terça-feira, 10 de maio de 2011

Enchentes em Pernambuco


O período das grandes enchentes em Pernambuco tem sido de junho a agosto. Entre os meses de janeiro e fevereiro só há registros, em toda a História, de duas pequenas inundações. E assim mesmo restritas a algumas áreas do Recife. Acompanhe aqui todas as enchentes que já castigaram o Estado.

1632 - A 28 de janeiro, ocorre a primeira enchente de que se tem notícia no Recife, "causando perdas de muitas casas e vivandeiros estabelecidos às margens do Rio Capibaribe".

1638 - Maurício de Nassau manda construir a primeira barragem no leito do Rio Capibaribe para proteger o Recife das enchentes: foi o Dique de Afogados, que tinha mais de 2 km e hoje é uma rua do Recife, a Imperial.

1824 - Entre fevereiro e abril, nova enchente atinge o Recife.

1842 - Junho. Enchente atinge o Recife, derrubando várias casas. Pontes desabaram; trens saíram dos trilhos; milhares de pessoas ficaram desabrigadas. Foi a primeira enchente de grandes proporções do Rio Capibaribe.

1854 - Foi a maior enchente do século. Durou 72 horas, atingindo todos os bairros do Recife. Derrubou a muralha que guarnecia a Rua da Aurora; parte do cais da Casa de detenção veio abaixo; a cidade ficou sem comunicações com o interior; no Porto do Recife, os navios foram atirados uns contra os outros.

1862 - Nova enchente castiga o Recife.

1869 - Grande enchente destrói as pontes da Torre, Remédios e Barbalho, e rompe os aterros da via férrea do Recife. Foi a maior enchente até então, tendo o imperador Pedro II determinado que o engenheiro Rafael Arcanjo Galvão viesse a Pernambuco "estudar o problema".

1870 - A 16 de Julho, o bacharel em matemática e ciências físicas José Tibúrcio Pereira de Magalhães, diretor de Obras e Fiscalização do Serviço Público do Estado, sugere ao governo imperial a construção de uma série de barragens nos principais afluentes do Rio Capibaribe, para evitar cheias no Recife.

1884 - Outra enchente atinge o Recife.

1894 - Em junho, enchente atinge todos os subúrbios recifenses situados às margens do Rio Capibaribe.

1899 - 01 de Julho. Vários bairros do Recife foram inundados por cheia do Rio Capibaribe. No município de Vitória de Santo Antão, desaba o segundo encontro da ponte sobre o Rio Itapicuru.

1914 - Outra enchente desaba sobre o Recife, deixando vários mortos.

1920 - A 14 de Abril, grande enchente deixa Recife isolada do resto do Estado, durante três dias. Postes foram derrubados; linhas telegráficas interrompidas; trens paralisados; pontes vieram abaixo, entre elas a da Torre. Os bairros de Caxangá, Cordeiro, Várzea e Iputinga ficaram totalmente isolados do resto da cidade.

1924 - Nova enchente deixa os bairros da Ilha do Leite, Santo Amaro, Afogados, Dois Irmãos, Apipucos, Torre, Zumbi e Cordeiro complemente submersos. O prédio do Serviço de Saúde e Assistência desabou e as obras do Quartel do derby sofreram grandes prejuízos.

1960 - Nova enchente do Rio Capibaribe castiga o Recife.

1961 - Enchente deixa 2 mil pessoas desabrigadas no Recife.

1965 - Outra enchente castiga o Recife. Os bairros de Caxangá, Iputinga, Zumbi e Bongi ficaram complemente inundados. Nas áreas mais próximas ao Rio Capibaribe, a água cobriu o telhado das casas.

1966 - Enchente catastrófica provocada pelo Rio Capibaribe, com a água atingindo mais de 2 metros de altura, nas áreas mais baixas do Recife. Em poucas horas, toda a extensão da Av. Caxangá foi transformada num grande rio. Na capital e interior, mais de 10 mil casas (a maioria mocambos) foram destruídas e outras 30 mil sofreram danos, como paredes derrubadas. Morreram 175 pessoas e mais de 10 mil ficaram desabrigadas. O nível do Rio Capibaribe subiu 9,20 metros além do nível normal. O presidente da República, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, veio ao Recife verificar os danos causados.

