terça-feira, 5 de julho de 2011

Recife iluminada por lampiões a base de óleo de mamona


Até 1822, as ruas do Recife não tinham iluminação pública de qualquer tipo, só eram iluminadas durante as chamadas grandes noites. Entre estas ocasiões especiais, estavam as festas de final de ano e o nascimento de um príncipe na Côrte, Rio de Janeiro. E o curioso dessa história é que, mesmo sem ter suas ruas iluminadas, todos os recifenses eram obrigados a pagar um imposto para custear a iluminação da Côrte.

O serviço de iluminação pública do Recife foi inaugurado em maio de 1822.
Os lampiões nas calçadas eram alimentados com óleo de mamona, que a população chamava de óleo de carrapateira. Os recifenses continuaram pagando o imposto para custear a iluminação do Rio de Janeiro até 1827, ano em que o governo decidiu que o arrecadado com o tributo passaria a ser aplicado na Capital da Província.

Em 1857, os lampiões da cidade passaram a utilizar como combustível o óleo de peixe, o que melhorou o desempenho da iluminação. Os postes ainda eram poucos, dezenas deles, mas o suficiente para que a população se orgulhasse do serviço que deu vida noturna a cidade.

Gasômetro de São José é inaugurado em 1859

A 26 de abril de 1856, dois comerciantes (Felipe Lopes Neto e Hény Gibson) e o engenheiro Manuel Barros Barreto se associam e firmam, com o governo, um contrato para instalação de gás no Recife, que seria fornecido por combustores, com luz equivalente, em densidade, a dez velas de espermacete.

Eles teriam o direito de explorar o serviço por trinta anos, mas não chegaram a concretizar seus planos. Transferiram o contrato para a empresa Roston Roocker & Cia, que também desistiu e repassou o projeto para a empresa Fielden Brothers.

Foi esta última empresa que concretizou a novo serviço de iluminação do Recife. Iniciou as obras de instalação de um gasômetro, no bairro de São José, e depois construiu o encanamento e instalou os combustores. O tão esperado gasômetro foi inaugurado a 26 de abril de 1859.

O sistema de iluminação pública do Recife, a gás carbônico, foi inaugurado, festivamente, um mês depois (26/05/1859). Naquela ocasião, a cidade já dispunha de 1.037 lampiões e a iluminação tornou-se bem mais potente.

Estação de trem e mercado, dois nobres pontos de luz

Antes mesmo que o Recife ganhasse o serviço de iluminação pública por energia elétrica, dois pontos da cidade já dispunham desse tipo de iluminação: a Estação Central, da rede ferroviária, e o Mercado do Derby, este construído pelo empresário Delmiro Gouveia que, mais tarde, seria o pioneiro na exploração do Rio São Francisco para a geração de energia.

A luz vinha de geradores e apareceu pela primeira vez em 1890, na estação ferroviária, atual Museu do Trem, que também estendeu o benefício para a pequena praça que ainda hoje existe em frente ao seu prédio.

Já o Mercado do Derby, que funcionou onde hoje fica o quartel da Polícia Militar, no Derby, foi inaugurado em 1898. Era uma espécie de precursor dos atuais shoppings, num imponente prédio onde se vendia de tudo, de carne, artigos importados, verduras, até gelo ou jornais.

E com uma grande atração: luz elétrica, que proporcionou aos comerciantes estenderem o horário comercial de suas lojas até às 8h da noite. Na frente do mercado, foi criada uma área de lazer, onde as festas para crianças e adultos, realizadas à noite, atraíam multidões. Era o ponto mais concorrido do Recife.

O Mercado do Derby (ou Mercado Modelo Coelho Cintra, seu nome oficial) foi destruído por um incêndio, na madrugada de 01 de janeiro de 1900. Dizem que o incêndio foi criminoso e que os seus autores foram os inimigos políticos de Delmiro Gouveia, na época chefiados pelo vice-presidente da República, o pernambucano Rosa e Silva.

O prédio ficou abandonado até 1909, quando foi recuperado e passou a abrigar a Escola de Aprendizes de Artífices. Tempos mais tarde, o edifício do velho mercado virou quartel da Polícia Militar. Quartel que ainda hoje existe no local.

Olinda pioneira

Antes mesmo do Recife, Olinda foi a primeira cidade do Nordeste brasileiro a contar com um sistema de iluminação pública através de energia elétrica. O fato aconteceu a 14 de julho de 1913, quando a Companhia Santa Tereza (Empreza de Illuminação Electrica e Abastecimento D?Água da Cidade de Olinda) inaugurou esse serviço na cidade. Até então, Olinda contou apenas com iluminação a gás, sistema também gerido pela Companhia Santa Tereza, de propriedade do empresário Claudino Coelho Leal.


Energia elétrica põe fim aos bondes puxados a burros

A 27 de outubro de 1913 é assinado o contrato, entre o governo estadual e a empresa The Pernambuco Tramways and Company Limited, para implantar os serviços de iluminação pública e residencial no Recife. A partir de então, gradativamente a cidade passou a ser iluminada, mas seria somente no ano seguinte, com a inauguração do serviço de bondes elétricos, a 13 de maio de 1914, que a cidade teria luz elétrica em larga escala.

O bonde, transporte coletivo da época, também era explorado pela Pernambuco Tramways, deu novo impulso ao desenvolvimento da Capital e circulou até o final da década de 1950.

No tempo em que o transporte coletivo puxado a burros foi aposentado, havia máquinas geradoras de energia elétrica para abastecimento da rede de bondes, à base de 500 volts, e duas estações rebaixadoras de corrente: uma na Rua Gervásio Pires e outra na Rua das Graças.

Essas estações transformavam a corrente alternada em contínua e, com o sistema já implantado, foi fácil adaptar o fornecimento de energia elétrica para as residências, substituindo a luz do gás carbônico. A energia era gerada por uma termelétrica, construída nas proximidades da Estação Central, com turbinas a vapor, movidas inicialmente a carvão e, depois, a óleo.

O banco de transformadores de corrente ficava na Rua do Sol e a rede de distribuição tinha postes de madeira e de ferro. A corrente fornecida pela usina era de 220 volts mas, como o serviço não era perfeito, em alguns lugares da cidade não chegava nem a 180 volts. Nestas áreas, a iluminação era fraca e o rádio tocava baixinho, como se fosse um rádio com pilhas fracas.

Apesar dos problemas técnicos iniciais, esse primeiro sistema de iluminação pública à base de energia elétrica deu grande contribuição ao desenvolvimento do Recife. E continuaria sendo utilizado até mesmo depois da chegada da energia do São Francisco, para reforçar o abastecimento da cidade.

Tem início em Pernambuco a era das hidrelétricas

O Recife passou a contar com energia elétrica gerada pelo Rio São Francisco no dia 01 de dezembro de 1954, às 06h da manhã, quando a Companhia Hidroelétrica do São Francisco-Chesf ligou o primeiro circuito para alimentar a rede da capital pernambucana.

A energia vinha da Hidrelétrica de Paulo Afonso, que acabara de ser construída em território baiano e que seria inaugurada oficialmente a 15 de janeiro de 1955, com a presença do então presidente da República, João Café Filho.

