sábado, 25 de setembro de 2010

Graciliano Ramos




Graciliano Ramos viveu os primeiros anos em diversas cidades do Nordeste brasileiro. Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro, onde passou um tempo trabalhando como jornalista. Voltou para o Nordeste em setembro de 1915, fixando-se junto ao pai, que era comerciante em Palmeira dos Índios, Alagoas. Neste mesmo ano casou-se com Maria Augusta de Barros, que morreu em 1920, deixando-lhe quatro filhos.

Foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios em 1927, tomando posse no ano seguinte. Ficou no cargo por dois anos, renunciando a 10 de abril de 1930. Segundo uma das auto-descrições, "(...) Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas." Os relatórios da prefeitura que escreveu nesse período chamaram a atenção de Augusto Frederico Schmidt, editor carioca que o animou a publicar Caetés (1933).

Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial e diretor da Instrução Pública do estado. Em 1934 havia publicado São Bernardo, e quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso em decorrência do pânico insuflado por Getúlio Vargas após a Intentona Comunista de 1935. Com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, consegue publicar Angústia (1936), considerada por muitos críticos como sua melhor obra.

Foi libertado em janeiro de 1937. As experiências da cadeia, entretanto, ficariam gravadas em uma obra publicada postumamente, Memórias do Cárcere (1953), relato franco dos desmandos e incoerências da ditadura a que estava submetido o Brasil.

Em 1938 publicou Vidas Secas. Em seguida estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspetor federal de ensino. Em 1945 ingressou no antigo Partido Comunista do Brasil - PCB (que nos anos sessenta dividiu-se em Partido Comunista Brasileiro - PCB - e Partido Comunista do Brasil - PCdoB), de orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos Prestes; nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com a segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, retratadas no livro Viagem (1954). Ainda em 1945, publicou Infância, relato autobiográfico.

Adoeceu gravemente em 1952. No começo de 1953 foi internado, mas acabou falecendo em 20 de março de 1953, aos 60 anos, vítima de câncer do pulmão.

O estilo formal de escrita e a caracterização do eu em constante conflito (até mesmo violento) com o mundo, a opressão e a dor seriam marcas da literatura. Memória: Graciliano foi indicado ao premio Brasil de literatura

Vidas secas

O romance originalmente se chamaria "O Mundo Coberto de Penas", título do penúltimo capítulo, em referências às penas negras dos corvos cobrindo o chão seco. O texto original está grafado assim. Porém o próprio Graciliano Ramos riscou o título original e escreveu à mão "Vidas Secas".
No que diz respeito à estrutura, o livro apresenta treze capítulos, dentre os quais alguns podem até ser lidos em outra ordem (romance desmontável), que não a impressa no livro. Entretanto, alguns capítulos, como o primeiro, "mudança", e o último, "fuga", devem ser lidos nesta ordem. Esses dois capítulos reforçam a ideia de que toda a miséria que circunda os personagens de "Vidas Secas" representa um ciclo, em que, quando menos se espera, a situação se agrava e a família é obrigada a se retirar, repetidas e repetidas vezes.

A obra de Graciliano pode ser considerada um marco para a literatura brasileira, em especial o Modernismo Brasileiro, visto que há a implícita (e, em alguns casos, até explícita) crítica social a toda pobreza no sertão nordestino, que atinge uma boa parcela da população, e que, de fato, acaba por prejudicar todo o país, impedindo maiores desenvolvimentos. Há a tentativa, portanto, de se mostrar a desarticulação dessa região com o resto do país (um Brasil pobre dentro de todo o Brasil).

O próprio título da obra, se analisado corretamente, nos dará pistas importantes da mensagem que Graciliano quer passar: "Vidas" se opõe a "Secas" pois a primeira tem sentido de abundância, enquanto, a segunda, de vazio, de falta, configurando um paradoxo (ou "oxímoro", oposição de ideias resultando em uma construção de sentido ilógico). Além disso, denotativamente, o adjetivo "secas" se refere a "vidas", e, dessa forma, teria o sentido de que a família sofre com a seca. Por outro lado, conotativamente, pode-se relacionar aquele adjetivo a uma vida privada, miserável.

