segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Vídeo raro: Jackson do Pandeiro canta “Cantiga do Sapo/Lampião"


Uma raridade. Jackson do Pandeiro cantando “Cantiga do Sapo/Lampião” – Ao Vivo em São Paulo – SP, em 1982.



O interessante estudo do folclore



Folclore, palavra de origem inglesa que significa sabedoria do povo, é o estudo das tradições populares: brincadeiras de roda e jogos infantis, comidas típicas, ditos, provérbios e crendices, danças e festejos populares, como o frevo pernambucano e o bumba-meu-boi do Maranhão, tudo que o povo inventa, que não tem criação individual.

Com o progresso, muitas tradições vão morrendo: as crianças, por exemplo, ignoram muitos dos brinquedos de antigamente e as serenatas, que vieram da Europa com os portugueses, desapareceram das grandes cidades. Hoje, para ouvi-las, tem-se que ir a Ouro Preto, a cidade mineira dos velhos sobrados. O governo, porém, procura preservar o folclore por interesse cultural e econômico, pois ele promove o turismo; é o que justifica o apoio oficial dado ao carnaval de várias cidades, como Rio de Janeiro, Salvador, Olinda, etc.

O mais folclórico dos carnavais brasileiros é o pernambucano, com forte influência africana e indígena. Nas ruas de Recife e Olinda, o povo dança o frevo, de ritmo contagiante, que freve ou ferve. Muitos acreditam que o frevo nasceu da capoeira, a luta africana que no Brasil virou dança.

O maracatu também aparece no carnaval pernambucano com reis, príncipes e embaixadores vestidos com fantasias de luxo. Foi na origem um cortejo religioso: nas portas das igrejas eram coroados reis e rainhas de escravos. Muitas vezes eram soberanos de verdade, pois houve reis africanos que foram aprisionados em sua terra e vieram para o Brasil na condição de escravo.
Ainda no carnaval de Pernambuco aparecem os caboclinhos, grupos fantasiados de índios, que lembram a velha dança dos curumins. Nas ruas e em rápidos movimentos, os caboclinhos levantam-se ou abaixam-se, avançam ou recuam, como se estivessem no ataque ou na defesa.

Das tradições de origem portuguesa, os festejos juninos ou de junho são os mais propagados pelo Brasil, principalmente no Nordeste.

Embora sejam em louvor de São João, Santo Antônio e São Pedro, os festejos juninos são muito remotos, anteriores mesmo à formação do cristianismo. É que no Hemisfério Norte o 24 de junho (dia de São João) é também a entrada do verão. Por ser o início da época das colheitas, os lavradores comemoravam a data com fogueiras, e para afastar os maus espíritos, causadores de pragas e doenças nas plantas e nos animais, davam tiros, costume que se converteu nos fogos de São João.

Aos festejos juninos veio juntar-se, curiosamente, uma tradição de origem diversa, vinda da França: é a quadrilha, que já foi dança aristocrática, mesmo no Brasil, dançada pelos nobres no tempo do Império.

HERMIDA, Borges. O interessante estudo do folclore. In: História do Brasil. SP: Companhia Editora Nacional, 1986. 8ª ed. Pp. 112.

No folclore brasileiro, aparecem a sanfona e a rabeca. Deve-se considerar que, de um modo geral, o músico folclórico toca "de ouvido", sendo a arte transmitida de pai para filho, o que valoriza ainda mais a vocação artística desses músicos.

Rabeca

A rabeca é uma forma rudimentar do violino, e seu uso é mais acentuado nas localidades do litoral brasileiro, onde praticamente é indispensável em diversas festas populares, como nas Folias de Reis, onde os tocadores fazem o acompanhamento musical aos cantadores, que visitam as casas solicitando prendas e esmolas. Enquanto que o violinista costuma apoiar o instrumento entre o queixo e o ombro, o rabequista, obedecendo a um costume característico da Idade Média, toca a rabeca firmando-a no peito. Embora o som da rabeca emita uma certa tristeza, possibilita a marcação movimentada exigida por certos tipos de dança.

