segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

SHOW DE COBRA CORDELISTA

SHOW DE COBRA CORDELISTA NO RESTAURANTE ESPETO NA MESA EM JABOATÃO DIA 04.02.2011 (sexta-feira)20h




Dia 04 de Fevereiro de 2011,(sexta-feira)as 20h no RESTAURANTE ESPETO NA MESA (ANTIGO BAR DA POEIRA) na cidade de Jaboatão dos Guararapes tem Recital de Cobra Cordelista e a presença de vários poetas convidados. Nos Violões Vitor aragão e Fauzer Zaidan, com Felipe de Dora na Percussão,no Repertório Contos,Causos,Forró de Raiz,e a poesia matuta com muito Lirismo e bom humor. Na ocasião estará lançando o livro Alma Sertaneja ,que possui dois elogiados contos narrados pelo poeta que compoem o Cd que acompanha o livro.

RESTAURANTE ESPETO NA MESA (ANTIGO BAR DA POEIRA) Av. Comercial ,Sn, Candeias Após o Restaurante Recanto Gaucho FONE (81) 8828-0242

sábado, 29 de janeiro de 2011

Revolta Pernambucana de 1817




Rebelião inspirada nos ideais da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos, ocorrida no Recife às vésperas da Independência do Brasil. O comércio era dominado pelos portugueses e ingleses; as exportações de açúcar enfrentavam dificuldades e a economia da província estava de mal a pior.

Insatisfeitos com o domínio português, proprietários de terra, padres, comerciantes, bacharéis, militares descontentes passaram a se reunir no Recife e iniciaram a conspiração.

O golpe foi planejado para abril de 1817, mas o complô foi descoberto pelo governo e iniciou-se a caça e prisão dos líderes do movimento. No dia 06 de março, o comandante do Regimento de Artilharia do Recife (Manuel Joaquim Barbosa) deu voz de prisão ao capitão José de Barros Lima (o Leão Coroado), este reagiu, sacou da espada e matou o comandante.

Explodia, assim, a revolta que estava marcada para dali a um mês. Em seguida, os revoltosos derrotaram as forças portuguesas e o governador da capitania (Caetano Pinto de Miranda Montenegro) fugiu.

Foi, então, instalado um governo provisório, formado por cinco representantes de categorias da sociedade: Domingos Teotônio Jorge (representando os militares), Padre João Ribeiro (Igreja), Domingos José Martins (comerciantes), José Luís Mendonça (Judiciário) e Manuel Correia de Araújo (representando os proprietários de terras). Foi instalada uma República, criada sua bandeira, etc.

Os revoltosos pretendiam estender o movimento e enviaram representantes para a Bahia, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Mas a pretendida expansão não aconteceu: os enviados a Bahia (General Abreu e Lima e o Padre Roma) e ao Ceará (o seminarista José Martiniano de Alencar) foram presos logo ao desembarcar.

E só aderiram ao movimento, ainda assim timidamente, as capitanias da Paraíba e Alagoas. A República duraria apenas 75 dias, não resistiu à reação da Coroa: tropas enviadas do Rio de Janeiro ocuparam o Recife no dia 18 de maio e sufocaram o movimento. Os líderes foram presos e executados.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Carnaval está batendo a porta "A origem do Frevo"



É Carnaval e, em Recife, a festa "ferve". É daí que vem o nome do frevo.

O próprio frevo vem da junção de ritmos como a polca, a marcha, o maxixe, o dobrado e a capoeira. O resultado todo mundo conhece: um ritmo acelerado, sem letra, com passos difíceis e acrobáticos e uma inseparável sombrinha.

Origem

Foi no final do século XIX que surgiram os primeiros clubes carnavalescos e as primeiras bandas de músicas marciais em Pernambuco, com seus dobrados, marchas e polcas.

Perseguidos pela polícia, os capoeiristas adaptavam seus movimentos aos ritmos executados e carregavam como armas as madeiras, que sustentavam os símbolos dos grupos carnavalescos, ou guarda-chuvas, de onde vêm as sombrinhas coloridas que hoje são o símbolo do frevo e do carnaval Pernambucano.

Assim foi semeada a semente que foi cultivada até o nascimento do frevo, que teria ocorrido entre 1909 e 1911, segundo referências que encontrei, mas que teve os seus cem anos comemorados em 2007, havendo, portanto muitas controvérsias sobre a data.

Mas com cem anos ou não, foi em 2007 que o frevo foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial pelo IPHAN.

Fonte: http://capoeiradevenus.blogspot.com/2010/02/origem-do-frevo.html

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Lançamento do Livro Alma Sertaneja de Cobra Cordelista no Teatro Paulo Freire de Paulista


Foi uma festa muita bonita com a presença, inclusive no palco, de vários escritores e poetas Pernambucanos. O brincante Mateus apresentado pelo ator Del da cidade de Paulista abriu o espetáculo e encantou a platéia com seu talento, era a sua estréia no show de Cobra Cordelista e foi aprovadissímo.

Nos violões Vitor Aragão e Fauzer Zaidan, na Zabumba Felipe de Dora e na percussão Pereira.
A academia de escritores de Paulista se fez representar com todos os seus escritores e poetas e subiram no palco Alatir Leal, Amaro Poeta Lenemar Santos, Geraldo Valério, Morginho Pernambucano e Manoel Salustiano, filho do Mestre Salu, que agente posta amanhã ao lado de outros convidados!

Abraços e vejam as fotos!
Cobra Cordelista.



Integrante de guerrilha tentou montar base rural em Itapetim


Na zona rural de Itapetim, sertão pernambucano, permanece quase que intacto o sítio aonde um ex-dirigente do Movimento de Libertação Popular (Molipo) - posteriormente assassinado na Bahia pelas forças da repressão - sonhou instalar, no início dos anos 70, uma base rural para enfrentar a ditadura militar brasileira que por duas décadas comandou o País com mãos de ferro. Trata-se do Sítio Baixio, localizado a 02 quilômetros do centro de São Vicente, um distrito de Itapetim, município distante 430 km do Recife, a capital de Pernambuco.

Propriedade típica dos sertões nordestinos - ou seja, praticamente sem benfeitorias, apenas uma pequena casa de tijolo aparente e um barreiro para juntar a água da chuva-, o Sítio Baixio é de tamanho modesto (cerda de 10 hectares) e entre 1971 e 1974 pertenceu ao advogado baiano João Leonardo da Silva Rocha, um dos 15 presos políticos brasileiros libertados em troca do embaixador americano Charles Burke Elbrick, seqüestrado pela guerrilha de esquerda em 1969. Banido do Brasil, ao retornar, João Leonardo se instalou ali.

