sexta-feira, 4 de março de 2011

Conflito na Paraíba resulta no assassinato de João Pessoa

1930 - O ASSASSINATO DE JOÃO PESSOA


João Pessoa, eleito presidente da Paraíba em 1928, foi assassinado no dia 26 de julho de 1930, no interior de uma confeitaria em Recife, Pernambuco. De sua biografia consta que razões de cunho político motivaram o homicídio, mas outros relatos dão versão diferente ao acontecimento. Um deles pode ser encontrado no site da Assembléia Legislativa de Pernambuco, cujo endereço é www.alepe.pe.gov.br. O texto diz que:

Em 1928, foi eleito presidente do seu Estado (...) No ano seguinte teve seu nome lançado para vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas, pela Aliança Liberal. (...) A campanha foi conturbada na Paraíba, principalmente quando um dos aliados de João Pessoa, o "coronel" José Pereira, chefe político no município de Princesa, rompeu com os aliancistas e aderiu (...) à candidatura Júlio Prestes e Vital Soares, apoiada pelo presidente Washington Luís. Sob o comando de Pereira, a cidade de Princesa iniciou uma rebelião contra o Governo estadual. Nesse período, realizou-se o pleito presidencial que deu a vitória à chapa governista. Inconformados com o resultado, os opositores iniciaram um movimento para impedir a posse de Júlio Prestes. (...) Sem armas para enfrentar os rebeldes, a Polícia paraibana passou a invadir casas e escritórios de pessoas suspeitas de estocar armamentos e munições destinadas aos comandados de José Pereira. O jornal paraibano A União noticiou, então, a invasão à casa de João Dantas, (...) de onde vários papéis foram confiscados. Entre essa documentação, estavam cartas de amor trocadas por Dantas e uma namorada, Anayde Beiriz. O episódio levou à exacerbação dos ânimos e culminou com o assassinato de João Pessoa, na Confeitaria Glória, no Recife, por João Dantas. Discute-se, ainda hoje, o real motivo do crime: se político ou passional.

O ano de 1930 nascera sob maus presságios. Poucos meses antes, o crack na bolsa de Wall Street em Nova Iorque já estava repercutindo negativamente sobre a economia brasileira, com a crise na cafeicultura e nas exportações.

A sucessão presidencial ia num crescendo preocupante. Antônio Carlos, presidente de Minas, era o candidato natural à sucessão de Washington Luís, um paulista de Macaé, e que, findo o seu quadriênio no Catete, deveria ser sucedido por um mineiro, em obediência à tradição republicana.

Citado por Alzira Vargas do Amaral Peixoto, no livro Getúlio Vargas, Meu Pai - Ed. Globo - Pág. 47, o catarinense Lauro Müller, com a frustração dos sonhos de seu estado em fazê-lo presidente da República, dizia numa clarividente previsão:

- Enquanto o governo do país permanecer nas mãos desses portugueses de Minas e de São Paulo, não haverá perigo; cuidado, porém, com esses espanhóis do Rio Grande do Sul, porque estes, se tomarem conta do poder, custarão a sair.

Com o apoio de Washington Luís a outro paulista (no caso, Júlio Prestes), rompia-se a monotonia dessa gangorra Minas-São Paulo. Aí, bafejada pela reação e pelo estímulo mineiros, surgia a candidatura de Getúlio, presidente do Rio Grande do sul, que até então se mantivera fiel à orientação política do governo federal - fora antes, inclusive, seu ministro da Fazenda - , mas que se transformaria no candidato da oposição.

O companheiro de chapa era o presidente da Paraíba, João Pessoa, a braços com a rebelião local de José Pereira num reduto no interior paraibano, que todos imaginavam apoiado por Washington Luís e que, à frente de jagunços, anunciava a criação do Território Livre de Princesa.

Dias após as eleições, realizadas a 1º de março, a vitória da chapa Júlio Prestes-Vital Soares era tão esmagadora que normalmente deveria desestimular qualquer protesto da oposição. Mas acontece que essa oposição não aceitava o resultado das urnas, acusando-o de falso porque obtido através de extensa fraude eleitoral. Era a primeira vez que a oposição derrotada reagia. Mas não seria a última em que se falaria de fraude. Muito pelo contrário.

A revolução, coordenada por Góes Monteiro, Oswaldo Aranha, João Alberto, João Neves da Fontoura, Flores da Cunha, Maurício Cardoso, Antunes Maciel, João Carlos Machado, Virgílio de Melo Franco, Juarez Távora, Juracy Magalhães, Afonso de Albuquerque Lima, Batista Luzardo e vários outros, já estava praticamente na rua e sua articulação atingiu o auge do emocionalismo com o assassinato de João Pessoa, na Confeitaria Glória, Recife.