Berimbau

Este instrumento caracteriza bastante as festas folclóricas nordestinas. Possui também a denominação de berimbau de barriga para diferenciá-lo do berimbau de beiço, ou marimbau, que era de ferro e fixado entre os dentes pelo tocador. O uso deste tipo de berimbau já não é registrado no Brasil. Ambos foram aqui introduzidos pelos escravos. O berimbau de barriga, ou simplesmente berimbau, como hoje é conhecido, constitui-se de um pedaço de madeira, vergado por um arame, formando, assim, um arco. Na parte inferior e anterior do arco encontra-se presa uma caixa de ressonância. Entre a madeira e o arame, coloca-se uma moeda ou uma rodela de ferro para esticar melhor o arame, que é percurtido por uma vareta. O tocador usa, ainda, um recipiente que lembra um minúsculo cesto, que contém pequenas conchas ou sementes e ajuda a marcar o ritmo. Para a marcação dos passos da capoeira, o berimbau é imprescindível.

Instrumentos Musicais. In: Nova Enciclopédia Brasileira de Consultas e Pesquisas. SP: Novo Brasil, 1986. Pp. 20, 21.

Constituem uma forma de divertimento popular, onde se torna possível a demonstração de força ou agilidade. Constituem formas rudes e primitivas de recreação. Em geral, não subsistem nos meios civilizados, ficando circunscritos aos ambientes de origem. A capoeira é uma exceção. Usada pelos escravos negros como meio de defesa contra os seus perseguidores, passou a ser usada pelos guarda-costas de políticos, que incluíam o emprego de navalhas, e finalmente se tranformou num esporte de agilidade, bastante praticado hoje em dia.

Bate-Coxa

É um jogo de força e resistência. Dois lutadores desnudos da cintura para cima, apóiam as mãos um nos ombros do outro antagonista e unem peito com peito. Em torno dos dois, colocam-se os assistentes, que cantam a música de acompanhamento onde se repete a frase: "Eh! Boi..." Cada vez que essa frase é entoada, um dos contendores acerta com a coxa a coxa do outro o mais forte que pode, trocando de coxa a cada entoação da frase. A luta termina quando um dos contendores vai ao chão ou não sente mais forças para prosseguir. Esse jogo se registra em Alagoas e é bem provável ser de origem africana.

Capoeira

A capoeira, que já sabemos ter sido utilizada como arma de defesa dos negros e por guarda-costas de políticos, é um verdadeiro balé popular. Jogo que exige muita agilidade, é formado por um círculo de participantes, dos quais dois a dois vão para o centro a fim de mostrar a sua capacidade. O ritmo é marcado principalmente pelo som do berimbau, um dos instrumentos mais representativos do nosso folclore. A capoeira tornou-se também um jogo de salão e está bem difundida por todo o Brasil.

Jogos Atléticos. In: Nova Enciclopédia Brasileira de Consultas e Pesquisas. SP: Novo Brasil, 1986. Pp. 31,32.

sábado, 2 de outubro de 2010

Mais Amigos e colabordores que compareceram a festa de dois anos do blog e aniversário de Cobra Cordelista

Jason acessor do deputado Marco Barreto e sua esposa Bete, que estavam fazendo aniversário de casamento. Nete minha mulher e a Paulinha, Dejanildo da festa e eventos, a turma da casa do Maná, o Dr. Claudio Leite, médico da rede municipal, sertanejo da gema, Paulinha do Bar sem nome e seu oficial da PM, Dona Leleu do Bar sem nome, acompanhada de dois escritores o Robson Santos e a Aríete, minha linda amiga Manú, a turma da ave de raiz e o Hiltinho, assessor e filho do Vereador Hilton.

Meu amigo "emprego" de pé (o cara é tão esperto que foi pro Ceará com dois reais e voltou com cinco). Marcos do bar o língua ferina que inspirou minha musica, Messias do violão da Banda Tucanos do forró. Estefano, Totoi, homem aranha, Susi e a esposa do homem aranha.

Obrigado a todos vocês, mas ainda tem outras matérias aguardem, pois todos são por mim muito queridos serão sempre lembrados!

Bom fim de semana!












VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO


AUTOR: COBRA CORDELISTA



SENHORES SOU UM MATUTO
BOCOIO DO PÉ RACHADO
A MINHA LEITURA É POUCA
MAS VIVO MUITO LIGADO
PORÉM O QUE VEJO NO TRÂNSITO
ME DEIXA BEM REVOLTADO

CERTA FEITA VIAJEI
LÁ PRAS BANDAS DO SERTÃO
EM SÃO JOSE DO EGITO
DIRIGINDO EM CONTRA MÃO
LÁ VINHA UM FÓ 29
QUASE BATE EM MEU FUSCÃO

O PESTE ATRAVESSOU-SE
TODINHO NA MINHA FRENTE
E U DE CÁ PISEI NO FREIO
MEU FUSCA OBEDIENTE
TRAVOU OS QUATRO PNEUS
E PAROU RAPIDAMENTE

DO CAMINHÃO DESCEU
UM SUJEITO EMBRIAGADO
UM CHEIRO DE AGUARDENTE
TOMBAVA PRA TODO LADO
DISPARANDO DESAFORO
COM ÓS OI MAL ENCARADO

POR SORTE CHEGOU O GUARDA
CONTEI TUDO PRO SORDADO
O CABRA FEZ A PERIÇA
E MULTOU O CONDENADO
E EU SEGUI A VIAGEM
COM MEU FUSCÃO ENCARNADO

OUTRO DIA NO AGRESTE
FOI GRANDE A CONFUSÃO
UMA TOYOTA IMPORTADA
FABRICADA NO JAPÃO
PILOTADA POR MENOR
CASTIGANDO A DIREÇÃO

A BICHA SAIU DA ESTRADA
E DERRUBOU UM VIVEIRO
FOI PATO, PERU,GUINÉ
INTE CAPÃO NO TERREIRO
O MENINO FICOU BEM
MAS REPARE O DESMANTELO

CUMADE RITA LEÃO
FALAVA BATENDO O PÉ
NUM FICO NO PREJUÍZO
E PODE CHAMAR O ZÉ
QUE ERA O PAI DO GAROTO
E NÃO ERA UM ZÉ QUALQUER

O CABRA CHEGOU NO LOCAL
TODO PROSA DEBOCHADO
AI FOI QUANDO INTERVIU
DR INIREU DELEGADO
VOCÊ DEU CARRO A MENOR
TEJE PRESO SEU SAFADO!

O CABRA PAGOU FIANÇA
DE QUASE DOIS MIL REAIS
DEU DEZ MIL PRA DONA RITA
QUE SORRIU INTÉ DEMAIS
MAS TUDO FOI RESOLVIDO
E FICOU NA SANTA PAZ


JÁ NAS CIDADE GRANDE
TUDO É MUITO DIFERENTE
TÃO RESOLVENDO NA TAPA
O ERRO NO ACIDENTE
TÁ ERRADO O PROCEDER
ASSIM NÃO DÁ MINHA GENTE

NUMA BATIDA DE TRANSITO
COMEÇOU A DISCUSSÃO
PRA RESOLVER A PENDENGA
FOI TAPA E TANTO EMPURRÃO
QUE ACABOU TUDO PRESO
VIAJANDO EM CAMBURÃO

SE O POVO TEM ESTUDO
MEN RESPONDA CIDADÃO
POR QUE TANTA VIOLÊNCIA
E FALTA DE EDUCAÇÃO
RESPEITEM AS REGRAS DE TRANSITO
E A SINALIZAÇÃO !


O SUJEITO DÁ O DEDO
FAZENDO GESTO OBSCENO
O OUTRO DE LÁ DÁ O TROCO
AS CRIANÇAS TUDO VENDO
O PAI DANDO MAU EXEMPLO
E AS CRIANÇAS APRENDENDO

AS MULÉ ANTIGAMENTE
ERAM BEM MAIS CAMARADA
AGORA DIZ DESAFORO
SOBE INTÉ PELA CALÇADA
AVANÇA SINAL VERMELHO
E DIRIGE EM DISPARADA

É CARRO EM CIMA DA FAIXA
INVADINDO A CONTRA MÃO
DIRIGINDO SEM CARTEIRA
ATRASO EM DOCUMENTAÇÃO
OLHE É TANTA VIOLÊNCIA
QUE ENTRISTECE O CIDADÃO