É claro que João Leonardo não chegou a São Vicente usando o seu nome verdadeiro. Ao adquirir o Sítio Baixio, ele se passava por José Lourenço da Silva, ou Zé Careca, apelido que ganhou da gente simples do lugar, pessoas como José Vital de Siqueira, o Zé de Vital, 63 anos, agricultor aposentado, que hoje lembra da vida no sítio do amigo: “Era um sítio igualzinho aos outros daqui. De vez em quando, ele chamava e nós ia caçar. Depois, ele ficava lá, cuidando de umas roçinhas bestas e ouvindo um rádio Siemens que ele tinha”.

Quando teve que sair de São Vicente por suspeitar que os militares tinham descoberto o seu projeto (Veja no texto seguinte, a resumida biografia de João Leonardo da Silva Rocha), Zé Careca deixou o Sítio Baixio aos cuidados da companheira sertaneja com quem viveu um grande amor e disse: “Se eu não voltar, faça o que quiser com tudo isso aqui que também é seu.” Como João Leonardo jamais voltaria, Virgínia Paes de Lima (a companheira hoje também falecida) cuidou do sítio até vendê-lo ao atual proprietário, Geneci José de Siqueira.

Embora preservado, atualmente o Sítio Baixio pouco produz: serve apenas para pequenos plantios de milho e feijão em épocas de chuva e funciona, também, como ponto de apoio para Geneci José de Siqueira (que não mora ali) encurralar seis vacas leiteiras. Além disso, tudo alilíticos de esquerda como ele e tantos outros.

A passagem de João Leonardo da Silva Rocha pelo distrito de São Vicente foi um tanto misteriosa - e não poderia ser diferente uma vez que ele viveu ali na clandestinidade. Assim, hoje pouco se sabe do que ele fez (ou pretendeu fazer) ali. Mas, muitos têm consciência de que o Zé Careca foi um importante personagem da recente história política brasileira. Tanto que o prefeito da cidade, Adelmo Moura, decidiu, no início de agosto, propor à Câmara Municipal mudar o nome da praça central de Itapetim para Pça. João Leonardo da Silva Rocha.

Também no início deste mês de agosto, o diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, jornalista e professor universitário Ivan Seixas, esteve em São Vicente colhendo subsídios para escrever a história do ex-militante do Molipo – movimento ao qual também pertenceu, entre outros, o ex-ministro José Dirceu. Com ex-militantes como Amparo Aaújo e outros, Ivan Seixas é autor de dossiês sobre vítimas da ditadura militar brasileiro de 1964.

João Leonardo da Silva Rocha (1939 – 1975)

João Leonardo da Silva Rocha era filho de Maria Nathália da Silva Rocha e Mário Rocha. Nasceu a 04 de agosto de 1939, na cidade de Salvador, Bahia. Perteceu à organização política denominada Movimento de Libertação Popular (Molipo), da qual foi dirigente, e seu nome integra hoje a lista de desaparecidos políticos brasileiro anexa à lei nº 9.140/95 que reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas no período de 02 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979.


Na foto, 13 dos 15 presos políticos libertados em troca do embaixador americano Charles Elbrick, que foi solto em 07/09/1969. João Leonardo é o primeiro abaixado, de branco, escondendo as algemas com o casaco.



João Leonardo fez o curso primário em Amargosa, Bahia, onde morava com seus pais. Estudou o primeiro ano do curso secundário no Colégio dos Irmãos Maristas, em Salvador, ingressando, a 29/02/1952, no Seminário Católico de Aracaju, onde permaneceu até 1957. Em 1959, aprovado em concurso público, tornou-se funcionário do Banco do Brasil em Alagoinhas (BA), cidade em que seus pais passaram a residir. Naquele mesmo ano começou ensinar Português e Latim no Colégio Santíssimo Sacramento e Escola Normal e Ginásio de Alagoinhas.

No início de 1962, João Leonardo da Silva Rocha muda-se para São Paulo, ainda como funcionário do Banco do Brasil, onde também passou a ensinar Latim e Português em colégios da região do ABC paulista. Era considerado excelente poeta e contista. Ingressou, logo depois, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da USP, época em que passou participar da militância política. Foi diretor da Casa do Estudante, localizada na Av. São João, que abrigava alunos de sua Faculdade. Vem de uma testemunha inesperada – o filósofo e articulista Olavo de Carvalho – o depoimento de que, nessa época da Casa do Estudante, João Leonardo realizou excelentes duetos musicais com Arno Pires, que foi morto em fevereiro de 1972 e também pertencia ao Molipo.

João Leonardo cursava o último ano de Direito e já integrava a ALN (Agrupamento Comunista de São Paulo) quando foi preso pelo DOPS, no final de janeiro de 1969, no fluxo de prisões de militantes da VPR que mantinham contato com a organização de Marighella. O mesmo Olavo de Carvalho já escreveu mencionando as brutais torturas a que foi submetido o seu amigo daquela época. Os órgãos de segurança acusavam João Leonardo de participar do Grupo Tático Armado dessa organização guerrilheira, tendo participado a 10/08/1968 do rumoroso assalto a um trem pagador na Ferrovia Santos/Jundiaí, bem como de outras operações armadas. Foi, inclusive, indiciado no inquérito policial que apurou a execução do oficial do Exército norte-americano Charles Chandler, a 12/10/1968, embora não seja apontado como participante direto do comando que realizou a ação.

Em setembro de 1969, com o seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, João Leonardo foi um dos 15 presos políticos libertados e enviados ao México, oficialmente banidos do País. Transferiu-se para Cuba e recebeu treinamento militar naquele País, onde se alinhou com o grupo dissidente da ALN que gerou o Molipo. Retornou ao Brasil em 1971, se estabelecendo numa pequena localidade rural de Pernambuco, São Vicente, que era Distrito de Itapetim, sertão do Pajeú, quase divisa com a Paraíba. Raspou totalmente a cabeça e era conhecido como Zé Careca. Tornou-se lavrador, tendo adquirido um pequeno sítio onde trabalhava. Gostava muito de caçar e era exímio atirador. Era muito querido na região e, como tinha habilidades artesanais, fazia brinquedos com que presenteava as crianças.

Foi um dos poucos sobreviventes entre os militantes que tentaram construir bases rurais do Molipo, entre 1971 e 1972, tanto no Oeste da Bahia quanto no Norte de Goiás, território atual do Tocantins. Quando pressentiu que podia ser identificado na região de São Vicente, mudou-se para o interior da Bahia, onde terminaria sendo localizado e morto em junho de 1975, ano em que o Molipo e ALN já não existiam mais e João Leonardo buscava sobreviver e trabalhar. Num choque com agentes policiais que, ainda hoje, é recoberto por densa camada de mistério e informações desencontradas, foi executado por agentes da Polícia Militar da Bahia em Palmas de Monte Alto, município entre Malhada e Guanambi, no Sertão Baiano, margem direita do Rio São Francisco, divisa entre Bahia e Minas.

