sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Forte das Cinco Pontas



Localizado no bairro de São José, Recife, foi construído pelos holandeses, em 1630. Em 1654, os portugueses assumiram o forte. Em 1684, foi reconstruído, com um novo traçado: o número de bastiões foi reduzido de cinco para quatro. Tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1938, serve atualmente como sede do Museu da Cidade do Recife.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Você sabe quem foi Conde da Boa Vista?



Francisco do Rego Barros (o Conde da Boa Vista) nasceu a 03 de fevereiro de 1802, no Engenho Trapiche, município do Cabo de Santo Agostinho. Militar e político, bacharelou-se em Matemática pela Universidade de Paris, França. Foi eleito deputado-geral pela província de Pernambuco em duas legislaturas: 1830/33 e 1850.

Por carta imperial de 06 de abril de 1850, foi escolhido senador, cargo que ocupou por 20 anos. Por duas vezes, foi governador de Pernambuco: entre 1838/41 e entre 1841/44, cargo na época denominado presidente da província.Ganhou do governo imperial os títulos de Barão da Boa Vista (1840), Visconde (1858) e Conde (1866).

Foi, ainda, comandante superior da Guarda Nacional do município do Recife e em 1865 foi nomeado comandante das Armas da Província do Rio Grande do Sul, cargo do qual pediu exoneração no ano seguinte, para retornar a Pernambuco. Morreu no Recife, a 04 de outubro de 1870.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Shopping Del Paseo sedia exposição do artista plástico Romero Britto



Em janeiro, o Shopping Del Paseo traz arte ao seu público. De 19 de janeiro a 19 de fevereiro, o shopping sedia exposição do artista plástico Romero Britto. A mostra apresenta obras originais, serigrafia em tela, séries especiais, gravuras, escultura em alumínio com couro, camisas e canecas. O público pode visitar a exposição no Piso L1, de 10h às 22h, com acesso livre.

Romero Britto é um artista brasileiro com obra internacional. Sua característica está no uso de cores fortes e alegres, traços geométricos e angulosos, que reproduzem objetos do dia a dia, ideias, pessoas e a natureza. Curvas e diagonais se cruzam para formar os desenhos, que transmitem alto astral e vivacidade, chamando a atenção de quem os vê. As pinturas são delineadas de preto e apresentam harmonia nas cores, que se combinam de modo a revelar jogos de luz, planos e suas profundidades, além de texturas e contrastes.

Nascido na cidade de Recife, Romero Britto mostrou interesse pela arte aos oito anos de idade, pintando sucatas, papelão e jornal, tendo seu talento estimulado pela família através de livros. Em contraste com sua realidade pobre, o jovem Romero reproduzia felicidade e alegria de viver. Aos 14 anos, expôs seus quadros pela primeira vez e vendeu um deles à Organização dos Estados Americanos. Depois de visitar a Europa e entrar em contato direto com o mundo da arte, fixou residência em Miami (EUA) e conseguiu um espaço próprio para expor suas pinturas. A partir daí, empresas com interesse em cultura popular, como Absoluty Vodka, IBM, Disney, Pepsi e Grand Manier, incorporaram as pinturas de Britto em seus projetos especiais.

A diversidade de sua arte ultrapassa os limites das telas e dos salões de exposição. Posteres, cadernos, cartões, louças, latas, relógios e livros trazem suas cores e traços. Sua obra inspirou desde uma coleção para a marca de moda praia brasileira Rosa Chá até um perfume. Apreciadas por todo tipo de público, suas pinturas encantam desde crianças até celebridades de Hollywood.
Serviço: Exposição Romero Britto. De 19 de janeiro a 19 de fevereiro no Piso L1 do Shopping Del Paseo. Aberta ao público de 10h às 22h. Entrada franca. Informações: (85) 3456.3131

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

SHOW DE COBRA CORDELISTA

SHOW DE COBRA CORDELISTA NO RESTAURANTE ESPETO NA MESA EM JABOATÃO DIA 04.02.2011 (sexta-feira)20h




Dia 04 de Fevereiro de 2011,(sexta-feira)as 20h no RESTAURANTE ESPETO NA MESA (ANTIGO BAR DA POEIRA) na cidade de Jaboatão dos Guararapes tem Recital de Cobra Cordelista e a presença de vários poetas convidados. Nos Violões Vitor aragão e Fauzer Zaidan, com Felipe de Dora na Percussão,no Repertório Contos,Causos,Forró de Raiz,e a poesia matuta com muito Lirismo e bom humor. Na ocasião estará lançando o livro Alma Sertaneja ,que possui dois elogiados contos narrados pelo poeta que compoem o Cd que acompanha o livro.

