sábado, 26 de fevereiro de 2011

Um pouco do Dicionário de Matutês

A

Ababacado – Bobo, tolo, idiota
Abestado - Bobo, tolo, idiota.
Abilolado – Bobo, indivíduo ingênuo
Abiscoitado – Bobo, ingênuo
Abisuntado - Enganado, lesado.
Abufanar – Provocar; irritar; perturbar
Abusar – Perturbar, passar dos limites
Acabrunhado - Triste, desanimado
Acertar na veia - Fazer a coisa com exatidão; dar o tiro certo.
Acochado – Destemido, valente
Acunhar - Perseguir, chegar junto
Afanar – Roubar
Afolozado - Folgado
Aí dento – O mesmo que "vai te lascar", "Vai te foder"
Alcoviteira – Pessoa que faz intermediação ou apóia namoro proibido
Aloprado - Ousado
Alpercata - Sandália de couro cru
Aluado – Meio louco
Alvoroçado – Apressado, estabanado
Amancebado - Aquele que não é casado no papel
Amarrar-o-bode – Ficar de mau humor
Amasso – Agarrado entre duas pessoas enamoradas; sarro
Amojada – Prenhe, grávida
Amolegado - Coisa remexida, mole; pessoa frouxa.
Amostrado – Exibido
Amuado – Acuado; aborrecido
Amundiçado – Desprovido de bons modos; mal-educado
Ancho - Feliz, contente; metido
Aperriado – Aflito, irritado
Apoquentado – De cabeça quente; irritado
Aprochegar - Aproximar-se; se enturmar.
Arenga - Briga
Ariado – Sem rumo, desorientado
Aruá – Bobo, idiota
Arranca-rabo - Briga séria, confusão
Arregar – Pegar carona sem ser convidado; usufruir de algo sem pagar
Arremedar - Imitar, geralmente os pássaros.
Arretado – De boa qualidade, excelente
Arriado – Enamorado, apaixonado
Arrilique - Remédio eficaz, santo remédio
Arribar – Partir, fugir
Arrocha-o-nó - Ajir com firmeza
Arrombado - Em situação difícil, aruinado
Arrudiar - Dar a volta pelo lado de fora ("O moleque arrudiou o circo, procurando um buraco pra entrar")
Arupemba – Peneira
Assanhado – Atrevido; ousado
Assuntar - Refletir sobre algum assunto
Atanazar – Aperrear, deixar irritado ("Esse animal só vive me atanazando o juízo")
Atarantado – Cheio de obrigações, de tarefas a cumprir, superocupado
Avacalhar – Esculhambar; ironizar
Avexar – Apressar
Avia – Apressa, agiliza ("Avia logo com esse serviço, menino!")
Avuado – Desorientado
Azucrinar - Aborrecer, irritar alguém

B

Babão - Puxa-saco
Bafafá – Confusão, bagunça
Baitola - Bicha, homessexual masculino
Baixa-da-égua - Lugar muito distante
Balai-de-gato - 1. Situação confusa; 2. Coisa muito ruim.
Baleado – Ligeiramente embriagado
Bambo - Por acaso, por sorte (Não sabia o endereço, acertou no bambo)
Banana – Tolo, idiota
Barata-de-igreja - Beata
Barraco – Baixaria; situação vexatório; escândalo
Barroada – Choque, batida entre dois ou mais automóveis
Bascui – Sujeira, entulho
Bater-fofo - Falhar, não cumprir o prometido
Berrante - Revólver, arma de fogo
Berreiro - Gritaria
Beiço – Lábio
Bestice - Besteira
Bexiga – Coisa ruim; situação complicada
Bexiguento - Patife, cretino
Bicada – Dose de aguardente, dose de bebida alcoólica
Bicado - Embriagado
Bicha – Homossexual masculino
Bigu - Carona
Bila – Bola de gude
Bilola – Pênis
Bimba – Pênis
Bimbada – Trepada; ato sexual
Bip – Pessoa insistente; pessoa pegajosa; pessoa que fala muito
Biritado – Bêbado, embriagado
Biruta – Amalucado, louco
Bizu - Cola de prova; fraude em vestibular
Boca-de-siri - Pessoa que guarda segredo
Boca-quente - Pessoa influente, importante
Bodeado – Chateado; embriagado
Bode-moco - Pessoa com problema de audição
Boga - Cu, ânus
Boiola – Homossexual masculino
Boneca - Homossexual masculino
Borná – Saco ou bolsa, usado a tiracolo, por caçadores ou para transporte de ferramentas
Borocoxô - Desanimado, triste, cabisbaixo
Borrego – Filhote de cabra
Botar galha - Cornear, ser infiel
Brebote – Comida com baixo teor de nutrição
Bregueço - Objeto sem valor, despresível
Brenhas - Lugar longe e de difícil acesso
Bronha – Masturbação masculina (O menino estava batendo uma bronha no banheiro)
Broxar – Perder a potência sexual
Bruaca – Mulher feia
Buceta – Vagina, priquito
Bufar – 1. Peidar, dar peidos; 2. Gemer de raiva
Bujinganga – Conjunto de objetos variados, sem ou de pouco valor; miudezas
Bunda-nacasta – Cambalhota
Bundeira – Mulher que pratica sexo anal mas continua virgem (Ela ainda não tá perdida, é só bundeira)
Buruçu – Confusão