Seu caso foi o último episódio a confirmar a existência de uma verdadeira sentença de pena de morte extra-judicial, decretada pelos órgãos de segurança para todos os banidos que retornassem ao Brasil com a intenção de retomar a luta contra a Regime. (Texto do livro “Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964”).

O Molipo

O Movimento de Libertação Popular (Molipo) foi um dos grupos que deflagraram a guerrilha urbana no Brasil entre 1968 e 1973. Surgiu em 1971 como uma dissidência da Ação Libertadora Nacional (ALN) que, por sua vez, teve origem no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e era comandada por Carlos Marighella, antigo dirigente do Partidão. Dissidência armada do PCB, a ALN surgiu em 1967.

O Molipo tinha contingente reduzido e, segundo o livro Brasil Nunca Mais, “foi extinto com a execução sumária ou sob torturas da maioria dos seus membros, entre os quais se destacaram líderes estudantis paulistas como Antônio Benetazzo, José Roberto Arantes de Almeida e Jeová Assis Gomes”. José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil do Governo Lula e ex-presidente do PT foi um dos seus integrantes.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Estudo para cordel: sertão de vaqueiros, berrantes e aboios


Por Rangel Alves da Costa*


Num sertão de mataria, de pega de boi e correria, o sertanejo quando acorda, olha o mundo e o que lhe aborda e mesmo que tudo esteja triste, pois o verde não mais existe, a seca inclemente persiste e a esperança quase desiste, ainda assim surge um alegrar, nos olhos vem um brilhar, chamando à luta pra vaqueirar.

São vaqueiros desse mundão, do destino no sertão, do café sem ter o pão, do problema sem solução, da promessa e decepção. Vaqueiros de tudo que há, desde a casinha de morar, no cercado de roçar, da vida além a lhe chamar para o rico vaqueirar. Vaqueiros de mulher e filhos, desse trem sem ter mais trilhos, da escuridão onde era brilho.

O que vejo nesse sertão chega parece ilusão, mas logo me vem na memória vaqueiros numa história, de ontem e de então. Tantos cordelistas vaqueiros, que nas terras do cordel foram os primeiros a cantar a solidão desse viver no sertão, por ter tudo e nada ter, a não ser a galhardia de aboiar noite e dia pra vida ter alegria.

Então vejo Leandro Gomes de Barros aboiando, João Firmino acompanhando, Melquíades Ferreira da Silva com o seu pavão pavoneando, João Camelo lhe desafiando, Cego Aderaldo violando, Otacílio Batista versejando, Zé da Luz apaixonado, soltando um aboio exaltado, chamando a compadria para ouvir seu novo verso, então se forma um universo de cordelistas em euforia.

Gonçalo Ferreira da Silva apressado vai chegando acompanhado de um Moreira de Acopiara exaltado. Cada um traz seu berrante, pelas costas um embornal, dizendo ter uma notícia que nunca se viu igual e espalham em todo canto tanto verso e tanto encanto que Rouxinol de Rinaré passa mal com tal espanto. E todos puderam ver, sem acreditar nem crer a nata do cordel com a chama a lhes acender.

E que nunca leu, ouviu falar ou se deu a cordel daquela altura, da mais alta literatura escrita com tanta invenção e bravura: "Sofrimentos de Alzira", “Juvenal e o dragão”, “A moça que bateu na mãe e virou cachorra”, "Antônio Silvino", “O cachorro dos mortos” "Zé Bico Doce”, "Os Cabras de Lampião", "Pavão Misterioso”, “História da princesa da Pedra Fina”, “Batalha de Oliveiros com Ferrabraz”, "Vaqueiro Damião", “A chegada de Lampião no inferno”, dentre muitos outros do cordel eterno.

Em muitos desses livretos, como versos em sonetos, o artista que é vaqueiro fala de outro companheiro, cabra mais que cabreiro, na sua arte o mais ligeiro, para mostrar que o vaqueiro da raça é o primeiro. Sertão sem vaqueiro existe não, é missa sem o sermão, é cantoria sem violão. E aquele que tange gado, pega boi desesbestado, corre em cavalo malvado, salta cerca e pula estrado, não faz só por profissão, pois além da precisão é catingueiro de coração.

O cordel canta o vaqueiro como a chama do isqueiro, dando toda importância ao sertanejo verdadeiro. Vaqueiro de pega-de-boi, de vaquejada, de estrada com a boiada, homem que corta invernada para o rebanho juntar, e vai chegar onde ele tá nem se quipá lhe furar. Vaqueiro com seu gibão, seu selim, seu alazão, seu embornal e seu chão, cara marcada pelo lanhão, necessitado de proteção na vaqueirama como missão.

Bicho conhece vaqueiro, basta ouvir o berrante e some no mato ligeiro. Treiteiro é da boiada o boiadeiro. Cada berro que ele dá não é só gado alertar, mas dizer a natureza que ela tenha a gentileza de deixar ele passar, não ponha toco no meio, deixe o cipó mais alheio e tire tudo que for feio para o cavalo passar, pois a pata que corta chão necessita do clarão da mata para avançar.

Vaqueiro que sai cedinho, fala com o sertão de mansinho, e depois de fazer carinho à natureza ao redor vai pro mundo e não vai só, pois leva o de melhor que é a esperança de voltar, por isso faz seu rezar para à noitinha avistar a filharada a lhe abraçar. E quando chega feliz, salvo que foi por um triz, vai tomar uma golada de pinga com raiz misturada, que é pro sangue acalmar, pra o vaqueiro relaxar e começar a aboiar.
E no descampado sertanejo, surgido como um lampejo ecoa um som pelo ar, primeiro vem o berrante depois o vaqueiro a aboiar. O aboio é canto triste, magoado por demais, cantado dolemetente, o vento lembrança traz, de amor e de boiada, de tudo que satisfaz.

No aboio de Seu Leonel: “Vaqueiro que é vaqueiro/ Amansa o gado e quer bem/ Todo dia vai ao campo/ E conta a boiada que tem/ Quem não gostar de vaqueiro/ Não gosta de mais ninguém/ Oh! Festa de gado! Êh, boi!”.