Em www.paraiba..pb.gov.br, texto datado de 05.01.2005 lança um pouco mais de luz sobre a tragédia. Com o título “Um centenário de nascimento da poetisa Anayde Beiriz, mártir da maior cafajestada da história política da Paraíba”, ele diz:


O próximo dia 18 de fevereiro é a data que marca o centenário do nascimento da professora e poetisa paraibana Anayde Beiriz. Provavelmente, esta data passaria despercebida por muitos não fosse uma reforma que atualmente está em andamento na casa localizada à rua Santo Elias, 176, em João Pessoa. (...) O fato serviu para resgatar um pouco da história de Anayde Beriz, que no filme "Paraíba, mulher macho", teve sua importância reduzida à condição de mera amante do assassino do presidente João Pessoa. Diferentemente do que é apresentado no longa metragem de Tizuka Yamazaki, Anayde Beiriz não foi uma simples passageira do tempo que entrou para história por trágica casualidade do destino, mas provavelmente a mais importante personagem feminina da história paraibana. Anayde escrevia para os jornais da época. Mulher bastante ousada que ia de encontro aos preceitos dogmáticos de uma sociedade dominada pelo machismo conservador, ela foi a primeira a usar os cabelos pintados e cortados muito curtos, à "la garçonne". Passeava pelas ruas desacompanhada, fumava, usava decotes sensuais e era avessa á idéia de casar e ter filhos. Aos dezessete anos concluiu o curso normal, diplomada em primeiro lugar da turma, e com vinte anos ganhou um concurso de beleza. Porém, em seus curtos vinte e cinco anos de vida, destacou-se como uma combatente defensora da igualdade de direitos para ambos os sexos, professora, amante das artes e poetisa, cujos poemas de singular apelo sensuais eram classificados como devassos até por setores das classes intelectuais menos comprometidos com as normas morais vigentes.

Em 1928, Anayde Beiriz, com vinte e três anos de idade, iniciou seu romance com o advogado e ativista político João Dantas, ferrenho adversário de João Pessoa, então presidente da Província da Paraíba. Eles mantinham uma relação amorosa bastante liberal para a época. Um casal apaixonado que trocava confidências amorosas através de cartas e poemas eróticos, os quais eram guardados no escritório de João Dantas, como partes integrantes de suas vidas privadas. Em 1929, João Pessoa, na qualidade de vice, e Getulio Vargas, como presidente, lançaram chapa de oposição à Presidência da Republica. Na Paraíba, o cel. José Pereira, de Princesa, a quem João Dantas se ligava politicamente, era o principal adversário político do Presidente da Paraíba. Em 1930, a campanha pela sucessão do Presidente da República Washington Luís foi bastante acirrada, mas, realizado o pleito, a chapa situacionista, encabeçada por Júlio Prestes, foi declarada vitoriosa. Nada mais restava a chapa de oposição, formada por Getúlio Vargas e João Pessoa, senão lamentar a derrota,. Porém, alguns fatos ocorridos na Paraíba iriam mudar o rumo da história do Brasil. De retorno à Capital, vindo da Serra de Teixeira, onde visitara seu ao pai enfermo, João Dantas constatou que seu escritório fora invadido e saqueado pela polícia, a mando de João Pessoa, e todo o seu conteúdo espalhado e afixado em lugares públicos, expostos à curiosidade alheia. Apercebeu-se, João Dantas, que as cartas, poemas eróticos e fotografias sensuais, e até mesmo o diploma de Anayde, eram motivos de galhofas de toda a sociedade. João Dantas se sentiu profundamente humilhado ao ver o seu sagrado direito de privacidade ser violado.

O resto da história todos sabem qual foi. Sabiamente, diz um velho provérbio: "Quem governa faz a História, pois a História pertence aos vencedores". Por muito tempo a história oficial tentou esconder os verdadeiros motivos que culminaram na tragédia da Confeitaria Glória. Getulio Vargas chegou ao poder graças á morte de João Pessoa, e como gratidão o transformou em mito. Não se discute a ética nem o caráter dos mitos, por isso João Pessoa tem resistido incólume ao julgamento da história. Para que escrever que naquela ocasião João Pessoa foi ao Recife se encontrar com uma amante, se fica mais sublime dizer que ele foi tratar de assuntos políticos, como fazem os grandes estadistas? Que importa saber se na Confeitaria Glória João Pessoa contava triunfantemente aos correligionários a humilhante peça que armara contra seu adversário político?

Concomitantemente, a história oficial deixou transparecer que João Dantas era um homem rude, de pensamento retrógrado e posições anárquicas, que alimentava um amor libertino por uma insignificante e devassa professorinha de uma colônia de pescadores. Por outro lado, João Pessoa, foi elevado à categoria de herói assassinado, João Dantas e Anayde Beiriz foram relegados aos grupos dos fracos e arrependidos, que renunciam ao sagrado direito de viver através do louco caminho do suicídio. Desta forma, hoje o nome de João Dantas continua prescrito na história política da Paraíba, enquanto que João Pessoa dá nome à cidade em que nasceu. Anayde Beiriz teve o corpo enterrado como indigente, na capital pernambucana.

Conseqüências da Morte de João Pessoa


João Dantas: Suicídio ou Assassinato!?

"Fique certo que nenhum Dantas se amedrontará nem se humilhará diante vosso capricho... Sou forçado lembrar, sem estardalhaço tão do agrado do vosso temperamento teatral, que felizmente tendes filhos, e juntamente com eles responderais pelo que sofrer a minha família."

