quarta-feira, 16 de março de 2011

A origem do Reino Encantado



Movimento fanático, surgiu na localidade denominada Sítio da Pedra Bonita (área próxima à Vila Bela e que depois integraria o município de São José do Belmonte), interior de Pernambuco, em 1836, um ano depois de o estado sofrer uma grande seca. Teve início com as pregações do beato João Antônio, segundo as quais o rei Sebastião iria "desencantar" e voltar para distribuir riqueza com o povo.

O beato foi logo seguido por uma legião de adeptos, mas, pressionado por padres católicos, desistiu da iniciativa. Dois anos depois, João Ferreira (um cunhado do beato João Antônio) reinicia o movimento, com as mesmas promessas de criação do "Reino Encantado".

O fanático João Ferreira reunia seus seguidores em torno de um grande rochedo (a "Pedra do Reino") e dizia que, para que o rei Sebastião revivesse e pudesse realizar o milagre da riqueza, era preciso que a grande pedra ficasse totalmente tingida com sangue humano.

Quem doasse o sangue para a volta do rei seria recompensado: velhos ressuscitariam jovens; pretos voltariam brancos e todos, além de ricos, seriam imortais na nova vida. Tiradas de suas lavouras pelo flagelo da seca, famílias de agricultores acamparam em volta da rocha e passaram a aguardar o milagre.

João Ferreira proclamou-se "rei" e estabeleceu os costumes da comunidade ali formada. Por exemplo, cada homem poderia ter várias mulheres, mas cabia ao "rei" o direito da primeira noite: ele dormia a noite de núpcias com a recém-casada, devolvendo-a no dia seguinte ao marido.

Todas as outras normas de conduta também eram ditadas por ele. A tentativa de tingir a pedra com sangue humano (para que, finalmente, o milagre acontecesse) foi levada à prática durante três dias de maio de 1838. O primeiro a ser degolado foi o pai do "rei" João Ferreira.

Outras 50 pessoas foram sacrificadas, a maioria crianças. Mas, mesmo assim, o rei Sebastião não apareceu. Os fanáticos, então, decidiram sair em procissão, tendo à frente João Ferreira. Encontraram uma patrulha e foram massacrados.

terça-feira, 15 de março de 2011

O dia em que Jarbas deu uma de repórter



O ex-governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, no passado já deu uma de repórter. Foi em 1973, quando, disfarçado de turista, ele entrou numa fazenda em Brejo da Madre Deus, a 190 km do Recife, para cumprir uma missão: documentar a suspeita de que máquinas e trabalhadores pagos pelo governo estariam sendo utilizados para realizar obras numa propriedade particular do então governador do Estado, Eraldo Gueiros Leite. E o episódio teve grande repercussão.

Na época, Jarbas Vasconcelos era deputado pelo MDB, líder da Oposição na Assembléia Legislativa, e contratou um fotógrafo que também se fez passar por turista. Na propriedade de Eraldo Gueiros, a Fazenda Salobro, de 90 hectares, os dois fotografaram equipamentos e operários de duas empresas estatais (o Departamento Estadual de Poços e Açudagem e a Companhia de Eletrificação de Pernambuco) executando obras de eletrificação e perfuração de poços.

As fotos ficaram guardadas por duas semanas até que, no dia 27 de abril, foram divulgadas. Primeiro, Jarbas exibiu as fotografias no plenário da Assembléia Legislativa do Estado, durante uma tumultuada sessão, confirmando, assim, "tratar-se evidentemente de um ato imoral". No dia seguinte, as fotos acabariam publicadas pelos jornais pernambucanos e de outros estados brasileiros, entre os quais o Jornal da Tarde, vespertino paulista.

Em meio à sessão durante a qual as fotos foram exibidas, o líder do Governo, Antônio Correia de Oliveira, saiu em defesa de Eraldo Gueiros, dizendo que os trabalhos na fazenda do governador foram pagos das seguintes formas: a perfuração dos poços teria sido quitada ao Departamento de Poços e Açudagem com o cheque de nº 069322, do Bandepe; e a eletrificação rural fora paga à Celpe, com 170 notas promissoras de CR$ 76,00 cada. E, assim, tudo parecia resolvido.