Naquela época, a cidade era iluminada pelo sistema da Pernambuco Tramways, através de termelétrica, que já não conseguia atender as necessidades dos consumidores. Daí, a chegada da energia elétrica de Paulo Afonso (que também passou a iluminar a cidade de Salvador e outras regiões do Nordeste) ter sido celebrada com festas.

Mas, houve problemas, também. Com a usina ainda em fase de testes, o governo levou a energia da Chesf para outras cidades, o sistema apresentou falhas e vieram os protestos.

Foi nessa fase, por exemplo, que a população da cidade de Jaboatão saiu às ruas para protestar contra os apagões programados por um rigoroso plano de racionamento, adotado pelas autoridades enquanto as falhas no sistema de transmissão eram reparadas. (Veja o texto População de Jaboatão foi às ruas para impedir apagões).

Quando o Recife foi iluminada pela energia de Paulo Afonso, já haviam passados 41 anos da primeira experiência de utilização das águas do Rio São Francisco para a produção de energia elétrica.

O pioneiro desse sistema foi o empresário cearense Delmiro Gouveia, que em 1913 inaugurou, no penhasco da cachoeira de Paulo Afonso, na margem alagoana do rio, uma pequena hidrelétrica, para mover uma fábrica de linhas de coser e iluminar uma vila operária, instaladas por ele na localidade de Pedras (AL), a 24 km dali.

Pernambuco já foi atingido por apagões

Nos últimos 15 anos, os pernambucanos presenciaram, pelo menos, dois grandes apagões acidentais. Um deles ocorreu em 1987, quando o Estado ficou totalmente às escuras por cerca de três horas. Mas, o blecaute que mais danos causou ao Estado ocorreu em agosto de 2000 e foi parcial.

Atingiu apenas os municípios de Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Escada, deixando um prejuízo de R$ 8,5 milhões a cerca de 40 indústrias que operam no Complexo Industrial Portuário de Suape e demais áreas afetadas. Na ocasião, a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) classifiou o incidente como o maior apagão dos últimos dez anos em Pernambuco.

Tudo aconteceu às 18h03m da quinta-feira 24 de agosto de 2000, quando o rompimento de um cabo na linha de transmissão da Chesf interrompeu o fornecimento de energia na área sul da Região Metropolitana do Recife e algumas cidades da Zona da Mata.

O apagão durou sete horas e trinta minutos e, de acordo com a Chesf, afetou a vida de 750 mil pessoas. O blecaute comprometeu entre 5% e 7% de toda a carga elétrica do Estado. Para contornar o problema, a Chesf utilizou 30 homens numa operação de emergência e o abastecimento na área atingida só foi totalmente normalizado à 01h33m da sexta-feira 25 de agosto.

Segundo os técnicos, o rompimento do cabo que gerou o apagão foi provocado por um defeito num esforçador (peça que separa um cabo do outro) instalado num trecho do município de Moreno, exatamente no cruzamento da linha de transmissão de 500 quilovolts que vinha de Paulo Afonso (BA) com outro trecho de transmissão de energia de 230 quilovolts para a subestação de Pirapama.

Ou seja, foi um problema operacional. Apesar de menos abrangente que o de 1987, este último apagão trouxe mais prejuízos para Pernambuco porque ocorreu numa área onde está localizado o pólo industrial do Estado.


População de Jaboatão foi às ruas para impedir apagões


Mesmo antes de 2001 – quando o Brasil se assustou com uma série de apagões promovidos pelo Governo para forçar a população economizar energia -, Pernambuco já havia convivido com o racionamento de energia elétrica através de apagões programados. Aconteceu em 1954 e provocou todo tipo de reação. Em Jaboatão, a população foi às ruas e impediu que a Companhia energética desligasse as luzes da cidade.

A empresa que abastecia o município era a Pernambuco Tramways, sediada no Recife. Com a capacidade de produção esgotada e, para evitar o colapso na Capital, a concessionária adotou uma série de medidas restritivas, sendo a principal delas a suspensão temporária da energia enviada para Jaboatão.

O racionamento entrou em vigor no início de novembro e, diariamente, Jaboatão ficava três horas às escuras, entre 17h30m e 20h30m. O corte era feito por um funcionário da empresa, na localidade de Volta do Caranguejo, no distrito de Socorro. Apesar dos transtornos causados, os primeiros dias de apagões foram encarados com serenidade pela população.

Um mês mais tarde, quando a Pernambuco Tramways passou a receber energia gerada pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco-Chesf e, mesmo assim, não suspendeu o racionamento, os ânimos se exaltaram.

A situação azedou de vez no dia 12 de dezembro, quando dezenas de pessoas se dirigiram à Volta do Caranguejo, dispostas a impedir a interrupção do fornecimento de energia. Sem condições de enfrentar a multidão, o funcionário encarregado de desligar a rede desistiu de sua tarefa e, naquela noite, não houve apagão na cidade.

A mobilização popular prosseguiu nos dois dias seguintes, exatamente da mesma forma. Mas, como não havia mesmo energia suficiente, tudo terminou com um acordo: o apagão foi reduzido para apenas uma hora, entre às 17h30m e 18h30m. Ao justificar os protestos, a população de Jaboatão indagava: por que os apagões no mesmo momento em que o governo festejava a conclusão da primeira grande hidrelétrica da Chesf, que iria iluminar todo o Nordeste?


O problema era que a Usina de Paulo Afonso ainda operava em caráter experimental e, toda vez que ocorria algum problema nos geradores ou na linha de transmissão entre Paulo Afonso e a subestação do Bonji, a Pernambuco Tramways era obrigada a operar somente com a sua já defasada termelétrica e o racionamento era inevitável. Os apagões, também.

Detalhes curiosos: a atitude dos moradores de Jaboatão foi considerada ousada porque ocorreu num dia em que o presidente da República, Café Filho, permaneceu seis horas no Recife, inaugurando obras, o que não inibiu o povo de ir às ruas.

O país vivia uma grave crise política, desencadeada pelo suicídio de Getúlio Vargas.

As autoridades não se entendiam sobre a tarifa de energia a ser cobrada pela novata Chesf. E, diferentemente do que ocorreu em 2001, o Nordeste não estava ameaçado de blecaute. Pelo contrário, iniciava a sua fase de grande gerador de energia, através de modernas hidrelétricas no Rio São Francisco.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pernambuco criou 63 municípios em apenas duas canetadas

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pernambuco é um dos Estados brasileiros que menos criaram municípios, nos últimos 30 anos. Mas, nem sempre foi assim. Recuando um pouco mais na História, é fácil descobrir que os pernambucanos também já tiveram muita sede por emancipação de Distritos. Em duas canetas, por exemplo (uma em 1928 e outra em 1963), nada menos do que 63 Distritos foram elevados à categoria de Cidade no Estado.

E essas duas canetadas não ficaram restritas a uma ou outra região: elas envolveram Distritos localizados em todo o território estadual, do Litoral ao Sertão. Em 1928, através da Lei Estadual nº 1.931 (de 14 de novembro), foram emancipados 23 Distritos assim distribuídos: 05 no Sertão, 11 no Agreste e 07 no Litoral-Mata. Já em 1963, através da Lei Estadual nº 4.983 (de 20 de dezembro), as emancipações beneficiaram 40 Distritos, sendo 12 no Sertão, 19 no Agreste e 09 no Litoral-Mata.