1967 - A Sudene apresenta relatório de uma comissão de técnicos, constituída logo após a enchente de

1966 - Para encontrar soluções para o problema. O relatório sugere a construção de barragens nos seus principais afluentes e no próprio Rio Capibaribe, que é a mesma sugestão apresentada quase um século antes pelo engenheiro José Tibúrcio.

1970 - Ocorrem duas enchentes em Pernambuco. Em Julho, as águas atingem a zona da Mata Sul e o Agreste do Estado, por conta do transbordamento dos rios Una, Ipojuca, Formoso, Tapacurá, Pirapama, Gurjaú, Amaraji e outros. A cidade que mais sofreu foi o Cabo, que teve 04 dos seus 05 hospitais inundados e várias indústrias pararam suas atividades. No Recife, as águas da Capibaribe causaram grande destruição. Na capital e interior, 500 mil pessoas foram atingidas e 150 morreram; 1.266 casas foram destruídas em 28 cidades. Só no Recife, 50 mil pessoas ficaram desabrigadas.

Em Agosto, nova cheia atinge o Recife e Olinda, desta vez provocada pelo Rio Beberibe. Em Olinda, 5 mil pessoas ficaram desabrigadas e foi decretado estado de calamidade pública.

1973 - Material de propaganda da Secretaria de Obras do governo do Estado anuncia, em letras garrafais, que a Barragem de Tapacurá, inaugurada naquele ano, era solução definitiva para dois graves problemas que afetavam o Recife: abastecimento de água da população e "o fim" das enchentes no Recife.

1974 - Outra enchente atinge o Recife. A Comissão de Defesa Civil, que tinha previsão do avanço das águas, retirou a tempo a população das área ribeirinhas. Em São Lourenço da Mata, uma ponte ficou parcialmente destruída e a população isolada. No município de Macaparana, 20 pessoas morreram, por conta do transbordamento do riacho Tiúma.

1975 - Considerada a maior calamidade do século, esta enchente ocorreu entre os dias 17 e 18 de Julho, deixando 80% da cidade do Recife sob as águas. Outros 25 municípios da bacia do Capibaribe também foram atingidos. Morreram 107 pessoas e outras 350 mil ficaram desabrigadas.

Na capital e interior, 1.000 km de ferrovias foram destruídos, pontes desabaram, casas foram arrastadas pelas águas. Só no Recife, 31 bairros, 370 ruas e praças ficaram submersos; 40% dos postos de gasolina da cidade foram inundados; o sistema de energia elétrica foi cortado em 70% da área do município; quase todos os hospitais recifenses ficaram inundados, tendo o depósito de alimentos do Hospital Pedro II. sido saqueado. Por terra, o Recife ficou isolada do resto do País durante dois dias.

O governador Moura Cavalcanti decretou estado de calamidade pública na capital e em 09 municípios do interior. O presidente da República, em cadeia nacional de televisão, anunciou medidas para socorrer as cidades pernambucanas atingidas. No Recife, a cheia atingiu seu ponto culminante às 04 da madrugada do dia 18.

Na manhã do dia 21, quando as águas baixaram e a população começava retomar a vida, o pânico tomou conta das ruas do Recife, em decorrência de um boato de que a Barragem de Tapacurá havia estourado e que a cidade seria arrasada.

Tudo ocorreu às 10 horas: de repente, a multidão corria de um lado para outro sem saber aonde ir; mulheres desmaiavam; os carros não respeitavam sinais nem contra-mão; guardas de trânsito abandonavam seus postos; várias pessoas foram atropeladas; bancos, casas comerciais e a agência central dos Correios fecharam as portas; no Hospital Barão de Lucena várias pessoas pularam do primeiro andar; enquanto o boato se espalhava de boca em boca.

No Palácio do Governo, ao saber do que estava acontecendo, o governador Moura Cavalcanti comentou: "Agora não é mais tragédia, agora é mortandade". As emissoras de rádio passaram imediatamente a divulgar insistentes desmentidos. A Polícia Militar divulgou nota oficial informando que prenderia quem fosse flagrado repetindo o alarme.