Mas, a explicação de Antônio Correia não convenceu muita gente. O deputado Antônio Airton Benjamim, governista dissidente, foi um exemplo. Exibindo um exemplar do Diário Oficial do Estado daquela semana, ele leu em plenário a notícia sobre a assinatura de um contrato no valor de 7,3 milhões, entre o Governo do Estado (via Celpe) e várias cooperativas agrícolas, para eletrificação de propriedades rurais. E a legenda de uma foto da notícia dizia o seguinte:

"O chefe do executivo dirige-se aos presidentes de cooperativas do interior, afirmando que também participará, como simples cidadão, dos benefícios da eletrificação rural."

A partir daquele momento, a sessão na Assembléia Legislativa ganhou ares de guerra. A Oposição queria pedir o impeachment de Eraldo Gueiros, com base no artigo 173 da Constituição Federal, segundo o qual "não é permitido a um governador de Estado fazer contratos com companhias do governo ou naquelas em que o governo é o maior acionista". Mas, para pedir o impeachment, a Oposição teria que reunir os votos de 2/3 dos deputados, coisa que nem de longe ela conseguiria.

E, assim, com aquela tensa sessão na Assembléia Legislativa (que acabaria pondo mais fogo na velha briga Governo/Opisição), estaria encerrado o episódio das reveladoras fotografias realizadas por Jarbas Vasconcelos.

Mas, um detalhe de toda essa história ainda hoje provoca indagação:

Se, durante a sessão em que Jarbas apresentou as fotos, Pedro Correia já tinha em mãos os argumentos para defender o Governo, isso significa que o Governo sabia antecipadamente que as fotos seriam divulgadas. Por que, então, o Governo nada fez para tentar impedir que a divulgação se consumasse, já que esse tipo de intervenção era "normal" durante a ditadura militar? Teria sido descuido?

Fonte:http://www.pe-az.com.br

segunda-feira, 14 de março de 2011

Hoje é o dia da poesia

Hoje é dia da poesia e não poderia faltar nossa homenagem, há esse dia tão especial!!!

Parabéns poetas de meu Brasil

O que foi a Setembrizada?


Foi uma revolta militar ocorrida no Recife, durante os dias 14, 15 e 16 de setembro de 1831, exatamente cinco meses depois da abdicação imperial de Dom Pedro I. O movimento foi iniciado por soldados do Batalhão 14, que saquearam a cidade fazendo fogo, pedindo a volta do ex-imperador.

Rebelião até o momento pouco estudada, a Setembrizada teve - segundo o historiador Milton F. de Mello - antecendentes vinculados ao partido "Regressista", composto, em sua grande parte, por portugueses.

Tudo começou sob o pretexto de que os soldados não queriam ver fechado o portão do quartel, depois da revista das oito horas. Foram três dias de batalha travada desde os bairros de Boa Viagem, Afogados, Boa Vista até a vizinha cidade de Olinda.

O saldo da rebelião: 500 mortos e 800 presos, sendo que estes, posteriormente, foram transferidos para o arquipélago de Fernando de Noronha. Um dos responsáveis pelo fim da rebelião foi o tenente-coronel Antônio José Vitoriano, comandante do 4º Corpo de Artilharia, que foi às ruas combater os revoltosos.

Ao final, o tenente enviou um relatório ao Comandante das Armas em Pernambuco, brigadeiro Francisco de Paula Vasconcelos, narrando os espisódios.

A setembrizada foi a designação dado à prisão e subsequente deportação de um grupo de personalidades, em boa parte ligadas à Maçonaria, jacobinos e adeptos conhecidos dos ideais da Revolução Francesa, acusadas de colaboracionismo com as forças de ocupação da Primeira Invasão Francesa. A maioria das prisões realizou-se entre 10 e 13 de Setembro de 1810, daí a designação de setembrizada, e foi feita em reacção à entrada em Portugal das forças da Segunda Invasão Francesa, comandadas pelo general Nicolas Jean de Dieu Soult.

A maior parte dos presos foi embarcada na fragata Amazona e enviada, sob escolta britânica, para a ilha Terceira, nos Açores, onde permaneceriam exilados durante alguns anos, constituindo o núcleo dos deportados da Amazona que se revelaria instrumental na instauração do regime liberal nos Açores e nos acontecimentos subsequentes que levaram a ilha Terceira a ser um dos baluartes da luta contra as forças de D. Miguel I de Portugal.