C

Cabaço – Hímen; virgindade (O safado tirou o cabaço da moça e não casou)
Cabra – Pessoa não identificada; pessoa má; trabalhador braçal
Cabra-cega – Brincadeira em que uma criança, de olhos vendados, tenta pegar outra
Cabreiro – Desconfiado; arredio
Cabrita – Menina-moça, moça sapeca
Cabroeira – Grupo de cabras, pessoas
Cabuetar - Denunciar
Cabuloso – Chato; desagradável (O sujeito é muito cabuloso)
Cabreiro - Desconfiado
Cacareca - Coisa velha, objeto sem valor
Cachete – Comprimido
Cafofa - No futebol, chute fraco, sem força
Cafundó – Lugar muito distante
Cagada – Coisa mal-feita; acerto por pura sorte, no bambo
Cagado – Sortudo, pessoa de sorte
Cagado-e-cuspido - Semelhante, muito parecido
Caixa-dos-peito - Tórax (O cabra levou um tiro bem na caixa-dos-peito)
Caixa-prego - Lugar muito distante
Califon - Sutiã, corpete
Calombo - Ematoma, galo, caroço
Calunga – Aquele que trabalha descarregando caminhão
Cambito – Perna fina (Ela não tem peito nem bunda e as pernas parecem mais dois cambitos)
Cambota - Pessoa de joelhos separados, que caminha de pernas abertas
Cancão - Posta de comida amassada com as mãos
Cangote – Pescoço
Canso - Cansado; Informação velha (Ele casou com ela porque quis, mas estava canso de saber que ela não prestava)
Cão chupando manga - Muito competente no que faz
Capiongo - Desanimado, triste, abatido
Carão - Repreensão (Fez mulcriação e levou um carão do pai)
Caritó – Estado da mulher que envelheceu e não conseguiu casar (Ela ficou no caritó)
Carne-de-cu - Coisa ou pessoa ruim (Aquilo é pior do que carne-de-cu)
Carne-mijada – Vagina
Carraspana - Bebedeira, cachaça
Catatau - Entulho, amontoado de objetos
Catinga – Mau-cheiro
Catingoso - Mul-cheiroso, fedorento
Catombo - Parte elevada de alguma superfície; ematoma
Catota - Secreção nasal, meleca
Catráia - Mulher sem compostura, vadia
Catrevage - Coisa velha, objetos sem valor
Cavalo batizado - Grosseiro, estúpido
Cavernosa - Pessoa ou coisa misteriosa
Chamar-na-grande - Advertir seriamente
Chapuletada - Pancada grande
Chei dos paus - Bêbado
Cheleléu - Puxa-saco, xaleira
Chililique - Desmaio
Chirimbamba - Mundiça, ralé
Chirre – Sopa rala, caldo sem consistência
Chocha-bunda - Feijão de corda
Chumbado - Meio embriagado
Chupitilha - Refresco
Cocorote - Cascudo
Coivara - Ajuntamento de galhos preparativo na queimada
Comunismo – Carestia (Os preços na feira hoje estavam um comunismo)
Confeito – Bom-bom, bala
Conversa-mole – Conversa vulgar; besteira
Conxambrança – Acordo entre duas ou mais pessoas, com objetivo de ação maldosa
Corta-jaca – Intermediário de namorados
Corpete - Sutiã
Cotoco – Pedaço muito pequeno de um objeto (O lápis está só no cotoco)
Couro-de-pica – Diz-se da pessoa ou situação que vai e volta freqüentemente sem nada resolver
Cromo - Calendário
Cu-de-boi – Confusão; caos
Cu-de-ferro – Diz-se da pessoa dedicada, estudiosa
Cunhão - Testículo
Curriola – Grupo de pessoas da baixa classe social
Custar os olhos da cara - De preço muito caro
Cuvico - Pequeno cômodo

D

Dar o grau - Caprichar num serviço
Dar o prego - Enguiçar, quebrar (o carro deu o prego na subida da ladeira)
Dar uma rabeada - Diz-se quando o carro derrapa, dar puxada brusca
Delicado – Homossexual masculino; homem afeminado
Derna – Desde
Derrubado – Feio; decrépito
Descabaçar – Desvirginar uma donzela
Desapiar – Desmontar do animal
Desenxavido – Desinibido
Desopilar - Descontrair
Desmilinguido – Magro; sem vigor
Despachada – Pessoa desinibida; pessoa folgada
Despautério – Desaforo
Despanaviado – Desajeitado; tonto
Desparafusar – Perder a razão; enlouquecer
Destrambelhado – Desajeitado
Desunerar – Engrolar; ficar mal cozido ou mal assado; comida fora do ponto
Difunço – Gripe, resfriado
Disgramado - Atrevido ou sujeito desgraçado
Dois gatos pingados - Platéia minúscula, pouca gente
Do tempo do ronca - Muito antigo, fora de moda, ultrapassado

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sertânia cidade de poetas



Lio de Souza e Tiago de Carnaíba dos Dantas

Lio de Souza e Tiago de Carnaíba dos Dantas e o poeta Gaudêncio

Renato de Sertânia




Casa da Cultura de Sertânia

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Papangu

Personagens indispensáveis no carnaval de Pernambuco, os papangus são hoje alegres foliões mascarados que circulam pelas ruas das cidades, dando um colorido especial à festa. Mas, nem sempre foi assim. Originalmente, os papangus eram figuras grosseiras e temidas que acompanhavam as procissões religiosas, tocando trombeta e dando chicotadas em quem atrapalhasse o cortejo.

