sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mitos sobre a Mandioca


Macaxeira, aipim, aipi, castelinha, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, pão-de-pobre, aiapuã, caiabana ou caarina. Não interessa como ela é conhecida, o importante é que no nordeste ela reina em pratos como tapioca, bobó, bolinhos, farofa, paçocas, pão-de-queijo, pirão, queijadinha, vaca atolada e outros. Mas você sabia que também existem mitos sobre essa poderosa raiz?

O folclorista Câmara Cascudo regista alguns:

A índia Mani
Nasceu uma indiazinha linda e a mãe e o pai tupis espantaram-se:
- Como é branquinha esta criança!
Chamaram-na de Mani. Comia pouco e pouco bebia. Mani parecia esconder um mistério. Uma bela manhã, Mani não se levantou da rede. O Pajé deu ervas e bebidas à menina. Mani sorria, muito doente, mas sem dores. E sorrindo Mani morreu. Os pais enterraram-na dentro da própria oca e regaram a sua cova com água, como era costume dos índios tupis, mas também com muitas lágrimas de saudade.

Um dia, perceberam que do túmulo de Mani rompia uma plantinha verde e viçosa. A plantinha desconhecida crescia depressa. Poucas luas se passaram e ela estava alta, com um caule forte que até fazia a terra rachar ao redor.
- Vamos cavar? - comentou a mãe de Mani.
Cavaram um pouco e, à flor da terra, viram umas raízes grossas e morenas, quase da cor dos curumins, nome que dão aos indiozinhos. Mas, sob a casquinha marrom, lá estava a polpa branquinha, quase da cor de Mani.
- Vamos chamá-la de Mani-oca. - resolveram os índios.
Transformaram a planta em alimento. A lenda de Mani foi registrada em 1876, por Couto de Magalhães. Câmara Cascudo acrescenta que o nome mandioca advém de Mani + oca, significando casa de Mani.

Zatiamare e Kôkôtêrô
Entre os parecis, povo de Mato Grosso a história é a seguinte: Zatiamare e sua esposa Kôkôtêrô tiveram um par de filhos - o menino Zôkôôiê e uma menina, Atiolô - que era desprezada pelo pai, que a ela nunca falava senão por assobios. Amargurada pelo desprezo paterno, a menina pediu à mãe que a enterrasse viva; esta resistiu ao estranho apelo, mas ao fim de certo tempo, atendeu-a: a menina foi enterrada no cerrado, onde o calor a desagradou, e depois no campo, também lugar que a incomodara.

Finalmente, foi enterrada na mata onde foi do seu agrado; recomendou à mãe para que não olhasse quando desse um grito, o que ocorreu após algum tempo. A mãe acorreu ao lugar, onde encontrou um belo e alto arbusto que ficou rasteiro quando ela se aproximou; a índia Kôkôtêrô, porém, cuidou da planta que mais tarde colheu do solo, descobrindo que era a mandioca.

O peixe Bagadu
Entre os bacairis a lenda conta de um veado que salvara o bagadu (peixe da família Practocephalus) que para recompensá-lo deu-lhe mudas da mandioca que tinha ocultas sob o leito do rio. O veado conservou a planta para alimentação de sua família, mas o herói dos bacairis, Keri, conseguiu pegar do animal a semente que distribuiu entre as mulheres da tribo.

SEXTILHA AGALOPADA - FRANCINALDO OLIVEIRA E SILVIO GRANJEIRO


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Otacilio Batista Patriota - A Voz do Uirapuru (Parte 01)


Mestre Vitalino


Em Caruaru, cidade pernambucana, a poucos quilômetros do Recife, existe uma feira famosa, cuja separação dos animais é folclórica. Em um canto ficam "os bichos de dois pés" (galinhas, patos), em outro canto ficam "os bichos de quatro pés" (bodes, carneiros, bois).
Há também montes e montes de cerâmica utilitária e bancas de cerâmica figureira.


Na feira de Caruaru, um dia, apareceu um menino - Vitalino Pereira dos Santos - cuja obra ingênua, no massapé pernambucano, tornou-se uma significativa mensagem de brasilidade, que tem alcançado os mais distantes cecntros culturais do mundo. As figuras de Vitalino são peças de museus e coleções particulares, de estudiosos do folclore, de todos que amam a arte popular.

Vitalino Pereira dos Santos, Mestre Vitalino, consagrou-se com sua arte de fazer bonecos em Caruaru, onde nasceu, perto do rio Ipojuca, em 1909.

Seu pai, humilde lavrador, preparou o forno para queimar peças de cerãmica que sua mãe fazia, para melhorar o orçamento familiar.

Sua mãe artesã, preparava o barro que ia buscar nas margens do rio Ipojuca. Depois, sem usar o torno, ia fazendo peças de cerâmica utilitária, que vendia na feira. Levava a cerâmica nos caçuás (cestos grandes) colocados nas cangalhas do jegue (burrico).

Ainda pequeno, Vitalino ia modelando boizinhos, jegues, bonecos, pratinhos com as sobras do barro que sua mãe lhe dava, para que não atrapalhasse e ao mesmo tempo se divertisse.

Quando a mãe colocava as peças utilitárias para "queimar" no forno, ele colocava no meio as suas figurinhas, suas miniaturas.

Os seus pais iam à feira semanal, o pai carregava os frutos do trabalho agrícola, a mãe carregava o jegue com os caçuás, para levar a terra trabalhada - a cerâmica utilitária.

O menino Vitalino levava o produto de sua "reinação", da sua brincadeira e vendia.


Por volta de 1930, com 20 anos de idade, Vitalino fez os seus primeiros grupos humanos, com soldados e cangaceiros, representando o mundo em que vivia.

Sua capacidade criadora se desenvolveu de tal maneira que acabou se tornando o maior ceramista popular do brasil.

Fazia peças de "novidade" - retirantes, casa da farinha, terno de zabumba, batizado, casamento, vaquejada, pastoril, padre, Lampião, Maria Bonita, representando seu povo, o seu trabalho, as suas tristezas, as suas alegrias. Retratava em suas peças o seu mundo rural.

Esta foi a grande fase do Mestre Vitalino, que imprimia no massapé a sua vivência.

Mais tarde começou a fazer obras sob encomendas: dentistas, médicos operando... Passou também a pintar as figuras para agradar aos compradores, da cidade, que tentavam "inspirar" o Mestre.

Carimbava as suas peças mas, a partir de 1950, analfabeto que era, aprendeu a autenticar a sua obra, com o seu nome.

Mestre Vitalino Pereira dos Santos faleceu em 1963 deixando escola e continuadores. Seus filhos, Severino e Amaro, continuam a sua obra, recriando no barro os personagens do mundo nordestino.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mestre Ambrósio - Fuá Na Casa Do Cabral - Heineken Concerts - 1997

O verdadeiro significado de alguns ditados populares


Alguns ditados populares e suas devidas correções:

Dito Popular: “Quem tem boca vai a Roma”.
O correto seria: “Quem tem boca vaia Roma”. (do verbo vaiar).

Dito Popular: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro”.
O correto seria: “Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro”.

Dito Popular: “Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão”.
O correto seria: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão”.

Dito Popular: “Cor de burro quando foge”.
O correto seria: “Corro de burro quando foge!”

Dito Popular: “Cuspido e escarrado”. (alguém muito parecido com oura pessoa).
O correto seria: “Esculpido em carraro”. (tipo de mármore).

Dito Popular: "Quem não tem cão, caça com gato".
O correto seria: "Quem não tem cão, caça como gato". (ou seja, sozinho, esgueirando, astutamente, traiçoeiramente).

Veja também como surgiram esses:

O pior cego é o que não quer ver
Significado: Diz-se da pessoa que não quer ver o que está bem na sua frente. Nega-se a ver a verdade.
Histórico: Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D'Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

De cabo a rabo
Significado: Total conhecedor. Conhecer algo do começo ao fim.
Histórico: Durante o período das grandes navegações portuguesas, era comum se dizer total conhecedor de algo, quando se conhecia este algo de "cabo a rabah", ou seja, como de fato conhecer todo o continente africano, da Cidade do Cabo ao Sul, até a cidade de Rabah no Marrocos (rota de circulação total da África com destino às Índias).

Andar à toa
Significado: Andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.
Histórico: Toa é a corda com que uma embarcação remboca a outra. Um navio que está "à toa" é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar. Uma mulher à toa, por exemplo, é aquela que é comandada pelos outros. Jorge Ferreira de Vasconcelos já escrevia, em 1619: Cuidou de levar à toa sua dama.

Casa de mãe Joana
Significado: Onde vale tudo, todo mundo pode entrar, mandar, etc.
Histórico: Esta vem da Itália. Joana, rainha de Nápoles e condessa de Provença (1326-1382), liberou os bordéis em Avignon, onde estava refugiada, e mandou escrever nos estatutos: "que tenha uma porta por onde todos entrarão". O lugar ficou conhecido como Paço de Mãe Joana, em Portugal. Ao vir para o Brasil a expressão virou "Casa da Mãe Joana". A outra expressão envolvendo Mãe Joana, um tanto chula, tem a mesma origem, naturalmente.

