faria um registro legal da cultura local.
A cada click na máquina era uma surpresa, e uma imensa alegria. Primeiro com a qualidade do artesanato de Barro, com a habilidade de seus artesãos em lidar com a argila, e o conhecimento que estas pessoas possuem da natureza, e a sua sensibilidade para com as artes de uma forma em geral. Fui descobrindo coisas, que alguns se dividem entre o artesanato e a agricultura. Que as famílias se envolvem diretamente nesta empreitada, e cada uma ajuda como pode. As mulheres produzem e seus maridos comercializam, ambos produzem e vendem. Os filhos divulgam a arte de seus pais de alguma forma, e lhes ensina a lidar com tecnologias modernas como celulares e internet, para vender mais e prosperar em um mercado, cuja dificuldade maior, descobri ouvindo todos é a divulgação. O governo estadual e o município fez investimentos, agente vê na foto, um espaço construído para abrigar a produção da região. Aí era para estar o artesanato de Tracunhaém, o bordado de Passira a tapeçaria de lagoa do Carro etc... Mas tudo para, quando a divulgação não alcança, ou não atrai o turista para comprar a produção da região.
A comercialização é feita para os lojistas da casa da cultura no Recife, que compram o ano inteiro, apesar de promover uma concorrência enorme, e baratear preços. O inverno é difícil, o turista se afasta, mas agora é Setembro, é verão, e as esperanças se renovam, pois é a época de grandes negócios. Vem Gente de Brasília, São Paulo, do Rio de Janeiro, Santa Catarina do Paraná e de toda a região Brasileira, para comprar o belíssimo artesanato de Tracunhaém. E você já foi lá? Tem uma peça artesanal de lá, em sua casa? Se não ainda esta em tempo. Fica pertinho, cerca de 70 km do Recife, você vai amar Tracunhaém, seu artesanato, sua gente, sua cultura, sua história. Lembra que eu disse que seria fácil registrar a cultura do artesanato de Tracunhaém? Descobri que ela representa muito mais para a cultura de Pernambuco, que não tem apenas o artesanato de Barro como sua maior referencia cultural, e para este passeio por esta tão representativa cidade Pernambucana, eu lhe convido a fazer durante toda esta semana, em nossa revista eletrônica na internet.
Resultado, cancelei a visita a Nazaré, deixei para outro dia, pois fiquei preso, seduzido e encantado com Tracunhaém por dois dias. Vamos Lá?