MOTOQUEIRO? NEM ME FALE!
QUE EU PEGO UM AR DESGRAÇADO
LEVANTA O PNEU DA FRENTE
DIRIGINDO JÁ CHAPADO
NA PISTA FAZ ZIGUE ZAGUE
PUNHO NO CANTO ACELERADO
MAS É NO HOSPITAL
QUE SE ENCERRA A BRINCADEIRA
QUANTAS VIDAS ENCERRADAS
POR INSISTIR EM BESTEIRA
QUANTAS FRATURAS EXPOSTAS
QUE SERÃO PRA VIDA INTEIRA

QUANDO O CÓDIGO DE TRANSITO
O CONGRESSO APROVOU
LOGO MAIS VEIO A LEI SECA
EU DISSE O BICHO PEGOU
MAS DEPOIS FOI ESFRIANDO
E O POVO ENTÃO RELAXOU

AGORA EU POSSO DIZER
É ASSIM QUE O DIABO GOSTA
OS CARRO ACELERANDO
CADA QUAL FAZ SUA APOSTA
É ASSIM NUM TAL DE “PEGA”
QUE A IMPRUDÊNCIA SE MOSTRA

COMO FICA O CIDADÃO ?
NESTA TRISTE EMPREITADA
OS NOSSOS JOVENS MORRENDO
VITIMADOS NA ESTRADA
E O PRANTO QUE CHORAM SEUS PAIS
DE DIA OU DE MADRUGADA ?
SEUS PRANTOS SENTIMENTAIS
ROGANDO A DEUS POR CLEMÊNCIA
NUMA CONSCIÊNCIA NOVA
CONSTRUÍDA NA DECÊNCIA
QUE CONSTRUA A PAZ NO TRANSITO
REJEITANDO A VIOLÊNCIA

ASSIM ENCERRO ESTA PROSA
ESPERO TER DADO O RECADO
POR QUE O ERRO NO TRÂNSITO
PRECISA SER CONSERTADO
POR QUEM DIRIGE UM FUSCA
OU UM TOYOTA IMPORTADO

AGENTE SEGUE NO TRÂNSITO
CADA QUAL NA SUA MÃO
POREM SE ALGUÉM ERRAR
NADA DE CONFUSÃO
QUEM DECIDE É O JUIZ
SE CABE INDENIZAÇÃO

E PODE SER NA CIDADE
NO AGRESTE , NO SERTÃO
INTÉ NA ZONA DA MATA
OU OUTRA QUALQUER REGIÃO
RESPEITANDO A LEI TRANSITO
AGRADECE O CIDADÃO

QUE BOM SE TUDO MUDASSE
SE TORNASSE DIFERENTE
TIVÉSSEMOS PAZ NO TRÂNSITO
PRESERVANDO NOSSA GENTE
DANDO PARA O MUNDO
E SEGUNDO A VIDA EM FRENTE

EU SOU COBRA CORDELISTA
SEU POETA DO SERTÃO
EU FALEI DE LEI DE TRÂNSITO
E DE SINALIZAÇÃO
DE COMBATE A VIOLÊNCIA
E RESPEITO AO CIDADÃO!

As prezepadas do Garapa

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

47 anos de Cobra Cordelista e 02 anos do nosso blog

Que legal! Era dia do meu aniversário e comemoração do segundo ano do nosso blog. Hoje chegamos aos 1.200 (mil e duzentos ) acessos por semana, 5.000 (cinco mil) por mês , o que nos conduzirá a 60.000(sessenta mil) acessos no ano que vem, e sou daqueles que se alegram com as pequenas vitórias, pois de batalha em batalha agente vence uma guerra.

Também comemorei 47 anos de idade e convidei os meus amigos para este momento. Ainda falta um pouco de estrutura, mas agente chega lá.

