sábado, 12 de março de 2011

Cantoria na praia é diferente do baião de viola no sertão




Cantoria na praia é diferente do baião de viola no sertão

Grandes cantadores e um clássico do cordel: Raimundo Nonato e Edmilson Ferreira trabalhando o tema: Cantoria na praia é diferente do baião de viola no sertão.

Raimundo Nonato

Na cidade eu me sinto forasteiro,
mesmo sendo poeta repentista,
se a maré é mais bela pra o turista,
o sertão é melhor pra o violeiro,
tem peru dando voltas no terreiro,
tem cavalo amarrado no mourão,
uma vaca empurrando um cancelão
e um cachorro deitado num batente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.
Edmilson Ferreira

A cidade que eu canto não é ruim
o repente que faço é sem desmétrica,
mas aqui se vê só a luz elétrica,
no sertão que eu nasci, não é assim,
um pinguço rodeia um botequim,
com um copo de cana em sua mão,
é um gole na boca, outro no chão,
Já que o santo precisa de aguardente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.

Raimundo Nonato

Sei que o mar é gigante, é sem igual,
e o sertão é bonito e hospitaleiro,
tem um galo cantando no poleiro,
e um capote correndo num quintal,
uma foice de ferro no frechal,
uma rede de saco no oitão,
e um tição esperando no fogão,
que o fogo da trempe fique quente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.

Edmilson Ferreira

Imaginem no chão de Ibiapaba,
um poeta no timbre da garganta,
quando pensa um baião, se inspira e canta,
Deus ajuda e o verso não se acaba,
cantador é do jeito de piaba,
não dá certo encostado a tubarão,
e o apito da grande embarcação
não imita toada de repente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Galo da Madrugada




Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Galo da Madrugada

O Galo da Madrugada é um Clube carnavalesco que sai todo sábado de carnaval do bairro de São José, um dos bairros do centro da cidade do Recife, capital estado de Pernambuco, nordeste do Brasil.

É considerado pelo Guinness Book - o livro dos recordes - o maior bloco de carnaval do mundo. Em 2009, o desfile do Clube de Máscaras Galo da Madrugada, no centro do Recife, arrastou mais de 2 milhões de foliões. O agremiação foi criada por Enéas Freire1978 e surgiu na rua Padre Floriano nº 43, no bairro de São José.

O trajeto do Galo começa em frente ao Forte das Cinco Pontas, passando pela Travessa do Forte, Forte das Cinco Pontas, Rua Imperial, Praça Sérgio Loreto(sentido Av.Sul), Av. Sul, Rua Saturnino de Brito, Rua Imperial(sede do Galo), Praça Sérgio Loreto(sede do Galo), Rua do Muniz, Av. Dantas Barreto, Av. Guararapes(apoteose) e dispersão na Rua do Sol.

Vários barcos se posicionam no Rio Capibaribe para acompanhar a passagem do bloco.

A movimentação de pessoas no centro do Recife no sábado de carnaval do Galo da Madrugada dura todo o dia. Os foliões começam a chegar de manhã - por volta das 7 horas da manhã - e o bloco tem sua saída oficial por volta das 10 horas; os trios elétricos tocam até cerca de 18 horas e até a noite ainda sobram muitas pessoas voltando para casa ou seguindo direto para outra aglomeração de carnaval do Recife, a maioria delas localizadas no perímetro do Recife Antigo.

O Galo da Madrugada é composto por carros alegóricos, freviocas e vários trios elétricos (cerca de vinte e sete em 2009).

O principal ritmo tocado no bloco é o frevo, mas vários outros ritmos são executados pelas dezenas de trios que cruzam a cidade animando os foliões.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Os Caiporas



Em 1962, João Justino criou o bloco carnavalesco Os Caiporas (fotos), que transformou o que era assustador numa grande diversão. Homens, mulheres e crianças saem às ruas vestidos de terno e gravata com enormes sacos de estopa na cabeça. O bloco, que desfila à noite, animando os três dias de Momo, se transformou na marca do carnaval pesqueirense. Ver os sites abaixo para mais fotos e informações.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Quarta-feira de Cinzas



Com a imposição das cinzas, se inicia uma estação espiritual particularmente relevante para todo cristão que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus.