A Polícia Federal anunciou que estava investigando a origem (nunca descoberta) do boato. O pânico durou cerca de duas horas, mas seu momento de maior intensidade teve cerca de 30 minutos. Mais de 100 pessoas foram atendidas nos serviços de emergência dos hospitais.

Passado o pânico, técnicos da Companhia de Abastecimento de Água informaram que um rompimento da Barragem de Tapacurá (que tem capacidade para 94 milhões de metros cúbicos de água e nada sofrera com a enchente) traria conseqüências imprevisíveis para a cidade do Recife.

1977 - A 01 de Maio, nova enchente do Rio Capibaribe deixa 16 bairros do Recife embaixo d'água. Olinda e outras 15 cidades do interior do Estado também foram atingidas. Mais de 15 mil pessoas ficaram desabrigadas e só não foram registradas mortes porque a população das áreas ribeirinhas foram retiradas 24 horas antes. São Lourenço da Mata foi o município mais atingido. Em Limoeiro, houve desabamento de ponte.

1978 - A 29 de Maio, o presidente da República, Ernesto Geisel, vem ao Recife inaugurar a Barragem de Carpina, construída para conter as enchentes do Rio Capibaribe. Com 950 metros de comprimento, 42 metros de altura, a barragem tem capacidade para armazenar 295 milhões de m3 de água e fica a maior parte do ano seca, só enchendo no período chuvoso.

2000 - Entre os dias 30 de julho e 01 de agosto, fortes chuvas castigaram o Estado, inclusive a Região Metropolitana do Recife, deixando um total de 22 mortos, 100 feridos e mais de 60 mil pessoas desabrigadas. Cidades foram parcialmente destruídas, tendo ás águas que transbordaram dos rios levado pontes e casas.

As chuvas foram anunciadas com 40 dias de antecedência pelos serviços de meteorologia, mas as autoridades governamentais deram pouca importância à previsão. As chuvas atingiram 300 milímetros em apenas três dias e só na RMR aconteceram 102 deslizamentos de barreiras. No município de Belém de Maria, com 15 mil habitantes, 450 casas foram arrastadas pelas águas.

O centro de Palmares ficou complemente debaixo de água e em Barreiros a água atingiu o teto do hospital da cidade. Dos 33 municípios seriamente atingidos, em 16 foi decretado estado de emergência e em 17 estado de calamidade pública, entre os quais Rio Formoso, Gameleira, Belém de Maria, Goiana, Cupira e São José da Coroa Grande.

O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, veio a Pernambuco observar de perto os efeitos da calamidade e, dias depois, autorizou a liberação de apenas 30% dos R$ 129 milhões que, segundo levantamento do governo do Estado, seriam os recursos emergenciais necessários para recuperação das áreas atingidas.

2004 - Fortes chuvas entre 08 de janeiro 02 de fevereiro de 2004 castigam todas as regiões do Estado, deixando 36 mortos e cerca de 20 mil pessoas desabrigadas. As chuvas (jamais registradas entre os dois primeiros meses do ano) foram provocadas por fenômenos atípicos (frente fria e outros) e destruíram pontes e estradas, açudes romperam, casas desabaram, populações inteiras ficaram ilhadas.

Treze cidades ficaram em estado de calamidade pública e 76 em estado de emergência. Petrolina, no sertão do São Francisco, ficou vários dias isolada, depois que as águas levaram a estrada de acesso à cidade. Todos os açudes e barragens do Sertão e Agreste transbordaram, inclusive a gigantesca Barragem de Jucazinho, em Surubim. De acordo com levantamento do governo estadual, os prejuízos em todo o Estado chegaram a R$ 54 milhões.

2005 - Entre os dias 30 de maio e 02 de junho, fortes chuvas provocaram enchentes em 25 cidades do Agreste, Zona da Mata e Litoral pernambucanos, deixando 36 mortos e mais de 30 mil pessoas desabrigadas.

Cerca de 07 (sete) mil casas foram parcialmente ou totalmente destruídas; 40 pontes foram danificadas; 11 rodovias estaduais foram atingidas, sendo que sete delas ficaram interditadas; a água inundou ruas centrais, hospitais, escolas e casas comerciais de várias cidades, provocando enormes prejuízos materiais.