Nessa curta reportagem, o Pernambuco de A-Z não pretende discutir os argumentos de quem é contra ou a favor da criação de novos municípios. O objetivo, aqui, é apenas historiar o que vem ocorrendo em Pernambuco e fornecer subsídios para estimular o debate num Estados que, passados quase meio século daquela canetada de 1963, tem um total de 185 municípios, sendo que as últimas emancipações (as de Santa Filomena, Manari e Casinhas) ocorreram em 1997.

Entre os municípios emancipados em 1928 estão vários que se transformaram em importantes polos de desenvolvimento, como por exemplo Arcoverde (em 2011 um centro comercial, com mais de 70 mil habitantes) e Araripina (integrante do polo gesseiro do Estado e onde vivem hoje cerca de 80 mil pessoas). Outros, ao contrário, pouco evoluíram, como é o caso de Palmerina que, passados 83 anos, tem uma população que não chega a 10 mil habitantes e 6.820 eleitores.


Foto de Arcoverde


De todos os municípios emancipados em 1963, ainda hoje (2011) nenhum pode ser considerado como cidade importante. Praticamente todos continuam com uma economia pouco representativa no conjunto do Estado e mais de uma dezena deles continua, 48 depois, com população inferior a 10 mil habitantes. São exemplos: Itacuruba (4.369 habitantes), Ingazeira (4.496) e Solidão (5.744 habitantes). O mais populoso entre todos é Passira, com 28.664 habitantes (IBGE-2010).

Veja, a seguir, a relação dos municípios emancipados em 1928 e 1963:

1928: Agrestina, Aliança, Araripina, Arcoverde, Belém de São Francisco, Belo Jardim, Carpina, Catende, Custódia, Jurema, Lagoa dos Gatos, Macaparana, Maraial, Orobó, Palmeirina, Ribeirão, São Caetano, São Joaquim do Monte, São Vicente Férrer, Serrita, Surubim, Vertentes e Vicência.

Foto de Araripina


1963: Afrânio, Brejinho, Buenos Aires, Caetés, Calçados, Calumbi, Camutanga, Capoeiras, Cedro, Chã de Alegria, Cumaru, Feira Nova, Ferreiros, Frei Miguelinho, Iati, Ibimirim, Ibirajuba, Iguaracy, Ingazeira, Itacuruba, Itaíba, Itaquitinga, Lagoa de Itaenga, Machados, Orocó, Paranatama, Passira, Primavera, Sairé, Salgadinho, Saloá, Santa Maria do Cambucá, Santa Terezinha, São Benedito do Sul, Solidão, Tacaimbó, Terezinha, Tracunhaém, Trindade e Tupanatinga.

Foto de Tracunhaém

sábado, 2 de julho de 2011

O DIA EM QUE LAMPIÃO ENFRENTOU JOHN WAYNE



Amanhecia. Um belo dia de céu azul sem nenhuma nuvem. Daqui a pouco o sol estará totalmente fora da serra. A noite fora fria, mas o dia prometia muito calor na pequenina Coité da Serra, perdida no Sertão seco e árido de Pernambuco. Hora para os cangaceiros, à frente Virgulino Ferreira, tomarem de surpresa a cidade. Nenhum aviso nem de um lado de do outro. Naquele momento Coité dormia depois de uma noite de absoluta tranqüilidade.Mas em cada esquina, a cabeça, depois o corpo todo suado e carregado de coisas, os cangaceiros. Eles iam surgindo de três em três caminhando com cautela e de arma na mão.Os moradores dormiam a sono solto.

Ninguém para testemunhar a invasão dos cabras de alparcatas comandados por Lampião. Pisavam de mansinho, olhos arregalados e ouvidos atentos. Pelo jeito de seus rostos vinham de longe. Cada passo era medido e todos em silêncio. Falar só o gestual. Em cada mão o rifle e o dedo no gatilho pronto para qualquer emergência. Na outra rua, o grupo que caminhava com Lampião permanecia atento cobrindo o chefe como se fosse uma criança. Mesmo assim Lampião, que vinha mais atrás, não largava o parabelum engatilhado.No pátio coberto de relva já amarelecida pastavam alguns animais domésticos. Bois magros e bodes espertos.De repente, um cachorro vira-lata atravessa aos pinotes no meio da rua, latindo. Talvez assustado com a presença dos homens estranhos e silenciosos.

Os cabras quando viram o cachorro cada vez mais afoito puseram o dedo no gatilho pronto para abrir fogo. O animal ficou só rosnando e se defendeu correndo ladeira abaixo. Bastou um dos homens de Lampião bater o pé. Passado o susto continuaram a marcha lenta e cautelosa. No fim da primeira rua descobriram o bar. A porta estava ainda fechada. No alto uma placa desbotada indicava: "bar Ponto Alegre". Na frente, o salão com as mesas e lá atrás as de bilhar. Os homens se encontravam ali com as mulheres. Era o baixo meretrício da cidade, depois ficaram sabendo.Lampião deu o sinal verde e todos de uma só vez estavam na rua principal, em cima do "Ponto Alegre". Na outra rua, a barbearia do seu Nozinho. Adiante, a farmácia de Odilon, também proprietário da "Funerária Adeus Amigos". A esta altura os bandidos se juntaram no pátio aguardando a abertura do bar. A sede e a fome amoleciam aqueles corpos fortes e rudes carregando armas e apetrechos comuns a eles. Mas de cinqüenta quilos no lombo. Alguns exaustos se sentaram no chão. Outros ficaram de pé seguindo o chefe.No céu azul algumas aves à procura dos alimentos. O sol estava alto. As primeiras janelas foram abertas timidamente. As pessoas quase apareciam ao mesmo tempo, mas recuavam ao ver o movimento inusitado de cangaceiros na rua. Há anos passaram por Coité da Serra alguns cabras de Lampião. Mas de passagem apenas.

No ar, os sons dos sinos da Matriz chamando os fiéis às orações. Porém poucos se atreviam diante do pessoal armado.

O bar, finalmente, abriu. Os cangaceiros se movimentaram rápidos. Quem estava sentado pulou de pé. Sempre com o fuzil na mão. Todos se dirigiram ao "Ponto Alegre". Água e comida, a primeira ação dos forasteiros. O bar rapidamente se encheu de homens mal cheirosos e famintos.Seu Cardoso, dono do estabelecimento, recebeu os cangaceiros com muita gentileza. Chamou Tiãozinho e ordenou alimento e água para o pessoal de Lampião. Pão, queijo de coalho, ovos, salame, conhaque e muita água da jarra, recomendou. A algazarra era grande. Coité da Serra jamais ouviu tanta gritaria. A Cidade agora pertencia aos cabras de Lampião. "E tiro só se houver precisão!" - Avisou o Capitão.

Comeram e beberam fartamente. Uns pegaram cigarro e inundaram o salão de fumaça e cheiro de álcool. A cachaça foi servida em abundância.A delegacia de polícia não abriu as portas. Os dois únicos soldados que passaram a noite de plantão foram embora - informaram. O Capitão não gostou dessa história e mandou que cinco de seus cabras fossem buscar os soldados fujões. Custasse o que custasse. E justificou a ordem: "macaco sorto não pode ficar. É armadia!" E saíram os cangaceiros atrás dos soldados. Outros ficaram ainda no bar comendo e bebendo à vontade.Lá fora, os comentários no pé do ouvido não eram poucos. Quase ninguém na rua. Os moradores cedo devem ter saído pelos fundos de suas casas com medo de violência.