Pegadinha do Bernardo Com vibra de plástico

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Artistas da cultura popular se encontram no clube ferroviário de Jaboatão para discutir políticas culturais


Rebeldes do Samba, Índia Morena, Mateus e Katilinda, Cobra Cordelista, Bacamarteiros aliados, Boi estrela da tarde, Magda, Paulinha e Karren e o Secretário de Cultura de Jaboatão Ivan Lima.

Estavam todos lá no clube ferroviário para discutir políticas culturais.










João de Comporta nosso Caboclo de Lança

Às vezes me surpreendo com minha cidade pela diversidade cultural nela encontrada. Por isto mesmo não me canso de percorrer os seus 252 km quadrados de extensão territorial, e de procurar conhecer seus 700.000 habitantes. Por se tratar de uma área de litoral e Região metropolitana, Jaboatão cresceu demais. È uma metrópole interessante, com belas construções modernas, mas que não perde o charme da ruralidade.

Nossa cidade é a boca de Pernambuco, é por onde se entra ou mesmo se sai em alguns casos. Sua população se formou de várias formas: Pelos negros que habitavam os engenhos na condição de escravos, agreste ou Sertão. Pelos seus filhos alforriados dos escravos, pelos senhores de engenho, pelos cortadores de cana e mais tarde pelos operários que vieram de diversas regiões de Pernambuco, da zona da mata norte, e da zona da mata sul, atraídos pela industrialização; ou seja, pelo crescimento do pólo industrial em Pernambuco nos anos de sessenta e setenta, ou ainda pela explosão de crescimento da construção civil.

Em todos estes momentos, estes homens fugiam da exploração através do seu trabalho. Na zona da mata norte e sul, ainda hoje estes homens trabalham sem registro de carteira e sem garantias de direitos. No sertão são vaqueiros e exercem ainda hoje atividades rurais, onde os seus direitos trabalhistas não são respeitados. Estes homens vieram para a região metropolitana na esperança de alcançar carteira assinada, direitos trabalhistas, e aposentaria ao final da vida, coisa tão merecida. Trouxeram consigo disposição para o trabalho e vontade de vencer, pois para quem tinha as mãos calejadas do corte da cana, a vida de operário era uma beleza. Oito horas de trabalho, para quem já acordou de madrugada, umas quatro da manhã, e empenhou uma foice cortando cana até onze horas, e depois amarrou os feixes da bendita até quatro da tarde, era moleza. Mas este homem trouxe consigo a sua cultura, a cultura de raiz e para não prolongar demais o assunto, vou falar de João de Comporta, nosso João veio de Carpina, mora a quarenta anos em Jaboatão, tem 67 anos e desde os quatorze anos de idade "brinca maracatu". Sua fantasia está avaliada em R$ 3.000,00 (três mil reais), sua lança, pesa algo em torno de cinco quilos, e cada fita ali colocada vendo o preço atual de mercado, lhe custou algo em torno de R$ 1.000,00(mil Reais). Uma apresentação de João de Comporta, custa R$ 200,00 (duzentos reais) e nestas apresentações, ele canta a poesia dos caboclos da zona rural. João de Comportas dança maracatu em Olinda, e me disse que para sair de casa, vestido para suas apresentações, tem que chamar um taxi, pois alguns garotos atiram pedras em sua fantasia, Alguns religiosos lhe chamam de representante do cão e lhe fazem apelos á sua conversão. E eu daqui vou rezando para que ele não se converta a este tipo de religião, pois será um mestre de cultura a menos, com compromisso de manter acesa a chama da nossa tradição, João não é nenhum demônio e sim um brincante da cultura nordestina. Eu vou continuar andando nos meus interstícios de trabalho, de maquininha fotográfica na mão, para mostra a vocês a nossa cultura popular, e enquanto vocês acessarem o nosso blog e divulgarem para outros vou mostrando nossa gente. Isto estimula a minha vontade de continuar fazendo esse trabalho.