Entre os presos encontravam-se intelectuais que muito contribuíram para a implantação do liberalismo em Portugal, entre as quais Domingos Vandelli, Manuel Ferreira Gordo, José Sebastião de Saldanha, Jácome Ratton e Vicente José Ferreira Cardoso da Costa. Alguns dos presos faleceram no cativeiro, entre os quais D. Pedro de Almeida Portugal e Cândido José Xavier Dias da Silva.

sábado, 12 de março de 2011

Cantoria na praia é diferente do baião de viola no sertão




Cantoria na praia é diferente do baião de viola no sertão

Grandes cantadores e um clássico do cordel: Raimundo Nonato e Edmilson Ferreira trabalhando o tema: Cantoria na praia é diferente do baião de viola no sertão.

Raimundo Nonato

Na cidade eu me sinto forasteiro,
mesmo sendo poeta repentista,
se a maré é mais bela pra o turista,
o sertão é melhor pra o violeiro,
tem peru dando voltas no terreiro,
tem cavalo amarrado no mourão,
uma vaca empurrando um cancelão
e um cachorro deitado num batente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.
Edmilson Ferreira

A cidade que eu canto não é ruim
o repente que faço é sem desmétrica,
mas aqui se vê só a luz elétrica,
no sertão que eu nasci, não é assim,
um pinguço rodeia um botequim,
com um copo de cana em sua mão,
é um gole na boca, outro no chão,
Já que o santo precisa de aguardente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.

Raimundo Nonato

Sei que o mar é gigante, é sem igual,
e o sertão é bonito e hospitaleiro,
tem um galo cantando no poleiro,
e um capote correndo num quintal,
uma foice de ferro no frechal,
uma rede de saco no oitão,
e um tição esperando no fogão,
que o fogo da trempe fique quente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.

Edmilson Ferreira

Imaginem no chão de Ibiapaba,
um poeta no timbre da garganta,
quando pensa um baião, se inspira e canta,
Deus ajuda e o verso não se acaba,
cantador é do jeito de piaba,
não dá certo encostado a tubarão,
e o apito da grande embarcação
não imita toada de repente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Galo da Madrugada




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Galo da Madrugada

O Galo da Madrugada é um Clube carnavalesco que sai todo sábado de carnaval do bairro de São José, um dos bairros do centro da cidade do Recife, capital estado de Pernambuco, nordeste do Brasil.

É considerado pelo Guinness Book - o livro dos recordes - o maior bloco de carnaval do mundo. Em 2009, o desfile do Clube de Máscaras Galo da Madrugada, no centro do Recife, arrastou mais de 2 milhões de foliões. O agremiação foi criada por Enéas Freire1978 e surgiu na rua Padre Floriano nº 43, no bairro de São José.

O trajeto do Galo começa em frente ao Forte das Cinco Pontas, passando pela Travessa do Forte, Forte das Cinco Pontas, Rua Imperial, Praça Sérgio Loreto(sentido Av.Sul), Av. Sul, Rua Saturnino de Brito, Rua Imperial(sede do Galo), Praça Sérgio Loreto(sede do Galo), Rua do Muniz, Av. Dantas Barreto, Av. Guararapes(apoteose) e dispersão na Rua do Sol.

Vários barcos se posicionam no Rio Capibaribe para acompanhar a passagem do bloco.

A movimentação de pessoas no centro do Recife no sábado de carnaval do Galo da Madrugada dura todo o dia. Os foliões começam a chegar de manhã - por volta das 7 horas da manhã - e o bloco tem sua saída oficial por volta das 10 horas; os trios elétricos tocam até cerca de 18 horas e até a noite ainda sobram muitas pessoas voltando para casa ou seguindo direto para outra aglomeração de carnaval do Recife, a maioria delas localizadas no perímetro do Recife Antigo.

O Galo da Madrugada é composto por carros alegóricos, freviocas e vários trios elétricos (cerca de vinte e sete em 2009).