Só depois do meio dia chegaram os cabras com os dois soldados amarrados, na presença do Capitão. Depois de ouví-los, ordenou: "Bota esses dois frouxos no xadrez, sem roupa, e traga a chave pra gente!" E falou mais uma vez: "Macaco sorto é causo de baruio. E como tamo aqui sem fazê baruio deixa os home no xilindró."Os cangaceiros saíram com os presos. Lampião e seu bando deixaram o bar prometendo retornar à noitinha pra conhecer as mulheres e os homens valentes do lugar.

Anoitecia quando Lampião e seus homens retornaram para o "Ponto Alegre". Antes, Virgulino passou pelo velho cinema que só funcionava duas vezes por semana, e era a alegria de boa parte da população. Quando chegou ao Cine Rex despertou a curiosidade o filme anunciado. Um faroeste com John Wayne. Não resistiu e avisou para seu lugar-tenente: "De noite vô vê esse caubói!".E saiu com seus cabras em direção ao bar. Sentaram-se, pediram conhaque e ficaram ali conversando enquanto planejavam a viagem de madrugada que iam fazer aos sertões de Alagoas.

Bem em frente ao Cine Rex Lampião parou. Muitas pessoas, inclusive meninos entravam tranqüilamente sem pensar nos cangaceiros que invadiram a cidade. Lampião entrou com alguns dos seus cabras. O filme começou com John Wayne brigando, dando tiros, quebrando tudo para prender os bandidos. O público vibra. Chegam a bater palmas. Lampião e os cangaceiros não desviam a atenção da tela.

De repente, a cena se transforma. É Lampião e John Wayne se enfrentando num duelo de vida e morte. Lampião de punhal na mão não teme a pistola. Um avança contra o outro. Tiros. Cavalo correndo. Tumulto. Lampião derruba o caubói. A poeira sobe. Os cavalos relincham. Um inferno dantesco.

Nesse exato momento, um cangaceiro que estava sentado ao lado de Lampião percebendo que o chefe dormia, bate no seu ombro e fala: "Capitão, capitão, acorda. O filme acabou. Tá na hora de agente preparar a viaje".

O chefe acorda assustado, já com a mão no parabelum, ainda sob o efeito do sonho que tivera com John Wayne, o mais famoso mocinho do cinema, matador de índios e bandidos, mas não de cangaceiros. O pessoal que estava no cinema saía comentando as façanhas de John Wayne com os fora-da-lei de Tombstone. Perdera o bonito cavalo branco, mas ganhara o amor de Mary, a garota mais bonita filha caçula do xerife Tom Bolling.

Antes do amanhecer Lampião deixa Cuité da Serra, com seus companheiros para nova caminhada em direção do sertão alagoano, mas ainda pensando no sonho que tivera no cinema.Coité da Serra ficou para trás. Calma e sonolenta à espera de outro dia sem cangaceiros.


(Texto de Fernando Spencer, cineasta, crítico de cinema e escritor pernambucano.

A charge é de Gilvan Lira. Publicados no Jornal Cultural "O Galo", da Fundação José Augusto, Natal/RN., em fevereiro de 1997)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Eu já fui assim

A atriz Geninha da Rosa Borges no elenco do Teatro de Amadores de Pernambuco, antes de uma apresentação da peça “O Leque de Lady Windmary”, Recife, 1943.

Joaquim Francisco, ex-governador de Pernambuco, em foto reproduzida pela imprensa pernambucana em 1975. Não há referência quanto a data em que a foto foi realizada.



O hoje compositor Lenine em 1981, quando ainda era estudante de química industrial no Recife, mas já dava seus primeiros passos no música, tendo participado da 3ª eliminatória do Festival da Música Popular Brasileira, promovido pela TV Globo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quais são os seres mais velhos do mundo?


-Bactéria:

O campeão dos campeões é a bactéria Bacillus permians, encontrada no Novo México em 1999: 250 milhões de anos. Ela estava encapsulada em um pedaço de rocha de sal e foi ressuscitada em laboratório. Quando essa bactéria nasceu, o planeta atravessava uma grande extinção em massa, que acabou com 70% das espécies terrestres e criou as condições para o surgimento dos dinossauros.

-Planta terrestre:

Em terra, o vegetal mais idoso é um arbusto da espécie Lomatia tasmanica, que fica na Tasmânia (Austrália). Trata-se de uma planta rara, que tem 3 pares de cromossomos, é estéril e só se reproduz por mudas. Em geral, cada indivíduo vive 300 anos, mas a maior colônia conhecida data de 43 000 anos atrás, quando nossa espécie estava chegando à Europa, onde se encontraria com os neandertais.

-Planta aquática:
Entre os vegetais, ninguém bate a gramínea Posidonia oceanica, encontrável no fundo dos mares de Ibiza, no Mediterrâneo. No ano passado, pesquisadores americanos e portugueses descobriram que uma colônia da planta, com 8 km de extensão, está viva há 100 000 anos, a época em que o Homo sapiens só existia nas savanas africanas. A poluição tem diminuído as colônias dessa espécie em 3% ao ano.

-Animal:

No reino animal, o recorde fica para um espécime do molusco Arctica islandica. O maior ancião da espécie, encontrado na Islândia em 1868, morreu com 374 anos – ele estava vivo em 1512, quando Michelangelo terminou de pintar o teto da Capela Sistina. O Arctica é seguido de perto por Adwaita, uma tartaruga de Galápagos que morreu aos 256 anos, e por uma baleia branca que viveu por 245 anos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Crendices Relacionadas a Animais





Apesar de definidas como crenças populares absurdas e ridículas, as crendices (ou superstições) sempre existiram entre todos os povos. Em Pernambuco, bem como nos demais Estados do Nordeste brasileiro, crendices de todos os tipos são repassadas de geração a geração. Veja, aqui, as crendices relacionadas com os animais:
Besouro - Quando um besouro passa zumbindo pelos ouvidos de uma pessoa é sinal de mau agouro. A solução é pronunciar frases do tipo: "Credo! Vai-te para quem te mandou; dize que não me achaste; eu te arrenego; cruz credo!".

Coruja - É de mau agouro o canto lúgubre de uma coruja, ao cair da tarde, ou simplesmente quando ela pousa sobre o telhado da casa.

Beija-flor - Da mesma forma que as borboletas pretas ou as formigas de asa, quando um beija-flor invada a casa é mau agouro.

Anum - Também é considerado de mau agouro quando um anum preto pousa nas árvores vizinhas das casas habitadas na zona rural.

Cachorro - Quando um cachorro cava à porta ou no quintal de uma casa é sinal de que uma sepultura terá de ser aberta.

Urubu - É prenúncio de morte quando um urubu pousa no telhado de uma casa ou simplesmente quando ele voa repetidas vezes em torno de uma residência.

Esperança - Quando a esperança (espécie de gafanhoto verde) entra na casa ou pousa sobre uma pessoa é sinal de alegria, de que uma coisa boa vai acontecer.