Este sucesso é de quem estava lá e de quem acessa o nosso blog todos os dias. As pessoas foram chegando, o meu amigo vice-prefeito Edir Pinto Peres, de Jaboatão dos Guararapes, os poetas Gerson Cordelista e Luiz Esperantivo do Cabo de Santo Agostinho, Ronaldo Aboiador, a presidente do clube de mães da Lagoa do Olho D’água minha amiga Dôra, Zé Araguaia, o escritor Robson, o corretor de seguros de saúde Zeca Maxs, minha amiga Paula e dona Leleu sua mãe, do bar sem nome de quarenta anos de tradição em comida regional em nossa cidade. Olha foi tanta gente legal que apóia e incentiva o nosso trabalho que eu fiquei emocionado com tanta adesão. Vieram meus amigos de Comporta, do Engenho São Bartolomeu, do Engenho Carpina, de Barra de Jangada. Eram gente simples, intelectuais, trabalhadores da educação,como Adjanete, secretárias como a Paulinha da secretaria de Cultura, que fiz questão de homenagear, pois 30 de setembro também é dia da secretária, empresários com Dejanildo da empresa Festas e Eventos, médicos como o Dr. Claudio Leite, e até um delegado, meu amigo Eliezer. A partir de agora postarei algumas fotografias deste evento que só acontecerá novamente no ano que vem. Se Deus assim permitir, e descrevendo outras personas que lá estiveram!

Fiquem com Deus! Obrigado por acessar nossa revista eletrônica cultural da internet e um bom dia, cheio de boas realizações!

Cobra Cordelista.















A importância dos Museus para a Cultura

O objetivo deste texto é repensar os ambientes educacionais não formais, tais como as bibliotecas, os arquivos e os museus. Tentei entender como os ambientes não-escolares podem servir ao contato com o conhecimento histórico, tentar desenvolver suas possibilidades e tentar desenvolver a idéia de que projetos educacionais nestes ambientes podem ser tão importantes quanto aulas expositivas, por exemplo, na formação do aluno, referindo-se especificamente à relação escola–museu.


Tendo em mente que o museu, especificamente, pode ser um meio não apenas de transmissão, mas também de produção de conhecimento devemos pensar no público dos museus de uma forma geral. Ou seja, o projeto educativo realizado em museus deve visar um público amplo, o que implica em uma multiplicidade de linguagens por parte do museu para com os públicos de seu acervo, seja este itinerante ou permanente.

A primeira idéia que nos vem à mente, tradicionalmente, quando pensamos museus refere-se aquele ambiente que visa preservação de algo. No entanto, não costumamos pensá-lo como um espaço que pode servir à educação, em seu sentido mais amplo. Por isso quando me refiro à educação não falo apenas de escolas utilizando aquele espaço para exemplificarem o que foi explicado em sala de aula, e sim um espaço que possamos desenvolver a potencialidade de produção de conhecimento por parte de qualquer público. Então, devemos pensar o museu não mais como um ambiente em que se guardam coisas antigas, mas como um ambiente em que as experiências do público, por exemplo, têm papel fundamental para a dinâmica do próprio museu.
A idéia de participar ativamente da produção de conhecimento por meio da interação com o público leva o monitor ou supervisor das visitas não apenas a saber o que cada obra ou peça exposta representa em si, mas como ela pode estar inserida na vida do público e/ou na sua percepção acerca da sociedade.

Desenvolver um projeto pedagógico, que vise facilitar a interação do público com o museu é fundamental, uma vez que a importância do projeto educativo não recai sobre o objeto de observação, mas sobre a maneira como o público o vê. Trabalhar esta visão de modo que se produza e transmita conhecimento histórico é o principal objetivo da ação educativa na minha opinião.

Assim, já vimos que o projeto educativo visa um público diverso, o que nos faz pensar que devam existir estratégias educacionais para cada tipo de público que o museu receberá. Assim, privilegiando a pluralidade de experiências, o museu terá a possibilidade de aproximar-se mais do público, auxiliando-o na produção de conhecimento e na troca do mesmo com outras pessoas, seja imediatamente naquele espaço ou em qualquer outra oportunidade.

A idéia de que o público não adquira um conhecimento “momentâneo” deve estar sempre em mente, pois as experiências devem servir não apenas a avaliações – no caso do aluno – ou à curiosidade – no caso de um público da comunidade. Deve servir para que seja mais uma experiência na sua vida, além de servir com estímulo à busca do desenvolvimento dessa prática no cotidiano daquela pessoa.