O principal ritmo tocado no bloco é o frevo, mas vários outros ritmos são executados pelas dezenas de trios que cruzam a cidade animando os foliões.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Os Caiporas



Em 1962, João Justino criou o bloco carnavalesco Os Caiporas (fotos), que transformou o que era assustador numa grande diversão. Homens, mulheres e crianças saem às ruas vestidos de terno e gravata com enormes sacos de estopa na cabeça. O bloco, que desfila à noite, animando os três dias de Momo, se transformou na marca do carnaval pesqueirense. Ver os sites abaixo para mais fotos e informações.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Quarta-feira de Cinzas



Com a imposição das cinzas, se inicia uma estação espiritual particularmente relevante para todo cristão que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus.

Este tempo vigoroso do Ano litúrgico se caracteriza pela mensagem bíblica que pode ser resumida em uma palavra: " matanoeiete", que quer dizer "Convertei-vos". Este imperativo é proposto à mente dos fiéis mediante o austero rito da imposição das cinzas, o qual, com as palavras "Convertei-vos e crede no Evangelho" e com a expressão "Lembra-te de que és pó e para o pó voltarás", convida a todos a refletir sobre o dever da conversão, recordando a inexorável caducidade e efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.

A sugestiva cerimônia das cinzas eleva nossas mentes à realidade eterna que não passa jamais, a Deus; princípio e fim, alfa e ômega de nossa existência. A conversão não é, com efeito, nada mais que um voltar a Deus, valorizando as realidades terrenas sob a luz indefectível de sua verdade. Uma valorização que implica uma consciência cada vez mais diáfana do fato de que estamos de passagem neste fadigoso itinerário sobre a terra, e que nos impulsiona e estimula a trabalhar até o final, a fim de que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e triunfe em sua justiça.

Sinônimo de "conversão", é assim mesmo a palavra "penitência" …
Penitência como mudança de mentalidade. Penitência como expressão de livre positivo esforço no seguimento de Cristo.

Tradição

Na Igreja primitiva, variava a duração da Quaresma, mas eventualmente começava seis semanas (42 dias) antes da Páscoa.

Isto só dava por resultado 36 dias de jejum (já que se excluem os domingos). No século VII foram acrescentados quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma estabelecendo os quarenta dias de jejum, para imitar o jejum de Cristo no deserto.

Era prática comum em Roma que os penitentes começassem sua penitênica pública no primeiro dia de Quaresma. Eles eram salpicados de cinzas, vestidos com saial e obrigados a manter-se longe até que se reoconciliassem com a Igreja na Quinta-feira Santa ou a Quinta-feira antes da Páscoa. Quando estas práticas caíram em desuso (do século VIII ao X) o início da temporada penitencial da Quaresma foi simbolizada colocando cinzas nas cabeças de toda a congregação.

Hoje em dia na Igreja, na Quarta-feira de Cinzas, o cristão recebe uma cruz na fronte com as cinzas obtidas da queima das palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior. Esta tradição da Igreja ficou como um simples serviço em algumas Igrejas protestantes como a anglicana e a luterana. A Igreja Ortodoxa começa a quaresma desde a segunda-feira anterior e não celebra a Quarta-feira de Cinzas.

terça-feira, 8 de março de 2011

Homenagem ao dia internacional da mulher

Foto de Maria Bonita


Por Cobra Cordelista Cobra Cordelista,
fonte nordeste.com


A primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros. Assim foi Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita. Nascida em 8 de março de 1911 (não por acaso o Dia Internacional da Mulher!!) numa pequena fazenda em Santa Brígida, Bahia e filha de pais humildes Maria Joaquina Conceição Oliveira e José Gomes de Oliveira, Maria Bonita casou-se muito jovem, aos 15 anos. Seu casamento desde o início foi muito conturbado. José Miguel da Silva, sapateiro e conhecido como Zé Neném vivia às turras com Maria. O casal não teve filhos. Zé era estéril.

A cada briga do casal, Maria Bonita refugiava-se na casa dos pais. E foi, justamente, numa dessas "fugas domésticas" que ela reencontrou Virgulino, o Lampião, em 1929. Ele e seu grupo estavam passando pela fazenda da família. Virgulino era antigo conhecido da família Oliveira. Esse trajeto era feito com freqüência por ele. Era uma espécie de parada obrigatória do cangaceiro.