(de um telegrama de João Dantas a João Pessoa)

"A procura do seu difamador percorria as ruas do bairro comercial. Depois de varejar todos os recanto veio encontrá-lo, sentado, em uma roda de amigos, na "Confeitaria Glória". Dominando a exaltação, natural do momento, controlou seus nervos que os sabia dominar. Enfrentando seu rancoroso inimigo, teve a altivez de lhe dizer quem era o autor do fim dos seus dias - "João Pessoa, sou Dr. joão Duarte Dantas, a quem tanto injuriaste e ofendeste" - e isto lhe dizendo, por três vezes lhe descarregou a arma, para ele amiga, porque lhe pareceu que, naqueles disparos que o fizeram tombar, caia também o peso da inclemencia que tanto o oprimia, e assim tinha, novamente, limpa a sua honra que, ignobilmente, fora tantas vezes ultrajada."

(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

"... Eu agi porque me afrontaram ao extremo, e o fiz sem ouvir a ninguém, por minha mão, por minha responsabilidade exclusiva..."

(de uma carta de João Dantas escrita da prisão, em Recife)

- "Mas Dr. Dantas, o Sr. cometeu o maior crime do mundo!"
- Sim, Dr., depois que recebi a maior afronta do universo"

(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

"E, as 15h00 e mais alguns minutos eram barbaramente sangrados, miseravelmente mortos, na penitenciária do Recife, o engenheiro Augusto Moreira Caldas e o Dr. João Duarte Dantas. Trucidavam, os canibais, duas indefesas criaturas!"

(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

Tirem suas próprias conclusões!

Imagens retiradas do Livro 'Por que João Dantas Assassinou João Pessoa' e colhidas no site http://www.princesapb.com/.


Este texto também foi publicado em www.efecade.com.br, que o autor está construindo. Visite-o e deixe a sua opinião!

Na versão dos Dantas

A história que a família conta é que no final da década de 20, João Dantas era inimigo político e pessoal de João Pessoa, governador da paraíba e sobrinho do então presidente Eptácio Pessoa. Foi então que José Américo, Hoje concorre a paraibano do século, ocupava um cargo importante ligado a segurança no governo e mandou invardir o apartamento de João Dantas, roubou cartas confidênciais ..., e publicou anônimanente. João Dantas puto da vida por ter sido difamado, pensou que fora João Pessoa e o jurou de morte, avisou que iria morar em recife e no dia que ele fosse a pernambuco estaria morto. Não deu outra, um ano depois João pessoa estava em Recife numa padaria, João Dantas o viu, foi pegar sua arma em casa e o matou como havia prometido. Já no presídio foi assassinado em circunstâncias nunca esclarecidas.

Depois deu-se inicio a perseguição aos dantas na paraíba junto com a revolução de trinta. Meu avô, José Lindolpho Dantas Corrêia de Goes, que morava em Teixeira, no interior da paraíba, contava histórias de emboscadas com a polícia, ainda cheguei a conhecer casas de fazenda com aberturas para os rifles e tal. Alguns amigos dele ficaram escondidos por meses na mata, etc. Por fim os paraíbanos deram o nome da capital de João Pessoa (chamava-se paraíba). Tem outras histórias muito interessantes sobre os dantas.

http://boards.ancestry.com/surnames.dantas

JOÃO DANTAS NÃO É HERÓI

A pergunta que faço aqui agora é a seguinte: se João Dantas não tivesse matado João Pessoa, seria lembrado hoje em dia como alguém de relativa importância? Seguramente não. Era um advogado como outro qualquer, com escritório funcionando no centro da Capital, tendo clientes razoáveis e um grupo de amigos comuns, que não projetam nem desqualificam. Tudo dentro da normalidade. Sim, gostava de um rabo de saia, coisa que todo homem gosta. Sendo solteiro, namorava a torto e a direito, até que encontrou Anayde Beiriz, por quem se enrabichou, atraído pelos seus dotes de poetisa e pelo seu comportamento incomum num tempo em que mulher não mostrava a canela ao distinto público e se chumbregava com algum homem, o fazia na calada da noite, no escondido do quarto.Dizem que era valente, mas lendo a sua história vê-se que era mais rancoroso do que destemido. E odiava a João Pessoa, o presidente do Estado, por conta de interesses contrariados dele e da família. Se fosse só por Anayde e pelas cartas que se transformaram, ao longo dos anos, em símbolos de um amor trágico tipo Romeu e Julieta, garanto que João Pessoa teria morrido de velhice. João Dantas tinha raiva de João Pessoa por outros motivos. Inclusive empresariais. O presidente da Paraíba atrapalhou negócios da família Dantas em Teixeira e isso não caiu no agrado do advogado, que começou a escrever cartas violentas, desqualificando o presidente, chamando-o de doido, de João Porteira. Tudo desaforo, dito nas folhas dos jornais, a distância mantida, um ouvindo da Paraíba o que o outro mandava dizer de Pernambuco.

Pelo que se lê nos livros da história, João Pessoa não ligava muito para João Dantas. Não dava-lhe cabimento. O presidente se preocupava, sim, com Zé Pereira, que lhe tirava o sono direto de Princesa, armando um exército para desafiá-lo e aos seus soldados. Dantas não. Era apenas um homem comum que dizia desaforos nos jornais dos Pessoa de Queiroz e que era repreendido, no mesmo tom, pelos que escreviam em A União. Ou seja, João Pessoa lia os ataques, mas deixava aos seus subordinados a missão de respondê-los.