No aboio de Zé Preto:

“Brinco com touro valente/ Lembrando de tu menina/ Qualquer coisa de amor/ Que tu subé, tu me ensina/ Eu morro por ter respeito/ Outra coisa eu não aceito/ Que teus olho me domina/ Êi, boi!”.
No aboio que o cordelista Zé da Luz escreveu: “Minha fama de vaquêro/ Fez inveja a cantado/ Aos mais grande violêro!/ Pois se êles tinha as viola/ E trazía nas cachóla,/ O dom da impruvisação/ Eu dibáxo dêsses couro/ Tinha um violão sanôro/ Parpitando de emoção!/ O violão do meu peito/ Nas corda do coração!/Quando meu peito aboiava/ A naturêza iscutáva/ Num ato de cuntrição!”.

Ou ainda no aboio cantado por Luiz Gonzaga em homenagem ao grande vaqueiro Raimundo Jacó:

“Numa tarde bem tristonha/ Gado muge sem parar/ Lamentando seu vaqueiro/ Que não vem mais aboiar/ Não vem mais aboiar/ Tão dolente a cantar/ Tengo, lengo, tengo, lengo,/ tengo, lengo, tengo/ Ei, gado, oi/ Bom vaqueiro nordestino/ Morre sem deixar tostão/ O seu nome é esquecido/ Nas quebradas do sertão/ Nunca mais ouvirão/ Seu cantar, meu irmão/ Tengo, lengo, tengo, lengo,/ tengo, lengo, tengo/ Ei, gado, oi/ Sacudido numa cova/ Desprezado do Senhor/ Só lembrado do cachorro/ Que inda chora/ Sua dor/ É demais tanta dor/ A chorar com amor/ Tengo, lengo, tengo, lengo.../ Ei, gado, oi!”


Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dialetos do Brasil




Saiba como surgiram as diferenças regionais do português brasileiro:

1) Tupi importado: A Amazônia fala de um modo bem diferente do vizinho Nordeste. A razão para isso é que lá quase não houve escravidão de africanos. Predominou a influência do tupi, língua que não era falada pelos índios da região, mas foi importada por jesuítas no processo de evangelização.

2) Minha tchia: O litoral nordestino recebeu muitos escravos negros, enquanto o interior encheu-se de índios expulsos da costa pelos portugueses. Isso explica algumas diferenças dialetais. No Recôncavo Baiano, o "t" às vezes é pronunciado como se fosse "tch". É o caso de "tia", que soa como "tchia". Ou de "muito", freqüentemente pronunciado "mutcho'". No interior, predomina o "t" seco, dito com a língua atrás dos dentes.

3) Maternidade: A exploração do ouro levou gente do Brasil todo para Minas no século XVIII. Como toda a mão-de-obra se ocupava da mineração, foi necessário criar rotas de comércio para importar comida. Uma delas ligava a zona do minério com o atual Rio Grande do Sul, onde se criavam mulas, via São Paulo. As mulas, que não se reproduzem, eram constantemente importadas para escoar ouro e trazer alimentos. Também espalharam a língua brasileira pelo centro-sul.

4) Chiado europeu: Quando a família real portuguesa mudou-se para o Rio, em 1808, fugindo de Napoleão, trouxe 16.000 lusitanos. A cidade tinha 50 mil habitantes. Essa gente toda mudou o jeito de falar carioca. Data daí o chiado no "s", como em "festa", que fica parecendo "feishta". Os portugueses também chiam no "s".

5) Tu e você: Os tropeiros paulistas entraram no Sul no século XVIII pelo interior, passando por Curitiba. O litoral sulista foi ocupado pelo governo português na mesma época com a transferência de imigrantes das Ilhas Açores. A isso se deve a formação de dois dialetos. Na costa, fala-se "tu", como é comum até hoje em Portugal. No interior de Santa Catarina, adota-se o "você", provavelmente espalhado pelos paulistas.

6) Porrrrta: Até o século passado, a cidade de São Paulo falava o dialeto caipira, característico da região de Piracicaba. A principal marca desse sotaque é o "r" muito puxado. A chegada dos migrantes, que vieram com a industrialização, diluiu esse dialeto e criou um novo sotaque paulistano, fruto da combinação de influências estrangeiras e de outras regiões brasileiras.

Dialeto: variedade regional ou social de uma língua; linguajar ( Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa - Folha/Aurélio, 1994/1995, p. 220).

Na "Nova Gramática do Português Contemporâneo" (Celso Cunha e Lindley Cintra), Antenor Nascentes distingue dois grupos de dialetos brasileiros - o do Norte e o do Sul - ocorrendo subdivisões:
a) Dialetos do Norte: o amazônico e o nordestino;
b) Dialetos do Sul: o baiano, o fluminense, o mineiro e o sulista.

Fonte: Super Interessante

sábado, 22 de janeiro de 2011

Os repentistas de Portugal




Desgarrada Portuguesa”. A Desgarrada é um estilo cultural praticado pelos amigos patrícios bem parecido com os moldes do Repente que é praticado no nordeste. Vamos entender um pouco as origens dessa manisfestação lusitana.

Os repentistas e as desgarradas, tiveram origem nos trovadores da corte, quando as suas obras começaram a ser absorvidas pelo povo. Nasceu, então, uma classe de trovadores populares que viviam animando festas e romarias com os seus cantares. Davam-lhe um mote e ele compunha, de improviso, quadras quase sempre brejeiras ou com crítica social. Inicialmente, era só um elemento mas a necessidade de encontrar conteúdos, fez com que, em breve, andassem aos pares. Assim, um podia dar ao outro o mote para a próxima quadra.

Daí nasceu a designação de "Desgarrada" ( por ser imprevisível ) e de "cantigas-ao-desafio" ( por ser uma luta de palavras). Com o passar do tempo, esses repentistas também se modernizaram e hoje não se fazem acompanhar só de viola. Se pitou curiosidade de saber como feito o repente em Portugal é só conferir.

Convite à Desfolhada
(Domínio Popular)

Há dias fui convidado
Para ir a uma desfolhada
Para cantar e dançar
Pôr toda agente animada

Eu, também, fui convidado
Para ir desfolhar as espigas
Muito bem acompanhado) repete
Por bonitas raparigas

Foste convidado, sim,
Disso eu sou testemunha
Lá só havia homens
Mulheres não vi nenhuma

Meu Deus, que grande mentira!
Não sei porque és assim
Estava tudo zangado
Por elas só me quererem a mim

Só por seres mentiroso
Quem mente tem pouca sorte
As mulheres na desfolhada
Eram todas de saiote

Eu até me matava
Ai, se fosse como tu
Eu a desfolhar as espigas
E tu a metê-las no cesto

Estavas bem acompanhado
Mas que rico par, tão belo
De tanto escumares a espiga)repete
Ainda estás amarelo

Da espiga nasce o milho
Do milho se faz farinha
Não queiras experimentar
Uma espiga como a minha

Acabou a desfolhada
Depois de muito cansaço
Terminou a desgarrada
Quero te dar um abraço.
Eu, também, lhe mando.