Onde judas perdeu as botas
Significado: Lugar longe, distante, inacessível.
Histórico: Como todos sabem, depois de trair Jesus e receber 30 dinheiros, Judas caiu em depressão e culpa, vindo a se suicidar enforcando-se numa árvore. Acontece que ele se matou sem as botas. E os 30 dinheiros não foram encontrados com ele. Logo os soldados partiram em busca das botas de Judas, onde, provavelmente, estaria o dinheiro. A história é omissa daí pra frente. Nunca saberemos se acharam ou não as botas e o dinheiro. Mas a expressão atravessou vinte séculos.

Da pá virada
Significado: Um sujeito da pá virada pode tanto ser um aventureiro corajoso como um vadio.
Histórico: Mas a origem da palavra é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada para baixo, voltada para o solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo homem vagabundo, irresponsável, parasita. Hoje em dia, o sujeito da "pá virada", parece-me, tem outro sentido. Ele é O "bom". O significado das expressões mudam muito no Brasil com o passar do tempo.

Nhenhenhém
Significado: Conversa interminável em tom de lamúria, irritante, monótona. Resmungo, rezinga.
Histórico: Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen".

Estar de paquete
Significado: Situação das mulheres quando estão menstruadas.
Histórico: Paquete, já nos ensina o Aurélio, é um das denominações de navio. A partir de 1810, chegava um paquete mensalmente, no mesmo dia, no Rio de Janeiro. E a bandeira vermelha da Inglaterra tremulava. Daí logo se vulgarizou a expressão sobre o ciclo menstrual das mulheres. Foi até escrita uma "Convenção Sobre o Estabelecimento dos Paquetes", referindo-se, é claro, aos navios mensais.

Pensando na morte da bezerra
Significado: Estar distante, pensativo, alheio a tudo.
Histórico: Esta é bíblica. Como vocês sabem, o bezerro era adorado pelos hebreus e sacrificados para Deus num altar. Quando Absalão, por não ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, se opôs. Em vão. A bezerra foi oferecida aos céus e o garoto passou o resto da vida sentado do lado do altar "pensando na morte da bezerra". Consta que meses depois veio a falecer.

Não entender patavina
Significado: Não saber nada sobre determinado assunto. Nada mesmo.
Histórico: Tito Lívio, natural de Patavium (hoje Pádova, na Itália), usava um latim horroroso, originário de sua região. Nem todos entendiam. Daí surgiu i Patavinismo, que originariamente significava não entender Tito Lívio, não entender patavina.

Santinha do pau ôco
Significado: Pessoa que se faz de boazinha, mas não é.
Histórico: Nos século XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Artesanato Nordestino



Existem três formas de artesanato: o folcórico (manifestação de cultura espontânea), erudito (resultante de um aprendizado dirigido) e popular (executado num contexto comercial e de consumo).

A característica principal do artesanato folclórico é a produção de um efeito físico, de sentido predominantemente utilitário. No seu domínio incluem-se objetos e artefatos de uso diversificado, executados manualmente por uma pessoa ou um pequeno grupo de pessoas. Esses objetos contêm em si marcas de uma cultura determinada e, deste modo, atestam a ligação do homem com o meio social em que vive.

Exemplos de artesanato com função lúdica são as peças em cerâmica de Caruaru (PE). A confecção dessas peças ocupa atualmente centenas de famílias de artesãos. São geralmente pintadas com tintas industrializadas e reproduzem cenas e tipos populares regionais.

Zé Limeira



Mote: Diz o novo testamento


Minha muié chama Bela
Quando eu vou chegando em casa
O galo canta na brasa,
Cai o texto da panela
Eu fico olhando para ela
Cheio de contentamento
O satanaz num jumento
Pra mordê a Mãe de Deus
Não mordeu ela nem eus
Diz o novo testamento

Eu vi uma gavetinha
Da casa de João Moisés
Mais de cem contos de réis
Só de ovo de galinha
Ela comeu uma tinha
Da carcassa de um jumento
Que bicho má, peçonhento
Lacrau e piôi de cobra
Não pode mais fazer obra,
Diz o novo testamento

Jesus nasceu em Belém,
Conseguiu sair dalí
Passou por Tamataí
Por Guarabira também
Nessa viagem de trem

Foi pará no Entroncamento
Não encontrando aposento
Dormiu na casa do cabo
Jantou cuscus com quiabo
Diz o novo testamento

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Quem é cearense vai lembrar





Você viveu ou conhece alguém que é do tempo em que...

Das mais antigas você ouviu falar de um time chamado Penarol, lá para os lados do bairro de São Gerardo? Na av. Bezerras de Menezes. Você lembra de quando surgiu o "Pessoal do Ceará"; pioneiros dos encontros na praia de Iracema, nas noitadas de viola e violão, altos papos embrionários do movimento.

Lembram de: Rodger Rogério, Teti, Edinardo, Raimundo Fagner,Belchior e outras mentes iluminadas e maravilhosas. Uns autodidatas outros com elevada formação acadêmica.Voces lembram dos festivais de música como o "Aqui no canto" da rádio Assunção lá pertinho da Escola Normal? Lembram Luis Assunção, Lá no Jardim América. Na rua Júlio César descendo da Gentilândia em direção ao Montese e Itaoca. Perto do canal. Lembram da rádio Dragão do mar na Av. do Imperador, da PRE 9, da rádio Iracema na praça José de Alencar, da rádio Uirapurú, em frente na praça da Bandeira, esquina de Clarindo de Queiroz com General Sampaio.