Este tempo vigoroso do Ano litúrgico se caracteriza pela mensagem bíblica que pode ser resumida em uma palavra: " matanoeiete", que quer dizer "Convertei-vos". Este imperativo é proposto à mente dos fiéis mediante o austero rito da imposição das cinzas, o qual, com as palavras "Convertei-vos e crede no Evangelho" e com a expressão "Lembra-te de que és pó e para o pó voltarás", convida a todos a refletir sobre o dever da conversão, recordando a inexorável caducidade e efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.

A sugestiva cerimônia das cinzas eleva nossas mentes à realidade eterna que não passa jamais, a Deus; princípio e fim, alfa e ômega de nossa existência. A conversão não é, com efeito, nada mais que um voltar a Deus, valorizando as realidades terrenas sob a luz indefectível de sua verdade. Uma valorização que implica uma consciência cada vez mais diáfana do fato de que estamos de passagem neste fadigoso itinerário sobre a terra, e que nos impulsiona e estimula a trabalhar até o final, a fim de que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e triunfe em sua justiça.

Sinônimo de "conversão", é assim mesmo a palavra "penitência" …
Penitência como mudança de mentalidade. Penitência como expressão de livre positivo esforço no seguimento de Cristo.

Tradição

Na Igreja primitiva, variava a duração da Quaresma, mas eventualmente começava seis semanas (42 dias) antes da Páscoa.

Isto só dava por resultado 36 dias de jejum (já que se excluem os domingos). No século VII foram acrescentados quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma estabelecendo os quarenta dias de jejum, para imitar o jejum de Cristo no deserto.

Era prática comum em Roma que os penitentes começassem sua penitênica pública no primeiro dia de Quaresma. Eles eram salpicados de cinzas, vestidos com saial e obrigados a manter-se longe até que se reoconciliassem com a Igreja na Quinta-feira Santa ou a Quinta-feira antes da Páscoa. Quando estas práticas caíram em desuso (do século VIII ao X) o início da temporada penitencial da Quaresma foi simbolizada colocando cinzas nas cabeças de toda a congregação.

Hoje em dia na Igreja, na Quarta-feira de Cinzas, o cristão recebe uma cruz na fronte com as cinzas obtidas da queima das palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior. Esta tradição da Igreja ficou como um simples serviço em algumas Igrejas protestantes como a anglicana e a luterana. A Igreja Ortodoxa começa a quaresma desde a segunda-feira anterior e não celebra a Quarta-feira de Cinzas.

terça-feira, 8 de março de 2011

Homenagem ao dia internacional da mulher

Foto de Maria Bonita


Por Cobra Cordelista Cobra Cordelista,
fonte nordeste.com


A primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros. Assim foi Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita. Nascida em 8 de março de 1911 (não por acaso o Dia Internacional da Mulher!!) numa pequena fazenda em Santa Brígida, Bahia e filha de pais humildes Maria Joaquina Conceição Oliveira e José Gomes de Oliveira, Maria Bonita casou-se muito jovem, aos 15 anos. Seu casamento desde o início foi muito conturbado. José Miguel da Silva, sapateiro e conhecido como Zé Neném vivia às turras com Maria. O casal não teve filhos. Zé era estéril.

A cada briga do casal, Maria Bonita refugiava-se na casa dos pais. E foi, justamente, numa dessas "fugas domésticas" que ela reencontrou Virgulino, o Lampião, em 1929. Ele e seu grupo estavam passando pela fazenda da família. Virgulino era antigo conhecido da família Oliveira. Esse trajeto era feito com freqüência por ele. Era uma espécie de parada obrigatória do cangaceiro.

Os pais de Maria Bonita gostavam muito do "Rei do Cangaço". Ele era visto com respeito e admiração pelos fazendeiros, incluindo Maria. Sem querer a mãe da moça serviu de cupido entre ela e Lampião. Como? Contando ao rapaz a admiração da filha por ele. Dias depois, Lampião estava passando pela fazenda e viu Maria. Foi amor à primeira vista. Com um tipo físico bem brasileiro: baixinha, rechonchuda, olhos e cabelos castanhos Maria Bonita era considerada uma mulher interessante. A atração foi recíproca. A partir daí, começou uma grande história de companheirismo e (por que não!) amor.

Um ano depois de conhecer Maria, Lampião chamou a "mulher" para integrar o bando. Nesse momento, Maria Bonita entrou para a história. Ela foi a primeira mulher a fazer parte de um grupo do Cangaço. Depois dela, outras mulheres passaram a integrar os bandos.