Bem-ti-vi - Quando um bem-ti-vi canta insistentemente nas proximidade de uma casa é sinal de que uma pessoa ausente e estimada irá chegar.

Pitiguari - Quando um pitiguari canta também é aviso de que uma pessoa querida irá chegar. O sertanejo afirma que o cantar desse pássaro parece dizer claramente: "Olha para o caminho, quem vem!...".

O que acontece quando:

- Quem pisa o rabo de um gato não casa no ano em que o fato aconteceu

- Ao encontrar uma cobra, uma mulher deve virá o cós da saia e dizer: "Estás presa por ordem de São Bento" (que é o advogado contra os ofídios). Assim, essa cobra ficará imóvel, não oferecerá nenhuma resistência, e a mulher poderá matá-la facilmente.

- Quem mata um cachorro fica devendo uma alma a São Lázaro

- Para um cachorro não crescer, basta pesá-lo com sal, logo ao nascer

- Quando uma cabra espirra é sinal de chuva

- Quando a cigarra estoura, de tanta cantar, de sua casca nasce o cipó japecanga

- O sapo não entra em decomposição, fica ressequido, mirrado e quem o matar ficará com o corpo do mesmo jeito

- Quando uma cobra entra na água deixa o veneno em terra e, picando alguém, não causa mal algum

- O pavão entristece quando olha para os pés

- Os negócios serão bons quando o dono colocar um chifre de boi no alto de uma balança ou em outra parte do seu estabelecimento comercial

- Uma pessoa que come uma galinha choca fica com fome canina

- Se o galo cantar várias vezes durante o dia é mau agouro. Se cantar exatamente ao meio-dia é sinal de moça fugida e cantando às dez horas é sinal de casamento

- Aos rapazes que apalpam galinhas não nasce barba

Origem da intriga entre o cachorro e o gato

Como tudo no mundo tem uma explicação, o imaginário popular também inventou uma história para explicar a famosa inimizade entre o cachorro e o gato. Essa estória é a seguinte:

Consta que, em tempos passados, o cachorro, hoje escravo do homem, havia conquistado o direito de viver livremente e era um dos grandes amigos do gato. E essa liberdade foi atestada inclusive com papel passado, uma carta de alforria.

Não tendo onde guardar o documento, um dia o cachorro pediu ao gato que guardasse a tal carta de alforria. Meio desligado, o gato depositou o documento do amigo entre as telhas da coberta da casa, crente que aquele era um lugar seguro.

Mas, eis que aconteceu o inesperado. O rato encontrou aquele papel e, como andava à cata de algo para forrar seu ninho, fez a festa: picotou a carta de alforria em centenas de pedaço. Com isso, o cachorro voltou ao cativeiro e jamais perdoou o gato.

Por ter perdido o grande amigo, o gato, por sua vez, tornou-se inimigo ferrenho do rato que, afinal, foi o grande causador do infortúnio do cachorro. Dizem que, ainda hoje, o gato não perdeu totalmente a esperança de reconquistar a velha amizade.

E é por isso que, de vez em quando, as pessoas encontram um gato e um cachorro que se dão bem.


Ditados populares relacionados a animais

- Um dia, um dia, cachorro de paca mata cotia

- Camarada é boi de carga

- Boi solto lambe-se todo

- Na casa de Gonçalo, a galinha manda mais que o galo

- Quem come galinha magra paga uma gorda

- A galinha da minha vizinha é mais gorda do que a minha

- Galinha preta põe ovos brancos

- De grão em grão a galinha enche o papo

- Na sombra da galinha o cachorro bebe água

- Não se amarra cachorro com lingüiça

- A grande cão, grande osso

- Cachorro que muito anda, apanha pau ou rabugem

- Cão que muito late não morde

- Quem não tem cão, caça com gato

- Gato escaldado de água fria tem medo

- Gato quando não morde, arranha

- Gato escondido com o rabo de fora

- Tirar com a mão do gato

- Da casa de gato não sai rato farto

- Gato muito miador é pouco caçador

- Para burro velho, capim novo

- Cavalo dado não se abre a boca

- Por uma besta dar um coice, não se lhe corta a perna

- Praga de urubu magro não mata cavalo gordo

- Urubu pelado não voa em bando

- Quando urubu está caipora, não há galho verde que o agüente

- Onde se mata o boi aí se esfola

- Guariba quando se remexe, quer chumbo

- A ovelha mansa mama na sua teta e na alheia

- Uma ovelha má deita um rebanho a perder

- Macaco velho não mete a mão em cumbuca

- Cada macaco no seu galho

- Em terra de sapo, de cócoras com ele

- Cobra que não nada, não engole sapo

- A primeira pancada é que mata a cobra

- Dois tatus machos não moram em um buraco

- Dois bicudos não se beijam

- Em festa de jacaré não entra nambu

- Pela boca morre o peixe

- Com mel se pegam as moscas

- Em boca fechada não entram moscas

- Papagaio come milho, periquito leva a fama

- A formiga quando quer se perder cria asas

Fonte:http://www.pe-az.com.br

terça-feira, 28 de junho de 2011

Você conhece Exu



Histórico

Consta que a denominação do município veio de uma corrutela do nome da tribo Ançu, pertencente à Nação dos Cariris. Mas, outra versão diz que o nome Exu foi dado pelos índios que ali viviam, porque na região existia grande quantidade de abelhas que eles chamavam de "inxu". Além dos índios, os primeiros habitantes do lugar foram padres jesuítas, que ali se instalaram e construíram um abrigo.

A vila de Exu foi criada por lei provincial, a 30 de março de 1846.Por três vezes, a vila foi extinta e restaurada, sendo a última restauração a 07 de julho de 1875. Através de lei estadual, de 10 de junho de 1907, o município foi criado, sob a denominação de Novo Exu, desmembrado do município de Granito. A 09 de dezembro de 1938, o município passou a denominar-se apenas Exu.

Dados gerais

Localização: Sertão do Araripe, distante 688 km do Recife.
Área: 1.251 km2
Solo: Argiloso
Relevo: Plano
Vegetação: Floresta subperenifólia/Caatinga
Ocorrência mineral: -
Precipitação pluviométrica média anual: 1.166,2 milímetros
Meses chuvosos: Dezembro - Março
População: 31.636 habitantes (IBGE 2010)
Eleitorado: 27.511 eleitores (TRE 2010)
Dia de feira: Sábado
Data de comemoração da emancipação política: 08 de setembro
Prefeito: Antonio Zilclécio Pinto Saraiva
Vice-Prefeito: Francisco Pinto Saraiva
Padroeiro: Senhor Bom Jesus dos Aflitos

Peculiaridades

A cidade de Exu tem uma importância cultural que extrapola os limites do Estado de Pernambuco. Além de ser a terra de Bárbara de Alencar (uma matriarca que teve ativa participação na Revolução Pernambucana de 1817), a cidade é nacionalmente conhecida como "a terra do Rei do Baião". Pois foi ali que nasceu (e viveu a infância e parte da adolescência) o cantor/compositor Luís Gonzaga, um dos grandes nomes da música popular brasileira contemporânea, o criador do baião.