Do Pedrão da bananada na praça do Ferreira? Do local onde ficava o melhor churrasco da época no CURRAL descendo na décima região militar.
- A COBAL ficava na esquina da rua Assunção com Antônio Pompeu;
- E o IAPEC (Isto ainda pode cair!);
- Vendia-se 'chegadinha' de porta em porta (o 'veinho' passava tocando o triângulo) e 'quebra-queixo', maravilha! Picolé de 'ameba' de morango na praia. E o pirulito enfiado nas tábuas;
- O verdureiro ia de porta em porta montado no jumentinho e vendendo verduras frescas e o outro que ia montado no cavalo vendendo fígado e panelada;
- Véspera do Natal ir até a Praça do Ferreira ver as vitrines das lojas todas com enfeites natalinos era moda;
- Passear de Rural;
- Era chique ir na Lobrás subir e descer na 'primeira' escada rolante da cidade, tomar sorvete ou comer um sanduba;
- Sapato 'carinha de bebê', calça cocota e blusa frente única era luxo!
- Tempo dos 'mingaus pops' da Tatarana, Trasteveri e Santa Esmeralda;
- O barzinho 'Sovaco de Cobra';
- Tempo em que o Circo Voador trazia show de Cazuza, Geraldo Azevedo, Ângela Rô Rô, Kid Abelha entre outros;
- Início do Cais bar na Praia de Iracema;
- Tempo em que a Praia de Iracema era bastante bucólica e somente 2 restôs funcionando o ' La Tratoria' e o velho Estoril;
- Jantares do Náutico? Lagosta a Termidor;
- Restô mais chique da cidade: 'SANDRAS'?
- As feijoadas do Hotel Beira Mar, o primeiro da orla;
- Lembra dos fuscas pretos da polícia (TETÉU)?
- Da velha Ponte Metálica em tempo de cai mas não cai;
- Tempo da Mesbla na Senador Pompeu e da Flama (Símbolo de distinção) na praça do Ferreira;
- E do Mercantil São José? O primeiro supermercado do Ceará. É por isso que o cearense não faz feira, faz mercantil;
- E o programa do Augusto Borges fazendo propaganda do Mercantil São José com
suas Gincanas;
- Ir ao Recreio Clube de Campo era uma viagem com muito verde e salinas pelo
caminho;
- Havia o restô Toca do Coelho (seis Bocas) e Frango Dourado (no Eusébio) com seu sarapatel de frango delicioso;
- E do restaurante Cirandinha em frente do comercial Clube ?? (É o novo!);
- Das peixadas no restô 'Alfredo o Rei da Peixada' e sempre aparecia um boneco ventríloquo para divertir a gente;
- E o camarão do OSMAR com aquele beco bem apertadinho...
- Do pequeno zoológico que havia no Parque das Crianças;
- Ir a shows no Ginásio Paulo Sarasate (Rita Lee, Gilberto Gil, Fábio Jr, Elba, Ney Matogrosso, Moraes Moreira, Nina Hagen, entre outros);
- Ir a Jericoacoara de barco (saindo de Camocim) Jeri sem energia, sem hotel ou pousada (o povo ficava em casa de pescador);
- E Canoa Quebrada sem pousadas de luxo e sem a gringolada como dona de tudo;
- Do bronzeador 'Nude bronze' e colônia 'Contoure';
- Comprar 'mentex' e 'piper' antes de assistir filme no Cine São Luiz e Diogo;
- Do batom 'brilho' que era vendido exclusivamente na Casa Parente do Centro;
- Da pizza no Jairo na Av. Santos Dumont;
- Ir a Feira das Flores no Passeio Público (quando ainda era um ambiente familiar). Um luxo!
- Assistir aos sábados pela TV o programa do Irapuan Lima e do Chacrinha;
- Do barzinho Carbono 14;
- Ir aos domingos ao aeroporto ver os aviões decolarem;
- As noites de sexta e sábado na boite 'Senzala' 'Boeing, Boeig no Bairro Aeroporto e o Restaurante Caravele;
- Tempo do Edifício Avenida na esquina da Barão do Rio Branco com Duque de Caxias;
- Da calça 'Lee' com nesga bem larga!
- Da banda de rock Perfume Azul;
- Namorar no barzinho Play Boy na Praia do Futuro;
- Usar decote canoa era alta moda;
- Da touquinha da Miss Lene, do vestido tomara-que-caia (que as vezes caía), blusa de elastex, ferro a carvão comprado ali perto do Zé Pinto na Bezerra de Menezes;
- Comprar tamanco na TAMANCOLÂNDIA na Av. Monsenhor Tabosa, quanto mais alto mais chique;
- Da feirinha da Praça Portugal (só a moçada!) na sexta feira e da 13 de Maio aos sábados (artesanato e comidas típicas);
- Do Jardim da Menopausa (Aquarius) na Beira-mar;
- Do Barzinho 'BADALO';
- Das Barracas da Praia do Futuro: 'Sapuriu' (cruzamento do sapo com a puta que pariu),
CABOLETÊ, BOLA BRANCA e do bar do POP;
- Das Lojas Di Roma, Xepão, Xepinha, Carvalho Borges, Samasa, Ocapana e Abarana, Bel Lar, Esmeralda, Sapataria Esquisita;
- Do quarteirão do sucesso da Dom Luis - do New York, New York;
- Do sorvete no Juarez;
- Pastéis com caldo de Cana da Leão do Sul do centro da cidade;
- Do restaurante Pombo Cheio, próximo a Faculdade de Medicina (UFC);
- O barzinho 'O PILÃO' no Morro Santa Terezinha;
- Do barzinho 'Varanda' na Leste Oeste. (Ótimo visual e nada de bandido!)
- Barzinho Brasil Tropical;
- Dos festivais da 'Costa do Sol' da Tabuba;
- Do Motel Calango 'chão de estrelas' - no morro da Praia do Futuro. (Era 'relax' total e ñ tinha nada de pavor e medo, como nos dias de hoje);
- Da farmácia do Seu Coelho na Avenida Domingos Olímpio, Eita!
- Tempo em que a Av. Sen.Virgílio Távora ainda era Av. Estados Unidos;
- Do Seu Edgar na rua Antonio Pompeu que consertava tudo. Entre outras coisinhas, ele colocava 'virola' nos sapatos;
- Tomar picolé da GELATI;
- De gazear aulas à tarde para assistir filme no São Luiz na semana do festival de cinema;
- Tomar banho de chuva nas bicas das casas;
- Ir no Jumbo e comprar grapete, crush, guaraná Wilson, TAI e Cacique;
- De andar no elefante na inauguração do Jumbo do Center Um;
- Do tamanco Dr. Sholl e do sapato cavalo de aço;
- Comer no jantar 'bife caron';
- Tempo que 'ficar' era sarrar (tirar sarro);
- Tempo em que Soft era uma bala, hoje é sobrenome de vereadora;
- Do curso de datilografia na Praça Coração de Jesus e do Curso Andrade Lima na Av do Imperador. (Vixe!!!!)
- Das revistinhas Bolota, Brotoeja, Tininha, Riquinho e Luluzinha;
- Do jornal Pasquim;
- De assistir 'A Ilha da Fantasia' nos sábados à tarde;
- Das lambadas aos sábados no Pirata (quem tinha o vale-lambada podia dançar com os bailarinos);
- Do restaurante 'TACACÁ' na Beira Mar;
- Do bar e restô ANIZIO, amanhecendo o dia vendo Irapuan Lima fazendo Cooper (ninguém merece!);
- Da estica para tomar caldo Deor - Iracema;
- Comprar vassoura e espanador na porta de casa;
- Comprar no centrão pote de creme Rosa Mosqueta vindo do Paraguai;
- De se bronzer com Óleo Jonhson e Coca cola ou 'Raito del Sol';
- Do grupo cearense Quinteto Agreste e os Canarinhos do Nordeste;
- Do Projeto Pixinguinha no Teatro José de Alencar a preço popular onde apresentaram 14 Bis, Nara Leão, Maria Alcina, Moreira da Silva, Artur Moreira Lima, Cida Moreira, entre tantos outros;
- No Natal, esperar o Papai Noel e a Turma da Mônica chegar de helicóptero no estacionamento do Shopping Iguatemi;
- Inauguração das lojas Americanas no centro da cidade;
- Do Zé-Tatá;
- Lembra dos lanterninhas?
- Ir passar férias na colônia de férias do SESC em Iparana e na COFECO era tudo de bom;
- Dos comerciais da Varig: 'seu Cabral vinha navegando quando alguém logo foi gritando - terra a vista! E foi descoberto o Brasil, e a turma gritava: bem vindo seu Cabral! Mas Cabral sentiu no peito, uma saudade sem jeito, volto já pra Portugal, quero ir, pela VARIG, VARIG, VARIG....'
- Do tempo em que o IJF (Instituto José Frota) era Assistência;
- Do bar Cabaré da Pirrita na Praia de Iracema (um barzinho irreverente na época e freqüentado por políticos, intelectuais e músicos... até Ciro Gomes e Fagner davam umas voltinhas por lá.)
- Assistir Tom Cavalcante fazer shows de graça na Beira Mar e Barzinhos da cidade;
- Do tempo que criança usava calça enxuta (não existiam fraldas descartáveis);
- As propagandas do Romcy que ficava na Br. Rio Branco com Liberato Barroso;
- Após o Jornal Nacional com Sérgio Chapelen e Cid Moreira você ouvia a voz do Assis Santos dizendo: 'Amanhã o barato do dia Romcy é...'.he he he !!!! 'Romcy é Romcy, barato todo dia'!
- Surgia o Gerardo Bastos: onde um pneu é um pneu!
- O Bar Carinhoso na cobertura de um edifício no centro da cidade;
- Dos bailes infantis de carnaval no América, Círculo Militar, Country, Líbano, Náutico, Diários, BNB e Clube B-25;
- Do corso da Av. Dom Manuel;
- Tempo das Tertúlias com 'luz negra';
- Estudar OSPB e Educação Moral e Cívica. É o novo!
- E a mais antiga de todas: Chupar rolete de cana que vinha fincado em uns espetinhos. (Eita !!!)
- Calçar 'fonabô' e sandálias de 'borracha de pneu'. E as congas e os kichutes usados para irmos ao colégio;
- E as cachaças 'Bagaceira', 'Chave de Ouro' 'Dandiz' (aquela vermelinha);
- E os cigarros Kent. Eldorado, Continental sem filtro, Dumorrier (pretinho), Chanceler;
- O tri-campeonato do Ceará na década de sessenta!

Pense num lugar pai d'égua!
Viajar no trem 'sonho azul'...
O ano todo com um calor de rachar o quengo.
Toda noite tem comédia e o povo é bonequeiro que só!
Tá pra nascer quem é Cearense que não é amancebado com esse lugar.
Tem é Zé prum cabra conhecer aqui e depois querer capar o gato.
Pode ser liso, estribado, vir de perto ou lá da baixa-da-égua.
Qualquer um fica arreado quando vê as praias daqui.
Fica logo todo breado de areia, depois se imbioca no mar e num quer mais sair nem a pau.
Depois de conhecer a negrada, então, vixe!
Se o Estado é bom assim, avalie o povo!

Tem gente de todo jeito: do fresco ao invocado, do batoré ao Galalau, dos gato réi às espilicute, dos rabos-de-burros, do cabra-macho ao Fulerage e muitas outras marmotas. Bom que nem presta! É por isso que nas férias dá uma ruma de turista tudo doido por uma estripulia, porque sabem que isso aqui não é de se rebolar no mato.

Só precisa dar um grau ou uma guaribada aqui ou ali, mas, mesmo assim, tá de parabéns. Arre égua, ô corra linda, macho, o Estado do Ceará!!! É minha gente isto também é um pouco de história da nossa Fortaleza.

Fonte:http://culturanordestina.blogspot.com/2009/01/quem-cearense-vai-lembrar.html

O futuro e o presente do cordel




Material de autoria do violeiro Fábio Sombra. Publicado originalmente no folheto “Proseando Sobre Cordel”.

O cordel hoje e suas perspectivas para o futuro
No início da década de 1970 dizia-se que o cordel estava morrendo. Hoje em dia a situação é completamente diferente. Assiste-se a um grande movimento de resgate e renovação do gênero. Novas editoras vêm surgindo, novos autores estão publicando seus folhetos e muitos textos clássicos vêm sendo reeditados. Educadores hoje já reconhecem o valor do cordel e o utilizam, cada vez mais, em sala de aula e em oficinas de criação literária e poética.

E as perspectivas para o futuro mostram-se também muito grandes. Hoje a Internet e os recursos de editoração caseira barateiam e facilitam, sempre mais, a vida dos poetas, além de oferecerem novos espaços para que divulguem sua produção.

E até mesmo as pelejas e desafios surgem de maneira renovada, com os combates acontecendo por e-mails ou e salas de bate-papo e torneios virtuais. Sinal de que o cordel vêm resistindo bravamente ás mudanças e aos desafios dos novos tempos.