Quero ouvir? Então click aqui

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O NOSSO NELSÃO TRIUNFO EM AÇÃO



Parte integrante do Circuito Brasileiro de Festivais Internacionais de Dança, evento realizado pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria e Fundação de Cultura, traz atrações nacionais e internacionais. O encontro tornou-se um espaço de diálogo sobre criação, exibição, difusão e organização na área da dança, através da realização de cursos e lançamentos de livros.

O Festival - que tem patrocínio da Petrobrás desde 2007 - já se consolidou como uma das amostras de dança mais importantes do Brasil, e este ano traz nomes de destaque como Antonio Nóbrega; Trisha Brown: Grupo Grial; Yann Marussich e ainda Carolyn Carlson - companhia de dança americana radicada na França.

A programação se espalhará por seis teatros da cidade: Teatro Santa Isabel, Teatro Apolo, Teatro Hermilo, Teatro Marco Camarotti, Teatro Barreto Jr e Teatro do Parque. Como é de praxe, os espaços externos também serão contemplados com shows: Pátio São Pedro, Rua da Moeda, Praça Tertuliano Feitosa no Hipódromo e Mercado Eufrásio Barbosa em Olinda, além da Livraia Cultura e do MAMAM. É aí que acontecem os grandes shows de hip hop com Nelson Triunfo.

Lembramos aos nossos estimados leitores e conterrâneos interioranos dos mais diversos municípios e regiões do Estado que estejam nesta sexta-feira 15, na Capital e Região Metropolitana, a aguardada apresentação do triunfense com renome nacional na modalidade "hip hop", NELSON TRIUNFO como uma das atrações homenageadas neste 15º Festival Internacional de Dança do Recife, a partir das 20 h.
No próximo 30.10, sábado, o destacado artista pernambucano que despontou em São Paulo e lá se encontra radicado faz anos, NELSÃO, cantor, compositor, músico e dançarino, estará se apresentando, desta vez com a sua banda, às 21 h, na Rua da Moeda, Recife Antigo, a pedido da imensa galera que admira a sua performace, curte o seu som energético e reverencia a sua irreverência, além de preservar a originalidade do movimento negro.

NELSON TRIUNFO, possui uma vasta trajetória de experiência internacional, incluse com cinco encontros com o lendário vocalista James Brown, a primeira delas em 1978, sempre com o Mr. Dinamite lhe apelidando de "Sheriff".

Esse sertanejo é um sucesso! Compareçam! Prestigiem!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cobra Cordelista na Manjedora da cantoria de Viola


Meu amigo Naldo, gerente da pousada do falecido Crispim em frente ao posto me mostrando a região com muito conhecimento. Visitamos também o pico do Jabre em Matureia o ponto mais alto da Paraíba com 888 metros. Magali me contando a história do Teixeira com detalhes e aí conheci Tadeu do Jornal da Serra que infelizmente esqueci de fotografá-lo de perfil.


Nosso blog vai mostrando as belezas do Teixeira, sua história e sua gente.


Cobra Cordelista.













Parte II e III do voce sabia




II - O QUE SEMPRE NOS PERGUNTAM:

As Sete Maravilhas do Mundo Antigo:

1 - A Pirâmide de Queops
2 - Os Jardins Suspensos da Babilônia
3 - O Mausoléu de Helicarnasso (também conhecido como O Túmulo de Mausolo em Éfeso)
4 - A Estátua de Zeus, de Fídias
5 - O Templo de Artemisa (ou Diana)
6 - O Colosso de Rodes
7 - O Farol de Alexandria

III - VOCÊ SABIA...?!

1 - Durante a Guerra de Secessão (separação), quando as tropas voltavam para o quartel após uma batalha sem nenhuma baixa, escreviam numa placa imensa: "O Killed" (zero mortos). Daí surgiu a expressão O.K. Para indicar que tudo está bem.

2 - Nos conventos, durante a leitura das Escrituras Sagradas, ao se referir a São José, diziam sempre "Pater Putativus", (ou seja: "Pai Adotivo") abreviando em "P.P ". Assim surgiu a idéia, nos países de colonização espanhola, de chamar os Josés de " Pépe".

3 - Cada rei no baralho representa um grande Rei/Imperador da história:
Espadas: Rei David (Israel)
Paus: Alexandre Magno (Grécia/Macedônia)
Copas: Carlos Magno (França)
Ouros: Júlio César (Roma)

4 - No Novo Testamento, no livro de São Mateus, está escrito "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus"... O problema é que São Jerônimo, o tradutor do texto, interpretou a palavra " kamelos" como camelo, quando na verdade, em grego, " kamelos " são as cordas grossas com que se amarram os barcos. A idéia da frase permanece a mesma, mas qual parece mais coerente?

5 - Quando os conquistadores ingleses chegaram à Austrália, assustaram-se ao ver uns estranhos animais que davam saltos incríveis. Imediatamente chamaram um nativo (os aborígenes australianos eram extremamente pacíficos) e perguntaram qual o nome do bicho. O índio sempre repetia "Kan Ghu Ru" , e portanto o adaptaram ao inglês, "kangaroo" (canguru). Depois, os lingüistas determinaram o significado, que era muito claro: os indígenas queriam dizer: "Não te entendo"

6 - A parte do México conhecida como Yucatán vem da época da conquista, quando um espanhol perguntou a um indígena como eles chamavam esse lugar, e o índio respondeu "Yucatán". Mas o espanhol não sabia que ele estava informando "Não sou daqui".

7 - Existe uma rua no Rio de Janeiro, no bairro de São Cristovão, chamada "PEDRO IVO ". Quando um grupo de estudantes foi tentar descobrir quem foi esse tal de Pedro Ivo, descobriram que na verdade a rua homenageava D. Pedro I, que quando foi rei de Portugal, foi aclamado como "Pedro IV" (quarto). Pois bem, algum funcionário da prefeitura, ao pensar que o nome da rua foi grafado errado, colocou um "O" no final do nome. O erro permanece até hoje.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Poeta Cobra Cordelista na Terra de Zé Limeira e de Romano do Teixeira, onde nasce a cantoria de Viola

Nas fotos o museu da cidade, contando cento e cinquenta anos de história, tudo sob a orientação de Magali Dantas que conta com carinho e com muito conhecimento a história do Teixeira, conhecendo com detalhe cada um de seus personagens. Sendo Teixeira na Paraíba, uma cidade ordeira de um povo de muita devoção. A igreja é muito linda e bem cuidada e muito bem frequentada pelos fies praticantes do cristianismo.