Maria Bonita conviveu durante oito anos com Lampião. Teve uma filha, Expedita, e três abortos. Como seguidora do bando, Maria foi ferida apenas uma vez. No dia 28 de julho de 1938, durante um ataque ao bando um dos casais mais famosos do País foi brutalmente assassinado. Segundo depoimento dos médicos que fizeram a autópsia do casal, Maria Bonita foi degolada viva.

Fonte: nordeste.com

Para Homenagear as mulheres que conheço Minha mulher Adjanete Santos, Professora das redes municipais de Recife e Cabo de Santo Agostinho!

Bezerros Terra dos Papangus



Localizada no agreste pernambucano, Bezerros se destaca pelo seu casario antigo e monumentos que estão preservados. Nosso Carnaval é um dos melhores do Estado. Serra Negra, parque ecológico, a natureza ao seu alcance. O pólo gastronômico do povoado de Encruzilhada de São João também é outra atração da cidade. A fabricação de bolos, doces e bolachas é só o algo mais que Bezerros tem a oferecer. Venha conhecer o que há de melhor na nossa terra.

Conhecida como "Terra dos Papangus", Bezerros fica a 50 minutos do Recife e deve fazer este ano o maior carnaval de sua história. Localizada no agreste pernambucano, às margens da BR 232, tem uma população de 57 mil habitantes. A folia começa dez dias antes do carnaval, com o bloco "Acorda Bezerros", que ao som de orquestras de frevo, vai arrastar os moradores dispostos a sair às três da madrugada pelas ruas do centro, vestindo pijamas, camisolas e baby doll. Para participar, basta vestir a roupa de dormir e cair na farra. A concentração é na rua 15 de Novembro, no centro da cidade.

No domingo de carnaval acontece o grande concurso de papangu, que vai escolher os melhores mascarados nas categorias individual, grupo, dupla e tradicional. Cerca de três mil papangus participam da disputa. Para brincar, é imprescindível que se tenha uma máscara. Fabricadas por artesãos locais, elas são verdadeiras obras de arte. São produzidas em diversos tamanhos e com várias finalidades: adorno para o carnaval, objetos de paredes e ainda como chaveiro. As mais sofisticadas são confeccionadas com gesso. Hoje, a tradição é passada de pai para filho. São mais de trinta oficinas de máscaras espalhadas pela cidade.

egundo contam os moradores mais antigos de Bezerros, a brincadeira começou quando alguns homens quiseram brincar o carnaval sem serem reconhecidos, para despistar a atenção de suas esposas. A brincadeira foi pegando e a cada ano aumenta o número de mascarados nas ruas. Durante o desfile pela cidade, os papangus bebem e comem angu de milho, uma comida típica da região. Devido ao exagero no apetite de alguns foliões, originou-se o nome da festa: Papangu. A principal regra desta importante tradição carnavalesca é manter o sigilo sobre as máscaras que serão usadas, para que ninguém venha a ser reconhecido.

Os primeiros Papangus que se tem notícia surgiram na década de 30. Eles eram chamados de Papangus Pobres porque trajavam roupas velhas, rasgadas com remendos, meias nas mãos, máscaras rústicas confeccionadas com papel jornal e goma. A história foi mudando e a partir dos anos 60, as roupas velhas foram substituídas por caftas - batas longas e estampadas. Porém a máscara continuava sendo fabricada com os produtos originais: papel jornal e goma. Outro ponto foi mantido: trocavam de roupa em lugares desconhecidos e continuavam a "visita" aos amigos. A consolidação da tradição veio em 1990 quando Bezerros surgiu no cenário nacional e ficou conhecida como a Terra do Papangu.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Origem do Aflitos



ORIGEM - O bairro dos Aflitos surgiu em torno de uma pequena igreja, a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, construída em 1762 nas terras de um fazendeiro. Por conta da capela, a fazenda, que antes tinha outra denominação, ficou conhecida como Aflitos, nome depois conservado pelo bairro.

A pequena igreja ainda existe, foi restaurada recentemente, e está localizada na Avenida Conselheiro Rosa e Silva, nas proximidades da esquina com a Rua Amélia. Inicialmente, a igreja era propriedade particular (do dono da fazenda) e hoje pertence à Paróquia do Coração Eucarístico de Jesus.