Pouco mais de 30 mil estudantes da rede estadual de ensino ficaram vários dias sem aulas, porque em todas as cidades atingidas 93 escolas foram danificadas e outras 11 foram transformadas em abrigos para os desabrigados.

As cidades mais atingidas: Moreno, Vitória de Santo Antão, Jaboatão, Nazaré da Mata, Pombos, Ribeirão, Cabo e Escada. O município que teve o maior número de casas destruídas ou parcialmente danificadas foi Vitória: 5 (cinco) mil casas.

2010 – Entre os dias 17, 18 e 19 de junho, uma enchente atingiu 67 cidades pernambucanas, principalmente da Zona da Mata e Agreste do Estado, deixando um rastro de destruição. Foi a maior tragédia da década: 21 pessoas morreram, enquanto 26.970 ficaram desabrigadas e 55.650 pessoas ficaram desalojadas; 14.136 casas foram destruídas; 142 pontes ficaram danificadas, sendo que muitas delas foram totalmente levadas pela água; 5.000 km de estradas foram danificados; 12 municípios decretaram estado de calamidade pública e 27 ficaram em situação de emergência.

Nos municípios mais afetados –como, por exemplo, Cortês, Palmares, Barreiros e Água Preta -, quase nada escapou: as águas atingiram até mesmo as ruas centrais da cidade, pondo abaixo prédios de hospitais, órgãos públicos como fóruns, prefeituras, escolas. O Governo do Estado montou uma gigantesca operação para socorrer as vítimas e organizar os trabalhos de reconstrução das cidades, usando o Palácio das Princesas como centro de apoio das atividades emergenciais. O presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, e vários ministros visitaram a região atingida e em todas as regiões do Estado a população realizou campanhas para ajudar os atingidos. Do exterior também veio ajuda.

Em 24 horas choveu na região afetada 170 milímetros, equivalentes à metade da média histórica para todo o mês de junho. Na cidade de Palmares, a água chegou ao teto do hospital regional. Em 22 municípios da área afetada, 19 unidades de saúde foram totalmente destruídas e 41 danificadas. Sete escolas estaduais foram totalmente destruídas e mais 43 ficaram danificadas.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

No tempo da minha infância


No tempo da minha infância
(Ismael Gaião)

No tempo da minha infância
Nossa vida era normal
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal
Hoje tudo é diferente
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal

Bebi leite ao natural
Da minha vaca Quitéria
E nunca fiquei de cama
Com uma doença séria
As crianças de hoje em dia
Não bebem como eu bebia
Pra não pegar bactéria

A barriga da miséria
Tirei com tranquilidade
Do pão com manteiga e queijo
Hoje só resta a saudade
A vida ficou sem graça
Não se pode comer massa
Por causa da obesidade

Eu comi ovo à vontade
Sem ter contra indicação
Pois o tal colesterol
Pra mim nunca foi vilão
Hoje a vida é uma loucura
Dizem que qualquer gordura
Nos mata do coração

Com a modernização
Quase tudo é proibido
Pois sempre tem uma Lei
Que nos deixa reprimido
Fazendo tudo que eu fiz
Hoje me sinto feliz
Só por ter sobrevivido

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir

Vi o meu pai dirigir
Numa total confiança
Sem apoio, sem air-bag
Sem cinto de segurança
E eu no banco de trás
Solto, igualzinho aos demais
Fazia a maior festança

No meu tempo de criança
Por ter sido reprovado
Ninguém ia ao psicólogo
Nem se ficava frustrado
Quando isso acontecia
A gente só repetia
Até que fosse aprovado

Não tinha superdotado
Nem a tal dislexia
E a hiperatividade
É coisa que não se via
Falta de concentração
Se curava com carão
E disso ninguém morria

Nesse tempo se bebia
Água vinda da torneira
De uma fonte natural
Ou até de uma mangueira
E essa água engarrafada
Que diz-se esterilizada
Nunca entrou na nossa feira

Para a gente era besteira
Ter perna ou braço engessado
Ter alguns dentes partidos
Ou um joelho arranhado
Papai guardava veneno
Em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado

Nunca fui envenenado
Com as tintas dos brinquedos
Remédios e detergentes
Se guardavam, sem segredos
E descalço, na areia
Eu joguei bola de meia
Rasgando as pontas dos dedos

Aboli todos os medos
Apostando umas carreiras
Em carros de rolimã
Sem usar cotoveleiras
Pra correr de bicicleta
Nunca usei, feito um atleta,
Capacete e joelheiras

Entre outras brincadeiras
Brinquei de Carrinho de Mão
Estátua, Jogo da Velha
Bola de Gude e Pião
De mocinhos e Cawboys
E até de super-heróis
Que vi na televisão

Eu cantei Cai, Cai Balão,
Palma é palma, Pé é pé
Gata Pintada, Esta Rua
Pai Francisco e De Marré
Também cantei Tororó
Brinquei de Escravos de Jó
E o Sapo não lava o pé

Com anzol e jereré
Muitas vezes fui pescar
E só saía do rio
Pra ir pra casa jantar
Peixe nenhum eu pagava
Mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar

Tomava banho de mar
Na estação do verão
Quando papai nos levava
Em cima de um caminhão
Não voltava bronzeado
Mas com o corpo queimado
Parecendo um camarão

Sem ter tanta evolução
O Playstation não havia
E nenhum jogo de vídeo
Naquele tempo existia
Não tinha vídeo cassete
Muito menos internet
Como se tem hoje em dia

O meu cachorro comia
O resto do nosso almoço
Não existia ração
Nem brinquedo feito osso
E para as pulgas matar
Nunca vi ninguém botar
Um colar no seu pescoço

E ele achava um colosso
Tomar banho de mangueira
Ou numa água bem fria
Debaixo duma torneira
E a gente fazia farra
Usando sabão em barra
Pra tirar sua sujeira

Fui feliz a vida inteira
Sem usar um celular
De manhã ia pra aula
Mas voltava pra almoçar
Mamãe não se preocupava
Pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar

Comecei a trabalhar
Com oito anos de idade
Pois o meu pai me mostrava
Que pra ter dignidade
O trabalho era importante
Pra não me ver adiante
Ir pra marginalidade

Mas hoje a sociedade
Essa visão não alcança
E proíbe qualquer pai
Dar trabalho a uma criança
Prefere ver nossos filhos
Vivendo fora dos trilhos
Num mundo sem esperança

A vida era bem mais mansa,
Com um pouco de insensatez.
Eu me lembro com detalhes
De tudo que a gente fez,
Por isso tenho saudade
E hoje sinto vontade
De ser criança outra vez...


Poema em homenagem as sobrinhas Maria Luiza, Tamires, Jade e Vitória

domingo, 8 de maio de 2011

Feliz dia da mães!!!



"Uma mãe é capaz de dar tudo sem receber nada. De amar com todo o seu coração sem esperar nada em troca. De investir tudo em um projeto sem medir a rentabilidade que lhe trará de volta. Uma mãe segue tendo confiança em seus filhos quando os outros já a perderam".

Cobra Cordelista deseja a todas as mães, um feliz dia da mães!

sábado, 7 de maio de 2011

Bloco estrela da tarde fundado em 1940


O bloco Estrela da Tarde foi fundado em 1940 – O bloco mais tradicional de Jaboatão dos Guararapes, comemorou 70 anos de folia no carnaval de 2010.


O bloco preserva a mais antiga tradição e passa o costume da folia Momesca, cantando na porta das casas, e incentivando as crianças a manter a tradição dos moradores mais antigos. Este bloco nasceu, e se mantém ate hoje da iniciativa de famílias simples de origem rural, cortadores de cana do antigo Engenho Comporta, que hoje se tornou o bairro de Comporta em Jaboatão dos Guararapes.

Vida longa ao bloco "Estrela da Tarde" que sua estrela brilhe eternamente!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ferrovias



Pernambuco foi o primeiro Estado do Nordeste e o segundo do Brasil a ter uma estrada de ferro: a ferrovia Recife-Cabo, inaugurada a 08 de setembro de 1855, com extensão de 31,5 km ligando a localidade de Cinco Pontas, no Recife, ao município do Cabo. À época, existia no Brasil apenas a Ferrovia Mauá, também uma pequena ferrovia construída em Petrópolis, Rio de Janeiro.