Muito obrigado e um bom dia!








quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Jaboatão terá representante na coletânea de poemas do concurso TOC140

Por Cobra Cordelista,, Presidente do Conselho de Cultura de Jaboatão!


Assessor Especial do Município, Natanael Lima Júnior, teve texto selecionado
O assessor especial da Prefeitura do Jaboatão, Natanael Lima Júnior, mostrou que seus talentos vão muito além da gestão pública e teve um poema selecionado para o concurso TOC140 promovido pela Fliporto. O concurso, lançado nacionalmente, integra o projeto da Fliporto Digital, e foi realizado através do famoso site de relacionamentos Twitter, onde os participantes trocam mensagens com, no máximo, 140 caracteres.

Houve um total de 391 escritores e mais de mil poemas inscritos e disponibilizados no perfil http://twitter.com/fliportope. Uma comissão julgadora selecionou os 100 melhores textos que serão lançados em uma coletânea chamada “Os cem melhores poemas do TOC140”. Dentre estes textos, serão escolhidos os dez melhores a serem submetidos à votação do público a partir do dia 28 de setembro. Os três mais votados receberão de R$ 1 mil a R$ 3 mil, bem como livre acesso a toda a programação literária da Fliporto 2010.

“É uma iniciativa muito importante porque permite um intercâmbio de vários poetas e temáticas”, afirmou Júnior. “Nos dá também a possibilidade de fazer uma breve análise da produção literária em nível nacional”, completa o assessor, único representante de Jaboatão na lista dos 100 poemas selecionados.

Eu pedi a Natanael lima para me mandar uma breve biografia e ele não mandou, assim eu vou juntar pedacinhos , cacos de informações, e dizer um pouco mais sobre ele. Natanael é cidadão Cabense, filho de família tradicional daquela cidade. É fiel escudeiro do prefeito Elias Gomes, que acompanha desde os tempos em que ambos não tinham os cabelos brancos de agora. Uma imagem de Natanael eu guardei até agora, e somente eu sou testemunha do fato: Elias Gomes havia sofrido uma dura derrota política nas Urnas em 2004, onde ele e Betinho Gomes seu filho, perderam uma eleição que se contava como certa. Foi motivo de chacotas de adversários políticos que comemoravam o fim deste grande líder político. Era 2008, estávamos eu e Natanael, o dia todo em luta muito grande para eleger Elias Prefeito de Jaboatão, uma daquelas missões impossíveis, pois o candidato vinha de outra cidade, disputava o poder com o prefeito em exercício, e enfrentava outra força da oposição apoiada pelo presidente Lula, e ainda era desrespeitado por adversários políticos de sua cidade que faziam deboches e referencias a derrota eleitoral anterior com prazer e um sadismo, difícil de descrever. Pois bem, á noite eram 20:00hs maios ou menos, o TRE anunciou a vitória de Elias Gomes, que renascia como o Fênix, das cinzas, com o voto popular. Eu explodindo de alegria abracei Natanael, notei que o guerreiro não sorria, e explodiu em uma crise de choro incontrolável. Era o pranto de um guerreiro, um dia especial para este homem, pois entendi muito bem de onde vinham aquelas lágrimas; Do campo da batalha, das feridas causadas pelo despeito e pela tripudiação, mas também pelo reconhecimento de um povo, que atestava positivamente toda a sua luta, e renasceram juntos Elias Gomes e o povo de Jaboatão. Natanael é chamado por nós carinhosamente de “Embaixador da Cultura de Jaboatão“ e esta sua vitória muito nos honra, e aqui registrei o meu respeito a este grande poeta Jaboatanense

Baião-de-Dois


Baião-de-Dois é um prato típico da região Nordeste do Brasil, oriundo do Estado do Ceará.Também é bastante apreciado nos estados de Rondônia e Acre. Consiste num preparado de arroz e feijão, de preferência o feijão verde ou feijão novo. É frequente adicionar-se carne-seca (charque). O termo baião, que deu origem ao nome do prato, designa uma dança típica do nordeste, por sua vez derivada de uma forma de lundu, chamada "baiano". A origem do termo ganhou popularidade com a música Baião de Dois, parceria do compositor cearense Humberto Teixeira com o "Rei do Baião", o pernambucano Luís Gonzaga, na metade do século XX.