A invasão ao escritório de João Dantas foi iniciativa dos babões do presidente. João Pessoa soube dela depois de consumada. E as cartas, as famosas cartas que foram utilizadas como justificativa para a morte de João Pessoa, eram aquelas trocadas entre João e o pai, nas quais se falava de aproveitamento de verbas federais para construção de açudes nas propriedades da família Dantas. Ou seja, dinheiro enviado ao Estado com a missão de ajudar o povo e que seria desviado para as terras dos Dantas, em Teixeira. As cartas que teriam Anayde como protagonista eram café pequeno perto das que falavam das mutretas dos Dantas.


Quanto ao incidente do Recife, que transformaria Dantas em Herói, em homem de incontestável coragem, faço ressalvas. João Dantas matou João Pessoa a traição. Chegou perto dele e, quando o homem levantou a cabeça para vê-lo, disse: "João Pessoa, sou João Dantas" e mandou bala. Deu-lhe três tiros na caixa dos peitos, sem permitir a menor reação. João Pessoa morreu sorrindo, sem entender nada. Desse jeito, qualquer um pode ser herói.

Fonte:
tiaolucena@jpa.neoline.com.br

quinta-feira, 3 de março de 2011

A Pedra do Reino


É inspirado em um episódio ocorrido no século XIX, no município sertanejo de São José do Belmonte, a 470 quilômetros do Recife, onde uma seita, em 1836, tentou fazer ressurgir o rei Dom Sebastião - transformado em lenda em Portugal depois de desaparecer na África (Batalha de Alcácer-Quibir): sob domínio espanhol, os portugueses sonhavam com a volta do rei que restituiria a nação tomada à força. O sentimento sebastianista ainda hoje é lembrado em Pernambuco, durante a Cavalgada da Pedra do Reino, por manifestação popular que acontece anualmente no local onde inocentes foram sacrificados pela volta do rei. Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta é um romance do escritor brasileiro Ariano Suassuna, publicado em 1971.Suassuna iniciou o Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, seu nome completo, em 1958 para concluí-lo somente uma década depois, quando o autor percebeu o que o levou a escrever o romance: a morte do pai, quando tinha apenas três anos de idade – tragédia pessoal presente na literatura de Suassuna, e a redenção do seu "rei" – uma reação contra o conceito vigente na época, segundo o qual as forças rurais eram o obscurantismo (o mal) e o urbano o progresso (o bem).

A história, baseada na cultura popular nor
destina e inspirada na literatura de cordel, nos repentes e nas emboladas, é dedicada ao pai do autor e a mais doze “cavaleiros”, entre eles Euclides da Cunha, Antônio Conselheiro e José Lins do Rego.

Um "romance-memorial-poema-folhetim", como definiu o poeta Carlos Drummond de Andrade, narrado pelo seu protagonista, Dom Pedro Dinis Ferreira Quaderna, que constrói um monumento literário à cultur
a caboclo-sertaneja nordestina, marcada pelas tradições do mundo ibérico (Portugal e Espanha), trazidas pelos primeiros colonizadores europeus e transfeitas ao longo dos séculos. Segundo observação do crítico literário João Hernesto Weber, na obra podem ser encontradas "duas distintas tradições a informarem a concepção de mundo do herói: a tradição mítico-sertaneja e a tradição erudita".

O personagem-narrador, Quaderna, é preso em Taperoá por subversão, faz sua própria defesa perante o corregedor e, para tanto, relata a história de sua família, escrita na prisão. Declara-se descendente de legítimos reis brasileiros, castanhos e "cabras" da Pedra do Reino - sem relação com os "imperadores estrangeiros e falsificados da Casa de Bragança" - e conta
o seu envolvimento com as lutas e as desavenças políticas, literárias e filosóficas no seu reino.

ARIANO SUASSUNA (1927)


Vida: Ariano Suassuna nasceu na então cidade de Nossa Senhora das Neves - hoje João Pessoa, capital da Paraíba. Logo em seguida, tendo seu pai, João Suassuna, deixado o governo do estado, Ariano acompanha a família de volta para a região do alto sertão paraibano, onde a mesma tinha várias fazendas. Assassinado o pai, a família deixa a região, mudando-se para a cidade de Taperoá, no chamado sertão seco, onde o futuro dramaturgo e romancista faz seus estudos primários. Em 1938 há nova mudança, desta vez para Recife, onde cursa o ginásio, estudando também música e pintura. Em 1946 entra para a Faculdade de Direito, ligando-se ao círculo de poetas, escritores e artistas da capital pernambucana e interessando-se cada vez mais pelo romanceiro popular nordestino e pelo teatro. Em 1952 começa a trabalhar em advocacia mas logo abandona a profissão, dedicando-se ao magistério e à atividade de escritor. Hoje é secretário de cultura do Governo do Estado de Pernambuco e amado por todos os Pernambucanos e continua dedicando-se as suas atividades literárias.