O projeto pernambucano, denominado "Estrada de Ferro do Recife ao São Francisco", foi executado em várias etapas, com o objetivo de dotar o Estado de uma malha ferroviária para o transporte de mercadorias e passageiros. Após a etapa Recife-Cabo, vieram as linhas Ipojuca-Olinda-Escada e Limoeiro-Ribeirão-Água Preta-Palmares.

O trecho entre Palmares e Catende foi inaugurado em 1882. Em seguida, o trem chegou a Garanhuns (1887), Mimoso (1911), Arcoverde (1912) até atingir o município sertanejo de Salgueiro.

Durante várias décadas, o transporte ferroviário exerceu decisiva influência na economia do Estado. A partir da metade da década de 1960, as ferrovias pernambucanas ficaram praticamente abandonadas e acabaram dando lugar às rodovias.

Apesar do abandono, atualmente (novembro de 2004) vários trechos de trilhos ainda resistem ao tempo e encontramos também vários prédios (muitos deles em ruínas) que serviram de estações ao longo do percurso da ferrovi.

Inauguração e festa

A história da ferrovia em Pernambuco começa no dia 07 de agosto de 1852 quando o governo imperial concedeu, atravé do decreto 1.030, aos irmãos Mornay (os engenheiros anglo-brasileiros de origem francesa Edward e Alfred Mornay) o direito de construir e explorar durante 90 anos "um caminho de ferro" entre as cidades do Recife e o então povoado de Água Preta. Essa concessão era apenas a parte inicial de um projeto maior que estendia a estrada de ferro até as margens do Rio Sâo Francisco.

Como a concessão aos irmãos Mornay abrangia apenas a primeira parte do plano, a 13 de outubro de 1853 o governo assinou contrato (decreto 1.246) com a "Recife and São Francisco Railway Company", empresa com sede em Londres, que promoveu algumas alterações no projeto.

Uma dessas modificações foi a de que o trecho inicial da ferrovia não deveria dirigir-se a Água Preta, mas alcançar a confluência dos rios Una e Piaragi, podendo ser prolongoado até as proximidades da Cachoeira de Paulo Afonso.

Estabelecidos os termos do negócio, a 07 de setembro de 1855 foi lançada a pedra fundamental e tiveram início as obras do que seria a primeira estrada de ferro pernambucana: um trecho de 31,5 km ligando a localidade de Cinco Pontas, no Recife, ao município do Cabo.

Esta seria a segunda estrada de ferro brasileira (pois a única existente à época era a Ferrovia Mauá, em Petrópolis, Rio de Janeiro) e tinha o seguinte percurso: Cinco Pontas-Afogados-Boa Viagem-Prazeres-Cabo.

A Estrada de Ferro Recife-Cabo foi inaugurada a 08 de fevereiro de 1858. Mas sua construção demorou mais do que o previsto no projeto, por conta de alguns atropelos. O principal entrave foi uma epidemia de cólera-morbo que se alastrou em Pernambuco em 1856, matando mais de 30 mil pessoas, inclusive a maior parte dos engenheiros vindos da Inglaterra. A catástrofe não só forçou a diminuição do ritmo das obras, como também provocou a total paralisação dos trabalhos por várias vezes.

Quando finalmente foi inaugurada, a ferrovia tornou-se uma das principais atrações dos recifenses e as viagens entre o Recife e o Cabo viraram moda. Havia dois trens, um saindo do Recife às nove da manhã e outro às cinco da tarde e a passagem na 1ª classe custava quatro mil réis.

Os jornais publicavam anúncios da maravilhosa excursão "num cômodo banco da carruagem puxada por locomotiva possante, vendo pelas janelinhas canaviais e cajueiros, praias e coqueirais, mangues e colinas".