A origem cearense do prato é atestada também pelo folclorista Câmara Cascudo, citando como referência a obra de 1940, Liceu Cearense, de Gustavo Barroso. Para fazê-lo, deve-se cozinhar o arroz cru no feijão com caldo já cozido e demais temperos como cebola, tomate, pimentão e especiarias como o coentro e a cebolinha. Queijo e nata costumam também ser adicionados.

Na Paraíba, é conhecido como rubacão.No sertão nordestino, principalmente, é bastante apreciado.

Dados da cozinha Cearense

A cozinha cearense tem sabores tropicais e exóticos, com temperos peculiares, agradam aos mais exigentes paladares. Em geral, seus pratos refletem traços marcantes da cultura popular e da influência deixada pelos colonizadores. Os frutos do mar são o carro-chefe da nossa culinária, sendo encontrados com variedade em toda a extensão do litoral cearense. Caranguejos, siris, camarões, e ostras compõem o cardápio dos restaurantes, que os servem de formas diferentes e apetitosas.

Um dos pratos mais tradicionais é a peixada ao molho com legumes, acompanhada de porção de farinha, enquanto a lagosta é o mais requintado e preferido pelos visitantes. Nem só de mar vive a culinária cearense. Do sertão, vem a carne de sol com paçoca e macaxeira, o popular baião-de-dois, o feijão verde, além de comidas com forte tempero como sarrabulho, a carneirada e a panelada. Da cana-de-açúcar se faz a famosa cachaça, bebida que ganhou fronteiras. Não se pode esquecer dos deliciosos doces e bolos das festas juninas, nem deixar de provar os saborosos sucos e sorvetes feitos com frutas tropicais.

A culinária cearense tem influência direta dos costumes alimentares dos primitivos índios que habitavam o Estado, enquanto outros pratos são originários dos colonizadores europeus. A influência negra, que foi muito forte na região Nordeste, principalmente no ciclo da cana-de-açúcar, também deixou marcas na cozinha cearense. Toda essa mistura de raças é responsável por uma herança gastronômica que até hoje pode ser observada no hábito alimentar da população cearense.O baião, por ser uma mistura de dois elementos da culinária brasileira apreciados e de fácil acesso, o arroz e o feijão, é muito comum em áreas rurais do Nordeste. É possível perceber que ele é feito principalmete à noite para que seja aproveitado o restante do feijão cozido durante o dia.

Receita

Ingredientes:


• 1 kg de feijão de corda
• 200 g de lingüiça calabresa
• 300 g de queijo coalho
• 250 g de arroz pronto
• 1 maço de coentro
• 1 maço cebolinha
• 250 g de carne seca cozida e desfiada
• Manteiga de garrafa a gosto
• 200 g de bacon
• 4 dentes de alho
• 1 cebola grande
• Sal a gosto

Prepare assim:

• Coloque o feijão para cozinhar em água;
• Quando estiver cozido tempere com bacon, alho, cebola e manteiga de garrafa;
• Frite em uma frigideira a lingüiça já picada;
• Vá acrescentando arroz, feijão (sem o caldo), carne-seca, queijo coalho, manteiga de garrafa e por último coloque o coentro e a cebolinha.

Maxixe Cristo nasceu na Bahia

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Maxixe


Originado de procedimentos empregados pelos músicos de grupos de choro e bandas de coretos do Rio de Janeiro desde a década de 1860, o futuro gênero de música popular chamado de maxixe ia surgir a partir de 1880 acompanhando a maneira exageradamente requebrada de dançar tal tipo de execução, principalmente de polca-tango. Isso poderia ser comprovado quando, a 17 de abril de 1883, na cena cômica intitulada Aí, Caradura!, o ator Vasques mostrava um carioca, em cuja casa se realizava um baile, a incitar seu convidado caradura (hoje cara de pau) a demonstrar suas habilidades de dançarino dizendo: "Vamos, seu Manduca, não me seja mole: eu quero ver isso de maxixe!" O que realmente acontecia obedecendo a seguinte rubrica do texto: "A orquestra executa uma polca-tango, e ele depois de dançar algum tempo, grita entusiasmado: – Aí caradura!". Ao que acrescentava a indicação: "(Canta: No maxixe requebrado/ Nada perde o maganão!/ Ou aperta a pobre moça/ Ou lhe arruma um beliscão!)".

