terça-feira, 30 de agosto de 2011

Jessier Quirino - Baixe as armas, comedor


Baixe as armas, comedor
(Jessier Quirino)

Oh morena, oh moreninha
Deixa de morenação
Larga dessas invenção
De nós dois sozim ficar
Mode evitar confusão
Larga dessas invenção
Pense da zabumbação
E se teu pai desconfiar?

E vai que tu pega enxaqueca
E vai que eu sou bom de curar
E vai que tu arrisca um verbo
E vai que eu saiba verbiar
Vai que eu vire flecha doida
E vai que tu quer se flechar
Vai que tu seja espoleta
E vai que eu seja um malagueta

Feito goela de dragão

E vai que tu vem toda bela
De laço e fita amarela
Vai que tu se passarela
Vai que eu seja o rés do chão
Vai que tu arriba a saia
Vai que eu veja o essenciá
Vai que tu pede embreagem
Vai que eu saiba debrear

Vai que tu venta pro norte
Vai que sou todim jangada
Vai que eu seja um taboleiro
E vai que eu seja cocada
Vai que tu se enrouxinó-las
Vai que eu seja passarinho
Vai que eu saia da gaiola
Vai que amostre o ninho

E vai que tu sois moça anja
Vai que eu seja um pecador
Vai que tu sois gozo eterno
Vai que eu sou rojão do amor
Vai que teu ?ui ui, meu bem?
Acorde o véi roncador
Vai que esse véi grite brabo
Com o revolver no meu rabo:

- Baixe as arma, comedor!

sábado, 27 de agosto de 2011

O surgimento da mentira no Brasil


O surgimento da mentira no Brasil
(Manoel Messias Belizario Neto)


Leitor para ser um homem
Ou uma mulher de verdade
A criatura precisa
Ter no mínimo honestidade
Que é a mãe dos princípios
Morais de uma sociedade.

Hoje em dia é comum
Homem e mulher de mentira.
Nesse verso vou narrar
De onde isto surgira.
Trazer à tona a verdade.
Esta é a minha mira.

Toda a saga tem início
Nas plagas de Portugal
Ainda na construção
Da esquadra de Cabral.
A mentira se escondeu
No porão de uma nau.

Coitada quase morreu
De calor, fome e sede.
Porém aguentou calada,
Encostada na parede.
Pensando:’que bom seria
Se já existisse rede’!

Quando em 1500
Cabral chegou no Brasil
A mentira, de fininho,
Do seu recanto saiu.
Passou pelos tripulantes.
Pulou no mato e sumiu.

A verdade já morava
Nas terras de Pindorama.
Ninguém avisou a ela
Para apagar as chamas
Que a mentira acendia
Em favor de sua trama.

A mentira foi ganhando
Importância no reinado.
Disfarçada de verdade
Tinha todos do seu lado.
Portugueses e indígenas
Por ela foram enganados.

Já a verdade, coitada,
Caiu numa confusão.
Confundida com a mentira
Foi levada à inquisição.
Escapando da fogueira
Exilou-se no sertão.

Por isso que no sertão
Inda hoje tem sofrimento.
Porque a verdade quer
Eleger seu movimento.
Mas a mentira vem antes
E conquista o parlamento.

Com a verdade exilada
A mentira ganha fácil.
Vai abrindo filiais
No país sem embaraço.
Aonde hoje é Brasília
Ela constrói seu palácio.

Nos fundos deste palácio
Ela faz seu cemitério.
Quem foi enterrado lá?
Até hoje é um mistério.
No lugar hoje se encontra
O prédio dos ministérios.

Já em 1700
Com o mundo modernizado
A mentira deicidiu
Abandonar seu reinado.
Em pouco tempo o palácio
Estava arruinado.

Na década de 50,
Coitado de JK!
Inocente escolheu
O mesmíssimo lugar
Que a mentira habitou
Para a Brasília implantar.

Pou um tempo no país
Houve paz e harmonia.
Foram buscar a verdade.
Deram-lhe a anistia.
Pena que a tempestade
Vem depois da calmaria.

Porque a mentira estava
Na Europa passeando
Quando viu numa esquina
Um jornaleiro gritando
Que a capital brasileira
Estaria prosperando.

A mentira ao vir a foto
Conheceu na mesma hora.
Passou um desconhecido
E perguntou: ‘por que chora’?
A mentira disse:’eu
Estou muito triste agora’.

‘Há alguns anos atrás
E morei em um país.
Lá fiz amigos, riqueza,
Aprontei tudo o que quis.
Escolhi um lugar lindo
E ergui uma matriz.’

‘Por estar podre de rica
Resolvi abandonar
O país e me botei
Por este mundo a andar.
Curtir a vida e também
Outro povo atasanar.’

‘Vi agora no jornal
Que minha linda morada,
Construída com suor,
Dela não resta mais nada.
Fizeram uma cidade
Onde ficava a coitada.’