Obra: Com extensa obra teatral - publicou, entre outras, as peças Auto da compadecida, O santo e a porca, A farsa da boa preguiça -, Ariano Suassuna escreveu em 1956 A história do amor de Fernando e Isaura, romance até hoje inédito. Em 1958 começou a trabalhar em Quaderna, o decifrador, uma trilogia composta de:

I - A pedra do reino
II - O rei degolado
III - Senésio, o alumioso

A PEDRA DO REINO

Publicado em 1970, A pedra do reino continua sendo considerado um romance completo, pois até hoje as duas outras partes da trilogia não vieram a público, pelo menos em edições comerciais. Em vista disso, a possibilidade de análise é um tanto precária, apesar de a obra oferecer, em suas mais de 600 páginas, matéria suficiente não apenas para ensaios como para livros inteiros.

De leitura um pouco árida na primeira centena de páginas, A pedra do reino, mesmo isolada da trilogia de que faz parte, é um verdadeiro monumento literário que se liga à cultura caboclo-sertaneja nordestina, muito marcada pelas tradições do mundo ibérico (Portugal e Espanha), trazidas pelos primeiros colonizadores europeus e transformadas ao longo dos séculos.

Em linhas gerais, A pedra do reino é a apresentação do memorial - obviamente em primeira pessoa - de D. Dinis Ferreira - Quaderna, que, preso em Taperoá, faz sua própria defesa perante o corregedor e, para tanto, conta a história de sua família, das desavenças, das lutas e das controvérsias políticas, literárias e filosóficas em que se vira envolvido. Como diz um crítico, na obra de Suassuna podem ser percebidas "duas distintas tradições a informarem a concepção de mundo do herói: a tradição mítico-sertaneja e a tradição erudita" (J. H. Weber). O que faz, como no caso de todas as demais obras da nova narrativa, com que A pedra do reino se diferencie claramente do romance brasileiro tradicional.

Aurora Pernambucana

Primeiro jornal de Pernambuco, fundado pelo governador Luiz do Rego Barreto e escrito pelo seu secretário Rodrigo da Fonseca Magalhães. O número 01 circulou a 27 de março de 1821, em formato 25x17cm, com quatro páginas em papel de linho. Foi impresso na Oficina do Trem Nacional de Pernambuco, "com licença do Ministro da Polícia", e vendido a 80 réis cada exemplar.

No editorial, denominado "Introdução", estava escrito que o objetivo do jornal era o desejo do governador e do capitão-geral em "instruir o público de tudo quanto se fizesse a favor da causa d'El-Rei e da Nação". A periodicidade era indefinida: "Não é possível por agora publicar este jornal de dois em dois dias, ou diariamente, como se deseja, sairá quando puder ser..."

quarta-feira, 2 de março de 2011

Festas Populares no mês de março




MARÇO

FESTA DE SÃO JOSÉ

Festa popular religiosa em louvor ao Santo que é padroeiro de vários municípios do interior do Estado. Com novena, missa e procissão. E a parte profana com shows musicais, parque de diversões e barracas com bebidas e comidas típicas.
Data: 19
Local: Centro de várias cidades como Bezerros, Ibimirim, Surubim, Custódia, São José do egito e outras.

EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO MUNICÍPIO DE FLORSTA

Tradicional festa da cidade, com shows musicais, parque de diversões, barracas com bebidas e comidas típicas.
Data: 31
Local: Centro de Floresta

terça-feira, 1 de março de 2011

Você conhece o Ibura



O bairro da Ibura integra a 6ª Região Político-Administrativa do Recife (RPA-6), na Zona Sul da cidade, formada por um total de 08 bairros.

O Ibura está localizada entre os bairros de Arreias, Barro, Caçote, Ipsep, Imbiribeira, Boa Viagem, Jordão e Cohab.

É o terceiro maior bairro recifense em extensão territorial, atrás de Guabiraba e da Várzea.

ORIGEM - Na área onde hoje está localizado o bairro do Ibura existiu, no século XIX, um engenho-de-açúcar denominado Engenho Ibura ? palavra indígena (Tupi-Guarani) que significa ?água que arrebenta, fonte?.

Na localidade de Vila dos Milagres, à margem da BR-101 Sul, existe uma bica de água potável, em área sob controle do 4º Batalhão de Comunicação do Exército, jorrando 24 horas por dia há décadas.

Conhecida como a Bica dos Milagres, a fonte é muito procurada não apenas por moradores da redondeza que ali se abastecem, mas por pessoas que vêm de outras áreas do Recife e até mesmo do interior do Estado. Isto porque a água teria poderes de cura.

Esta fonte (e talvez outras que por ali existiram) teria dado origem ao nome do antigo engenho-de-açúcar.

No início da década de 1940, surgiu no Ibura uma pista de pouso para pequenas aeronaves que ficou conhecida como Campo de Ibura. Esse campo deu origem ao Aeroporto Internacional dos Guararapes, atualmente localizado no bairro da Imbiribeira.

Conforme dados do Censo IBGE, em 2000 a população do Ibura tinha uma renda média mensal de R$ 456,12. Outros dados do Censo:

População: 43.681 habitantes

Área: 1.005,7 hectares

Densidade: 43,43 hab./ha

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Primeiro boneco gigante do Brasil surgiu no sertão


Ao contrário do que muita gente pensa, os bonecos gigantes que hoje representam uma das maiores atrações do carnaval pernambucano não "nasceram" em Olinda. A primeira vez que uma dessas figuras foi usada para animar um carnaval brasileiro aconteceu em Belém do São Francisco, cidade do sertão pernambucano, a 486 quilômetros do Recife.