Quer conhecer mais sobre o cordel?
Então vale a penas visitar o site da ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel e prestigiar o trabalho que essa instituição vem fazendo para divulgar e preservar essa importante manisfestação da cultura popular brasileira. O endereço é: www.ablc.com.br

Fonte:http://culturanordestina.blogspot.com/2007/09/o-futuro-e-o-presente-do-cordel.html

sábado, 23 de outubro de 2010

Escravos de Jó jogavam caxangá?


A cantiga popular todo mundo conhece:


"Escravos de Jó, jogavam caxangá
Tira, bota, deixa o Zé Pereira ficar...
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá..."

Mas você sabe quem era Jó? Por que ele tinha escravos? Que jogo caxangá é esse?
Jó é um personagem bíblico do antigo testamento que possuía uma grande paciência. Dai a expressão "Paciência de Jó". Segundo a Bíblia, Deus apostou com o Diabo que Jó, mesmo perdendo as coisas mais preciosas que possuía (filhos e fortuna) não perderia a fé.

Nada indica que Jó tinha escravos e muito menos que jogavam o tal caxangá. Acredita-se que a cultura negra tenha se apropriado da figura para simbolizar o homem rico da cantiga de roda. Os guerreiros que faziam o zigue zigue zá, seriam os escravos fugitivos que corriam em ziguezague para despistar o capitão-do-mato.

O mais difícil de entender é o que seria o caxangá. Segundo o dicionário Tupi-Guarani-Português, a palavra vem de caá-çangá, que significa "mata extensa". Para o Dicionário do Folclore Brasileiro, é um adereço muito usado pela mulheres do estado de Alagoas. A verdade é que a cantiga vem sofrendo e ainda sofre modificações em seus versos de estado para estado. Afinal de contas, o correto seria deixarmos o Zambelê ou o Zé Pereira ficar?

Fonte: http://culturanordestina.blogspot.com

Pela ordem e pela pátria


Pela ordem e pela pátria
(Dalinha Catunda)

Como podes está contente,
Deveras, “ó mãe gentil”,
Se o descaso dos políticos,
É visto, fora e dentro do Brasil.
Manchando o nome da nação,
Envergonhando a população,
E esquecendo o amor servil.

Ó minha pátria querida,
Prometo-te de coração,
Que hei de defender-te.
E será na próxima eleição.
Na hora de dar meu voto
Da nação serei eu devoto
E não de qualquer facção.

A pátria merece respeito,
Do analfabeto ao letrado.
Porém, hoje, o país padece,
Com os escândalos do senado
Por isso “Vossas excelências”
Governem com mais decência
Pois estamos envergonhados.

Pela ordem! Hoje quem pede,
São os filhos desta nação,
Que deputados e senadores,
Acabem com a corrupção,
E que o senhor presidente
Não seja esse ser ausente,
Se é que tem o poder nas mãos.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Zé da Luz


Zé da Luz, poeta, das terras nordestinas, nasceu em 29 de março de 1904 em Itabaiana, região agreste da Paraíba e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de fevereiro de 1965. Veio ao mundo como Severino de Andrade Silva e recebeu a alcunha de Zé da Luz. Nome de guerra e poesia, nome dado pela terra aos que nascem Josés e, também, aos Severinos, que se não for Biu é seu Zé.

Sua poesia é dita nas feiras, nas porteiras, na beirada das estradas, nas ruas e manguezais. Perdeu-se do seu autor pois em livro não se encontra. Se encontra na boca do povo, de quem tomou emprestado a voz, para dividi-la em forma de rima e verso.

Seus poemas têm a cor do nordeste, o cheiro do nordeste, o sabor do nordeste. Às vezes trágico, às vezes humorado, às vezes safado. Quase sempre telúrico como a luz do sol do agreste. (os editores)

As flô de Puxinanã
(Paródia de As "Flô de Gerematáia" de Napoleão Menezes)

Três muié ou três irmã,
três cachôrra da mulesta,
eu vi num dia de festa,
no lugar Puxinanã.

A mais véia, a mais ribusta
era mermo uma tentação!
mimosa flô do sertão
que o povo chamava Ogusta.

A segunda, a Guléimina,
tinha uns ói qui ô! mardição!
Matava quarqué critão
os oiá déssa minina.

Os ói dela paricia
duas istrêla tremendo,
se apagando e se acendendo
em noite de ventania.

A tercêra, era Maroca.
Cum um cóipo muito má feito.
Mas porém, tinha nos peito
dois cuscús de mandioca.

Dois cuscús, qui, prú capricho,
quando ela passou pru eu,
minhas venta se acendeu
cum o chêro vindo dos bicho.

Eu inté, me atrapaiava,
sem sabê das três irmã
qui ei vi im Puxinanã,
qual era a qui mi agradava.

Inscuiendo a minha cruz
prá sair desse imbaraço,
desejei, morrê nos braços,
da dona dos dois cuscús!


Ai! se sêsse!...

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

O Ipiranga do Pária




O Ipiranga do Pária
(Marco di Aurélio)

Era sete de setembro
no começo da tardinha
sai com minha patroa
fui comer uma galinha
e um fi de uma égua
aproveitou essa trégua
pra mexer no que eu tinha.

Um ladrão cabra safado
um sujeitinho fulêra
mexeu todas as gavetas
foi até na algibeira
foi pano pra todo canto
roubou a vela do santo
inda levou minha feira.

Sou um cidadão pacato
pagadozim de imposto
dinheiro que o Estado
me tira com tanto gosto
e na hora de um B.O.
me trataram de coió
dizendo que era encosto.

Encosto eu sei o que é
um governo incompetente
que não vence a bandidagem
e no fim desarma a gente
e um ladrão cabra safado
entra e sai de meu roçado
sorrindo mostrando os dentes.

Se vida inda tiver
um dia inda verei
uma limpa de roçado
a justiça e a lei
uma fila de ladrão
na beira de um valão
só esperando o têbei.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Os imigrantes


A maior parte da população brasileira no século XIX era composta por negros e mestiços. Para povoar o território, suprir o fim da mão-de-obra escrava mas também para "branquear" a população e cultura brasileiras, foi incentivada a imigração da Europa para o Brasil durante os séculos XIX e XX.

Dentre os diversos grupos de imigrantes que aportaram no Brasil, foram os italianos que chegaram em maior número, quando considerada a faixa de tempo entre 1870 e 1950. Eles se espalharam desde o sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, sendo a maior parte na região de São Paulo.

A estes se seguiram os portugueses, com quase o mesmo número que os italianos. Destacaram-se também os alemães, que chegaram em um fluxo contínuo desde 1824. Esses se fixaram primariamente na Região Sul do Brasil, onde diversas regiões herdaram influências germânicas desses colonos.

Os imigrantes que se fixaram na zona rural do Brasil meridional, vivendo em pequenas propriedades familiares (sobretudo alemães e italianos), conseguiram manter seus costumes do país de origem, criando no Brasil uma cópia das terras que deixaram na Europa. Alguns povoados fundados por colonos europeus mantiveram a língua dos seus antepassados durante muito tempo.

Em contrapartida, os imigrantes que se fixaram nas grandes fazendas e nos centros urbanos do Sudeste (portugueses, italianos, espanhóis e árabes), rapidamente se integraram na sociedade brasileira, perdendo muitos aspectos da herança cultural do país de origem. A contribuição asiática veio com a imigração japonesa, porém de forma mais limitada.

De maneira geral, as vagas de imigração européia e de outras regiões do mundo influenciaram todos os aspectos da cultura brasileira. Na culinária, por exemplo, foi notável a influência italiana, que transformou os pratos de massas e a pizza em comida popular em quase todo o Brasil.

Também houve influência na língua portuguesa em certas regiões, especialmente no sul do território. Nas artes eruditas a influência européia imigrante foi fundamental, através da chegada de imigrantes capacitados em seus países de origem na pintura, arquitetura e outras artes.

Fonte:http://culturapopular2.blogspot.com/2010/03/os-imigrantes.html

Movimento de Cultura Popular



Criado no Recife em maio de 1960, quando o prefeito da cidade era Miguel Arraes, foi um movimento que teve como objetivo básico difundir as manifestações da arte popular regional e desenvolver um trabalho de alfabetização de crianças e adultos.

Seu ideário era, em resumo, "elevar o nível cultural dos instruídos para melhorar sua capacidade aquisitiva de idéias sociais e políticas" e "ampliar a politização das massas, despertando-as para a luta social".

Na prática, esse trabalho era feito através de apresentação de espetáculos em praça pública; organização de grupos artísticos; oficinas e cursos de arte; exposições; edições de livros e cartilhas, etc.

O trabalho de alfabetização tinha à frente o jovem educador Paulo Freire, que foi um dos sócio-fundadores do movimento. Também integraram o MCP, intelectuais e artistas como Francisco Brennand, Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho, Abelardo da Hora, José Cláudio, Aloísio Falcão e Luiz Mendonça.

O MCP teve por sede o Sítio da Trindade, na Estrada do Arraial. Era uma entidade privada sem fins lucrativos e se mantinha através de convênios que, na prática, foram firmados quase que exclusivamente com a prefeitura do Recife e o governo do Estado.