Internamente, a capela foi reconstruída no século 19, mas sua fachada é original. A capela tem um altar mor dedicado a sua Padroeira (Nossa Senhora dos Aflitos) e cinco altares laterais, um deles de invocação ao Senhor dos Passos.

SITUAÇÃO ATUAL - O bairro dos Aflitos tinha em 2.000 (Censo IBGE) uma população de 4.382 mil habitantes e era um dos poucos da cidade onde as diferenças sociais entre os moradores são mínimas. O bairro não possui favela e mais de 99% dos imóveis residenciais são atendidos pelos serviços de abastecimento de água, esgoto e coleta de lixo.

O índice de analfabetos entre as crianças de 10 a 14 anos é baixíssimo (apenas 1,2%) e apenas 2% dos chefes de famílias residentes no bairro têm três anos ou menos de escolaridade. Quanto à renda dos moradores, apenas 3,6% têm renda mensal igual ou menor que dois salários-mínimos.

Num estudo para tese de mestrado apresentada em 1998, a médica sanitarista Maria José Guimarães pesquisou todos os 94 bairros do Recife, com a finalidade de detectar as condições de vida dos moradores, e os Aflitos obteve o primeiro lugar em "Elevada Condição de Vida".

Na pesquisa, a médica calculou o índice de condições de vida dos bairros utilizando sete indicadores: abastecimento de água, ligação com a rede de esgoto, coleta de lixo, média de pessoas por dormitório, anos de escolaridade dos chefes de família, renda mensal dos moradores e população analfabeta.

Área: 30,6 hectares

Densidade demográfica: 143,17 hab./ha

sábado, 5 de março de 2011

Reginho e Banda Surpresa




Parabólicas deixam interior isolado da capital


Na busca por melhor imagem e mais opções de canais de televisão, a população das cidades do interior pernambucano tem aderido em massa ao uso de antenas parabólicas. Essa prática é boa, na medida em que proporciona conforto e deixa o telespectador ligado no mundo. Mas, ao mesmo tempo, é ruim, porque ela deixa os pernambucanos completamente alheios ao que acontece no seu próprio Estado.

Esse isolamento ocorre porque todos os canais de TV sintonizados via parabólica são de outras regiões do Brasil, sobretudo de São Paulo e Rio de Janeiro. Desta forma, a "programação local" (desde telejornais, flash, jogos de futebol etc.) transmitida por essas emissoras diz respeito, claro, aos seus respectivos estados. Notícias de Pernambuco, só mesmo quando o fato é destaque nacional.

Em períodos eleitorais, a situação é mais absurda ainda: o sertanejo reúne a família diante da TV, durante o horário da propaganda eleitoral gratuita, para ficar escutando os discursos de candidatos cariocas, paulistas, catarinenses ou até mesmo paraibanos - nunca de um pernambucano. Daí, muita gente não saber, por exemplo, quem é o governador de Pernambuco ou o prefeito do Recife.

Josefa Cândido da Silva, agricultora de 45 anos, é um caso típico desse telespectador parabólico. Moradora de uma casa de taipa no Sítio Quinto Barracão, no município de Sertânia, ela viveu sem acesso à TV até 2001, ano em que reuniu as economias, comprou uma antena por R$ 350,00 e passou a captar imagem de primeira qualidade. “Antes da parabólica, a televisão aqui só pegava uns riscos”, informa ela.

Dona Josefa mora com um filho de 18 anos e o companheiro, também agricultor, e diz que foi um sacrifício comprar a antena, porque o dinheiro que ganham é curto: “mas se a gente não fizesse isso, a gente não via nada.” Ela quer dizer: a família não assistiria a telenovelas e outros programas nacionais. Porque informações de Pernambuco, os três só têm através do rádio. “Coisas daqui, só de rádio mesmo”.

De acordo com técnicos do Departamento de Telecomunicações de Pernambuco (Detelpe), esse isolamento televisivo do interior do Estado não deveria acontecer. Isto porque, além da TV Pernambuco (que transmite uma TV Educativa para 40 localidades), o Detelpe opera um sistema de retransmissão com 70 estações repetidoras que, em tese,leva pelo menos um canal (no caso a Globo) para todo o território pernambucano.

O problema é que esse sistema não vem cumprindo a sua função com qualidade, pelos seguintes motivos: Está defasado do ponto de vista tecnológico, pois foi montado há 25 anos quando ainda não tínhamos sistema de transmissão de TV via satélite mas, sim, repetição via terrestre. E mais: algumas estações repetidoras são constantemente invadidas por ladrões que roubam dali cabos e equipamentos.