RESTAURANTE ESPETO NA MESA (ANTIGO BAR DA POEIRA) Av. Comercial ,Sn, Candeias Após o Restaurante Recanto Gaucho FONE (81) 8828-0242

sábado, 29 de janeiro de 2011

Revolta Pernambucana de 1817




Rebelião inspirada nos ideais da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos, ocorrida no Recife às vésperas da Independência do Brasil. O comércio era dominado pelos portugueses e ingleses; as exportações de açúcar enfrentavam dificuldades e a economia da província estava de mal a pior.

Insatisfeitos com o domínio português, proprietários de terra, padres, comerciantes, bacharéis, militares descontentes passaram a se reunir no Recife e iniciaram a conspiração.

O golpe foi planejado para abril de 1817, mas o complô foi descoberto pelo governo e iniciou-se a caça e prisão dos líderes do movimento. No dia 06 de março, o comandante do Regimento de Artilharia do Recife (Manuel Joaquim Barbosa) deu voz de prisão ao capitão José de Barros Lima (o Leão Coroado), este reagiu, sacou da espada e matou o comandante.

Explodia, assim, a revolta que estava marcada para dali a um mês. Em seguida, os revoltosos derrotaram as forças portuguesas e o governador da capitania (Caetano Pinto de Miranda Montenegro) fugiu.

Foi, então, instalado um governo provisório, formado por cinco representantes de categorias da sociedade: Domingos Teotônio Jorge (representando os militares), Padre João Ribeiro (Igreja), Domingos José Martins (comerciantes), José Luís Mendonça (Judiciário) e Manuel Correia de Araújo (representando os proprietários de terras). Foi instalada uma República, criada sua bandeira, etc.

Os revoltosos pretendiam estender o movimento e enviaram representantes para a Bahia, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Mas a pretendida expansão não aconteceu: os enviados a Bahia (General Abreu e Lima e o Padre Roma) e ao Ceará (o seminarista José Martiniano de Alencar) foram presos logo ao desembarcar.

E só aderiram ao movimento, ainda assim timidamente, as capitanias da Paraíba e Alagoas. A República duraria apenas 75 dias, não resistiu à reação da Coroa: tropas enviadas do Rio de Janeiro ocuparam o Recife no dia 18 de maio e sufocaram o movimento. Os líderes foram presos e executados.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Carnaval está batendo a porta "A origem do Frevo"



É Carnaval e, em Recife, a festa "ferve". É daí que vem o nome do frevo.

O próprio frevo vem da junção de ritmos como a polca, a marcha, o maxixe, o dobrado e a capoeira. O resultado todo mundo conhece: um ritmo acelerado, sem letra, com passos difíceis e acrobáticos e uma inseparável sombrinha.

Origem

Foi no final do século XIX que surgiram os primeiros clubes carnavalescos e as primeiras bandas de músicas marciais em Pernambuco, com seus dobrados, marchas e polcas.

Perseguidos pela polícia, os capoeiristas adaptavam seus movimentos aos ritmos executados e carregavam como armas as madeiras, que sustentavam os símbolos dos grupos carnavalescos, ou guarda-chuvas, de onde vêm as sombrinhas coloridas que hoje são o símbolo do frevo e do carnaval Pernambucano.

Assim foi semeada a semente que foi cultivada até o nascimento do frevo, que teria ocorrido entre 1909 e 1911, segundo referências que encontrei, mas que teve os seus cem anos comemorados em 2007, havendo, portanto muitas controvérsias sobre a data.

Mas com cem anos ou não, foi em 2007 que o frevo foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial pelo IPHAN.