Além de recursos financeiros, a prefeitura do Recife chegou a colocar à disposição do MCP 19 viaturas e 30 imóveis. O movimento contou com apoio da intelectualidade pernambucana e de facções políticas de esquerda tais como a União Nacional dos Estudantes (UNE), Partido Comunista Brasileiro (PCB) e outras.

Devido ao clima político da época, o MCP ganhou dimensão nacional e serviu de modelo para movimentos semelhantes criados em outros Estados brasileiros. Entre 1962/63, forças de direita tentaram sufocar o movimento e houve uma mobilização nacional em sua defesa: até mesmo o então Ministro da Educação, Darci Ribeiro, veio ao Recife apoiar pessoalmente o MCP e o considerou "um exemplo a ser levado a todo o País". Com o golpe militar de 1964, o MCP foi extinto.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Você conheceu esse Recife?

CONDE DA BOA VISTA


Francisco do Rego Barros, Barão, Visconde e depois Conde da Boa Vista, nasceu no dia 3 de fevereiro de 1802, na cidade do Cabo, no Engenho Trapiche, de propriedade de seus pais Francisco do Rego Barros, Coronel de Milícias e Mariana Francisca de Paula do Rego Barros. Estudou com professores particulares no engenho onde nasceu e desde muito cedo interessou-se pela carreira militar. Em 1817, com apenas quinze anos de idade, alistou-se no Regimento de Artilharia do Recife. Em 1821, já como cadete do Exército do mesmo Batalhão, participou do movimento conhecido como a Revolução de Goiana, encerrada com a Convenção do Beberibe, em outubro do mesmo ano. Foi preso e enviado para a fortaleza de São João da Barra, em Lisboa, Portugal, onde foi mantido até 1823. Posto em liberdade, viajou para Paris, bacharelando-se em Matemática. De volta a Pernambuco, dedicou-se à política. Com apenas 35 anos de idade, em 1837, foi designado presidente da Província de Pernambuco, ficando no cargo até 1844. Tendo sido educado em Paris, estava decidido a modernizar e higienizar o Recife. Seu governo operou transformações materiais e culturais importantes para a Província. A vida da cidade ganhou em animação e teve um progresso até então nunca vistos. Francisco do Rego Barros mandou buscar engenheiros franceses de renome, incentivou as artes e as ciências, levando o Recife ao conceito das grandes cidades modernas da época. Foram construídas estradas ligando a capital às áreas produtoras de açúcar do interior; a ponte pênsil de Caxangá, sobre o rio Capibaribe; o Teatro de Santa Isabel; o edifício da Penitenciária Nova, depois chamada de Casa de Detenção do Recife, onde funciona hoje a Casa da Cultura; o edifício da Alfândega; canais; estradas urbanas; um sistema de abastecimento d’água potável para o Recife; reconstrução das pontes Santa Isabel, Maurício de Nassau e Boa Vista. Mandou construir aterros para a expansão da cidade, sendo o mais importante deles o da Boa Vista que partia da Rua da Aurora rumo à Várzea, chamada de Rua Formosa, continuada pelo Caminho Novo que, a partir de 1870, recebeu o nome de Av. Conde da Boa Vista. Em 1842, foi agraciado com o título de Barão, promovido a Visconde, em 1860 e elevado a Conde da Boa Vista, em 1866.

(Francisco do Rego Barros)



Foi eleito senador, em 1850 e, em 1865, designado presidente da Província do Rio Grande do Sul, acumulando as funções de Comandante das Armas, estando aquela província já envolvida na Guerra do Paraguai. Sentindo-se doente e sofrendo com problemas hepáticos, retornou ao Recife no início de 1870, onde morreu no dia 4 de outubro, na sua residência, situada no número 405 da Rua da Aurora, onde está localizada, hoje, a Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco. Recife, 22 de julho de 2003. (Atualizado em 25 de agosto de 2009). FONTES CONSULTADAS: GUERRA, Flávio. O Conde da Boa Vista e o Recife. Recife: Fundação Guararapes, 1973. SILVA, Jorge Fernandes da. Vidas que não morrem. Recife: Secretaria de Educação, Departamento de Cultura, 1982. p. 201-205. Lúcia Gaspar: Bibliotecária

Os Africanos



A cultura africana chegou ao Brasil com os povos escravizados trazidos da África durante o longo período em que durou o tráfico negreiro transatlântico. A diversidade cultural da África refletiu-se na diversidade dos escravos, pertencentes a diversas etnias que falavam idiomas diferentes e trouxeram tradições distintas.

Os africanos trazidos ao Brasil incluíram bantos, nagôs e jejes, cujas crenças religiosas deram origem às religiões afro-brasileiras, e os hauçás e malês, de religião islâmica e alfabetizados em árabe. Assim como a indígena, a cultura africana foi geralmente suprimida pelos colonizadores. Na colônia, os escravos aprendiam o português, eram batizados com nomes portugueses e obrigados a se converter ao catolicismo.

Os africanos contribuíram para a cultura brasileira em uma enormidade de aspectos: dança, música, religião, culinária e idioma. Essa influência se faz notar em grande parte do país; em certos estados como Bahia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul a cultura afro-brasileira é particularmente destacada em virtude da migração dos escravos.

Os bantos, nagôs e jejes no Brasil colonial criaram o candomblé, religião afro-brasileira baseada no culto aos orixás praticada atualmente em todo o território. Largamente distribuída também é a umbanda, uma religião sincrética que mistura elementos africanos com o catolicismo e o espiritismo, incluindo a associação de santos católicos com os orixás.

A influência da cultura africana é também evidente na culinária regional, especialmente na Bahia, onde foi introduzido o dendezeiro, uma palmeira africana da qual se extrai o azeite-de-dendê. Este azeite é utilizado em vários pratos de influência africana como o vatapá, o caruru e o acarajé.

Na música a cultura africana contribuiu com os ritmos que são a base de boa parte da música popular brasileira. Gêneros musicais coloniais de influência africana, como o lundu, terminaram dando origem à base rítmica do maxixe, samba, choro, bossa-nova e outros gêneros musicais atuais.

Também há alguns instrumentos musicais brasileiros, como o berimbau, o afoxé e o agogô, que são de origem africana. O berimbau é o instrumento utilizado para criar o ritmo que acompanha os passos da capoeira, mistura de dança e arte marcial criada pelos escravos no Brasil colônial.

Fonte:http://culturapopular2.blogspot.com/2010/03/os-africanos.html

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Os portugueses

Dentre os diversos povos que formaram o Brasil, foram os europeus aqueles que exerceram maior influência na formação da cultura brasileira, principalmente os de origem portuguesa

Durante 322 anos o território foi colonizado por Portugal, o que implicou a transplantação tanto de pessoas quanto da cultura da metrópole para as terras sul-americanas. O número de colonos portugueses aumentou muito no século XVIII, na época do Ciclo do Ouro.

Em 1808, a própria corte de D. João VI mudou-se para o Brasil, um evento com grandes implicações políticas, econômicas e culturais. A imigração portuguesa não parou com a Independência do Brasil: Portugal continuou sendo uma das fontes mais importantes de imigrantes para o Brasil até meados do século XX.

A mais evidente herança portuguesa para a cultura brasileira é a língua portuguesa, atualmente falada por virtualmente todos os habitantes do país. A religião católica, crença da maioria da população, é também decorrência da colonização. O catolicismo, profundamente arraigado em Portugal, legou ao Brasil as tradições do calendário religioso, com suas festas e procissões. As duas festas mais importantes do Brasil, o carnaval e as festas juninas, foram introduzidas pelos portugueses.

Além destas, vários folguedos regionalistas como as cavalhadas, o bumba-meu-boi, o fandango e a farra do boi denotam grande influência portuguesa. No folclore brasileiro, são de origem portuguesa a crença em seres fantásticos como a cuca, o bicho-papão e o lobisomem, além de muitas lendas e jogos infantis como as cantigas de roda.

Na culinária, muitos dos pratos típicos brasileiros são o resultado da adaptação de pratos portugueses às condições da colônia. Um exemplo é a feijoada brasileira, resultado da adaptação dos cozidos portugueses. Também a cachaça foi criada nos engenhos como substituto para a bagaceira portuguesa, aguardente derivada do bagaço da uva.

Alguns pratos portugueses também se incorporaram aos hábitos brasileiros, como as bacalhoadas e outros pratos baseados no bacalhau. Os portugueses introduziram muitas espécies novas de plantas na colônia, atualmente muito identificadas com o Brasil, como a jaca e a manga.

De maneira geral, a cultura portuguesa foi responsável pela introdução no Brasil colônia dos grandes movimentos artísticos europeus: renascimento, maneirismo, barroco, rococó e neoclassicismo.

Assim, a literatura, pintura, escultura, música, arquitetura e artes decorativas no Brasil colônia denotam forte influência da arte portuguesa, por exemplo nos escritos do jesuíta luso-brasileiro Padre Antônio Vieira ou na decoração exuberante de talha dourada e pinturas de muitas igrejas coloniais. Essa influência seguiu após a Independência, tanto na arte popular como na arte erudita.