Veja, aqui, o que alguns estudiosos da cultura popular dizem sobre esses famosos tipos:

Em artigo sobre as procissões religiosas em Pernambuco, publicado pela Revista de História Municipal, em junho de 1978, Renan Pimenta Filho assim descreve os papangus: ?Indivíduo que ia à frente da Procissão de Cinzas (realizada na quarta-feira de cinzas no Recife e em Olinda) encarregado de tocar corneta anunciando o cortejo. Ele vestia uma túnica de tecido escuro, tinha a cabeça e o rosto cobertos por um capuz branco com três buracos ? um na boca e dois nos olhos. Levava um chicote com o qual batia nos moleques que tentavam perturbar o desfile religioso. Atrás do papangu, vinham as várias alas da procissão?.

No Dicionário do Folclore Brasileiro, Luís da Câmara Cascudo informa que ?o termo papangu vem de uma espécie grosseira, assim apelidada, e que, à espécie de farricoco (NR. encapuzado que acompanhava as procissões de penitência tocando trombeta de vez em quando), tomava parte nas extintas procissões de cinzas, caminhando a sua frente, armado de um comprido relho (chicote de couro torcido), com que ia fustigando o pessoal que impedia a sua marcha?.

Figura temida, sobretudo pelas crianças, o papangu que puxava as procissões religiosas começou a ser questionado até que, em 1831, foi proibido, através das Posturas da Câmara Municipal do Recife: ?Ficam proibidos os farricocos e papangus, figura de morte e de tirano, nas procissões que a Igreja celebra no tempo da Quaresma?. Depois dessa proibição, o termo papangu passou a denominar tudo o que fosse agressivo, grosseiro. Em 1846, circulou no Recife um jornal político, de linha editorial panfletária, sob o título de ?O Papa-Angu?.

Atualmente, como todo bom folião sabe, os papangus são apenas alegres mascarados que enchem as ruas das cidades pernambucanas, nos dias de carnaval. O município de Bezerros, a 100 quilômetros do Recife, é a região do Estado que apresenta a maior concentração desse tipo de carnavalesco. Ali, segundo os moradores, os primeiros papangus de que se têm notícias surgiram na década de 1930. Eram os chamados ?papangus pobres?, que trajavam roupas velhas e máscaras rústicas confeccionadas com papel jornal e goma.

A partir dos anos 1960, os papangus de Bezerros ficaram mais numerosos, embora uns ainda usando fantasias pobres, mas outros já exibindo batas coloridas e máscaras bem trabalhadas. A partir da década de 1990, depois que a televisão começou mostrar aquela característica do carnaval da cidade, os papanguns bezerrenses passaram a usar máscaras sofisticadas, confeccionadas com todo tipo de material e desenhadas por artistas plásticos locais ou de outras regiões do Estado. A ?brincadeira? cresceu tanto que, hoje, a cidade é conhecida como a Terra dos Papangus.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Homem da Meia-Noite


Fundado em 1932, o clube carnavalesco de alegoria misto "O Homem da Meia-Noite" é uma das mais famosas agremiações de Olinda. Com o seu boneco gigante, sai às ruas a zero hora do sábado, abrindo o carnaval da cidade.

Atualmente, o bloco nada mais é que o gigantesco boneco e o estandarte, acompanhados por uma orquestra de frevos, arrastando uma multidão pelas históricas ladeiras olindenses. Mas, nem sempre foi assim. Já houve épocas em que o clube desfilava com carros alegóricos, enredo previamente definido e fantasias luxuosas.

De acordo com o autor do Livro "Olinda, Carnaval e Povo", o carnavalesco José Ataíde, mais conhecido por Zé de Marli, uma das maiores exibições de "O Homem da Meia-Noite" aconteceu no carnaval de 1945. Naquele ano, o clube levou às ruas quatro carros alegóricos, uma cavalariça com 40 cavaleiros e dezenas de participantes luxuosamente fantasiados. Entre as alegorias, uma representava as ruínas do antigo senado de Olinda e as outras compunham o enredo do desfile que se referia aos trabalhadores, ao trabalho.

"O Homem da Meia-Noite" surgiu como troça, categoria a qual pertenceu até 1936. Seus fundadores foram: Benedito Bernardino da Silva, Cosme José dos Santos, Sebastião Bernardino da Silva, Luciano Anacleto de Queiroz, Eliodora Pereira de Lira e Manuel dos Santos. O Clube tem sede própria, na Rua do Bonsucesso, e desde a sua fundação mantém a tradição de desfilar seguindo exatamente o mesmo percurso. O boneco gigante tem a aparência do seu construtor, Benedito Bernardino da Silva que também é autor do hino do clube cuja letra tem apenas quatro versos:

Lá vem o Homem da Meia-Noite
Vem pelas ruas a passear
A fantasia é verde e branca
Para brincar o carnaval.