‘Sabe de uma coisa, amigo,
Farei a seguinte trilha:
Vou retornar ao Brasil,
À cidade de Brasilia.
O bom filha a casa torna,
Para rever a família’.

‘Quero de volta o palácio
Porque é meu de direito.
Se eu não for atendida
Levarei tudo no eito.
Dissemino a inverdade.
Todo o país desajeito.’

Ao dizer isto partiu
De trem, rumo aoceano.
Pegou o primeiro navio.
Tracou um único plano:
Ou tinha tudo de volta,
Ou espalharia dano.

Numa tarde de verão
Ela aporta na Bahia.
Vê um Brasil diferente
Daquele que conhecia.
Agradou-se do lugar,
Porém ficar não podia.

Quando chegou em Brasília
Ficou muito emocionada
Ao rever aquelas terras
Que fora sua morada
Cheia de gente vivendo
Em casas modernizadas.

Avistou a Esplanada
Dos Ministérios pomposa.
Disse: ‘não tenho o palácio,
Minha mansão fabulosa.
Mas tenho em seu lugar
Uma construção honrosa’.

‘Sabe de uma coisa, amigo,
Não quero a morada antiga.
Vou ficar é nesta nova.
Besteira entrar em briga.
O chalé aqui é grande.
Qualquer quartinho me abriga.’

A mentira se instalou
No prédio da Esplanada
Do Ministérios e até
Hoje lá está plantada.
Vez em quando sai da toca
Pra tomar sol na calçada.

Às vezes ela percorre,
Em excursão, o Brasil.
Depois volta alegremente
Com um olhar infantil
À sua eterna morada.
Tem recepção gentil.

Por isso, caros leitores,
Que temos corrupção.
Não culpe a classe política.
Dê a ela seu perdão.
A culpa é dessa mentira
Em constante tentação.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O menino que queria comer bosta




Literatura de Cordel
http://literaturadecordel.vila.bol.com.br

Literatura de Cordel
Autor: Francisco Diniz
João Pessoa-PB, 26 de setembro de 2005, 04:00 H.

A vida é muito bela,
Nós temos que dar valor,
Aproveitar os momentos,
Guardar bem o que passou,
Saber viver o presente
Com amigos e parentes
Ou seja lá com quem for.

Se o instante for de dor,
Que possamos refletir
No que devemos fazer
E entender que o existir
É feito de mal e bem,
De sim, não, talvez, porém,
De chorar e de sorrir.

A vida é o porvir,
É o ontem, é o agora,
É o ganhar, é o perder,
É água, é luz, é flora,
É o saber, é a ignorância,
É a miséria, é a bonança,
É fogo, é dentro, é fora.
-1-

É o chegar, é ir embora,
É chuva, é sol, é dia,
É noite, é acordar,
É dormir, é ventania,
É correr, é caminhar,
Mas é também se sentar,
É prosa e é poesia...

É tristeza, é alegria,
É o que não sei escrever.
A vida é um mistério,
Talvez se aprenda ao morrer,
E eu peço licença aqui
Para poder exprimir
O meu cordel pra você.

A história vou oferecer
A um ente muito amado
Que já não está entre nós:
Nilton foi pro outro lado,
Mas se estivesse aqui
Ele morreria de rir,
Pois o causo é engraçado.
-2-

Um dia eu estava sentado
Embaixo de um juazeiro,
Lá no sítio do Pé Branco,
9 do mês de janeiro,
2004, o ano,
Ao lado do quase mano
Elineto, o verdadeiro,

Aliás, é o primeiro,
Na arte de bem mentir,
De contar história engraçada
Pra fazer o povo rir,
E o que ele me contou,
Depois que a gente almoçou,
Eu faço o registro aqui.

Nós estávamos ali
Um pouco a descansar
Esperando tio Raimundo,
Zaca e Doutor pra contar
O nosso trabalho final:
Medir as terras de Vital,
O que este tinha pra herdar.
-3-

- Nenen eu vou lhe contar,
Começava Elineto,
Contar o que aconteceu
Num lugar aqui bem perto,
Você preste atenção
E veja quem tem razão,
Se isso é errado ou certo:

Um menino bem esperto,
Certa noite começou
A choramingar bastante
E muito tempo passou
Chamando pelos seus pais,
Vizinhos não tinham paz,
Todo o mundo escutou.

O danado abusou,
Parecia está doente:
"- Qüên, qüên, qüên, qüên, qüên, qüên, qüên",
Era uma zoada estridente,
O pai com raiva dizia,
- "Cala a boca Abdia,
Vai durmir, se acalente".
-4-

O menino descontente
Continuava a chorar.
- "Será pussíve muié,
Que o diabo num vai pará?
Trabaiei o dia intêro
E essa peste, desordêro,
Não me dêxa descansar?!

Levanta muié, vai lá,
Sabê o qui ele qué?
Acenda a lamparina,
Faça logo o qui pudé,
Mande ele calá a boca,
Será que você tá môca?
Isso é um cabaré!"