Os pais de Maria Bonita gostavam muito do "Rei do Cangaço". Ele era visto com respeito e admiração pelos fazendeiros, incluindo Maria. Sem querer a mãe da moça serviu de cupido entre ela e Lampião. Como? Contando ao rapaz a admiração da filha por ele. Dias depois, Lampião estava passando pela fazenda e viu Maria. Foi amor à primeira vista. Com um tipo físico bem brasileiro: baixinha, rechonchuda, olhos e cabelos castanhos Maria Bonita era considerada uma mulher interessante. A atração foi recíproca. A partir daí, começou uma grande história de companheirismo e (por que não!) amor.

Um ano depois de conhecer Maria, Lampião chamou a "mulher" para integrar o bando. Nesse momento, Maria Bonita entrou para a história. Ela foi a primeira mulher a fazer parte de um grupo do Cangaço. Depois dela, outras mulheres passaram a integrar os bandos.

Maria Bonita conviveu durante oito anos com Lampião. Teve uma filha, Expedita, e três abortos. Como seguidora do bando, Maria foi ferida apenas uma vez. No dia 28 de julho de 1938, durante um ataque ao bando um dos casais mais famosos do País foi brutalmente assassinado. Segundo depoimento dos médicos que fizeram a autópsia do casal, Maria Bonita foi degolada viva.

Fonte: nordeste.com

Para Homenagear as mulheres que conheço Minha mulher Adjanete Santos, Professora das redes municipais de Recife e Cabo de Santo Agostinho!

Bezerros Terra dos Papangus



Localizada no agreste pernambucano, Bezerros se destaca pelo seu casario antigo e monumentos que estão preservados. Nosso Carnaval é um dos melhores do Estado. Serra Negra, parque ecológico, a natureza ao seu alcance. O pólo gastronômico do povoado de Encruzilhada de São João também é outra atração da cidade. A fabricação de bolos, doces e bolachas é só o algo mais que Bezerros tem a oferecer. Venha conhecer o que há de melhor na nossa terra.

Conhecida como "Terra dos Papangus", Bezerros fica a 50 minutos do Recife e deve fazer este ano o maior carnaval de sua história. Localizada no agreste pernambucano, às margens da BR 232, tem uma população de 57 mil habitantes. A folia começa dez dias antes do carnaval, com o bloco "Acorda Bezerros", que ao som de orquestras de frevo, vai arrastar os moradores dispostos a sair às três da madrugada pelas ruas do centro, vestindo pijamas, camisolas e baby doll. Para participar, basta vestir a roupa de dormir e cair na farra. A concentração é na rua 15 de Novembro, no centro da cidade.

No domingo de carnaval acontece o grande concurso de papangu, que vai escolher os melhores mascarados nas categorias individual, grupo, dupla e tradicional. Cerca de três mil papangus participam da disputa. Para brincar, é imprescindível que se tenha uma máscara. Fabricadas por artesãos locais, elas são verdadeiras obras de arte. São produzidas em diversos tamanhos e com várias finalidades: adorno para o carnaval, objetos de paredes e ainda como chaveiro. As mais sofisticadas são confeccionadas com gesso. Hoje, a tradição é passada de pai para filho. São mais de trinta oficinas de máscaras espalhadas pela cidade.

egundo contam os moradores mais antigos de Bezerros, a brincadeira começou quando alguns homens quiseram brincar o carnaval sem serem reconhecidos, para despistar a atenção de suas esposas. A brincadeira foi pegando e a cada ano aumenta o número de mascarados nas ruas. Durante o desfile pela cidade, os papangus bebem e comem angu de milho, uma comida típica da região. Devido ao exagero no apetite de alguns foliões, originou-se o nome da festa: Papangu. A principal regra desta importante tradição carnavalesca é manter o sigilo sobre as máscaras que serão usadas, para que ninguém venha a ser reconhecido.

Os primeiros Papangus que se tem notícia surgiram na década de 30. Eles eram chamados de Papangus Pobres porque trajavam roupas velhas, rasgadas com remendos, meias nas mãos, máscaras rústicas confeccionadas com papel jornal e goma. A história foi mudando e a partir dos anos 60, as roupas velhas foram substituídas por caftas - batas longas e estampadas. Porém a máscara continuava sendo fabricada com os produtos originais: papel jornal e goma. Outro ponto foi mantido: trocavam de roupa em lugares desconhecidos e continuavam a "visita" aos amigos. A consolidação da tradição veio em 1990 quando Bezerros surgiu no cenário nacional e ficou conhecida como a Terra do Papangu.