Foi, pois, o estilo de tal forma malandra e exagerada de dançar o ritmo quebrado da polca-tango que acabaria por fazer surgir o maxixe como gênero musical autônomo, ao estruturar-se pelos fins do século XIX sua forma básica: a exageração dos baixos – inclusive pelos instrumentos de tessitura grave das bandas – conforme o acompanhamento normalmente já cheio de descaídas dos músicos de choro. Ou, como explicava no artigo Variações sobre o Maxixe o maestro Guerra-Peixe, "melodia contrapontada pela baixaria, passagens melódicas à guisa de contraponto ou variações e, em alguns casos, baixaria tomando importância capital".

Sucesso brasileiro na Europa

Definido como gênero autônomo, o maxixe, contaminado pelo preconceito em relação ao baixo nível social em que surgira – os forrobodós ou bailes populares também chamados de maxixes –, continuaria a ser cultivado musicalmente até inícios do século XX, muitas vezes encoberto pelos nomes de tango ou tanguinho (caso dos tangos pianísticos de Ernesto Nazareth). E, enquanto dança, progressivamente submetido à estilização dos seus passos – como logo faria o bailarino Antonio Lopes Amorim Diniz, o Duque – a fim de permitir sua aceitação nas salas e salões das classes média e alta. Transformada em número obrigatório do teatro de revistas (desde o quadro Um Maxixe da Cidade Nova, da peça O Bilontra, de Artur Azevedo, de 1866), a dança do maxixe seria levada para a Europa no início dos 1900 para tornar-se – sob o nome de tango brasileiro – uma onda da moda, favorecida por sua atração de coisa exótica. E isso a ponto de estimular compositores locais a tentar o gênero, como aconteceria com o francês Charles Borel Clerk com sua criação intitulada La Matchichinette, consagradora da novidade: "C’est la chanson nouvelle/ Mademoiselle/ C’est la chanson que esguiche/ C’est le matchiche".

A maior prova da repercussão alcançada pelo maxixe na Europa, porém, seria fornecida pela literatura. Em suas Memórias escritas na década de 1960, o escritor soviético Ilia Ehrenburg, ao recordar no capítulo Infância e Juventude, no primeiro volume, da agitada vida russa de 1905, lembrava que, já então, "em lugar da mignone e da chacona da minha infância, as moças estudavam, diante das assustadas mamães, o cake-walk e o maxixe". Em outro livro de memórias – este do escritor Paul Léautaud, no Journal Littéraire – o ensaista e cronista recordava uma recepção na casa de Mme. Dehaynin, num domingo de novembro de 1905, em que, após o jantar, "a senhorita Marcelle Dehaynin, acompanhada ao piano por sua mãe, dançou para nós o cake-walk, o matchice etc. E ainda antes da Primeira Grande Guerra, enquanto Georges Courteline dedicava uma de suas pequenas cenas cômicas ao diálogo de suas parisienses a discutir futilidades como infidelidade dos maridos, festas e o maxixe, o poeta Jean Richepin – segundo revelava o cronista Alvaro Moreyra em 1914 – provocava a Academia Francesa com uma conferência sobre o tango e o maxixe. Tema que, aliás, aproveitaria logo a seguir numa peça teatral escrita em parceria com a mulher, Mme. Richepin.