Fonte: http://capoeiradevenus.blogspot.com/2010/02/origem-do-frevo.html

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Lançamento do Livro Alma Sertaneja de Cobra Cordelista no Teatro Paulo Freire de Paulista


Foi uma festa muita bonita com a presença, inclusive no palco, de vários escritores e poetas Pernambucanos. O brincante Mateus apresentado pelo ator Del da cidade de Paulista abriu o espetáculo e encantou a platéia com seu talento, era a sua estréia no show de Cobra Cordelista e foi aprovadissímo.

Nos violões Vitor Aragão e Fauzer Zaidan, na Zabumba Felipe de Dora e na percussão Pereira.
A academia de escritores de Paulista se fez representar com todos os seus escritores e poetas e subiram no palco Alatir Leal, Amaro Poeta Lenemar Santos, Geraldo Valério, Morginho Pernambucano e Manoel Salustiano, filho do Mestre Salu, que agente posta amanhã ao lado de outros convidados!

Abraços e vejam as fotos!
Cobra Cordelista.



Integrante de guerrilha tentou montar base rural em Itapetim


Na zona rural de Itapetim, sertão pernambucano, permanece quase que intacto o sítio aonde um ex-dirigente do Movimento de Libertação Popular (Molipo) - posteriormente assassinado na Bahia pelas forças da repressão - sonhou instalar, no início dos anos 70, uma base rural para enfrentar a ditadura militar brasileira que por duas décadas comandou o País com mãos de ferro. Trata-se do Sítio Baixio, localizado a 02 quilômetros do centro de São Vicente, um distrito de Itapetim, município distante 430 km do Recife, a capital de Pernambuco.

Propriedade típica dos sertões nordestinos - ou seja, praticamente sem benfeitorias, apenas uma pequena casa de tijolo aparente e um barreiro para juntar a água da chuva-, o Sítio Baixio é de tamanho modesto (cerda de 10 hectares) e entre 1971 e 1974 pertenceu ao advogado baiano João Leonardo da Silva Rocha, um dos 15 presos políticos brasileiros libertados em troca do embaixador americano Charles Burke Elbrick, seqüestrado pela guerrilha de esquerda em 1969. Banido do Brasil, ao retornar, João Leonardo se instalou ali.

É claro que João Leonardo não chegou a São Vicente usando o seu nome verdadeiro. Ao adquirir o Sítio Baixio, ele se passava por José Lourenço da Silva, ou Zé Careca, apelido que ganhou da gente simples do lugar, pessoas como José Vital de Siqueira, o Zé de Vital, 63 anos, agricultor aposentado, que hoje lembra da vida no sítio do amigo: “Era um sítio igualzinho aos outros daqui. De vez em quando, ele chamava e nós ia caçar. Depois, ele ficava lá, cuidando de umas roçinhas bestas e ouvindo um rádio Siemens que ele tinha”.

Quando teve que sair de São Vicente por suspeitar que os militares tinham descoberto o seu projeto (Veja no texto seguinte, a resumida biografia de João Leonardo da Silva Rocha), Zé Careca deixou o Sítio Baixio aos cuidados da companheira sertaneja com quem viveu um grande amor e disse: “Se eu não voltar, faça o que quiser com tudo isso aqui que também é seu.” Como João Leonardo jamais voltaria, Virgínia Paes de Lima (a companheira hoje também falecida) cuidou do sítio até vendê-lo ao atual proprietário, Geneci José de Siqueira.

Embora preservado, atualmente o Sítio Baixio pouco produz: serve apenas para pequenos plantios de milho e feijão em épocas de chuva e funciona, também, como ponto de apoio para Geneci José de Siqueira (que não mora ali) encurralar seis vacas leiteiras. Além disso, tudo alilíticos de esquerda como ele e tantos outros.

A passagem de João Leonardo da Silva Rocha pelo distrito de São Vicente foi um tanto misteriosa - e não poderia ser diferente uma vez que ele viveu ali na clandestinidade. Assim, hoje pouco se sabe do que ele fez (ou pretendeu fazer) ali. Mas, muitos têm consciência de que o Zé Careca foi um importante personagem da recente história política brasileira. Tanto que o prefeito da cidade, Adelmo Moura, decidiu, no início de agosto, propor à Câmara Municipal mudar o nome da praça central de Itapetim para Pça. João Leonardo da Silva Rocha.