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Fonte: http://culturapopular2.blogspot.com/2010/03/os-portugueses.html

O Futebol no Sertão

Literatura de Cordel
Autor: Valentim Quaresma
Capa: Leontino Quirino
Santa Helena-PB


Futebol é alegria
E o gol a grande emoção,
O psicólogo defende,
Faz liberar a tensão.
Nesse campo eu vou entrar,
Leitor eu quero falar
Do futebol no sertão.

Não pense que falarei
Do futebol dos milhões,
Jogadores que ganharam
Os títulos nas seleções,
Quero falar das peladas,
Partidas bem disputadas
Nas quebradas dos sertões.

Eu sou esse homem torto,
Do andar desaprumado,
Correndo pelo sertão,
Lugar muito iluminado...
Trabalho de sol a sol,
Depois vou pro futebol
E nunca fico cansado.
1

No sítio onde eu nasci,
Marcado pela pobreza,
A começar pelo solo,
São coisas da natureza,
Por isso sofremos tanto
A procura de um campo,
Foi grande a nossa peleja.

Arranjamos um local,
É um campinho pequeno,
Espaço bem desigual,
Sempre subindo e descendo,
Uma pedrinha miúda,
Vermelhinha, pontiaguda,
Bem afiada, um veneno...

Descalço, nesse terreno
E driblando a precisão,
Sempre com falta de bola,
De chuteira e de meião.
E para ser mais exato
Pedindo aos candidatos
No tempo da eleição...
2

Chegou ao sítio um barão,
Candidato a prefeito,
Fez uma reunião
Bem cordial e com jeito
E disse pra animar:
- Vou o esporte ajudar,
Só preciso ser eleito.

Meninos se eu ganhar
Não haverá mais pobreza...
Eu quero ofertar ao time
Um terno da Portuguesa,
Da qual eu sou torcedor,
Mas ninguém desconfiou
Que tudo era esperteza...

Eu tinha tanta certeza
Que o homem ia deixar
Terno, meião e chuteira,
Cheguei até a sonhar,
Na rede bateu meu pai:
- Meu filho assim você cai
Eu dando soco no ar...
3

Mas ao se aproximar
O dia da eleição,
Não gosto nem de lembrar,
Tamanha decepção...
O homem chamou o time
E anunciou o crime
Da chuteira e do meião...

Com um calçado na mão,
Começou a explicar:
- O terno eu não consegui,
Calção eu não posso dar,
Só tem meião e chuteira
E eu não vou fazer besteira,
Não posso mais confiar...

Agora eu vou entregar
Somente a do pé esquerdo,
Então depois que eu ganhar,
Acabará o segredo,
Quando eu já for o prefeito
Entrego a do pé direito,
Confiem, não tenham medo.
4

A equipe ficou triste,
Nesse dia não treinou,
O material entregue
A cada um jogador
Depressa foi devolvido
Porque aquele bandido
Graças a Deus não ganhou...

O time todo votou,
Pois ninguém tinha juízo,
Depois que o pleito passou
Fez-se o que foi preciso,
Continuou a treinar,
Toda hora, sem parar
Pra tirar o prejuízo...

Sertanejo pé pesado
Couro grosso, casca grossa
Tem coragem até demais
Esse pessoal da roça,
Começamos a ganhar
Torneio em qualquer lugar,
A vitória era nossa...
5

Fomos a um grande torneio
Lá no Sítio Umarizeiro...
O prêmio era de ponta
Nem troféu e nem dinheiro...
Naquela doce manhã
Ganhamos uma marrã
Para botar no chiqueiro...

O time com pulso firme,
Alegre, feliz da vida...
Ganhou lá no Sítio Altos
Uma cabrinha parida,
Um bode na Rua Nova,
As conquistas eram a prova
Que a equipe estava unida...

No Sítio Bezerro Morto,
Numa tarde ensolarada:
Uma novilha de porca
Muito gorda, bem cevada
Também engordou a lista
Desse tempo de conquistas
Da equipe consagrada...
6

Na hora da volta olímpica
Quase que deu confusão,
Deixaram o prêmio nas costas
Do pobre do capitão,
O coitado se esforçou
Quase que não completou
A volta de campeão.

Em fim, choveu no sertão,
Fizemos uma parada,
Fomos cuidar dos roçados
Diminuíram as peladas.
Zé Preto o treinador
Chamou o time e mostrou
Os títulos da temporada...

Uma galeria viva
E também muito esquisita,
Foi chamando cocho, cocho...
E mudou pra bita, bita...
Galinha, peru, marrã,
Foi essa a melhor manhã
Que eu passei na Bonita...
7

O treino, a dedicação,
O prazer de existir,
O respeito, a alegria
Sempre vão fazer surgir
Equipes de vencedores
Como a dos jogadores
Que listarei a seguir:

No gol ficava Carão,
Burrai e Zé Vaca Magra,
Corró, Antônio Morcego,
Buzica, Chico Chapada,
Valentim, Jiló, Melado
E Luís Arrupiado...
És a equipe formada.

Dê bola para as crianças,
Ensine-as a amar...
Onde você estiver
Não deixe de apoiar
Essa minha seleção,
Pois igual ao meu Sertão
Outro futebol não há.
Fim

Valentim Martins Quaresma Neto
Santa Helena-PB, junho de 2009

Fonte:http://literaturadecordel.vilabol.uol.com.br/

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Zabé da Loca



O Globo Rural apresenta uma dessas personagens incríveis que a gente encontra pelo Brasil afora. Uma mulher que toca a flauta típica do nordeste: o pífano. Ela é conhecida como Zabé da Loca.

Loca é uma gruta pequena. Na reportagem de Helen Martins e Francisco Maffezoli Junior você vai entender porque a Isabel, ou Zabé, é da loca.

Na dureza das pedras crescem cactos. Na aridez do cenário, surgem personagens que só o sertão parece fazer brotar. É assim na região do Cariri Paraibano, no município de Monteiro. Seguimos para a zona rural para encontrar uma moradora ilustre. Ela é conhecida como Zabé da Loca.

A idade não tirou seu senso de humor. Dona Zabé tem 86 anos e passa boa parte dos dias na varanda de sua casa azul, observando o movimento, que não é muito, e lembrando a sua história, que não é pouca. “Eu já trabalhei muito. Trabalhei tanto que fiquei velha no tempo. Pai gritava, nós éramos quatro, era um em casa mais a mãe e os outros no roçado mais ele. Me criei trabalhando, minha filha”, conta Isabel Marques da Silva.

Zabé é nascida em Buíque, Pernambuco. Ainda adolescente foi para o município de Monteiro, na Paraíba, e há sete anos vive no assentamento Santa Catarina, em uma casa que ganhou do Incra no processo de reforma agrária. Ela diz que não gosta de lá e que prefere a serra. “Eu gosto da minha serra. Eu não vou, porque a subida pra mim é ruim demais”.

Ela prefere mostrar o lugar da antiga casa sem sair da atual e aponta para um grupo de pedras. Uma delas costumava ser sua morada. É daí que vem o apelido “Zabé da Loca”. Loca quer dizer gruta, caverna. “Eu morei 25 anos debaixo dela. Era eu e os filhos. Tinha um marido, mas o marido morreu. Daí ficou eu e os dois filhos. Fui feliz, graças a Deus”.

Dona Zabé tem bronquite crônica. “Eu fumo, mas é pouquinho”. A audição também é bem prejudicada.

Fôlego e ouvido são essenciais para a arte que deu fama a ela: o pífano. Zabé é conhecida como a rainha do pífano. Ela conta que aprendeu a tocar o instrumento com o irmão, aos 10 anos. “To com vontade de parar com isso, porque isso acaba com o fôlego, acaba com os pulmões. O cigarro eu fumo só um pouquinho”, acredita.

Além do pífano, a vida passada na antiga loca define a figura de Zabé. O apelido acabou por virar seu nome artístico.

Tentamos convencê-la a visitar a loca mais uma vez. “Sei lá, minha filha. Se for muito cedinho...“. Com a promessa de sair cedo, deixamos a casa de dona Zabé.

No dia seguinte, bem cedinho, estamos de volta. Ela já está acordada, tomando um cafezinho. “Eu acho que não vou, não. Sei não. Eu vou resolver”, diz ela.

Dona Zabé teve três filhos. Uma filha foi criada por outra família, um filho é doente e o outro morreu. Quem cuida dela hoje é Josivane Caiano.

A senhora troca de roupa e concorda em nos acompanhar. Para chegar até a antiga casa de dona Zabé é preciso subir uns 200 metros. O caminho é feito bem devagarzinho e traz muitas lembranças.

Josivane ajuda na subida e na conversa. “Naquele tempo eu tinha mais força”, diz dona Zabé. Logo depois, ela chama a atenção do grupo “vocês estão subindo mais devagar do que eu!”.

Entramos na loca e nos acomodamos no jirau. Dona Zabé se emociona. “Eu ainda to acostumada aqui. Eu me lembro de tudo daqui. Tenho a maior vontade de voltar para o meu canto, mas eu não tenho mais meu filho, não tenho uma filha, não tenho mais marido”, lamenta.

Nas lágrimas, a saudade do tempo dentro da gruta. Quase um terço de sua vida.