O nome da troça, pelo menos de acordo com uma das versões mais populares, deve-se ao seguinte fato: todo dia, exatamente à meia-noite, um homem voltava para casa, na Rua do Bonsucesso, seguindo, a pé, o mesmo caminho. Depois de um certo tempo, essa rotina do homem foi descoberta e ele passou a ser aguardado, com ansiedade, pelas donzelas da rua que se plantavam atrás das janelas para, através das frestas, apreciar o bonitão. Esse episódio ganhou fama e, em seguida, surgiu o troça que, curiosamente, desfila seguindo o mesmo percurso desde a sua fundação.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Romaria em Itapetim em Homenagem Padre José Antônio de Maria Ibiapina Romaria em Itapetim em Homenagem Padre José Antônio de Maria Ibiapina

Publicado por Itapetim.net em 19 de fevereiro de 2011 | Categoria: Itapetim Notícias




A comunidade Paroquial de São Pedro, em Itapetim, na pessoa do pároco Padre Adhemar de Lucena, irmãs de caridade de São Vicente de Paula, conselho paroquial, comissão organizadora e o padre José Viana, honrosamente realizaram juntos com toda comunidade e visitantes, solenidades em memória ao servo de Deus – Padre José Antônio de Maria Ibiapina, neste 18 e 19 de fevereiro de 2011.

Sexta – feira (18) às 5:00 hs da manhã, a alvorada, proporcionou aos itapetinenses um bonito despertar. Ao meio dia na Igreja Matriz – o terço do Padre Ibiapina. A noite por volta das 20:00 Romeiros de outras paróquias foram calorosamente acolhidos pelos itapetinenses. As 21:40 a santa missa foi realizada pelos padres Luizinho, Jorge e José Viana. Ao término da santa missa, encerrou-se a programação deste primeiro dia de romaria com procissão por algumas ruas do centro da cidade, retornando a Matriz de São Pedro, onde concentrou-se o encerramento deste 1º dia de romaria com peça teatral encenando o trajeto dele em Itapetim e já acamado sendo levado pelos fieis.
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Neste sábado (19) a programação iniciou-se as 04 hs da manhã com ofício do padre Ibiapina, na Igreja Matriz de São Pedro. Logo após os romeiros seguiram à Santa Fé – Solânea – PB, onde as 16:00 hs haverá concelebração Eucarística no Santuário de Santa Fé – Solânea – PB.
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Paróquia de São Pedro (Padre Adhemar Lucena), irmãs da caridade de São Vicente de Paula, Conselho Paroquial, Pe. José Viana (ilustre conterrâneo), homens do Terço,Terço da Comunidade, Secretaria de Educação, Escolas Municipais, Escola Teresa Torres, Ordem Terceira de São Vicente Francisco, Voluntários da Caridade, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde, Pastoral Carcerária, EJC, JMV e RCC, enfim, a todos que harmoniosamente realizaram estas solenidades, nossos sinceros parabéns e agradecimentos em nome da comunidade itapetinense.



Bairro do Recife




Bairro que deu origem à cidade, o Recife Antigo surgiu em fins da primeira metade do século XVI. O ponto de origem da povoação foi um porto, construído para escoar pau-brasil e os produtos da atividade agro-açucareira de Olinda, então capital pernambucana. Instalado o porto, em seguida houve a necessidade de construir depósitos para armazenar as mercadorias, também foram erguidas casas para servir como residências dos trabalhadores portuários e, assim, nasceu a comunidade.

Inicialmente, o bairro era denominado "Arrecifes dos Navios" e se estendia, desordenadamente, por uma área de aproximadamente dez hectares, com a construção das casas não seguindo nenhum ordenamento: a abertura de ruas obedecia apenas à vontade dos que ali se fixavam. Só durante o domínio holandês, precisamente com a chegada do conde Maurício de Nassau a Pernambuco (1637), é que o bairro passou a ter algum planejamento. Nessa época, eram 15 ruas e uma praça.

Por conta da movimentação do porto, o povoado logo se tornaria bastante habitado. Em 1654, por exemplo, quando os holandeses deixaram Pernambuco, o hoje Bairro do Recife já contava com 300 prédios - entre ao quais a Casa da Câmara, a Igreja do Corpo Santo, a Cadeia e vários armazéns.

Em 1709, os comerciantes locais receberam autorização do Coroa portuguesa para instalar ali a Vila de Santo Antônio do Recife, o que só ocorreria dois anos mais tarde e depois de uma guerra civil com Olinda.

No local do antigo ancoradouro, em 1918 foi inaugurado o Porto do Recife (o maior e mais moderno do Nordeste, à época), o que deu grande impulso ao desenvolvimento econômico do bairro. Entre as décadas de 1950/70, o Recife Antigo viveu uma movimentada fase de reduto boêmio. No início da década de 1980, depois que o Porto de Suape (construído entre os municípios do Cabo e Ipojuca) começou a operar, deixando o Porto do Recife em plano secundário, o velho bairro entrou em decadência.