Exu tem outros atrativos, como, por exemplo, as nascentes de água mineral do distrito de Tabocas ou a produção de artesanato local. Mas, é sem dúvida, a herança deixada por Luís Gonzaga que mais caracteriza essa agradável cidade sertaneja. Tanto isso é verdade que todas as grandes festas municipais acontecem em torno do compositor. Os festejos de São João e São Pedro, em junho, têm na música criada por Gonzagão a sua essência. E as outras duas maiores festas anuais do município também estão ligadas ao artista: uma celebra o nascimento e a outra, a sua morte.

Portanto, não é exagero quando o pernambucano fala, orgulhosamente, da Exu de Luís Gonzaga ou de Luís Gonzaga de Exu. E quem vai hoje a cidade tem como obrigação visitar o espaço criado para curtir o que podemos chamar de gonzagomania. Trata-se do Parque Asa Branca, implantado pelo próprio Gozagão com o objetivo de abrigar todo o seu acervo artístico e pessoal. É nesse parque, aliás, que anualmente um grupo de artistas (entre os quais os compositores Raimundo Fagner e Dominguinhos) realiza um grande show (o Viva Gonzagão) em homenagem ao rei do baião.

O Parque

O parque Asa Branca tem uma área de aproximadamente 15 mil metros quadrados, onde estão distribuídos os seguintes equipamentos:
- Museu do Gonzagão, com mais de 500 peças que pertenceram ao compositor Luís Gonzaga tais como: discos, sanfona, fotografias, a indumentária típica de sertanejo com a qual o Rei do Baião costumava se apresentar etc. O museu foi criado pelo próprio compositor, mas só seria inaugurado após a sua morte, em 1989, pelo seu filho Luís Gonzaga Júnior;
- Pousada com 80 leitos para receber turistas;
- Quadra para exibição de grupos artísticos, palco para apresentação de shows musicais, bar e lanchonete;
- A casa que pertenceu a Januário, pai de Luís Gonzaga;

É também ali que está o mausoléu de Luiz Gonzaga. Em dezembro de 2001, o projeto Viva Gonzagão encaminhou ao Instituto do patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a proposta de tombamento do Parque Asa Branca como um bem do patrimônio artístico nacional.

Serviço

Prefeitura/endereço:
Rua Eufrasio Alencar, 13 - CEP: 56.230-000
tel: (87) 38791156 – (87) 38791211

Fórum/endereço:
AV Edmundo Dantas, s/n - Centro - Cep: 56.230-000
Tel: (87) 3879-1022 (87) 3879-1191 (87) 3879-1220

Câmara Municipal
Rua Eufrásio Alencar, s/n - CEP: 56.230-000
Tel: (87) 3879-1171

Vereadores (09):
Cicero Vieira da Silva
Francisco Afonso de Oliveira
Francisco Brígido de Souza
Joao Carlos Cardoso Bento
João Roberto Fontes Saraiva
José Orlando Moreira dos Santos
José Pinto Saraiva Junior
Maria de Fátima Pinto Saraiva
Nelson Peixoto de Alencar

Hospedagem

1 - Hotel Itamaraji
Rodov. Asa Branca, s/n km 37 – Centro – Tel.: (81) 3879-1141

2 - Pousada J Alves
Rodov. Asa Branca, 367 - Centro – Tel.: (87) 3879-1125

Fonte:http://www.pe-az.com.br

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O expresso forrozeiro



Dentro do maior São João do mundo existe um evento que vem se destacando a cada ano. É o Expresso Forrozeiro, um passeio de trem que sai da cidade de Campina Grande-PB até o distrito de Galante, um lugarejo encantador, localizado numa região montanhosa e com uma bela paisagem bucólica. A saída é na estação velha, prédio antigo que abriga o museu do algodão. Durante o trajeto, muito forró e animação nos vagões. Toda uma estrutura de restaurantes, pontos de apoio, ilhas de forró e passeios a cavalo e charrete.


Matéria exibida pela TV Itararé, em Campina Grande, estado da Paraíba.
Contato: jornalismo@tvitarare.com.br

domingo, 26 de junho de 2011

São Pedro pede passagem



Pedro é outro santo que nasceu com nome diferente. Chamava-se Simão, ou Simeão. Nascido em um vilarejo pagão na Galiléia, levou a vida como pescador na cidade de Carfanaum, até que, junto com seu irmão André, foi convocado por João Evangelista para fazer parte do grupo mais próximo de seguidores de Jesus Cristo.
Simão era um dos apóstolos preferidos de Cristo, que admirava sua liderança firme e lhe deu o nome de Pedro (Petrus), que significa pedra, rocha. Justificando isso, Jesus teria dito: "És Pedro! E sobre esta rocha construirei minha Igreja".

Dizem que Pedro viveu muitos anos após a morte de Jesus Cristo, dedicando sua vida à pregação das palavras de seu mestre pelo Império Romano, tanto na Palestina quanto em Antióquia. Por esse motivo e por sua proximidade com Cristo, ele é considerado fundador da Igreja Católica Romana. Contam algumas versões que Pedro foi executado em Roma quando tinha 64 anos.

Porteiro do céu

O povo vê São Pedro como o "porteiro do céu", o manda-chuva e o padroeiro dos pescadores. A presença dele na tradição oral portuguesa e brasileira é constante. Quando começa a trovejar, as crianças sempre ouvem dizer que "é a barriga de São Pedro que está roncando" ou que "São Pedro está mudando os móveis do céu de lugar". E, quando chove mesmo, "é São Pedro que está lavando o chão do céu".

Na Bahia e em comunidades pesqueiras do Ceará, São Pedro é comemorado em alto-mar, com uma procissão em meio às ondas. No cortejo em frágeis jangadas artesanais, os fiéis pedem proteção aos céus. A imagem do santo, que também é pescador, é colocada em um andor e vai navegando pelo litoral. Depois do cortejo, os pescadores participam de uma missa campal na beira da praia.

São Pedro, o Fundador da Igreja Católica

São Pedro, o Apóstolo e o pescador do lago de Genezareth, cativa seus devotos pela história pessoal. Homem de origem humilde, ele foi Apóstolo de Cristo e depois encarregado de fundar a Igreja Católica, tendo sido seu primeiro Papa.

Considerado o protetor das viúvas e dos pescadores, São Pedro é festejado no dia 29 de junho, com a realização de grandes procissões marítimas em várias cidades do Brasil. Em terra, os fogos e o pau-de-sebo são as principais atrações de sua festa.

Depois de sua morte, São Pedro, segundo a tradição católica, foi nomeado chaveiro do céu. Assim, para entrar no paraíso, é necessário que o santo abra suas portas. Também lhe é atribuída a responsabilidade de fazer chover. Quando começa a trovejar, e as crianças choram com medo, é costume acalmá-las, dizendo: "É a barriga de São Pedro que está roncando" ou "ele está mudando os móveis de lugar".

No dia de São Pedro, todos os que receberam seu nome devem acender fogueiras na porta de suas casas. Além disso, se alguém amarrar uma fita no braço de alguém chamado Pedro, ele tem a obrigação de dar um presente ou pagar uma bebida àquele que o amarrou, em homenagem ao santo.

sábado, 25 de junho de 2011

Lolita


QUEM NÃO CONHECE LOLITA
NÃO CONHECE O RECIFE


Entrevista ao "Jornal da Cidade", 6 de julho de 1975.