Também no início deste mês de agosto, o diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, jornalista e professor universitário Ivan Seixas, esteve em São Vicente colhendo subsídios para escrever a história do ex-militante do Molipo – movimento ao qual também pertenceu, entre outros, o ex-ministro José Dirceu. Com ex-militantes como Amparo Aaújo e outros, Ivan Seixas é autor de dossiês sobre vítimas da ditadura militar brasileiro de 1964.

João Leonardo da Silva Rocha (1939 – 1975)

João Leonardo da Silva Rocha era filho de Maria Nathália da Silva Rocha e Mário Rocha. Nasceu a 04 de agosto de 1939, na cidade de Salvador, Bahia. Perteceu à organização política denominada Movimento de Libertação Popular (Molipo), da qual foi dirigente, e seu nome integra hoje a lista de desaparecidos políticos brasileiro anexa à lei nº 9.140/95 que reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas no período de 02 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979.


Na foto, 13 dos 15 presos políticos libertados em troca do embaixador americano Charles Elbrick, que foi solto em 07/09/1969. João Leonardo é o primeiro abaixado, de branco, escondendo as algemas com o casaco.



João Leonardo fez o curso primário em Amargosa, Bahia, onde morava com seus pais. Estudou o primeiro ano do curso secundário no Colégio dos Irmãos Maristas, em Salvador, ingressando, a 29/02/1952, no Seminário Católico de Aracaju, onde permaneceu até 1957. Em 1959, aprovado em concurso público, tornou-se funcionário do Banco do Brasil em Alagoinhas (BA), cidade em que seus pais passaram a residir. Naquele mesmo ano começou ensinar Português e Latim no Colégio Santíssimo Sacramento e Escola Normal e Ginásio de Alagoinhas.

No início de 1962, João Leonardo da Silva Rocha muda-se para São Paulo, ainda como funcionário do Banco do Brasil, onde também passou a ensinar Latim e Português em colégios da região do ABC paulista. Era considerado excelente poeta e contista. Ingressou, logo depois, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da USP, época em que passou participar da militância política. Foi diretor da Casa do Estudante, localizada na Av. São João, que abrigava alunos de sua Faculdade. Vem de uma testemunha inesperada – o filósofo e articulista Olavo de Carvalho – o depoimento de que, nessa época da Casa do Estudante, João Leonardo realizou excelentes duetos musicais com Arno Pires, que foi morto em fevereiro de 1972 e também pertencia ao Molipo.

João Leonardo cursava o último ano de Direito e já integrava a ALN (Agrupamento Comunista de São Paulo) quando foi preso pelo DOPS, no final de janeiro de 1969, no fluxo de prisões de militantes da VPR que mantinham contato com a organização de Marighella. O mesmo Olavo de Carvalho já escreveu mencionando as brutais torturas a que foi submetido o seu amigo daquela época. Os órgãos de segurança acusavam João Leonardo de participar do Grupo Tático Armado dessa organização guerrilheira, tendo participado a 10/08/1968 do rumoroso assalto a um trem pagador na Ferrovia Santos/Jundiaí, bem como de outras operações armadas. Foi, inclusive, indiciado no inquérito policial que apurou a execução do oficial do Exército norte-americano Charles Chandler, a 12/10/1968, embora não seja apontado como participante direto do comando que realizou a ação.

Em setembro de 1969, com o seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, João Leonardo foi um dos 15 presos políticos libertados e enviados ao México, oficialmente banidos do País. Transferiu-se para Cuba e recebeu treinamento militar naquele País, onde se alinhou com o grupo dissidente da ALN que gerou o Molipo. Retornou ao Brasil em 1971, se estabelecendo numa pequena localidade rural de Pernambuco, São Vicente, que era Distrito de Itapetim, sertão do Pajeú, quase divisa com a Paraíba. Raspou totalmente a cabeça e era conhecido como Zé Careca. Tornou-se lavrador, tendo adquirido um pequeno sítio onde trabalhava. Gostava muito de caçar e era exímio atirador. Era muito querido na região e, como tinha habilidades artesanais, fazia brinquedos com que presenteava as crianças.