Em Lagoa Grande, por exemplo, além de cabos e outros materiais, roubaram inclusive o transformador de energia elétrica, deixando a estação totalmente às escuras. As estações dos municípios de Jatobá e Inajá também já foram assaltadas. A todas essas deficiências, acrescente-se o fato de que a população não se satisfaz com apenas um canal de TV. Daí, a proliferação de antenas parabólicas e o conseqüente isolamento das nossas populações interioranas.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Conflito na Paraíba resulta no assassinato de João Pessoa

1930 - O ASSASSINATO DE JOÃO PESSOA


João Pessoa, eleito presidente da Paraíba em 1928, foi assassinado no dia 26 de julho de 1930, no interior de uma confeitaria em Recife, Pernambuco. De sua biografia consta que razões de cunho político motivaram o homicídio, mas outros relatos dão versão diferente ao acontecimento. Um deles pode ser encontrado no site da Assembléia Legislativa de Pernambuco, cujo endereço é www.alepe.pe.gov.br. O texto diz que:

Em 1928, foi eleito presidente do seu Estado (...) No ano seguinte teve seu nome lançado para vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas, pela Aliança Liberal. (...) A campanha foi conturbada na Paraíba, principalmente quando um dos aliados de João Pessoa, o "coronel" José Pereira, chefe político no município de Princesa, rompeu com os aliancistas e aderiu (...) à candidatura Júlio Prestes e Vital Soares, apoiada pelo presidente Washington Luís. Sob o comando de Pereira, a cidade de Princesa iniciou uma rebelião contra o Governo estadual. Nesse período, realizou-se o pleito presidencial que deu a vitória à chapa governista. Inconformados com o resultado, os opositores iniciaram um movimento para impedir a posse de Júlio Prestes. (...) Sem armas para enfrentar os rebeldes, a Polícia paraibana passou a invadir casas e escritórios de pessoas suspeitas de estocar armamentos e munições destinadas aos comandados de José Pereira. O jornal paraibano A União noticiou, então, a invasão à casa de João Dantas, (...) de onde vários papéis foram confiscados. Entre essa documentação, estavam cartas de amor trocadas por Dantas e uma namorada, Anayde Beiriz. O episódio levou à exacerbação dos ânimos e culminou com o assassinato de João Pessoa, na Confeitaria Glória, no Recife, por João Dantas. Discute-se, ainda hoje, o real motivo do crime: se político ou passional.

O ano de 1930 nascera sob maus presságios. Poucos meses antes, o crack na bolsa de Wall Street em Nova Iorque já estava repercutindo negativamente sobre a economia brasileira, com a crise na cafeicultura e nas exportações.

A sucessão presidencial ia num crescendo preocupante. Antônio Carlos, presidente de Minas, era o candidato natural à sucessão de Washington Luís, um paulista de Macaé, e que, findo o seu quadriênio no Catete, deveria ser sucedido por um mineiro, em obediência à tradição republicana.

Citado por Alzira Vargas do Amaral Peixoto, no livro Getúlio Vargas, Meu Pai - Ed. Globo - Pág. 47, o catarinense Lauro Müller, com a frustração dos sonhos de seu estado em fazê-lo presidente da República, dizia numa clarividente previsão:

- Enquanto o governo do país permanecer nas mãos desses portugueses de Minas e de São Paulo, não haverá perigo; cuidado, porém, com esses espanhóis do Rio Grande do Sul, porque estes, se tomarem conta do poder, custarão a sair.

Com o apoio de Washington Luís a outro paulista (no caso, Júlio Prestes), rompia-se a monotonia dessa gangorra Minas-São Paulo. Aí, bafejada pela reação e pelo estímulo mineiros, surgia a candidatura de Getúlio, presidente do Rio Grande do sul, que até então se mantivera fiel à orientação política do governo federal - fora antes, inclusive, seu ministro da Fazenda - , mas que se transformaria no candidato da oposição.

O companheiro de chapa era o presidente da Paraíba, João Pessoa, a braços com a rebelião local de José Pereira num reduto no interior paraibano, que todos imaginavam apoiado por Washington Luís e que, à frente de jagunços, anunciava a criação do Território Livre de Princesa.