Na viagem minha mulher a Nete, Eduardo meu filho, meu sobrinho Den, Laiara Dantas, uma linda Sertaneja de 15 anos nos mostrava sa belezas do Sertão, ao lado de uma amiga sua de Maceió que não lembro agora o nome, mas lembro de sua generosa atenção conosco.

Cobra Cordelista.

Vejam as fotos logo a baixo:











Cordel Publicados Por Cobra Cordelista

Atendendo a Kidelmir de Mossoró do Rio Grande do Norte venho nomear alguns Títulos em Cordel Publicados Por Cobra Cordelista que estão a disposição para venda por apenas R$ 2,00 mais despesas postais




Nequim e as armadilhas do amor /editora Coqueiro

Eleição no Reino do Faz de Conta/Editora Coqueiro

O poeta e a lagoa que chora/Editora Coqueiro

Pontal de Serrambi/Editora Coqueiro

Dom Helder O Dom da Paz/ Editora Coqueiro

Padre Ramiro o Pacificador/Editora Coqueiro

Ribeirão a princesa dos canaviais/Editora Coqueiro

Cabo de Santo Agostinho sua História e Tradição/Editora Coqueiro

Jaboatão dos Guararapes de ontem e de Hoje/Editora Coqueiro

Filho agente não enjeita /Editora Coqueiro

Quase Perdida/Editora Coqueiro

As aventuras de Zé e Crisbela no Centenário do Frevo do Recife /Editora Coqueiro

Nordeste Caboclo/Editora Coqueiro

afrodescendencia/Editora Coqueiro

O povo quer ninguém segura/Editora Coqueiro

O sabiá e o Gavião /Editora Coqueiro

A Eleição de Maneco/Editora Coqueiro

A Revolta das Aves/Editora Coqueiro


Para adquirir entre em contato com o autor:

Você sabia I




Os Sete Pecados Capitais:

Gula, Avareza, Soberba, Luxúria, Preguiça, Ira e Inveja.

Os Dez Mandamentos:

1º - Amar a Deus sobre todas as coisas
2º - Não tomar o Seu Santo Nome em vão
3º - Guardar domingos e dias de festa
4º - Honrar pai e mãe
5º - Não matar
6º - Não pecar contra a castidade
7º - Não furtar
8º - Não levantar falso testemunho
9º - Não desejar a mulher do próximo e
10º - Não cobiçar as coisas alheias.

Os Três Reis Magos:

1 - O árabe Baltazar: Trazia incenso, significando a Divindade do Menino Jesus.
2 - O indiano Belchior: Trazia ouro, significando a Sua Realeza.
3 - O etíope Gaspar: Trazia mirra, significando a Sua Humanidade.

Os Doze Apóstolos:

1 - Simão Pedro
2 - Tiago (o maior)
3 - João
4 - Filipe
5 - Bartolomeu
6 - Mateus
7 - Tiago (o menor)
8 - Simão
9 - Judas Tadeu
10 - Judas Iscariotes
11 - André
12 - Tomé

Após a traição de Judas Iscariotes, os outros onze apóstolos elegeram Matias para ocupar o seu lugar.

Os Doze Profetas do Antigo Testamento:

1 - Isaías
2 - Jeremias
3 - Jonas
4 - Naum
5 - Baruque
6 - Ezequiel
7 - Daniel
8 - Oséias
9 - Joel
10 - Abdias
11 - Habacuque
12 - Amós

Os Sete Sábios da Grécia Antiga:

1 - Sólon
2 - Pítaco
3 - Quílon
4 - Tales de Mileto
5 - Cleóbulo
6 - Bias
7 - Períandro

As Musas da Mitologia Grega:
(a quem se atribuía a inspiração das ciências e das artes)

1 - Urânia (astronomia)
2 - Tália (comédia)
3 - Calíope (eloqüência e epopéia)
4 - Polímnia (retórica)
5 - Euterpe (música e poesia lírica)
6 - Clio (história)
7 - Érato (poesia de amor)
8 - Terpsícore (dança)
9 - Melpômene (tragédia)

As Sete Cores do Arco-íris:

Vermelho, Laranja, Amarelo, Verde, Azul, Anil e Violeta.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Agora Sim começou o ano, e eu estou Renovado! A cobra agora trocou a pele!



Já estava sentindo falta do cheirinho do Sertão, do abraço, do aperto de mão, e da paisagem. Chamei minha mulher, meu filho e um sobrinho, botei água no motor do possante e fomos cortar a Serra do Teixeira na Paraíba. Fui conhecer uma paixão antiga, que já namorava de longe, sem que eles soubessem. Também colocar na mente destas crianças os valores culturais, pois uma viagem assim, eles jamais esquecem, e isto os torna, cidadãos comprometidos com a história. Pois não se compara uma viagem as nossas raízes com um passeio no Shopping, ou mesmo á Disneylandia. Passei em Taperoá, a terra de Ariano Suassuna, emocionado, pois tudo que lembra Ariano me emociona, pois ele tem cheiro de Mato e de Sertão. Quanto mais nós subíamos as Serras, já sentíamos o Cheirinho de Teixeira na Paraíba, e quando entrei na cidade meio atabalhoado, entre admiração e espanto, pelo mito do Poeta Zé Limeira, pela terra do Surgimento da cantoria de viola, fui levado pelas mãos de Deus a pedir informações justamente a família dos Dantas, e aí a acolhida foi Genial. Magali, Geovani e toda a família Dantas nos deixaram muito á vontade e sentados ao luar do sertão, agente conversou sobre no mínimo cem anos de História.
Parou aí nada eu conheci o Naldo, que comanda na hospedaria do Falecido Crispim, em frente ao posto de gasolina, matuto bom de prosa qui nem eu, que já no outro dia, o domingo me levou ao pico do Jabre, que tem 888 metros e é o ponto mais alto da Paraíba. Na volta Naldo nos levou a Matureia, onde nos levou em sua casa e o velho Bonfim seu pai, enquanto agente chupava umas mangas, me contou que conheceu Zé limeira, um negro muito alto, analfabeto que era bom cantador de viola. O velho Bonfim é casado com Dora há sete anos que ficou viúva três vezes, e agora eu começo a desconfiar que mulher da Paraíba é quente , pois milha mãe casou três vezes também, porém eu disse a Dora , que no quarto marido minha mãe morreu primeiro!