Finalmente a mulher
Foi à rede do menino:
- "O qui tu qué disgraçado?
Laiga de tu sê traquino,
Num viu qui teu pai falô
Qui ainda não descansou?
Te aquiéta e vai durmino!
-5-

Zé, ele tá insistino
E qué falá é cum você,
Dixe qui tá cum fome!"
- "Ora, o qui é qui eu vô fazê?
Não tem nada a essa hora,
Só me fartava isso agora,
O qui mais se farta vê?!"

O pai não queria entender
Aquela reclamação,
A mãe voltou pro seu quarto,
Pra Zé dava explicação:
"Num sei o qui se passou,
Esse minino jantou,
Cumeu feito um lião!"

Não havia trégua não,
O menino aperreava:
- "Qüên, qüên, qüên, qüên, qüên, qüên, qüên",
E direto ele gritava:
- "Ô pai, eu tô é cum fome!"
- "Parece qui num é hômi?!"
E o menino não parava.
-6-

Quando não mais agüentava,
Zé, da cama, levantou:
- "O qui diabo tu qué?
Com raiva ele indagou.
- "Pai eu quero é cumer,
Mas eu tem medo de dizê,
De expricar pu sinhô".

- "Meu fi, me faça o favô,
Diga logo o qui tu qué,
Pá vê se nóis te arranja
E acaba esse labacé,
Eu tô quereno durmir,
Bem cedo eu vou partir,
Pu roçado de Mané".

- "Se eu pidir o qui quisé,
O sinhô num acha rim?
- Peça meu fi, num se acanhe!"
- "E se o sinhô mangá de mim?"
- "Qui istóra é essa Abdia?
Dêxe logo de agonia,
Pode pidir qui eu digo sim!
-7-

E o menino falou assim:
- "Pai, eu quero cumer bosta!
Pode até ser muito estranho,
Eu num sei se o sinhô gosta,
Mas bosta eu quero cumer
E o sinhô pode trazer
Numa bacia feito posta".

O pai quase cai de costa
Com a conversa de Abdias.
- "Pai, num faça uma desfeita,
Num me corte essa aligria!
Vá lá fora no oitão,
Cague logo um toletão
E traga em minha bacia".

E o pai com muita ironia
L ogo trouxe pro herdeiro:
- "I nda falta alguma coisa?"
- "N ão, mas eu vou ser verdadeiro,
E sse banquete aqui
T á certo, e eu só como si
O sinhô cumer primeiro".
-8-
FIM
Francisco Diniz
João Pessoa-PB, 26 de setembro de 2005, 04:00 H.
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Site: http://literaturadecordel.vila.bol.com.br
E-mail: literaturadecordel@bol.com.br

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Esquecer, ninguém esquece...



Esquecer, ninguém esquece, Mas aprende a viver sem.

O meu coração guardou
Recordações imortais
De quem foi e não é mais
Personagem do meu show.
A cortina se fechou,
A platéia foi além
Mas no palco ainda tem
Uma palavra com “S”.
Esquecer, ninguém esquece,
Mas aprende a viver sem.

Os românticos sonhadores
São mesmo predestinados
A amores fracassados,
A padecer tantas dores,
Na vida são uns atores
Sem diretor, sem ninguém,
A cada cena que vem
Nada de bom acontece.
Esquecer, ninguém esquece
Mas aprende a viver sem.

A cada passo que dou
Sinto um abalo no peito,
Com certeza é o efeito
Do que a paixão deixou.
Deletar o que passou?
Só se eu tivesse um harém!
Mas meu peito só quer quem
O maltrata e desconhece.
Esquecer, ninguém esquece
Mas aprende a viver sem.


Autor: Wellington Vicente

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Trio Cantarino - O Passarinho (cover Marinalva)





O Trio Cantarino surgiu em setembro de 2010 com 3 amigos que sempre admiraram o forró pé de serra.

O nome surgiu como homenagem à Luiz Gonzaga por sua música “Cantarino” de 1973, que conta sobre um pássaro que ao cantar trazia ajuda, chuva para o sertão e esperança para o povo.

Hoje, o trio formado por Juninho (triângulo), Daniel (zabumba) e Warner (violão), paulistanos, mas com alma nordestina, vem para mostrar seu repertório raiz.

Os integrantes sempre estiveram envolvidos com o forró, curtindo, tocando e pesquisando as raízes do ritmo. Envolvidos com uma boa base musical, decidiram começar um trabalho direcionado no forró pé de serra.

Sem sanfona no início, ousaram tocar com violão, incorporando e adaptando solos e bases, mas mantendo o estilo marcante do ritmo. Agora, mesmo dispondo de uma sanfona, com o sanfoneiro Juninho ainda iniciando os estudos, continuam acompanhados pelo violão.

Sua primeira apresentação foi no Projeto SCUTAÍ com apoio da comunidade do Teotônio Vilela e da Prefeitura de São Paulo/SP.

Contatos:
Email: triocantarino@hotmail.com
Blog: http://triocantarino.wordpress.com