Dias após as eleições, realizadas a 1º de março, a vitória da chapa Júlio Prestes-Vital Soares era tão esmagadora que normalmente deveria desestimular qualquer protesto da oposição. Mas acontece que essa oposição não aceitava o resultado das urnas, acusando-o de falso porque obtido através de extensa fraude eleitoral. Era a primeira vez que a oposição derrotada reagia. Mas não seria a última em que se falaria de fraude. Muito pelo contrário.

A revolução, coordenada por Góes Monteiro, Oswaldo Aranha, João Alberto, João Neves da Fontoura, Flores da Cunha, Maurício Cardoso, Antunes Maciel, João Carlos Machado, Virgílio de Melo Franco, Juarez Távora, Juracy Magalhães, Afonso de Albuquerque Lima, Batista Luzardo e vários outros, já estava praticamente na rua e sua articulação atingiu o auge do emocionalismo com o assassinato de João Pessoa, na Confeitaria Glória, Recife.

Em www.paraiba..pb.gov.br, texto datado de 05.01.2005 lança um pouco mais de luz sobre a tragédia. Com o título “Um centenário de nascimento da poetisa Anayde Beiriz, mártir da maior cafajestada da história política da Paraíba”, ele diz:


O próximo dia 18 de fevereiro é a data que marca o centenário do nascimento da professora e poetisa paraibana Anayde Beiriz. Provavelmente, esta data passaria despercebida por muitos não fosse uma reforma que atualmente está em andamento na casa localizada à rua Santo Elias, 176, em João Pessoa. (...) O fato serviu para resgatar um pouco da história de Anayde Beriz, que no filme "Paraíba, mulher macho", teve sua importância reduzida à condição de mera amante do assassino do presidente João Pessoa. Diferentemente do que é apresentado no longa metragem de Tizuka Yamazaki, Anayde Beiriz não foi uma simples passageira do tempo que entrou para história por trágica casualidade do destino, mas provavelmente a mais importante personagem feminina da história paraibana. Anayde escrevia para os jornais da época. Mulher bastante ousada que ia de encontro aos preceitos dogmáticos de uma sociedade dominada pelo machismo conservador, ela foi a primeira a usar os cabelos pintados e cortados muito curtos, à "la garçonne". Passeava pelas ruas desacompanhada, fumava, usava decotes sensuais e era avessa á idéia de casar e ter filhos. Aos dezessete anos concluiu o curso normal, diplomada em primeiro lugar da turma, e com vinte anos ganhou um concurso de beleza. Porém, em seus curtos vinte e cinco anos de vida, destacou-se como uma combatente defensora da igualdade de direitos para ambos os sexos, professora, amante das artes e poetisa, cujos poemas de singular apelo sensuais eram classificados como devassos até por setores das classes intelectuais menos comprometidos com as normas morais vigentes.

Em 1928, Anayde Beiriz, com vinte e três anos de idade, iniciou seu romance com o advogado e ativista político João Dantas, ferrenho adversário de João Pessoa, então presidente da Província da Paraíba. Eles mantinham uma relação amorosa bastante liberal para a época. Um casal apaixonado que trocava confidências amorosas através de cartas e poemas eróticos, os quais eram guardados no escritório de João Dantas, como partes integrantes de suas vidas privadas. Em 1929, João Pessoa, na qualidade de vice, e Getulio Vargas, como presidente, lançaram chapa de oposição à Presidência da Republica. Na Paraíba, o cel. José Pereira, de Princesa, a quem João Dantas se ligava politicamente, era o principal adversário político do Presidente da Paraíba. Em 1930, a campanha pela sucessão do Presidente da República Washington Luís foi bastante acirrada, mas, realizado o pleito, a chapa situacionista, encabeçada por Júlio Prestes, foi declarada vitoriosa. Nada mais restava a chapa de oposição, formada por Getúlio Vargas e João Pessoa, senão lamentar a derrota,. Porém, alguns fatos ocorridos na Paraíba iriam mudar o rumo da história do Brasil. De retorno à Capital, vindo da Serra de Teixeira, onde visitara seu ao pai enfermo, João Dantas constatou que seu escritório fora invadido e saqueado pela polícia, a mando de João Pessoa, e todo o seu conteúdo espalhado e afixado em lugares públicos, expostos à curiosidade alheia. Apercebeu-se, João Dantas, que as cartas, poemas eróticos e fotografias sensuais, e até mesmo o diploma de Anayde, eram motivos de galhofas de toda a sociedade. João Dantas se sentiu profundamente humilhado ao ver o seu sagrado direito de privacidade ser violado.