Não quero aqui dizer que após a entrada em um museu o público deverá ou mesmo irá mudar sua maneira de ver aquele ambiente. Não, o que proponho é uma forma de fazer com que o público pense como suas próprias experiências se inserem em um contexto maior. É a partir daí que a reflexão acerca do que representa o museu para a sociedade emergirá.

No projeto educativo deve desenvolver a capacidade do público de fazer uma “leitura” do objeto exposto, ver a importância daquele objeto na sociedade, auxiliar na compreensão de sua realidade, se possível a partir de suas experiências. Digo “se possível”, pois imagino que nem sempre será possível buscar correlação entre o que está exposto e as experiências pessoais, se levarmos em conta a diversidade do público.

O que buscaremos privilegiar, então, será a capacidade do público compreender uma realidade diferente da sua. Desta forma, o conceito de alteridade deve ser pensado, pois estaremos trabalhando com a maneira como alguém vê o outro ou, em uma escala maior, a maneira como uma cultura encontra-se com outra, mais antiga. Neste encontro o museu faz o papel de mediador e os agentes dessa mediação são os responsáveis pelas monitorias, além dos professores quando estivermos tratando de estudantes.

Por isso, no caso das escolas, é fundamental não apenas um preparo por parte dos monitores, mas também por parte dos próprios professores. Eles devem ter em mente quais foram os motivos que os levaram ao museu, quais os objetivos da visitas, como ela se relaciona com o que está sendo ensinado e como os aluno percebem aquele lugar. Uma visita que não tenha um preparo prévio pode ficar esvaziada, ou seja, ser uma simples visitação em que a melhor parte para os alunos é o trajeto entre e a escola e o museu. Os professores devem estar em contato com o museu para desenvolver um trabalho conjunto que vise aquilo que já citamos várias vezes, a produção de conhecimento.

Neste sentido seria de grande importância que o museu preparasse algum tipo de material que auxiliasse no ensino. Este ponto pode ser estendido a todos os públicos, porém de forma particularizada. Particularizar não significa que devemos preparar um material para cada tipo de público. Acredito que isto vá contra a idéia de que as múltiplas experiências do público possam se encontrar no museu de modo que auxiliem a produção de conhecimento. A idéia não é separar, dividir, compartimentar o conhecimento e sim torná-lo tão plural quanto as experiências levadas pelas pessoas. Os textos que virão a ser produzidos devem englobar a história das obras que estão expostas e do contexto em que elas foram produzidas utilizando linguagens múltiplas que tentem se aproximar do público.

Mas uma questão surge: como “avaliar” este processo? De um modo geral acredito que a partir do momento que o objetivo da visita não é fazer com que o público saiba qual a história de cada peça e sim que ele passe a refletir como suas experiências estão inseridas em um contexto maior, ainda que não estejam ligadas a ele diretamente, novos métodos de “avaliação” deste processo devem ser formulados.

O sistema de ensino hoje utilizado nas escolas, especificamente, exige que se tenha resultados, pois o aluno ao final do período letivo necessita de uma nota que será dada a partir de seu rendimento escolar. Não discutiremos prós e contras deste modelo para não fugirmos da questão principal que é o projeto educacional no museu. Tal modelo; acredito, não serve aos propósitos principais do museu, pode apenas levar o aluno a fazer algo para que ele “passe de ano”. Neste ponto é fundamental o papel do professor, ou seja, como ele irá conciliar os objetivos do projeto educacional do museu com o atual modelo de ensino. Esta “conciliação” deve surgir em conjunto com os coordenadores do projeto educativo do museu, para que eles possam traçar estratégias de ensino que aliem os dois.

Agora, como “avaliar” o público que vem da comunidade? O fato de eles não terem obrigatoriedade nenhuma de serem avaliados e nem precisarem “tirar nota” facilita, por um lado, e dificulta, por outro, o trabalho a ser desenvolvido. Facilita, pois se o público está lá é por vontade própria, ou seja, um interesse que partiu dele o levou ao museu. Neste sentido torna-se mais fácil “atrair sua atenção” e desenvolver a metodologia do projeto educativo. Por outro lado fica mais difícil, pois podemos não saber como ele percebeu aquele espaço.