O primeiro trem pernambucano fez tanto sucesso que chegou a disputar público com os espetáculos apresentados no Teatro Santa Isabel, que na época havia reaberto depois de uma tremparada fechado para reformas. No cabo, o Grande Hotel passou a utilizá-lo em suas campanhas para atrair turistas: oferecia hospedagem "com decentes e abundantes iguarias, belo banho, ótimo jardim". Tudo, como num verdadeiro pacote turístico, acompanhado de "uma excelente banda de música militar para os divertimentos da noite".

O trem que a 08/02/1858 partiu da estação de Cinco Pontas para o Cabo transportou, na sua viagem inaugural, mais de 400 pessoas. Após a tradicional bênção, o comboio partiu às 12 horas e trinta minutos depois atingiu o ponto de chegada, onde uma multidão o aguardava.

Na chegada ao Cabo, o superintendente da "Estrada de Ferro do Recife ao São Francisco", J.T.Wood, discursou louvando o imperador do Brasil pela empreitada. O presidente da provícia de Pernambuco saudou a Rainha Vitório. E a festa durou o dia todo.


Transnordestina

A Transnordestina é uma estrada de ferro para interligar o Nordeste (pelo centro da região) com o Sudeste do Brasil, com o objetivo de facilitar o escoamento da produção econômica nordestina. Consiste na construção dos trechos entre os municípios de Petrolina e Salgueiro (231 km) e Salgueiro/Missão Velha, no Ceará, (114 km), além da recuperação do trecho Salgueiro-Recife (382 km).

Os custos do projeto, em dados de 1998, eram de R$ 380 milhões. A idéia da Transnordestina vem do século XIX, quando se planejou a construção de uma estrada de ferro que interligasse a parte central do Nordeste com a Ferrovia Norte-Sul, a maior do Brasil.

Mas, só em 1987 o governo colocou a idéia no papel. Inicialmente, o projeto previa a construção de 867 kms de ferrovias, nos seguintes trechos: Petrolina/Salgueiro, Salgueiro/Missão Velha, Crateús/Piquet Carneiro e Senhor do Bonfim-Iaçu. Além da construção desses trechos, estava prevista a recuperação de 1.635 kms de ferrovias já existentes.

O custo desse projeto era de US$ 951,3 milhões, mas praticamente nada foi feito. Apenas durante o governo do presidente Itamar Franco os trabalhos tiveram início: foram gastos US$ 8 milhões (cerca de 1% do orçamento inicial) e logo as obras foram interrompidas em meio a denúncias de superfaturamento.

Promessas

A construção da Transnordestina já foi anunciada inúmeras vezes pelo governo, mas, infelizmente, até hoje tudo ficou apenas no papel. Veja, a seguir, algumas dessas promessas:

1958 - Após o "Encontro de Salgueiro" (quando fora lançada a base de criação da Sudene), o governo federal decidiu autorizar a construção do ramal ferroviário entre os municípios de Serra Talhada e Salgueiro, que deveria ter continuidade com a implantação de outros trechos da ferrovia ligando os dois municípios pernambucanos à Missão Velha e Aurora, no Ceará. A obra é parte de uma idéia do século XIX, de construir uma estrada de ferro para ligar a parte central do Nordeste à ferrovia Norte-Sul, a maior do Brasil. Além da autorização, nada foi concretizado.

1987 - O Ministério dos Transportes coloca no papel o prejeto da Transnordestina, prevendo a construção da estrada de ferro nos trechos: Petrolina-Salgueiro, Salgueiro-Missão Velha, Cratéus-Piquet Carneiro e Senhor do Bonfim-Iaçu. Além disso, seriam recuperados 1.635 km de vias permanentes. O custo do projeto anunciado era de US$ 951,3 milhões. O projeto ficou no papel.

1991 - Técnicos da Rede Ferroviária Federal e do Departamento Nacional de Transportes Ferroviários vão a Petrolina, visitar obras do que seria a primeira etapa da Transnordestina, iniciadas no ano anterior, correspondente aos trechos ligando Petrolina a Salgueiro (326 km) e Salgueiro à Missão Velha (113 km), além da recuperação do trecho Salgueiro-Suape (637 km). Na ocasião, os técnicos anunciaram que essa primeira etapa seria concluída em quatro anos. Vêm à tona denúuncias de superfaturamento na contratação dos serviços e os trabalhos são suspensos pelo governo federal, sem que um metro de trilho fosse implantado.