O resto da história todos sabem qual foi. Sabiamente, diz um velho provérbio: "Quem governa faz a História, pois a História pertence aos vencedores". Por muito tempo a história oficial tentou esconder os verdadeiros motivos que culminaram na tragédia da Confeitaria Glória. Getulio Vargas chegou ao poder graças á morte de João Pessoa, e como gratidão o transformou em mito. Não se discute a ética nem o caráter dos mitos, por isso João Pessoa tem resistido incólume ao julgamento da história. Para que escrever que naquela ocasião João Pessoa foi ao Recife se encontrar com uma amante, se fica mais sublime dizer que ele foi tratar de assuntos políticos, como fazem os grandes estadistas? Que importa saber se na Confeitaria Glória João Pessoa contava triunfantemente aos correligionários a humilhante peça que armara contra seu adversário político?

Concomitantemente, a história oficial deixou transparecer que João Dantas era um homem rude, de pensamento retrógrado e posições anárquicas, que alimentava um amor libertino por uma insignificante e devassa professorinha de uma colônia de pescadores. Por outro lado, João Pessoa, foi elevado à categoria de herói assassinado, João Dantas e Anayde Beiriz foram relegados aos grupos dos fracos e arrependidos, que renunciam ao sagrado direito de viver através do louco caminho do suicídio. Desta forma, hoje o nome de João Dantas continua prescrito na história política da Paraíba, enquanto que João Pessoa dá nome à cidade em que nasceu. Anayde Beiriz teve o corpo enterrado como indigente, na capital pernambucana.

Conseqüências da Morte de João Pessoa


João Dantas: Suicídio ou Assassinato!?

"Fique certo que nenhum Dantas se amedrontará nem se humilhará diante vosso capricho... Sou forçado lembrar, sem estardalhaço tão do agrado do vosso temperamento teatral, que felizmente tendes filhos, e juntamente com eles responderais pelo que sofrer a minha família."

(de um telegrama de João Dantas a João Pessoa)

"A procura do seu difamador percorria as ruas do bairro comercial. Depois de varejar todos os recanto veio encontrá-lo, sentado, em uma roda de amigos, na "Confeitaria Glória". Dominando a exaltação, natural do momento, controlou seus nervos que os sabia dominar. Enfrentando seu rancoroso inimigo, teve a altivez de lhe dizer quem era o autor do fim dos seus dias - "João Pessoa, sou Dr. joão Duarte Dantas, a quem tanto injuriaste e ofendeste" - e isto lhe dizendo, por três vezes lhe descarregou a arma, para ele amiga, porque lhe pareceu que, naqueles disparos que o fizeram tombar, caia também o peso da inclemencia que tanto o oprimia, e assim tinha, novamente, limpa a sua honra que, ignobilmente, fora tantas vezes ultrajada."

(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

"... Eu agi porque me afrontaram ao extremo, e o fiz sem ouvir a ninguém, por minha mão, por minha responsabilidade exclusiva..."

(de uma carta de João Dantas escrita da prisão, em Recife)

- "Mas Dr. Dantas, o Sr. cometeu o maior crime do mundo!"
- Sim, Dr., depois que recebi a maior afronta do universo"

(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

"E, as 15h00 e mais alguns minutos eram barbaramente sangrados, miseravelmente mortos, na penitenciária do Recife, o engenheiro Augusto Moreira Caldas e o Dr. João Duarte Dantas. Trucidavam, os canibais, duas indefesas criaturas!"

(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

Tirem suas próprias conclusões!

Imagens retiradas do Livro 'Por que João Dantas Assassinou João Pessoa' e colhidas no site http://www.princesapb.com/.


Este texto também foi publicado em www.efecade.com.br, que o autor está construindo. Visite-o e deixe a sua opinião!

Na versão dos Dantas

A história que a família conta é que no final da década de 20, João Dantas era inimigo político e pessoal de João Pessoa, governador da paraíba e sobrinho do então presidente Eptácio Pessoa. Foi então que José Américo, Hoje concorre a paraibano do século, ocupava um cargo importante ligado a segurança no governo e mandou invardir o apartamento de João Dantas, roubou cartas confidênciais ..., e publicou anônimanente. João Dantas puto da vida por ter sido difamado, pensou que fora João Pessoa e o jurou de morte, avisou que iria morar em recife e no dia que ele fosse a pernambuco estaria morto. Não deu outra, um ano depois João pessoa estava em Recife numa padaria, João Dantas o viu, foi pegar sua arma em casa e o matou como havia prometido. Já no presídio foi assassinado em circunstâncias nunca esclarecidas.