Ivo Alves da Silva nasceu no interior e veio para o Recife com suas verdades e sua maneira de ser. Dentro da marginalidade ele se fez conhecido mas estendeu seu mundo até os corredores de universidades, onde divertia gerações de estudantes universitários, assim ele se fez uma pessoa conhecida na capital, um "Gente da Cidade". Na redação do "Jornal da Cidade", ele aos 45 anos, contou aos repórteres Ivan Maurício, Beth Salgueiro, Vera Ferraz, Geraldo Sobreira e Jones Melo, em sua primeira grande entrevista, a história de seu personagem: Lolita.

LOLITA - Os meus camaradas gostam de dizer bicha, bicha, eu sou diferente. Eu sou Lolita, o internacional, eu vim, vi e venci.

JORNAL DA CIDADE - De onde você veio?

LOLITA - Saí de Nazaré da Mata, com 15 anos de idade. Tudo por influência dos amigos. Mas, eu sempre gostei de varar mundo, sou como urubu, gosto de voar, em todo galho de mato faço minha morada. Cheguei no Recife para trabalhar de servente e cozinheiro e estou aqui, com todo sucesso até hoje.

JORNAL DA CIDADE - Que idade você tem, onde você mora?

LOLITA - Estou com 45 anos, nasci no dia 6 de janeiro de 1933. Estou morando no Pina na "Pensão Jaú", é lá onde faço os serviços de cozinha e a noite vou me divertir nos bares, todo mundo gosta de mim. Antes eu morava na Ilha do Maruim, passei 15 anos lá, saí porque tudo muda e eu também mudei.

JORNAL DA CIDADE - Como você mudou?

LOLITA - Ah, agora eu não sou mais aquele que topava toda arruaça e gostava de provocar policial, mas ainda dou meus shows, pois a veia artística está dentro de mim.

JORNAL DA CIDADE - Como é teu nome verdadeiro e como surgiu o apelido "Lolita"?

LOLITA - Meu nome é Ivo Alves da Silva. Agora esse negócio de "Lolita" surgiu porque foi uma destinação. Um dia eu ia passando na rua e vi um folheto de feira, ah essa é outra história que depois eu conto. Lolita mesmo foi o seguinte. Meu nome teve origem no filme "Carnaval Atlântida", eu assisti várias vezes e decorei os diálogos. A artista que fazia o papel de "Lolita" era Maria Antonieta Pons. Aí eu comecei a recitar os diálogos para os meus amigos, estudantes de engenharia e eles começaram a me chamar de Lolita e ficou até hoje.

JORNAL DA CIDADE - Conta agora a historiado folheto que você ia passando...

LOLITA - Sim, é, eu ia passando, vi o folheto, folheei, gostei e comprei logo. Nessa época eu já me chamava Lolita, e o nome do folheto de João Martins de Athayde era "Lolita Era Uma Condessa", que dizia assim: "Lolita era uma condessa/filha do Conde de Aragão/Desde muito criança/tinha bom coração/embora que seus pais/não fossem essa educação/porque o Conde pai de Lolita/só olhava para o ouro/por isso chamava um cofre/o céude mau anjo louro/Dizia que a alma dele/Era a honra e o tesouro".

JORNAL DA CIDADE - Você gostou desse folheto por quê?

LOLITA - Não sei, gostei dos versos. Esse folheto me ajudou muito nas horas difíceis. Quando eu ia preso por causa de bebedeira, eu recitava esse folheto para os delegados e eles me soltavam. Eles gostavam quando eu dizia: "Lolita desde criança era compadecida/Dava pequeno valor/aos objetos da vida/visitava os hospitais/inda que fosse escondida".

JORNAL DA CIDADE - Mas Lolita, porque você veio para o Recife e o que você fazia em Nazaré da Mata, até os 15 anos?

LOLITA - Eu não tive infância. Passei a vida sempre trabalhando no campo, limpando mato, fazendo roça. Meus pais eram agricultores, morando em terra de senhor de engenho.

JORNAL DA CIDADE - Havia escola, você chegou a estudar alguma coisa, como aprendeu a ler?

LOLITA - Estudei cinco anos em Nazaré da Mata, no Grupo Escolar Maciel Monteiro, depois fui para Limoeiro, lá terminei o Ginásio. Foram meus colegas Dr. Luiz Gonzaga de Vasconcelos, Dr. Almeida Filho que foi delegado e é deputado conhecido como Almeidinha. Muita gente grande. Inclusive meu retrato está pregado numa parede. Outro colega meu, foi o Dr. Anacleto que é comissário de Casa Amarela, o Dr. Paulo Couto Malta, jornalista do Diário de Pernambuco.

JORNAL DA CIDADE - E por que você deixou a família? Como foi?

LOLITA - Meus viajaram para São Paulo. Meu pai era despeitado comigo. Ele não aceitava minhas qualidades corporal. Com idade de 10 anos comecei a depravação, por influência de colegas. Não tive um primeiro namorado, o primeiro foram vários, eu era o mais fraco e cedi, num banho de açude, sabe como é, gosto de falar por parábolas, eles me forçaram e depois foram contar tudo ao meu pai. Com 16 anos fui para Limoeiro, trabalhar com o padre Nicolau Pimentel, porque a família tinha ido para São Paulo, foi quando estudei e terminei o Ginásio com 22 anos. Nessa época eu pensava em ser professor, mas o vício não deixou mais, aos 16 anos eu estava viciado na bebedeira.

JORNAL DA CIDADE - E quando você chegou no Recife?

LOLITA - Quando eu cismo de fazer uma coisa, eu faço. Cheguei em Recife no ano de 1954, a zona era muito diferente. Eu vim para fazer serviços domésticos, mas a vida do bairro do Recife me encantou e eu tive vontade de entrar nela, de conhecer a Capital e enfrentei a barra pensando que dominava ela, mas ela leva a gente junto e a gente vai bebendo para esquecer alguma coisa.
JORNAL DA CIDADE - Você já pensou em parar com a vida que você leva?

LOLITA - Eu nunca me arrependo do que faço. O Dr. Dias da Silva psicólogo, mesmo um dia falou na televisão, que eu devia ir pra uma clínica, etc. Mas eu já fui duas vezes na Tamarineira (hospital psiquiátrico) e já entrei uma vez no Sancho (hospital para tuberculosos) com uma deficiência no pulmão.

JORNAL DA CIDADE - Por que esse ditado de "Quem não conhece Lolita, não conhece o Recife"?

LOLITA - Eu já estou cheio de tanta pergunta. Quem inventou essa história foi o Detetive Dunga, aquele que tem uma revista a "Repórter Policial", essa revista era muito famosa e eu também como gente famosa, internacional, fui convidado por ele para posar e ele fez uma foto minha assim (faz o gesto, abrindo os braços), publicou numa página e escreveu em baixo, "Quem não conhece Lolita, não conhece o Recife". Aí o pessoal leu e começou a falar isso e eu também comecei a falar aos estudantes e eles pegaram e ficou até hoje.

JORNAL DA CIDADE - Por que você ia para as faculdades?

LOLITA - Porque eu precisava dar expansão a minha veia artística e os estudantes gostavam de mim, me entendiam, eu cantava, recitava e eles batiam palmas.