De grande centro comercial e importante ponto de embarque e desembarque de mercadorias para todo o Nordeste brasileiro, o Recife Antigo passou a abrigar apenas escritórios contábeis ou de representação e, sobretudo, os bordéis recifenses. Seus moradores mudaram de endereço e, com o tempo, o rico conjunto arquitetônico da área foi-se deteriorando. Só na década de 1990 é que tiveram início projetos de recuperação do casario do Recife Velho.

O bairro do Recife Antigo chegou a 2003 com vários prédios históricos restaurados, outros trechos do seu casario em recuperação e, pelo menos, três pólos de lazer consolidados. A população residente, se comparada à de outras épocas, era insignificante: apenas 700 moradores, dando ao bairro o título de segundo menos populoso da cidade. Mas, é para o velho Recife que não só a prefeitura, como também o governo estadual, estão carreando grandes programações turístico-culturais.

Segundo o Censo do IBGE, em 2000 o bairro do Recife tinha os seguintes dados:

População: 925 habitantes

Área: 467,8 hectares

Densidade: 1,98 hab./ha

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A companhia da poesia e o caixeiro viajante da Cultura


A companhia da poesia e o caixeiro viajante da Cultura


Esta turma tem percorrido a região metropolitana, o litoral, o sertão e o agreste de Pernambuco comigo, levando a cultura genuinamente Pernambucana, com a releitura de clássicos da poesia, trazendo a lembrança de poetas inesquecíveis, já falecidos como: Pinto do Monteiro, Job Patriota, Antônio Marinho, Rogaciano Leite, Louro do Pajeu, Antônio Pereira e tantos outros, ao lado da releitura de clássicos sertanejos cantados por Luiz Gonzaga, Catulo da paixão Cearense, Gordurinha, Jackson do Pandeiro e ainda letras de Humberto Teixeira, José Marcolino, Patativa do Assaré entre outros. Já estamos no brejo e no Sertão Paraibano e fico feliz, pois não é apenas o cachê o combustível que move esta rapaziada que nos acompanham, nestas regiões, todos eles são apaixonados pela cultura nordestina que esta em seu sangue, e estão aprendendo a amar o sertão que alguns não conheciam.

Nesta trajetória, alguns parceiros que agente fez pelo caminho, são extremamente importantes para o fortalecimento desta semente nova que esta sendo plantada no sertão, meu amigo Abelardo que nós chamamos de Garapa em Itapetim, no sertão do Pajeú, do blog WWW.itapetim.net, autor dos vídeos mais engraçados da internet , um matuto pra lá de sabido de um coração extremamente generoso, e que a esposa faz uma umbuzada de primeira e um bolinho de goma maravilhoso. Na foto da direita para esquerda Felipe de Dôra, meu amigo e zabumbeiro, o ator Del de Paulista, que interpreta em nossa companhia o brincante Matheus, Cobra Cordelista, Abelardo o Garapa, o violonista Vitor Aragão e por fim Fauzer Zaidan também violonistas, todos músicos de excelente qualidade artista e caráter firme, homens de minha extrema confiança musical e pessoal, meus amigos.

Contatos para shows e eventos (81) 8649.6768 9947.5072 cobracordelista@hotmail.com

A Peleja do Violeiro Magrilim no Teatro - Trechos da abertura e da peleja.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Fatos marcantes do mês de fevereiro Parte II



21 DE FEVEREIRO

· Dia de São Pedro Damião
· Aniversário da cidade de Timbaúba
· Barreto Júnior (José do Rego Barreto Júnior), ator, galã do primeiro filme rodado em Pernambuco (Retribuição, 1923), fundador do Teatro Marrocos, conhecido como O Rei da Chanchada – morte em 1983

22 DE FEVEREIRO

· Dia de Santa Leonor
· Aniversário da cidade de Calçado
· Suape – O navio Norma, da Petrobrás, é o primeiro a operar no Porto de Suape, em 1984
· Luiz Bandeira, compositor, autor de clássicos do carnaval como “Voltei, Recife” e “É de fazer chorar” (mais conhecida como “Quarta-feira ingrata”) – morte em 1998

23 DE FEVEREIRO

· Dia de São Policarpo
· Surdo-mudo, Dia do
· Bezerra da Silva, José – cantor e compositor – nascimento em 1927

24 DE FEVEREIRO

· Dia de São Sérgio
· Estação Ferroviária de Petrolina é inaugurada em 1923
· Escândalo da Mandioca: envolvidos no escândalo financeiro que ficou conhecido por esse nome são julgados pelo Tribunal Regional Federal da 5a Região, por peculato e corrupção – em 1999
· Centenas de trabalhadores rurais realizam ato público na cidade de Surubim contra a violência e a impunidade no campo –em 2002

25 DE FEVEREIRO

· Dia de São Sebastião de Aparício
· Piso do Aeroporto de Caruaru não resiste a peso de um Boeing 737 e afunda, durante o que seria o primeiro vôo comercial ligando Caruaru à cidade de São Paulo – em 2002
· Garis do Recife decretam greve, em protesto pelo não cumprimento de reajuste salarial acordado anteriormente – em 2003