Depois deu-se inicio a perseguição aos dantas na paraíba junto com a revolução de trinta. Meu avô, José Lindolpho Dantas Corrêia de Goes, que morava em Teixeira, no interior da paraíba, contava histórias de emboscadas com a polícia, ainda cheguei a conhecer casas de fazenda com aberturas para os rifles e tal. Alguns amigos dele ficaram escondidos por meses na mata, etc. Por fim os paraíbanos deram o nome da capital de João Pessoa (chamava-se paraíba). Tem outras histórias muito interessantes sobre os dantas.

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JOÃO DANTAS NÃO É HERÓI

A pergunta que faço aqui agora é a seguinte: se João Dantas não tivesse matado João Pessoa, seria lembrado hoje em dia como alguém de relativa importância? Seguramente não. Era um advogado como outro qualquer, com escritório funcionando no centro da Capital, tendo clientes razoáveis e um grupo de amigos comuns, que não projetam nem desqualificam. Tudo dentro da normalidade. Sim, gostava de um rabo de saia, coisa que todo homem gosta. Sendo solteiro, namorava a torto e a direito, até que encontrou Anayde Beiriz, por quem se enrabichou, atraído pelos seus dotes de poetisa e pelo seu comportamento incomum num tempo em que mulher não mostrava a canela ao distinto público e se chumbregava com algum homem, o fazia na calada da noite, no escondido do quarto.Dizem que era valente, mas lendo a sua história vê-se que era mais rancoroso do que destemido. E odiava a João Pessoa, o presidente do Estado, por conta de interesses contrariados dele e da família. Se fosse só por Anayde e pelas cartas que se transformaram, ao longo dos anos, em símbolos de um amor trágico tipo Romeu e Julieta, garanto que João Pessoa teria morrido de velhice. João Dantas tinha raiva de João Pessoa por outros motivos. Inclusive empresariais. O presidente da Paraíba atrapalhou negócios da família Dantas em Teixeira e isso não caiu no agrado do advogado, que começou a escrever cartas violentas, desqualificando o presidente, chamando-o de doido, de João Porteira. Tudo desaforo, dito nas folhas dos jornais, a distância mantida, um ouvindo da Paraíba o que o outro mandava dizer de Pernambuco.

Pelo que se lê nos livros da história, João Pessoa não ligava muito para João Dantas. Não dava-lhe cabimento. O presidente se preocupava, sim, com Zé Pereira, que lhe tirava o sono direto de Princesa, armando um exército para desafiá-lo e aos seus soldados. Dantas não. Era apenas um homem comum que dizia desaforos nos jornais dos Pessoa de Queiroz e que era repreendido, no mesmo tom, pelos que escreviam em A União. Ou seja, João Pessoa lia os ataques, mas deixava aos seus subordinados a missão de respondê-los.


A invasão ao escritório de João Dantas foi iniciativa dos babões do presidente. João Pessoa soube dela depois de consumada. E as cartas, as famosas cartas que foram utilizadas como justificativa para a morte de João Pessoa, eram aquelas trocadas entre João e o pai, nas quais se falava de aproveitamento de verbas federais para construção de açudes nas propriedades da família Dantas. Ou seja, dinheiro enviado ao Estado com a missão de ajudar o povo e que seria desviado para as terras dos Dantas, em Teixeira. As cartas que teriam Anayde como protagonista eram café pequeno perto das que falavam das mutretas dos Dantas.


Quanto ao incidente do Recife, que transformaria Dantas em Herói, em homem de incontestável coragem, faço ressalvas. João Dantas matou João Pessoa a traição. Chegou perto dele e, quando o homem levantou a cabeça para vê-lo, disse: "João Pessoa, sou João Dantas" e mandou bala. Deu-lhe três tiros na caixa dos peitos, sem permitir a menor reação. João Pessoa morreu sorrindo, sem entender nada. Desse jeito, qualquer um pode ser herói.

Fonte:
tiaolucena@jpa.neoline.com.br