Lainara Dantas, uma jovem de 15 anos, uma Sertanejinha muito bela e educada, nos levou para uma pedra belíssima com uma vista excelente para as Serras, e para a cidade de Patos onde tiramos fotos belíssimas que logo serão postadas. Enfim Teixeira é uma cidade maravilhosa, digna de sua fama no Brasil inteiro, e cada Teixeirense é um tesouro da nossa Pátria.

No museu Magali me contou um pouco desta história, fotografias, brasões das famílias e então me apresentaram Thadeu do jornal da Serra, um cara que tem a cultura no sangue e que quando fala sobre ela valoriza cada item, e de cada símbolo conhece o seu significado. Logo agente se tornou parceiro como se fosse de tempos antigos e inauguramos um projeto cultura que vai dar o que falar.

Desci a Serra do Teixeira e fui até o meu pezinho de terra mais querido “Itapetim” lá fui beber a minha garapa “água com açúcar” e já ganhei de cara um belo presente, estava sendo realizado a missa do vaqueiro da cidade com uma missa campal belíssima e muitos vaqueiro, e que caso sinta curiosidade de ver mais é só clicar www.Itapetim.net.

Voltei feliz e realizado mais culto, mais conhecedor das coisas do Sertão, mais renovado de couro novo , uma cobra mais esperta e pronta para um 2011, melhor para todos nós !

Bom dia !

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Estudo para cordel: quando o sertão virou mar



Por Rangel Alves da Costa

Se engana, se engana seu moço, quem disser que trova é cordel, pois trova é mais pra repentista, cordel é pra menestrel. Poetas que estão na terra, poetas que estão no céu, imortais no seu barbante, por isso tiro o chapéu.

A trova é improvisada, rimando numa pisada, juntando o último verso com o que vem na estrada e se o trovador for fraco a história vira nada. Com o cordel é diferente, pois nada é de repente e tudo nasce completo, como a soleira e o batente.

Quando você for na feira, lá pras bandas do mercado, basta olhar de lado e ver o barbante esticado, preso em pegador o cordel tá estirado. Por perto tem um senhor, velho ou novo como for, mostrando o que escreveu, chamando pra ler quem não leu a história que então se deu.

Pode comprar é barato, não é brincadeira é fato, sobre o sertão há relato de tudo que aconteceu, da jibóia que cantava, do monte que estremeceu, da tarde que madrugava, da lua que se escondeu, do milagre da ceguinha e do morto que viveu.

Convide pra sua casa cordelistas de renome, encha sua estante de nome e sobrenome, gente como Cuíca de Santo Amaro, Silvino Pirauá, Leandro Gomes de Barros, Manoel D’Ameida Filho, Klevisson Viana, Chagas Batista, João Martins de Athayde, José Pacheco, José Camelo, Apolônio Alves, Francisco Sales Arêda, Arievaldo Viana, Rouxinol do Rinaré, sem esquecer dos outros, que no cordel fazem fé. E Patativa, aquele do Assaré?

Pois é, mas acabou a prosa pro café, agora é matutar sobre um assunto que há, sobre uma história dizendo que sertão vai virar mar. É coisa pra duvidar, mas um porém fui achar dizendo que a profecia aconteceu no dia-a-dia, bastando ver a agonia desse povo a lamentar que o sertão virou mar, mas um mar de coisa ruim, de tudo que podre há.

Quando o beato tristonho, disse num lamento medonho que o sertão vai virar mar e o mar virar sertão, não tava errado não, pois toda sua profecia é comprovada na razão. Mas na interpretação o homem desse sertão, mesmo acostumado com o chão, não entendeu a lição e deu outra conotação, achando que no falar está o beato a expressar que o seco vai alagar e o cheio vai secar.

O que o beato disse, e isso não é crendice, é que o sertão vai mudar. E mudou tanto e vai mudar que basta o cabra olhar o seu redor como está, tudo muito esquisito, nada mais se vê bonito, até o povo bendito está mais para pecar. Respeito não tem mais não, irmão desconhece irmão, família é pura ilusão nessa terra que hoje enterra toda a história do sertão.

E se o cabra olhar não dá para acreditar como esse sertão virou mar, mar de lama, da pior fama, de mulher de cama em cama e do marido a dizer que a mulher ainda ama. Mar de água imunda, onde o que mais abunda é a droga em cada esquina e a juventude vagabunda. Mar de água impura, com roubo por todo lado, envolvendo uma mistura de político e prefeitura.

E o sertão virou mar, não pela lição do beato, mas pelo que lá está no seu mais triste retrato. É um mar de esquecimento que a honra é o cimento e do homem o seu sustento. Mar que não molha mais, não molha a vida e nem a paz, não traz esperança, nada ele traz. Mar de causar temor, pois cada dia é o pavor que a violência seja da terra o seu motor, sem mais sossego, só o terror.

Sertão virou mar e mar de mentira, onde a verdade não mais se admira, ninguém mais crê nem no caipira, misturado que está com quem contra si conspira. E a onda que veio, levou tudo da frente, levou tudo do meio, destruindo tudo, sem o menor receio, que não reste ali nem mais o esteio. Parece o fim dos tempos naquele mundão sem fim, nascido para ser bom, destruído como ruim, sem que o próprio sertanejo se ajude um tiquinho assim.

O beato tem razão, do jeito que a coisa vai não há outra solução, o mar vira tsunami e arrasa com o sertão.

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Novo livro de Cobra Cordelista



Alma Sertaneja é o novo livro do poeta, contador de causos e escritor Cobra Cordelista, para adquirir seu novo trabalho, basta entrar em contato com o mesmo pelo e-mail: cobracordelista@hotmail.com o livro custa R$20,0 (vinte Reais) + despesas postais, para saber mais entre em contato com o autor por seu e-mail.

ASCENÇO CARNEIRO GONÇALVES FERREIRA


Imortalizado como Ascenço Ferreira, o mais renomado poeta pernambucano - foi grande, não só em estatura física, com quase dois metros, mas também em sua prosa.
Falava a língua do povo, numa cadência exuberante e apaixonada, contando as histórias dos nosssos engenhos, dos canaviais, da vida quotidiana e dos anseios do seu povo.

Com o seu famoso chapéu de palha, espalhava pelo Recife a fumaça dos seus charutões, estremecendo as pontes e os prédios com a sua voz profunda e convincente. Declamava pelas ruas do Recife os seus versos, a quem quizesse ouví-los, e entre o povo firmou sua fama e sua glória. Não era homem de palácios nem gabinetes, porque sua essência era o povo.