26 DE FEVEREIRO

· Dia de São Porfírio
· Filho da prefeita de Olinda e do deputado estadual Hélio Urquisa, o empresário Hélio Urquisa Silvestre Filho, 29 anos, é seqüestrado quando viajava para uma fazenda no município de Gravatá – em 1999
· Prefeitura de Olinda apreende aparelhos de som que moradores da Cidade Alta colocaram em suas casas desrespeitando, assim, a Lei 5118 (de 1977), que proíbe equipamentos de som em residências localizadas nos pólos de animação do carnaval da cidade – em 2001
· Laboratório Central do Estado revela que um novo tipo de vírus da dengue (o DEN 3) foi detectado pela primeira vez em pacientes pernambucanos – em 2002
· Plantio com aproximadamente 10 mil pés de maconha é descoberto pela Polícia Civil no sítio Serra da Jurema, no município de Floresta – em 2003

27 DE FEVEREIRO

· Dia São Gabriel das Dores
· Idoso, Dia do
· Zé Dantas (José de Souza Dantas Filho), médico e compositor, um dos mais famosos parceiros de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, autor de sucessos como Vozes da Seca, Acauã, Riacho do Navio, entre outros – nascimento em 1921

28 DE FEVEREIRO

· Dia São Daniel Brottier
· Primeira grande ponte brasileira construída sobre pilares de pedra, no Recife, a mando do conde Maurício de Nassau. A construção extrapolou as verbas destinadas à obra e o conde promoveu o famoso episódio do boi voador, com o objetivo de cobrar pedágio – é inaugurada em 1643
· Etelvino Lins é nomeado interventor federal para governar Pernambuco – em 1945

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Secas


O Estado de Pernambuco tem 70% do seu território localizado no semi-árido nordestino, área também denominada de Polígono das Secas. Como qualquer outra região semi-árida do mundo, o Nordeste brasileiro sempre estará sujeito a secas periódicas. Isto porque uma das características naturais desse tipo de região é ter chuvas irregulares e mal distribuídas geograficamente.

Mas, as secas nordestinas só assumem proporções de calamidade porque o Nordeste é subdesenvolvido, não está preparado para conviver com o seu clima natural: os reservatórios (açudes etc.) para armazenar a água da chuva são poucos; o governo quase nada investe para a perenização dos rios através da construção de barragens; a agricultura irrigada é pouco praticada; as lavouras mais cultivadas são inadequadas ao clima da região; as condições sócio-econômicas da maioria dos nordestinos estão no nível da pobreza à miséria.

Para se ter uma idéia de que a situação poderia ser diferente apesar das estiagens, basta citar que no semi-árido nordestino a média anual de chuvas é superior à média de chuvas de várias regiões da Europa, como Paris por exemplo.

A primeira seca de que se tem notícia no Nordeste aconteceu entre 1580 e 1583, sendo que o estado mais atingido foi Pernambuco. Naquela ocasião, os engenhos da Província não moeram, as fazendas ficaram sem água e cerca de cinco mil índios desceram o Sertão em busca de comida.

Até hoje, a seca considerada mais arrasadora foi a ocorrida em 1877, que durou três anos e atingiu todos os estados do Nordeste. Durante essa estiagem, calcula-se que morreram 500 mil pessoas, o equivalente à metade da população do semi-árido. Foi nessa época que o problema das secas no Nordeste passou a ser considerado de âmbito nacional.

Criou-se uma Comissão Imperial cujos membros, depois de percorrerem a região afetada, sugeriram as seguintes medidas para amenizar a calamidade: construção de três ferrovias e de trinta açudes, instalação de observatórios meteorológicos e abertura de um canal para levar água do Rio São Francisco para o Rio Jaguaribe, no Ceará. Mas, de todas essas medidas, apenas um açude (o Quixadá, no Ceará) foi construído. As obras desse açude ficaram dois anos paralisadas e só foram concluídas em 1906.

A mais prolongada e abrangente seca nordestina até o momento foi a de 1979: durou cinco anos e atingiu até mesmo regiões nunca afetadas anteriormente, como a Pré-Amazônia Maranhense e grande parte das zonas da Mata e Litoral do Nordeste. Pela primeira vez, a estiagem avançava além do Polígono das Secas.

Foi atingida uma área total de 1,4 milhão de km2, quase todo o Nordeste. Calcula-se que, durante essa seca, morreram três milhões de nordestinos, principalmente crianças desnutridas. O governo federal criou um "programa de emergência" que consistia na liberação de recursos para pagar um salário aos agricultores que passaram a trabalhar na construção de obras na região.

Obras que, teoricamente, poderiam amenizar os efeitos da próxima estiagem: pequenos açudes, cacimbas, poços etc. O programa de emergência chegou a ter 1,4 milhão de nordestinos alistados e as obras ou foram abandonadas pela metade ou se mostraram ineficientes, porque não tiveram nenhum planejamento técnico; constituíam apenas uma ocupação para os agricultores flagelados pela seca.

Nessa mesma ocasião, o governo federal também anunciou grandes obras para o Nordeste (como, por exemplo, a transposição das águas do Rio São Francisco), mas, como sempre, as obras não saíram do papel.