O desenvolvimento de um projeto educativo em museus passa por diversas barreiras, sejam impostas por um modelo de ensino não compatível com os objetivos do museu, seja pela diversidade de público ou mesmo pela resistência de algumas pessoas perceberem a importância que um museu pode ter para a educação, para a preservação da memória e da História de toda sociedade.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Aniversário do blog, nossa revista eletrônica !



É hoje!!! Estamos ficando mais experientes, até porque velha é a estrada.

Nosso blog comemora 2 anos de vida e esse caixeiro viajante da cultura 47 primaveras. Gostaria de agradecer a todos que tem nos acessado. Saibam que este trabalho é feito com muito amor e respeito a todos vocês.


Vamos comemora essa festa da cultura hoje lá no Tendas Bar, é esse mesmo, o bar língua ferina, fica perto do conjunto catamarã em Candeias, bem próximo do terminal de ônibus, você pode vir, é meu convidado, a festa vai começar por volta das 19:00 horas. Vamos ter participações de artistas, muitos artistas e autoridades também.

Venha! Traga sua família, e juntos vamos comemorar mais um ano de vida. Pode vir e não precisa tirar as sandálias para entrar.

Cobra Cordelista.

"Mulher Rendeira": conheça a verdadeira versão da cantiga popular


A música “Mulher Rendeira” é cercada pelas lendas. Enquanto uns dizem que se trata de um antigo tema popular, os mais antigos afirmam que teria sido feita pelo próprio Lampião, inspirado na figura de sua avó, uma exímia da arte de fazer rendas.


O fato é que referida canção foi muito cantada nos sertões nordestinos no tempo do rei do cangaço. Por isso, fez parte da trilha sonora do premiado filme “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, que o celebrizou no país e no exterior. Na ocasião, sofreu uma adaptação do compositor Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento), autor de outras músicas do filme, que manteve a sua estrutura original.

Comprova o sucesso de “Mulher Rendeira” o grande número de gravações que recebeu na época, inclusive fora do Brasil. Tem até uma gravação de um antigo cabra do bando de Lampião, o cangaceiro Volta Seca. E hoje, apesar das alterações na sua forma original, representa o canto oficial do cangaceirismo. Existem várias versões, mas esta a seguir parece que é a verdadeira:

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Tu me ensina a fazê renda
Que eu te ensino a namorá.

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Chorou por mim não fica
Soluçou vai pro borná.

As moças de Vila Bela
São pobres mas tem ação
Passam o dia na janela
Namorando Lampião.

O rifle de Lampião
Tem cinco laços de fita
Lampião só para em casa
Onde tem muié bonita.

Minha mãe me dá dinheiro
Prá comprar um cinturão
Pra vivê de cartucheira
No bando de lampião.

O Ceará ta de luto
Pernambuco de sofrimento
Alagoas de porta aberta
Lampião xaxando dentro.

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Tu me ensina a fazê renda
Que eu te ensino a namorá.

Guerra de Canudos



A Guerra de Canudos ou Campanha de Canudos, também conhecida como Guerra dos Canudos em certas regiões do sertão baiano, foi o confronto entre o Exército Brasileiro e integrantes de um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro, que durou de 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, no interior do estado da Bahia, no Brasil.

O episódio foi fruto de uma série de fatores como a grave crise econômica e social pela qual passava a região à época, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico. Milhares de sertanejos partiram para Canudos, cidadela liderada pelo peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social.

Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano, reinstalando a Monarquia. Apesar de não haver nenhuma prova para estes rumores, o Exército foi mandado para Canudos. Três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas, inclusive uma comandada pelo Coronel Antônio Moreira César, conhecido como "corta-cabeças" por ter mandado executar mais de cem pessoas a sangue frio na repressão à Revolução Federalista em Santa Catarina. A derrota das tropas do Exército pelos canudenses nestas primeiras expedições apavorou a opinião pública, que acabou exigindo a destruição do arraial, dando legitimidade ao massacre de até vinte mil sertanejos. Além disso, estima-se que cinco mil militares tenham morrido. A guerra terminou com a destruição total de Canudos, a degola de muitos prisioneiros de guerra, e o incêndio de todas as 5.200 casas do arraial.