Foi um dos poucos sobreviventes entre os militantes que tentaram construir bases rurais do Molipo, entre 1971 e 1972, tanto no Oeste da Bahia quanto no Norte de Goiás, território atual do Tocantins. Quando pressentiu que podia ser identificado na região de São Vicente, mudou-se para o interior da Bahia, onde terminaria sendo localizado e morto em junho de 1975, ano em que o Molipo e ALN já não existiam mais e João Leonardo buscava sobreviver e trabalhar. Num choque com agentes policiais que, ainda hoje, é recoberto por densa camada de mistério e informações desencontradas, foi executado por agentes da Polícia Militar da Bahia em Palmas de Monte Alto, município entre Malhada e Guanambi, no Sertão Baiano, margem direita do Rio São Francisco, divisa entre Bahia e Minas.

Seu caso foi o último episódio a confirmar a existência de uma verdadeira sentença de pena de morte extra-judicial, decretada pelos órgãos de segurança para todos os banidos que retornassem ao Brasil com a intenção de retomar a luta contra a Regime. (Texto do livro “Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964”).

O Molipo

O Movimento de Libertação Popular (Molipo) foi um dos grupos que deflagraram a guerrilha urbana no Brasil entre 1968 e 1973. Surgiu em 1971 como uma dissidência da Ação Libertadora Nacional (ALN) que, por sua vez, teve origem no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e era comandada por Carlos Marighella, antigo dirigente do Partidão. Dissidência armada do PCB, a ALN surgiu em 1967.

O Molipo tinha contingente reduzido e, segundo o livro Brasil Nunca Mais, “foi extinto com a execução sumária ou sob torturas da maioria dos seus membros, entre os quais se destacaram líderes estudantis paulistas como Antônio Benetazzo, José Roberto Arantes de Almeida e Jeová Assis Gomes”. José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil do Governo Lula e ex-presidente do PT foi um dos seus integrantes.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Estudo para cordel: sertão de vaqueiros, berrantes e aboios


Por Rangel Alves da Costa*


Num sertão de mataria, de pega de boi e correria, o sertanejo quando acorda, olha o mundo e o que lhe aborda e mesmo que tudo esteja triste, pois o verde não mais existe, a seca inclemente persiste e a esperança quase desiste, ainda assim surge um alegrar, nos olhos vem um brilhar, chamando à luta pra vaqueirar.

São vaqueiros desse mundão, do destino no sertão, do café sem ter o pão, do problema sem solução, da promessa e decepção. Vaqueiros de tudo que há, desde a casinha de morar, no cercado de roçar, da vida além a lhe chamar para o rico vaqueirar. Vaqueiros de mulher e filhos, desse trem sem ter mais trilhos, da escuridão onde era brilho.

O que vejo nesse sertão chega parece ilusão, mas logo me vem na memória vaqueiros numa história, de ontem e de então. Tantos cordelistas vaqueiros, que nas terras do cordel foram os primeiros a cantar a solidão desse viver no sertão, por ter tudo e nada ter, a não ser a galhardia de aboiar noite e dia pra vida ter alegria.

Então vejo Leandro Gomes de Barros aboiando, João Firmino acompanhando, Melquíades Ferreira da Silva com o seu pavão pavoneando, João Camelo lhe desafiando, Cego Aderaldo violando, Otacílio Batista versejando, Zé da Luz apaixonado, soltando um aboio exaltado, chamando a compadria para ouvir seu novo verso, então se forma um universo de cordelistas em euforia.

Gonçalo Ferreira da Silva apressado vai chegando acompanhado de um Moreira de Acopiara exaltado. Cada um traz seu berrante, pelas costas um embornal, dizendo ter uma notícia que nunca se viu igual e espalham em todo canto tanto verso e tanto encanto que Rouxinol de Rinaré passa mal com tal espanto. E todos puderam ver, sem acreditar nem crer a nata do cordel com a chama a lhes acender.

E que nunca leu, ouviu falar ou se deu a cordel daquela altura, da mais alta literatura escrita com tanta invenção e bravura: "Sofrimentos de Alzira", “Juvenal e o dragão”, “A moça que bateu na mãe e virou cachorra”, "Antônio Silvino", “O cachorro dos mortos” "Zé Bico Doce”, "Os Cabras de Lampião", "Pavão Misterioso”, “História da princesa da Pedra Fina”, “Batalha de Oliveiros com Ferrabraz”, "Vaqueiro Damião", “A chegada de Lampião no inferno”, dentre muitos outros do cordel eterno.