Desaparecimento gradual

No Brasil, o maxixe, sob esse nome ou disfarçado às vezes por outras denominações (como a de samba, tal como se comprova ouvindo a execução de Pelo Telefone pela Banda Odeon em 1917), prolongou sua trajetória até às vésperas da década de 1930, com alguns piques de sucesso, já agora revestido de letra, como aconteceria com a composição de Sebastião Cirino Cristo Nasceu na Bahia, de 1926. A partir de então, o maxixe estava destinado a reaparecer apenas eventualmente, como aconteceria em 1968, como reaproveitamento do seu ritmo na segunda parte da composição Bom Tempo, de Chico Buarque de Holanda, que ia fazer o público da I Bienal do Samba da TV Record, de São Paulo, entoar sem saber o canto de cisne do gênero pensando tratar-se de novidade em matéria de samba: "No compasso/ Do samba eu disfarço/ O cansaço/ Joana debaixo do braço/ Carregadinho de amor/ Vou que vou...".


Músicas

Cristo Nasceu na Bahia (Sebastião Cirino) – Banda do Corpo de Bombeiros
O Maxixe (Aurélio Cavalcanti) – Carolina Cardoso de Menezes
Dorinha, Meu Amor (José Francisco de Freitas) – Mário Reis
Rio Antigo (Altamiro Carrilho/ Augusto Mesquita) – Altamiro Carrilho
E Você Não Dizia Nada (Hélio Sindô/ J. Sacomani) – Gilberto Alves
Bom Tempo (Chico Buarque) – Chico Buarque
Serei Teu Ioiô (Paulo da Portela/ Monarco) – João Nogueira

Vatapá


Vatapá é um prato típico da cozinha da Bahia.

O seu preparo pode incluir pão molhado ou farinha de rosca, fubá, gengibre, pimenta-malagueta, amendoim, castanha de caju, leite de coco, azeite-de-dendê, cebola e tomate.

Pode ser preparado com camarões frescos inteiros, ou secos e moídos, com peixe, com bacalhau ou com carne de frango, acompanhados de arroz. A sua consistência é cremosa.

Também é muito famoso no Pará, onde a receita sofre variações como a ausência de amendoim e outros ingredientes comuns na versão tradicional baiana.

O vatapá é influência da culinária africana trazida pelos escravos nos navios negreiros, a partir do século XVI. Com os ingredientes encontrados nesta nova terra e a necessidade de suplementar sua dieta alimentar, desenvolveram outros pratos, que passaram a ser típicos da culinária brasileira. São disso exemplos o angu e a feijoada, entre outros.

• 70g de camarão seco defumado
• - 250g de postas de peixe branco
• - ½ cebola cortada em rodelas
• - 1 tomate sem pele cortado em cubos
• - 2 colheres (chá) de coentro empPó
• - ½ xícara (chá) de pimentão verde
• - 1 colher (chá) de pimenta calabresa em flocos
• - 20 mL de suco de limão
• - 3 colheres (sopa) de azeite de dendê
• - ½ xícara (chá) de castanha de caju torrada
• - ½ xícara (chá) de amendoim descascado
• • - 1 colher (chá) de gengibre ralado
• - 2 unidades de pão de forma sem casca
• - ½ xícara (chá) de leite de coco
• - ½ xícara (chá) de água
• - Sal e pimenta do reino preta a gosto



COMIDA BAIANA

A culinária baiana é talvez a mais popular do Brasil. Cantadas em prosa e verso, delícias como acarajé, vatapá, caruru, cocadas e quindins ganharam fama mundial e conquistaram admiradores em todo o mundo. Assim como a dos outros estados, é também um exemplo da preservação das influências culturais, principalmente a africana.

A história da criação de suas receitas começa em torno do século XVI, quando as escravas eram levadas para a cozinha. Lá encontravam ingredientes novos trazidos pelos europeus como o açúcar, sal, alho, limão, além das carnes de boi e frango apreciadas pelos senhores da casa grande. Havia também banana, amendoim, inhame, feijão e milho, já bastante consumidos pelos índios. Logo elas começaram a misturar de tudo um pouco, adaptando as comidas de orixás aos novos ingredientes. Assim, foram, aos poucos, surgindo muitos dos pratos que são hoje apreciados no estado.

Uma das características mais fortes e marcantes da comida baiana atualmente é o uso, em quase todos os pratos, de ingredientes como o azeite de dendê, o leite de coco, o coentro e, é claro, da pimenta. O que naquele tempo significavam especiarias raras, hoje fazem parte das comidas preparadas no dia a dia do povo baiano.