O episódio ocorreu durante o carnaval de 1919 (em Olinda o primeiro boneco só apareceria em 1932), quando Belém realizava uma das mais animadas festas do interior. E essa primeira alegoria, batizada de Zé Pereira, era um boneco de quatro metros, sendo o corpo uma estrutura em madeira vestindo um macacão estampado e a cabeça confeccionada em papel machê. Ou seja, em tudo igual aos atuais bonecos.

No livro "Os Gigantes Foliões de Pernambuco", lançado em 1992, o pesquisador Olímpio Bonald Neto já se referia a esse pioneirismo de Belém do São Francisco. Agora, um outro livro tratando do mesmo tema (este em fase de elaboração) não só vem confirmar a origem como traz vários detalhes sobre o surgimento do primeiro boneco sertanejo.

Segundo a historiadora Tercina Bezerra (autora do livro sobre as manifestações culturais do município), o criador do primeiro boneco gigante de Belém foi um jovem chamado Gumercindo Pires de Carvalho. Rapaz festeiro, ele reuniu um grupo de amigos, pediu ajuda a uma tia que fabricava bonecos para presépios natalinos, confeccionou a alegoria e o grupo caiu no passo pelas ruas da cidade.




Antes do Zé Pereira gigante, os moradores de Belém do São Francisco tinham como única referência a esse tipo de bonecos os relatos do primeiro pároco da localidade, o belga Norberto Phalempin. É que, entre 1905 e 1928, o padre viveu a narrar as festas européias com procissões que usavam bonecos representando figuras bíblicas. De acordo com a historiadora, foi a partir daí que Gumercindo teve a idéia de usar um boneco no carnaval.

Em 1929, o mesmo grupo de foliões que iniciou a troça resolveu criar uma companheira para o Zé Pereira, surgindo então a boneca batizada de Vitalina. Os dois gigantes bonecos casaram-se e, desde então, constituem uma das atrações do carnaval de Belém do São Francisco, onde chegam, de barco, de uma fictícia viagem para abrir a festa na cidade.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Festa da Manga no Engenho São Bartolomeu

Um pouco do Dicionário de Matutês

A

Ababacado – Bobo, tolo, idiota
Abestado - Bobo, tolo, idiota.
Abilolado – Bobo, indivíduo ingênuo
Abiscoitado – Bobo, ingênuo
Abisuntado - Enganado, lesado.
Abufanar – Provocar; irritar; perturbar
Abusar – Perturbar, passar dos limites
Acabrunhado - Triste, desanimado
Acertar na veia - Fazer a coisa com exatidão; dar o tiro certo.
Acochado – Destemido, valente
Acunhar - Perseguir, chegar junto
Afanar – Roubar
Afolozado - Folgado
Aí dento – O mesmo que "vai te lascar", "Vai te foder"
Alcoviteira – Pessoa que faz intermediação ou apóia namoro proibido
Aloprado - Ousado
Alpercata - Sandália de couro cru
Aluado – Meio louco
Alvoroçado – Apressado, estabanado
Amancebado - Aquele que não é casado no papel
Amarrar-o-bode – Ficar de mau humor
Amasso – Agarrado entre duas pessoas enamoradas; sarro
Amojada – Prenhe, grávida
Amolegado - Coisa remexida, mole; pessoa frouxa.
Amostrado – Exibido
Amuado – Acuado; aborrecido
Amundiçado – Desprovido de bons modos; mal-educado
Ancho - Feliz, contente; metido
Aperriado – Aflito, irritado
Apoquentado – De cabeça quente; irritado
Aprochegar - Aproximar-se; se enturmar.
Arenga - Briga
Ariado – Sem rumo, desorientado
Aruá – Bobo, idiota
Arranca-rabo - Briga séria, confusão
Arregar – Pegar carona sem ser convidado; usufruir de algo sem pagar
Arremedar - Imitar, geralmente os pássaros.
Arretado – De boa qualidade, excelente
Arriado – Enamorado, apaixonado
Arrilique - Remédio eficaz, santo remédio
Arribar – Partir, fugir
Arrocha-o-nó - Ajir com firmeza
Arrombado - Em situação difícil, aruinado
Arrudiar - Dar a volta pelo lado de fora ("O moleque arrudiou o circo, procurando um buraco pra entrar")
Arupemba – Peneira
Assanhado – Atrevido; ousado
Assuntar - Refletir sobre algum assunto
Atanazar – Aperrear, deixar irritado ("Esse animal só vive me atanazando o juízo")
Atarantado – Cheio de obrigações, de tarefas a cumprir, superocupado
Avacalhar – Esculhambar; ironizar
Avexar – Apressar
Avia – Apressa, agiliza ("Avia logo com esse serviço, menino!")
Avuado – Desorientado
Azucrinar - Aborrecer, irritar alguém