JORNAL DA CIDADE - Lembro que você gostava muito de "Arlequim de Toledo", que você imitava Ângela Maria ...

LOLITA - Era. Eu gostava e gosto, mas agora estou aprendendo outra de Clara Nunes, "É Água No Mar", estou quase aprendendo ela toda.

JORNAL DA CIDADE - Você já cantou em outro lugar fora as faculdades?

LOLITA - Já. Eu cantei num programa de calouro que tinha aqui, era deixe eu ver o nome... era de Nilson Lins e Castelão (Fernando Castelão).

JORNAL DA CIDADE - "Varieté".

LOLITA - Era esse mesmo. Muitas vezes eu fui cantar lá como calouro. Lá conheci muita gente: Ângela Maria, eu vi de perto, assim, Cauby Peixoto, que é meu colega também, tinha Nerize Paiva. Os programas eram de Castelão, Nilson Lins, os cantores eram os que falei. Déa Soares, José Auriz, que cantava tango.

JORNAL DA CIDADE - E como você se sai nesses programas? Você pensava em seguir a carreira arística?

LOLITA - Não. Eu ia porque gostava. Nessa época não existia buzina, eram urros. Eu cantava "Chiquita Bacana", ainda canto quando estou queimado. No programa "Varieté", na Rádio Jornal do Commercio, toda vez eu ia vestido de homem, camisa esporte, levava vaia e aplausos. Os estudantes gostavam. Minha reação era de achar graça. Depois eu me operei das amígdalas, não fui mais, só nas faculdades de Direito e Engenharia.

JORNAL DA CIDADE - Quem são seus cantores favoritos hoje?

LOLITA - Gosto dos mesmos, de Ângela Maria, gostava da finada Dalva de Oliveira, Cauby, de Carlos Alberto.

JORNAL DA IDADE - Como você vê o Recife, hoje, mora aqui, você conhece o Recife todo?

LOLITA - O Recife que eu conheço é a zona e as faculdades. Alguns arrabaldes de passagem. Sempre morei na confusão. Hoje o Recife está muito mudado. Faz cinco anos que não vou ao bairro do Recife, moro agora no Pina. Quando eu cheguei aqui as pensões que estavam no auge eram várias. A primeira pensão que eu fui foi na Vigário Tenório, depois fui para a Mariz e Barros, Marquês de Olinda, só gostava de me focalizar em lugares assim. As casas tradicionais naquela época eram a "Chantecler", "Moulin Rouge", na época que cheguei a boate "Flutuante" era famosa, que depois naufragou-se naquela ponte Maurício de Nassau. Aí eu brincava, dava expansão ao meu gênio. Hoje modificou tudo porque os delegados fecharam tudo. Estão mudando a zona para os bairros Boa Viagem e Pina. É bom mudar de local, já é outro sucesso que se faz.

JORNAL DA CIDADE - Dizem que você já brigou com uma guarnição da Rádio Patrulha, é verdade?

LOLITA - Eu não admito provocação, sou muito nervoso. Já tomei revólver de mão de gente, um capitão da tropa à paisana. Tudo é a ocasião. Sempre fui vencedor. Quando eu era preso, o delegado me soltava, Dr. Mário Alencar me adorava, só quando era delegado estranho é que me encanavam. Quando eu cismava da Rádio Patrulha eles não me levavam não. Quando surgiu aquelas duplas de "Cosme e Damião", em 1955, o povo dizia "você agora vai se endireitar". Resolvi tirar a dúvida. Tomei meia garrafa de cana e fui pra Avenida Guararapes, lá pra esquinada Sertã. Cheguei lá,encarei os dois que vinha do Cinema Art-Palácio. E perguntei: "Quem de vocês é Cosme ou Damião dos dois?". Eles perguntaram: "Quem é você?" Eu disse: "Sou o Lolita falado" e o pau cantou, briguei e rasguei a túnica dele todinha. Ah, eu já fiz muita sugesta com a polícia. Aí eles me levaram num Ford verde.

JORNAL DA CIDADE - Mas um dia você já encarou uma parada que não deu para encarar?

LOLITA - Eu peguei uma detenção porque cortei um soldado. Caí no artigo 129, três meses de Detenção, ferimento leve e eu era primário. Foi Romildo Leite, que é despeitadíssimo comigo, que me arranjou essa. Eu tava bebendo, eu e três soldados, aí eles queriam que eu pagasse a conta, aí eu joguei a caneca de chope na cabeça de um, ele levou dez pontos e eu fui autuado em flagrante. A prisão foi o canto melhor que achei, não fazia questão de estar lá, nem mesmo bateram em mim. Nessa época eu tomava muito tóxico, "perventim", "dexamil" com cachaça, mas nunca andei armado e sou muito desconfiado. Sou intoxicado pela bebida, é esse meu diagnóstico de eu ser revirado na vida. Muitas vezes me acordava dentro do xadrez, antigamente me perseguiam muito. Hoje trabalho numa pensão na Rua do Jaú, 262, sou cozinheiro, sei fazer tudo na cozinha: lombo, bife a milanesa e faço outros trabalhos domésticos. Ganho Cr$ 20,00 por semana que dá para eu beber. O resto consigo fora. Todos s sábados recebo de um colega do Ginásio Cr$ 30,00, é Dr. Vladimir, um advogado, no 8º. Andar do Banco do Brasil. Toda noite vou brincar, vivo agora da fama, brigas nunca mais.

JORNAL DA CIDADE - Como você vê as mulheres que convivem com você?

LOLITA - A condição das mulheres da zona é precária. Vivem mendigando o pão. A blitz quando chega, pronto, a vida é difícil. Mais fácil que a delas é a minha, pelo meu conhecimento. A Polícia sempre combate as mulheres. Nós, os da minha espécie eles agora deixaram de combater. Já fiz papel de cafetão quando vivia no bairro do Recife. Ganhei um dinheirinho. Hoje no Pina me perguntam por uma mulher boa, eu gigo, mas não arranjo mais. Quando elas ganham um dinheiro bom, me dão alguma coisa.

JORNAL DA CIDADE - Hoje você não sabe mais de sua família?

LOLITA - Na minha casa éramos 10 irmãos, 6 homens e 4 mulheres. Uma vez me perguntaram, seu irmão é toureiro, em Limoeiro, e você toureia o que? Eu disse: - Homem. Mas eles estão tudo em São Paulo, moram na Vila Maria. Minha mãe quando veio de São Paulo, me achou fácil por causa de uma tia minha e do conhecimento. Ela queria me ver. Me deu Cr$ 50,00 daí pra cá não sei mais dela. Ela sempre me protegia quando nós morava em Nazaré da Mata (chora) eu disse que não me arrependo de nada do que faço, mas eu sei,se eu não fosse assim, estava noutra, sou muito sentimental. E toda vida fui popular. Meu nome é internacional. Faz uns 10 anos que chegaram umas pessoas de Minas Gerais procurando o famoso Lolita da Capital, há 6 anos veio um rapaz da Rede Tupi para me filmar e dar um banho de loja...

JORNAL DA CIDADE - Você teve ou tem um grande amor na vida?

LOLITA - Eu nunca tive amor, tive simpatia. Dois é muito, três é demais.