Veja, a seguir, a cronologia das secas em Pernambuco e no Nordeste brasileiro:

1583/1585 - Primeira notícia sobre seca, relatada pelo padre Fernão Cardin, que atravessou o sertão da Bahia para Pernambuco. Relata que houve "uma grande seca e esterilidade na província e cinco mil índios desceram o sertão apertados pela fome socorrendo-se aos brancos". As fazendas de canaviais e mandioca deixaram de produzir.

1606 - Nova seca atinge o Nordeste.

1615 - Seca de razoável proporção.

1652 - Seca atinge o Nordeste.

1692/1693 - Uma grande seca atinge o sertão sanfranciscano. A peste assola na capitania de Pernambuco. Segundo o historiador Frei Vicente do Salvador, os indígenas, foragidos pelas serras, reúnem-se em numerosos grupos e avançam sobre as fazendas das ribeiras, destruindo tudo.

1709/1711 - Grande seca atinge o Nordeste, estendendo-se até a Capitania do Maranhão, espalhando fome entre seus habitantes.

1720/1721 - Seca atinge as províncias do Ceará e do Rio Grande do Norte. Pernambuco não sofreu grandes efeitos.

1723/1727 - Grande seca, os engenhos ficam em ruínas e, como relata Irineu Pinto, "os fiscais da Câmara pedem a El-Rey que os mande acudir com escravos pois os daqui têm morrido de fome".

1736/1737 - Outra seca atinge o Nordeste, causando prejuízos à região.

1744/1745 - Seca provoca morte do gado e fome entre a população nordestina. Alguns historiadores afirmam que crianças que já andavam, de tão desnutridas, voltaram a engatinhar.

1748/1751 - Grande seca atinge a região.

1776/1778 - Um das mais graves secas até então. Não apenas pela falta de chuva, mas por coincidir com um surto de varíola iniciado no ano anterior e que se prolongaria até 1778, provocando grande mortandade. Quase todo o gado bovino ficou perdido na caatinga. A Corte Portuguesa determina que os flagelados fossem reunidos em povoações de mais de 500 fogos, nas margens dos rios, repartindo-se entre elas as terras adjacentes.

1782 - É realizado um censo para determinar a população das áreas sujeitas a estiagens e o resultado aponta 137.688 habitantes.

1790/1793 - Uma seca transforma homens, mulheres e meninos em pedintes. É criada a Pia Sociedade Agrícola, primeira organização de caráter administrativo, cujo objetivo foi dar assistências aos flagelados.

1808/1809 - Seca parcial atingindo Pernambuco, na região do São Francisco. Notícias dão conta de aproximadamente 500 mortos, por falta de comida.

1824/1825 - Aliada à varíola, grande seca faz muitas vítimas na região. Os campos ficam esterilizados e a fome chega até os engenhos de cana-de-açúcar.

1831 - A Regência Trina autoriza a abertura de "fontes artesianas profundas, como forma de resolver o problema da falta d'água".

1833/1835 - Grande seca atinge apenas Pernambuco.

1844/1846 - Seca de grandes proporções provoca o marte do gado e espalha fome entre os nordestinos. Um saco de farinha de mandioca era trocado por ouro ou prata.

1877/1879 - Uma das mais graves secas que atingiram todo o Nordeste. O Ceará, por exemplo, tinha ,à época, uma população de 800 mil habitantes. Destes, 120 mil (ou 15%) emigraram para a Amazônia e outras 68 mil pessoas foram para outros estados.

1888/1889 - Grande seca atinge Pernambuco e Paraíba, deixando destruição de lavouras e vilas abandonadas.

1898/1900 - Outra grande seca atinge somente o estado de Pernambuco.

1903/1904 - Flagelados por nova seca, milhares de nordestinos abandonam a região, Passa a constar da Lei de Orçamento da República uma parcela destinada às obras contra as secas. Criam-se três comissões para analisar o problema das secas nordestinas;

1908/1909 - Seca atinge principalmente o sertão de Pernambuco. Em 1909 é criada a Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS).

1910 - São instaladas124 estações pluviométricas no semi-árido nordestino. Até então, tinham-se construídos 2.311 açudes particulares na Paraíba e 1.086 no Rio Grande do Norte.

1914/1915 - Seca de grande intensidade em toda região semi-árida nordestina.

1919/1921 - Em conseqüências dos efeitos dessa seca (que teve grandes proporções, sobretudo no sertão pernambucano), cresce o êxodo rural no Nordeste. A imprensa, a opinião pública e o Congresso Nacional exigem atuação do governo. É criada, em 1920, a Caixa Especial de Obras de Irrigação de Terras Cultiváveis do Nordeste Brasileiro, mantida com 2% da receita tributária anual da União, além de outros recursos. Mas, praticamente nada é feito para amenizar o drama das secas.

1932 - Grande seca no Nordeste.

1945 - Mais uma seca atinge o Nordeste. É criado o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) que passa a desempenhar as tarefas antes atribuídas à Inspetorial Federal de Obras Contra as Secas, criada em 1919.

1951/1953 - Grande seca atinge todo o Nordeste.