Tive a honra de conhecê-lo pessoalmente, e de tomar-lhe a benção, apesar de temeroso da sua imponente figura. Nosso primeiro encontro foi por volta de 1955, quando eu eu tinha apenas 10 anos e minha mãe -- Graziella Marroquim do Nascimento -- me levou para visitar Maria Stella, na sua casa em Campo Grande, Recife. Ascenço e Maria Stella haviam sido muito amigos de Adalberto Afonso de Almeida Marroquim, irmão da minha avó materna, Adalgisa Amanda de Almeida Marroquim - ambos naturais de Campos Frios, Água Preta e filhos de Francisco Corrêa de Almeida Marroquim e Sebastiana Maria da Conceição Areda.

Na época não sabia, mas ele já era separado de Maria Stella de Barros Griz, sobrinha de minha avó paterna, Francisca Gouveia de Barros. Foram amigos por toda a vida, apesar da separação. A casa de Maria Stella era quase vizinha à de seu irmão, também poeta, Jayme de Barros Griz (foto ao lado) - outro vulto do "ciclo da cana de açucar" - poeta dos engenhos e dos canaviais e dono do engenho Liberdade, em Palmares.

Anos mais tarde - já na adolescência - é que eu o conheceria mais profundamente, mas através de sua obra. Estimulado pelo saudoso Irmão Cláudio (Marista, também poeta e grande amigo de Ascenço e de Jayme Griz), declamei seus poemas, mergulhando meu ser na exuberância dos engenhos, no cheiro da cana moída e no verde plenipotente dos canaviais. Com ele aprendi o rítmo e a simplicidade da narração poética e a ele devo o amor que tenho à poesia, à minha terra e às minhas raìzes.

Relembro outros encontros casuais no início da década de 1960, na lanchonete Savoy, da Avenida Gurararapes e no restaurante Leite, em frente ao cinema Moderno, pontos habituais dele e de meu pai, Carlos de Barros Carvalho (foto ao lado).

Além de serem primos, por via do casamento de Ascenço com Maria Stella de Barros Griz -- prima de meu pai, foram amigos de infância, juntamente com os oito outros irmãos Barros Carvalho. Gostavam de um chopinho bem gelado, uma boa aguardente e os pratos fastidiosos do cardápio pernambucano - rabada, sarapatel, cozido, e carne de sol - tudo com farinha de mandioca - como ilustra Semira Adler Vainsencher, pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco:

"Ascenço tinha quase 2m de altura, usava um chapéu de palha na cabeça, adorava comer e fumava sempre um grande charuto. Um de seus amigos lembrava que, certa tarde, depois de tomar banho no rio Passarinho, o guloso poeta almoçou três pratos fundos de sarapatel, com farinha de mandioca e pimenta malagueta, bebeu um litro de aguardente com mel de abelha, e, de sobremesa, ainda comeu a metade de uma jaca mole. Quando chegara em casa, à noite, disse à esposa que estava sem fome e, por isso, se contentava com um prato de pirão de leite e um pedaço de carne de sol".

A amizade de Ascenço com o meu tio Antônio de Barros Carvalho era mais intelectual e política, mas sempre incluindo os nossos pratos tradicionais. Em 1917 ele dois e outros intelectuais fundaram a sociedade HORA LITERÁRIA DE PALMARES. Gerardo Mello Mourão, no seu livro "Um Senador de Pernambuco - Breve Memória de Antônio de Barros Carvalho" - 1999, Topbooks Editora, Rio de Janeiro - páginas 97 e 98 -- conta que Antônio foi um dos que introduziram Ascenço no âmbito sociai e político de Pernambuco e do Brasil - assim conta o autor, referindo-se ao primeiro encontro do então deputado Barros Carvalho com Getúlio Vargas:


"...Getúlio tornou logo informal e cordial o encontro. Sua primeira e surpreendente pergunta foi: "O senhor, que é pernambucano, conhece pessoalmente o poeta Ascenço Ferreira"? "É meu parente, -- informou Barros -- casado com minha prima, a bela Stela Griz". "Pois traga-o aqui, que gosto muito de vê-lo". E passou a recitar de cor o famoso poema de Ascenço sobre as bravatas do gaúcho, que terminava com o verso: "Pra quê? -- Pra nada". Tres ou quatro vezes Barros levou o gigantesco Ascenço ao presidente, que sempre lhe pedia para recitar o poema do gaúcho. O poeta o repetia em sua voz ondulada e em seu cultivado sotaque nordestino, e Getúlio dava sempre uma gargalhada no final". E continua o autor:.



"O poeta Ascenço Ferreira, filho da professora dona Marocas, era companhia permanente de Barros, desde os dias da infância em Palmares. Pouca gente sabe que o nome de registro de Ascenço era Aníbal Torres. Mas foi Ascenço que ele se chamou, desde menino, quando trabalhava como balconista na loja palmarense de seu padrinho Joaquim Ribeiro.

Esta amizade se tornaria íntima e familiar, depois que Barros o apresentou a sua prima Stela Griz, Maria Stela de Barros Griz, filha do poeta Fernando Griz, com quem se casou. Foi ainda Barros que introduziu o poeta de Cana caiana em alguns dos melhores círculos do Recife, levando-a a amigos como seu tio, deputado Gouveia de Barros, Luís da Câmara Cascudo, Manoel Bandeira e Gilberto Freyre. Este último o faria participar do Congresso Afro-Brasileiro, realizado no Recife em 1934.

Depois da edição de Cana caiana, de 1939, custeada por Edgard Teixeira Leite, Ascenço teve suas belas edições lançadas por José Olympio, no Rio, por interferência de Barros, com muitas páginas ilustradas por sua irmã, Lúcia de Barros Carvalho, ou Lúcia Nóbrega, que tomou o nome artístico de "Suané".

Alguns poemas de Ascenço registram a aproximação que tinha à família Barros Carvalho. Um deles,intitulado "Tradição", foi baseado em história contada a Ascenço pelo Padre Nelson de Barros Carvalho, referindo-se ao meu avô, o coronel Carvalhinho (José de Carvalho e Albuquerque, casado com D. Francisquinha (Francisca Gouveia de Barros) -- foto abaixo, tia materna de Maria Stella de Barros Griz:
Foto: Francisquinha e Carvalhinho - Bodas de Diamante


"Tradição"
Ascenço Ferreira

"Terraço da Casa-Grande de manhãzinha
fartura espetaculosa dos coronéis:
-- Ô Zé-estribeiro! Zé -- estribeiro!
-- Inhôôr!
-- Quantos litros de leite deu a vaca Cumbuca?
-- 25 seu Curuné!
-- E a vaca Malhada?
-- 27 seu Curuné!
-- E a vaca Pedrês?
-- 35 seu Curuné!
-- Sóo? Diabo! os meninos hoje não tem o qui mamar!"