B

Babão - Puxa-saco
Bafafá – Confusão, bagunça
Baitola - Bicha, homessexual masculino
Baixa-da-égua - Lugar muito distante
Balai-de-gato - 1. Situação confusa; 2. Coisa muito ruim.
Baleado – Ligeiramente embriagado
Bambo - Por acaso, por sorte (Não sabia o endereço, acertou no bambo)
Banana – Tolo, idiota
Barata-de-igreja - Beata
Barraco – Baixaria; situação vexatório; escândalo
Barroada – Choque, batida entre dois ou mais automóveis
Bascui – Sujeira, entulho
Bater-fofo - Falhar, não cumprir o prometido
Berrante - Revólver, arma de fogo
Berreiro - Gritaria
Beiço – Lábio
Bestice - Besteira
Bexiga – Coisa ruim; situação complicada
Bexiguento - Patife, cretino
Bicada – Dose de aguardente, dose de bebida alcoólica
Bicado - Embriagado
Bicha – Homossexual masculino
Bigu - Carona
Bila – Bola de gude
Bilola – Pênis
Bimba – Pênis
Bimbada – Trepada; ato sexual
Bip – Pessoa insistente; pessoa pegajosa; pessoa que fala muito
Biritado – Bêbado, embriagado
Biruta – Amalucado, louco
Bizu - Cola de prova; fraude em vestibular
Boca-de-siri - Pessoa que guarda segredo
Boca-quente - Pessoa influente, importante
Bodeado – Chateado; embriagado
Bode-moco - Pessoa com problema de audição
Boga - Cu, ânus
Boiola – Homossexual masculino
Boneca - Homossexual masculino
Borná – Saco ou bolsa, usado a tiracolo, por caçadores ou para transporte de ferramentas
Borocoxô - Desanimado, triste, cabisbaixo
Borrego – Filhote de cabra
Botar galha - Cornear, ser infiel
Brebote – Comida com baixo teor de nutrição
Bregueço - Objeto sem valor, despresível
Brenhas - Lugar longe e de difícil acesso
Bronha – Masturbação masculina (O menino estava batendo uma bronha no banheiro)
Broxar – Perder a potência sexual
Bruaca – Mulher feia
Buceta – Vagina, priquito
Bufar – 1. Peidar, dar peidos; 2. Gemer de raiva
Bujinganga – Conjunto de objetos variados, sem ou de pouco valor; miudezas
Bunda-nacasta – Cambalhota
Bundeira – Mulher que pratica sexo anal mas continua virgem (Ela ainda não tá perdida, é só bundeira)
Buruçu – Confusão

C

Cabaço – Hímen; virgindade (O safado tirou o cabaço da moça e não casou)
Cabra – Pessoa não identificada; pessoa má; trabalhador braçal
Cabra-cega – Brincadeira em que uma criança, de olhos vendados, tenta pegar outra
Cabreiro – Desconfiado; arredio
Cabrita – Menina-moça, moça sapeca
Cabroeira – Grupo de cabras, pessoas
Cabuetar - Denunciar
Cabuloso – Chato; desagradável (O sujeito é muito cabuloso)
Cabreiro - Desconfiado
Cacareca - Coisa velha, objeto sem valor
Cachete – Comprimido
Cafofa - No futebol, chute fraco, sem força
Cafundó – Lugar muito distante
Cagada – Coisa mal-feita; acerto por pura sorte, no bambo
Cagado – Sortudo, pessoa de sorte
Cagado-e-cuspido - Semelhante, muito parecido
Caixa-dos-peito - Tórax (O cabra levou um tiro bem na caixa-dos-peito)
Caixa-prego - Lugar muito distante
Califon - Sutiã, corpete
Calombo - Ematoma, galo, caroço
Calunga – Aquele que trabalha descarregando caminhão
Cambito – Perna fina (Ela não tem peito nem bunda e as pernas parecem mais dois cambitos)
Cambota - Pessoa de joelhos separados, que caminha de pernas abertas
Cancão - Posta de comida amassada com as mãos
Cangote – Pescoço
Canso - Cansado; Informação velha (Ele casou com ela porque quis, mas estava canso de saber que ela não prestava)
Cão chupando manga - Muito competente no que faz
Capiongo - Desanimado, triste, abatido
Carão - Repreensão (Fez mulcriação e levou um carão do pai)
Caritó – Estado da mulher que envelheceu e não conseguiu casar (Ela ficou no caritó)
Carne-de-cu - Coisa ou pessoa ruim (Aquilo é pior do que carne-de-cu)
Carne-mijada – Vagina
Carraspana - Bebedeira, cachaça
Catatau - Entulho, amontoado de objetos
Catinga – Mau-cheiro
Catingoso - Mul-cheiroso, fedorento
Catombo - Parte elevada de alguma superfície; ematoma
Catota - Secreção nasal, meleca
Catráia - Mulher sem compostura, vadia
Catrevage - Coisa velha, objetos sem valor
Cavalo batizado - Grosseiro, estúpido
Cavernosa - Pessoa ou coisa misteriosa
Chamar-na-grande - Advertir seriamente
Chapuletada - Pancada grande
Chei dos paus - Bêbado
Cheleléu - Puxa-saco, xaleira
Chililique - Desmaio
Chirimbamba - Mundiça, ralé
Chirre – Sopa rala, caldo sem consistência
Chocha-bunda - Feijão de corda
Chumbado - Meio embriagado
Chupitilha - Refresco
Cocorote - Cascudo
Coivara - Ajuntamento de galhos preparativo na queimada
Comunismo – Carestia (Os preços na feira hoje estavam um comunismo)
Confeito – Bom-bom, bala
Conversa-mole – Conversa vulgar; besteira
Conxambrança – Acordo entre duas ou mais pessoas, com objetivo de ação maldosa
Corta-jaca – Intermediário de namorados
Corpete - Sutiã
Cotoco – Pedaço muito pequeno de um objeto (O lápis está só no cotoco)
Couro-de-pica – Diz-se da pessoa ou situação que vai e volta freqüentemente sem nada resolver
Cromo - Calendário
Cu-de-boi – Confusão; caos
Cu-de-ferro – Diz-se da pessoa dedicada, estudiosa
Cunhão - Testículo
Curriola – Grupo de pessoas da baixa classe social
Custar os olhos da cara - De preço muito caro
Cuvico - Pequeno cômodo