Quem já foi na Bahia sabe que seu principal quitute é o acarajé, vendido na rua pelas baianas, que usam uma indumentária ligada aos rituais do candomblé. Além de já fazer parte do livro de patrimônios culturais brasileiros, quem experimenta se encanta com a mistura de sabores. O acarajé é um bolinho feito de feijão fradinho ralado e frito no azeite de dendê e normalmente é partido ao meio e recheado com vatapá e camarão. Esse salgadinho que lembra mais um sanduíche coberto por camarão é consumido em qualquer hora do dia, do café da manhã ao jantar.

As tradicionais baianas que montam suas barracas de guloseimas pelas ruas das cidades vendem também outras iguarias locais, como o abará, um bolinho de feijão ralado e camarão seco, cozido e enrolado na folha da bananeira. Como opção de sobremesa são oferecidas cocadas de vários tipos.

As moquecas são outro prato típico da culinária local, podendo ser de peixe, de camarão, de siri, e até mesmo de arraia. Esse prato é uma espécie de ensopado preparado com leite de coco, azeite de dendê, pimentão, cebola e coentro. Quem não gostar de azeite de dendê ou quiser fazer uma refeição mais leve, pode pedir o ensopado, que segue a mesma receita, porém, sem esse ingrediente em sua mistura.

Outra boa pedida, muito característica da comida local, é o vatapá, feito com fubá, gengibre, castanha de caju, camarão e dendê. Tem também o caruru, feito com quiabo e camarão seco, que geralmente serve como acompanhamento para o vatapá. Não deixe também de experimentar o chamado bolinho de estudante, feito com tapioca, arroz de hauçá e o xinxim de galinha. Os nomes podem soar diferentes, mas os sabores são inigualáveis.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Aqui as Três paixões do homem do campo: Cavalo, mulher e sela

Aqui as Três paixões do homem do campo: Cavalo, mulher e sela. O cavalo tem que ser forte, a mulher tem que ser carinhosa, mas a sela tem que ser bonita.

No final de semana uma partida de futebol, uma cervejinha gelada e vale beijar muito, pois vaqueiro que não gosta de mulher, sei não! Agente chegou com a cultura para incentivar a feira de gado. Percebe-se que as motocicletas fazem parte da vida do campo, os filhos dos agricultores e dos criadores, inclusive alguns destes, trocaram os cavalos pelas motocicletas, que andam rápido, pois possuem muitos cavalos no motor.

Chegamos as 11:00h da manhã e foi muita alegria, um galo bem guisado que eu comprei e mandei preparar pra nós , arroz tropeiro e feijão verde. Vitor no violão adorou a festança, é a segunda vez que me acompanha ao violão, e está cada vez melhor esta parceria. Moço educado e muito bom violonista, ainda toca muito bem padeiro e contra baixo, valeu parceiro, seja bem vindo!

A galera do estrela da tarde botou o boi pra dançar, e arroxou na percussão, com frevo e com coco de raiz, e confesso que fiquei de perna bamba de tanto dançar coco e frevo com a vaquerama. Houve uma hora que me distanciei um pouco, e ouvi uma crítica gostosa que partiu de uma pessoa que assistia: “estes caras estão doido, tocando frevo e coco, e é carnaval è”? Fiquei feliz coma crítica, pois para mim a intenção é esta mesmo, divulgar a cultura de época o ano inteiro.

O nosso frevo que já passa dos 103 anos, precisa ser tocado todos os dias e a nossa cultura conhecida pelo nosso povo. Críticas igual a esse que recebi agente mata no peito e vai comemorar mais um gol pro time da cultura. È assim minha vida, senão estiver fazendo shows em qualquer cidade, meu palco é o campo, é a feira, pois o artista deve ir onde o povo está. Claro que é legal fazer um show no palco, com iluminação, som de boa qualidade e produção.

Aliás dirigir carro novo é uma beleza, mas para dirigir um fusca 69, tem que ser bom motorista, pois bom no bom todo mundo é ,quero ver bom, no ruim.