Há muitos anos dona Zabé vivia em uma casa de taipa. Com o passar do tempo e as chuvas, a casa foi deteriorando, até que a casa caiu. Sem marido e com dois filhos para criar, ela precisava encontrar um abrigo. Numa região cheia de pedras, não foi difícil encontrar.

O pequeno espaço formado por uma pedra inclinada e outra que serve de apoio foi bem aproveitado com a construção de duas paredes de taipa, uma nos fundos e outra na frente, com porta e janela. Hoje, a prefeitura de Monteiro ajuda na manutenção da loca.

Dona Zabé se levanta para mostrar onde costumava cozinhar. “Era assim, riscava o fósforo e fazia o fogo. Botava as panelas no fogo, botava feijão, botava carne, se quisesse. Aí pronto. Era só comer, pronto. A gente fazia de comer, comia, aí quando dava meio dia eu corria pra cama, ficava lá, dormia”, conta.

Na loca não havia medo e dona Zabé diz que foi feliz. Passou necessidade, mas nunca fome. Do lado de fora, ela se lembra do trabalho na roça para sustentar os filhos. “Eu plantava milho, plantava feijão por isso tudo. É que eu não posso mais trabalhar agora, não, mas se eu pudesse trabalhar, eu estava era aqui. Aqui é meu. Aqui eu comprei, lá foi o Incra que deu”.

Não demora para dona Zabé sentir falta de Josivane. “Essa mossa aqui, quando eu morrer, com uns oito dias, um mês, eu venho aqui buscar ela”, brinca.

“Nem pense, nem pense. Eu não vou não”, diz Josivane.

A ligação entre Josivane e dona Zabé é quase de mãe e filha. As duas estão juntas há muitos anos. “Desde pequena eu convivo com Zabé. Minha mãe ia pra cidade e a gente ficava com Zabé, eu e mais quatro irmãos. Hoje a gente não tem mais como se afastar. Ela adoece quando eu saio de perto dela. Acho que sente mais segurança”, acredita a jovem.

Ao lado da Loca, Zabé ensaia as notas do hino nacional. A música, ao som do pífano de dona Zabé e sua banda foi parar em CD. Zabé ainda morava na gruta quando foi descoberta, aos 79 anos, pelo pessoal do projeto Dom Helder Câmara, do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Saída da loca, Zabé foi ganhando reconhecimento. Aos 85 anos, quem diria, recebeu o prêmio Revelação da Música Popular Brasileira em 2009. Ela coleciona diplomas importantes e muitas viagens de trabalho. As viagens e shows pelo Brasil mudaram a vida de Zabé e de muita gente ao redor.

“A dificuldade quando a gente começou a viajar, sete anos atrás, era de chegar no hotel e não saber preencher a fichinha. Eu ficava morrendo de vergonha, meu Deus do céu. Eu ficava empurrando para os outros fazerem. Aí me perguntavam ‘por que você não faz?’ e eu ficava com vergonha de dizer que não sabia ler. Quando eu comecei a preencher aquela fichinha eu disse ‘agora eu já sei, agora não tenho mais vergonha, não’. Antes de alguém pegar, eu já pegava. Falava ‘me dá a minha fichinha porque eu vou preencher a minha e as dos outros’”, revela Josivane.

Antônio Soares da Silva, seu Pitó, tem história parecida. Ele também faz parte da banda. “Da primeira vez que fui pra Brasília com ela, fiquei na rodoviária atado, sem saber onde estava o sanitário, porque não sabia o nome do sanitário, onde era. Estava vendo, mas não sabia. Daí apareceu esse Brasil Alfabetizado, eu fui, comecei e hoje eu leio até o jornal”, conta.

Com a fama de Zabé, a já letrada Josivane fez um projeto e venceu o prêmio do Ministério da Cultura. Com a verba que recebeu, 10 mil reais, criou uma escola de músicos. Seu Pitó dá aula de percussão e mostra que tem muito jeito com a criançada.

Dona Zabé ensina o pífano a Daniele, de 11 anos. Ela deve aprender logo, assim como Ranielson, que é neto de pifeiro, mas só foi aprender a tocar com o projeto de Zabé.

A banda dos meninos, formada há dois anos, já participa de festivais no estado da Paraíba. “Meu sonho é poder ampliar este projeto para outras áreas que não tenham Zabé como estímulo. Que não tem músicos, mas que tenham pessoas ali que carreguem uma cultura, que tenham uma raiz forte na música, na cultura, na arte”, afirma Josivane.

Cultivar a raiz, a raiz cultural do nosso povo, e fazer brotar desejos antes nem sonhados. Josivane que se tornar assistente social, seu Pitó que escrever suas próprias canções e os meninos da banda querem se tornar profissionais da música.

E o sonho de dona Zabé? “Meu sonho é trazer tudo de casa e vou me mudar para aqui”, diz.

A Zabé quer voltar pra loca, mas bem que ela gosta da vida de celebridade. Adora viajar e diz que vai de carro, de avião, do que aparecer. É bem festeira, diz que tendo festa, ela já está lá.


Fonte:http://globoruraltv.globo.com/GRural/0,27062,LTO0-4370-342689-1,00.html

Jakcson do Pandeiro - Biografia


O paraibano Jackson do Pandeiro foi o maior ritmista da história da música popular brasileira e, ao lado de Luiz Gonzaga, o responsável pela nacionalização de canções nascidas entre o povo nordestino. Pelas cinco gravadoras que passou em 54 anos de carreira artística estão registrados sucessos como Meu enxoval, 17 na corrente, Coco do Norte, O velho gagá, Vou ter um troço, Sebastiana, O canto da Ema e Chiclete com Banana.

A história da sua carreira artística reforça a herança da influência negra na música nordestina - via cocos originários de Alagoas - que lhe permitiram sempre com o auxílio luxuoso de um pandeiro na mão se adaptar aos sincopados sambas cariocas e à música de carnaval em geral.

Dono de um recurso vocal único, ele conseguia dividir seus vocais como nenhum outro cantor na música popular brasileira. Seu maior mérito foi de ter levado toda riqueza dos cantadores de feira livre do Nordeste para o rádio e televisão, enfim para a indústria cultural. Grandes nomes da MPB lhe devotam admiração e já gravaram seus sucessos depois que o Tropicalismo decretou não ser pecado gostar do passado da música brasileira, principalmente, a de raiz nordestina.

O intérprete de uma música brasileira feita para dançar criou um estilo único de cantar. Nascido em Alagoa Grande, Paraíba, 31/08/19, numa família de artistas populares. Sua mãe, Flora Mourão, era cantora e folclorista de Pastoril e o batizou como José Gomes Filho o apelidou de Jack pelo sua semelhança física com um ator norte-americano de filmes de western dos anos 30, Jack Perry.


O Tocador de Pandeiro

Começou na verdade, tocando zabumba, para acompanhar a mãe, mas fazia sucesso na região com o instrumento que marcaria sua trajetória: o pandeiro. Com ele, viajou em busca do sucesso. Passou por Campina Grande e João Pessoa onde adotou o pseudômino de “Zé Jack”. Sua busca pelo sucesso o leva a capital pernambucana.

Decide se tornar músico quando ouviu A Jardineira (Benedita Lacerda e Humberto Porto). Trabalhando numa padaria forma uma dupla de brincadeira com José Lacerda, irmão mais velho de Genival Lacerda.

No início da década de 50, ainda em Recife, começa a se apresentar na Rádio Jornal do Comércio onde, por recomendação de um diretor da emissora, adota o nome artístico de Zé do Pandeiro. Tendo chamado a atenção da direção da emissora consegue gravar seu primeiro compacto de 78 rpm. Era o xote Sebastiana que já demonstrava que além de ser o rei do ritmo, Jackson do Pandeiro, iria buscar inovações estéticas dentro da música nordestina. Ele já arriscava nas suas improvisações de vocalizações com tempo variado dentro de uma mesma música.

Torna-se depois de alguns compactos, um verdadeiro sucesso no Nordeste e Norte do país. Os ecos do seu sucesso já começava a chegar no Rio de Janeiro. O xote Forró no Limoeiro foi um sucesso estrondoso e Jackson impunha-se cada vez mais como um artista popular que se pautou pela ousadia numa época de poucos improvisos tupiniquins, vindo a se tornar referência para artistas oriundos da classe popular quanto da classe média brasileira.

No Recife, conhece sua futura esposa, Almira Castilho, uma ex-professora que cantava mambo e dançava rumba Dessa época consegue gravar pela gravadora pernambucana "Mocambo" seu primeiro sucesso: o xaxado Sebastiana de autoria do pernambucano Rosil Cavalcanti.

Jackson e Almira formavam a dupla perfeita. Desde o início se preocupavam com o visual e com as performances de palco. Ela, sensual com um belo jogo de cintura e ele, com toda musicalidade explosão de ritmos e uma voz especial. Almira teve um papel fundamental na vida de Jackson, pois o ensinou a escrever seu nome e o estimulou a expandir sua música além das divisas da Paraíba.