D

Dar o grau - Caprichar num serviço
Dar o prego - Enguiçar, quebrar (o carro deu o prego na subida da ladeira)
Dar uma rabeada - Diz-se quando o carro derrapa, dar puxada brusca
Delicado – Homossexual masculino; homem afeminado
Derna – Desde
Derrubado – Feio; decrépito
Descabaçar – Desvirginar uma donzela
Desapiar – Desmontar do animal
Desenxavido – Desinibido
Desopilar - Descontrair
Desmilinguido – Magro; sem vigor
Despachada – Pessoa desinibida; pessoa folgada
Despautério – Desaforo
Despanaviado – Desajeitado; tonto
Desparafusar – Perder a razão; enlouquecer
Destrambelhado – Desajeitado
Desunerar – Engrolar; ficar mal cozido ou mal assado; comida fora do ponto
Difunço – Gripe, resfriado
Disgramado - Atrevido ou sujeito desgraçado
Dois gatos pingados - Platéia minúscula, pouca gente
Do tempo do ronca - Muito antigo, fora de moda, ultrapassado

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sertânia cidade de poetas



Lio de Souza e Tiago de Carnaíba dos Dantas

Lio de Souza e Tiago de Carnaíba dos Dantas e o poeta Gaudêncio

Renato de Sertânia




Casa da Cultura de Sertânia

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Papangu

Personagens indispensáveis no carnaval de Pernambuco, os papangus são hoje alegres foliões mascarados que circulam pelas ruas das cidades, dando um colorido especial à festa. Mas, nem sempre foi assim. Originalmente, os papangus eram figuras grosseiras e temidas que acompanhavam as procissões religiosas, tocando trombeta e dando chicotadas em quem atrapalhasse o cortejo.

Veja, aqui, o que alguns estudiosos da cultura popular dizem sobre esses famosos tipos:

Em artigo sobre as procissões religiosas em Pernambuco, publicado pela Revista de História Municipal, em junho de 1978, Renan Pimenta Filho assim descreve os papangus: ?Indivíduo que ia à frente da Procissão de Cinzas (realizada na quarta-feira de cinzas no Recife e em Olinda) encarregado de tocar corneta anunciando o cortejo. Ele vestia uma túnica de tecido escuro, tinha a cabeça e o rosto cobertos por um capuz branco com três buracos ? um na boca e dois nos olhos. Levava um chicote com o qual batia nos moleques que tentavam perturbar o desfile religioso. Atrás do papangu, vinham as várias alas da procissão?.

No Dicionário do Folclore Brasileiro, Luís da Câmara Cascudo informa que ?o termo papangu vem de uma espécie grosseira, assim apelidada, e que, à espécie de farricoco (NR. encapuzado que acompanhava as procissões de penitência tocando trombeta de vez em quando), tomava parte nas extintas procissões de cinzas, caminhando a sua frente, armado de um comprido relho (chicote de couro torcido), com que ia fustigando o pessoal que impedia a sua marcha?.

Figura temida, sobretudo pelas crianças, o papangu que puxava as procissões religiosas começou a ser questionado até que, em 1831, foi proibido, através das Posturas da Câmara Municipal do Recife: ?Ficam proibidos os farricocos e papangus, figura de morte e de tirano, nas procissões que a Igreja celebra no tempo da Quaresma?. Depois dessa proibição, o termo papangu passou a denominar tudo o que fosse agressivo, grosseiro. Em 1846, circulou no Recife um jornal político, de linha editorial panfletária, sob o título de ?O Papa-Angu?.

Atualmente, como todo bom folião sabe, os papangus são apenas alegres mascarados que enchem as ruas das cidades pernambucanas, nos dias de carnaval. O município de Bezerros, a 100 quilômetros do Recife, é a região do Estado que apresenta a maior concentração desse tipo de carnavalesco. Ali, segundo os moradores, os primeiros papangus de que se têm notícias surgiram na década de 1930. Eram os chamados ?papangus pobres?, que trajavam roupas velhas e máscaras rústicas confeccionadas com papel jornal e goma.

A partir dos anos 1960, os papangus de Bezerros ficaram mais numerosos, embora uns ainda usando fantasias pobres, mas outros já exibindo batas coloridas e máscaras bem trabalhadas. A partir da década de 1990, depois que a televisão começou mostrar aquela característica do carnaval da cidade, os papanguns bezerrenses passaram a usar máscaras sofisticadas, confeccionadas com todo tipo de material e desenhadas por artistas plásticos locais ou de outras regiões do Estado. A ?brincadeira? cresceu tanto que, hoje, a cidade é conhecida como a Terra dos Papangus.