1953 - Outra grande seca no Nordeste. O DNOCS propõe um trabalho de educação entre os agricultores, com objetivo de criar núcleos de irrigação.

1956 - Criação do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), encarregado de elaborar uma política de desenvolvimento para a região.

1959 - Criação da Sudene.

1966 - Seca atinge parcialmente o Nordeste.

1970 - Grande seca atinge todo o Nordeste, deixando como única alternativa para 1,8 milhão de nordestinos o engajamento nas chamadas "frentes de emergência", mantidas pelo governo federal.

1979/1984 - A mais prolongada e abrangente seca da história do Nordeste. Atingiu toda a região, deixando um rastro de miséria e fome em todos os Estados. No período não se colheu lavoura nenhuma numa área de quase 1,5 milhão de km2. Só no Ceará foi registrada mais de uma centena de saques, quando legiões de trabalhadores famintos invadiram cidades e arrancaram alimentos à força em feiras-livres ou armazéns.

Segundo dados da Sudene, entre 1979/1984 morreram na região 3,5 milhões de pessoas, a maioria crianças, por fome e enfermidades derivadas da desnutrição. pesquisa da Unesco apontou que 62% das crianças nordestinas , de zero a cinco anos, na zona rural, viviam em estado de desnutrição aguda. As frentes de emergência empregaram 26,6 milhões de trabalhadores rurais e os gastos do governo federal com a seca, entre 1979/1982, somaram 4 (quatro) trilhões de cruzeiros, o equivalente à época a 50% dos dispêndios totais do Ministério do Interior.

1993 - Grande seca atinge todos os Estados do Nordeste e mais parte da região norte de Minas Gerais. Só no Nordeste, de acordo com dados da então Sudene (hoje, Adene), um total de 1.857.655 trabalhadores rurais que perderam suas lavouras foram alistados nas chamadas "frentes de emergência". Pernambuco foi o Estado que teve o segundo maior número de agricultores alistados nessas frentes, com 334.765 pessoas, perdendo apenas para a Bahia (369 mil trabalhadores alistados).

As perdas de safras foram totais, em todos os Estados Nordestinos. Na época, a imprensa recifense publicou reportagem segundo a qual dezenas de obras de combate às secas, iniciadas e abandonadas pelo governo federal antes da conclusão, já haviam provocado, entre 1978/1993, prejuízos de CR$ 6,7 trilhões. O escândalo das obras inacabadas deu origem até mesmo a uma Comissão Parlamentar de Inquérito, no Congresso Nacional, para apurar responsabilidades.

1998 - No final do mês de abril, vêm à tona, mais uma vez, os efeitos de uma nova seca no Nordeste: população faminta promovendo saques a depósitos de alimentos e feiras livres, animais morrendo e lavoura perdida. Exceto o Maranhão, todos os outros Estados do Nordeste são atingidos, num total de cerca de cinco milhões de pessoas afetadas. Esta seca estava prevista há mais de um ano, em decorrência do fenômeno El Niño, mas, como das vezes anteriores, nada foi feito para amenizar os efeitos da catástrofe.

Somente depois que a imprensa e a televisão mostraram famílias inteiras passando fome e rezando pedindo chuva é que o governo federal anunciou um programa de emergência, através do qual passou a distribuir cestas básicas de alimentos (10 kg por família) aos flagelados. Tudo aconteceu no momento em que os representantes do governo se orgulhavam pelo fato de o Brasil assumir posição destacada na "moderna era da economia globalizada". O programa de assistência às populações atingidas causou bate-boca, porque 1998 era um ano eleitoral, inclusive com eleições para a presidência da República, e a distribuição dos alimentos estaria obedecendo critérios eleitoreiros.

Representantes da Igreja Católica chegaram, inclusive, a denunciar que os governos (federal, estaduais e municipais) não tinham nenhum interesse em resolver o problema das secas no Nordeste "porque, com a fome, a compra de votos fica mais fácil".
Além dos problemas na zona rural e no interior do estado, a falta de chuva fez com que Pernambuco vivesse, entre 1998/1999, o pior racionamento de água de toda a sua história, do sertão ao litoral: a região metropolitana, inclusive o Recife, passou a receber água encanada apenas uma vez por semana; a maior cidade do agreste, Caruaru, só tinha água nas torneiras uma vez por mês e dezenas de municípios sertanejos ficaram meses totalmente dependentes de carros-pipa.

2001 - Praticamente um prolongamento da seca iniciada em 1998 (que se estendeu por 1999 e apenas deu uma trégua em 2000), a seca de 2001 teve uma particularidade a mais, em relação às anteriores: ocorreu no momento em que não só o Nordeste, mas todo o Brasil vivia uma crise de energia elétrica sem precedentes em todo a história do País, provocada por falta de investimentos no setor e pela escassez de chuvas. Daí, o nordestino desabafar: "Agora é sem água e sem luz!"

Em Pernambuco, no início do inverno ocorreram algumas chuvas e, animados, os agricultores se puseram a plantar. Mas, logo as chuvas escassearam e, em abril, já se registrava uma "seca verde" em todo o sertão do Estado. A situação foi-se agravando e, em junho, as populações do interior pernambucano já viviam o velho e conhecido drama de dependerem da ajuda do governo.