Em muitos desses livretos, como versos em sonetos, o artista que é vaqueiro fala de outro companheiro, cabra mais que cabreiro, na sua arte o mais ligeiro, para mostrar que o vaqueiro da raça é o primeiro. Sertão sem vaqueiro existe não, é missa sem o sermão, é cantoria sem violão. E aquele que tange gado, pega boi desesbestado, corre em cavalo malvado, salta cerca e pula estrado, não faz só por profissão, pois além da precisão é catingueiro de coração.

O cordel canta o vaqueiro como a chama do isqueiro, dando toda importância ao sertanejo verdadeiro. Vaqueiro de pega-de-boi, de vaquejada, de estrada com a boiada, homem que corta invernada para o rebanho juntar, e vai chegar onde ele tá nem se quipá lhe furar. Vaqueiro com seu gibão, seu selim, seu alazão, seu embornal e seu chão, cara marcada pelo lanhão, necessitado de proteção na vaqueirama como missão.

Bicho conhece vaqueiro, basta ouvir o berrante e some no mato ligeiro. Treiteiro é da boiada o boiadeiro. Cada berro que ele dá não é só gado alertar, mas dizer a natureza que ela tenha a gentileza de deixar ele passar, não ponha toco no meio, deixe o cipó mais alheio e tire tudo que for feio para o cavalo passar, pois a pata que corta chão necessita do clarão da mata para avançar.

Vaqueiro que sai cedinho, fala com o sertão de mansinho, e depois de fazer carinho à natureza ao redor vai pro mundo e não vai só, pois leva o de melhor que é a esperança de voltar, por isso faz seu rezar para à noitinha avistar a filharada a lhe abraçar. E quando chega feliz, salvo que foi por um triz, vai tomar uma golada de pinga com raiz misturada, que é pro sangue acalmar, pra o vaqueiro relaxar e começar a aboiar.
E no descampado sertanejo, surgido como um lampejo ecoa um som pelo ar, primeiro vem o berrante depois o vaqueiro a aboiar. O aboio é canto triste, magoado por demais, cantado dolemetente, o vento lembrança traz, de amor e de boiada, de tudo que satisfaz.

No aboio de Seu Leonel: “Vaqueiro que é vaqueiro/ Amansa o gado e quer bem/ Todo dia vai ao campo/ E conta a boiada que tem/ Quem não gostar de vaqueiro/ Não gosta de mais ninguém/ Oh! Festa de gado! Êh, boi!”.

No aboio de Zé Preto:

“Brinco com touro valente/ Lembrando de tu menina/ Qualquer coisa de amor/ Que tu subé, tu me ensina/ Eu morro por ter respeito/ Outra coisa eu não aceito/ Que teus olho me domina/ Êi, boi!”.
No aboio que o cordelista Zé da Luz escreveu: “Minha fama de vaquêro/ Fez inveja a cantado/ Aos mais grande violêro!/ Pois se êles tinha as viola/ E trazía nas cachóla,/ O dom da impruvisação/ Eu dibáxo dêsses couro/ Tinha um violão sanôro/ Parpitando de emoção!/ O violão do meu peito/ Nas corda do coração!/Quando meu peito aboiava/ A naturêza iscutáva/ Num ato de cuntrição!”.

Ou ainda no aboio cantado por Luiz Gonzaga em homenagem ao grande vaqueiro Raimundo Jacó:

“Numa tarde bem tristonha/ Gado muge sem parar/ Lamentando seu vaqueiro/ Que não vem mais aboiar/ Não vem mais aboiar/ Tão dolente a cantar/ Tengo, lengo, tengo, lengo,/ tengo, lengo, tengo/ Ei, gado, oi/ Bom vaqueiro nordestino/ Morre sem deixar tostão/ O seu nome é esquecido/ Nas quebradas do sertão/ Nunca mais ouvirão/ Seu cantar, meu irmão/ Tengo, lengo, tengo, lengo,/ tengo, lengo, tengo/ Ei, gado, oi/ Sacudido numa cova/ Desprezado do Senhor/ Só lembrado do cachorro/ Que inda chora/ Sua dor/ É demais tanta dor/ A chorar com amor/ Tengo, lengo, tengo, lengo.../ Ei, gado, oi!”


Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com