1998 - O governo federal privatiza a malha ferroviária do Nordeste, passando seu controele para a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), e anuncia que, agora, nas mãos da iniciativa privada, a Tarnsnordestina finalmente será implantada. Não foi. Mais precisamente, a ferrovia continua sem sair do papel.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Show de Cobra Cordelista na Feira de Literatura de Jaboatão dos Guararapes


Cobra Cordelista no palco da Fliguara


Cobra Cordelista faz show de abertura da feira de Literatura de Jaboatão dos Guararapes nos mirante dos Montes Guararapes, a convite da Cia do lazer, que organiza a Fliportinho na cidade de Ipojuca todos os anos.

O evento aconteceu pela primeira vez em Jaboatão e promete ser um dos grandes espetáculos culturais e literários do Estado de Pernambuco.

No palco da Fliguara, Cobra Cordelista tocou acompanhado dos violonistas Messias e Fauzer Zaidan e na zabumba por Felipe de Dora. O show aconteceu às 17:00hs e teve uma hora de duração.







I Envento Grande Literário em Jaboatão a Fliguara 2011

Pela primeira vez a cidade de Jaboatão fez acontecer um grande evento literário a Fliguara 2011. Foram doze editoras participantes e mais de duas mil crianças, cada uma delas com um crédito de R$ 25,00 (vinte e cinco Reais) para comprar nas editoras.

A curadoria da feira ficou ao encargo do Escritor Natanael Lima da academia de letras do cabo, a coordenação do professor Nildo Ribeiro e a coordenação das atividades infantis com a coordenadora de cultura Maria Antonia.

A Cia do lazer que organiza a fliportinho todos os anos estruturou o evento e Arnaldo da editora Bagaço organizou os estandes Editoriais. Teve show dos Poetas Cobra Cordelista, Alan Sales, Chico Pedrosa, Miró, Joselito Nunes e Júnior do Bode e participação especial de Jessier Quirino.

A criação de logomarcas e assessoria publicitária ficou ao encargo do jornalista Paulo Rocha do jornal Gazeta Nossa, contratado para este fim.

Depois agente posta mais fotos deste evento inédito em nossa cidade!
















quarta-feira, 4 de maio de 2011

Meus agradecimentos ao blog teixeira1.com

Nas minhas andanças pelo sertão tenho descoberto verdadeiros parceiros na comunicação, são jornalista e blogueiros que predominam na cultura local. Lá na região do Teixeira predomina a atuação competente de Edney Lisboa e no lançamento do meu livro Alma Sertaneja no dia 29 de Abril de 2011, na cidade do Teixeira, foi fundamental o trabalho e a dedicação deste jovem e competente Jornalista que Deus o abençoe e o faça desenvolver cada vez mais, pois nosso país precisa de homens e como incentivo uma parábola "não importa onde esteja o ovo, se é de águia um dia voará”, com Edney tenho certeza que será assim.


Por fim, mais uma vez quero agradecer ao Anjo do Teixeira Magali Dantas, já conheci gente muito boa, de coração maravilhoso, mas Magali Dantas em nada fica a dever a estes corações maravilhosos .

Obrigado minha amiga e até breve, um grande abraço deste poeta ao meu anjo do Teixeira.

terça-feira, 3 de maio de 2011


Fotos do lançamento do livro “Alma Sertaneja” de Cobra Cordelista, no salão paroquial da igreja católica na cidade de Texeitra no Sertão Paraibano


Na última sexta feira às 19h00 no Salão Paroquial da Igreja Católica a convite da família Dantas, estive na Serra do Teixeira,
meus agradecimentos a Magali Dantas organizadora do evento, a Kei France, presidente da câmara de vereadores e ao vereador Juninho que distribuía simpatia, ao professor do EJa e todos os seus alunos que compareceram ao evento e a tanta gente legal que recebeu tão bem este velho poeta caixeiro viajante da cultura nordestina.

Agradeço a Fauzer Zaidan e Vitor Aragão, integrantes da companhia da poesia que me acompanham nordeste afora e a Ricardo da RG vídeo, que cobriu com muita capacidade todo o evento no Sertão Paraibano.