Esta paixão avassaladora os unir e os levou, em 54, ao Rio de Janeiro. A união em casa e no palco durou até o ano de 1967 quando se desfez a dupla e o casamento. A trajetória de Jackson de Pandeiro não registra números de vendagens significativos, nenhuma aventura pelo exterior e muito menos o charme que cerca os ídolos da música popular brasileira.

Antes de mais nada, Jackson do Pandeiro pode bancar a vinda ao Rio de Janeiro com o dinheiro obtido com o compacto do rojão Forró no Limoeiro. Ele queria conhecer os jornalistas que escreviam sobre sua música nos jornais cariocas. Conheceu a maioria deles. Faz ainda algumas apresentações em São Paulo, em boates e em programas de auditório de rádio e tv.

Convidado pelo empresário Vitorio Lattari ele grava alguns compactos. O público sulista se apaixona, então, pela embolada Um a um. Retorna a João Pessoa e grava O xote de Copacabana uma homenagem à Cidade-Maravilhosa que o fascinou. Casa-se em outubro de 54, em João Pessoa, com sua parceira.

Devido a aceitação do público e crítica na sua primeira ida ao Rio de Janeiro, decide, em 55, se mudar definitivamente com a esposa Almira. Se apresenta nas emissoras de rádio, Tupi e Mayrink Veiga, e é contrato pela Rádio Nacional. A partir daí, Jackson do pandeiro começa a transformar o rumo da música nordestina, freqüentando assim como Luiz Gonzaga, o eixo central da indústria cultural do país.

Nordestinidade, sambas cariocas e marchas de carnaval
Veja discografia completa

A pedido da demanda do mercado musical carioca, Jackson do Pandeiro grava marchas de carnaval, como Mão na toca, Intenção e Boi da cara preta. Em 62, ele viria a gravar um grande sucesso carnavalesco do ano de 62, a marcha Me segura que eu vou dar um troço. Adaptado aos diversos ritmos brasileiros de raiz, Jackson do Pandeiro demonstrou ser artista com livre trânsito na base musical brasileira, um artista completo. Ele começou, também, teve a sacação de misturar a malandragem e a malícia do samba carioca com o suingue das emboladas e dos cocos nordestinos.

Durante a década de 50, Jackson e Almira ganham projeção na mídia nacional e começam a atuar como artistas em filmes populares, como "Minha sogra é da polícia", "Cala boca Etevilna", "Tira a mão daí" e "Batedor de carteiras". Destaque para a película "Tira mão daí" em que Jackson do Pandeiro de 1956 em que o músico atuou ao lado de Ângela Maria, Virgínia Lane e das irmãs Linda e Dircinha Batista.

Até a dissolução da dupla, o trio "Pau de Arara" - formado pelos irmãos Geraldo "Cícero", João "Tinda" Gomes, pelo sobrinho Severino e Vicente e Pacinho - os acompanhava no formato de típico de "trio" nordestino - zabumba, triângulo, arcodeon, pandeiro e violão. Depois da dissolução, o conjunto foi rebatizado de Borborema.

Último álbum e morte na "estrada"

Em 81, grava pela Polygram seu último trabalho: "Isso é que é forró" que traz um Jackson do pandeiro exibindo música forrozeira em Quem tem um não tem nenhum e sambas sincopados, como o Competente demais de sua autoria. O último disco contou com a presença do conjunto Borborema com produção de Armando Pittigliani que respeitou os arranjos concebidos por jackson do pandeiro.

No ano seguinte, durante excursão empreendida pelo país, Jackson do Pandeiro que era diabético desde os anos 60, morreu, aos 62 anos, no dia 10/07, em Brasília, em decorrência de complicações de embolia pulmonar e cerebral. Ele tinha participado de um show na cidade uma semana antes e no dia seguinte passou mal no aeroporto antes de embarcvar para o Rio de Janeiro. Ele ficou internado na Casa de Saúde Santa Lúcia. Foi enterrado em 11/07 no cemitério do Cajú no Rio de Janeiro com apresença de músicos e compositores popoulares, sem a presença de nenhum medalhão da MPB.

O futuro dam carreira parecia se reabrir, pois a Ariola queria fazer um disco dele com participações com nomes da MPB, como Alceu Valenca, Moraes Moreira e Elba Ramalho. Não houve tempo para o reencontro de Jackson do Pandeiro com o sucesso e com uma outra geração
de fãs.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dom Helder: Pastor da Liberdade PARTE I

Produzido pelos jornalistas Marcos Cirano, César Almeida e Ciro Rocha, o vídeo Dom Helder Pastor da Liberdade narra o que foi a vida de Dom Helder Câmara, então arcebispo de Olinda e Recife, durante o conturbado período da ditadura militar instalada no Brasil a partir de 1964.

Com duração de 18 minutos, traz depoimentos de jornalistas, padres, historiadores, políticos, ex-presos políticos e gente que conviveu e trabalhou com o líder religioso que representou um dos integrantes da Igreja Católica que mais se engajaram na luta pela liberdade e defesa dos direitos humanos.

No DVD, são mostradas a derrubada do governo Jango, a ascensão dos coronéis e a chegada, semanas depois do golpe, de Dom Helder para assumir a arquidiocese. É traçada uma cronologia da atuação de Dom Helder como um arcebispo engajado, que tinha sua casa metralhada, recebia ameaças e enfrentava a aversão dos militares que detinham o poder.

Patrocinado pela Companhia Hidro Elétrica do São Fancisco - Chesf, o DVD teve uma tiragem de 200 cópias, que foram distribuídas em bibliotecas e instituições públicas.

Fonte:http://www.pe-az.com.br/

O Diabo Nordestino

O Deus e o Diabo dos brancos chegaram ao Nordeste nas caravelas de Pedro Álvares Cabral. Enquanto Frei Henrique de Coimbra plantava a cruz da Fé celebrando a primeira misse, que também foi assistida pelos indígenas, o Diabo fazia das suas, desviando a atenção dos membros da expedição portuguesa para a nudez acobreada das mulheres nativas.

Naquele tempo, o Diabo estava no apogeu de sua fama, respeitado e temido no mundo Inteiro, personagem central de tudo quanto ara lenda, estórias e crendices armazenadas desde o começo do mundo. Cada um respeitava o temia o chifrudo conforme o uso de sua província. No entanto, era generalizada a crença de que se alguém pronunciasse o nome do Diabo, ele poderia aparecer. Para que Isso não acontecesse, os portugueses inventaram apelidos para o Diabo, que eram uma maneira de enganá-lo.


Alguns apelidos nordestinos para o Diabo:

"Afuleimado", "Amaldiçoado'', "Arrenegado", "Barzabu", "Bicho-Preto", "Bruxo", "Cafuçu", "Canheta", "Capa Verde", "Diogo", "Diale","Diá", "Diacho", "Diangas", "Dianho", "Demo", "Satã", "Dedo", "Ele", "Esmolambado", "Excomungado, "Feio", "Feiticeiro", "Ferrabrás", "Futrico", "Gato-Preto", "Imundo", "Inimigo", "Lúcifer", "Mequetrefe", "Mal-Encaracio", "Mofento", "Não-Sei-Que-Diga", "Negrão", "Nojento", "Pé-de-Cabra", "Pé-de-Pato", "Peitica", "Rabudo", "Rapaz", "Sapucaio", "Sarnento", "Tição", "Tisnado", "Tinhoso".

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Os indígenas



A colonização do território brasileiro pelos europeus representou em grande parte a destruição física dos indígenas através de guerras e escravidão, tendo sobrevivido apenas uma pequena parte das nações indígenas originais.

A cultura indígena foi também parcialmente eliminada pela ação da catequese e intensa miscigenação com outras etnias. Atualmente, apenas algumas poucas nações indígenas ainda existem e conseguem manter parte da sua cultura original. Indígena brasileiro, representando sua rica arte plumária e de pintura corporal

Apesar disso, a cultura e os conhecimentos dos indígenas sobre a terra foram determinantes durante a colonização, influenciando a língua, a culinária, o folclore e o uso de objetos caseiros diversos como a rede de descanso. Um dos aspectos mais notáveis da influência indígena foi a chamada língua geral (Língua geral paulista, Nheengatu), uma língua derivada do Tupi-Guarani com termos da língua portuguesa que serviu de lingua franca no interior do Brasil até meados do século XVIII, principalmente nas regiões de influência paulista e na região amazônica.

O português brasileiro guarda, de fato, inúmeros termos de origem indígena, especialmente derivados do Tupi-Guarani. De maneira geral, nomes de origem indígena são frequentes na designação de animais e plantas nativos (jaguar, capivara, ipê, jacarandá, etc), além de serem muito frequentes na toponímia por todo o território.

A influência indígena é também forte no folclore do interior brasileiro, povoado de seres fantásticos como o curupira, o saci-pererê, o boitatá e a iara, entre outros. Na culinária brasileira, a mandioca, a erva-mate, o açaí, a jabuticaba, inúmeros pescados e outros frutos da terra, além de pratos como os pirões, entraram na alimentação brasileira por influência indígena.

Essa influência se faz mais forte em certas regiões do país, em que esses grupos conseguiram se manter mais distantes da ação colonizadora, principalmente em porções da Região Norte do Brasil.

Fonte:http://culturapopular2.blogspot.com/2010/03/os-indigenas.html